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segunda-feira, 14 de setembro de 2020

SIDERAL CONTA COMO MÃE DE CAZUZA O ESCOLHEU PARA MUSICAR POEMA DO FILHO

Rogério Flausino e o irmão gravaram o single 'Essas canções de amor', música feita a partir de um poema de Cazuza. Lançamento homenageia o cantor e compositor carioca, nos 30 anos de sua morte 

Por Augusto Pio


Antonio Andrade/Divulgação

Com o single Essas canções de amor, os irmãos Rogério Flausino (Jota Quest) e Wilson Sideral homenageiam o cantor e compositor Cazuza (1958-1990), nos 30 anos de sua morte. Composta por Sideral em 2016, a partir do poema Não reclamo, de Cazuza, a música está disponível nas plataformas digitais.

O poema ganhou uma versão à la rock/blues e faz parte do repertório do show Flausino e Sideral cantam Cazuza, com o qual os irmãos fizeram seu tributo, há quatro anos, a um dos nomes mais importantes do rock nacional. Cazuza morreu aos 32 anos, em decorrência da Aids, mas deixou uma obra extensa.

Os direitos autorais de Essas canções de amor serão destinados às obras da Sociedade Viva Cazuza, fundada por Lucinha Araújo, mãe do cantor e compositor. “O lançamento integra um esforço artístico-solidário de manter viva a memória de um dos mais importantes ícones da cultura pop brasileira, bem como garantir a sobrevivência daquela instituição”, diz Sideral.

Ele comenta que a ideia de musicar um poema de Cazuza surgiu depois que Flausino se encontrou com Lucinha. “Meu irmão cantou umas músicas de Cazuza, ela ficou emocionada e disse: ‘Que legal, não sabia que você era tão fã do meu filho, que você gosta tanto e até sabe cantar tudo’. Flausino então disse para ela: ‘Você não imagina, eu e meu irmão Sideral temos um projeto no qual cantamos somente músicas dele, que é um dos nossos’.”

A partir daí, segundo Sideral, a conversa se transformou num “namoro”, e Lucinha enviou para Flausino o livro Preciso dizer que te amo - Toda a paixão do poeta, antologia que reúne, além de letras e poemas já gravados, outros 65 textos não musicados, encontrados por ela, em cadernos e anotações do filho. “Flausino falou de mim para ela, contou que eu era compositor e que iria nadar de braçadas diante daquele livro.”

Ao receber o livro, Sideral conta que foi puro entusiasmo. “Imagina, para mim, compositor apaixonado por Cazuza, que adora fazer música, tendo à minha disposição aquele lindo material, com poemas escritos mas não musicados? Marquei uns seis poemas, sendo alguns lindos na sua essência e outros inacabados.”


ESPECIAL

Essas canções de amor estava no repertório do show dos irmãos, mas ainda não tinha sido gravada. “Era um momento especial na turnê, quando parávamos a apresentação, e Flausino dizia para a plateia: ‘Pessoal, agora vamos mostrar para vocês uma canção ainda inédita. É que tivemos acesso aos poemas de Cazuza, e Sideral musicou um deles, que agora vamos mostrar para vocês.' A galera adorava e, no final da música, cantava o refrão conosco.”

Não era no contexto de isolamento social devido à pandemia do novo coronavírus que Flausino e Sideral planejavam lançar o single e homenagear Cazuza. “Essa pandemia foi um desastre e atrapalhou os planos. Pensamos: Vamos ficar guardando essa canção? Que nada, vamos lançá-la. Não queríamos esperar mais, pois não sabemos nem mesmo o dia de amanhã. Aí decidimos gravar e lançar o single, pensando que depois vêm outras coisas e puxam o projeto para algo maior, uma vez que outros compositores também foram convidados para musicar poemas de Cazuza.”

Ele revela que já musicou outros, que ainda não podem ser mostrados.Um mês antes da data redonda dos 30 anos da morte de Cazuza, os irmãos começaram a se movimentar para lançar o single. “Saímos correndo. Fui em busca de imagens da nossa turnê para editar o videoclipe. Por outro lado, ele também saiu procurando outras frentes, como a arte, escrever o release, bolar a capa do single. Fizemos tudo num tempo recorde. É trabalhoso, porque, mesmo tendo só os aplicativos, é preciso ter um time, pois são necessários no mínimo uns 15 dias para liberar a entrada do material nos aplicativos. Felizmente, conseguimos organizar tudo com a urgência necessária.”

Sideral explica que o clipe é o registro da gravação da música. “É um videoclipe, mas documental, com a gente gravando a faixa, junto com a banda. Inclusive, existem mais coisas de bastidores, mas estou esperando passar uns dias para poder fazer uma espécie de making of, ou seja, um documentário com a gente falando dessa emoção de musicar um poema de Cazuza e gravar em família.”

quarta-feira, 4 de abril de 2018

NO DIA EM QUE CAZUZA FARIA 60 ANOS, ARTISTAS CELEBRAM O SEU LEGADO

A obra do cantor e compositor não envelheceu e permanece atual



(foto: Vivacazuza.org/Divulgação)Cazuza dinamitou os anos 1980. Com letras que carregavam (e carregam ainda) uma verve poética repleta de deboche, ironia, lirismo e coragem, o cantor e compositor, que faria 60 anos hoje, colocou (ao lado de outros nomes, como Renato Russo) o rock brasileiro do período em outro patamar.



A irreverência e a força exibidas em palco eram outras marcas de Cazuza. E a performance era natural, garantiu em entrevista ao Correio (concedida ao repórter Irlam Rocha Lima) em 1985. “Nunca estudei canto, dança, nada. Aliás, você pode ver por minha voz rouca. Eu sou rouco, eu birito, não tenho nenhum cuidado com a voz, não faço nenhum exercício, meu exercício é o palco”, disse.

"Pego um pouquinho ali do Caetano, um pouquinho do Ney, um pouquinho do Mick Jagger, os ídolos da gente. Intuitivamente, a gente copia um pouco de cada um e aí surge o estilo próprio."

Sem medo de mexer em feridas, de alfinetar e de criticar, Cazuza produziu uma obra que sobreviveu para além do seu tempo. A obra do cantor e compositor, morto em 1990 em decorrência de complicações da aids, não envelheceu e permanece atual em versos de canções como Brasil, Exagerado, Pro dia nascer feliz e O tempo não para, que nunca deixaram de ser ouvidas.

O legado de Cazuza tem sido preservado pela mãe do cantor, Lucinha Araújo. Ela é responsável pela Sociedade Viva Cazuza, organização que presta assistência a pessoas afetadas diretamente ou indiretamente pelo vírus HIV. No ano passado, a instituição promoveu a restauração da Casa de Cultura, em Vassouras (RJ). O local será inaugurado em 11 de abril e contará com uma exposição permanente sobre o artista.

Lucinha Araújo também costuma se envolver em diversas outras iniciativas para manter viva a história pessoal e artística do filho. A matriarca, por exemplo, entregou aos músicos Wilson Sideral e Rogério Flausino poemas inéditos de Cazuza para que os artistas musicassem. A ideia veio após os irmãos iniciarem, há dois anos, uma turnê em que faziam um tributo a Cazuza. "Recebemos um grande abraço da Lucinha Araújo. Ela nos incentivou e nos deu os poemas inéditos perguntando se não queríamos musicar. Na hora ficamos pensando “que loucura!”. A partir de então, mergulhei nesse material e fiz algumas canções”, revela Sideral.

No dia do aniversário de Cazuza, Sideral e Flausino se reúnem novamente para show em homenagem ao cantor. A apresentação, hoje, no Circo Voador, no Rio de Janeiro, terá a faixa inédita, além de sucessos. Já estão confirmadas as participações de Caetano Veloso, Bebel Gilberto (parceira de Cazuza em canções como Eu preciso dizer que te amo) e Preta Gil, representando o pai, Gilberto Gil, que gravou com o artista Um trem para as estrelas.

"A ideia de homenagear Cazuza surgiu há dois anos quando estávamos conversando sobre fazer algo juntos. Na conversa, veio essa luz, queríamos fazer algo despretensioso, cantando Cazuza de fã para fã, de irmão para irmão. Nós gostávamos de tudo do Cazuza, nos apaixonamos por ele desde o começo. Ele foi um meteoro que passou pela música brasileira, um cara que rompeu barreiras inimagináveis. Ele era um roqueiro que amava a bossa nova, a MPB. Além disso, sempre colocou a poesia em primeiro plano. Quando a gente tocava, ainda em Alfenas do Sul com a nossa banda de adolescência, sempre tinha Maior abandonado, Ideologia e Exagerado", lembra Wilson Sideral.

Uma dessas músicas é a faixa Não reclamo (Essas canções de amor), musicada por Sideral e Flausino. A canção integra um projeto, que deve ser lançado ainda neste ano nas plataformas digitais. Sideral também é responsável por outras duas faixas do projeto: Qual é a cor do amor, que será cantada por Ney Matogrosso, que teve uma relação amorosa com Cazuza, e Mania de cantar, que será interpretada por Baby do Brasil. O projeto conta ainda com nomes como Caetano Veloso e Carlinhos Brown.


Releituras


Algumas homenagens reinventam canções de Cazuza e levam para outros estilos as composições do cantor. Com o projeto Faz parte do meu show, Roberto Menescal, Rodrigo Santos (ex-baixista do Barão Vermelho) e Leila Pinheiro, por exemplo, transformam músicas do repertório de Cazuza em bossa nova.

Para o projeto, os três mexeram profundamente nas harmonias e nos arranjos das canções, que ganharam a complexidade característica do estilo. “A ideia é justamente não ter medo de mudanças mais profundas”, conta Menescal. “Se for para fazer exatamente o que todo mundo faz, não tem razão, não faz sentido.”




Outro artista que resolveu dar uma nova roupagem aos clássicos de Cazuza foi o cantor Marcelo Quintanilha. Em janeiro deste ano, ele lançou o álbum Caju, formado por 11 canções do homenageado e uma faixa inédita, a música-título escrita especialmente para Cazuza. Na canção, ele lembra Cazuza e fala do aprendizado com o artista: “Quero mais, capturar a essência/ Da dor e alegria que foi Caju/ Nas cadências dessa melodia azul”. “O Cazuza era um artista à frente de seu tempo. Ele foi intenso e livre e acho que a grande luta dele foi para quebrar paradigmas. Ele foi um precursor e defensor da liberdade que estamos sentindo tanta falta hoje, com essa onda retrógrada”, analisa.

Para fazer o disco, o músico fez uma longa pesquisa, conversou com Lucinha Araújo e quis usar um ensinamento de Cazuza. “Eu queria trazer para o meu universo, ser algo menos roqueiro. Eu corri um risco, mas Cazuza era um artista que corria muitos riscos. Ele era um roqueiro que cantava Cartola e fazia isso com propriedade e conforto. Eu quis fugir do cover”, explica.

Montar o repertório de Caju foi outro desafio. De 30 músicas, ele escolheu 11, entre elas, uma canção mais “lado B”, a faixa Azul e amarelo. “Descobri que essa era uma música especial. É uma canção que faz parte do último álbum dele, feito com muita dificuldade, com o Lobão, e fala sobre encontrar as deuses. A canção também tem uma frase de Cartola, com quem ele tinha o desejo de escrever. É uma música sobre como lidar com a morte e as cores faziam referência ao orixá de Cazuza”, revela.



INÉDITA
Não reclamo (Essas canções de amor)


terça-feira, 5 de abril de 2016

CAZUZA: O ÍCONE “EXAGERADO” QUE NASCEU PARA O “DIA NASCER FELIZ”

Por Isabela Sales



Ele sempre foi um ícone Exagerado, cheio de Ideologias, que amava e odiava o Brasil, mas tudoFaz Parte do Seu Show. Emblemático, polêmico, questionador. Assim era Agenor Miranda Araújo Neto, mais conhecido como Cazuza. O cantor que completaria 58 anos nesta segunda-feira (4), teve a sua carreira interrompida pela AIDS e deixou o mundo ainda jovem, aos 32 anos. Para saudar o dia, o Google decidiu lembrar a data e estampou o astro no Doodle da página.


Quem já viu uma apresentação do artista sabe: ao cantar apresentava muito mais que pequenos versos simbólicos. Para Frejat, que cantou com Cazuza no Barão Vermelho,ele promoveu uma revolução na música brasileira que se estende até os dias de hoje. “Eu acho que Cazuza conseguiu promover uma verdadeira renovação ao ser capaz de transformar a tradição da música brasileira, a poesia beat, o tropicalismo, os anos 70, Paulo Leminsky…tudo isso com uma atitude catártica no palco”. “Veja a influência poética do artista nas novas gerações”, afirmou ao Estadão.




Uma das apresentações mais emocionantes do cantor foi durante o Rock In Rio de 1985, quando o Brasil tinha acabado com a ditadura militar, colocando Tancredo Neves no poder, e, claro, que Cazuza não podia ficar de fora. “Que o dia nasça lindo para todo mundo amanhã, com um Brasil novo, com a rapaziada esperta”, disse.

Ou 8 ou 80, assim era o cantor. “Ele não tinha limite em droga, em álcool. O que o deixava mais agressivo era a bebida. Na intimidade, ele era outra pessoa. Eu dizia: ‘O seu melhor você esconde, as pessoas ficam com o que é pior’. Ele tinha, acho, medo de mostrar o sensível, porque achava que ficaria exposto”, disse Ney Matogrosso.




“Cazuza era exagerado principalmente na personalidade ariana, signo de fogo. Era extrovertido, falava com qualquer um, com mendigo, sentava no chão. Não podia ver a Arlete Salles! Toda vez que eles se encontravam, ele se jogava no chão para beijar os pés dela, na calçada imunda”, conta Angela Ro Ro no filme sobre a vida do astro.


Que país é esse?





E se Cazuza estivesse vivo hoje, como seriam as suas letras? Qual seria o seu questionamento?


Se com Ideologia e Brasil, músicas que eram “contra tudo que está ai”, a corrupção, os negócios escusos, a enganação política, a passividade da população, Cazuza já causava, como imaginar ele agora? Para Lucia Araujo, mãe do interprete, ele seria moderno e contestador. “Ele estaria traduzindo esse circo de horrores que a gente vive hoje em dia”, afirmou o baixista e produtor do cantor, Nilo Romero.


A Maldita

Cazuza na capa da revista Veja. Foto: Reprodução
Cazuza na capa da revista Veja. Foto: Reprodução



Após febres, a confirmação veio dois anos depois: Cazuza era soropositivo. Os sintomas se agravaram, e foi preciso recorrer a um tratamento mais adequado nos Estados Unidos.”Um dia ele me disse: ‘Eu falava tão mal do dinheiro do meu pai, mas é graças a esse dinheiro que eu estou vivo’. Precisava ter poder de fogo pra fazer o que o João [Araújo, pai de Cazuza] fazia”, lembra Ney Matogrosso.

“Estou com a maldita”. Abatido, decidiu assumir publicamente, em fevereiro de 1989, numa entrevista ao jornalista Zeca Camargo, da Folha de S.Paulo, que havia contraído o HIV. “Ele disse: ‘Estou com a maldita, é Aids’. ‘Uma pessoa que canta ‘Brasil, mostra a sua cara’ não pode esconder a sua’, completou.




“Você está vivo. Esse é o seu espetáculo. Só quem se mostra se encontra. Por mais que se perca no caminho” lembra o eterno Cazuza.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

MORTO HÁ 25 ANOS, CAZUZA É CELEBRADO EM LIVROS E DISCO DE INÉDITAS

Cantor e compositor carioca morreu em 7 de julho de 1990, vítima de complicações decorrentes da aids






Cazuza dizia que tinha tudo para dar errado. Tinha a língua presa, era filho de um homem poderoso da indústria fonográfica brasileira. Mas, por brilho etalento próprios, o cantor e compositor se tornou um dos grandes nomes da música brasileira, primeiro como líder da banda Barão Vermelho e, depois, na curta carreira solo.

Era poeta do primeiro time. E doce, rebelde, carinhoso, debochado. Viveu intensamente seus 32 anos. Morreu na manhã de 7 de julho de 1990, vítima de complicações decorrentes da aids. Nesta terça-feira, completam-se 25 anos de sua partida. Em outubro, serão 25 anos da fundação da Sociedade Viva Cazuza, que sua mãe, Lucinha Araújo, criou três meses após a morte do filho, para abrigar crianças soropositivas. Neste ano, são comemorados ainda os 30 anos deExagerado, o primeiro disco solo de Cazuza e a canção-título, o primeiro sucesso da carreira pós Barão.

Lucinha diz que não é necessário projetos especiais para que Cazuza seja recordado.

– Ele é lembrado até hoje, se eu não existisse nem o pai dele, ele seria famoso de qualquer maneira. Ele tem material para isso – afirma.

Mas não queria "deixar apagada" a data dos 25 anos sem Cazuza. Por isso, um disco com letras inéditas do compositor vai ser lançado pela Sony, com previsão para este ano. Tudo ainda está muito no começo, Lucinha avisa.

– Cazuza deixou 65 letras inéditas, que estão comigo desde que ele morreu. Quem está me ajudando nisso é a Paula Lavigne, porque eu, sozinha, achei que não ia ser capaz. Ela está produzindo esse CD de músicas inéditas junto com a Sony. Caetano vai musicar um poema, o Gil, outro, Seu Jorge, o Rogério Flausino, a Baby Consuelo, todo mundo quis fazer, todo mundo ficou muito animado. – adianta.

Os artistas convidados ainda estão na fase de escolha das canções. Até agora, só a cantora Bebel Gilberto, amiga de adolescência de Cazuza, musicou uma letra,Brazilian Prayer. 

– É uma letra que ele tinha em inglês. Mandei para ela nos EUA, ela musicou, já cantou para mim pelo telefone. Ficou muito bonito.

Cazuza para ver, ouvir – e ler

Este ano, Cazuza será celebrado em versões para ver, ouvir e ler. Além do disco com canções inéditas, serão relançadas edições atualizadas dos livros Só As Mães São Felizes (1997) e Preciso Dizer Que Te Amo (2001), ambos projetos de Lucinha Araujo lançados pela Editora Globo e que devem ganhar novas edições até agosto. O primeiro virou best-seller e serviu de base para outros dois projetos bem-sucedidos: o filme Cazuza – O Tempo Não Para (2004), dirigido por Sandra Werneck e Walter Carvalho, e protagonizado magistralmente por Daniel de Oliveira, e Cazuza – Pro Dia Nascer Feliz, o Musical, que estreou em 2013 e atualmente está rodando o Brasil, com a revelação Emilio Dantas dando vida ao poeta transgressor.

– O que pude acompanhar do processo (do musical) eu acompanhei, aquele menino é maravilhoso. Achei que, depois de Daniel de Oliveira, ninguém faria Cazuza tão bem, mas ele fez tão bem quanto – elogia Lucinha.

Só As Mães São Felizes, o livro, é de Lucinha em depoimento à jornalista Regina Echeverria, autora de biografias como A História da Princesa Isabel eGonzaguinha & Gonzagão – Uma História Brasileira. É o retrato fiel e tocante de Cazuza sob a ótica sincera de uma mãe.

Já o livro Preciso Dizer Que Te Amo, nova parceria de Lucinha e Regina, agrupa fotos, poesias e letras de músicas, incluindo material inédito, com comentários dos parceiros.

– Estamos atualizando, porque estava defasado. Eu coloco as letras e, no final, escrevo que a música foi gravada em tal ano por tal pessoa. Codinome Beija-Flortem mais de 30 regravações– detalha Lucinha. 

Na versão ampliada da obra, ela vai incluir Sorte e Azar, que está na trilha do musical. Lucinha conta como foi descoberta:

– Essa música eu não conhecia. Quando o Barão gravou o primeiro disco, a canção seria desse álbum, mas o Zeca (o produtor Ezequiel Neves) disse que azar não era uma palavra boa para ter em música, então ela ficou perdida, estava na Som Livre, aí o Barão ressuscitou a música e eu nem conhecia, é um achado.

É nesse livro que estão as letras que serão gravadas no novo disco. Completa a trilogia o livro O Tempo Não Para, de 2011, que relata a história da Sociedade Viva Cazuza. Agora, Lucinha está envolvida num quarto livro: a biografia do marido, João Araújo, que, segundo ela, não será como em Só As Mães São Felizes, porque "de marido, não dá para falar na primeira pessoa", brinca.

De homem importante da indústria fonográfica, fundador da gravadora Som Livre – onde ficou por 38 anos –, responsável por revelar nomes como Novos Baianos, Djavan, Caetano e Gal Costa, João se tornou o pai de Cazuza quando o filho alcançou o sucesso. Regina Echeverria, que engata nova dobradinha com Lucinha neste projeto, diz que ainda está na fase das entrevistas. Já conversou com nomes como Djavan, Gil, Frejat, Guto Graça Mello, Gloria Perez.

– Ele começou em gravadora em 1955. A ideia é contar a história dele, acompanhando também a evolução da MPB por meio dos discos e da indústria – afirma Regina.

Segundo ela, o livro deve ficar pronto até abril. Toda a venda relacionada à obra do compositor é revertida à Sociedade Viva Cazuza.

Fonte: Zero Hora

domingo, 9 de agosto de 2015

25 ANOS SEM CAZUZA: LUCINHA ARAÚJO LEMBRA TRAJETÓRIA E FALA DE SAUDADE


Com ajuda da mãe do cantor e compositor - morto em 7 de julho de 1990 -, o EGO reuniu números e curiosidades para homenageá-lo.


Por Luisa Girão


Cazuza com os pais (Foto: Reprodução_Instagram)
Há 25 anos a música popular brasileira perdia um de seus grandes nomes. O cantor e compositor carioca Cazuza morreu no dia 7 de julho de 1990 - depois de uma série de internações em hospitais no Brasil e nos Estados Unidos. Em entrevista ao EGO, Lucinha Araújo, mãe do cantor, fala de saudade e relembra histórias e conquistas do filho.

“O Brasil deve ter lidado com a morte dele melhor do que eu. Fico boba de ter passado tanto tempo, parece que foi ontem. Ele nunca morreu para mim. Foi embora fisicamente, mas está sempre comigo. Nas minhas lembranças, nos meus pensamentos. É uma saudade e uma dor que nem dá para falar”, afirma Lucinha.

Nesta terça-feira, 7, ela celebrará uma missa em homenagem ao filho na Igreja da Ressurreição, no Arpoador, na Zona Sul do Rio de Janeiro. “Minha missão é preservar a memória dele. Isso é o mínimo que uma mãe pode fazer”, diz ela, acrescentando: “Quando ficou doente, ele me disse: ‘Mãe, aconteça o que acontecer, eu sempre estarei com você’. E ele está mesmo”.

Além de belas canções, para Lucinha, o maior legado que seu filho deixou foi o da coragem. “Ele teve a coragem de assumir uma doença que era um tabu para época. Ele me disse: ‘Eu não posso cantar ‘Brasil, mostre a sua cara’ e esconder a minha em um momento como esse. Ficamos com muito medo, mas ele estava decidido. Era um gênio, corajoso e meu filho”.

Com ajuda de Lucinha, o EGO reuniu alguns números e curiosidades para homenagear o
cantor nesses 25 anos de saudade. Confira:



Fonte: EGO

quarta-feira, 29 de julho de 2015

25 ANOS SEM CAZUZA: ASSISTA ONLINE AO DOCUMENTÁRIO EXIBIDO PELO MULTISHOW

Há exatos 25 anos, o Brasil perdia um de seus ícones do rock. Autor de letras contundentes, que tratam de crítica à burguesia aos temas românticos, o garoto rebelde de Ipanema entrou para a história da música nacional ao expor de forma ímpar tabus da sociedade e cobrar os direitos dos marginalizados.


Em 2004, o artista ganhou uma cinebiografia dirigida pelo premiado cineasta Walter Carvalho. No ano seguinte, um documentário foi exibido no canal de TV paga Multishow – este segundo, disponível no canal oficial do artista no Vimeo.

Batizado de “Por Trás da Fama – Cazuza”, o programa traz depoimentos de familiares e pessoas ligadas ao artista, morto aos 32 anos, depois de uma extensa luta contra a Aids. O programa esclarece diversas questões da trajetória do carioca, incluindo seu atrito com o músico Frejat. Os músicos ficaram sei meses sem se falar.

"Incomodava-me ele ser irresponsável. Chegava atrasado para os ensaios e tinha argumentos de garoto mimado, de filho único", conta Frejat em um trecho do programa. A reconciliação foi feita pelo próprio Cazuza, que apareceu de forma pouco convencional ao aniversário do músico. Detalhe: sem ser convidado. "Ninguém em nossa geração descreveu tão bem o nosso transe como ele", afirma Frejat no documentário.












Fonte: Catraca Livre

sábado, 30 de novembro de 2013

MORRE O PRODUTOR MUSICAL JOÃO ARAÚJO, PAI DE CAZUZA

Um dos maiores nomes da indústria fonográfica do país faleceu na manhã deste sábado, por conta de uma parada cardíaca



Faleceu no início da manhã deste sábado (30), o produtor carioca João Araújo, 78, pai do cantor Cazuza. João Araújo sofreu um ataque cardíaco no seu apartamento no Rio e Janeiro. João Araújo era um dos mais importantes nomes da indústria fonográfica brasileira, tendo participado da criação da Som Livre, em 1969. 

De acordo com a Folha, João sofreu uma queda há três semanas, em Angra dos Reis, quando fraturou a cabeça do fêmur. Em seguida, foi detectado com um problema nos rins, quando estve internado para realizar uma cirurgia e foi obrigado a passar por hemodiálise. Voltou para casa na última segunda-feira (25).

João Araújo começou sua carreira na indústria musical aos 14 anos, como auxiliar de imprensa na Copacabana Discos, gravadora das cantoras Ângela Maria e Elizeth Cardoso. Passou pela Philips, onde trabalhou como diretor artístico e ajudou a lançar artistas como Caetano Veloso, Gal Costa, Jorge Ben e Djavan. Na Som Livre, gravadora que comandou por quase quatro décadas, lançou fenômenos de venda como Xuxa, além das famosas e muito vendidas trilhas de novelas.

No início, foi contra investir no Barão Vermelho, por medo de ser acusado de favorecer o filho único, Cazuza (1958-1990), mas se convenceu e decidiu lançar o disco de estreia do Barão Vermelho, em 1982. João Araújo foi eleito presidente de honra da Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD), em 2007. Ele recebeu o prêmio Grammy Latino por sua contribuição à indústria musical, no mesmo ano.

Fonte: correio 24 horas

domingo, 6 de janeiro de 2013

MPB - MÚSICA EM PRETO E BRANCO

Chico Buarque e Cazuza

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

MEMÓRIA MUSICAL BRASILEIRA

Barão Vermelho é o album de estréia da banda Barão Vermelho, lançado em 1982, a extamente 30 anos.



Por Ezequiel Neves


O primeiro disco do  Barão Vermelho teve o efeito de uma hecatombe no combalido cenário da Música Popular Brasileira, nos primórdios dos anos 80. Um crítico chegou a escrever que o LP "dinamitava as fronteiras que separavam o trabalho profissional do mais crasso amadorismo". Mas para mim, pouco importava se aqueles garotos estavam "verdes", como foi dito, o que valia mesmo era a viscerabilidade com que mergulhavam no mais incendiário rock´n roll com suas letras e som deslavadamente jovem e sem mensagens urbanas cheias de pieguice. Eles podiam soar "verdes", sim, mas nosso cenário musical estava repleto de artistas maduros - caindo de podres.

O disco foi gravado em quatro sessões divertidíssimas resumidas em exatas 48 horas. Foram dois fins de semana, tempo em que o Estúdio Um da Som Livre estava ocioso. Pilotando a mesa "Spher", de 24 canais, estava o técnico, também estreante, Eduardo Ramalho. Frejat contava,1,2,3,4 e a turma atacava, inclusive Cazuza entrava junto, aos berros. Não havia aquela história de "voz guia", era tudo a base do vai-ou-racha, uma legítima "polaroid". E nesse autêntico furacão foram geradas "Down em Mim", "Conto de Fadas", "Billy Negão", "Ponto Fraco", "Por Aí", "Bilhetinho Azul", "Todo Amor Que Houver Nessa Vida" (que mais tarde Caetano reinterpretaria em seu show no Canecão, em 83), entre outras obras primas instantâneas.

Guto Graça Mello e eu assinamos a produção e o vinil chegou às lojas do Rio e São Paulo em 15 de setembro de 82. No dia 17 o grupo iniciou temporada no Victória Pub, em São Paulo. Uma amiga minha jornalista, com o LP nas mãos e surpresa com a eletricidade dos garotos no palco, se dirigiu a mim perplexa: -- Mas eles são ótimos, por que o disco é tão ruim? Respondi rápido: "Ora, é que já se passaram dois minutos desde que o disco foi gravado, eles evoluem muito depressa!

Faixas:
01 - Posando de star (Cazuza)
02 - Down em mim (Cazuza)
03 - Contos de fadas (Maurício Barros - Cazuza)
04 - Billy Negão (Guto Goffi - Maurício Barros - Cazuza)
05 - Certo dia na cidade (Guto Goffi - Maurício Barros - Cazuza)
06 - Rock'n geral (Maurício Barros - Cazuza)
07 - Ponto fraco (Roberto Frejat - Cazuza)
08 - Por aí (Roberto Frejat - Cazuza)
09 - Todo amor que houver nessa vida (Roberto Frejat - Cazuza)
10 - Bilhetinho azul (Roberto Frejat - Cazuza)


Produção artística: Ezequiel Neves
Produção executiva, direção de estúdio e mixagem: Guto Graça Mello
Engenheiro de gravação e mixagem: Eduardo Ramalho
Assistentes de estúdio: João Ricardo, Jackson, Mario Jorge, Serginho
Montagem: Ieddo Gouvea

Gravado nos estúdios da Sigla, em 24 canais, nos dias 15 e 16; 22 e 23 de maio de 1982
Capa e fotos: Frederico Mendes
Fotos Polaroid: Naila Skórpio
Arte-final: Tuninho de Paula

Masterização: Vison

quarta-feira, 7 de julho de 2010

20 ANOS SEM CAZUZA

Há 20 anos, em 7 de julho de 1990, Cazuza (1958 - 1990) saiu de cena e entrou para a História da música brasileira pela poesia crua que radiografou com precisão sua geração sem ideologia.

A morte de Cazuza completa 20 anos nesta quarta (7). Um dos mais celebrados nomes da música brasileira da década de 80, o cantor carioca morreu vítima da AIDS aos 32 anos (numa bizarra coincidência, seu grande amigo, o jornalista e produtor Ezequiel Neves, morreu na tarde de hoje, exatamente no mesmo dia em que Cazuza também faleceu).

Além da música e das letras, tanto solo como com seu ex-grupo Barão Vermelho, Cazuza deixou um enorme legado de frases e pensamentos, temperados pela sua famosa falta de papas na língua.

Como homenagem a essa figura inesquecível da nossa música, coletamos algumas jóias que saíram da boca de Cazuza.

EU E EU
Sou muito egoísta, centrado em mim mesmo, para me incomodar com os outros.

PADRES ERRADOS
Fui criado por padres errados… Fiquei com trauma. Se vejo um padre saio correndo. Mas os valores do cristianismo eu acho legal.

PROFUNDO
Tem o certo. Tem o errado. E tem todo o resto.

COISA DE HOMEM
Homem que é homem volta atrás. mas não se arrepende de nada.

NA LATA
Transformam o país inteiro num puteiro, pois assim se ganha mais dinheiro.

ATTIUDE PUNK
Hoje sei que vendo meu bacalhau, mas meu lance mesmo é a poesia, que eu mastigo e vomito no público.

QUE PAÍS É ESSE
Sou meio ufanista, mas a miséria, a máfia e o FMI mataram o orgulho da gente.

VIDA BANDIDA
Ser marginal foi uma decisão poética.

ROCK COM AGÁ
O rock brasileiro é fazer gracinhas, é contar piada. O que a gente tem de forte no rock brasileiro é o "agá" que a gente leva.

OUTRO NÍVEL
Eu sou muito diferente do pessoal do Barão. Sou mais velho, mais louco, mais boêmio: eles são mais saudáveis, acordam cedo, não fazem loucuras.

ESPONTÂNEO
Meu trabalho é totalmente intuitivo. Nunca estudei canto, dança, nada... eu sou rouco: eu birito, não tenho nenhum cuidado com a voz. Não faço nenhum exercício. Meu exercício é no palco.

POSTURA
Em 1988 mudei minha maneira de encarar o trabalho. Antigamente, trabalho para mim era diversão. Eu queria me mostrar. Cantava para arranjar broto e para provar para o meu pai que eu era bom. Eu queria era comer todo mundo. E consegui.

ÍDOLOS
Meus heróis morreram de overdose.

LIBERAÇÃO DAS DROGAS
É o cúmulo prender um garoto inteligente, que faz faculdade, que é futuro do Brasil, só porque foi pego com um baseado. É um absurdo internar esse garoto num lugar onde vai ficar tomando remédio... Tem que haver leis mais liberalizantes para isso.

MAMÃE
Supermãe perde perto dela. A do Ziraldo é penico perto da minha.

EXAGERADO?
Meus pais foram muito compreensivos quando comecei a dizer em entrevistas que era bissexual. Só achavam que eu estava exagerando, me expondo, mas esse é o papel deles. Se há alguma coisa errada, é comigo. Procuro as respostas através da vida. Quando ficar velhinho e morrer, ninguém vai mais lembrar deste meu lado. Só a música vai ficar. É só isso que o público vai levar do Cazuza".

GUETO NÃO
Morei um ano na Califórnia e lá tem prefeito gay, clube gay, rua gay, bairro gay e eu achava um horror. Não faria parte de um gueto, nunca. Quero viver num mundo diferente, em que todo mundo conviva igual. Eu não gostaria de andar só com preto, só com judeu, só com viado. Eu gosto de viver é com todo mundo”

DOENTE
Não gosto que me perguntem se estou com aids. Me faz lembrar uma coisa que eu quero esquecer. Contei para muito pouca gente o que eu passei no hospital. Mas todo mundo sabe o que eu tenho.

BOLA DE CRISTAL
Gosto muito de fazer meu mapa astral, e outro dia disseram que meu melhor período da vida ia dos 28 aos 35 anos. Esse seria o tempo de grandes acontecimentos e tudo indica que vai ser bom mesmo. Por isso, adoro previsões. (Cazuza morreu aos 32 anos)

ETERNO
Espero que, no futuro, não esqueçam do poeta que sou. Que as pessoas não se esqueçam de que, mesmo num mundo eletrônico, o amor existe. Existe o romance e a poesia. Que mais crianças venham a nascer e é fundamental o amor aos pais.

EZEQUIEL NEVES MORRE NO RIO DE JANEIRO

Exatos 20 anos depois da morte de Cazuza, Ezequiel Neves - descobridor do Barão Vermelho, o grupo que projetou Cazuza na cena pop dos anos 80 - é quem sai de cena, aos 74 anos, vítima de complicações decorrentes de tumor no cérebro, enfisema e cirrose.

O jornalista, compositor e produtor musical Ezequiel Neves morreu nesta quarta-feira, no Rio. Ele estava internado havia seis meses na Clínica São Vicente.

Neves é um dos autores de "Codinome Beija-Flor" e "Exagerado", clássicos de Cazuza. Os dois eram amigos e parceiros.

Há exatos 20 anos, no dia 7 de julho de 1990, Cazuza morreu em decorrência da Aids. O filme "Cazuza - O Tempo Não Para" retratou a amizade entre os dois, Ezequiel foi interpretado pelo ator Emílio de Melo.


ezequiel neves e cazuza
O produtor Ezequiel Neves, que morreu hoje, e o cantor Cazuza, que morreu há 20 anos

Neves descobriu o Barão Vermelho e foi uma espécie de "mentor" da banda. Ele produziu discos e foi coautor de vários sucessos do grupo, entre eles, "Por que a Gente É Assim?".

A coincidência de datas é um dado curioso que fecha a trajetória de um produtor e agitador cultural tão Exagerado quanto seu pupilo.

Mas a vida e a obra de Ezequiel Neves - ou Zeca Jagger, como ele era conhecido no meio musical - não se limitam à relação profissional e pessoal travada com Cazuza com a intensidade que caracterizava a vida de ambos.

Dez anos antes de revelar Cazuza, de quem foi parceiro (com Leoni) no hit Exagerado, Zeca já militava na imprensa musical alternativa - mantida com heroísmo na década de 70, tempos ditatoriais que não contavam com as facilidades tecnológicas da era virtual - com artigos espirituosos que fugiam dos padrões formais do jornalismo pop nacional.

Mordaz, Ezequiel não fazia média - nem mesmo com a mídia. Não tinha papas na língua. Mas tinha faro. E foi esse faro que o levou a jogar todas suas fichas no som cru e stoneano do Barão Vermelho tão logo ouviu o grupo fundado por Frejat e Guto Goffi.

Há quem pense injustamente que o Barão Vermelho estreou em disco, em 1982, porque Cazuza era o filhinho do papai João Araújo, diretor da gravadora Som Livre. Mas não foi bem assim. Foi Ezequiel quem - com o auxílio do produtor Guto Graça Melo - convenceu Araújo de que o Barão merecia um contrato com a Som Livre. Vencida a resistência inicial do executivo, o grupo deslanchou - não de imediato, mas a partir de 1983, com os empurrãozinhos de Caetano Veloso e Ney Matogrosso - e Ezequiel passou a ser uma espécie de quinto Barão, zelando pela alma da banda ao produzir os discos da turma.

Como produtor, Zeca também entrelaçou nos anos 90 sua trajetória fonográfica com as de Ângela RoRo - ao pilotar o primeiro disco ao vivo da artista, gravado em 1993 - e de Cássia Eller (1962 - 2001), que abordou a obra de Cazuza em disco de peso, Veneno Antimonotonia (1997), que desafiou o padrão pop imposto à Cássia pela gravadora PolyGram (atual Universal Music). Enfim, Zeca Jagger - assim chamado por cultuar o rock básico dos Rolling Stones - tinha personalidade. Era expansivo - e sua sonora gargalhada era a perfeita tradução de seu jeito exagerado de viver - e ferino. Às vezes, até cruel. Mas fiel aos seu ideais e ao seu rock.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

CAZUZA - 50 ANOS

Cazuza faria 50 anos nesta sexta-feira (4). O cantor foi uma das personalidades mais marcantes da geração 80 do rock nacional e primeiro artista brasileiro a admitir publicamente que estava com Aids.
O músico, morto em 1990, ganhou lugar no primeiro time dos compositores brasileiros como o autor de dezenas de hits que fizeram a trilha sonora da década de 80, como "Bete Balanço", "Exagerado" e "Brasil", seja no Barão Vermelho - banda que integrou até 85 - ou em carreira solo.
Fã de Dolores Duran, Cartola, Lupicínio Rodrigues e outros medalhões da velha guarda, Cazuza injetou no rock, por meio de suas letras, a melancolia de seus ídolos, e deu uma iden
tidade roqueira à dor-de-cotovelo. Nascido Agenor de Miranda Araújo Neto, filho de um divulgador da gravadora Som Livre, João Araújo (que viria a se tornar presidente da empresa), Cazuza cresceu cercado por artistas da MPB, como Elis Regina, Jair Rodrigues e os Novos Baianos, que freqüentavam sua casa.
Na adolescência, Cazuza conheceu o rock de Janis Joplin, Rolling Stones e Jimi Hendrix, que logo combinou em baladas de sexo e drogas. Cansado de ter de buscar o filho na delegacia, o pai acabou por arrumar-lhe um emprego no departamento artístico da Som Livre.
Depois de passagens por diversos empregos, um curso de fotografia na California, e um grupo de teatro, em 1980, aos 23 anos, Cazuza - ou Caju, como era conhecido pelos amigos- entrou para o Barão Vermelho.
Cazuza foi apresen
tado a Roberto Frejat e os outros integrantes do Barão por um amigo comum, o cantor Léo Jaime, que sabia que os rapazes procuravam um vocalista. Encontraram mais do que isso: Cazuza deu ao grupo sua voz e suas letras.O primeiro disco da banda, "gravado em 48 horas", não emplacou, mas a dupla Frejat e Cazuza percebeu que estava no caminho certo quando Caetano Veloso incluiu a música "Todo Amor que Houver Nessa Vida" em um show seu.O disco seguinte foi impulsionado pelos sucessos "Pro Dia Nascer Feliz" - também gravado por Ney Matogrosso - e "Bete Balanço", trilha do filme homônimo, de Lael Rodrigues, que trazia Débora Bloch no papel da personagem principal."Maior Abandonado", terceiro disco do grupo, rendeu ao Barão seu primeiro disco de ouro, mas trouxe também os primeiros atritos entre Cazuza e os outros integrantes da banda.Prestes a entrar em estúdio para gravar o quarto disco, Cazuza pulou fora da banda. Segundo o cantor, que se sentia insatisfeito com seu papel como vocalista do grupo, o fato foi bom para os dois lados: "A dor acabou, continuei superamigo deles, minha parceria com o Frejat ficou melhor ainda".



A partir de 1985, como artista solo, Cazuza lançou cinco discos em quatro anos. O primeiro sucesso, "Exagerado", tornou-se um "cartão de visitas" dessa nova fase de
sua carreira. "Brasil", tema de abertura da novela "Vale Tudo", na voz de Gal Costa, foi também um grande sucesso do compositor em 88.
Em 1989, Cazuza admitiu publicamente ser portador do vírus do HIV, numa época em que havia ainda poucas opções de tratamentos para a Aids, e todas pouco eficientes. O cantor morreu precocemente aos 32 anos, no dai 7 de julho de 1990, depois de uma série de internações no Brasil e no exterior, vítima de complicações de saúde ocasionadas pelo HIV.No mesmo ano, a mãe do cantor, Lúcia Araújo, fundou a Sociedade Viva Cazuza, de apoio a crianças portadoras do vírus HIV, que funciona no Rio de Janeiro.
Em 2004, chegou aos cinemas o filme "Cazuza - O Tempo Não Pára", dirigido por Daniel Filho, sobre a vida do cantor e compositor.Em junho de 2005 foi lançado o disco "O Poeta Está Vivo", com uma gravação ao vivo do cantor no Rio de Janeiro, em 1987.


DISCOGRAFIA (ENQUANTO VIVO):

Barão Vermelho - Som Livre - 1982

O primeiro disco do BARÃO VERMELHO teve o efeito de uma hecatombe no combalido cenário da Música Popular Brasileira, nos primórdios dos anos 80. Um crítico chegou a escrever que o LP "dinamitava as fronteiras que separavam o trabalho profissional do mais crasso amadorismo". Mas para mim, pouco importava se aqueles garotos estavam "verdes", como foi dito, o que valia mesmo era a viscerabilidade com que mergulhavam no mais incendiário rock´n roll com suas letras e som deslavadamente jovem e sem mensagens urbanas cheias de pieguice. Eles podiam soar "verdes", sim, mas nosso cenário musical estava repleto de artistas maduros - caindo de podres.
O disco foi gravado em quatro sessões divertidíssimas resumidas em exatas 48 horas. Foram dois fins de semana, tempo em que o Estúdio Um da Som Livre estava ocioso. Pilotando a mesa "Spher", de 24 canais, estava o técnico, também estreante, Eduardo Ramalho. Frejat contava,1,2,3,4 e a turma atacava, inclusive Cazuza entrava junto, aos berros. Não havia aquela história de "voz guia", era tudo a base do vai-ou-racha, uma legítima "polaroid". E nesse autêntico furacão foram geradas "Down em Mim", "Conto de Fadas", "Billy Negão", "Ponto Fraco", "Por Aí", "Bilhetinho Azul", "Todo Amor Que Houver Nessa Vida" (que mais tarde Caetano reinterpretaria em seu show no Canecão, em 83), entre outras obras primas instantâneas.
Guto Graça Mello e eu assinamos a produção e o vinil chegou às lojas do Rio e São Paulo em 15 de setembro de 82. No dia 17 o grupo iniciou temporada no Victória Pub, em São Paulo. Uma amiga minha jornalista, com o LP nas mãos e surpresa com a eletricidade dos garotos no palco, se dirigiu a mim perplexa: -- Mas eles são ótimos, por que o disco é tão ruim? Respondi rápido: "Ora, é que já se passaram dois minutos desde que o disco foi gravado, eles evoluem muito depressa!

Faixas:
01 - Posando de star
02 - Down em mim
03 - Conto de fadas
04 - Billy Negão
05 - Certo dia na cidade
06 - Rock'n geral
07 - Ponto fraco
08 - Por aí
09 - Todo o amor que houver nesta vida
10 - Bilhetinho azul

Produção artística: Ezequiel Neves
Produção executiva, direção de estúdio e mixagem: Guto Graça Mello
Engenheiro de gravação e mixagem: Eduardo Ramalho
Assistentes de estúdio: João Ricardo, Jackson, Mario Jorge, Serginho
Montagem: Ieddo Gouvea
Gravado nos estúdios da Sigla, em 24 canais, nos dias 15 e 16; 22 e 23 de maio de 1982.
Capa e fotos: Frederico Mendes
Fotos Polaroid: Naila Skórpio
Arte-final: Tuninho de Paula
Masterização: VISON



Barão Vermelho 2 - Som Livre - 1983

Esse foi o disco que fez com que o BARÃO VERMELHO decolasse. Isso graças ao hit "Pro Dia Nascer Feliz", de Cazuza e Frejat. Mas enquanto o clima das gravações do primeiro LP foram da mais pura farra, as deste trabalho geraram tensões e brigas por todos os lados. O motivo era óbvio: os barões resolveram escolher para colaborar comigo um produtor inglês, Andy Mills, que, segundo eles, era conhecedor profundo de todos os macetes de estúdio.
A história de Andy Mills era hilária. Ele chegou ao Brasil em 1974, como "roadie" de Alice Cooper. Sua função se restringia a cuidar das gibóias de La Cooper: nos shows, as colocava nos ombros de Alice, para, minutos depois, as tirar rapidamente. Mas Andy gostou tanto do Brasil que resolveu ficar por aqui enturmando-se logo com os roqueiros tupiniquins. E contava histórias várias, que havia trabalhado como técnico de som de todos os superstars anglo-americanos, que era, em suma, um portento. Não demorou muito, foi aceito como técnico de som de Rita Lee e foi ficando. Acabou vindo para o Rio onde conseguiu trabalho no estúdio Level de propriedade da Rede Globo.
Acontece que Andy resolveu querer impor aos barões um tipo de som que não tinha nada a ver com o dos garotos. E ainda por cima era de um perfeccionismo insuportável.Qualquer solo de guitarra, baixo, bateria ou teclado, tinha de ser refeito zilhões de vezes, uma verdadeira tortura. Cazuza e eu ficávamos morrendo de ódio porque a espontaneidade ia pras picas e além disso as gravações já se arrastavam por seculares três meses. O pior aconteceu por último. Na hora de colocar as vozes definitivas, Cazuza rosnou pra mim e fulminou: -- Não vou por voz nesta merda. Suspenda este disco. Essas bases estão perfeitas demais e eu não tenho nada a ver com perfeição. Por fim, depois de muita lábia e com todos nós implorando, ele deu vida e fúria a rocks escrachantes como,"Menina Mimada", "Largado no Mundo", "Carente Profissional", "Blues do Iniciante" e a já mencionada e inesquecível,"Pro Dia Nascer Feliz", que passados 14 anos, é das músicas mais cantadas em todos os shows do Barão. Mas estávamos tão tensos ao final da noite da última gravação que Cazuza e eu saímos do estúdio e emendamos três dias e três noites, onde consumimos dez garrafas de uisque ajudadas por outros infalíveis aditivos. Afinal, ninguém é de ferro.

Faixas:
01 - Menina mimada
02 - O que a gente quiser
03 - Vem comigo
04 - Bicho humano
05 - Largado no mundo
06 - Carne de pescoço
07 - Pro dia nascer feliz
08 - Manhã sem sonho
09 - Carente profissional
10 - Blues do iniciante

Direção artística: Guto Graça Mello
Produzido por Andy P. Mills e Ezequiel Neves
Produção executiva: Andy P. Mills
Arranjos: Barão Vermelho
Técnicos de gravação: Andy P. Mills, João Ricardo e Felipe Nery
Técnico de mixagem: Andy P. Mills
Assistentes de estúdio: Jackson, Sergio, César, Léco, Carlão e Dorey
Fotos da capa: Josemar Ferrari
Direção de arte: Cosme de Oliveira
Arte-final: Tuninho de Paula
Barão Vemelho é:
Cazuza: voz e letras
Roberto Frejat: guitarra
Guto Goffi: bateria
Dé: baixo
Maurício Barros: teclado
Músicos convidados:
Sergio Serra: guitarra
Zé da Gaita: gaita
Oberdan Magalhães: sax
Peninha: percussão
Fred Nascimento: vocal
Agradecimentos especiais:Naila Skorpio, Guto Graça Mello, Carlitos, George, Miúcha, Bebel, Alice Ruiz
Gravado e mixado nos estúdios da Sigla, Rio de Janeiro, em 24 canais, no período de 12 de abril a 15 de junho de 1983Masterização: VISON


Tema do filme Bete Balanço Som Livre - 1984

No intervalo entre BARÃO VERMELHO 2 e MAIOR ABANDONADO, o quinteto carioca foi convidado a compor e gravar a música tema do filme de Lael Rodrigues, "Bete Balanço". Acontece que a música de Cazuza e Frejat chegou às rádios três meses antes da estréia do filme, e teve um impacto surpreendente, espécie de tatuagem nos tímpanos do Brasil inteiro.

Faixas:
01 - Bete Balanço
02 - Amor, amor

Maior Abandonado - Som Livre - 1984

Foi com a benção e tranqüilidade do sucesso de Bete Balanço que os Barões novamente entraram nos estúdios da Som Livre para registrarem seu terceiro trabalho, MAIOR ABANDONADO. Dessa vez o Barão e eu fizemos questão de dividir a produção com um técnico super calmo, sensível e do bem, Jorge (Gordo) Guimarães. Ele além de se esbaldar com o som dos garotos, estava ali pilotando a mesa "Spher" como um autêntico feiticeiro de todos os sons. Com Jorginho, como o chamávamos carinhosamente, tudo corria às mil maravilhas, ele dialogava conosco de igual para igual, tinha ótimas idéias e quando discordávamos, oferecia em troca achados fantasticamente criativos. Trabalhar com o Gordinho era uma festa pois ele era a própria festa. Cazuza, Frejat, Guto Goffi, Dé, Maurício e eu não podíamos acreditar: MAIOR ABANDONADO foi gravado em apenas 25 dias e naquele clima gostosamente relax. Canções e rocks como, "Sem Vergonha", "Você Se Parece com Todo o Mundo", "Milagres", "Por Que A Gente É Assim ?", "Narciso", e "Eu Não Amo Ninguém", corriam soltas e deliciosamente dançáveis. Depois das duas apoteóticas apresentações no primeiro "Rock`n Rio"(em 1985)*, MAIOR ABANDONADO conquistou fácil para o Barão seu primeiro Disco de Ouro.

* Essas apresentações no Rock`n Rio foram, em 1994 transformadas no CD BARÃO VERMELHO AO VIVO, lançado pela Som Livre.

Faixas:
01 - Maior abandonado
02 - Baby, suporte
03 - Sem vergonha
04 - Você se parece com todo mundo
05 - Milagres
06 - Não amo ninguém
07 - Por que a gente é assim?
08 - Narciso
09 - Nós
10 - Dolorosa
11 - Bete Balanço


Barão Vermelho ao vivo - Som Livre - 1985

Isso não é um disco, é um escândalo!!! As fitas com os dois shows acontecidos no primeiro Rock´n Rio (15 e 20 de janeiro de 1985), foram encontradas pelo produtor Aramis Barros nos arquivos da Som Livre, em fins de 1991. Aramis imediatamente percebeu ter em mãos pepitas incandescentes. Os shows eram memoráveis. Todos os Barões foram contatados e, lógico, fui junto. Boquiabertos ouvimos um registro transcendental, documento chamuscante do que melhor havia de mais radical do rock brasileiro na década de 80.
Microfonias escancaradas, guitarras fulminantes, andamentos esquizofrênicos. Cazuza errava algumas letras e isso enriquecia ainda mais a avalanche de músicas engatadas umas às outras num turbilhão de juventude incendiária.Tudo soava como um batalhão de Sex Pistols avassaladores. Se o Barão e seus asseclas estivessem tocando no Gólgota, tenho a certeza, Jesus Cristo não seria crucificado. Abandonaria a cruz para, junto com aquela multidão, dançar adoidado. Jorge (o Gordo) Guimarães (só ele mesmo) pilotou as gravações "in loco" e produziu esse petardo conosco sete anos depois. Fizemos em apenas dezoito horas de estúdio. Não precisávamos mais. São catorze faixas desvairadas, uma torrente bravia que nos deixa sem respiração. "Unbelievable" perde. Um roteiro fantástico englobando e transcedendo os primeiros três anos da carreira chamuscante do Barão Vermelho.
Politicamente é um documento que faria qualquer País ficar orgulhoso. Explico: a noite do dia 15 coincidiu com a votação pelas "Diretas Já". E na hora que Cazuza detonou os versos de " Pro Dia Nascer Feliz", ficou sabendo que a ditadura, que enforcava o país, havia sido dinamitada. Ele deu a notícia no palco e a multidão de 80 mil pessoas ficou enlouquecida de tanto prazer. Tomem um calmante pois só assim suportarão escutar esse incendiário documento.

Faixas:
01 -Maior abandonado
02 - Milagres
03 - Subproduto do rock
04 - Sem vergonha
05 - Narciso
06 - Todo o amor que houver nesta vida
07 - Baby, suporte
08 - Bete Balanço
09 - Mal nenhum
10 - Down em mim
11 - Por que a gente é assim?
12 - Um dia na vida
13 - Menina mimada
14 - Pro dia nascer feliz

Direção artística: Max Pierre
Direção de produção: Aramis Barros
Produzido por Roberto Frejat, Guto Goffi, Jorge "Gordo" Guimarães e Ezequiel Neves
Gravado ao vivo nos dias 15 e 20 de janeiro de 1985 no Rock In Rio 1
Técnicos de gravação: Jorge "Gordo" Guimarães e Antonio "Moogie" Canazio
Assistente de gravação: Jorge Maria, Wellington e Beto Silva
Mixado no sistema PROJAN
Técnico de mixagem: Jorge "Gordo" Guimarães
Assistente de estúdio: Everaldo "Mongo"
Participação especial de Zé Luiz (sax nas músicas: Sub-produto do Rock, Sem vergonha e Narciso)
Barão Vermelho: Cazuza, Roberto Frejat, Guto Goffi, Dé e Maurício Barros
Capa: Marciso "Pena" Carvalho
Foto: Anibal Philot / Agência O Globo


Cazuza / Exagerado - Som Livre - 1985
Às vésperas de entrarmos em estúdio para gravarmos o quarto disco do Barão, em julho de 1985, Cazuza decidiu sair do grupo para seguir carreira solo. O fato era explicável; filho único não costumava dividir nada com ninguém e os atritos com os outros garotos já vinham acontecendo há vários meses: "the thrill is gone". Fui franco com ele: "Você é ótimo, mas a banda também é ótima. Fico com você e com o grupo". Ele arregalou os olhos, mas percebeu que eu tinha razão. Topou.
Partimos então para a escolha das músicas de seu primeiro disco-solo: o Barão ficaria com metade do repertório do quarto disco, que ainda seria com o cantor e letrista Cazuza, e este com a outra metade. Isso incluia petardos como "Exagerado", "Mal nenhum", "Só as mães são felizes" (que posteriormente teve a execução proibida em todo o território nacional), "Cúmplice" e "Boa vida". Cazuza comporia, mais tarde, a obra prima "Codinome Beija-flor". Resolvemos entrar nos estúdios da Som Livre em setembro e procuramos Nico Rezende para assinar os arranjos e a co-produção musical. Nico já havia produzido conosco "Amor, amor", lado B do compacto "Bete Balanço" e quando lhe mostramos o material para o disco ficou pasmo. " O LP já está pronto, o repertório é um arraso"- falou. Mas não foi tão fácil assim.
Nico, além de cuidar dos teclados, recrutou músicos excelentes, entre os quais Rogério Meanda, excelente guitarrista e que mais tarde, se tornaria parceiro de Cazuza. Rezende, porém, queria enfatizar os teclados e Cazuza e eu preferíamos encher o disco de guitarras. Foi o que fizemos, mas a discussão maior foi quanto ao arranjo de "Codinome Beija-flor".
Reinaldo Arias, autor da música, fez um arranjo horrendo calcado num hit da época, o também horrendo "Maniac". Eu insistia em moldura super-romântica, uma balada acústica à base apenas de piano, violinos e voz. Nico achou um absurdo e disse que aquilo não podia ser mais pobre e antigo. Respondi que todos iam ficar de quatro com aquela simplicidade moderníssima. Cazuza concordou comigo, mas tive de dar escândalo, espernear para Nico concordar. "Codinome Beija-flor" era uma das letras mais geniais de Cazuza, sensível ao extremo, algo de um poeta da maior categoria. O fato é que além de "Exagerado" ter se tornado uma espécie de "grife" de Cazuza, "Codinome Beija-flor" transformou-se em um sucesso eterno.

Faixas:
01 - Exagerado
02 - Medieval
03 - Cúmplice
04 - Mal nenhum
05 - Balada de um vagabundo
06 - Codinome Beija-flor
07 - Desastre mental
08 - Boa vida
09 - Só as mães são felizes
10 - Rock da descerebração
Produzido por Nilo Rezende e Ezequiel Neves
Engenheiro de gravação e mixagem: Jorge Guimarães


Cazuza / Só se for a 2 - PolyGram - 1987

Depois da combustão espontânea de EXAGERADO, fiquei temeroso. Falei com Cazuza: "Tudo bem...vamos pensar um pouco ?" Ele foi incisivo: "Não me venha falar em conceitos e outras babaquices. Detesto conceito. Arte,qualquer arte que seja conceitual pra mim é merda. Gosto de coisas para dependurar na parede, odeio instalações. Em música adoro ouvir qualquer bobagem e já sair cantando." Ponderei: "Tudo bem, mas depois de seu monólogo, me mostre as letras novas..." Ele mostrou e caí duro.

As 12 letras inéditas eram um espanto e fixavam um "conceito" inconsciente, mas rigorosamente genial. O de que a gente só dá certo quando está a dois. Tudo começava com esta faixa "Só se for a dois" que imediatamente foi escolhida para título do disco. E havia também temas maravilhosamente românticos, como "O Nosso Amor a Gente Inventa (Uma História Romântica)", "Solidão Que Nada", "Completamente Blue" e a urgentemente antológica "Ritual". Odiando a seriedade, Cazuza sabia ser seríssimo e tremendamente reflexivo, resumindo nascimento, vida e morte de forma transcendental. Os versos de "Ritual" eram a própria história do ser humano enfrentando e compreendendo toda a solidão do mundo.

Chamamos Nilo Romero para produzir e ele foi de um carinho e dedicação extremos. Cazuza e eu não tínhamos muito saco para agüentar horas e horas da masturbação que é um estúdio de gravação, Nilo era o oposto. Produzimos juntos e nunca vimos um artesão tão calmo e apaixonado. SÓ SE FOR A DOIS ficou lindo. Mas nesse ínterim a Som Livre resolveu acabar com seu cast, e o disco acabou sendo lançado pela Polygram que assinou contrato com Cazuza. Mil pontos para a Polygram.

Faixas:
01 - Só se for a dois
02 - Ritual
03 - O nosso amor a gente inventa (estória romântica)
04 - Culpa de estimação
05 - Solidão, que nada
06 - Completamente blue
07 - Vai à luta
08 - Quarta-feira
09 - Heavy love
10 - O lobo mau da Ucrânia
11 - Balada do Esplanada


Ideologia - PolyGram - 1988
Ao voltarmos para o Brasil no começo de dezembro de 1987, depois do pesadelo que foram os três meses de tratamento no New England Hospital de Boston, Cazuza já tinha material e muita pressa de iniciar os trabalhos para um novo disco. Imediatamente convocamos Nilo Romero novamente para colaborar conosco. Ele, pra variar, adorou.
O disco teria o título de IDEOLOGIA, música de cunho corrosivamente político que Cazuza havia feito com Frejat. Nos piores momentos em que o poeta passara numa UTI do New England Hospital ele cantava a letra de olhos fechados. Lucinha, numa tarde longa e cinzenta, me perguntou: --Meu filho está balbuciando uma música que nunca ouvi. Fala em algo como "meus heróis morreram de overdose", que letra é essa? Disse a ela que era uma canção inédita e genial que Cazuza dera para Frejat fazer a música. Lucinha foi incisiva: "Se meu filho morrer não vou deixar ninguém gravar essa música", disse em prantos. Fiquei quieto porque tinha certeza que Cazuza não ia morrer.
Entramos no estúdio da Polygram em janeiro, Márcio Gama pilotando a mesa de som e fizemos, inspiradérrimos, uma outra obra prima. IDEOLOGIA, tinha, entre outras maravilhas, "Brasil" (um hino de amor a um país falido), "Um Trem Pras Estrelas" ( a única parceria de Cazuza com Gilberto Gil), "Blues da Piedade", a surrealista "A Orelha de Eurídice", "Minha Flor,Meu Bebê"( com Dé assinando a música) e uma releitura de "Faz Parte do Meu Show" (música de Renato Ladeira que Cazuza cantou como um João Gilberto renascido. IDEOLOGIA tinha uma capa polêmica, de Zerbini e Barra misturando suásticas com Estrelas de Davi. Querem algo mais provocativo e sincrético?

FAIXAS:
01 - Ideologia
02 - Boas novas
03 - O assassinato da flor
04 - A orelha de Eurídice
05 - Guerra civil
06 - Brasil
07 - Um trem para as estrelas
08 - Vida fácil
09 - Blues da piedade
10 - Obrigado (por ter se mandado)
10 - Só se for a dois
11 - Minha flor, meu bebê
12 - Faz parte do meu show

Produzido por Cazuza, Ezequiel Neves e Nilo Romero
Produção executiva e coordenação geral: Márcia Alvarez
Técnicos de gravação: Márcio Gama (Polygram), Jairo Gualberto (Polygram), Julinho (Polygram), Luís Cláudio (Polygram) faixa "Brasil" e L. G. D'Orey (Som Livre)
Assistentes de gravação: Carlinhos e Charles (Polygram) e Julinho e Cláudio (Som Livre)
Mixagem: Márcio Gama e Julinho
Mixagem "Brasil": Jorge Guimarães
Arregimentação geral: Paschoal Perrota
Mixagem digital: Márcio Gama e Julinho
Montagem digital: Marcus Adriano
Supervisão do processo digital: Luigi Hoffer e Jorge Freitas
Capa: Luiz Zerbini e Jorge Barão
Foto: Flávio Colker
Coordenação gráfica: Arthur Fróes
Mixado no estúdios da Polygram
Gravado nos estúdios Polygram e Sigla
Verão 1988



O tempo não pára - PolyGram - 1988

Gravado ao vivo no Canecão, dias 14,15 e 16 de outubro de 1988, "O Tempo Não Pára" fulmina o ouvinte com a mesma aura de celebração quase litúrgica que dominava o belíssimo show. Cazuza,já bastante fragilizado, mantém uma dignidade interpretativa de quem "vê a cara da morte e sente que ela está viva". Não há a mínima possibilidade de nos distanciarmos do guerreiro reflexivo que jamais desiste da luta. Cada uma das dez faixas (que acabam funcionando como uma antologia de epígrafes) seqüestram nossos tímpanos de forma apaixonante.
Cazuza mostra-se um intérprete comovente, totalmente controlado e que não apela nunca para a pieguice. A banda, liderada por Nilo Romero, cria uma moldura afiadamente digna para que o poeta resplandeça. E a mixagem de Márcio Gama só ressalta essas virtudes. Não há muito que falar sobre esse disco, mas seria um sacrilégio não mencionar três (dos muitos) momentos antológicos: "Todo Amor Que Houver Nessa Vida", "Codinome Beija-Flor" e "Faz Parte do Meu Show".
O TEMPO NÃO PÁRA superou a marca das 500.000 unidades vendidas. Não era pra menos!!!

FAIXAS:
01 - Vida louca vida
02 - Boas novas
03 - Ideologia
04 - Todo o amor que houver nesta vida
05 - Codinome Beija-flor
06 - O tempo não pára
07 - Só as mães são felizes
08 - O nosso amor a gente inventa (estória romântica)
09 - Exagerado
10 - Faz parte do meu show

Disco
Direção artística: Mariozinha Rocha, MR Produções Artísticas
Produzido por: Nilo Romero e Ezequiel Neves
Produção executiva: Márcia Alvarez
Engenheiros de gravaçao: Márcio Gama e Luigi Hoffer
Mixagem: Márcio Gama
Auxiliares: Carlinhos, Marcos Vicente e Barrozo
Montagem e edição: Barrozo
Coordenação gráfica: Arthur Fróes
Arte: Reinaldo Cardoso Simões
Fotos: Paulo Ricardo (capa), Geraldo Luis Gomes (contracapa e envelope) e Miriam Prado (envelope)

Gravado ao vivo dias 14, 15 e 16 de outubro de 1988 no Canecão, Rio de Janeiro

Show
Produzido por: Márcia Alavarez
Direção: Ney Matogrosso
Direção musical: Nilo Romero

A Banda
Bateria: Christian Oyens
Baixo: Nilo Romero
Guitarras: Luiciano Maurício e Ricardo Palmeira
Teclado: João Rebouças
Saxofone: Widor Santiago
Vocais: Jussara, Jurema, João Rebouças e Luciano Maurício
Técnico de P.A.: Breno Dolabela
Técnico de palco: Marcelo
Iluminação: Bimbão
Contra-regra: Ronaldo e Fernando
Agitos gerais: Nandinha



Burguesia - PolyGram - 1989

Esse pode ser chamado de o disco da ressurreição. CAZUZA, já minado pela doença, provou que a pirraça era a forma de se manter vivo. Criava como um tresloucado, escrevia desbragadamente, aos borbotões. Mandava letras (que escrevia nos moldes da "escrita automática" de seus ídolos, como Kerouac, Ginsberg, Gregory Corso e outros "beats") para Frejat, Angela Ro Ro, Arnaldo Antunes, Arnaldo Brandão, Joanna, João Donato e também as dava a quem fosse visitá-lo na Clínica São Vicente. E exigia que eles musicassem tudo em milésimos de segundos.
Nilo Romero e eu fomos sumariamente demitidos da produção, já em Recife, onde ele apareceu no palco pela última vez. Já de volta ao Rio, chegava ao estúdio da Polygram em cadeira de rodas, deitava-se num sofá e mandava ver. João Rebouças criava os arranjos e ele ia colocando a voz direto. Os técnicos da gravadora agiram de uma forma pavorosa. Como ele cantava deitado, os microfones eram colocados de qualquer jeito, como se cada dia de gravação fosse o último e que aquele disco não iria ser lançado nunca.
Era uma produção, digamos sem exageros, brutalista. Só encontro comparação em obras primas inaudíveis, como, por exemplo, Double Quartet de Ornette Colleman e Metal Machine Music, de Lou Reed. E as letras, repito, eram orgiásticas, haviam canções com 140 versos, tudo era fantasmagoricamente irracional, trovões e relâmpagos verbalizados numa linguagem devastadora. Era a própria urgência de cataclismas transcendentais.
BURGUESIA é um álbum-duplo com 21 pulverizantes faixas. Um registro que sempre valerá a pena ser relido por "seculo seculorum". CAZUZA assumiu e assinou, com garras e dentes toda a produção. Só mesmo ele teria culhões e honestidade para fazer isto.

FAIXAS:
01 - Burguesia
02 - Nabucodonosor
03 - Tudo é amor
04 - Garota de Bauru
05 - Eu agradeço
06 - Eu quero alguém
07 - Baby lonest
08 - Como já dizia Djavan
09 - Perto do fogo
10 - Cobaias de Deus
11 - Mulher sem razão
12 - Quase um segundo
13 - Filho único
14 - Preconceito
15 - Esse cara
16 - Azul e amarelo
17 - Cartão postal
18 - Manhatã
19 - Bruma
20 - Quando eu estiver cantando

Produzido por Cazuza

Produção executiva e coordenaãao geral: Marcia Alvarez
Produção musical: João Rebouças
Direção artística: Mariozinho Rocha, M. R. Produções Artísticas
Técnicos de gravação: Luiz Cláudio e João Moreira nas faixas "Eu Agradeço", "Esse cara", "Cartão Postal", "Azul e amarelo"
Assistentes de gravação: João Carlos e Marcos Vicente
Programacão de teclados: Renato Ladeira e Chico Sá
Mixagem: Luiz Cláudio
Assistente de mixagem: Jairo Gualberto
Masterização; Márcio Gama e Luiz Cláudio
Montagem digital: Antônio Barroso
Arregimentação: Barney
Supervisão geral: Paulo Succar
Gravado e mixado nos estúdios da Polygram em março e junho de 1989
Agradecimento especial a Ezequiel Neves
Capa concepção: Cazuza e Marcos Bonisson
Direção de arte e projeto gráfico: Felipe Taborda
Fotos: Marcos Bonisson
Produção de fotos: Yara Neiva
Arte-final: Claudia S. Rocha
Coordenação gráfica: Arthur Fróes
Adaptação para CD: C. Nascimento



LETRAS DE CAZUZA: http://www.cazuza.com.br/sec_discogra_todas.php?language=pt_BR



SOCIEDADE VIVA CAZUZA

Missão
Nossa missãoDar assistência a crianças carentes portadoras do vírus da aids, assistência social a pacientes adultos em tratamento na rede pública na cidade do Rio de Janeiro e difundir informações científicas sobre HIV/Aids além de esclarecimento de dúvidas para profissionais de saúde ou leigos.

Histórico
Fundada em 1990 em memória do cantor e compositor Cazuza que faleceu naquele ano vítima da Aids, a instituição iniciou seus trabalhos junto ao Hospital Universitário Gaffrée e Guinle no Rio de Janeiro. Em 1992 se desligou daquele hospital e iniciou um trabalho independente fornecendo medicamentos, exames e assistência a pessoas carentes portadores do HIV. Em 1993, após conseguir a cessão de uso de um imóvel da Prefeitura do Rio de Janeiro, montou a primeira Casa de Apoio Pediátrico do Município. A Casa tinha como finalidade fornecer abrigo, tratamento médico, educação, reintegração familiar, lazer, cultura.Em 1999 a Sociedade Viva Cazuza iniciou mais dois projetos: - Site educativo e informativo sobre Aids, com objetivo de trazer informações científicas atualizadas para o português e esclarecimento de dúvidas;- Projeto de Apoio Social visando adesão ao tratamento para pacientes adultos em tratamento em dois hospitais da rede pública do Rio de Janeiro.

Base legais
Razão Social: VIVA CAZUZACNPJ: 39.418.470/0001-05
Título de Utilidade Pública Federal – Decreto nº 50.517/61, publicado em DO de 16/02/1996
Título de Utilidade Pública Estadual – Decreto nº 17.595, publicado em DOE de 27/07/1992
Título de Utilidade Pública Municipal – Decreto nº 1902, publicado no DOM de 01/10/1992
Registro junto ao CNAS - Processo Nº 44006.000533/96-12, de 12/09/1996
Certificado de Entidades Filantrópicas – Processo nº 44006.002326/99-73
Registro no Conselho Municipal de Assistência Social Nº 0258/99
Registro no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e Adolescente Nº 04/034/227

Diretoria eleita em 15 de janeiro de 2007
Presidente:Maria Lúcia da Silva Araújo
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Secretário:Nelia Marisa Perez
Tesoureiro:João Alfredo Rangel de Araújo
Conselho Fiscal Titular:
Loreta Burlamaqui da Cunha
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Conselho Fiscal Suplente:
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Carlos Eduardo de Moraes Honorato
Paulo César Ferreira
Conselho Consultivo:
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Ney de Souza Pereira
Sérgio Alberto Monteiro de Carvalho
Tibério César Gadelha
Elimar dos Santos
EquipeDiretora Médica:Loreta Burlamaqui da Cunha
Gerente e Coordenadora de Projetos:Christina Moreira da Costa
Supervisor:Pedro Chicri Carvalho
Assistente de Supervisão:
Guttemberg Lima Rosa
Maria Beatriz Costa Casado
Pedagoga:Silvia Maria Ventura Mendel

Contato
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A Sociedade Viva Cazuza se mantém a partir de direitos autorais do Cazuza, doações, eventos beneficentes e eventuais convênios com o Ministério da Saúde.

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