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quarta-feira, 5 de agosto de 2020

NARA LEÃO E ROBERTO MENESCAL

quinta-feira, 13 de junho de 2019

NARA LEÃO UMA CANTORA DE OPINIÃO E MUITA CORAGEM (30 ANOS SEM NARA LEÃO)

Na mira do regime, ela teve que sair do país em 1969

Por José Teles



Daniel Sairava e Nara Leão


O mineiro Daniel Lopes Saraiva nasceu no mesmo ano em que Nara Leão morreu, mas desde criança ela foi uma das cantoras que mais escutava em casa. Sua Mãe é fã de MPB e um dos seus tios é dono de um grande coleção de LPs. Quando foi fazer a dissertação de mestrado do curso de História, na Universidade Federal de São João Del-Rey, ele escolheu Nara Leão como tema. Porém não queria fazer apenas mais uma biografia da cantora capixaba (que até seria bem-vinda, existem somente dois livros de fôlego sobre ela).

Saraiva optou pelo viés da artista engajada, transgressora, presente nos principais momentos da música popular brasileira, desde a bossa nova (que praticamente nasceu em sua casa, o que Nara desmentia). Intitulada A Música Brasileira em Pessoa - Trajetória, Engajamento e Movimentos Musicais na Obra da Intérprete Nara Leão, de 2015, vira livro, rebatizado de Nara Leão – Trajetória, Engajamento e Movimentos Musicais (Letra e Voz).

O autor concedeu entrevista ao JC sobre o livro, que será lançado amanhã no Rio. JC – Dissertações geralmente acabam em livros, com alterações para torná-las mais próxima da literatura convencional. O que você alterou na sua?

DANIEL LOPES SARAIVA – A estrutura é a mesma. Mudei o formato, acrescentei alguns tópicos e tirei a parte excessivamente acadêmica. Há também fotos cedidas pelo ex-companheiro de Nara Leão, Marco Antonio Bompet, algumas fotos do acervo do Museu da Imagem e do Som-RJ. Fui também no Arquivo Nacional de Brasília onde pesquisei nos documentos sobre a cantora.


JC – Por que Nara Leão, entre tantas as cantoras brasileiras?

DANIEL – Ouvi muito Nara Leão em casa, minha mãe tem uma cultura muito musical, meu tio meu gosta muito de MPB, então quando fui escolher um objeto de pesquisa do mestrado, eu queria trabalhar com música, disse que estava pensando em escrever sobre Nara, a orientadora achou que era um ótimo personagem. Também achei que seria uma boa ideia. Durante a pesquisa o que me chamou atenção foi isto: ela é conhecida como a musa da bossa nova, a cantora da bossa nova, mas a carreira dela é muito mais do que isto. Se você for analisar todos os discos, que o que faço no terceiro capítulo, você vai ter um mapeamento da música brasileira, nos anos 60, 70 e 80.


JC – Nara surpreende sempre nos seus discos dos anos 60.

DANIEL – Ela quebrava paradigmas. Na bossa nova, grava um disco com sambistas, ou cantores do nordeste. Estava na música engajada, mas participa da Tropicália. Ninguém da musica engajada participou da Tropicália. Só ela participa do disco tropicalista. Em 78, grava um disco só com música de Roberto e Erasmo. A primeira vez que um artista grava um disco só com musicas deles. Gal e Bethânia gravaram antes dela, mas não álbuns inteiros.


JC – Como está traçada a narrativa?

DANIEL – Minha ideia foi primeiro fazer uma trajetória biográfica, na segunda parte, pegar o engajamento, nas entrevistas nos discos, e o terceiro mostrar que Nara, além de cantora, era pesquisadora da música brasileira. A partir do repertório dela, quais os cantores que gravou, o que gravava, o por quê de gravar aquele artista, naquele momento. A ideia também foi de colocar depoimentos de pessoas próximas a Nara, conversei com muita gente, com Cacá Diegues, rapidamente, num evento, mas ele me contou como foi no exílio. Falei com Roberto Menescal, com a filha dela, Isabel, com Marco Antonio Bombet, o último companheiro de Nara, com artistas, pra entender um pouco qual a imagem que estas pessoas tinham da Nara, o que não está muito presente nos outros livros.

JC – Nara Leão fez as declarações mais fortes, entre os artistas da MPB, contra os militares, ao Diário de Notícias. Disse, literalmente, que “o Exército na vale nada”. Sofreu represálias?

DANIEL – Houve reação, alguns setores defendiam a prisão de Nara. Artistas e intelectuais assinaram um manifesto para o marechal Castelo Branco a fim de que ela não fosse presa. Drummond fez um poema. A repercussão foi internacional.


JC – O livro chega às livrarias num momento de efervescência política, de polarização. O lançamento tem a ver com o clima do país?

DANIEL – Tem, mas não foi nada programado, o convite surgiu da editora, um pouco mais de um ano atrás. Depois de acertado, eu voltei a fazer outras entrevistas, peguei também outros depoimentos, para transformar a dissertação em livro. Apesar que de ele é muito oportuno neste momento, porque Nara foi uma artista que lutava pela liberdade de cantar o que quisesse, do jeito que quisesse, uma mulher dona de si, num momento em que existia muito machismo. Uma mulher à frente do seu tempo. Mas não foi nada premeditado, foi uma coincidência do destino só ter ficado pronto agora. O que é muito triste é ver que pessoas como Nara terem lutado muito para o país ter liberdade de expressão, e muita gente não valoriza isto hoje. Não tem nem ideia do que aconteceu, que muita gente foi perseguida, morta, teve que se exilar. Nara foi para Paris porque era uma das pessoas mais visadas pelos militares. Acho que falta se entender um pouco a nossa história para ser mais crítico.






LIVRO

No prontuário de Nara Leão, compilado pelo SNI, as ações da cantora no engajamento contra o regime instalado em 1º de abril de 1964, começam em 1963 como “Membro fundador do Comando dos Trabalhadores Intelectuais (C.T.I) – organização de frente comunista”, com a ação mais grave sendo uma entrevista concedida por ela, ao Diário de Notícias (Rio de Janeiro), em 21 de maio de 1966 – “Manifestou sua opinião pela extinção do Exército”. As Forças Armadas estavam com dois anos de poder, ainda “arrumando a casa”, sob liderança da ala moderada. A entrevista seria impensável dois anos mais tarde.

Entre outras declarações, Nara Leão defendeu um civil no poder, explicando: “Os militares podem, talvez, entender de canhão e metralhadora, mas de política não entendem nada”. Além da entrevista, mais um agravante, Nara Leão era cunhada de um dos principais inimigos do regime, o jornalista Samuel Weiner, então asilado na França.

A mulher que se atreve a criticar tão fortemente o regime comandado por um marechal não bate com o que a maioria das pessoas sabem da cantora de voz pequena, aparentemente tímida, musa da bossa nova. Esta imagem menos conhecida de Nara Leão (1942/1989) é enfatizada no livro Nara Leão: Trajetória, Engajamento e Movimentos Musicais (Letra e Voz, R$ 34). A aparentemente frágil capixaba (de Vitória) em 1966 tornou-se ídolo nacional com A Banda, de Chico Buarque, do qual se tornou a intérprete mais constante. O historiador Daniel Saraiva divide o livro em três fases: “Nara pede passagem: A trajetória musical da intérprete”, “Opinião de Nara, de musa da bossa nova a artista subversiva”, “Meus amigos são um barato: A busca pela música popular .” O autor enfatiza a importância que teve na personalidade de Nara Leão, e da irmã mais velha Danusa Leão, o pai delas Jairo Leão, advogado bem sucedido.

A forma de doutor Jairo (como era tratado pelos amigos das filhas) educar era extremamente avançada: pouco se importava com diploma, ensino formal. Preferia contratar professores pra dar aulas às filhas em casa. Nara Leão deixou a escola com 16 anos. A irmã Danusa Leão, dez anos mais velha, com a mesma idade já era a modelo mais bem paga do país.

Musa da bossa aos 17 anos, quatro anos mais tarde, Nara Leão militava na esquerda, No Centro Popular de Cultura, o CPC da Une, um do vários CPCs que surgiram pelo Brasil inspirado no Movimento de Cultura popular, o MCP, criado, em 1960, na gestão de Miguel Arraes na prefeitura do Recife. Carlos Lyra, Vinicius de Moraes e Sérgio Ricardo, seus amigos bossa-novista passaram a fazer música participação (ou de protesto), e Nara Leão foi a intérprete destas canções com mensagem, e abertamente o regime instaurado no país em 1964. “Chega de Bossa Nova”, bradava. “Chega de cantar para dois ou três intelectuais uma musiquinha de apartamento. Quero o samba puro, que tem muito mais a dizer, que é a expressão do povo, e não uma coisa feita de um grupinho para outro grupinho”, declaração à revista Fatos & Fotos quando rompeu publicamente com a bossa nova.

O LP Opinião (1964) de Nara inspirou o diretor de teatro Oduvaldo Viana Filho a escrever o engajadissimo e clássico musical Opinião, com ela, João do Vale e Zé Keti. Em 1968, quando a linha dura promulgou o AI-5, Nara Leão militava nas hostes da subversiva Tropicália (única estrela da MPB a fazê-lo) Em 1969 avisaram-lhe que os militares a tinham sob mira. Ela e o marido, o cineasta Cacá Diegues, saíram do alvo mudando-se para Paris. Voltariam dois anos mais tarde. Nara ainda engajada, e apaixonada pela música, como foi até o final da vida. Morreu com 49 anos, escrevendo uma trajetória das mais importantes e íntegras da cultura brasileira.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

NARA LEÃO UMA CANTORA DE OPINIÃO E MUITA CORAGEM

Na mira do regime, ela teve que sair do país em 1969


Por José Teles


Daniel Saraiva e Nara Leão


O mineiro Daniel Lopes Saraiva nasceu no mesmo ano em que Nara Leão morreu, mas desde criança ela foi uma das cantoras que mais escutava em casa. Sua Mãe é fã de MPB e um dos seus tios é dono de um grande coleção de LPs. Quando foi fazer a dissertação de mestrado do curso de História, na Universidade Federal de São João Del-Rey, ele escolheu Nara Leão como tema. Porém não queria fazer apenas mais uma biografia da cantora capixaba (que até seria bem-vinda, existem somente dois livros de fôlego sobre ela).

Saraiva optou pelo viés da artista engajada, transgressora, presente nos principais momentos da música popular brasileira, desde a bossa nova (que praticamente nasceu em sua casa, o que Nara desmentia). Intitulada A Música Brasileira em Pessoa - Trajetória, Engajamento e Movimentos Musicais na Obra da Intérprete Nara Leão, de 2015, vira livro, rebatizado de Nara Leão – Trajetória, Engajamento e Movimentos Musicais (Letra e Voz).

O autor concedeu entrevista ao JC sobre o livro, que será lançado amanhã no Rio. JC – Dissertações geralmente acabam em livros, com alterações para torná-las mais próxima da literatura convencional. O que você alterou na sua?

DANIEL LOPES SARAIVA – A estrutura é a mesma. Mudei o formato, acrescentei alguns tópicos e tirei a parte excessivamente acadêmica. Há também fotos cedidas pelo ex-companheiro de Nara Leão, Marco Antonio Bompet, algumas fotos do acervo do Museu da Imagem e do Som-RJ. Fui também no Arquivo Nacional de Brasília onde pesquisei nos documentos sobre a cantora.

JC – Por que Nara Leão, entre tantas as cantoras brasileiras?

DANIEL – Ouvi muito Nara Leão em casa, minha mãe tem uma cultura muito musical, meu tio meu gosta muito de MPB, então quando fui escolher um objeto de pesquisa do mestrado, eu queria trabalhar com música, disse que estava pensando em escrever sobre Nara, a orientadora achou que era um ótimo personagem. Também achei que seria uma boa ideia. Durante a pesquisa o que me chamou atenção foi isto: ela é conhecida como a musa da bossa nova, a cantora da bossa nova, mas a carreira dela é muito mais do que isto. Se você for analisar todos os discos, que o que faço no terceiro capítulo, você vai ter um mapeamento da música brasileira, nos anos 60, 70 e 80.

JC – Nara surpreende sempre nos seus discos dos anos 60.

DANIEL – Ela quebrava paradigmas. Na bossa nova, grava um disco com sambistas, ou cantores do nordeste. Estava na música engajada, mas participa da Tropicália. Ninguém da musica engajada participou da Tropicália. Só ela participa do disco tropicalista. Em 78, grava um disco só com música de Roberto e Erasmo. A primeira vez que um artista grava um disco só com musicas deles. Gal e Bethânia gravaram antes dela, mas não álbuns inteiros.

JC – Como está traçada a narrativa?

DANIEL – Minha ideia foi primeiro fazer uma trajetória biográfica, na segunda parte, pegar o engajamento, nas entrevistas nos discos, e o terceiro mostrar que Nara, além de cantora, era pesquisadora da música brasileira. A partir do repertório dela, quais os cantores que gravou, o que gravava, o por quê de gravar aquele artista, naquele momento. A ideia também foi de colocar depoimentos de pessoas próximas a Nara, conversei com muita gente, com Cacá Diegues, rapidamente, num evento, mas ele me contou como foi no exílio. Falei com Roberto Menescal, com a filha dela, Isabel, com Marco Antonio Bombet, o último companheiro de Nara, com artistas, pra entender um pouco qual a imagem que estas pessoas tinham da Nara, o que não está muito presente nos outros livros.

JC – Nara Leão fez as declarações mais fortes, entre os artistas da MPB, contra os militares, ao Diário de Notícias. Disse, literalmente, que “o Exército na vale nada”. Sofreu represálias?

DANIEL – Houve reação, alguns setores defendiam a prisão de Nara. Artistas e intelectuais assinaram um manifesto para o marechal Castelo Branco a fim de que ela não fosse presa. Drummond fez um poema. A repercussão foi internacional.

JC – O livro chega às livrarias num momento de efervescência política, de polarização. O lançamento tem a ver com o clima do país?

DANIEL – Tem, mas não foi nada programado, o convite surgiu da editora, um pouco mais de um ano atrás. Depois de acertado, eu voltei a fazer outras entrevistas, peguei também outros depoimentos, para transformar a dissertação em livro. Apesar que de ele é muito oportuno neste momento, porque Nara foi uma artista que lutava pela liberdade de cantar o que quisesse, do jeito que quisesse, uma mulher dona de si, num momento em que existia muito machismo. Uma mulher à frente do seu tempo. Mas não foi nada premeditado, foi uma coincidência do destino só ter ficado pronto agora. O que é muito triste é ver que pessoas como Nara terem lutado muito para o país ter liberdade de expressão, e muita gente não valoriza isto hoje. Não tem nem ideia do que aconteceu, que muita gente foi perseguida, morta, teve que se exilar. Nara foi para Paris porque era uma das pessoas mais visadas pelos militares. Acho que falta se entender um pouco a nossa história para ser mais crítico.






LIVRO

No prontuário de Nara Leão, compilado pelo SNI, as ações da cantora no engajamento contra o regime instalado em 1º de abril de 1964, começam em 1963 como “Membro fundador do Comando dos Trabalhadores Intelectuais (C.T.I) – organização de frente comunista”, com a ação mais grave sendo uma entrevista concedida por ela, ao Diário de Notícias (Rio de Janeiro), em 21 de maio de 1966 – “Manifestou sua opinião pela extinção do Exército”. As Forças Armadas estavam com dois anos de poder, ainda “arrumando a casa”, sob liderança da ala moderada. A entrevista seria impensável dois anos mais tarde.

Entre outras declarações, Nara Leão defendeu um civil no poder, explicando: “Os militares podem, talvez, entender de canhão e metralhadora, mas de política não entendem nada”. Além da entrevista, mais um agravante, Nara Leão era cunhada de um dos principais inimigos do regime, o jornalista Samuel Weiner, então asilado na França.

A mulher que se atreve a criticar tão fortemente o regime comandado por um marechal não bate com o que a maioria das pessoas sabem da cantora de voz pequena, aparentemente tímida, musa da bossa nova. Esta imagem menos conhecida de Nara Leão (1942/1989) é enfatizada no livro Nara Leão: Trajetória, Engajamento e Movimentos Musicais (Letra e Voz, R$ 34). A aparentemente frágil capixaba (de Vitória) em 1966 tornou-se ídolo nacional com A Banda, de Chico Buarque, do qual se tornou a intérprete mais constante. O historiador Daniel Saraiva divide o livro em três fases: “Nara pede passagem: A trajetória musical da intérprete”, “Opinião de Nara, de musa da bossa nova a artista subversiva”, “Meus amigos são um barato: A busca pela música popular .” O autor enfatiza a importância que teve na personalidade de Nara Leão, e da irmã mais velha Danusa Leão, o pai delas Jairo Leão, advogado bem sucedido.

A forma de doutor Jairo (como era tratado pelos amigos das filhas) educar era extremamente avançada: pouco se importava com diploma, ensino formal. Preferia contratar professores pra dar aulas às filhas em casa. Nara Leão deixou a escola com 16 anos. A irmã Danusa Leão, dez anos mais velha, com a mesma idade já era a modelo mais bem paga do país.

Musa da bossa aos 17 anos, quatro anos mais tarde, Nara Leão militava na esquerda, No Centro Popular de Cultura, o CPC da Une, um do vários CPCs que surgiram pelo Brasil inspirado no Movimento de Cultura popular, o MCP, criado, em 1960, na gestão de Miguel Arraes na prefeitura do Recife. Carlos Lyra, Vinicius de Moraes e Sérgio Ricardo, seus amigos bossa-novista passaram a fazer música participação (ou de protesto), e Nara Leão foi a intérprete destas canções com mensagem, e abertamente o regime instaurado no país em 1964. “Chega de Bossa Nova”, bradava. “Chega de cantar para dois ou três intelectuais uma musiquinha de apartamento. Quero o samba puro, que tem muito mais a dizer, que é a expressão do povo, e não uma coisa feita de um grupinho para outro grupinho”, declaração à revista Fatos & Fotos quando rompeu publicamente com a bossa nova.

O LP Opinião (1964) de Nara inspirou o diretor de teatro Oduvaldo Viana Filho a escrever o engajadissimo e clássico musical Opinião, com ela, João do Vale e Zé Keti. Em 1968, quando a linha dura promulgou o AI-5, Nara Leão militava nas hostes da subversiva Tropicália (única estrela da MPB a fazê-lo) Em 1969 avisaram-lhe que os militares a tinham sob mira. Ela e o marido, o cineasta Cacá Diegues, saíram do alvo mudando-se para Paris. Voltariam dois anos mais tarde. Nara ainda engajada, e apaixonada pela música, como foi até o final da vida. Morreu com 49 anos, escrevendo uma trajetória das mais importantes e íntegras da cultura brasileira.


quarta-feira, 21 de junho de 2017

NARA LEÃO TEM DISCOS RELANÇADO EM PLATAFORMAS DIGITAIS

Por José Teles



Nara Leão completaria 75 anos em 19 de janeiro de 2017, pouco lembrada pelas novas gerações consumidoras de música. Numa época de cantoras de vozeirão, como Elis Regina, de performances dramáticas, feito Maria Bethânia, ou de flertes com a vanguarda, como a Gal Costa tropicalista. Com voz de pequena extensão, foi intérprete sutil, de extremo bom gosto na escolha do que cantava, de antenas ligadas para o novo. Não era de seguir tendências, mas de aponta-las.

Esteve discretamente presente no nascimento da bossa nova, porém ao começar a carreira preferiu a descoberta de autores iniciantes, e velhos sambistas. Alistou-se na trupe tropicalista, e quando a barra pesou, abrigou-se da ressaca dos anos 60, em Paris, quando enfim gravou a bossa nova que a geração udigrudi esnobava (o álbum Dez Anos Depois, 1971). Seus sucessos radiofônicos foram poucos para a qualidade da obra, cuja importância evidencia-se pelo relançamento em CD de quase todos seus discos.

Álbuns do final dos anos 70, e parte do que chegou às lojas nos anos 80, foram relançados, nas plataformas digitais, pela Universal Music. Os discos: Um Cantinho, Um Violão (com Roberto Menescal, 1985) Meus Sonhos Dourados (1987), Raridades II (2002), Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos (1978), Abraços e Beijinhos e Carinhos Sem Ter Fim (1984), Meu Samba Encabulado (1983), Nasci Para Bailar (1982), Nara Canta em Castellano (1979), Romance Popular (1981), Com Açúcar, Com Afeto (1980).

Destes, tem a peculiaridade de Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos, que poderia ter voltado com o título original, Que Tudo Vá pro Inferno e a faixa que batiza o álbum, dedicado à música de Roberto Carlos. O Rei, que recentemente tirou do index este que foi seu primeiro sucesso marcante (em 1965), exigiu que a canção fosse limada do disco. Sem a música o disco mudou de nome.

Com Açúcar e com Afeto é também dedicado a um compositor, Chico Buarque, que participa de três faixas, Vence na Vida Quem Diz Sim (com Ruy Guerra), Dueto, e Mambembe. São todos álbuns de ótimos repertórios, com o padrão de qualidade de Nara. Alguns se destacam, como é o caso de Meu Samba Encabulado, com uma seleção musical que vai de João Pernambuco (Brasileiro, com José Leal), e Leonel Azevedo e Meira, de Quando a Saudade Apertar.

Nara Canta em Castellano é o mesmo Debaixo dos Caracóis dos seus Cabelos, em espanhol, sem a faixa proscrita por Roberto Carlos. O Raridades II, compilada pelo produtor Marcelo Fróes (da Discobertas), reúne curiosidades em discos avulsos, e participações especiais de Nara Leão, canções como Cineangiocoronariografia (Pedro Caetano/Alcyr Pires Vermelho/Manuel Baña). A gravadora poderia aproveitar os 50 anos do tropicalismo para relançar os fundamentais Nara Leão (1968), e Coisas do Mundo Minha Nega (1969).

Confira Nara Leão em Como Será o Ano 2000?:

domingo, 15 de junho de 2014

MEMÓRIA MUSICAL BRASILEIRA

A exatamente meio século Nara Leão tinha o seu debute fonográfico em um álbum que dava início a uma bem sucedida carreira fonográfica findada 25 anos depois

Nara Leão - Nara (Elenco) (1964)

Texto do álbum:
Por incrível que pareça, a moça Nara leão tem sido, desde os primeiros passos da Bossa Nova, uma espécie de musa do movimento. O nome de Nara tem sido ligado por muito tempo a todo acontecimento musical de nossa juventude. Com efeito, por incrível que pareça, ainda não havia sido lançada em disco como intérprete da nova geração. E ainda, por incrível que pareça, o seu lançamento neste disco foge, em seu estilo, da bossa nova propriamente dita, para um repertório variado que inclui músicas que nada tem a ver com a bossa nova (compositores como Cartola, Nelson Cavaquinho e Zé Keti). Compositores da nova geração também estão presentes na sua escolha (Carlos Lyra, Edu Lobo, Baden etc.), mas mesmo destes ela se inclina para as composições de tendências puramente regionais. E, finalmente, outro “por incrível que pareça”: Nara procura fugir totalmente de sua personalidade de menina mansa, interpretando, embora de um modo moderno, e com a sua voz pura e inconfundível, aquelas músicas que ela escolheu e que provocam um estranho e agradável contraste. Aqui vocês encontrarão o que há de bom em música, em estilo e interpretação. Aqui vocês vão encontrar Nara Leão.

Aloysio de Oliveira


Faixas:

01 - Marcha Da Quarta-Feira De Cinzas (Carlos Lyra e Vinícius de Moares)
02 - Diz Que fui Por Aí (Hortênsio Rocha e Zé Keti)
03 - Feio Não É Bonito (Carlos Lyra - Gianfrancesco Guarnieri)
04 - Canção da Terra (Edu Lobo - Ruy Guerra)
05 - O sol nascerá (A sorrir) (Agenor de Oliveira “Cartola” - Elton Medeiros)
06 - Luz Negra (Nelson Cavaquinho - Amâncio Costa)
07 - Berimbau (Baden Powell - Vinícius de Moraes)
08 - Vou por aí (Baden Powell - Aloysio de Oliveira)
09 - Maria Moita (Carlos Lyra - Vinícius de Moraes)
10 - Réquiem por um amor (Edu Lobo - Ruy Guerra)
11 - Consolação (Baden Powell - Vinícius de Moraes)
12 - Nanã (coisa nº 5) (Moacyr Santos - Mário Telles)

Ficha Técnica

Gravadora: Elenco

Arranjos: Lindolfo Gaya e Moacir Santos (música 12)

Produtor: Aloysio de Oliveira

Direção Artística: José Delphino Filho

Gerente de Produção: Peter Keller

Técnico de gravação e engenheiro de som: Norman Sternberg

Foto: Francisco Pereira

Capa: Cesar G. Vilela

Violão: Geraldo Vesper na faixa 2 e Baden Powell na faixa 7

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

OS CAMINHOS CRUZADOS DE ELIS REGINA E NARA LEÃO

Nara Leão nasceu no dia 19 de janeiro de 1942. Elis Regina morreu no dia 19 de janeiro de 1982. Elis, que implicou muito com a musa da bossa nova depois que ela aderiu ao iê-iê-iê da Jovem Guarda, teceu elogios à rival numa entrevista ao jornal Última Hora em... 19 de janeiro de 1976. Coincidências à parte, as vidas de Elis e Nara tropeçaram em pedras semelhantes. Uma delas tinha nome e sobrenome: Ronaldo Bôscoli.

O jornalista, letrista e produtor Bôscoli havia namorado Nara na adolescência. Foi noivo da cantora entre o final dos anos 50 e o início dos 60, na época em que o apartamento da família Lofego Leão, na avenida Atlântica, servia de ponto de encontro dos entusiastas da bossa nova. Todos bem nascidos e bem criados na zona sul carioca, como Roberto Menescal, Carlinhos Lyra, João Gilberto, Luiz Carlos Vinhas e Luizinho Eça.

O relacionamento de Nara e Bôscoli foi por água abaixo em 1961, quando Maysa anunciou à imprensa, sem o conhecimento do jornalista, que se casaria com ele. É certo que os dois dormiram juntos na turnê que haviam acabado de fazer na Argentina, Uruguai e Chile, mas a história do casamento foi invenção de Maysa. E Nara rompeu com Bôscoli de uma maneira enérgica: não atendia nem os telefonemas do compositor, em quem seu pai, o severo Jairo Leão, depositava um bocado de confiança.

Pois bem. Elis Regina e Ronaldo Bôscoli casaram-se no civil no dia 5 de dezembro de 1967. Em comparação à idade de Bôscoli, Elis era ainda mais nova do que Nara: 16 anos contra 13 de diferença. O casamento durou cinco anos, entre separações, reconciliações e o nascimento do primogênito João Marcelo Bôscoli, hoje dono da gravadora Trama. Bôscoli, o Ronaldo, só teria novamente acesso à Nara Leão anos mais tarde.

O jornalista e compositor Nelson Motta foi testemunha da rixa entre Elis e Nara. "A Elis tinha uma grande voz. Nara Leão era o contrário: tinha poucos recursos vocais, mas usava muito bem a inteligência. Era hostilizada pela Elis por causa da pequena voz, mas reunia os melhores repertórios e trabalhou muito pela música brasileira. Já a Nara vivia dizendo que Elis era uma grande cantora".

Até a imprensa sabia que Elis detestava Nara. As duas foram convidadas para estrelar a série ‘As grandes rivalidades’, publicada na revista Manchete. O crítico de música e jornalista Sérgio Cabral lembra esse episódio em ‘Nara Leão, uma biografia’, lançada pela Lumiar. "O clima era de hostilidade, principalmente por parte de Elis Regina", afirma Cabral no livro.


E continua, linhas abaixo: "Bem humorada, Nara até brincou com a rival na hora das fotografias. ‘Como é? Estão dizendo por aí que não queremos posar juntas. Podemos ou não?’ Elis nada respondeu e, à medida que as fotos eram batidas, foi perdendo a paciência, até que estourou: ‘Vou embora porque não gosto de Nara Leão’. Em seguida, Carlos Marques entrevistou as duas isoladamente".

Sérgio Cabral destaca a agressividade de Elis para com Nara. "Elis Regina foi contundente: ‘Eu não tinha nada contra a moça Nara Leão. Hoje eu tenho porque me irrita a sua falta de posição, dentro e fora da música popular brasileira. Ela foi a musa, durante muito tempo, mas começou gradativamente a trair cada movimento do qual participava. Iniciou na bossa nova, depois passou a cantar samba de morro, posteriormente enveredou pelas músicas de protesto e, agora, aderiu ao iê-iê-iê. Negou todos...’".

Só a título de curiosidade, vale reproduzir o trecho da entrevista ao Última Hora, de Samuel Wainer, na qual Elis aplaudia a paciência da irmã de Danuza e, portanto, cunhada de Wainer, adiantando a postura que adotaria com ela no futuro: "Eu sou esquentada. Tem gente que é calma, a Nara Leão, por exemplo, é uma pessoa que tem uma paciência histórica, sentou, esperou tudo acomodar e fez um disco certo. Aliás, ela sempre faz as coisas certas nas horas corretas e para as pessoas exatas. Eu sou guerreira e pego a metralhadora para sair atrás de quem me enche o saco".

sábado, 19 de setembro de 2009

20 ANOS SEM NARA LEÃO

O ano de 2009 marca a passagem dos 20 anos sem um dos maiores nomes da música brasileira da segunda metade do século XX, Nara Leão. Nara fez parte do grupo que criou a bossa nova, e foi a musa do ritmo que mudou a MPB.
O ponto de encontro da turma da bossa nova, da qual participavam João Gilberto, Ronaldo Bôscoli e outros, era o apartamento dela e de sua irmã Danusa Leão, na Zona Sul do Rio.
A cantora fez sua estreia no espetáculo Pobre menina rica a convite de Vinícius de Moraes, em 1963.
Em seguida surpreendeu o público ao gravar em 1964 um disco com músicas de Cartola e Nelson Cavaquinho, completamente diferente da temática da bossa nova.

Biografia
Nascida no Espírito Santo, mudou-se para o Rio de Janeiro aos dois anos de idade. Oriunda de uma família de classe média, começou a ter aulas de violão na adolescência com Solon Ayala e Patrício Teixeira. Em seu apartamento em Copacabana aconteciam reuniões de música onde, segundo alguns críticos, nasceu a bossa nova. No final dos anos 50 trabalhava como repórter em um jornal e participava de shows de bossa nova, cantando com sua voz curta e acompanhando-se ao violão. Em 1963 estreou profissionalmente no musical "Pobre Menina Rica", de Vinicius de Moraes e Carlos Lyra. No mesmo ano gravou duas faixas no disco "Depois do Carnaval", de Carlinhos Lyra: "É Tão Triste Dizer Adeus" (C. Lyra/ N. Lins e Barros) e "Promessas de Você" (C. Lyra/ N.L. Barros). Já no ano seguinte, quando gravou seu primeiro LP, "Nara", provocou polêmica ao adotar um repertório que, além de bossa nova, incluía diversos sambas de compositores chamados de "sambas de morro", como "Diz que Fui por Aí", de Zé Kéti e Hortênsio Rocha, "Luz Negra", de Nelson Cavaquinho e Amâncio Cardoso, e "O Sol Nascerá", de Cartola e Elton Medeiros. Ao final de 1964, participou do espetáculo "Opinião", um dos mais importantes do período e um dos primeiros a contestar o regime militar, ao lado de Zé Kéti e João do Vale. Na mesma época gravou "Opinião de Nara", incluindo "Opinião" e "Acender as Velas", de Zé Kéti, "Sina de Caboclo" (João do Vale) e "Chegança" (Edu Lobo/ Vianinha).


No ano seguinte chamou a estreante Maria Bethânia, da Bahia, para substituí-la no espetáculo. Assim, nesse show, Nara Leão foi diretamente responsável pelo surgimento da estrela Bethânia e pelo resgate de autores como João do Vale e Zé Kéti. Foi a intérprete de "A Banda", de Chico Buarque, que dividiu o primeiro prêmio do Festival da TV Record de 1966 com "Disparada" defendida por Jair Rodrigues. Dois anos depois integrou o movimento tropicalista, participando do emblemático disco "Tropicália ou Panis et Circensis". Nos anos seguintes passou uma temporada na França, onde reatou laços com a bossa nova, gravando dois LPs dedicados a esse repertório. Participou de vários shows sozinha e ao lado de outros artistas, gravando até mesmo no Japão. Cantora com visão de produtora, Nara lançou vários compositores e inúmeras músicas ganharam fama em sua voz como "Pedro Pedreiro", "Olê Olá" (ambas de Chico Buarque), "Maria Moita" (Carlos Lyra/ Vinicius), "Corisco" (Sergio Ricardo/ Glauber Rocha), "Esse Mundo É Meu" (Sergio Ricardo), "Maria Joana", "Pede Passagem" (Sidney Miller), "Recado" (Casquinha/ Paulinho da Viola), "Coisas do Mundo, Minha Nega" (Paulinho da Viola), "João e Maria" (Sivuca/ Chico Buarque), "Com Açúcar, com Afeto" (Chico Buarque), "Apanhei-te Cavaquinho" (Ernesto Nazareth/ Nara Leão), além de praticamente todos os clássicos da bossa nova.


DISCOGRAFIA

Nara Leão - Nara (1964)

Faixas:
01 - Marcha da quarta-feira de cinzas (Carlos Lyra - Vinicius de Moraes)
02 - Diz que fui por aí (H. Rocha - Zé Keti)
03 - O morro (Feio não é bonito) (Gianfrancesco Guarnieri - Carlos Lyra)
04 - Canção da terra (Ruy Guerra - Edu Lobo)
05 - O sol nascerá (Élton Medeiros - Cartola)
06 - Luz negra (Hiraí Barros - Nelson Cavaquinho)
07 - Berimbau (Baden Powell - Vinicius de Moraes)
08 - Vou por aí (Baden Powell - Aloysio de Oliveira)
09 - Maria Moita (Carlos Lyra - Vinicius de Moraes)
10 - Réquiem por um amor (Ruy Guerra - Edu Lobo)
11 - Consolação (Baden Powell - Vinicius de Moraes)
12 - Naná (Moacyr Santos - Vinicius de Moraes)


Opinião de Nara(1964)

Faixas:
01 - Opinião (Zé Keti)
02 - Acender as velas (Zé Keti)
03 - Derradeira primavera (Tom Jobim - Vinicius de Moraes)
04 - Berimbau (Ritmo de capoeira)(João Mello - Codó)
05 - Sina de caboclo (J. B. de Aquino - João do Vale)
06 - Deixa (Baden Powell - Vinicius de Moraes)
07 - Esse mundo é meu (Ruy Guerra - Sergio Ricardo)
08 - Labareda (Baden Powell - Vinicius de Moraes)
09 - Em tempo de adeus (Ruy Guerra - Edu Lobo)
10 - Chegança (Oduvaldo Vianna Filho - Edu Lobo)
11 - Na roda da capoeira (Folclore baiano)
12 - Mal-me-quer (Cristóvão de Alencar - Newton Teixeira)


Show Opinião (1965)

Faixas:
01 - Peba na pimenta (J. Batista - Rivera - João do Vale)
02 - Pisa na fulô (Silveira Júnior - E. Pires - João do Vale)
03 - Samba, samba, samba (Zé Keti)
04 - Partido alto (Cartola)
05 - Borandá (Edu Lobo)
06 - Desafio (Diálogo extraído do livro "Eu Sou o Cego Aderaldo")
07 - Missa agrária (Trecho da peça musical de Gianfrancesco Guarnieri - Carlos Lyra)
08 - Carcará (José Cândido - João do Vale)
09 - O favelado (Zé Keti)
10 - Nega Dina (Zé Keti)
11 - Incelença (Folclore)
12 - Deus e o diabo na terra do sol (Glauber Rocha - Sergio Ricardo)
13 - Guantanamera (P.Seeger)
14 - Canção do homem só (Carlos Lyra - Vinicius de Moraes)
15 - Sina de caboclo (J. B. de Aquino - João do Vale)
16 - Opinião (Zé Keti)
17 - Malmequer (Cristóvão de Alencar - Newton Teixeira)
18 - Marcha de Rio 4o graus (Zé Keti)
19 - Malvadeza Durão (Zé Keti)
20 - Esse mundo é meu (Ruy Guerra - Sergio Ricardo)
21 - Deus e o diabo na terra do sol (Glauber Rocha - Sergio Ricardo)
22 - Marcha da quarta-feira de cinzas (Carlos Lyra - Vinicius de Moraes)
23 - Tiradentes (Ary Toledo - Francisco de Assis)
24 - Cicatriz (Zé Keti - Hermínio Bello de Carvalho)


O CANTO LIVRE DE NARA – 1965

Faixas
01 - Corisco (Glauber Rocha - Sergio Ricardo)
02 - Samba da legalidade (Zé Keti - Carlos Lyra)
03 - Não me diga adeus (Paquito - L. Soberano - J. C. Silva)
04 - Uricuri (José Cândido - João do Vale)
05 - Canto livre (Bené Nunes - Dulce Nunes)
06 - Suíte dos pescadores (Dorival Caymmi)
07 - Carcará (José Cândido - João do Vale)
08 - Malvadeza Durão (Zé Keti)
09 - Aleluia (Ruy Guerra - Edu Lobo)
10 - Nega Dina (Zé Keti)
11 - Minha namorada (Carlos Lyra - Vinicius de Moraes)
12 - Incelença (Folclore)


5 NA BOSSA (1965)

Faixas:
1 Carcará (José Cândido - João do Vale)
Interpretação: Nara Leão
02 - Reza (Ruy Guerra - Edu Lobo)
Interpretação: Edu Lobo
03 - O trem atrasou (Paquito - Vilarinho - Estanislau Silva)
Interpretação: Nara Leão
04 - Zambi (Edu Lobo - Vinicius de Moraes)
Interpretação: Edu Lobo
05 - Consolação (Baden Powell - Vinicius de Moraes)
Interpretação: Tamba Trio
06 - Aleluia (Ruy Guerra - Edu Lobo)
Interpretação: Edu Lobo / Nara Leão
07 - Cicatriz (Zé Keti - Hermínio Bello de Carvalho)
Interpretação: Nara Leão
08 - Estatuinha (Gianfrancesco Guarnieri - Edu Lobo)
Interpretação: Edu Lobo
09 - Minha história (Raymundo Evangelista - João do Vale)
Interpretação: Nara Leão
10 - O morro não tem vez (Tom Jobim - Vinicius de Moraes)
Interpretação: Tamba Trio


LIBERDADE, LIBERDADE (1966)

Faixas:
01 - Hino da Proclamação da República (Osório Duque Estrada)
02 - Marcha da quarta-feira de cinzas (Carlos Lyra - Vinicius de Moraes)
03 - Aruanda (Carlos Lyra - Geraldo Vandré)
04 - Acertei no milhar (Geraldo Pereira - Wilson Batista)
05 - Eu não tenho onde morar (Dorival Caymmi)
06 - Com que roupa (Noel Rosa)
07 - Estatuto da gafieira (Billy Blanco)
08 - Té o sol raiar (Baden Powell - Vinicius de Moraes)
09 - Nobody knows the trouble I've seen (Burleigh)
10 - If you miss me at the back of the bus
11 - Summertime (Heyward - Gershwin)
12 - Leilão (J. Camargo - H.Tavares)
13 - Zumbi (D. de Oliveira)
14 - Jota dos três irmãos (Folclore espanhol)
15 - Cara al sol (Flávio Rangel - Folclore)
16 - Rumba la rumba (Folclore espanhol)
17 - Marinera (Folclore espanhol)
18 - Tiradentes "Joaquim José da Silva Xavier" (E. Silva - Penteado - Mano Décio da Viola)
19 - Marcha da quarta-feira de cinzas (Carlos Lyra - Vinicius de Moraes)
20 - Hino da Proclamação da República (Osório Duque Estrada)


NARA PEDE PASSAGEM (1966)

Faixas:
01 - Pede passagem (Sidney Miller)
02 - Olê-olá (Chico Buarque)
03 - Amei tanto (Baden Powell - Vinicius de Moraes)
04 - Palmares (Walter Moreira - Anescar do Salgueiro - Noel Rosa de Oliveira)
05 - Recado (Casquinha - Paulinho da Viola)
06 - Amo tanto (Jards Macalé)
07 - Pedro pedreiro (Chico Buarque)
08 - Quatro crioulos (Joacyr Santana - Élton Medeiros)
09 - Pranto de poeta (Guilherme de Brito - Nelson Cavaquinho)
10 - Madalena foi pro mar (Chico Buarque)
11 - Pecadora (Jair do Cavaquinho - Joãozinho)
12 - Deus me perdoe (Lauro Maia - Humberto Teixeira)


VENTO DE MAIO (1967)
Faixas:
01 - Quem te viu, quem te vê (Chico Buarque)
02 - Com açucar e com afeto (Chico Buarque)
03 - Noite dos mascarados (Chico Buarque)(Participação: Gilberto Gil)
04 - Vento de maio (Gilberto Gil - Torquato Neto)
05 - Maria Joana (Sidney Miller)
06 - A praça (Sidney Miller)
07 - O circo (Sidney Miller)
08 - Morena do mar (Dorival Caymmi)
09 - Fui bem feliz (Jorginho - Sidney Miller)
10 - Rancho das namoradas (Ary Barroso - Vinicius de Moraes)
11 - Um chorinho (Chico Buarque)
12 - Passa passa gavião (Sidney Miller)


NARA (1967)
Faixas:
01 - Tique-taque do meu coração (Valfrido Silva - Alcyr Pires Vermelho)
02 - Lancha nova (Antônio Almeida - João de Barro)
03 - Por exemplo você (João Medeiros Filho - Sueli Costa)
04 - Corrida de jangada (Capinan - Edu Lobo)
05 - De onde vens (Nelson Motta - Dori Caymmi)(Participação: Edu Lobo)
06 - Se você quiser saber (Silvio Pinto - Cristóvão de Alencar)
07 - Camisa amarela (Ary Barroso)
08 - Cabra macho (Guto - Mariozinho Rocha)
09 - No cordão da saideira (Edu Lobo)
10 - Inspiração (Ubenor Santos)
11 - Soneto de separação (Tom Jobim - Vinicius de Moraes)


NARA LEÃO (1968)

Faixas:
01 - Lindonéia (Caetano Veloso)
02 - Quem é? (Joracy Camargo - Custódio Mesquita)
03 - Donzela por piedade não perturbes (J. S. Arvelos)
04 - Mamãe, coragem (Caetano Veloso - Torquato Neto)
05 - Anoiteceu (Francis Hime - Vinicius de Moraes)
06 - Modinha (Lobos - Manuel Bandeira)
07 - Infelizmente (Ari Pavão - Lamartine Babo)
08 - Odeon (Ernesto Nazareth - Vinicius de Moraes)
09 - Mulher (Sadi Cabral - Custódio Mesquita)
10 - Medroso de amor (Alberto Nepomuceno - Juvenal Galeno)
11 - Deus vos salve esta terra santa (Caetano Veloso - Torquato Neto)
12 - Tema de "Os Inconfidentes" (Cecília Meireles - Chico Buarque)


COISAS DO MUNDO (1969)
Faixas:
01 - Coisas do mundo, minha nega (Paulinho da Viola)
02 - Me dá... me dá... (Cícero Nunes - Portelo Juno)
03 - Atrás do trio elétrico (Caetano Veloso)
04 - Azulão (Jaime Ovalle - Manuel Bandeira)
05 - Tambores da paz (Sidney Miller)
06 - Parabién la paloma (Rolando Alarcón)
07 - Pisa na fulô (Silveira Júnior - Ernesto Pires - João do Vale)
08 - Fez bobagem (Assis Valente)
09 - Little boxes (Reynolds)
10 - Poema da rosa (Augusto Boal - Jards Macalé)
11 - Apanhei-te cavaquinho (Ernesto Nazareth - Nara Leão)
12 - La colombe (Jacques Brel)


DEZ ANOS DEPOIS (1971)
Faixas:
01 - Insensatez Tom Jobim - Vinicius de Moraes)
02 - Samba de uma nota só (Newton Mendonça - Tom Jobim)
03 - Retrato em branco e preto (Chico Buarque - Tom Jobim)
04 - Corcovado (Tom Jobim)
05 - Garota de Ipanema (Tom Jobim - Vinicius de Moraes)
06 - Pois é (Chico Buarque - Tom Jobim)
07 - Chega de saudade (Tom Jobim - Vinicius de Moraes)
08 - Bonita (Ray Gilbert - Tom Jobim)
09 - Você e eu (Carlos Lyra - Vinicius de Moraes)
10 - Fotografia (Tom Jobim)
11 - O grande amor (Tom Jobim - Vinicius de Moraes)
12 - Estrada do sol (Dolores Duran - Tom Jobim)
13 - Por toda minha vida (Tom Jobim - Vinicius de Moraes)
14 - Desafinado (Newton Mendonça - Tom Jobim)
15 - Minha namorada (Carlos Lyra - Vinicius de Moraes)
16 - Rapaz de bem (Johnny Alf)
17 - Vou por aí (Baden Powell - Aloysio de Oliveira)
18 - O amor em paz (Tom Jobim - Vinicius de Moraes)
19 - Sabiá (Chico Buarque - Tom Jobim)
20 - Meditação (Newton Mendonça - Tom Jobim)
21 - Primavera (Carlos Lyra - Vinicius de Moraes)
22 - Este seu olhar (Tom Jobim)
23 - Outra vez (Tom Jobim)
24 - Demais (Tom Jobim - Aloysio de Oliveira)


MEU PRIMEIRO AMOR (1975)

Faixas:
01 - Atirei um pau no gato (Folclore)
02 - Marcha dos gafanhotos (Frazão - Roberto Martins)
03 - Canta Maria (Ary Barroso)
04 - Sabiá laranjeira (Milton de Oliveira - Max Bulhões)
• Andorinha preta (Breno Ferreira)
05 - Menino de Braçanã (Arnaldo Passos - Luiz Vieira)
06 - Trevo de quatro folhas [I'm looking over a four leaf clover](Dixon - Woods)
07 - Fiz a cama na varanda (Dilú Melo - Ovidio Chaves)
• Prenda minha (Folclore)
08 - Colar de estrelas (Breno Ferreira)
09 - Casinha pequenina (Folclore)
10 - Cabecinha no ombro (Paulo Borges)
11 - Upa! Upa! [Meu trolinho] (Ary Barroso)
12 - A saudade mata a gente (Antônio Almeida - João de Barro)
13 - Meu primeiro amor [Lejania] (José Fortuna - Pinheirinho Júnior - Gimenez)


MEUS AMIGOS SÃO UM BARATO (1977)

Faixas:
01 - Sarará miolo (Gilberto Gil) - Participação: Gilberto Gil
02 - Odara (Caetano Veloso) - Participação: Caetano Veloso
03 - Meu ego (Erasmo Carlos - Roberto Carlos) - Participação: Erasmo Carlos
04 - Chegando de mansinho (Dominguinhos - Anastácia) - Participação: Dominguinhos
05 - Repente (Capinan - Edu Lobo) - Participação: Edu Lobo
06 - Nonó (Nelson Rufino) - Participação: Nelson Rufino
07 - João e Maria (Chico Buarque - Sivuca) - Participação: Chico Buarque
08 - Amazonas (Lysias Ênio - João Donato) - Participação: João Donato
09 - Flash back (Roberto Menescal - Ronaldo Bôscoli) - Participação: Roberto Menescal
10 - Cara bonita (Carlos Lyra) - Participação: Carlos Lyra
11 - Fotografia (Tom Jobim) - Participação: Tom Jobim


... E QUE TUDO MAIS VÁ PRO INFERNO (1978)

Faixas:
01 - Quero que vá tudo pro inferno (Erasmo Carlos - Roberto Carlos)
02 - As curvas da estrada de Santos (Erasmo Carlos - Roberto Carlos)
03 - Além do horizonte (Erasmo Carlos - Roberto Carlos)
04 - Como é grande o meu amor por você (Roberto Carlos)
05 - Dia de chuva (Erasmo Carlos - Roberto Carlos)
06 - Olha (Erasmo Carlos - Roberto Carlos)
07 - Cavalgada (Erasmo Carlos - Roberto Carlos)
08 - Proposta (Erasmo Carlos - Roberto Carlos)
09 - Debaixo dos caracóis dos seus cabelos (Erasmo Carlos - Roberto Carlos)
10 - A cigana (Erasmo Carlos - Roberto Carlos)
11 - O divã (Erasmo Carlos - Roberto Carlos)
12 - Se você pensa (Erasmo Carlos - Roberto Carlos)


COM AÇUCAR E COM AFETO (1980)

Faixas:
01 - A Rita (Chico Buarque)
02 - Onde é que você estava (Chico Buarque)
03 - Ela desatinou (Chico Buarque)
04 - Trocando em miúdos (Chico Buarque - Francis Hime)
05 - O que será (À flor da pele) (Chico Buarque)
06 - Baioque (Chico Buarque)
07 - Dueto (Chico Buarque)
08 - Vence na vida quem diz sim (Ruy Guerra - Chico Buarque)
09 - Samba e amor (Chico Buarque)
10 - Homenagem ao malandro (Chico Buarque)
11 - Olhos nos olhos (Chico Buarque)
12 - Mambembe (Chico Buarque)


ROMANCE POPULAR (1981)


Faixas:
01 - Amor nas estrelas (Roberto de Carvalho - Fausto Nilo)
02 - Laranja da China (Fausto Nilo - Fagner)
03 - Bloco do prazer (Fausto Nilo - Moraes Moreira)
04 - Seja o meu céu (Capinan - Robertinho de Recife)
05 - Romance popular (Xico Chaves - Stélio do Vale - Fausto Nilo)
06 - Moça bonita (Capinan - Geraldo Azevedo)
07 - Por um triz (Clésio - Clodô - Climério)
08 - Traduzir-se (Ferreira Gullar - Fagner) Participação: Fagner
09 - Luz brasileira (Fausto Nilo - Nonato Luiz)
10 - Cli-Clé-Cló (Fausto Nilo - Fagner - Nara Leão)
11 - Penas do tiê (Folclore)
12 - Marinheira (Fausto Nilo - Fernando Falcão)


NASCI PARA BAILAR (1982)

Faixas
01 - Nasci para bailar (Paulo André - João Donato)
02 - Pede passagem (Sidney Miller)
03 - Luz do sol (Caetano Veloso)
04 - Supõe (Supon) (Silvio Rodrigues)
05 - Maravilha curativa (Kledir Ramil - Miltinho)
06 - Tou com o diabo no corpo (Paulinho Tapajós - Sivuca)
07 - Questão de tempo (Kleiton Ramil)
08 - Manto negro (Élton Medeiros - Antônio Valente)
09 - Gaiolas abertas (Martinho da Vila - João Donato)
10 - Imagina só (Imaginate) (Silvio Rodrigues)
11 - Caso do acaso (David Tygel)
12 - Penar (Antônio Adolfo - Paulinho Tapajós)
13 - A primeira sentença (Tulio Mourão)


EU SAMBA ENCABULADO (1983)

Faixas:
01 - Meu cantar (Joel Menezes - Noca da Portela)
02 - 14 anos (Paulinho da Viola)
03 - Relembrando (Luiz Carlos da Vila)
04 - De mal pra pior (Hermínio Bello de Carvalho - Pixinguinha)
05 - Há música no ar (Ivone Lara - Délcio Carvalho)
06 - Eu e a brisa (Johnny Alf)
07 - Como será o ano 2000? (Padeirinho)
08 - Isso é Brasil (Luiz Peixoto - José Maria de Abreu)
09 - Fundo azul (Nelson Sargento)
10 - Firuliu (Teca Calazans)
11 - Brasileirinho (José Leal - João Pernambuco)
12 - Quando a saudade apertar (Jayme Florence - Leonel Azevedo)


ABRAÇOS E BEIJINHOS E CARINHOS SEM TER FIM... (1984)

Faixas:
01 - Outra vez (Tom Jobim)
02 - Eu preciso de você (Tom Jobim - Aloysio de Oliveira)
03 - Até quem sabe (Lysias Ênio - João Donato)
04 - Por causa de você (Dolores Duran - Tom Jobim)
05 - Lá vem você (Lysias Ênio - João Donato)
06 - Sublime tortura (Bororó)
07 - Sabe você (Carlos Lyra - Vinicius de Moraes)
08 - Telefone (Roberto Menescal - Ronaldo Bôscoli) Participação: Céu da Boca
09 - Mágoa (Marino Pinto - Tom Jobim)
10 - Caminhos cruzados (Newton Mendonça - Tom Jobim)
11 - Você e eu (Carlos Lyra - Vinicius de Moraes)
12 - Este seu olhar (Tom Jobim)
13 - Wave (Tom Jobim)


UM CANTINHO, UM VIOLÃO (1985)

Faixas:
01 - O negócio é amar (Carlos Lyra - Dolores Duran)
02 - Tristeza de nós dois (Maurício Einhorn - Durval Ferreira - Bebeto)
03 - Sabor a mi (Álvaro Carrillo)
04 - Da cor do pecado (Bororó)
05 - Transparências (Abel Silva - Roberto Menescal)
06 - Blusão (Xico Chaves - Roberto Menescal)
07 - Resignação (Arnô Provenzano - Geraldo Pereira)
08 - Vestígios (Paulo Sergio Valle - Marcos Valle)
09 - There will never be another you (M.Gordon - H.Warren)
10 - Comigo é assim (José Menezes - Luiz Bittencourt)
11 - Mentiras (Lysias Ênio - João Donato)
12 - Inclinações musicais (Renato Rocha - Geraldo Azevedo)


GAROTA DE IPANEMA (1986)

Faixas:
01 - O barquinho (Roberto Menescal - Ronaldo Bôscoli)
02 - Garota de Ipanema (Tom Jobim - Vinicius de Moraes)
03 - Berimbau (Baden Powell - Vinicius de Moraes)
04 - Desafinado (Newton Mendonça - Tom Jobim)
05 - Wave (Tom Jobim)
06 - Corcovado (Tom Jobim)
07 - Águas de março (Tom Jobim)
08 - A felicidade (Tom Jobim - Vinicius de Moraes)
09 - Manhã de carnaval (Antônio Maria - Luiz Bonfá)
10 - Chega de saudade (Tom Jobim - Vinicius de Moraes)
11 - Meditação (Newton Mendonça - Tom Jobim)
12 - Samba de uma nota só (Newton Mendonça - Tom Jobim)
13 - Água de beber (Newton Mendonça - Tom Jobim)
14 - Você e eu (Carlos Lyra - Vinicius de Moraes)
15 - Samba do avião (Tom Jobim - Vinicius de Moraes)
16 - O que será (Chico Buarque)


MEUS SONHOS DOURADOS (1987)

Faixas:
01 - Eu gosto mais do Rio (How about you) (Freed - Lane)
02 - Um sonho de verão (Moonlight serenade) (Miller - Parish)
03 - Garoto levado (Lullaby of birdland) (Shearing - Foster)
04 - Milagre (Misty) (Garner - Burke)
05 - Bobagens de amor (Tea for two) (Youmans - Caesar)
06 - Jamais (The boy next door) (Martin - Blane)
07 - Além do arco-íris (Over the rainbow) (Harburg - Arlen)
08 - Aqui no mesmo bar (As time goes by) (Hupfeld)
09 - Coisas que lembram você (These foolishing things) (Link - Stracey - Marvell)
10 - Me abraça (Embraceable you) (George e Ira Gerswin)
11 - Como vai você? (What's new) (Burke - Haggart)


MY FOOLISH HEART (1989)

Faixas:
01 - Maravilha [S'Wonderful] (G.& I.Gershwin)
02 - Adeus no cais [My funny valentine] (R.Rodgers)
03 - Mas não pra mim [But not for me] (G.& I.Gershwin)
04 - Mais uma vez amor [I'm in the mood for love] (J.McHugh - D.Fields)
05 - Só você [Night and day] (Cole Porter)
06 - Cartas de amor [Love letters] (E.Heyman - V.Young)
• Sonhos (Dream) (J.Mercer-Vrs. Nelson Motta)
07 - E se depois [Tenderly] (J.Lawrence - W.Gross)
08 - Descança coração [My foolish heart] (N.Washington - V.Young)
09 - Onde e quando [Where or when] (R.Rodgers)
10 - Pleno verão [Summertime] (D.B.Heyword - G.& I.Gershwin)
11 - A saudade me bateu [Sentimental journey] (B.Gree - L.Brown - B.Homer)
12 - Fumaça nos olhos [Smoke gets in your eyes] (J.Kern - O.Harbach)
13 - Alguém que olhe por mim [Someone to watch over me] (G.& I.Gershwin)
14 - Sem querer [You'll never know] (M.Gordon - H.Warren)
15 - Um beijo [Kiss] (L.Newman - H.Gillespie)

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