PROFÍCUAS PARCERIAS

Gabaritados colunistas e colaboradores, de domingo a domingo, sempre com novos temas.

ENTREVISTAS EXCLUSIVAS

Um bate-papo com alguns dos maiores nomes da MPB e outros artistas em ascensão.

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

Mostrando postagens com marcador Bob Nelson. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bob Nelson. Mostrar todas as postagens

domingo, 31 de dezembro de 2017

HISTÓRIAS E ESTÓRIAS DA MPB

Resultado de imagem para bob nelson cantor

Bob Nelson foi, sem sombra de dúvidas, uma das figuras mais emblemáticas da música popular brasileira. Ator e cantor, o artista caracterizava-se por um repertório country e uma vestimenta que fazia jus ao repertório. Para quem não sabe, Bob Nelson foi o grande ídolo de toda uma geração de quando inciou a sua carreira (inclusive do nosso Rei Roberto Carlos). Batizado como Nelson Roberto Perez, Bob iniciou a carreira artística cantando na Rádio Educadora de Campinas (SP), chegando a acompanhar Carmen Miranda em 1939, quando ela por lá se apresentou. Ainda no interior paulista inicia a carreira imitando o americano Gene Autry, fazendo sucesso imediato com a versão para "Ó Suzana" feita por ele. Por conta desta versão começou a ganhar diversos prêmios e a vencer concursos de calouros, até chegar na Rádio Tupi de São Paulo. Um fato curioso neste período é o cheque recebido de Assis Chateaubriand, dono da Rádio Tupi, para comprar um traje completo de vaqueiro e se apresentar ao comandante, chefe das tropas americanas no Atlântico Sul naqueles anos de guerra, o General Douglas Mac Arthur. Ao sair do interior para a capital paulista, Nelson Roberto troca o nome Nelson Perez por Bob Nelson, uma jogada de sorte, uma vez que, na onda da guerra, e do esforço oficial pró-americanos, acaba conquistando significativos espaços. Vendo que oportunidades melhores poderiam estar na então Capital Federal parte em direção ao Rio de Janeiro para tentar a sorte grande como artista. Era no Rio que estavam as grande oportunidades artísticas da época e com este desejo de ser artista, para outro lugar o pretenso ator e cantor não poderia seguir. Sem poder viver exclusivamente de sua arte, Bob que paralelamente ao sonho de ser cantor havia se diplomado pela Escola de Comércio de Campinas, ao chegar na cidade maravilhosa vai ser representante das extintas indústrias de Meias Ethel. Ao mesmo tempo que iniciava a sua carreira artística como cantor nos cassinos cariocas, cantava também em rádios, bailes e orquestras. No entanto, a "sorte grande" que tanto almejava não havia marcado encontro com ele na década de 1930.

No entanto a década de 1940 chegaria acompanhada por sua consagração artística. Em 1943 ganhou um prêmio na Rádio Cultura de São Paulo por sua interpretação de "Oh, Susana". Daí em diante as portas se abrem para o "Vaqueiro Alegre" (nome pelo qual ficou conhecido) e tem a oportunidade de gravar os filmes "Segura esta mulher" e "Este mundo é um pandeiro". Levado pelo ator Ziembinsky, apresenta-se no Cassino Atlântico, cantando também no Cassino da Urca, Cassino Icaraí e no Clube Quitandinha. Pelas mãos de Haroldo Barbosa é indicado neste período para ser contratado pela Rádio Nacional, onde fez grande sucesso permanecendo por 29 anos. Em 1944, gravou seu primeiro disco pela RCA Victor, onde interpretou a canção "Oh! Suzana" e a valsa "Vaqueiro alegre", de Kanter, em versão de Bob Nelson e Vitor Simon. No ano seguinte grava o foxtrote "Okey Jones" e a marcha "Minha linda Salomé", de Denis Brean e Vitor Simon. Em 1946, gravou outro grande sucesso de sua carreira, a marcha "O boi Barnabé", sua e de Vitor Simon. Ainda na década de 1940, mais precisamente em 1949, fez temporada na Rádio Jornal do Comércio no Recife, acompanhado do Conjunto Regional da mesma rádio do qual faziam parte Sivuca, Jackson do Pandeiro e Luperce Miranda. Sem dúvida alguma, assim como Pedro Raimundo e Luiz Gonzaga, Bob Nelson destacou-se por suas vestimentas e pela inovação naquilo que produziam, pois foi o primeiro artista a fazer a fusão entre o caipira brasileiro e o country americano. Em 1996, teve lançado pelo selo Revivendo o CD "Vaqueiro alegre", coletânea de seus sucessos. É válido um registro curioso a respeito do início de sua carreira: na época em que tentava a sorte grane chegou a atuar ao lado do então desconhecido sanfoneiro Luiz Gonzaga, que também viria a se consagrar como um dos mais representativos artistas nacionais anos depois. 

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

28 DE AGOSTO - 01 ANO SEM BOB NELSON

Nelson Pérez, ou simplesmente Bob Nelson foi um cantor e compositor nascido em Campinas (SP), em 12.10.1918, sendo o 6º dos oito filhos de José Pérez, espanhol, ferroviário da Mogiana e dono do Hotel Dalva, e de D. Floresmina. Fez o grupo escolar que funcionava em anexo à Escola Normal e formou-se contador na Escola de Comércio São Luiz. Em sua família só ele teria pendores artísticos.
Com 11 anos já trabalhava no comércio. Depois entrou na Mogiana, apenas para atender ao desejo do pai, foi contador da Armour e caixeiro-viajante. Iniciou-se como crooner da Orquestra Julinho e cantor-solista do Grupo Cacique, que apresentava na Rádio Educadora de campinas (PRC-9), nas pegadas do Bando da Lua e dos Anjos do Inferno, e era formado, além dele, por Paulinho Nogueira e seu irmão Celso, Armando do Couto, primo dos dois e médico, Aimoré dos Santos Matos, oficial, e pelo professor Enéas.
Quando Carmen Miranda se apresentou em Campinas, em 1939, lá estavam eles acompanhando a Pequena Notável. Uma noite, depois de assistir ao filme Idílio Nos Alpes, no Cine Rink, na rua Barão de Jaguara, por brincadeira, começou a se comunicar com um amigo à maneira das montanhas do Tirol, como o cowboy-cantor Gene Autry, com menos perfeição, já vinha fazendo. Aquilo fez vibrar as mocinhas que passavam.
Durante a semana, para viver percorria a Central do Brasil como vendedor das meias Ethel, que ninguém comprava devido ao preço. Uma noite, em Taubaté, cantou no serviço de alto-falante uma adaptação que tinha feito de Ó Suzana. Agradou demais e foi estimulado a ir à Hora da Peneira Rodine, na Rádio Cultura de São Paulo. Vai com o amigo Paulo, que fica com o 2º lugar, com Lábios que beijei, e ele, com Ó Suzana, com o 1º, repartindo entre si, conforme o combinado, os prêmios, 100 e 50 cruzeiros respectivamente, ou seja, 75 para cada um. Aí resolve ficar por São Paulo, tornando-se um "calouro profissional".
Quando canta, sempre Ó Suzana, no programa Calouros do Chá Ribeira, na Rádio Tupi, o diretor Dermival Costalima o contrata a 300 cruzeiros por mês. Numa reunião de diretores, fica decidido que Nelson Pérez positivamente não era nome de cowboy. Um diretor, folheando uma revista de cinema, dá com o nome de Robert (Bob) Taylor, grande galã da época. Costalima tem o estalo: "Bob Nelson!". Nessa ocasião, Assis Chateaubriand, todo-poderoso dono das Associadas, estava empenhando em homenagear, na Tupi, o oficial-comandante americano do Atlântico Sul. Teve uma de suas idéias: "Rapaz, pegue este dinheiro, vá à loja Sloper e compre uma roupa completa de cowboy. E cante Suzana, pois o homem é do Texas!" "- O americano gostou tanto que subiu no palco para abraçar. Ele era muito alto. Abracei ele no joelho!"
Com um repertório ampliado, nesse mesmo ano de 1943, vai atuar no Cassino Ahú, de Curitiba, a 300 cruzeiros por noite. A seguir faz todo o circuito das bases militares, até Natal e Fernando de Noronha. Na volta, Ziembinski o convida para ir ao Rio de Janeiro, onde atua na Rádio Tupi e no Cassino Atlântico, a 500 cruzeiros por noite, com mais sucesso até que Gregorio Barrios e Libertad Lamarque. Como a Tupi ficasse em atraso de pagamento por quatro meses, tenta leiloar nos corredores, com colegas, seus vales e é expulso pelo diretor. Assis Chateaubriand, que o chamava de "cowboy sem cavalo", chega pouco depois e dá-lhe razão: "Atrasou, não pagou, faz leilão dessa porcaria!"
Haroldo Barbosa sem demora o recomenda a Victor Costa, diretor da Nacional. Mesmo já sabendo de seu sucesso, quer testá-lo num programa de auditório. Não deu outra: contrato imediato. Daí em diante o Vaqueiro Alegre, seu slogan, faz-se astro do disco e da Rádio Nacional, emendando um sucesso após outro como Boi Barnabé (com Afonso Simão), Eu tiro o leite (com Sebastião Lima), Minha linda Salomé (Denis Brean e Vitor Simon), Te agüenta, Mané (com Almeida Rego) e Catulé (com Murilo Latini), e sua adaptação de Ó Suzana, gravada na Victor e depois lançada nos EUA.
O Brasil também o conhece através do cinema: Este Mundo É Um Pandeiro (1946), Segura Essa Mulher (1946), É Com Este Que Eu Vou (1948), no qual canta Como É Burro O meu Cavalo! , e Estou Ai? (1949).
Muito depois, em 1970, faria papel de padre em Vale do Canaã, sob a direção de Jece Valadão. Casa-se com Antonietta Leal Perez, em 1950, e têm dois filhos, Nelson Roberto e Eduardo José, e dois netos, Luciana Antonela e Victor Eduardo. Deixando de cantar, continua na Rádio Nacional, como secretário do departamento jurídico e diretor do departamento de gravações.
Na Nacional aposenta-se em 1976, depois de 26 anos ininterruptos de trabalho na estação. Jamais pararia, contudo, de trabalhar. É representante de produtos ópticos, percorrendo todo o Brasil para promover as vendas, e sempre disposto a se apresentar artisticamente, com a mesma disposição e a mesma capacidade de conquistar qualquer platéia.



Roberto Carlos era fã do “Vaqueiro Alegre”. Quando criança, o rei gostava de colar o ouvido nos radinhos sintonizados na Rádio Nacional e ouvir as “canções de caubói” de Bob Nelson. O cantor, cujo nome verdadeiro era Nelson Roberto Perez, nasceu na cidade de Campinas (SP) em 12 de outubro de 1918. Reza a lenda que, quando Carmen Miranda se apresentou em Campinas no ano de 1939, ele a acompanhou no show. Na época, já cantava no “Grupo Cacique”.

Inspirado pelo filme “Idílio nos Alpes”, começou a arranhar o ritmo tirolês (também conhecido como “yodel”) no início dos anos 1940. Em 1943, Bob Nelson faz uma adaptação para o português de uma tradicional canção norte-americana. Música premiada na rádio Cultura, “Oh,Suzana” torna-se um de seus maiores sucessos. A música também catapultou Bob Nelson para um evento histórico.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o dono dos Diários Associados, Assis Chateaubriand, resolveu homenagear o comandante norte-americano General Douglas MacArthur. Não teve dúvidas: mandou chamar Bob Nelson e sua “Oh, Suzana”. A homenagem funcionou: Douglas MacArthur era natural do Arkansas e adorou a versão brasileira de uma música sobre a Guerra da Secessão nos Estados Unidos. Ao final da apresentação, o general subiu ao palco e abraçou o cantor. Também foi Chatô quem deu o dinheiro para que Bob Nelson comprasse a sua primeira fantasia de caubói, com direito a chapéu e revólver no coldre.

Em 1944, Bob Nelson gravou seu primeiro disco com “Oh, Suzana” e “Vaqueiro Alegre”. Ao longo da década de 1940, apresentou-se em diversos programas de rádio e gravou músicas usando o nome artístico “Bob Nelson e seus Rancheiros”. Foi mais ou menos nessa época que ele se tornou o ídolo das estrelas da Jovem Guarda, Roberto e Erasmo Carlos.

A dupla gravou até mesmo uma música em homenagem ao caubói brasileiro: “A Lenda de Bob Nelson”, lançada em 1974. Um dos primeiros artistas a misturar a música sertaneja do interior com o country norte-americano, Bob Nelson ainda arranjava tempo para desfilar no Carnaval, sempre pela escola de samba Império Serrano. Foi no Rio de Janeiro que ele morreu, há exatamente 01 ano, no dia 28 de agosto de 2009, aos 91 anos.

LinkWithin