PROFÍCUAS PARCERIAS

Gabaritados colunistas e colaboradores, de domingo a domingo, sempre com novos temas.

ENTREVISTAS EXCLUSIVAS

Um bate-papo com alguns dos maiores nomes da MPB e outros artistas em ascensão.

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

Mostrando postagens com marcador Edith do prato. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Edith do prato. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

DONA EDITH DO PRATO, 10 ANOS DE SAUDADES

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

DONA EDITH DO PRATO, 05 ANOS DE SAUDADES...


Incluso na região metropolitana de Salvador, o Recôncavo baiano abrange além da capital do estado da Bahia municípios como Santo Antônio de Jesus, Candeias, São Francisco do Conde entre outros municípios; como, por exemplo, Santo Amaro da Purificação, que ficou nacionalmente conhecido por trazer entre seus ilustres filhos nomes como Assis Valente, Caetano Veloso, Maria Bethânia entre outros. Localizada em torno da Baía de Todos-os-Santos, confesso que meu discernimento não alcança se há algo na região que propicia o desenvolvimento desses talentos, no entanto é público e notório o propício desenvolvimento dos samba-de-rodas (variante do tradicional ritmo brasileiro e que teve sua origem no próprio estado da Bahia).

Uma das maiores representantes deste ritmo não só em Santo Amaro, mas em todo o estado da Bahia foi Edith Oliveira Nogueira, que ficou mais conhecida por Dona Edith do Prato. De modo despretensioso a dona de casa usava uma faca e um prato como instrumentos de percussão cantando sambas-de-roda. Ninho Nascimento, produtor musical e neto de criação de Dona Edith, sabe bem como foi o início de tudo: "Ela começava a tirar os primeiros sons da metade de uma cuia de queijo quando brincava de fazer comida no quintal de casa. Na adolescência, tocava prato e assim descobriu um som diferente e foi aperfeiçoando. Para ela, o prato tinha que ser de louça e o mais barato, e a faca de inox, sem cabo de madeira. Não teve referência artística, mas um dom, que foi desenvolvendo aos poucos. Ela nunca se imaginou artista."

Dona Edith subiu ao palco pela primeira vez na década de 1970 ao lado do cantor e compositor Roberto Mendes, em Salvado, mas em 1969 já tinha o toque do seu prato registrado na canção "Torno a repetir", um tema de domínio público adaptado por Caetano. Quatro anos depois ela voltava para o estúdio para participar do álbum Araçá Azul, também de Caetano Veloso. No álbum ela canta uma adaptação de Veloso para tema de domínio público "Viola, Meu Bem", além de dividir com ele os vocais em "Sugar Cane Fields Forever". Amiga ao longo de décadas de Dona Canô, Edith acabou tornando-se figura recorrente nos trabalhos dos filhos da matriarca dos Veloso. Em 1983 participou do álbum Ciclo de Maria Bethânia com a canção "Filosofia Pura"de autoria de Roberto Mendes e Jorge Portugal; Em 1991, grava o samba-de-roda "Boas vindas" canção composta por Caetano em homenagem ao filho Zeca, recém-nascido.

Em 2002 Edith grava o álbum Vozes da Purificação (único registro de Edith e que posteriormente gerou um DVD), e que conta com a participação não só dos Velosos (Bethânia e Caetano), mas também de nomes como Roque Ferreira, Cortejo Afro, Mariene de Castro entre outros. O álbum é composto principalmente por temas populares adaptados, as exceções são "How Beautiful Could A Being Be", de autoria de Moreno Veloso (filho de Caetano) e o "Hino De Nossa Senhora Da Purificação", composto por Domingos de Faria Machado, compositor santoamarense.

Raspando a faca no prato de modo bastante peculiar Dona Edith soube como poucas trazer consigo a típica sonoridade do Recôncavo, entoando seus sambas de roda de modo bastante pessoal, tornando-se a partir daí como certa vez definiu Hermínio Bello de Carvalho, uma espécie de cartão postal sonoro da Bahia.

sábado, 9 de janeiro de 2010

01 ANO SEM DONA EDITH DO PRATO

Há um ano, uma voz calou-se em Santo Amaro da Purificação (a 94 km de Salvador, no Recôncavo baiano). Em uma tarde com a mesma data de hoje (09 de janeiro), porém em uma sexta-feira, ao som de Luzes da Ribalta, de José Augusto, os santoamarenses deram o último adeus à sambista Edith Oliveira Nogueira, mais conhecida como Edith do Prato, 94, que ficou famosa por usar um prato e uma faca como instrumentos.

Edith participou do disco Araçá Azul, de Caetano Veloso, de quem foi mãe de leite. Trinta anos depois, aos 86 anos de idade, gravou o próprio CD, Dona Edith do Prato e Vozes da Purificação, produzido pelo cantor e compositor J. Velloso, com patrocínio do governo do Estado.

Foram poucas, mas marcantes, as vezes em que as chulas, sambas-de-roda e lundus, típicos do Recôncavo baiano, subiram aos palcos pontuadas pelo toque do prato de dona Edith, que nunca imaginou fazer carreira artística e nem usou esse dom como profissão. Não teve nenhuma referência artística, mas contou com o dom natural de tocar um simples prato de louça, ainda adolescente.

“Ela começava a tirar os primeiros sons da metade de uma cuia de queijo quando brincava de fazer comida no quintal de casa. Na adolescência, tocava prato e assim descobriu um som diferente e foi aperfeiçoando. Para ela, o prato tinha que ser de louça e o mais barato, e a faca de inox, sem cabo de madeira. Não teve referência artística, mas um dom, que foi desenvolvendo aos poucos. Ela nunca se imaginou artista”, contou o neto de criação e produtor Ninho Nascimento.

As duas famílias mais conhecidas de Santo Amaro, a Velloso e a Oliveira, são muito próximas porque a irmã caçula de Edith, Nicinha, foi criada por dona Canô, e Caetano é filho de leite de dona Edith.

EM PÚBLICO – A primeira aparição pública de dona Edith do Prato foi em Santo Amaro, há 60 anos, no aniversário de Maria Mutti, diretora do Núcleo de Incentivo Cultural de Santo Amaro. Tocando prato, ela se apresentou há dois anos e meio com Roberto Mendes no SESC Pompéia, em São Paulo. Em Salvador, foi em junho do ano passado que apareceu pela última vez em público, no lançamento do livro Mulheres negras do Brasil, na Fundação Pedro Calmon. “Na página 404, há relatos sobre a vida e a tardia, mas influente, musicalidade de dona Edith”, ressaltou Ninho. Em 2004, ela ganhou o Prêmio TIM de Melhor Disco Regional.

Segundo Ninho, que a acompanhava em todos os lugares há 14 anos, dona Edith do Prato não sofreu influência artística, mas foi uma referência para outros artistas como o próprio Caetano, Maria Bethânia e Mariene de Castro. A primeira vez que ela saiu de Santo Amaro foi em 1972, com Roberto Mendes, para se apresentar num festival, em Feira de Santana. “No ano seguinte Caetano a projetou como intérprete, foi quando se tornou mais conhecida. Teve participações também no disco Circuladô, de Caetano, em três discos de Roberto Mendes, e do disco Ciclo, de Maria Bethânia. Ela influenciou todos esses artistas que a tornaram conhecida”, contou.

Alguns até tentaram aprender a tocar prato com dona Edith, como Mariene de Castro e o próprio filho, Luciano Oliveira, 63 anos, que foi percussionista, além de Valmar Paim, que hoje é músico do Chiclete com Banana.

A técnica de tocar pratos descoberta por dona Edith tem particularidades. “O prato tem que ser o mais vagabundo e barato, de louça. Não é qualquer louça ou faca que produz o melhor som. A faca tem que ser fina e sem cabo de madeira, toda de inox”, ensinou o neto de criação, Edson Nasciento.

Dona Canô, a matriarca dos Velloso, relatou que Santo Amaro perdeu uma pessoa de boa índole e que ajudou a projetar a cidade. “Ultimamente Edith perdeu a força e deixou de tocar prato. Deu nome a Salvador e à Bahia. Uma voz que se calou no Recôncavo e deixa muitas saudades”, avaliou.

Toda Santo Amaro se mobilizou para se despedir da sambista. Ela morreu às 22h30 de quinta-feira, aos 94 anos, depois de apresentar insuficiência respiratória. Estava internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Português desde o último dia 18, devido a um Acidente Vascular Cerebral (AVC)

Nas palavras do poeta Hermínio Bello de Carvalho, Dona Edith do Prato é uma espécie de cartão postal sonoro da Bahia. Nascida há 87 anos em Santo Amaro da Purificação, região do Recôncavo Baiano, Dona Edith surgiu para a música brasileira há exatas três décadas, com uma participação indelével no disco Araçá Azul, de Caetano Veloso.Na faixa de abertura do álbum, Dona Edith fazia o que mais sabe: entoar samba de roda (no caso Viola meu bem, D.P.) e raspar a faca no prato, num suingue personalíssimo que lhe valeu o nome artístico. A partir daí, Dona Edith tornou-se referência para diversas gerações de cantadores.

O disco Vozes da Purificação, lançamento do selo Quitanda (distribuição Biscoito Fino), apresenta Dona Edith do Prato em toda a sua simplicidade gloriosa. Gravado em 2002 (e lançado a princípio numa tiragem comercial restrita), o álbum chega ao grande público pelas mãos de Maria Bethânia, que participa dos sambas de roda Quem Pode Mais, Dona da Casa e Eu Vim Aqui. Dona Edith já havia sido recebida por Bethânia no disco Ciclo, onde interpretou a chula Filosofia Pura.

Caetano Veloso é outro a purificar as vozes do Recôncavo de Edith. Ele participa de Minha Senhora, música que inspirou a composição tropicalista homônima de Gilberto Gil e Torquato Neto. Apontando para diversas gerações dos Velloso (assim mesmo, com L dobrado, como aparece no encarte do CD), Caetano une o samba de Santo Amaro a How Beautiful Could a Being Be, de autoria de seu filho Moreno. Outro filho talentoso do Recôncavo é o sambista Roque Ferreira, que participa da faixa Ariri Vaqueiro.

Das 14 faixas do álbum, apenas três não pertencem ao Domínio Público. Além da já citada How Beautiful, são elas Raiz, de Roberto Mendes e Jota Velloso (este, o produtor do disco), e o Hino de Nossa Senhora da Purificação, de Carlos Sepulveda. A predominância das faixas de autoria desconhecida se deve ao fato de o samba de roda ser um gênero primitivo, cantado e cultivado pelas baianas antes do aparecimento do samba propriamente dito, no Rio, na década de 10.

Nas palmas e na cantoria coletiva, típica dos sambas do Recôncavo, destaca-se o grupo de cantadoras septuagenárias de Santo Amaro, não por acaso batizado com o mesmo nome do disco: Vozes da Purificação. A arte da capa e do encarte é de Gringo Cardia.


Vozes da Purificação (2004)

Faixas:
01 - Abertura e Cavaleiro (D. Edith do Prata e Vozes da Purificação)
02 - Quem Pode Mais / Dona da Casa / Eu Vim Aqui (com Maria Bethânia) (D. Edith do Prata e Vozes da Purificação)
03 - Marinheiro Só (D. Edith do Prata e Vozes da Purificação)
04 - Casa Nova / Raiz (com Mariene de Castro) (D. Edith do Prata e Vozes da Purificação)
05 - Tombo do pau (D. Edith do Prata e Vozes da Purificação)
06 - Samba Numerado (com Cortejo Afro) (D. Edith do Prata e Vozes da Purificação)
07 - Ariri Vaqueiro (com Roque Ferreira) (D. Edith do Prata e Vozes da Purificação)
08 - Senimbú e Calolé (D. Edith do Prata e Vozes da Purificação)
09 - Ai Dindinha (com Nené Barreto) (D. Edith do Prata e Vozes da Purificação)
10 - Minha Senhora / How Beautiful (com Caetano Veloso) (D. Edith do Prata e Vozes da Purificação)
11 - Santo Amaro ê ê (Erlon Portugal) (D. Edith do Prata e Vozes da Purificação)
12 - Viola Meu Bem (D. Edith do Prata e Vozes da Purificação)
13 - Vivas (D. Edith do Prata e Vozes da Purificação)

sexta-feira, 20 de março de 2009

ADEUS DONA EDITH!

Hoje após dá uma passada em blogs relacionados a música, descobri que no início deste ano faleceu a instrumentista e cantora Edith Oliveira Nogueira, mais conhecida como Edith do prato.
Nas palavras do poeta Hermínio Bello de Carvalho, Dona Edith do Prato é uma espécie de cartão postal sonoro da Bahia. Nascida em Santo Amaro da Purificação, região do Recôncavo Baiano, Dona Edith surgiu para a música brasileira há exatas três décadas, com uma participação indelével no disco Araçá Azul, de Caetano Veloso. Na faixa de abertura do álbum, Dona Edith fazia o que mais sabe: entoar samba de roda (no caso Viola meu bem, D.P.) e raspar a faca no prato, num suingue personalíssimo que lhe valeu o nome artístico. A partir daí, Dona Edith tornou-se referência para diversas gerações de cantadores.

Edith do Prato, foi enterrada por volta das 16 horas desta sexta-feira, 9, no Cemitério Campo de Caridade, em Santo Amaro da Purificação (95 km de Salvador), sob forte emoção de familiares, amigos e artistas, que acompanharam sua trajetória musical. Ela estava hospitalizada desde o dia 18 de dezembro do ano passado, vindo a falecer no dia 09 de janeiro deste ano. O corpo foi velado na capela da Santa Casa de Misericórdia por todo o dia. Durante o velório, o grupo musical do Núcleo de Incentivo à Cultura de Santo Amaro (Nicsa) e as senhoras do Vozes da Purificação, coro das oito cantoras septuagenárias que a acompanhavam no disco e nos shows, prestaram a última homenagem à sambista. No final do sepultamento, Caetano Veloso cantou “Viola meu bem”, acompanhado nas palmas de todos os presentes.Caetano chegou muito emocionado ao enterro, a exemplo dos irmãos dele, de Nicinha (irmã de dona Edith), da escritora Mabel e do cantor J. Velloso. Caetano foi quem projetou dona Edith (ela participou de discos do cantor), mas ela também contou com a ajuda de outros artistas. Caetano resumiu o significado do adeus. “Uma perda muito grande. Uma perda da história cultural do Recôncavo”, disse o cantor. A família Velloso tinha laços fortes com ela, que era mãe de leite de Caetano. Dona Canô, por sua vez, é a mãe de criação de Nicinha, irmã caçula de dona Edith.Ainda adolescente, dona Edith começou a tirar os primeiros sons da metade da cuia de um queijo no quintal de casa. A sambista deixou dois filhos e duas netas.

Dona Edith lançou pelo selo quitanda (biscoito fino) em 2004, um único e primoroso trabalho que tem por título vozes da purificação. O show desse álbum transformou-se em DVD e que foi lançado no ano posterior, vale a pena a aquisição desse material, é um luxo só!

LinkWithin