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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

PAUTA MUSICAL: CARLOS GALHARDO EM "EMBALAGEM SUGESTIVA"

Por Laura Macedo




Um presente dado sem embalagem não tem o mesmo efeito do contrário. As gravadoras, desde cedo, sacaram a importância delas para atrair o público consumidor de músicas. Tempos atrás (Portal Luis Nassif) já destaquei o charme das capas de partituras e discos.

O amigo Miguel Bragioni (Arquivo Confraria do Chiado) publicou as fotos que utilizo nesta pequena postagem. De posse delas comecei a garimpagem dos dois fonogramas, que só encontrei no “Banco de Dados do Acervo Nirez”. Mais uma vez, deixando a vergonha de lado, recorri ao grande pesquisador Miguel Nirez de Azevedo, sempre disponível a ajudar.



Arnaldo Passos, Ari Monteiro e Carlos Galhardo



Há mais espaço” (Ari Monteiro/Gil Lima/Arnaldo Passos) # Carlos Galhardo com Regional. Disco Victor (80.0253-A) / Matriz (S-078098). Gravação (14/12/1944) / Lançamento (março/1945).




Germano Augusto, Carlos Galhardo e Afonso Teixeira



Depois do que ela me fez” (Germano Augusto/Afonso Teixeira) # Carlos Galhardo com Regional. Disco Victor (80.0253-B) / Matriz (S-078099). Gravação (14/129144) / Lançamento (março/1945).



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Agradecimentos especiais ao jornalista e pesquisador Miguel Nirez Azevedo pela liberação dos fonogramas utilizados nessa postagem de blog.
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Fontes:
- Banco de Dados do Arquivo Nirez (Áudios).
- Capa do disco de 78 rpm - Miguel Bragioni.
- Fotos: Acervo pessoal / Internet / Revista Carioca.
- Montagem de áudios: Laura Macedo.
- Montagem de fotos: Laura Macedo.
- Revista Carioca: nº 938 / P.50 / 1953 e nº 39 / P. 41 / 1936.

domingo, 29 de março de 2015

25 DE JULHO DE 1985: MORRE CARLOS GALHARDO, O CANTOR QUE DISPENSA ADJETIVOS

No ano em que completa-se 30 anos que o grande intérprete faleceu o Musicaria Brasil relembra-o através do Jornal do Brasil


Morre Carlos Galhardo. Jornal do Brasil: Sexta-feira, 26 de julho de 1985.

Foi-se o homem, não se calou a voz, eternizada em mais de 1200 musicas gravadas. Era o penúltimo ídolo vivo de uma extraordinária geração de cantores românticos dos anos 30 e 40: a Era do Rádio. À ocasião de sua morte, Sylvio Caldas, o Caboclinho Querido, ficara único sobrevivente.

Já tinham morrido Francisco Alves, o Rei da Voz e Orlando Silva, o Cantor das Multidões.

Castelo Carlos Guagliardi, filho de italianos, nasceu em São Paulo no dia. Mas foi no Rio que cresceu. E curiosamente, foi no banheiro - à falta de outro espaço - que ensaiou e ganhou coragem para um teste na Rádio Educadora do Brasil.

Chamado de Rei da Valsa, na verdade a voz de veludo e falsete permitiu-lhe a ousadia de cantar de tudo: marchinha, samba, blues... interpretando a maioria dos grandes compositores brasileiros. Performance consolidada em uma carreira de mais de 50 anos com a fidelidade de um público próprio, razão de emoções e desmaios por onde passava, o então intitulado Cantor que dispensava adjetivos.

Galhardo nunca escondeu a influência de alguns amigos no início da sua vitoriosa trajetória, como Alberto Simões, o Bororó, violinista que o acompanhou quando cantava no banheiro para o primeiro teste no rádio.

Fiel às amizades, sobretudo as que construiu na aurora da vida artística, Galhardo surpreendeu e emocionou os que o entrevistaram para uma gravação no Museu da Imagem e do Som. O diretor da casa, Ricardo Cravo Albim, transmitiu-lhe a notícia da morte de Alberto Ribeiro. Galhardo silenciou por segundos, enxugou uma lágrima, pediu desculpas pelo pigarro que tentava esconder a emoção e recordou Alberto, dizendo que ele e outro monstro da música popular brasileira - o compositor João de Barro - tinham sido fundamentais no seu engatinhar para a fama. Tanto havia que contar, naquela tarde no MIS, que Galhardo não sabia se falav de sua vida ou se comentava e cantava seus maiores sucessos.Recordou Carolina, de Lamartine Babo, o primeiro sucesso de carnaval; depois a primeira valsa de Ataulfo Alves, e foi versejando maravilhas que o tempo da entrevista se tornou curto para gravar. Mas recordou sucessos inesquecíveis.

Galhardo nunca se considerou um superado pelo tempo. "Estou nascendo outra vez", repetia sempre que anunciava ou cantava uma música moderna. Fez teatro e cinema. Participou de várias peças no Rival, entre elas A Canção da Felicidade e A Bela e a Fera. Mas seu forte era cantar - e cantar no rádio, à época em que o rádio era a televisão sem imagem. E nunca deixou de cantar pelo Brasil afora, em memoráveis excursões.

"O romantismo vai existir sempre. Sempre enquanto houver dois corações". E, entremeando os versos aos comentários: "Gosto de saber que inspirei paixões. No meu tempo de juventude era chamado de o gostosão. Mas nunca fui mulherengo. Só me dediquei a uma mulher, Eulália, com quem estou há anos". 

Este era o homem com a valsa na alma do cantor. Foi-se o homem. Ficou a voz.


Fonte: www.jblog.com.br

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