segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

RARIDADES COM A GRIFE DOS BEATLES

Pesquisador Marcelo Fróes garimpa 42 músicas que os fab four fizeram e foram gravadas por outros artistas e que estão reunidas em quatro discos

Por José Teles

Os Beatles foram contratados pela EMI, em setembro de 1962. Mas já chegaram à gravadora prontos, e com uma considerável bagagem de canções compostas por John Lennon e Paul McCartney, parceria que vinha de 1956. Quando eles se tornaram os maiores vendedores de discos da Inglaterra, criavam mais músicas do que precisavam. Este excedente passou a ser escoado para cantores e bandas contratados da Nems, produtora de Brian Epstein, empresário do Fab Four e de vários grupos e artistas de Liverpool. Repassavam também composições para artistas que não estavam com Epstein. O primeiro a receber um original da grife Lennon & McCartney, em 1963 foi um cantor chamado Kenny Lynch, também da EMI. A música foi composta durante uma turnê pela Inglaterra, e intitulava-se Misery (que os Beatles gravariam mais tarde).

Esta gravação de Lynch e várias sobras da linha de montagem John, Paul, e George foram reunidas pelo produtor carioca Marcelo Fróes e lançadas numa trinca de CDs, pelo seu selo o Discobertas. 4Ever – Os Beatles por seus amigos faz chegar pela primeira vez às lojas brasileiras estas canções, lançadas no exterior em diversos discos, tais como Songs the Beatles gave away. Os dois primeiros volumes reúnem mais pérolas pop da compilação, numa época em que John e Paul não apenas estavam sempre juntos, como compunham aos borbotões. O compacto de estreia do grupo Billy J, Kramer and the Dakotas trazia logo duas, Do you want to know a secret?, e uma das melhores desta safra, I’ll be on my way (assinada pela dupla, mas composta apenas por McCartney). O compacto seguinte dos Dakotas trazia mais uma inédita de Lennon & McCartney, Bad to me (feita por John Lennon sozinho). Eles gravariam ainda duas de Lennon & McCartney, que os Beatles nunca gravaram oficialmente: I’ll keep you satisfied e I’m in love. Gerry and the Pacemakers pegou uma das primeiras composições feitas por John Lennon, nos anos 50, Hello little girl, mas o grupo dispensou esta, preferindo gravar You’ll never walk alone, que se tornou um clássico do pop britânico dos anos 60. Quem fez sucesso com Hello little girl foi outro grupo de Liverpool, o Fourmost, que ainda ganharia mais sobra dos Beatles, I’m in love.

Cunhado Generoso
Em 1964, Paul McCartney começou a namorar uma atriz chamada Jane Asher, cujo irmão Peter Asher formara uma dupla com o amigo Gordon Waller. O cunhado foi assim beneficiado por canções assinadas por Lennon & McCartney. Os iniciantes Peter and Gordon emplacaram um primeiro lugar nos dois lados do Atlântico com World without love (feita só por McCartney), que derrubou os Beatles e sua Can’t buy me love do topo das paradas americanas e inglesas. A dupla ganhou do generoso cunhado de Peter ainda Nobody i know, I don’t want see you again, e Woman (esta McCartney assinou como Bernard Webb, para testar se suas músicas com terceiros faziam sucesso por serem assinadas por ele, ou porque eram realmente boas. Woman fez sucesso).

A maioria dos que gravaram as sobras de luxo dos Beatles hoje não passa de um ropadé de página nas enciclopédias especializadas em música pop, a exemplo de Cilla Black. Dos artistas saídos de Liverpool nos anos 60, ela se tornou a mais bem sucedida na música pop britânica depois dos Beatles. Ainda hoje Cilla Black é muito popular na Inglaterra, onde apresenta um programa de TV. Cilla teve seu primeiro hit com Step in side love, uma bossa nova, em três versões no volume 3 de Os Beatles por seus amigos (a oficial, uma demo, e um take alternativo). Algumas da canções são não apenas raras, como obscuras, caso de Catcall, lançada pela Chris Barber Band, ou a instrumental Love in the open air, com a Gordon Frank Orchestra.

Outras músicas têm histórias pouco conhecidas. Na época do Álbum branco, Paul McCartney foi passar as férias no Algarve, em Portugal, região de belas praias (onde ele compôs Yesterday). Lá fez uma música intitulada Penina, que é uma cidade do Algarve. Ele estava acompanhado de Linda McCartney, e foi à Penina para trocar libras por escudos. Entraram num bar onde tocava uma banda chamada Jota Herre. McCartney até tocou bateria com o grupo, bateu papo e bebeu madrugada adentro com os integrantes. Antes de ir embora ofereceu a canção Penina aos rapazes que, obviamente a gravaram. Penina foi gravada uma segunda vez em Portugal, agora por Carlos Mendes, que pertenceu ao mais famoso dos grupos de iê-iê-iê lusitano, os Sheiks.

Os três discos trazem também covers, que são mais uma curiosidade, afinal os Beatles tornavam definitivas as interpretações do que gravavam. Cilla Black canta Yesterday, e For no one, The Hollies fazem If i needed someone (George Harrison), enquanto Marianne Faithfull vai também de Yesterday. A compilação traz uma música que não foi assinada por nenhum Beatle. Trata-se de I knew right way, com Alma Cogan. Na época, 1965, ela era “idosa” para John, Paul, George e Ringo, estava com 34 anos, mas se tornou muito amiga dos quatro (boatou-se que John Lennon teria tido um caso com ela). Uma amizade honrosa para o Fab Four, afinal a casa de Alma era frequentada por nomes como Nöel Coward, Cary Grant, a princesa Margareth, e Roger Moore, entre outras celebridades. I knew right way foi badalada, porque se soube que Paul McCartney toca percussão nesta gravação. Foi por isto que a música chegou a ser tocada no Brasil, embora tenha ficado mais conhecida na voz de Jerry Adriani, na versão Um grande amor. Os três CDs trazem 42 faixas, mas ainda não esgotam o filão de raridades. Mary Hopkins gravou Goodbye, em 1969, o Badfinger, Come and get it, John Foster & Sons Ltd Black Dyke Mills Band Thingumybob.

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