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Um bate-papo com alguns dos maiores nomes da MPB e outros artistas em ascensão.

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Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

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quarta-feira, 28 de março de 2018

LEGADO DE DALVA DE OLIVEIRA É CELEBRADO EM CD COM PARTICIPAÇÃO DE VÁRIAS GERAÇÕES DE ARTISTAS

O repertório lançado pela cantora marca até hoje a história da música popular brasileira

Por Ana Clara Brant


O Cruzeiro/Arquivo EM - 31/10/52
Dalva de Oliveira (C), em 1952, quando gravou a marcha Estrela do mar
(foto: O Cruzeiro/Arquivo EM - 31/10/52)


A história dela foi parar em livros, palcos e até em minissérie da Globo. Curiosamente, em 2017, ano de seu centenário de nascimento, aquela que é considerada por muitos a maior cantora do Brasil foi pouco lembrada. “Dalva de Oliveira é uma das artistas mais completas que este país já viu, uma intérprete fabulosa. Infelizmente, não tivemos muitos eventos para celebrá-la”, lamenta o produtor musical e jornalista Thiago Marques Luiz. Partiu dele e do pesquisador e crítico Ricardo Cravo Albin uma das raras homenagens à “Estrela Dalva”.
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De julho a agosto do ano passado, 32 artistas de várias gerações e estilos se reuniram no espetáculo Dalva de Oliveira – 100 anos. Foram duas noites: em São Paulo, no Teatro J. Safra, e no Rio de Janeiro, no Imperator. Angela Maria, Claudette Soares, Alaíde Costa e Leny Andrade – cantoras que conviveram com Dalva – subiram ao palco, além de representantes da nova cena da MPB: Filipe Catto, Julia Vargas, Ayrton Montarroyos, Xênia França, Assussena e Raquel Virgínia – as duas últimas integrantes da banda As Bahias e a Cozinha Mineira.

“A ideia era justamente fazer o encontro de gerações, reunindo diversos estilos e influências. Essa mistura é muito bacana. Particularmente, tenho muito orgulho de levar para o palco Dóris Monteiro, Alaíde Costa, Luciene Franco, que foi nora da Dalva, Claudette Soares, Célia, Eliana Pittman e Maria Alcina, grandes cantoras que estão na ativa. Ao mesmo tempo, mostramos a turma que está acontecendo: Ayrton Montarroyros, que ficou conhecido no The voice, Marina de La Riva e Filipe Catto. Música não tem idade”, ressalta Thiago Luiz. O jornalista é especialista em comemorar o centenário de nomes emblemáticos de nossa música. Já ganharam tributos Cartola, Carmen Miranda, Herivelto Martins (ex-marido de Dalva de Oliveira), Adoniran Barbosa e Luiz Gonzaga. “Todos esses eventos reuniram os mais variados tipos de artistas. No segundo semestre, vamos celebrar os 100 anos do sambista Geraldo Pereira”, avisa, referindo-se ao mineiro de Juiz de Fora, autor do clássico Acertei no milhar.



Maio
As duas apresentações em homenagem a Dalva, mãe do saudoso cantor Pery Ribeiro, resultaram no CD duplo gravado ao vivo lançado pela Biscoito Fino. “A festa não acabou. Vamos fazer um show de lançamento em maio, no Rio, e mais para a frente em São Paulo. Esse trabalho mostra toda a força da Dalva, pois traz o repertório imortalizado por ela – Segredo, Calúnia, Bandeira branca, Zum zum e Ave Maria no morro. Além isso, tem o lado B, as canções não tão conhecidas”, revela.

Uma das faixas do CD é Mentira de amor, a última gravação da cantora Célia, que morreu em setembro do ano passado. O álbum, aliás, foi dedicado a ela. “O mais bacana é que praticamente todas essas composições foram feitas para a Dalva e lançadas por ela. Dalva de Oliveira se tornou um mito porque era cantora única, com uma potência vocal de impressionar. Ela nunca se repetia. Teve várias seguidoras, como a própria Angela Maria”, diz o pesquisador. Nascida em Rio Claro (SP), a cantora morreu em 1972, aos 55 anos, de câncer.

Thiago Marques Luiz, de 38 anos, conta que a curiosidade a respeito da música brasileira o acompanha desde a infância. “Guardava o dinheiro que meus pais davam para o lanche e comprava LPs dos cantores. Formei-me em jornalismo e acabei trabalhando com produção musical. Há uns 10 anos faço projetos celebrando os grandes nomes da MPB. No que depender mim, essas figuras, fundamentais para a nossa história e a nossa cultura, serão sempre lembradas”, conclui.


Casa de Dalva

Neste domingo, os mineiros Thelmo Lins e Wagner Cosse vão homenagear Dalva de Oliveira. Às 18h, a dupla apresenta o show Casa de Dalva no Teatro Santo Agostinho. O repertório reúne os clássicos Máscara negra, Errei, sim e Bandeira branca, entre outros. Thelmo e Wagner estarão acompanhados por Rogério Delayon (cordas e arranjos) e Tatá Sympa (teclado e acordeom). O teatro fica na Rua Aimorés, 2.679, Bairro Santo Agostinho. Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada). Informações: (31) 3209-4858. Entradas antecipadas custam R$ 17 e podem ser adquiridas no site www.sympla.com.br/tw.


DALVA DE OLIVEIRA: 100 ANOS
Vários artistas
32 faixas
Biscoito Fino
Preço sugerido: R$ 50

sábado, 17 de março de 2018

DISCO DE MARCOS SACRAMENTO HOMENAGEIA ARACY DE ALMEIDA

Projeto teve início em 2014, em parceria com o violonista Luiz Flavio Alcofra

Por Ana Clara Brant 


O Cruzeiro/Arquivo EM - 24/5/1949 (foto: O Cruzeiro/Arquivo EM - 24/5/1949)


Nos últimos anos de vida, Aracy de Almeida (1914-1988) ficou marcada como jurada do programa de calouros de Silvio Santos e pelo indefectível bordão “vou mandar 10 paus”. Ainda hoje, poucos sabem que essa carioca, com seu jeito especial de cantar, marcou de forma especial a história da música popular brasileira.
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“As novas gerações, principalmente, ficaram com o registro dela como pessoa rabugenta e ranzinza, sempre a identificaram como aquela jurada. Uma das funções do nosso trabalho é justamente corrigir esse equívoco, jogar luz sobre uma das figuras mais importantes da música brasileira. Aracy foi revolucionária em todos os sentidos”, ressalta Marcos Sacramento. O cantor se refere à série de shows e ao disco Aracy de Almeida – A rainha dos parangolés (Acari Records), homenagem à “Dama do Encantado”, apelido que ela ganhou devido ao subúrbio onde viveu.

Idealizado pelo compositor e produtor Hermínio Bello de Carvalho – amigo e admirador da artista –, o projeto teve início em 2014, ano do centenário de nascimento dela. Na época, Marcos Sacramento e o violonista Luiz Flavio Alcofra se apresentaram em São Paulo, Rio de Janeiro, Niterói e Curitiba.

O repertório traz canções eternizadas por Aracy, sobretudo as de Noel Rosa. Durante muitos anos, a carioca ficou conhecida como a intérprete favorita do sambista. “Ela carregou isso para o bem e para o mal. Apesar de realmente o Noel ter predileção pela Aracy, ela ficou com essa chancela. É uma impressão reducionista, pois Aracy de Almeida era muito mais do que isso”, ressalta Sacramento.

A ideia não é apenas revisitar o cancioneiro que a marcou – Triste cuíca (Noel Rosa e Hervê Cordovil), Onde está a honestidade? (Noel Rosa), Camisa amarela (Ary Barroso), Quando tu passas por mim (Antônio Maria/Vinicius de Moraes) e O orvalho vem caindo (Noel Rosa e Kid Pepe) –, mas buscar reinterpretar esse repertório. “Até porque ninguém canta como ela cantava. É uma aproximação da obra da Aracy, uma abordagem respeitosa, mas com a nossa assinatura, pois todos os arranjos são do Luiz Flavio. Ele traz toda a atmosfera do universo do Ary, do Noel e do Francisco Alves”, explica Sacramento.

O resultado dos shows foi tão surpreendente que surgiu a ideia de registrá-los em disco. Daniel Boechat (cuíca) se juntou a Sacramento e Alcofra. Hermínio Bello, que assina a produção do álbum, batizou o projeto como A rainha dos parangolés. Parangolé significa conversa fiada, falar besteira.

Nos anos 1940/1950, lembra Sacramento, artistas tinham apelidos que se tornaram famosos. Angela Maria é a “Sapoti”. Francisco Alves ficou conhecido como “O Rei da Voz”. Carmen Miranda virou “Pequena Notável”. Aracy era a “Dama do Encantado”.

“Porém, o Hermínio resolveu dar à velha amiga uma nova alcunha. Figura polêmica que convivia com boêmios e ia para a zona beber com Noel Rosa, ela era totalmente à frente de seu tempo. Hermínio misturou tudo isso e chamou de parangolé. Casou bem com o que a Aracy de Almeida representou”, conclui Sacramento.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

DALVA DE OLIVEIRA: 100 ANOS DA INTÉRPRETE DA ALMA PASSIONAL BRASILEIRA

Cantora protagonizou a mais célebre polêmica conjugal da MPB



Dalva de Oliveira, aqueles olhos verdes


A cidade de Rio Claro, no interior de São Paulo, a 173km da capital do Estado, está em festa desde terça-feira, 3 de maio. Celebra a rio­clarense mais famosa, Vicentina de Paula Oliveira, falecida em 1972, e que completaria 100 anos hoje. Com o nome artístico de Dalva de Oliveira, ela foi uma das principais estrelas da Era do Rádio, marcante pela voz extraordinária e pela biografia dramática, digna dos mais passionais dos boleros mexicanos, que ela tanto gravou, assim como tangos, sambas-­canção, marchinhas carnavalescas.

Casada com o compositor e cantor Herivelto Martins, os dois protagonizaram a mais famosa lavagem de roupa suja em público de que se tem notícia na música popular brasileira. Mas, ao contrário de outros casais que se separaram quebrando louças, derrubando estantes e prateleiras, Dalva e Herivelto pontuaram o quebra-­quebra com deliciosas, e mútuas, agressões musicais, responsáveis por centenas de milhares de 78 rotações vendidos. Um litígio conjugal que com direito a torcida organizada.

E louve-­se o talento do marido (cujo centenário foi festejado em 2012). Enquanto ele sozinho (algumas vezes com parceiros) fustigava Dalva de Oliveira, ela, que não compunha, contra­-atacava com petardos escritos por autores do naipe de Ataulfo Alves, Nelson Cavaquinho, Humberto Teixeira, Marino Pinto.


VOCAÇÃO

Quando o marceneiro Mário de Oliveira soube que a mulher, a portuguesa Alice, engravidara, escolheu de imediato o nome do filho: Vicente. Boêmio inveterado, clarinetista, ele queria um filho homem para acompanhá­lo nas noitadas. Mas veio uma filha, Vicentina. Aliás, o casal só teria filhas, mas a predileta era a primogênita a quem ele ensinou os princípios básicos da vida boêmia, incluindo apreciar uma boa cachaça.

Vicentina mostrou pendores artísticos desde criança, teve aulas de canto quando viviam em São Paulo e, quando a família se estabeleceu no Rio, arriscou­-se a enfrentar o temível Ary Barroso, inscrevendo­-se no seu concorrido programa Calouros em Desfile, na Rádio Tupy. Não se saiu bem. Ary Barroso, considerado o grande compositor brasileiro, sua Aquarela do Brasil tocava até nos Estados Unidos, não perdoava. Aproximou­-se da moça magrinha, de olhos verdes, cabelos crespos, e disparou: "Minha senhora, quer um conselho? Volte imediatamente pro tanque, de onde nunca deveria ter saído. Vá lavar roupa, a senhora jamais deveria abrir a boca pra cantar".

Ao contrário de outras calouras que humilhou e responderam à altura, como faria Elza Soares poucos anos depois, Dalva de Oliveira saiu chorando da rádio. Jamais imaginariam, Ary ou Dalva, que, em 1953, ela já famosa, o compositor lhe mandaria um pedido de desculpas, com uma composição impagável, Folha Morta.

Aos 18 anos, num teatro mambembe no Rio, conheceu o palhaço Zé Catimba, um magrinho de olhos azuis, que também cantava. Com Príncipe Pretinho formava a dupla Preto & Branco. Que seria transformada no Trio de Ouro. Passaram a morar juntos num cabeça-­de-­porco, um velho casarão onde se alugavam quartos.

Em 1937, tiveram o primeiro filho, Pery, que adotaria o sobrenome Ribeiro e chegaria também à fama no final dos anos 50 (morreu em 2012). O estouro com o Trio de Ouro (sem Príncipe Pretinho e com Nilo Chagas) aconteceu com Ave Maria do Morro, de Herivelto Martins, na qual Dalva de Oliveira, experimentou sua coleção de trinados que seria sua marca registrada, os célebres "laralari".




O ABAJUR LILÁS

"Donos de personalidade fortíssima, eram o que poderíamos chamar de dois vulcões. As brigas, pouco a pouco, se tornavam mais frequentes. Com mais dinheiro entrando, meu pai começou a buscar outras mulheres. De frequentes, as brigas passaram a violentas. Não foram poucas as vezes em que, ao voltar do colégio, ficava sabendo que minha mãe estava no pronto­-socorro ­ meu pai batera nela. Ou, então, procurava meu pai e diziam que ele estava no hospital minha mãe arrebentara a cabeça dele com um cinzeiro de bronze".

O entrevero conjugal foi contado por Pery Ribeiro, na autobiografia Minhas Duas Estrelas ­ Uma Vida com meus Pais Herivelto Martins e Dalva de Oliveira (escrito com Ana Duarte).

"Tudo acabado entre nós/Já não há mais nada/Tudo acabado entre nós/Hoje de madrugada/Você partiu e eu fiquei/Você chorou e eu chorei/Se você volta outra vez/Eu não sei", os versos de Tudo Acabado, de J. Piedade e Oswaldo Martins, lançado por Dalva de Oliveira no começo de 1950, iniciou o embate musical. Depois de viver entre tapas e beijos, cada vez mais tapas do que beijos, com traições de parte a parte. Dalva e Herivelto finalmente se separaram.

Não adiantava o casal aparecer na imprensa, fingindo felicidade, deixando-­se fotografar com os filhos Pery e Ubiratan. Dalva forçou a contenda gravando Que Será?, de Marino Pinto e Mário Rossi, um clássico do kitsch: “Que será/Da minha vida sem o teu amor/Da minha boca sem os beijos teus/Da minha alma sem o teu calor/Que será/Da luz difusa ao abajur lilás/Se nunca mais vier a iluminar/Outras noites iguais". A briga espalhava-­se para as amizades, já que Marino Pinto era parceiro de Herivelto Martins.

Com colaboração do jornalista e letrista David Nasser, Herivelto bateu forte: Eu deixei o meu caminho certo/E a culpada foi ela/Transformava o lar na minha ausência/Em qualquer coisa abaixo da decência". Desde a célebre polêmica de Noel Rosa com Wilson Baptista, nos anos 30, nunca um desentendimento gerou tanta música boa. Se não foi agradável para a vida pessoal dos dois, para a vida profissional, não poderiam ter maior publicidade.

O país inteiro acompanhava a reação dos desafetos como se fosse uma novela. Passada a tempestade, Dalva de Oliveira firmou-­se com uma das maiores estrelas da música brasileira. No entanto seu maior sucesso sairia de outras fontes. Em 1955, o álbum Dalva de Oliveira com Roberto Inglez e sua Orquestra fechava o repertório com um baião, um dos primeiros que Humberto Teixeira compôs depois da separação litigiosa, mas nunca assumida, com Luiz Gonzaga.

Depois de recusado por outros intérpretes, o baião Kalu foi gravado por Dalva de Oliveira, e se tornou um dos maiores sucesso da história do gênero, não apenas no Brasil. O disco foi gravado em Londres (o maestro Roberto Inglez era escocês) e foi um dos mais vendidos do ano. Kalu fez carreira internacional


BANDEIRA BRANCA

A bossa nova tirou de linha os artistas do rádio. De repente, o brasileiro já não curtia mais a passionalidade. As rainhas do rádio foram destronadas. Ângela Maria, Emilinha, Marlene, Dalva de Oliveira passariam alguns anos sem vez. Dalva voltaria a fazer sucesso exatamente no ano em que a Tropicália eclodiria, em 1967, com a marcha­-rancho Máscara Negra (Zé Keti/Pereira Matos). Fecharia a carreira de sucessos com a emblemática Bandeira Branca (Max Nunes e Laércio Alves). Morreu, em consequência de um câncer no esôfago, com 55 anos.


Fonte: JC Online

quarta-feira, 24 de maio de 2017

DALVA DE OLIVEIRA, 100 ANOS

Por Felipe Jucá


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1. Dalva está entre minhas cantoras prediletas. Ainda seminarista franciscano, idos de 1952, me apaixonei por uma de suas canções. Entre um bendito e outro, cantarolava, baixinho, Estrela do Mar, com saudade de um alguém... Esse alguém, nunca lhe declinei o nome. E não o farei agora, depois de tantos carnavais, idos e vividos.

2. Estrela do Mar - "Um pequenino grão de areia/Que era um pobre sonhador/ Olhando o céu viu uma estrela/ E imaginou coisa de amor == Passaram anos, muitos anos/ Ela no céu e ele no mar/ Dizem que nunca o pobrezinho/ pôde com ela encontrar == Se houve ou se não houve/ Algumas coisa entre eles dois/ Ninguém, soube até hoje explicar/ O que há de verdade/ É que depois, muito depois/ Apareceu a estrela do mar."

3. Dalva de Oliveira atingiu seu apogeu nos anos 1930, 1940,1950. Embora dona de uma bela voz, chegou ao sucesso com a ajuda do talentoso compositor e letrista Herivelto Martins. Dele, Dalva cantou, por exemplo, Ave-Maria no morro, Rancho da Praça Onze e Segredo.

4. Dalva, disse Pery Ribeiro, seu filho, tornou-se "a mulher-inspiração" da vida de Herivelto. Que ela fora "a companheira de uma época brilhante" de Herivelto; do "seu momento mais fértil"; "quando a sua melhor obra aconteceu para o mundo"...

5. Mas Dalva de Oliveira não foi feliz no seu casamento com Herivelto. No livro A Noite de Meu Bem - a história e as histórias do samba-canção, seu autor, o escritor Ruy Castro, diz que "eles travavam uma guerra conjugal marcada por ciúmes, bate-bocas e cenas de fúria quase inacreditáveis".



6. A Rouxinol do Brasil teve outros amores, após o rompimento do seu casamento. Mas, em verdade, era de Herivelto que Dalva gostava. 

7. Não estou aqui para comentar as desavenças amorosas que arruinaram o casamento de Dalva com Herivelto. A história é longa e dorida.

8. Aqui compareço para homenagear a cantora Dalva de Oliveira, no ano do seu centenário.
Que a imprensa brasileira, tão diligente em promover péssimos compositores e cantores e cantoras não menos ruins, dê destaque aos cem anos de nascimento da maravilhosa Dalva.

9. Farto material está à disposição dos jornalistas, lembrando que a vida da extraordinária intérprete de Sertão de Jequié, Kalu, Que será, é contada, com carinho e sinceridade, pelo cantor Pery Ribeiro (1937-2012) no seu livro Minhas Duas Estrelas, seu pai, Herivelto, e Dalva, sua mãe.

10. Como estamos em tempos de folia momina, para homenagear a Rouxinol, fui buscar, nos arquivos que guardam minhas saudades, a marcha rancho Bandeira branca, que Dalva cantou, arrasando, no carnaval de 1970, e como essa marchinha chegou até ela.

11. Conta Pery no seu livro: "Ainda internada, ela recebeu a visita de Max Nunes e Laércio Alves, que a convidaram para interpretar uma música deles num festival de Carnaval.


Encantada com o desafio, ela aceitou, pedindo um tempinho para se fortalecer. Ao deixar o hospital, foi direto para o estúdio da Odeon gravar Bandeira branca".

12. Para a geração mais nova e para mexer com os coroas: "Bandeira branca, amor/ Não posso mais/ Pela saudade que me invade/Eu peço paz == Saudade mal de amor, de amor/ Saudade dor que dói demais/ Vem, meu amor/ Bandeira branca/ Eu peço paz."

13. Dalva de Oliveira nasceu no dia 5 de maio de l917, em Rio Claro, a 175 km da capital paulista. Filha de Mário de Paula Oliveira e Alice do Espírito Santo Oliveira. Na pia batismal, recebeu o nome de Vicentina de Paula Oliveira. Teve dois filhos com Herivelto: Pery e Bily. Morreu (câncer) na tarde de 30 de agosto de 1972, aos 55 anos.

14. David Nasser (1917-1980), da poderosa revista O Cruzeiro, jornalista sem escrúpulo e temido, parceiro de Herivelto em famosas canções (A camisola do dia, Hoje quem paga sou eu, Carlos Gardel, Atiraste uma pedra, Pensando em ti), foi um algoz terrível e implacável de Dalva, machucou a cantora em longos e mentirosos artigos.

15. Mas, na morte de Dalva, certamente arrependido, Nasser escreveu, com todas as tintas: "Viveu sem ódio, morreu em paz". Fez justiça, falando a verdade. 

quarta-feira, 17 de maio de 2017

OS 100 ANOS DE UMA RAINHA CHAMADA DALVA DE OLIVEIRA

Neto de Dalva de Oliveira prepara documentário para celebrar a avó que nasceu há um século e marcou o país

Por Raphael Vidigal


“Um dia as pessoas vão descobrir que Dalva de Oliveira é a nossa Billie Holiday”. A frase dita por Elis Regina na década de 1970 talvez não comova tanto as gerações atuais, cuja referência mais próxima da intérprete de “Bandeira Branca”, “Ave Maria Do Morro” e “Errei, Sim”, é a atuação de Adriana Esteves na minissérie “Dalva & Herivelto – Uma Canção De Amor”, transmitida pela Globo em 2010. Bernardo Martins, 36, neto da artista – ele é filho do também cantor Pery Ribeiro (1937 - 2012) – está disposto a mudar essa história e conta com bons argumentos a seu favor. Para o documentário que ele realiza em comemoração ao centenário da cantora, com previsão de lançamento para o mês de outubro – Dalva nasceu num dia 5 de maio, há um século – o cineasta entrevistou desde nomes consagrados da cultura nacional até um garoto de 13 anos, morador da periferia carioca e fã absoluto da estrela do filme. “É um menino chamado Júnior Viana, que descobriu a obra da minha avó quando tinha 7 anos e não quis mais saber de outra coisa. Mandamos um táxi percorrer uma distância enorme só para ele participar das filmagens, tamanha a importância desse depoimento. Ele nos confidencia que não gosta de música moderna, só quer ouvir Dalva de Oliveira”, informa Martins. 

Na visão do diretor, o fato “comprova a força da música feita com verdade”. “Uma das coisas mais tocantes que entendi no decorrer de todo esse processo de mergulho e transformação é que, para a minha avó, não existia separação entre a artista e a pessoa que ela era no dia a dia. Havia uma entrega total ao ofício, e me identifiquei muito, percebi melhor quem eu sou, de onde eu vim, porque me comporto de certas maneiras, foi tudo muito bonito e libertador. Chorei várias vezes durante as filmagens”, confessa. Martins afirma que a emoção vinha das histórias que as pessoas contavam. “Algumas, inclusive, conviveram muito pouco com ela, mas ainda assim foram tocadas por sua música e a maneira de transmitir os sentimentos”, constata. 

Ouça o último sucesso de Dalva



Entrevistados

Dos nomes de maior vulto com quem o cineasta conversou, destacam-se Ney Matogrosso, Alcione, Paulo Ricardo, Adriana Esteves, Lucinha Araújo (mãe de Cazuza, admirador confesso da homenageada), Ricardo Cravo Albin, Rodrigo Faour e Maria Bethânia, para quem Dalva sempre serviu como referência, tanto que Bethânia regravou vários clássicos do repertório da artista ao longo da carreira. Ela ainda declarou, na mesma década de 1970, quando Dalva amargava o ostracismo, que ela era “o único mito de enlouquecer que existiu no Brasil, intocável”. 

Outro entrevistado de peso que comparece é o cantor Léo Jaime. Segundo Martins, o fato de Léo ser muito articulado contribuiu para que o documentário captasse outras camadas da vida de sua avó. “Ele nos mostrou um lado da Dalva que é muito pouco valorizado; muitas pessoas têm a ideia de que ela foi uma mulher submissa o tempo todo, e isso não corresponde a toda a verdade. Claro que ela teve esses momentos, mas foi também uma mulher corajosa, que quebrou tabus, foi desquitada numa época em que isso ainda era um absurdo, se casou com homens muito mais jovens. Além de questões mais delicadas, como o fato de ela ter sido ‘criada’ artisticamente por meu avô, Herivelto Martins, com quem ela viveu um casamento muito atribulado, e, em termos de reconhecimento de crítica e público, tê-lo superado – ou seja, a ‘criatura’ que passa o ‘criador’. Tudo isso quem trouxe foi o Léo Jaime”, elogia. 

Embora não tenha feito objeções a nenhum assunto sobre o qual os entrevistados quisessem falar, Bernardo Martins admite que procurou “manter o foco sobre Dalva”: “Ela é a protagonista, não queria que o foco ficasse só sobre a relação dela com o Herivelto. Essa foi uma fase da vida dela, marcante, importante, mas não foi a única, ela passou por muitas coisas além disso”. 

Formato. Martins também procurou inovar no formato, que ele define como “documentário não ortodoxo”. “Além de entrevistas e imagens de arquivo, eu vou participar recitando um monólogo poético dentro de um teatro vazio”, revela. 


REFERÊNCIA 
Inspiração para todas as gerações 

Dalva de Oliveira transmitiu seu legado tanto para suas contemporâneas quanto para as que vieram depois dela 

Elis Regina, Maria Bethânia, Wanderléa, Marisa Monte, Linda Batista, Leny Andrade, Célia e Dóris Monteiro a colocam no rol de suas referências, inclusive as que apresentam estilo que se distingue da interpretação derramada e entregue de Dalva de Oliveira. “Eu não me parecia nada com a Dalva, minha voz era pequena e suave. Mas escutava ela cantando no rádio e me formei por meio daquele repertório bonito, romântico, de extremo bom gosto”, relembra a cantora Dóris Monteiro, 82, que aos 13 cantou para uma plateia restrita, formada só pela mãe e a vizinha, a música “Caminhemos”, sucesso de Dalva na época, composta por Herivelto Martins. “Cantei do meu jeito, e dali minha mãe me levou escondida para o programa ‘Papel Carbono’, da rádio Nacional, já que meu pai era contra”, confessa. 

Já a cantora Claudette Soares, 79, a enfileira junto a outros nomes que marcaram seu início de carreira. “Quando via Dalva de Oliveira, Elizeth Cardoso, Maysa e Nora Ney no auditório da rádio Nacional, eu ficava enlouquecida e dizia pra minha mãe: ‘eu quero ser isso’”, rememora. Claudette diz, sem modéstia, que essa “imediata identificação veio pela beleza e elegância daquela música verdadeira”. “O que eu faço é cantar os sentimentos com sentimento, e isso aprendi, muito bem, com minhas divas”, relata. 

Legado. Além de um festival com seu nome na cidade em que nasceu, Rio Claro, no interior de São Paulo, Dalva de Oliveira vai ganhar, com a comemoração de seu centenário, uma biografia por Paulo Henrique de Lima, historiador baiano com residência fixada em Congonhas (MG). O trabalho de pesquisa realizado por Lima, inclusive, serviu como base para o documentário dirigido pelo neto da artista, Bernardo Martins. 

Apesar de tais iniciativas, Martins não acredita que Dalva tenha “o reconhecimento devido”. “Ela é muito mal aproveitada no Brasil, mas esse não é um ‘privilégio’ dela, infelizmente tratamos muito mal nossa cultura. Ela tem canções belíssimas, que poderiam ser utilizadas em um contexto moderno, em trilhas de filmes, novelas, várias manifestações culturais, se houvesse sensibilidade por parte das pessoas que determinam o andamento desses produtos”, avalia. 

Martins conta que até hoje encontra pessoas que se sentem “emocionadas ao saber de nosso parentesco”. “As pessoas tocam em mim como se estivessem tocando nela, tenho a impressão que para elas é a maneira mais próxima de se aproximar da Dalva”, diz. Ele começou a pensar em homenagear sua avó quando colheu depoimentos de amigos para o aniversário do pai, o também cantor Pery Ribeiro, há oito anos. “Percebi que todas as pessoas falavam da Dalva e tinham muitas coisas para dizer, coisas essenciais, com substância. Meu pai era completamente apaixonado por minha avó. A grande tristeza desse filme, infelizmente, é a ausência de meu pai”, lamenta. 

Pery faleceu em 2012, aos 74 anos, vítima de um infarto. “Meu pai nunca conseguiu ouvir gravações da Dalva depois que ela morreu, e eu não entendia na época. Agora eu entendo, também não consigo ouvi-lo”, diz. 


TRAJETÓRIA 

1936 - Forma o Trio de Ouro com Herivelto Martins e Nilo Chagas

1938 - Grava com Francisco Alves o samba “Brasil” e a “Valsa da Despedida”

1942 - Lança os sucessos “Praça Onze” e “Ave Maria do Morro”

1945 - Com Carlos Galhardo grava a versão brasileira feita por Braguinha para o infantil “Branca de Neve”

1951 - Após deixar o Trio de Ouro é eleita Rainha do Rádio e enfileira sucessos

1952 - Já em carreira solo destaca-se com a gravação do baião “Kalu”

1970 - Lança “Bandeira Branca”, o último sucesso

domingo, 26 de outubro de 2014

AS RAINHAS DO RÁDIO: ENTRE FARPAS E CANÇÕES

Dalva de Oliveira tornou-se conhecida não apenas por seu talento como cantora, mas também por protagonizar uma das batalhas musicais mais populares da MPB

Por Bruno Negromonte - @brunonegromonte




A artista hoje em questão contribuiu de modo ímpar para a música popular brasileira. Paulista de Rio Claro (cidade localizada a 195 km da capital São Paulo), Vicentina de Paula Oliveira nasceu no dia 05 de maio de 1917 e tornou-se nacionalmente conhecida como Dalva de Oliveira. Aos dezessete anos Dalva conhece Herivelto Martins que formava ao lado de Francisco Sena o dueto Preto e Branco. Naquele primeiro encontro, de certo modo, estava sendo criado a gene para o Trio de Ouro, pois pouco tempo depois Dalva passaria a acompanhar a dupla formando ao lado deles um do grupos vocais de maior sucesso no Brasil na primeira metade do século XX. Do envolvimento profissional com Herivelto para o afetivo foi um passo. Dalva inicia um namoro com o compositor e, em 1937, oficializam a relação. A união daria ao casal dois filhos: os cantores Peri Oliveira Martins, o Pery Ribeiro, e Ubiratan Oliveira Mar. Chegaram a passar dez anos casados até que as constantes brigas e traições por parte de Herivelto deram fim ao casamento. Em 1949, quando a relação com o ex-marido encontrava-se totalmente abalada, Dalva resolve separar-se dele também profissionalmente desligando-se do Trio de Ouro. Um ano depois a artista retoma a carreira de maneira solo lançando canções como Olhos verdes (Vicente Paiva) e Ave Maria (Vicente Paiva e Jaime Redondo). Há quem afirme que Herivelto (a partir da colaboração do jornalista e compositor David Nasser, do "Diário da Noite") fosse responsável por matérias mentirosas que difamavam a moral de Dalva nesse período. Tais notícias fizeram com que o conselho tutelar mandasse os filhos do casal para um internato sob a alegação de que a mãe não possuía uma boa conduta moral para criá-los. Dalva lutou pela guarda dos filhos e sofreu muito por isso, protagonizando um dos capítulos mais emblemáticos da história da música brasileira de todos os tempos como foi, de certo modo apresentada, na minissérie Dalva e Herivelto - Uma Canção de Amor, produzida pela Rede Globo em 2010. 




Este episódio litigioso entre o casal rendeu canções memoráveis e enriqueceu de modo bastante valioso o acervo do cancioneiro popular brasileiro nesta briga musical. O início do embate se deu com a gravação por Francisco Alves da clássica "Caminhemos", seguida pela canção "Cabelos Brancos", registrada pelo grupo 4 Ases e Um Coringa. As respostas viria logo em seguida pelos compositores Lourival Faissal e Gustavo de Carvalho que fizeram para Dalva a canção "Mentira de amor", assim como também pelas mãos dos compositores J. Piedade e Oswaldo Martins, responsáveis pela composição do samba "Tudo Acabado". Talentosíssimo, Herivelto respondia à altura e expunha suas mágoas nos sambas e boleros que ele próprio compunha, enquanto Dalva tinha o apoio de alguns dos grandes nomes da música brasileira coomo Nelson Cavaquinho, Ataulfo Alves, entre outros que a partir da década de 1950 foram responsáveis por canções como "Falso Amigo", "Que Será", "Calúnia", "Errei Sim""Palhaço", entre outros. O sucesso de Dalva acabou fazendo com que assinasse contrato com a Rádio Nacional a sua popularidade junto ao público a habilitava como a candidata favorita da emissora para o concurso de Rainha do Rádio. Seu sucesso era tamanho que não foi difícil obter a vitória na disputa para Rainha do rádio do ano de 1951, tal feito acabou despertando a fúria do ex-marido que chegou a afirmar em um dos vespertinos da época que a ABR não destinava o dinheiro arrecadado com o concurso na construção do hospital que propagava, declaração esta que acabou gerando para o compositor um processo pelo crime de calúnia. A sua condição de Rainha do rádio daquele ano serviu para corroborar e atestar de modo definitivo o nome de Dalva como uma das grandes intérpretes da música popular a partir das cerca de 400 gravações deixadas ao longo de mais de três décadas de carreira. É com esta grande estrela de nossa música que hoje chego ao fim (após dez semanas) a abordagem de todas as "Rainhas" do rádio brasileiro. Foram nomes que marcaram toda uma geração e época. Um período bem diferente do que hoje vivemos e que, para muitos, é motivo de saudades. Aproveito a oportunidade para agradecer aos leitores saudosistas (assim como eu) ou não que ao longo dessas diversas semanas fizeram-me companhia nessa viagem a uma época que hoje habita os mais recônditos sonhos. Foi um prazer viajar com vocês e, de certo modo, poder "vivenciar" um período ao qual não tive a oportunidade de viver e conhecer, mas que foi possível conhecer através dessas prazerosas "sessões de regressão". 

domingo, 5 de maio de 2013

40 ANOS SEM DALVA DE OLIVEIRA

Ao longo de 2012 completaram-se quatro décadas sem o nosso 'rouxinol brasileiro' como por muitos era conhecida. Ainda a tempo, o Musicaria Brasil presta-lhe uma singela homenagem.


Filha de um carpinteiro mulato, Mário de Paula Oliveira, conhecido como Mário Carioca, e da portuguesa Alice do Espírito Santo Oliveira, Vicentina de Paula Oliveira nasceu em 5 de maio de 1917 na cidade de Rio Claro, São Paulo. Em 1935, no Cine Pátria, Dalva conheceu Herivelto Martins que formava ao lado de Francisco Sena o dueto Preto e Branco; foi terminado o dueto e nascia o Trio de Ouro. Iniciaram um namoro e, no ano seguinte, iniciaram uma convivência conjugal, oficializada em 1939 num ritual de Umbanda. A união gerou dois filhos: o cantor Pery Ribeiro e Ubiratan de Oliveira Martins. A União durou até 1947, quando as constantes brigas e traições por parte de Herivelto deram fim ao casamento. Matérias mentirosas publicadas por Herivelto, com a ajuda do jornalista David Nasser no "diário da Noite" fizeram com que o conselho tutelar mandasse Pery e Ubiratan para um internato, só podendo visitar os pais em datas festivas e fins de semana, e podendo sair de lá definitivamente com 18 anos. Dalva sofreu muito por isso. Em 1949, oficializaram a separação. Em 1952, depois de se consagrar mais uma vez na música mundial e ganhar o título de Rainha do Rádio, Dalva de Oliveira resolve excursionar pela Argentina, para conhecer o país e cantar em Buenos Aires. Nessa ocasião conhece Tito Climent, que se torna primeiro seu amigo, depois seu empresário e mais tarde, seu segundo marido. Com ele adotou uma filha chamada Dalva Lúcia de Oliveira Climent, a qual Dalva brigou na justiça pela guarda da menina, que fica com o marido, já que casada anos com ele, viviam brigando. Dalva era uma mulher simples, e Tito queria uma mulher fina e cheia de requintes, sempre pronta para atender a todos em cima do salto. Em 1963, Dalva de Oliveira e Tito Climent se separaram oficialmente. Ela volta para o Brasil sozinha e triste, sendo que a filha vai visitá-la nas férias, como os filhos que estão no internato. Mais tarde, ela conhece Manuel Nuno Carpinteiro, homem muitos anos mais jovem, que se tornaria seu último marido.



De voz afinada, e bela, considerada a Rainha da Voz ou o rouxinol brasileiro, sua extensão vocal ia do Contralto ao Soprano. Em 1937, a Dalva gravou, junto com a Dupla Preto e Branco, o batuque Itaquari e a marcha Ceci e Peri, ambas do Príncipe Pretinho. O disco foi um sucesso, rendendo várias apresentações nas Rádios. Foi César Ladeira, em seu programa na Rádio Mayrink Veiga, que pela primeira vez anunciou o Trio de Ouro. Em 1949 deixou o trio, quando excursionavam pela Venezuela com a Companhia de Dercy Gonçalves. Em 1951 retomou a carreira solo, lançando os sambas Tudo acabado (J. Piedade e Osvaldo Martins) e Olhos verdes (Vicente Paiva) e o samba-canção Ave Maria (Vicente Paiva e Jaime Redondo), sendo os dois últimos grandes sucessos da cantora. No ano seguinte foi eleita Rainha do Rádio, e excursionou pela Argentina, apresentando-se na Rádio El Mundo, de Buenos Aires, na qual conheceu Tito Clement, que se tornou seu empresário e depois marido, pai de sua filha, como mencionado anteriormente. Ainda em 1951, filmou Maria da praia, dirigido por Paulo Wanderley, e Milagre de amor, dirigido por Moacir Fenelon.


No dia 18 de agosto de 1965, sofreu um acidente automobilístico na cidade do Rio de Janeiro, que resultou na morte por atropelamento de três pessoas.

Três dias antes de morrer, Dalva pressentiu o fim e, pela primeira vez, em sua longa agonia de quase três meses, falou da morte. Ela tinha um recado para sua amiga Dora Lopes, que a acompanhou ao hospital: "Quero ser vestida e maquiada, como o povo se acostumou a me ver. Todos vão parar para me ver passando". Ela faleceu em 30 de agosto de 1972, vítima de uma hemorragia interna provavelmente causada por um câncer. A cantora teve seu apogeu artístico nos anos 30, 40 e 50. Seu corpo está enterrado no Cemitério da Saudade no Rio de Janeiro.

Em 1987, teve sua vida interpretada pela atriz Marília Pera na peça "A estrela Dalva", de João Elísio e Renato Borghi.

Em 1988, o selo Revivendo relançou o LP gravado em Londres com Roberto Inglês. Em 1997, Roberto Menescal produziu o álbum "Tributo à Dalva de Oliveira", reunindo vários artistas, tais como Elba Ramalho, Sidney Magal, Joanna, Cauby Peixoto, Lucho Gatica e Eduardo Dusek. Ainda em 1997, a EMI lançou o álbum "A Rainha da Voz", com quatro CDs, contendo suas gravações mais expressivas, num total de 80 músicas.

Em 2000, o LP gravado com Roberto Inglês foi lançado em CD pelo selo Revivendo e mereceu na época as seguintes considerações do crítico Tárik de Souza: ""a difusão planetária da MPB ensaiava seus (com) passos uma década antes da bossa nova". Apesar de estilizar os sambas e choros num ritmo que está mais para o mambo, ou outros ritmos latinos, o elepê de Dalva de Oliveira com Roberto Inglês pode ser visto como um difusor da MPB no mundo. No mesmo ano, a EMI dentro da série "Bis", lançou o Cd duplo "Dalva de Oliveira", com 28 interpretações marcantes da cantora. Em 2001, seu filho Pery Ribeiro colocou a voz na música "Que sabes tu" gravada por ela em 1965, raças a recursos tecnológicos fazendo assim um histórico e inédito dueto entre mãe e filho. Em 2002, Pery apresentou um tributo à mãe no teatro Estácio de Sá, campus Antônio Carlos Jobim, na Barra da Tijuca. O espetáculo obteve sucesso e ficou várias semanas em cartaz.



Em 2003, a EMI/Odeon relançou na série "10 polegadas Odeon" seus LPs "A voz sentimental do Brasil", de 1953 e "Dalva de Oliveira com Roberto Inglez e sua orquestra", de 1955, colocados em um único CD. Considerada por Maria Betânia como a melhor cantora do Brasil. Em 2006, foi lançado pelo selo Revivendo o CD duplo "Canta Dalva" contendo 42 gravações originais da cantora incluindo sucessos como "Estão voltando as flores", de Paulo Soledade, "Marcha da quarta-feira de cinzas", de Carlos Lyra e Vinicíus de Moraes, "Chuva de prata", de Zé Ketti, "Estrela do mar", de Marino Pinto e Paulo Soledade, "Maria escandalosa", de Klécius Caldas e Armando Cavalcanti, "Porta estandarte", de Geraldo Vandré e Fernando Lona, "Zum zum", de Fernando Lobo e Paulo Soledade, e "Pequena marcha para um grande amor", de Juca Chaves, entre outras, além das clássicas marchas-rancho "Rancho da Praça Onze", de João Roberto Kelly e Chico Anísio, "Máscara negra", de Zé Ketti e H. Pereira Mattos, e "Bandeira branca", de Max Nunes e Laércio Alves. Em 2010, foi levada ao ar pela TV Globo a micro série "Dalva e Herivelto, uma canção de amor" retratando a intensa relação vivida pelos dois artistas. Escrita por Maria Adelaide Amaral, a micro série contou com as participações de Adriana Esteves e Fábio Assunção nos papéis principais. Retratando um período que vai dos anos 1930 até 1970, quando da morte da cantora, a micro série retratou ainda diversos ídolos do Rádio tais como Marlene, (vivida pela atriz Rita Elmôr), Emilinha Borba (Soraya Ravenle), as irmãs Linda (Cláudia Netto) e Dircinha Batista (Luciana Fregolente), Francisco Alves (Fernando Eiras) e Orlando Silva (Édio Nunes), além de Nilo Chagas, integrante da primeira formação do Trio de Ouro e vivido pelo ator Maurício Xavier.

Fonte:
Dicionário da MPB
Wikipedia

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

DALVA E HERIVELTO - UMA CANÇÃO DE AMOR

Dalva de Oliveira e Herivelto Martins marcaram a época de ouro da rádio. A minissérie, da autora Maria Adelaide Amaral, com direção de núcleo de Dennis Carvalho e direção de Cristiano Marques, conta a história de dois dos maiores nomes do samba-canção brasileiro, e suas trajetórias de grandes conquistas e perdas significativas.

O rádio, nas décadas de 30 a 60, foi responsável pelo lançamento de muitos ídolos. Ser artista ou cantor de rádio era um desejo latente em milhares de pessoas, pois pertencer a este cast era garantia de sucesso em todo o país, além de grande prestígio. O público chegava a formar filas em frente à sede da Rádio Nacional, na Praça Mauá, para assistir a programas como o de César Ladeira. No auge da época de ouro da rádio e do Cassino da Urca, o Rio de Janeiro transbordava glamour e elegância. Estrelas de cinema internacionais, personalidades políticas e cantores consagrados circulavam pela cidade, contribuindo para uma atmosfera extremamente charmosa. E, para dar vida ao mais famoso casal deste período, foram escalados os atores Adriana Esteves e Fabio Assunção, que interpretam, respectivamente, Dalva de Oliveira e Herivelto Martins.

Dalva de Oliveira sempre teve uma bela voz e o apoio de sua mãe Alice, interpretada na trama por Denise Weinberg, para tentar seguir a profissão de artista. Mas sua carreira deslanchou mesmo quando conheceu Herivelto Martins, memorável compositor e o grande amor de sua vida. Ele, rígido e disciplinador, fez dela sua criação. Cuidando desde o repertório até os arranjos, figurino e coreografia, Herivelto transformou Dalva em uma estrela. A parceria entre os dois, no entanto, era melhor nos palcos do que em casa. Eles são até hoje lembrados não apenas por suas músicas, mas também pela paixão fulgurante que tiveram. Dalva e Herivelto, após o término de treze anos de relacionamento, expuseram suas dores e mágoas por meio das letras de suas canções, embalando o Brasil em seus conflitos conjugais.

Embora muito apaixonada por Herivelto, Dalva nunca chegaria a ser completamente feliz em seu primeiro casamento. O compositor tinha muitas aventuras extraconjugais, o que enlouquecia a esposa de ciúmes. Ele, no entanto, sempre retornava para casa. Até o dia em que conheceu Lurdes, vivida na ficção por Maria Fernanda Cândido. Uma mulher linda, jovem, aeromoça e filha de uma tradicional família gaúcha. Foi amor à primeira vista. Para ela, Herivelto fez serenatas, compôs canções e cartas de amor. Por ela, terminou o casamento com Dalva de Oliveira, que teve muita dificuldade em aceitar o fim do relacionamento.

A minissérie, que conta em cinco capítulos a vida dos dois cantores e relembra a polêmica relação profissional e pessoal do casal, teve sua estreia hoje.

Dalva de Oliveira e Herivelto Martins marcaram a época de ouro da rádio. A minissérie, da autora Maria Adelaide Amaral, com direção de núcleo de Dennis Carvalho e direção de Cristiano Marques, conta a história de dois dos maiores nomes do samba-canção brasileiro, e suas trajetórias de grandes conquistas e perdas significativas.

O rádio, nas décadas de 30 a 60, foi responsável pelo lançamento de muitos ídolos. Ser artista ou cantor de rádio era um desejo latente em milhares de pessoas, pois pertencer a este cast era garantia de sucesso em todo o país, além de grande prestígio. O público chegava a formar filas em frente à sede da Rádio Nacional, na Praça Mauá, para assistir a programas como o de César Ladeira. No auge da época de ouro da rádio e do Cassino da Urca, o Rio de Janeiro transbordava glamour e elegância. Estrelas de cinema internacionais, personalidades políticas e cantores consagrados circulavam pela cidade, contribuindo para uma atmosfera extremamente charmosa. E, para dar vida ao mais famoso casal deste período, foram escalados os atores Adriana Esteves e Fabio Assunção, que interpretam, respectivamente, Dalva de Oliveira e Herivelto Martins.

Dalva de Oliveira sempre teve uma bela voz e o apoio de sua mãe Alice, interpretada na trama por Denise Weinberg, para tentar seguir a profissão de artista. Mas sua carreira deslanchou mesmo quando conheceu Herivelto Martins, memorável compositor e o grande amor de sua vida. Ele, rígido e disciplinador, fez dela sua criação. Cuidando desde o repertório até os arranjos, figurino e coreografia, Herivelto transformou Dalva em uma estrela. A parceria entre os dois, no entanto, era melhor nos palcos do que em casa. Eles são até hoje lembrados não apenas por suas músicas, mas também pela paixão fulgurante que tiveram. Dalva e Herivelto, após o término de treze anos de relacionamento, expuseram suas dores e mágoas por meio das letras de suas canções, embalando o Brasil em seus conflitos conjugais.

Embora muito apaixonada por Herivelto, Dalva nunca chegaria a ser completamente feliz em seu primeiro casamento. O compositor tinha muitas aventuras extraconjugais, o que enlouquecia a esposa de ciúmes. Ele, no entanto, sempre retornava para casa. Até o dia em que conheceu Lurdes, vivida na ficção por Maria Fernanda Cândido. Uma mulher linda, jovem, aeromoça e filha de uma tradicional família gaúcha. Foi amor à primeira vista. Para ela, Herivelto fez serenatas, compôs canções e cartas de amor. Por ela, terminou o casamento com Dalva de Oliveira, que teve muita dificuldade em aceitar o fim do relacionamento.

A minissérie, que conta em cinco capítulos a vida dos dois cantores e relembra a polêmica relação profissional e pessoal do casal, tem estreia prevista para janeiro de 2010.

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