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quarta-feira, 19 de junho de 2019

5 CANÇÕES PARA LEMBRAR O ATIVISMO POLÍTICO DE MARCELO YUKA

Ex-baterista e compositor da banda O Rappa morreu este ano no Rio de Janeiro aos 53 anos. 

Por José Orenstein 


Depois de ficar paraplégico ao reagir a um assalto, destacou-se como militante dos direitos humanos

Marcelo Fontes do Nascimento Viana de Santa Ana era mais conhecido apenas como Marcelo Yuka. Baterista, compositor e ativista político, morreu aos 53 anos de idade no fim da noite de sexta-feira (18), no Rio de Janeiro, em razão de um acidente vascular cerebral isquêmico. O artista estava internado no hospital Quinta D’Or, em São Cristóvão, e havia entrado em coma induzido em 4 de janeiro de 2019. Yuka tornou-se conhecido nacionalmente nos anos 1990, quando fundou a banda O Rappa, da qual era baterista e compositor da maioria das canções. O grupo alcançou grande sucesso a partir do seu segundo disco, “Rappa Mundi”, de 1996, com hits como “Pescador de Ilusões”. Misturando rock, rap e reggae, embalando letras que por vezes tinham teor político, O Rappa tornou-se um dos conjuntos mais celebrados da música brasileira.


O assalto que mudou a vida de Yuka

Na noite de 9 de novembro de 2000, Yuka estava em seu carro, a caminho da casa do cantor Ed Motta, no Rio. Ao sair de seu prédio, no bairro da Tijuca, Yuka notou que uma mulher estava sendo assaltada e tentou impedir ação dos agressores. A mulher saiu ilesa, mas Yuka foi atingido por nove tiros. O caso teve grande repercussão nacional na época. E chamou ainda mais atenção pelo fato de boa parte das letras de Yuka versarem sobre a violência urbana. O artista ficou paraplégico e impossibilitado de tocar bateria. Manteve-se por mais um ano n’O Rappa, mas na sequência deixou a banda. Fundou um outro grupo em 2004, F.UR.T.O., e intensificou o lado ativista, fundando uma ONG. Filiou-se ao PSOL e chegou a concorrer ao lado de Marcelo Freixo à prefeitura do Rio, em 2012. Yuka era vice na chapa que acabou ficando em segundo lugar, com cerca de 30% dos votos. Passou a militar também pelo desenvolvimento de pesquisa com células-tronco e pelos direitos humanos. Em 2017, lançou disco solo chamado “Canções para depois do ódio”, com produção de Apollo 9 e participações de artistas como Céu, Seu Jorge, Cibelle e do congolês Bukassa Kabengele. Com o álbum, manteve a militância política. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, criticou a eleição de Donald Trump, nos EUA, a crise dos refugiados na Europa e a ascensão de Jair Bolsonaro, que à época começava a ganhar popularidade no Brasil.


É triste ver como os fascistas parecem estar ganhando, então criei um universo pra depois disso. Tudo vale, menos o ódio. Acho que está muito pesado, então fiz um disco contra o fascismoMarcelo Yuka em entrevista à Folha de S.Paulo em 6 de janeiro de 2017


A carreira e as canções

Com a banda O Rappa, que fundou ao lado de Marcelo Falcão, Xandão, Marcelo Lobato e Nelson Meirelles (e que depois teve formações diferentes), Yuka alcançou sucesso, tendo vendido milhões de cópias de discos. O impacto do grupo se deu principalmente entre o público jovem, em um momento pré-internet, em que a MTV, rede de televisão voltada para difusão musical, tinha grande influência na indústria fonográfica.

Discos com a banda
“O Rappa” (1994)
“Rappa Mundi” (1996)
“Lado B Lado A” (1999)
“Instinto Coletivo” (Ao Vivo) (2001)

Abaixo, relembre cinco músicas que dão uma mostra do trabalho de Yuka como compositor e baterista junto ao grupo que lhe rendeu projeção nacional. As letras trazem a veia crítica de Yuka, que faz uma espécie de crônica social de um Rio permeado por violência, tráfico de drogas, desigualdade.

01 - “Todo Camburão tem um Pouco de Navio Negreiro”, do disco “O Rappa”, de 1994
02 - “A feira”, do disco “Rappa Mundi”, de 1996
03 - “O Que Sobrou do Céu”, do disco “Lado A, Lado B”, de 1999
04 - “Minha Alma (A Paz que Eu Não Quero)”, do disco “Lado A, Lado B”, de 1999
05 - “Me Deixa”, do disco “Lado A, Lado B”, de 1999 

domingo, 24 de fevereiro de 2019

CLIPE 'MINHA ALMA', DE O RAPPA, É RECRIADO EM HOMENAGEM A MARCELO YUKA



Com o intuito de homenagear o músico Marcelo Yuka, que morreu em 18 de janeiro, aos 53 anos, o clipe da composição Minha alma (A paz que eu não quero), de O Rappa, foi recriado por Luciano Vidigal e Fernando Barcellos. 

A música foi gravada há 20 anos pelo grupo e o remake contou com a presença de Ramon Francisco, o garotinho Gigante que estava presente no clipe original. 

Na nova versão, Gigante interpreta poeticamente a letra da composição com uma versão instrumental da música ao fundo. Imagens da primeira produção de Kátia Lund e Breno Silveira se intercalam com as novidades. 

Confira os dois clipes referente à música Minha alma, que se tornou sucesso e bandeira na luta contra a violência do Rio de Janeiro.









Fonte: Correio Braziliense

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

MARCELO YUKA, 50 ANOS


"Se tem uma coisa que o Marcelo Yuka sabe fazer bem é contar história". Quem diz isto é Paulo Lins, autor de Cidade de Deus. É a mais pura verdade. O que Yuka mais sabe fazer é contar histórias através das letras de suas músicas, sua poesia, seus textos dissertativos, suas palestras e com cada pessoa que Yuka invariavelmente dá atenção. Todos os tipos de pessoas! Se hoje sabe contar histórias é por que sempre soube ouvi-las. Ouvir faz parte de seu processo. É ouvindo, refletindo, absorvendo, que vai construindo seus pontos de vista sobre arte, política, mobilização social, Brasil, mundo, ecologia e justiça social. Yuka é um profundo ser pensante e ouvi-lo pode ser transformador.

Marcelo Yuka notabilizou-se como um dos principais letristas da música brasileira surgida nos anos 90. Como baterista e letrista da banda O Rappa conseguiu alargar os limites da música pop fazendo a banda ser mais reconhecida pelas suas mensagens e conceito do que por suas melodias e ritmos. Mensagem, conteúdo e um grande poder de comunicação. Assim nasceram sucessos como: "Me Deixa", "Minha Alma", "Instinto Coletivo", "Todo Camburão Tem Um Pouco de Navio Negreiro", entre outros. Com O Rappa Yuka alargou as fronteiras no pop. O clipe de "Minha Alma" em que a banda mal aparece faturou todos os prêmios possíveis e pode ser considerado um precursor de filmes e seriados que chegaram nas nossas telas como: "Cidade de Deus" e "Cidade dos Homens".

Junto com sua verve poética e musical nunca faltaram grandes doses de ativismo social. Yuka sempre soube muito bem juntar e misturar poesia e política e o resultado é um cidadão consciente do mundo que vive e... sonha. Atuou junto com o Afrorregae na criação e promoção da FASE - Federação de Órgãos para Assistência e Educação do Rio de Janeiro; é fundador do F.Ur.T.O - Frente Urbana de Trabalhos Organizados e da B.O.C.A - Brigada Organizada de Cultura Ativista que, por incrível que possa parecer, é uma ONG voltada para levar atividades culturais para entidades carcerárias. Por tudo isto, por toda a representatividade que as idéias do Yuka tem ele foi convidado e aceitou ser candidato a Vice-Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro na chapa encabeçada pelo Deputado Marcelo Freixo em 2012. E a verve é tanta que agora está gravando a primeira temporada de seu Programa de TV chamado "Eu Desafio o Mundo Sem Sair da Minha Casa" que será exibido este ano pela Play TV. Está também nos arremates finais de seu novo disco, o primeiro solo, com participações de Marisa Monte, Seu Jorge, Leticia Sabatela, entre outros. Está ainda envolvido com o lançamento de sua biografia "Não Se Preocupe Comigo", pela editora Sextante. Como se não bastasse Yuka está também encontrando um novo caminho de expressão nas artes plásticas pintando freneticamente. Um verdadeiro Homem-Arte.

Por tudo isto, por ter sempre um ponto de vista diferenciado, inteligente, sensível e pelo seu grande poder de comunicação e carisma Marcelo Yuka tem sido convidado inúmeras vezes para dar palestras em todas as regiões do País. Palestras e debates em empresas públicas e privadas e também em diversas instituições de ensino. Nas palestras Yuka não está exatamente preocupado em encontrar respostas, mas sabe como poucos encadear as perguntas. Para quem escuta uma palestra do Yuka é certeza de sair com a cabeça a mil. Impossível sair desses encontros da mesma forma que se entra. Não só por ouvirmos relato de vida de uma pessoa que teve que se reerguer após nove tiros e uma cadeira de rodas. Não só por vermos uma vítima - que não se vitimiza - da violência urbana e do desequilibrio social. Não só por ouvirmos frases perfeitas saindo da boca de um poeta. Estar com Yuka é uma experiência inspiradora.

Fonte: Site oficial do artista

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