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segunda-feira, 22 de outubro de 2018

CARTOLA, 110 ANOS DA SÍNTESE DO SAMBA


Filho de Sebastião Joaquim de Oliveira e Aída Gomes de Oliveira, de numerosa prole. A família morou em Laranjeiras e, em seguida, foi para o morro da Mangueira, quando Cartola havia completado seus 11 anos. Morando em Laranjeiras, o menino Angenor tomou gosto pela música e pelo samba, aprendeu a tocar cavaquinho e começou a participar da vida dos ranchos, coqueluche da sua vida de menino que posteriormente lhe serviria de inspiração para criar a Escola de Samba.

Nessa época os ranchos predominavam no Catete, Botafogo, Gávea e Laranjeiras. E foi exatamente em Laranjeiras que Cartola tomou paixão pelo Arrepiados nas cores verde e rosa que iriam adornar a futura Estação Primeira de Mangueira. Cartola relembrou essa época em vários depoimentos: “... Mas sejamos honestos. O micróbio do samba foi me injetado pelo velho. Eu era muito garoto quando saía com toda a família no Rancho dos Arrepiados. E com minha voz, que era boa, cheguei à ala do Satanás. Saíamos, eu, papai, que tocava cavaquinho profissionalmente no bando, minha mãe e meus irmãos. A primeira vez que vesti uma fantasia. Sabe lá o que é isso? ...”.

O nascimento de outros três filhos obrigou o pai de Cartola a se mudar para um lugar mais barato, no caso o Buraco Quente, do Morro da Mangueira, situado entre os bairros de São Cristóvão e Engenho Novo. O menino Angenor foi obrigado a trabalhar, primeiro numa gráfica, tomando depois o ofício de pedreiro conforme seu próprio relato: “Quando tinha 15 anos, trabalhava numa gráfica. Ia para o trabalho e passava por uma obra e via o pessoal todo trepado nos andaimes a assoviar para as garotas. Às vezes davam sorte. Pensei: isso é que é emprego. Passei a trabalhar na obra e como o cimento caísse sempre sobre minha cabeça, arranjei uma cartola e passei a usá-la, mas não só nas horas d serviço, mas na rua também. Tinha grande carinho por ela. Todas as noites a escovava e pela manhã ia trabalhar de cartola. Meus companheiros passaram a me chamar de Cartola e ninguém me conhece diferente hoje”.

Parceiros de samba e de vida, Cartola e Carlos Cachaça fundaram o Bloco dos Arengueiros, em 1928. Logo ampliado para uma escola de samba da qual também foram fundadores Euclides Roberto dos Santos, Saturnino Gonçalves, Marcelino José Claudino, José Gomes da Costa (Zé Espinguela), Pedro Caim e Abelardo da Bolinha. Estava criada, em 28 de abril de 1928, a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. Cartola dizia que “eu resolvi chamar Estação Primeira porque era a primeira estação de trem, a partis da Central do Brasil, onde havia samba”.

Angenor de Oliveira caiu no samba compondo “Chega de Demanda” e, na década de 30, vivia para a escola onde era seu diretor de harmonia e para suas composições que começaram a ser conhecidas fora do morro devido a uma prática muito comum na época: compositores e cantores famosos compravam músicas de autores desconhecidos. Casos de Francisco Alves e Mário Reis que compraram de Cartola os sambas (Cartola não cedia a autoria) “Que Infeliz Sorte”, “Divina Dama”, “Qual Foi o Mal que Eu Te Fiz?”, gravados na Odeon, na década de 30.

Carmen Miranda gravou, em 1932, o samba “Tenho um Novo Amor” e, no ano seguinte, Cartola cria, junto com Oliveira da Cuíca e Wilson Batista, um conjunto vocal e instrumental de curta duração. Mesmo ano da parceria com Sílvio Caldas no samba “Na Floresta” lançado em 78 rotações. Nessa época, Cartola foi gravado também por Aracy de Almeida com o samba “Não Quero Mais”, na parceria com Carlos Cachaça e Zé da Zilda, que ficaria famosa na voz de Paulinho da Viola, em 1974 com o novo título de “Não Quero Mais Amar a Ninguém” também cantada por Elizeth Cardoso e Cyro Monteiro. 

O ano de 1940 encontra Cartola na Praça Mauá, a bordo do navio Uruguai. Explica-se: dentro da chamada política de boa vizinhança que os Estados Unidos promoviam, acharam por bem registrar a nossa cultura. Além do filme inacabado de Orson Welles, foi formado um grupo para se apresentar para o maestro Leopold Stokowski. Grupo formado pelos craques Donga, Pixinguinha, João da Bahiana, Cartola, Jararaca e Ratinho, Luís Americano, entre outros, que renderia dois álbuns lançados nos Estados Unidos. No Brasil, há o registro de “Quem me Vê Sorrir”, na parceria com Carlos Cachaça, gravado em 78 rotações com a participação da Mangueira Chorus.

Cartola chegou a gravar – vale registrar que tudo havia sido conduzido pelo maestro Heitor Villa-Lobos, amigo de Cartola – quatro músicas mas somente “Quem Me Vê...” entrou no disco que o compositor só foi escutar muito tempo depois na casa do pesquisador Lúcio Rangel que havia recebido os discos dos Estados Unidos através do escritor Fernando Sabino. Toda essa história foi relembrada por outro grande poeta nosso, Carlos Drummond de Andrade que, na véspera da morte de Cartola, escreveu em sua crônica no Jornal do Brasil que “ao gravar seu samba ‘Quem Me Vê Sorrir’ o maestro Leopold Stokowski não lhe fez nenhum favor: reconheceu apenas o que há de inventividade musical nas camadas mais humildes de nossa população”.

Essa época da sua vida, casado com Deolinda, foi das mais criativas para o jovem Cartola que também criou o programa A Voz do Morro, na rádio Cruzeiro do Sul ao lado de outra legenda do mundo do samba e da nossa cultura: Paulo da Portela, um dos fundadores da Escola de Samba Portela. A essa dupla de mestres foi se juntar outro grande nome, o de Heitor dos Prazeres formando o Conjunto Carioca que viajou para apresentações em São Paulo com grande sucesso.

De 1941 a 1947 a Portela foi campeã do carnaval, para desespero dos mangueirenses comandados por Cartola e o ano de 1946 encontra Cartola, doente, meningite séria e só depois de um ano se sente melhor. Mas um novo golpe estava preparado, a morte de sua mulher Deolinda de um ataque do coração, relembrada pelo companheiro no belíssimo samba “Sim”. Em 1948 Cartola e Carlos Cachaça compõem o clássico samba-enredo “Vale do São Francisco” que não chega a ganhar o campeonato, ficando em quarto lugar enquanto a escola Império Serrano ganhava o primeiro. 

Com novo presidente, a Mangueira foi se modificando e Cartola cada vez mais apartado; mais precisamente para morar com Donária, paixão que fez com que ele abandonasse até mesmo o violão. Foram mais de sete anos afastado da Mangueira para onde foi levado de volta pelo amigo Carlos Cachaça com o apoio de Eusébia Silva do Nascimento, a Zica, sua mulher até à morte.

Dessa época Cartola relembra que “...é, eu andei doente, depois perdi minha primeira mulher e acabei me metendo num negócio aí que nem vale a pena comentar. Acabei jogando fora uns seis ou sete anos. Não fiz nenhuma trapalhada, não. Foi um troço que aconteceu comigo que pode acontecer com qualquer um. Eu mesmo é que me escondi de todo mundo”. Foram tempos difíceis para Cartola e Zica que viviam em dificuldades financeiras até a noite em que Cartola foi “descoberto” pelo jornalista Sérgio Porto, o genial Stanislaw Ponte Preta, sobrinho de Lúcio Rangel.

Cartola lavava carros na garagem Oceânica, em Ipanema, quando, ao entrar num bar, Sérgio Porto o reconheceu e lhe arrumou um emprego no jornal Diário Carioca no final da década de 50. Com a ajuda de outros amigos, Cartolaconseguiu outros empregos e, como consequência, sua casa vivia lotada de sambistas e pessoas que queriam conhece-lô. Um desses amigos, Eugênio Agostini, bancou a instalação do famoso Zicartola localizado no n°53 da Rua da Carioca, no centro do Rio de Janeiro.

O sucesso do bar-restaurante (Zica é cozinheira afamada) foi grande desde a sua inauguração, em setembro de 1963 até o fechamento de suas portas, em maio de 1965, devido, principalmente, à má administração. Mas o Zicartolarevelou talentos como o de Paulinho da Viola que largou a vida de bancário depois de receber seu primeiro cachê profissional se apresentando nos shows do Zicartola organizados por Hermínio Bello de Carvalho e Albino Pinheiro.

São também filhos do Zicartola os shows Opinião e Rosa de Ouro redutos e resistência ao golpe militar acontecido em 1964 que instalam a ditadura no país por mais de 20 anos. Como o pessoal do grupo Opinião frequentava o bar, o pessoal da Bossa Nova também começou a ir ao local, principalmente o compositor Carlos Lyra. Mas a ideia de juntar o morro e o asfalto nasceu ali com o convite feito a Zé Keti e a João do Vale para se apresentarem ao lado de Nara Leão no show que marcou época. Apresentando, inclusive, o mestre Cartola para o público da Zona Sul com a gravação de “O Sol Nascerá” feita por Nara Leão, na parceria com Elton Medeiros.

Outro show antológico – o Rosa de Ouro – idealizado por Hermínio Bello de Carvalho também marcou época revelando para o grande público os nomes de Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Nelson Sargento e Anescarzinho do Salgueiro, além de Clementina de Jesus e Aracy Côrtes. Hermínio Bello de Carvalho declarou que “todos esses movimentos que aconteceram foi tudo um resultado desse Zicartola, dessa aglutinação que provocava. O Zicartola não foi um restaurante, foi um movimento cultural...”.

O Zicartola voltaria a funcionar em São Paulo, em 1974, no bairro de Vila Formosa mas também foi logo vendido. Também em São Paulo, Cartola participaria, em 1968, da I Bienal do Samba promovida pela TV Record onde ganharia o quinto lugar com “Tive Sim”. O primeiro lugar foi de “Lapinha”, de Baden Powell e Paulo César Pinheiro; o segundo foi “Bom Tempo”, de Chico Buarque; terceiro, “Pressentimento” de Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho. O quarto colocado foi “Canto Chorado” de Billy Blanco; “Coisas do Mundo, Minha Nega” de Paulinho da Viola foi o sexto colocado e o sétimo ficou com “Marina”, de Sinval Silva.

Cartola entra na década de 70 como mito, descoberto pelos estudantes que vão escutá-lo no show Cartola Convidaque era realizado no incendiado prédio da UNE (União Nacional dos Estudantes) na Praia do Flamengo. Mesma época em que recebe um terreno do então governador Negrão de Lima para erguer sua casa no bairro da Mangueira, na Rua Visconde de Niterói, vizinha à quadra da escola de samba. Pintada de verde e rosa, sua casa continuaria sendo ponto de encontro até sua mudança para outra situada em Jacarepaguá, na praça As Rosas não Falam, título de uma de suas músicas mais famosas, pela qual ele gostaria de ser lembrado ao lado de “O Inverno do Meu Tempo”, parceria com Roberto Nascimento, e “O Mundo É um Moinho”.


O SUCESSO TARDIO E O ÚLTIMO ADEUS À MANGUEIRA

O mestre, enfim, foi descoberto pelo chamado grande público reeditando o sucesso da década de 30 pois começou a ser gravado por cantoras do quilate de Elizeth Cardoso no LP Enluarada e no disco Fala Mangueira onde Cartoladivide vozes com Odete Amaral, Clementina de Jesus, Nelson Cavaquinho e Carlos Cachaça. Seu grande sonho de um disco solo seria realizado somente em 1974 quando gravou o LP Cartola, em selo Marcus Pereira. O poeta tinha 65 anos de idade e ao lado de clássicos como “Tive Sim” e “O Sol Nascerá” apresentava um novo parceiro, Dalmo Castello, em duas belas músicas: “Disfarça e Chora” e “Corra e Olhe o Céu”.

O disco recebeu todos os prêmios da crítica e, em 1976, sairia o segundo LP Cartola, produzido pelo jornalista e escritor Juarez Barroso. A obra-prima “As Rosas Não Falam” é sucesso imediato e Cartola começa a fazer shows pelo país e em 1977 lança seu terceiro LP, Verde que te Quero Rosa, já em selo RCA e produção do jornalista e escritor Sérgio Cabral. Data dessa época sua mudança para a casa de Jacarepaguá pois na Mangueira não tinha mais sossego para compor em paz; Dona Zica voltaria para sua casa da Mangueira depois da morte de Cartola.

O ano de 1978 traz o show Acontece com Cartola e o conjunto Galo Preto, com grande sucesso; 1979 marca o lançamento do LP Cartola 70 anos. Seus 70 anos foram comemorados com muita festa e missa, marcando também seu último desfile para Mangueira pois sua saúde já se encontrava minada pelo câncer que o mataria em 1980, depois de ficar internado desde o começo de novembro na Casa de Saúde São Carlos, no Humaitá, Rio de Janeiro, onde viria a falecer em 30 de novembro de 1980. Como bem definiu o cantor e compositor mangueirense, Nelson Sargento,"Cartola não existiu, foi um sonho que a gente teve". 


*Texto extraído do livro "Os Grandes Nomes da MPB", edições Delprado volume 1.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

CARTOLA, MÚSICA PARA OS OLHOS

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

CENTENÁRIO DE CARTOLA

Cartola nasceu no bairro do Catete, no Rio de Janeiro. Tinha oito anos quando sua família se mudou para Laranjeiras e 11 quando passou a viver no morro da Mangueira, de onde não mais se afastaria. Desde menino participou das festas de rua, tocando cavaquinho – que aprendera com o pai – no rancho Arrepiados (de Laranjeiras) e nos desfiles do Dia de Reis, em que suas irmãs saíam em grupos de “pastorinhas”. Passando por diversas escolas, conseguiu terminar o curso primário, mas aos 15 anos, depois da morte da mãe, deixou a família e a escola, iniciando sua vida de boêmio.

Após trabalhar em várias tipografias, empregou-se como pedreiro, e dessa época veio seu apelido, pois usava sempre um chapéu para impedir que o cimento lhe sujasse a cabeça, o qual chamava de cartola. Em 1925, com seu amigo Carlos Cachaça, que seria seu mais constante parceiro, foi um dos fundadores do Bloco dos Arengueiros. Da ampliação e fusão desse bloco com outros existentes no morro, surgiu, em 1928, a segunda escola de samba carioca. Fundada a 28 de abril de 1928, o G.R.E.S Estação Primeira de Mangueira teve seu nome e as cores verde e rosa escolhidos por ele. Foram também fundadores, entre outros, Saturnino Gonçalves, Marcelino José Claudino, Francisco Ribeiro e Pedro Caymmi. Para o primeiro desfile foi escolhido o samba Chega de Demanda, o primeiro que fez, composto em 1928 e só gravado pelo compositor em 1974, no LP História das escolas de samba: Mangueira, pela Marcus Pereira. Em 1931, Cartola tornou-se conhecido fora da Mangueira, quando Mário Reis, que subira o morro para comprar uma música, comprou dele os direitos de gravação do samba Que infeliz sorte, que acabou sendo lançado por Francisco Alves, pois não se adaptava à voz de Mário Reis. Vendeu outros sambas a Francisco Alves, cedendo apenas os direitos sobre a vendagem de discos e conservando a autoria: assim foi com Não faz, amor (com Noel Rosa), Qual foi o mal que eu te fiz? e Divina Dama, todos gravados pela Odeon, os dois primeiros em 1932 e o último em janeiro de 1933. Ainda em 1932, o samba Tenho um novo amor foi gravado por Carmen Miranda. Do mesmo ano é a gravação do samba Na floresta, em parceria com Sílvio Caldas, lançado por este último, e a primeira composição em parceria com Carlos Cachaça, o samba Pudesse meu ideal, com o qual a Mangueira foi campeã do desfile promovido pelo jornal “O Mundo Esportivo”.



Em 1936, a Mangueira teve premiado no desfile seu samba Não quero mais (com Carlos Cachaça e Zé da Zilda), gravado por Araci de Almeida, na Victor, em 1937, e em 1973 por Paulinho da Viola, na Odeon, com o título mudado para Não quero mais amar a ninguém. Em 1940, participou, ao lado de Donga, Pixinguinha, João da Baiana e outros, de gravações de música popular brasileira para o maestro Leopoldo Stokowski (1882 – 1976), que visitava o Brasil. Realizadas a bordo do navio Uruguai, ancorado no pier da Praça Mauá, essas gravações deram origem a dois álbuns de quatro discos de 78 rpm, lançados nos EUA pela gravadora Columbia. No rádio, atuou como cantor, apresentando músicas suas e de outros compositores. Na Rádio Cruzeiro do Sul, ainda em 1940, criou, com Paulo da Portela, o programa A Voz do Morro, no qual apresentavam sambas inéditos, cujos títulos deviam ser dados pelos ouvintes, sendo premiado o nome escolhido.

Em 1941, formou com Paulo da Portela e Heitor dos Prazeres o Conjunto Carioca, que durante um mês realizou apresentações em São Paulo, em um programa da Rádio Cosmos. A partir dessa época, o sambista desapareceu do ambiente musical. Muitos pensavam até que tivesse morrido. Chegou-se a compor sambas em sua homenagem. Em 1948, a Mangueira sagrou-se campeã com seu samba-enredo Vale do São Francisco (com Carlos Cachaça).

Cartola só foi redescoberto em 1956, quando o cronista Sérgio Porto o encontrou lavando carros em uma garagem de Ipanema e trabalhando à noite como vigia de edifícios. Sérgio levou-o para cantar na Rádio Mayrinck Veiga e, logo depois, Jota Efegê arranjou-lhe um emprego no jornal “Diário Carioca”.

A partir de 1961, já vivendo com Eusébia Silva do Nascimento, a Zica, com quem se casou mais tarde, sua casa tornou-se ponto de encontro de sambistas. Em 1964, resolveu abrir um restaurante, o Zicartola, na Rua da Carioca, que oferecia, além da boa cozinha administrada por Zica, a presença constante de alguns dos melhores representantes do samba de morro. Freqüentado também por jovens compositores da geração pós bossa-nova (alertados para a sua existência desde o show “Opinião”, no qual Nara Leão incluíra o samba O sol nascerá, de Cartola e Elton Medeiros, que mais tarde gravaria), o Zicartola tornou-se moda na época. Durou pouco essa confraternização morro-cidade: o restaurante fechou as portas, reabrindo em 1974 no bairro paulistano de Vila Formosa.



Contínuo do Ministério da Indústria e Comércio, vivendo na casa verde e rosa que construiu no morro da Mangueira, em terreno doado pelo então Estado da Guanabara, somente em 1974, alguns meses antes de completar 66 anos, o compositor gravou seu primeiro LP, Cartola, na etiqueta Marcus Pereira. O disco recebeu vários prêmios. Logo depois, em 1976, veio o segundo LP, também intitulado Cartola, que continha uma de suas mais famosas criações, As rosas não falam, e o seu primeiro show individual, no Teatro da Galeria, no bairro do Catete, acompanhado pelo Conjunto Galo Preto. O show foi um sucesso de público e se estendeu por 4 meses.

Em julho de 1977, a Rede Globo apresentou com enorme sucesso o programa “Brasil Especial” número 19, dedicado exclusivamente a Cartola. Em setembro do mesmo ano, Cartola participou, acompanhado por João Nogueira, do Projeto Pixinguinha, no Rio. O sucesso do espetáculo levou-os a excursionar por São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Ainda em 1977, em outubro, lançou seu terceiro disco-solo: Cartola – Verde que te quero rosa (RCA Victor), com igual sucesso de crítica.

Em 1978, quase aos 70 anos, mudou-se para o bairro de Jacarepaguá, buscando um pouco mais de tranqüilidade, na tentativa de continuar compondo. Neste mesmo ano estreou seu segundo show individual: Acontece, outro sucesso. Em 1979, lançou seu quarto LP: Cartola – 70 anos. Nesta época, descobriu que estava com câncer, doença que causaria sua morte, em 30 de novembro de 1980.
Em 1983, foi lançado, pela Funarte, o livro Cartola, os tempos idos, de Marília T. Barboza da Silva e Arthur Oliveira Filho. Em 1984, a Funarte lançou o LP Cartola, entre amigos. Em 1997, a Editora Globo lançou o CD e o fascículo Cartola, na coleção “MPB Compositores” (n°12).

Fonte: Enciclopédia da Música Popular Brasileira, editada pelo Itaú Cultural.



DISCOGRAFIA:

FALA, MANGUEIRA (1968)


LADO A
01 - Enquanto Houver Mangueira – (Roberto Roberti / A. Marques Junior)
02 - Lá em Mangueira – (Heitor dos Prazeres / Herivelto Martins)
03 - Mundo de Zinco – (Antônio Nássara / Wilson Batista)
04 - Tempos Idos - (Carlos Cachaça / Cartola)
05 - Ao Amanhecer – (Cartola)
06 - Alvorada no Morro – (Carlos Cachaça / Cartola / Hermínio Bello de Carvalho)
07 - Quem me vê sorrindo – (Cartola / Carlos Cachaça)
08 - Alegria – (Cartola)
09 - Lacrimário – (Carlos Cachaça)

LADO B
01 - Saudosa Mangueira – (Herivelto Martins)
02 - Sei, lá Mangueira – (Paulinho da Viola / Hermínio Bello de Carvalho)
03 - Rei Vagabundo; A Mangueira Me Chama; Sempre Mangueira; Folhas Caídas; Eu e as Flores – (Cartola)
04 - Sabiá de Mangueira – (Frazão / B.Lacerda)
05 - Exaltação à Mangueira – (E. B. da Silva / A. Augusto da Costa)
06 - Despedida de Mangueira – (B. Lacerda / Aldo Cabral)




CARTOLA (1974)


LADO A
01 - Disfarça e Chora – (Cartola / Dalmo Casteli)
02 - Sim – (Cartola / Oswaldo Martins)
03 - Corra e Olhe o Céu – (Cartola / Dalmo Casteli)
04 - Acontece – (Cartola)
05 - Tive Sim – (Cartola)
06 - O Sol Nascerá – (Cartola / EltonMedeiros)

LADO B
01 - Alvorada – (Cartola / Carlos Cachaça / Hermínio Bello)
02 - Festa da Vinda – (Cartola / Nuno Veloso)
03 - Quem Me Vê Sorrindo – (Cartola / Carlos Cachaça)
04 - Amor Proibido – (Cartola)
05 - Ordenes e Farei – (Cartola / Aluizio Dias)
06 - Alegria – (Cartola)




CARTOLA (1976)
LADO A
01 - O Mundo é um Moinho - (Cartola)
02 - Minha - (Cartola)
03 - Sala de Recepção – (Cartola)
04 - Não Posso Viver sem Ela – (Cartola e Alcebiades Barcelos)
05 - Preciso me Encontrar – (Candeia)
06 - Peito Vazio – (Cartola)

LADO B
01 - Aconteceu – (Cartola)
02 - As Rosas não Falam – (Cartola)
03 - Sei Chorar – (Cartola)
04 - Ensaboa – (Cartola)
05 - Senhora de Tentação – (Silas de Oliveira)
06 - Cordas de aço – (Cartola)



CARTOLA – VERDE QUE TE QUERO ROSA (1977)
LADO A
01 - Verde que te quero Rosa- (Cartola / Dalmo Castelo)
02 - A Canção que chegou – (Cartola / Nuno Veloso)
03 - Autonomia – (Cartola)
04 - Desfigurado – (Cartola)
05 - Escurinha – (Geraldo Pereira / Arnaldo Passos)
06 - Tempos Idos – (Cartola / Carlos Cachaça)


LADO B
01 - Pranto de Poeta – (Guilherme de Brito / Nelson Cavaquinho)
02 - Grande Deus – (Cartola)
03 - Fita meus olhos – (Cartola / Osvaldo Vasques)
04 - Que é feito de você – (Cartola)
05 - Desta vez eu vou – (Cartola)
06 - Nós Dois – (Cartola)



CARTOLA – AO VIVO (1978)
LADO A
01 - Alvorada – (Cartola / Carlos Cachaça / Herminio Bello de Carvalho)
02 - O Mundo é um Moinho – (Cartola)
03 - Sim – (Cartola / Oswaldo Martins)
04 - Acontece – (Cartola)
05 - Amor Proibido – (Cartola)

LADO B
01 - As Rosas não Falam – (Cartola)
02 - Verde que te quero Rosa – (Cartola / Dalmo Castelo)
03 - Peito Vazio - (Cartola)
04 - Alegria – (Cartola)
05 - Inverno do meu tempo – (Cartola / Roberto Nascimento)
06 - Sol Nascerá – (Cartola / Elton Medeiros)



CARTOLA – 70 ANOS (1979)
LADO A
01 - O Inverno do meu Tempo – (Cartola / Roberto Nascimento)
02 - A Cor da Esperança – (Cartola / Roberto
Nascimento)
03 - Feriado na Roça – (Cartola)
04 - Ciência e Arte – (Cartola / Carlos Cachaça)
05 - Senões – (Cartola / Nuno Veloso)
06 - Mesma Estória – (Cartola / Elton Medeiros)

LADO B
01 - Fim de Estrada – (Cartola)
02 - Enquanto Deus Consentir – (Cartola)
03 - Dê-me Graças, Senhora – (Cartola / Cláudio Jorge)
04 - Evite Meu Amor – (Cartola)
05 - Silêncio de um Cipreste – (Cartola / Carlos Cachaça)
06 - Bem Feito – (Cartola)


Conheça também o Centro Cultural Cartola - Rua Visconde de Niterói,1296 Tel.: (21 ) 32345777 - Rio de Janeiro email: cartola@cartola.org.br

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