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ENTREVISTAS EXCLUSIVAS

Um bate-papo com alguns dos maiores nomes da MPB e outros artistas em ascensão.

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

domingo, 2 de março de 2008

OS 100 MAIORES DISCOS DA MPB







Vira e mexe a mídia, seja impressa ou eletrônica, elege os melhores "quaisquer coisas" de todos os tempos. Dessa vez, aproveitando o ensejo, nós aqui do Musicaria Brasil (a partir de outros levantamentos de diversos estudiosos, produtores e jornalistas) elegemos os melhores discos brasileiros. A lista talvez não venha a agradar algumas pessoas, mas fica a oportunidade de manifestação a par de cada um. O Musicaria Brasil resolveu tirar da gaveta as capas desses álbuns que fazem (ou fizeram) parte da história de diversos leitores e compartilhar com todos que frequentam o nosso espaço. Caso a lista não venha a agradar, manifestem-se!!!




Acabou Chorare (Novos Baianos, 1972)

Tropicália ou Panis et Circencis (Vários, 1968)

Construção (Chico Buarque, 1971)
Chega de Saudade (João Gilberto, 1959)
Secos e Molhados (Secos e Molhados, 1973)

A Tábua de Esmeralda (Jorge Ben, 1974)

Clube da Esquina (Milton Nascimento & Lô Borges, 1972)

Cartola (Cartola, 1976)
Os Mutantes (Os Mutantes, 1968)

Elis & Tom (Elis Regina e Antônio Carlos Jobim, 1974)
Krig-Ha Bandolo (Raul Seixas, 1973)
Da Lama ao Caos (Chico Science & Nação Zumbi, 1994)
Amor de Índio (Beto Guedes, 1978)
Samba Esquema Novo (Jorge Ben, 1963)

Fruto Proibido (Rita Lee, 1975)

Racional Volume 1 (Tim Maia, 1975)

Contemporâneos (Dori Caymmi, 2001)

Fa-Tal - Gal a Todo Vapor (Gal Costa, 1971)

Cabeça Dinossauro (Titãs, 1986)

Dois (Legião Urbana, 1986)

Martinho da Vila (Martinho da Vila, 1969)

Coisas (Moacir Santos, 1965)

Roberto Carlos em Ritmo de Aventura (Roberto Carlos, 1967)

Tim Maia (Tim Maia, 1970)

Expresso 2222 (1972)

Nós vamos Invadir Sua Praia (Ultraje a Rigor, 1985)

Roberto Carlos (Roberto Carlos, 1971)

Os Afro-Sambas (Baden Powell, Quarteto em Cy e Vinícius de Moraes, 1966)

A Dança da Solidão (Paulinho da Viola, 1972)

Carlos, Erasmo (Erasmo Carlos, 1970)

Pérola Negra (Luis Melodia, 1973)

Caymmi e Seu Violão (Dorival Caymmi, 1959)

Canção do amor demais (Elizeth Cardoso, 1958)

O Pirulito da ciência (Tom Zé, 2010)

Falso Brilhante (Elis Regina, 1976)

Circuladô Vivo (Caetano Veloso, 1992)

Maria Fumaça (Banda Black Rio, 1977)

Selvagem? (Os Paralamas do Sucesso, 1986)

Luz (Djavan, 1982)

Benito di Paula (Benito di Paula, 1971)

O Bloco do Eu Sozinho (Los Hermanos, 2001)

Refazenda (Gilberto Gil, 1975)

Feminina (Joyce, 1981)

Samambaia (César Camargo Mariano e Hélio Delmiro, 1981)

Alegra, Alegria (Wilson Simonal, 1967)

O grande Encontro (Elba, Alceu, Geraldo e Zé Ramalho, 1996)

As Aventuras da Blitz (Blitz, 1982)

Ao vivo no Canecão (Simone, 1980 )

Revolver (Walter Franco, 1975)

Ave de prata (Elba Ramalho, 1979)

Cartola (Cartola, 1974)
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Asas da América (Carlos Fernando, 1979)

Ai, ai, ai de mim (João Bosco, 1987)

Calango (Skank, 1994)

A luz do solo (Geraldo Azevedo, 1985)

Sete desejos (Alceu Valença, 1992)

Antônio Carlos Jobim (Tom Jobim, 1963)

Voz no ouvido (Pedro Mariano, 2000)

Gil e Jorge Ogum Xangô (Gilberto Gil e Jorge Ben, 1975)

Imagem e som (Cassiano, 1971)

A peleja do Diabo com o Dono do Céu (Zé Ramalho, 1979)

Mote e Glosa (Belchior, 1974)

Show Opinião (Nara Leão, Zé Kéti e João do Vale, 1965)
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Nelson Cavaquinho (Nelson Cavaquinho, 1973)

Cinema Transcendental (Caetano Veloso, 1979)

A Vida Do Viajante - Ao Vivo (Gonzagão e Gonzaguinha, 1981)

Ventura (Los Hermanos, 2003)

Samba Esquema Noise (Mundo Livre S/A, 1994)

Os Diagonais (Os Diagonais, 1969)

Noel Rosa e Aracy de Almeida (Aracy de Almeida, 1950)

Cássia Eller (Cássia Eller, 1994)

Angela Ro Ro (Angela Ro Ro, 1979)

Hyldon (Hyldon, 1975)

Intimidade (Lô Borges, 2008)

Donato Deodato (João Donato e Eumir Deotado, 1969)

Canções Praieiras (Dorival Caymmi, 1954)

Na Esquina (João Bosco, 1999)

Álibi (Maria Bethânia, 1978)

Gal Costa (Gal Costa, 1969)

Noites com Sol (Flávio Venturinni, 1993)

Roberto Carlos (Roberto Carlos, 1977)

Passarinho Urbano (Joyce, 1977)

Cordel do Fogo Encantado (Cordel do Fogo Encantado, 2001)

Acústico (Moraes Moreira, 1995)

Beleléu, Leléu, Eu (Itamar Assumpção e Banda Isca de Polícia, 1980)

Verde Anil Amarelo Cor de Rosa e Carvão (Marisa Monte, 1994)

Quando o Carnaval Chegar (Bethânia, Chico Buarque e Nara Leão, 1972)

Renato Teixeira, Pena Branca e Xavantinho (Ao Vivo em Tatuí, 1991)
Renato Braz (Renato Braz, 1996)

Na pressão (Lenine, 1997)

Fátima Guedes (Fátima Guedes, 1979)

Meus amigos são um barato (Nara Leão,1977)

Resposta ao tempo (Nana Caymmi, 1998)

Traduzir-se (Fagner, 1981)

Doces Bárbaros (Gil, Bethânia, Caetano e Gal, 1976)

Luiz Gonzaga Ao Vivo Volta Pra Curtir (Luiz Gonzaga, 2001)

Amazonas (Naná Vasconcelos, 1973)

Circense (Egberto Gismonti, 1980)

Vivendo Vinícius (Baden, Miúcha, Toquinho e Carlos Lyra 1999)

Rádio Pirata ao Vivo (RPM, 1986)

DANÇANDO CONFORME A MÚSICA...

O ano de 2007 deve passar para a história da indústria fonográfica brasileira como o momento em que as gravadoras, finalmente, caíram na real. A movimentação nas cúpulas dirigentes dos selos multinacionais (que vem sendo acompanhada de perto pela imprensa nas últimas semanas) é apenas a ponta de um iceberg que ainda prevê ajustes ainda mais profundos e mudanças radicais nas estratégias de negócios. Tudo para tentar recuperar o tempo perdido na luta contra os predadores (pirataria, downloads ilegais de música, preços altos) do mercado – um mercado que movimentava R$ 1 bilhão e 200 milhões em 1995 e em 2006, bateu no fundo do poço, chegando a R$ 250 milhões, um retração de quase 80% em uma década. Substituições de executivos em postos-chave, cortes de elenco e de investimentos estão na pauta do dia das gravadoras, que já colocam a venda de música pela internet como prioridade imediata.

Na verdade, a dança das cadeiras nas filiais brasileiras das multinacionais do disco começou ainda no ano passado, com o afastamento de Marcos Maynard da direção da EMI. A própria sede inglesa da gravadora revelou, em outubro último, que a filial brasileira manipulava seus balanços – contabilizando CDs e DVDs passados às lojas como títulos realmente vendidos ao público, ignorando os discos devolvidos ao estoque. A fraude afetou as avaliações do mercado brasileiro em 2005 e teve reflexos nos números de 2006. “Essa brincadeira da EMI deu uma estragada boa no mercado”, confirma o diretor de um importante selo independente, que já passou por várias gravadoras grandes antes de se firmar por conta própria.

Maynard, substituído por Marcelo Castello Branco, foi apenas o primeiro eliminado. A Universal demitiu seu diretor artístico, Max Pierre, no começo do mês, resultado de uma auditoria promovida pela matriz da companhia na filial local. Cláudio Condé, presidente da Warner brasileira, perdeu para Sérgio Affonso o cargo, em meados de março. Apenas a Sony & BMG não mexeu em sua cúpula – em time que está ganhando, não se mexe. Segundo o principal executivo da companhia, Alexandre Schiavo, pelo segundo ano consecutivo a gravadora manteve a posição de primeiro lugar no ranking nacional. “Nosso market share passou de 25,05%, em 2005, para 26,14%. Depois de dez anos seguidos de dominação da Universal, consolidamos nossa posição”, adianta Schiavo, com a confiança de quem está por cima – números como esses são usualmente mantidos a sete chaves pelas gravadoras, especialmente em hora de crise e de troca de comando. A manutenção da Sony & BMG no primeiro lugar do mercado já era prevista desde a divulgação, em março, da lista dos lançamentos mais vendidos em 2006. Oito títulos da gravadora de Schiavo (incluindo o campeão, Minha benção, do Padre Marcelo Rossi) integram a lista dos 20 CDs mais vendidos do ano. A estimativa é que não haja mudanças no ranking em relação a 2005, com a Sony & BMG em primeiro, Universal em segundo, EMI em terceiro e Warner em quarto lugar.

Os números oficiais do mercado no ano passado ainda não foram divulgados pela ABPD (Associação Brasileira dos Produtores de Disco). Tradicionalmente, a associação (que congrega as cinco maiores gravadoras do país: as multinacionais Sony & BMG, Warner, Universal e EMI e a brasileira Som Livre) segue o calendário da IFPI (International Federation of the Phonograph Industry) para anunciar seu balanço anual. Sabe-se, entretanto, que 2006 representou mais um degrau – para baixo – no agravamento da crise da indústria. “Nosso último ano bom foi mesmo em 2004. A indústria está de ressaca”, analisa Paulo Rosa, diretor geral da ABPD. Ele fala, sem citar números, em “uma redução bastante significativa” no tamanho do mercado em 2006. “Em 2004 não houve queda nas vendas de produtos de áudio. Já em 2005 tivemos uma redução de cerca de 13% em relação a 2004. E em 2006 a queda foi ainda maior”.

Rosa diz que o momento difícil do negócio do disco é mundial. Mas no Brasil a coisa é pior por fatores já bastante conhecidos. “Pirataria existe em qualquer lugar. Mas aqui o negócio é muito acima do tolerável. Houve avanços no combate aos piratas, o índice de mercado dominado pelos piratas vem caindo – de 52% em 2003 para cerca 40% em 2005. Só que esse efeito ainda não foi sentido pela indústria”. O diretor da ABPD também aponta que o número de downloads ilegais de MP3 (via programas de compartilhamento de arquivos como Kazaa e Soulseek) está aumentando, por conta da crescente inclusão digital no país, mas que este potencial mercado para venda legalizada de música ainda não desabrochou. “No exterior a venda de música online já começa a compensar as perdas com a pirataria e o peer-to-peer, o que não acontece no Brasil”.

Para além das conjunturas do mercado, Rosa não deixa de creditar às próprias gravadoras uma boa parcela da culpa pela crise. “No ano passado, tivemos poucos lançamentos importantes, poucos sucessos e poucas novidades. É sintomático: por anos seguidos, as gravadoras só vêm cortando, reduzindo investimentos, funcionários e seus elencos de artistas. Tenho sentido a falta de produtos fortes, que possam resgatar os grandes sucessos de outrora”. Sem citar nomes, o representante da ABPD diz que 2006 foi um ano de balanços “atípicos” por conta do alto número de devoluções de CDs às gravadoras – referência indireta ao escândalo que derrubou Marcos Maynard.

Schiavo classifica 2006 como um ano “complicado e deprimido” para o mercado, mas ressalta que sua gravadora foi “na direção contrária da crise”. “Tivemos um ano excelente, com o primeiro registro de lucro operacional depois de cinco anos no vermelho”, narra o diretor da Sony & BMG. O resultado é fruto de um plano de reestruturação em curso há quatro anos, durante os quais, segundo Schiavo, a companhia tratou de “enxergar a realidade no tamanho certo”. Ainda assim, toda essa antecipação não blindou completamente a gravadora, que detém o passe de grandes vendedores como Roberto Carlos, Ana Carolina, Zezé Di Camargo & Luciano e Bruno & Marrone. “Estamos quase no limite do achatamento de nossa margem de lucro; nos últimos anos, reduzimos o preço do CD em quase 16%. E não temos tido apoio do governo na luta contra a pirataria”, afirma Schiavo.

No meio desse tiroteio, os selos independentes seriam tropas de guerrilha, em comparação à artilharia pesada das multinacionais. Pequenos e sem muitos recursos, compensariam com a agilidade que falta às poderosas multis. Paulo Rosa acha que a crise não escolhe vítimas, grandes ou pequenas: “O mercado é um só. Os independentes têm uma mentalidade diferente, mas acabam enfrentando as mesmas dificuldades”. O presidente da ABMI (Associação Brasileira da Música Independente), Carlos de Andrade, tem uma visão diferente. “Aumentamos nossa participação no mercado em 2006 e ocupamos mais espaço, principalmente nos nichos onde as grandes gravadoras não entram”, diz Carlos, ele mesmo dono de um selo independente (a Visom). Ele cita casos vitoriosos em que os selos pequenos correram por fora e destronaram as grandes: “O Nordeste, por exemplo, é quase todo independente. A cena musical do Pará também. O caso da Banda Calypso é só um exemplo. No Rio Grande do Sul temos gravadoras gigantes, como a Orbeat ou a Acit”.

O termo “gigantes”, entretanto, deve ser contextualizado no caso das indies. As multinacionais ainda dominam mais de 90% do mercado. “Sabemos que nunca vamos ver a Ivete Sangalo em uma gravadora independente. Mas mais e mais grandes nomes estão saindo dos grandes selos. Com o encolhimento do mercado, gente como Alceu Valença, Chico Buarque, Djavan – ou seja, artistas já preparados para a indústria, que vendem bem e são reconhecidos – foram para a independência”. Quem se destaca no meio das independentes – em particular a Indie Records e a Deckdisc – está tentando o pulo do gato: serem reconhecidas como selos pequenos, mas capazes de abocanhar público das grandes. “A vantagem das independentes é saber que tipo de disco estão fazendo e para quem vão vender, uma noção que as multinacionais às vezes não têm”, diz, reconhecendo que, volta e meia, selos pequenos emplacam grandes sucessos. “A Deck é a major das independentes”, afirma Andrade sobre o selo carioca, que ainda cita como selos representativos a Biscoito Fino, Trama, Atração, MZA, Azul Music, Rob Digital e Dubas, dentro de um universo que abriga mais de 500 selos (cerca de 100 desses associados à ABMI).

A citada Deckdisc merece realmente o crédito do presidente da ABMI. Dominando 3,28% do mercado (números de 2005), o selo carioca tem um catálogo vasto, que vai do pop-rock ao sertanejo, e já emplacou legítimos sucessos populares como os grupos Falamansa (dois milhões de CDs vendidos) e Revelação (cerca de um milhão e meio de CDs). Foi a gravadora que mais cresceu nos últimos dez anos. Ainda assim, o presidente da companhia, João Augusto, adota um discurso cauteloso ao avaliar sua posição atual. “Tivemos um ano muito difícil, talvez o pior de nossa história”, afirma. “Nossa queda foi ainda maior que a da média do mercado, porque ativamos um plano de contingência para baixar os custos e garantir o negócio”. Ao mesmo tempo que enquadra na devida perspectiva a ascensão das independentes (“Hoje em dia não há vencedores, todos perderam alguma coisa, grandes e pequenos”), João não deixa de fazer suas apostas. “Não deixaremos de trazer novos artistas e projetos para o mercado. Temos pelo menos um sentimento de vitória por termos passado pelas tormentas sem mexer na estrutura e sem cancelar projetos”, diz.

Passado o primeiro trimestre, o ano de 2007 configura-se sombrio. “Houve uma queda de 50% nas vendas em comparação com o mesmo período do ano passado”, testemunha Alexandre Schiavo. “Para a venda de CDs, 2007 deverá ser mesmo um ano difícil”, confirma Paulo Rosa. O único consenso a que os figurões do mercado conseguem chegar é que a sobrevivência passa pela internet. “É ilusão achar que a música digital vai repor as perdas que já tivemos. Mas o segmento é importantíssimo”, resume o presidente da Sony & BMG. Em 2006, houve a chegada de duas novas megastores virtuais de música, o UOL Música e o Sonora (do portal Terra), juntando-se à pioneira iMúsica. Em 2007 entrou no ar o BaixaHits (mantido pelo grupo Jovem Pan) e o provedor de internet IG também prepara sua loja de música. Gravadoras independentes como a Deckdisc e a Rob Digital e multinacionais como a Warner também já vendem seu catálogo por meio do download pago.

Neste contexto, seria de se esperar que os principais players de venda de música online estejam animados com a expansão, certo? Mais ou menos. O download pago representa apenas 2% das receitas das gravadoras brasileiras (enquanto nos EUA, Europa e Japão chega a 10% do total). O iMúsica teve em 2006 uma média de 30 mil faixas comercializadas por mês, número irrisório diante do mais de um bilhão de canções que os internautas brasileiros baixaram sem pagar no ano passado (segundo a ABPD). “Nossa perspectiva para 2007 é positiva por um único motivo: nosso mercado ainda não existe, na prática. Então, só podemos olhar para cima”, afirma Felipe Llerena, um dos fundadores do iMúsica, primeiro site a vender (já em 2000) música pela internet no Brasil. No entanto, diferente do resto da indústria, Llerena tem motivos para comemorar pelo ano que passou. “Passamos finalmente, com a adesão da Sony & BMG e da Universal, a oferecer músicas das quatro gravadoras multinacionais. Hoje temos o maior banco digital de música brasileira à venda na internet, o que é interessantíssimo para o mercado exterior”. A animação é ainda maior quando se fala em download para telefones celulares. “Já em 2007 passaremos a vender canções full-track (músicas inteiras, em MP3 estéreo) de várias gravadoras, para todas as operadores de telefonia. Temos 100 milhões de celulares no Brasil, é um mercado que cresce a cada dia e o que é melhor – sem pirataria”, afirma Llerena.

“Estamos, como sempre, otimistas. Esperamos que as gravadoras consigam reagir em 2007”, resume, em nome da ABPD, Paulo Rosa. Multinacionais e independentes preparam suas armas, em movimentos baseados na cautela. A líder do mercado vai batalhar por mais apoio do governo. “Queremos discutir a sério a questão da isenção de impostos para CDs e DVDs, a exemplo do que ocorre com os livros. Isso possibilitaria baixar muito os preços para o consumidor”, diz Alexandre Schiavo, da Sony & BMG, ressaltando que as conversas com o governo nesse sentido ainda não deram em “nada de concreto”. Schiavo também cita a execução, em 2007, de um “plano estratégico” que, segundo ele “vai garantir o futuro da companhia” e que inclui revisão minuciosa de contratos de alto a baixo – e também a dispensa de artistas, que já abateu nomes (outrora) bons de venda como Gabriel o Pensador e o grupo Cidade Negra. João Araújo segue apostando em variados segmentos musicais (punk rock, música eletrônica, MPB instrumental), mas seguirá escorando-se no sucesso de seus nomes mais populares. “Projetávamos um crescimento para 2007. Mas vendo como o ano começou, já considero que se conseguirmos empatar nossos custos ao fim do ano, terá sido uma vitória”, diz o dono da Deckdisc. Representante do futuro do comercio musical, Felipe Llerena joga uma metáfora no debate: “Para a música digital, 2007 será um bom ano. Estamos ainda na infância: jogando bola na rua, levando topada, caindo mas sempre sorrindo, dispostos. As gravadoras tradicionais são como velhinhos que acordam cansados, com artrite, dores nas costas. Mas ainda estão aí, firmes, e ainda estarão por um bom tempo”.

sábado, 1 de março de 2008

GRANDE RIACHÃO!

Clementino Rodrigues, seu nome de batismo. "Riachão", seu nome nome de samba e de guerra. Maior sambista vivo da Bahia e um dos maiores vivos do Brasil, ao lado de Nelson Sargento, Ivone Lara e mais alguns outros da velha guarda, o tempo já o consagrou parte da história da música nordestina, em sua essência negra da Bahia. Pela sua verve pitoresca na forma de compor, retratando fatos e ocorridos nas ruas de sua cidade natal, se consagrou como conista musical da antiga Salvador.

Nasceu na Língua de Vaca, no bairro do Gracia, em Salvador, a 14 de novembro de 1921 e até hoje mora no mesmo bairro. De lá sai a troça carnavalesca "Mudança do Garcia", a agremiação carnavalesca mais sarcástica da cidade com letras de conteúdo social e político. Cunharam até um termo para definir a bajulação dos tropicalistas ao governo do estado: "tropicarlismo". Neste ambiente, de rodas de samba e capoeira foi criado o autor de pérolas como a "Ousado é Mosquito" .O apelido de "Riachão", ele disse ao extinto Jornal Diário de Notícias que o ganhou na infância. "Quando menino eu gostava muito de brincar.

Mal acabava uma peleja, já estava eu disputando outra. E aí chegava os mais velhos para desapartar epregando aquelo velho ditado popular: - Você é algum riachão que não se possa atravessar?", disse. Hoje, casado com Maria Eulália, há 44 anos, tem 10 filhos vive uma vida tranquila. Sambista atrevido desde a juventude; Nascido e criado no Garcia, Riachão desde os 9 anos já cantava nas serentas, nos aniversários ou nas batucadas com os amigos do bairro.

Batucava em latas de água onde tamborilava seus sambas. A primeira composição veio aos 12 anos, um samba sem título que dizia: "Eu sei que sou moleque, eu sei, conheço o meu proceder/ Deixe o dia raiar que a minha turma, ela é boa para batucar". Em 44, consegue entrar para a Rádio Sociedade onde cantou como trio vocal no programa de auditório da emissora de rádio Sociedade AM, "Show Pindorama", um programa do radialista Motta Neto. Ele e seu trio interpretavam até algumas musicas sertanejas, como Valsa Sertaneja, Canta Passarinho e Beijo Molhado. Depois, o radialista que descobriu o sambista Batatinha, Antônio Maria, o lança com a música Vida da Semana. Começa a ganhar razoavelmente para os padrões da época. A princípio, Riachão cantava em trio, depois passa a cantar em dupla e, finalmente, canta sozinho. Aí decide de vez só se dedicar ao samba sob inspiração de Dorival Caymmi. Após Caymmi, foi o primeiro compositor baiano a gravar no Rio de Janeiro ainda na década de 50.



As músicas foram Meu patrão, Saia e Judas Traidor, gravadas por Jackson do Pandeiro. Riachão vivia num ambiente muito rico culturalmente em Salvador, convivendo com sambistas como Zé Pretinho e Batatinha. Riachão segue o caminho artístico do sambista irreverente, compondo sambas como Retrato da Bahia, Bochechuda e Papuda, ganhando o "Troféu Gonzaga" com essas músicas. Mais tarde, o cantor Eraldo Oliveira gravou A nega que não quer nada e a cantora Maria Inês interpretou Terra Santa. Outras músicas de Riachão foram gravados por outros nomes do samba e da música popular brasileira , como Vamos pular, gente e Vá mamar em outro lugar.O "Umbigão da Baleia"Irreverente, Riachão possue uma maneira peculiar de apresentar as notícias através do samba, pois todo fato relevante da cidade. Riachão transformou em crônicas ao ritmo do genuíno samba baiano numa linguagem direta e de alcance popular. Entre 48 e 59, ele compôs músicas como A morte do motorista na Praça da Sé, A Tartaruga, A Onça Peteleca, Chegou Pinguim, Visita da Rainha Elisabeth e Incêdio do Mercado Modelo.

Um dos fatos mais inusitados aconteceu no início da década de 60 quando uma baleia morta chamada de "Moby Dick" veio ser exposta para visitação pública na Praça da Sé. Daí ele, em fez o samba Umbigada da Baleia.Outra sacada do cronista urbano Riachão foi A Tartaruga que relata o caso chegada de uma enorme tartaruga que nadou da América do Norte e veio boiar nas águias das praias de Salvador. O senso quase jornalístico com tom poético bem humorado de Riachão, também, pode ser encontrado no samba A morte do alfaiate. Década de 70 e os registros fonográficos. Apesar do reconhecimento da crítica e de artistas da MPB, Riachão não consegue se inserir nnuma sequência significativa de shows e de registros fonográficos (única exceção foi o compacto em 78 rpm de O Umbigão da Baleia gravado nos anos sessenta). Por iniciativa de Paulo Lima e da gravadora Philipis, através do selo Fontana Special, em 75, é gravado o álbum reunindo a nata do samba da Bahia. "O Samba da Bahia" traz Riachão, Batatinha e Panela em grandes momentos. Riachão participa nas faixas Vou chegando, Fufú, Terra Hospitaleira, Pitada de Tabaco, Ousado é Mosquito e Até amanhã.

A força dada por Caetano e Gil depois da Tropicália que ao surgir no final dos anos 60 valorizou a música antiga brasileira, em especial a música nordestina de raiz como o samba baiano. Em 72, na volta do exílio em Londres, Caetano Veloso e Gilberto Gil vieram a Salvador para escolher música de compositores baianos para marcar sua volta ao mercado fonográfico nacional. A música escolhida foi "Cada macaco no seu galho" que foi sucesso em todo o país. Nos shows de divulgação do CD "Tropicália 2" de Caetano e Gil lançado em 93 estava lá o velho sucesso de autoria de Riachão. Ainda nos anos 70, Riachão tem um samba proibido pela Censura. A música se chama Barriga Vazia cuja letra fala sobre a miséria: "Eu de fome vou morrer primeiro/ você, de barriga, também, vai morrer um dia". A notícia da censura corre a cidade e num show no ICBA, em 76, a platéia universitária exige que Riachão a cante. O público pede tanto que os músicos começam a executá-la e Riachão se vê obrigando a cair na verdadeira celebração que se formou. Foi uma das poucos "furos" à Censura realizado em shows nos anos 70 por um artista.

Riachão – Humanenochum (2000)
Faixas:
01 - É Vai, Riachão!
02 - Camisa Molhada
03 - Cantina da Lua
04 - Retrato da Bahia
05 - Vá Morar com o Diabo
06 - Cartinha
07 - Baleia da Sé - Tartaruga 7
08 - Bochecha Grande
09 - Vida da Semana
10 - Choro No1
11 - Quem é o Dono Dessa Mulher
12 - Humanenochum
13 - Somente Ela
14 - Camisinha
15 - Pitada de Tabaco
16 - Pot-Pourri São Joanino - Bochechuda - Papuda - Vamos Pular, Gente!
17 - Cada Macaco no seu Galho
18 - Não Fale Comigo Agora
19 - Até Amanhã

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