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Um bate-papo com alguns dos maiores nomes da MPB e outros artistas em ascensão.

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

25 ANOS SEM CÉSAR DE ALENCAR

O radialista, cantor, compositor, ator e apresentador de televisão Ermelindo César de Alencar Mattos, conhecido por César de Alencar, morreu a exatamente 25 anos

Por Rodolfo Moreira



César de Alencar que, com sua voz e estilo cativantes, foi campeão de audiência no rádio por mais de 15 anos, popularizando, no Brasil, fórmulas que faziam sucesso nos Estados Unidos, como paradas de sucessos, em "Parada dos Maiorais" e programas de calouros em "Cantinho dos Novos".

Formado em Letras, mudou-se de Fortaleza para o Rio de Janeiro em 1939 e, no mesmo ano, foi trabalhar na Rádio Clube do Brasil. Convidado por Renato Murce para fazer um programa diário como locutor, logo iniciou uma carreira de sucesso.

Criou com enorme sucesso, o primeiro concurso de músicas de carnaval (1942), ao lado de Herivelto Martins, Benedito Lacerda e Francisco Alves.

Contratado pela Rádio Nacional (1945), passou a trabalhar em locução comercial e narrações, além de participar em pontas em novelas radiofônicas, tendo atuado nas novelas "Feche a Porta do Destino" e "Uma Sombra".

Criou o programa "César de Alencar", onde se apresentavam as grandes estrelas das duas décadas seguintes. Entre as inovações que trouxe para o rádio brasileiro estava a entrevista ao vivo por telefone, recurso usado até hoje.

Gravou o compacto "Você Não Tem Vez/Arrependimento" (1950), em 78 rotações, e fez a transição para a TV logo nos primeiros momentos da TV Tupi (1950), embora nunca conseguisse alcançar o sucesso de seus programas de rádio.

Sua imagem histórica ficou inteiramente desgastada após o Golpe Militar (1964), quando foi acusado de delatar colegas de profissão que se opunham ao novo governo ditador.

Afastou-se da Nacional (1964-1976), ao ser acusado de perseguir os colegas de rádio que não apoiaram a Revolução de 3l de março, até que foi escolhido para assistente da superintendência da Radiobrás (1976), empresa criada para centralizar as emissoras oficiais, entre elas, a própria Nacional.

No cinema, participou de vários filmes, sendo sua estréia em 1944, no filme "Corações Sem Piloto".

Filmografia:
1962 - As Testemunhas Não Condenam
1960 - Viúvo Alegre
1960 - Virou Bagunça
1957 - Garotas E Samba
1956 - Vamos Com Calma
1956 - Colégio De Brotos
1955 - Carnaval Em Marte
1955 - Carnaval Em Lá Maior
1950 - Todos Por Um
1950 - Carnaval No Fogo
1949 - Está Com Tudo
1948 - Pra Lá De Boa
1948 - Folias Cariocas
1946 - O Ébrio
1944 - Corações Sem Piloto Filmografia - Diretor

Nos últimos anos de sua vida, ainda apresentava seu programa todas as manhãs de sábado na Rádio Nacional.

César de Alencar morreu no dia 10 de janeiro de 1990, no Rio de Janeiro aos 72 anos de idade, de enfisema pulmonar.


Fontes:
Wikipédia
Adoro Cinema Brasileiro
Cine TV Brasil
Site memória do Rádio e Tv

domingo, 18 de janeiro de 2015

BIOGRAFIA PERCORRE TRAJETÓRIA DE SEU JORGE AO ESTRELATO

Por Adriano Barcelos


Em 1990, quando sua casa foi invadida e um irmão, assassinado, um dos tios de Jorge Mário da Silva queria saber o que ele –então com 20 anos, negro e pobre– faria para sustentar a casa, cuidar da mãe e dos irmãos mais novos.

A resposta, meio sem convicção, foi que ele "seria músico". O tio rebateu: "Você está maluco?".

Corta para 2014: o tal Jorge Mário é agora Seu Jorge, músico, cantor e ator, paparicado no exterior e dono de um dos maiores cachês entre artistas brasileiros.

No Réveillon de Copacabana, o mais disputado do país, foi a estrela principal: recebeu R$ 700 mil para animar a festa de mais de 2 milhões de pessoas na noite de 31/12.

Os acontecimentos que conduzem Seu Jorge da infância pobre no Gogó da Ema, subúrbio de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, aos cachês polpudos e à vida confortável em Los Angeles é retratada na biografia não autorizada "Seu Jorge, A Inteligência É Fundamental", livro de estreia do jornalista e produtor carioca Leonardo Rivera.

O autor refaz os passos que levaram o cantor à música e ao mainstream a partir de uma posição privilegiada.

Rivera era um dos caça-talentos da Polygram no final dos anos 1990, quando as gravadoras eram soberanas e todos os olhares estavam voltados para a cena carioca, mais precisamente a de Santa Teresa.

Por obra da gravadora, moravam no bairro Chico Science e Nação Zumbi.

A mescla regional/universal que marcou o manguebeat deu um estalo em Seu Jorge.


FAROFA CARIOCA

Inspirado pela alquimia do Recife, o cantor formou a Farofa Carioca. O disco de estreia, "Moro no Brasil" (1998), fez sucesso com a faixa-título que diz: "Moro no Brasil/ não sei se moro muito bem ou muito mal/ só sei que faço parte do país/ inteligência é fundamental".

A vida de Seu Jorge mudaria de vez com o papel em "Cidade de Deus" (2002). Celebridade planetária, chegou a dividir set com Bill Murray e Cate Blanchett em "A Vida Marinha com Steve Zissou" (2004), de Wes Anderson.

A expressão "biografia não autorizada" incomoda Rivera. Ele diz que Seu Jorge sabia que o livro seria escrito, mas não o leu e não proibiu sua publicação.

"É biográfico, mas é um tributo acima de tudo", diz Rivera. De fato, quem folhear as 176 páginas do livro atrás de fofocas sobre a vida pessoal do artista vai se frustrar.

"Não me interessei [por detalhes da vida pessoal]", diz. "O livro se fecha na questão dele como ator e músico, enaltece um cara que já morou na rua e hoje se liga na Bolsa, é empresário de si mesmo."

Atração à parte são as entrevistas de Seu Jorge. Muitas foram transcritas de programas de TV de que ele participou, algumas de publicações e outras ele concedeu ao autor. Procurado pela Folha, o cantor não respondeu ao pedido de entrevista.


SEU JORGE, A INTELIGÊNCIA É FUNDAMENTAL
AUTOR - Leonardo Rivera
EDITORA - MPM Neto
QUANTO - R$ 45 (176 págs.)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

PROGRAME-SE


PROGRAME-SE


quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

GRAMOFONE DO HORTÊNCIO

Por Luciano Hortêncio*





"Samba do carnaval de 1943, gravado na Columbia em 17 de dezembro de 42, e lançada um mês antes da folia, em janeiro, disco 55395-B, matriz 593." (Samuel Machado Filho)



Canção: Lealdade

Compositores: Wilson Batista - Jorge de Castro

Intérprete - Orlando Silva


Ano - 1942




* Luciano Hortêncio é titular de um canal homônimo ao seu nome no Youtube onde estão mais de 5000 pessoas inscritas. O mesmo é alimentado constantemente por vídeos musicais de excelente qualidade sem fins lucrativos.

80 ANOS DE SAUDADES...

Vida e obra de Zequinha de Abreu


No dia 19 de setembro de 1880 nascia em Santa Rita do Passa Quatro, o saudoso mestre de nossa música, Zequinha de Abreu. Filho de um militar iniciou seus estudos no colégio São Luiz de Itú passando posteriormente às classes de aula no Seminário Episcopal (hoje Arquidiocesano), onde concluiu o seu curso colegial.

Em seguida, atendendo mais um desejo de sua família e propriamente à sua vocação, ingressou-se na Faculdade de Medicina, onde passou apenas dois anos, que viriam a ser os últimos de estudos em toda a sua vida.

Embora no princípio dos estudos médico fosse tomado por certo entusiasmo pela carreira, compreendeu Zequinha de Abreu, que não poderia manter-se em sua vida, desligado das notas musicais, do teclado de um piano, de sua inata facilidade de alinhar frases melódicas.

Por isso, deixou a Faculdade de Medicina e voltou seus dias inteiramente para a música. Seus mestres de música foram o Padre Rossini, do Colégio São Luiz e mais tarde, o Maestro, Mhiaffarelli. Modesto até ao extremo Zequinha de Abreu era, antes de tudo,um simples e um bom; jamais teve para alguém uma só palavra que não fosse de estímulo, de carinho, de fraternidade.

Aliás as palavras não eram muito usadas por Zequinha de Abreu, que preferia substituí-las por sorrisos meigos ou por suas músicas. Mesmo quando a sorte lhe era adversa; como foi por quase toda a sua vida, Zequinha de Abreu jamais abandonou o seu sorriso de simpatia, a sua maneira resignada de encarar os fatos que insistiam em lhe ser contrários.

Como, pianista profissional, foi Zequinha de Abreu contratado para tocar na "Casa da Música", em São Paulo , cujos proprietários eram Irmãos Vitale, editores de suas melodias.

Debruçado sobre o teclado do piano, passa Zequinha de Abreu todas as tardes, sempre cercado por um número grande de pessoas (geralmente moças), que indo à cidade, jamais dispensavam uma visita à "Casa da Música" para ouvir as novas melodias, composições do mestre paulista. E a cada palavra elogiosa, Zequinha de Abreu baixava a cabeça sorria acanhadamente, recolhido em modéstia.

Zequinha de Abreu tinha uma vocação musical surpreendente.

Escrevia músicas com a mesma ligeireza com que uma pessoa comum escreve qualquer coisa.

Para compor, sentava-se ao piano e dedilhava sem intenção expressa de fazer novas melodias.

Mas as frases bonitas vinham surgindo como por encanto e Zequinha de Abreu, tomado de um papel anotava-as.

De sua espontaneidade ao compor, conta-se como exemplo que em uma festa na casa de um poeta seu, Zequinha de Abreu até meia noite tocou todas as suas músicas já conhecidas, mas, daí até as quatro horas da manhã só tocou músicas improvisadas, uma em seguida às outras e cada mais belas que a anterior.

E, as músicas do pianista modesto, tocados por seus dedos, tinham inegavelmente como característica, uma outra significativa.

Na valsa, encontrava Zequinha de Abreu seu ritmo preferido parecia-lhe que se as notas musicais não se alinhassem no compasso que lhe era mais agradável, não estaria o seu sentimento expresso na melodia substituindo as palavras de amor, sempre vivas em seus dias, pelas frases melódicas, cada dor e cada alegria de Zequinha de Abreu ficaram gravadas em suas músicas.

Casado aos 19 anos com D. Durvalina Brasil de Abreu, deixou a viúva a 22 de Janeiro de 1935.



"Corporação musical Zequinha de Abreu"

Venceu, grandes dificuldade e alcançou a vitória, a idéia da fundação da Banda "Zequinha de Abreu", em Santa Rita do Passa Quatro, cuja primeira diretoria ficou assim organizada: Presidente – Manuel de Siqueira; Vice-Presidente – Manuel de Assis Cunha; Tesoureiro – Zeão Bueno de Prado; Secretário – Silvio Pelício de Araújo; Diretor da banda – Narciso Nori; Regente – Alcides Perini; Vice – Regente – Francisco Martino.

A 14 de agosto de 1933, reunidos na redação desta "Folha", amigos e simpatizantes da nossa cidade, com entusiasmo otimista tornaram realidade a existência organizada desta querida corporação musical, que se leva o nome do imortal compositor santarritense José Gomes de Abreu, que foi idealizada pelo saudoso Sr. João Buenos do Prado.

A banda "Zequinha de Abreu", composta de 35 figuras, apresentou-se com seu belo uniforme, no dia 13 de maio de 1934, para as imponentes festividades de sua inauguração oficial.

No romper da madrugada a população ouviu pela primeira vez o incipiente repertório musical de marchas, valsas e dobrados, fruto de esforço e da boa vontade, característica necessária a todas as iniciativas populares.

As 12:30 horas, em almoço de cordialidade foi vibrantemente homenageado o maestro José Gomes de Abreu, especialmente convidado pela diretoria de nova e promissora corporação.

As 15 horas, em frente à igreja do Rosário, foram os músicos recepcionados com calorosas palmas pela grande massa popular, instrumentos e dos músicos.

Cortadas as fitas simbólicas pelo maestro Zequinha de Abreu a Banda executou a marcha "Pátria" e desfilou pelas ruas da cidade tendo sido pronunciados discursos de homenagem nas residências das exmas. Autoridades e ao patrono musical da corporação em festa.

Ao anoitecer, os músicos executaram o Hino Nacional na escadaria principal da igreja Matriz, no momento da Benção Solene do Santíssimo Sacramento.

Assim, a data de inauguração da Corporação "Zequinha de Abreu" marcou o início das esplendidas vitórias que muito tem contribuído para o progresso artístico de Santa Rita.

Não foi sem grandes dificuldades que se não desaparecem de todo, entretanto, sempre foram vencidas para alegria não só de se uns diretores, mas da população que se ufana de ser conterrânea do grande maestro e compositor santarritense, em cuja homenagem foi em boa hora, fundada a Banda "Zequinha de Abreu" sem dúvida constituiu a nossa banda de música um precioso patrimônio de arte, que muito honra o progressista da terra natal de "Zequinha de Abreu" e que todos os bons santarritense devem prezar com carinho e civismo. 




"Última pausa de uma vida dedicada a arte e morte repentina de Zequinha de Abreu."

Nada parecia, alterar o ritmo da vida de Zequinha de Abreu no últimos anos de sua existência. Vencera com sua música conquistando uma popularidade à qual se ligavam a mais os curiosos fatos , mundanos e boêmios. Levemente começava a usar-se alguns acordes de uma serenidade e satisfação íntima.

Com os filhos colocados e bem situados escolhia de preferência nos dias de Natal, a casa de Dermeval.

Zequinha nos últimos anos de sua vida viveu em São Paulo , de onde saía raríssimas vezes.

Seriam 9 horas da noite, de 22 de Janeiro de 1935, quando Zequinha de Abreu recebeu um telefonema de um grupo de músicos que lhe marcara um encontro para daí a pouco numa residência na praça General Osório, próxima ao hotel Piratininga, sempre disposto a atender a quem lhe solicitavam o concurso artístico Zequinha compareceu a reunião tendo segundo organizado um programa para festa a realizar-se daí a dois dias.

Cerca de 11 horas nessa mesma noite o compositor santarritense saí da reunião encaminhando seus passos tranquilamente, em direção ao bonde. Eis que ao passar precisamente em frente ao Hotel Piratininga, viu-se acometido por súbita emoção, aquela mesma que, de tempos em tempos, o surpreendia, deixando-o completamente paralisado.

Tentou reagir, mas não pode. Alguns transeuntes notam aquele homem vestido de terno escuro, levar a mão ao coração e olhos semi-arregalados, cambalear, levemente.

Há uma ligeira movimentação, naquele trecho.

Que foi ? _ Quem é ? _ Um homem caiu ...............

Mas ..... não é um homem, apenas.

É Zequinha de Abreu!! (grita um senhor que se aproxima de grupo).

Uma coincidência extraordinária.

Passa, no momento, o enfermeiro Mário Flori, que conhece Zequinha de Abreu pessoalmente. Aproximou-se do acidentado, que continua pálido, amparado por dois populares. Tenta dizer alguma coisa, mas não consegue. Mário Flori ouve-lhe apenas.

Aí meu Deus !

Foi um colapso, diz o enfermeiro.

Talvez não haja mais nada a fazer.

Chamam a assistência pública, que não se faz demorar.

Como previra o seu assistente, tudo estava terminado.

Zequinha morrera, repentinamente, vítima de um colapso cardíaco.

O acidentado da hora e a recondução do corpo para sua resistência, na rua Fortunato, ocuparam algumas horas.

Os jornais fecharam as suas edições nesse intervalo.

A cidade amanheceu sem saber do desaparecimento de Zequinha.

Enquanto se velava o cadáver, a notícia espalhou-se, mas quando todos tomaram o conhecimento do episódio o famoso compositor da gente simples, criador de tantas belezas da música, popular, descia ao túmulo para repousar de sua luta, uma luta desigual, mas vitoriosa e consagrada, pelo que encerrou de simples e profundamente humano.

"Assim, sua música, cheia de incidentes e acidentes, como a própria natureza brasileira, não atinge os abismo escarlates da ferocidade nem conhece as trevas terríveis da miséria universal.

A música de Zequinha de Abreu será sempre, o reflexo auriverde, cuja fusão produz o azul límpido do nosso firmamento, que transparece na "Branca" e a solidariedade esportiva das messes descuidadas, que reúne, em poucos minutos, milhões de Tico Tico no Fubá."


Fonte: www.santaritadopassaquatro.sp.gov.br

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