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ENTREVISTAS EXCLUSIVAS

Um bate-papo com alguns dos maiores nomes da MPB e outros artistas em ascensão.

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Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

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sábado, 10 de setembro de 2016

OS AMANTICIDAS - ENTREVISTA EXCLUSIVA

Batizada a partir de uma das faixas presente no disco Às Próprias Custas S.A (1983) do cantor e compositor Itamar Assumpção, Os Amanticidas chegam como titulares no time da nova vanguarda paulista.

Por Bruno Negromonte





Formado por Alex Huszar (voz e baixo), João Sampaio (guitarras, bandolim e cavaquinho), Joera Rodrigues (bateria) e Luca Frazão (violão de sete cordas), Os Amanticidas estreiam no mercado fonográfico de modo independente com um álbum que conta com a participação de nomes como Arrigo Barnabé e Tom Zé. Gravado com apoio do ProAC, com produção de Paulo Lepetit, "Amanticidas", primeiro álbum do quarteto, chega expondo tudo aquilo que os garotos absorveram, condensaram e transformaram de modo bastante original nas dez faixas autorais presentes no disco. Um detalhe interessante a ser observado é que mesmo influenciados pelos mais distintos elementos sonoros, o amálgama que os jovens conseguem formar neste projeto não os fazem perder a unidade, pelo contrário, todas as influências substanciaram a trilha do novo caminho que os músicos  buscam de modo inovador como foi possível conhecer recentemente aqui mesmo em nosso espaço a partir da pauta "DA DURA POESIA CONCRETA DE SAMPA EIS QUE SURGE OS AMANTICIDAS SOB A INSÍGNIA DA VANGUARDA PAULISTA". Hoje os jovens retornam aos nossos holofotes para este bate-papo exclusivo onde tratam dos mais distintos temas como vocês poderão conferir logo abaixo. Excelente leitura!


Acho que a primeira pergunta que convencionalmente fazem a vocês é o modo como se conheceram e como resolveram formar os “Amanticidas”. Como tudo isso ocorreu?

Os Amanticidas - Na verdade três membros da banda, Alex, Joera e Luca, se conhecem desde os tempos de colégio, tocavam juntos desde essa época. Aí o Alex entrou em música na Unicamp, conheceu o Sampaio por lá e teve a ideia de juntar a banda. A gente acabou tocando juntos pela primeira vez no fim de 2011, e em 2012 começamos a fazer shows por São Paulo.


Quem conhece um pouco da biografia de vocês sabe que o nome do quarteto surgiu a partir de uma das canções presentes na discografia do Itamar Assumpção. Por que é que vocês foram buscar o nome do grupo de um disco lançado há mais de três décadas atrás?

Os Amanticidas - Acho que a gente foi buscar no Itamar porque desde o começo da banda, quando nosso som não tinha ainda a cara própria que foi sendo construída nesses anos de ensaios e shows, a gente já tinha claro que o trabalho do Itamar era uma referência pra de alguma forma nos guiar na direção dessa identidade. O jeito que ele e o Tom Zé, principalmente, trabalham as canções são a base a partir da qual a gente tenta construir o nosso jeito.


Quando e como aconteceu o primeiro contato de vocês com os materiais fonográficos da chamada Vanguarda Paulista?

Os Amanticidas - Pra todos nós foi a partir dos nossos pais, que pertencem à geração que acompanhou de perto a Vanguarda, frequentando o Lira Paulistana e tal. Então desde muito cedo ouvimos em casa os discos de Grupo Rumo, Premê, Arrigo e, claro, Itamar.
Mas a gente só foi dar mais atenção pra esses artistas enquanto influência pro nosso próprio trabalho mais pra frente, na adolescência, quando começamos a decidir fazer isso da vida.




Fazer essa comparação do trabalho de vocês com o da turma da Vanguarda Paulista incomoda?

Os Amanticidas - Não incomoda porque a gente não entra muito nessa de comparar. Temos total consciência do quanto devemos a eles (não por acaso o Paulo Lepetit, baixista do Isca de Policia, produziu o disco), mas estamos tentando começar nossa própria trajetória, num outro contexto, outro circuito. Também não achamos de forma alguma que estamos continuando a partir do que eles deixaram, porque afinal boa parte dos artistas daquela cena ainda estão por aí, lançando trabalhos novos e originais.


Foram cerca de quatro anos do surgimento do grupo até o lançamento do primeiro álbum. Neste ínterim quais as maiores dificuldades para a concretização deste marcante passo de vocês?

Os Amanticidas - Bom, a maior dificuldade foi a nossa própria inexperiência. Na parte musical nós tivemos ajuda do Lepetit pra lidar com os problemas, então o desafio maior acabou sendo a parte burocrática que a gravação de disco envolve (registro das músicas, contato com fábricas para prensagem e etc.). Alem de outras dificuldades que todo artista enfrenta pra botar seu trabalho no mundo: algumas roubadas, frustrações, pouca grana, muito ensaio...

Quais foram os critérios para a escolha das dez faixas presentes no disco?

Os Amanticidas - Na verdade foi bem simples, porque como é o primeiro disco ele registra um período mais longo do nosso trabalho. Tem canções ali compostas há vários anos, até antes da banda existir. Ao longo desse tempo a gente foi ajeitando cada uma nos shows e ensaios, montando o repertório com calma até sentir que tinha chegado o momento de registrar.                                                                                                                               


Assim como algumas referências musicais do grupo, vocês buscaram seguir um caminho fonográfico independente. É fato que a dificuldade é grande, mas a liberdade para a produção vem na mesma proporção ("Clara Crocodilo" é um exemplo). Para se ter essa liberdade na produção vale o preço pago?

Os Amanticidas - Hoje em dia o mercado está bem diferente do que naquela época, se reorganizou de uma maneira que facilita a produção independente. Não que ainda não haja todo tipo de dificuldade, mas com a internet ficou mais viável conseguir um alcance legal pro trabalho sem precisar de meios tradicionais como gravadora, selo etc. Então esse caminho veio de uma forma bem natural pra gente, não foi uma escolha tão pesada; sempre soubemos que era isso que fazia mais sentido.


As diversas influências presentes no álbum não faz de “Amanticidas” um disco sem identidade sonora, pelo contrário, percebe-se a composição de uma unidade bastante coerente. Que tipo de cuidado vocês buscaram tomar para que tantas influências não acabassem descaracterizando este álbum de estreia?

Os Amanticidas - A gente busca a unidade não tanto na composição, afinal como dissemos tem coisa no disco que foi composta antes da banda surgir, mas muito no arranjo. O resultado final das canções soa muitas vezes totalmente diferente do material bruto que chegou a partir de quem compôs. E isso a gente trabalha exaustivamente nos ensaios, tentando ao longo desses anos formular um jeito nosso de fazer arranjo, que, esse sim, parte muito do que a gente identifica nos jeitos do Itamar, do Tom Zé e outros.


O disco conta com a participação de dois relevantes nomes da nossa música que são o Tom Zé e o Arrigo Barnabé. Como surgiram estes convites e a ideia de inseri-los neste debute fonográfico de vocês?

Os Amanticidas - Os convites vieram a partir do Paulo Lepetit, produtor do disco, que ouviu as faixas e na hora achou que combinavam com eles. A parte que o Tom Zé participa, verdade seja dita, era uma homenagem explícita a ele (o que só faz com que a participação fique mais especial ainda), mas o Arrigo em “Traste” foi uma ideia do Lepetit que a gente nunca tinha imaginado e acabou encaixando perfeitamente.


O show de lançamento do “Amanticidas” ocorreu recentemente. Como será a divulgação deste álbum daqui pra frente? Já há datas confirmadas para apresentação fora do eixo Rio-São Paulo?



Os Amanticidas - A gente tem investido bastante na divulgação pela internet, porque achamos que as chances de alcançar gente que normalmente não nos conheceria é maior. E quanto aos shows, fizemos por enquanto dois no interior do estado de SP, além do lançamento na capital. Nos próximos meses temos mais três shows já confirmados aqui em São Paulo: dia 04/09 no Teatro Décio de Almeida Prado, 05/10 no CEU Sapopemba e 22/10 no CEU Butantã. Além disso faremos um show dia 10/09 em São Luiz do Paraitinga e um no Rio de Janeiro no dia 28/10. Fora do eixo Rio-São Paulo ainda não temos nenhum show confirmado, mas esperamos ter em breve.


Mais informações:
Facebook - https://www.facebook.com/amanticidas/
Deezer:

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

DA DURA POESIA CONCRETA DE SAMPA EIS QUE SURGE OS AMANTICIDAS SOB A INSÍGNIA DA VANGUARDA PAULISTA

O quarteto paulista chega ao mercado fonográfico apresentando as suas mais distintas influências a partir de uma hibrida sonoridade que não os fazem perder a identidade.

Por Bruno Negromonte



Reza a lenda que em 1960 na boate Cave, na rua da Consolação, em São Paulo, o multifacetado Vinicius de Moraesrevoltado com o barulho que fazia o público durante apresentação do amigo e parceiro Johnny Alf , solta uma frase que viria a ressoar na música paulista até os dias atuais (mesmo sendo dita sob mero impulso): “São Paulo é o túmulo do samba”. Mais de cinco décadas após a infeliz declaração a sonoridade paulista modificou-se, e com o passar dos anos acabou ganhando adornos que fazem dela hoje ser respeitada em todo o país. Sem dúvida São Paulo hoje é visto como um dos centros urbanos onde a efervescência musical faz-se mais presente, e muitos contribuíram para que a música paulista alcançasse este status nos mais distintos momentos, principalmente a partir da inserção de algumas ideias inovadoras ao longo destes anos, merecendo destaque o movimento cultural ocorrido na capital paulista entre 1979 e 1985 batizado de Vanguarda Paulista. Era outubro de 1979 quando, na rua Teodoro Sampaio, bem na altura da praça Benedito Calixto, em Pinheiros, o pequeno teatro Lira Paulistana abre suas portas para dar voz e vez a artistas que emergiam naquele momento na cena paulistanaTinha início ali um movimento que, logo em seguida, ganharia projeção nacional a partir de uma proposta que buscava mostrar uma forte veia experimental – tanto musical quanto poética e cênica. Vale registrar também outra característica marcante desse movimento: um espírito de independência em relação à indústria fonográfica. Naquele momento os holofotes voltavam-se para nome que viriam a escrever seus respectivos nomes na cena musical brasileira a partir dos mais distintos projetos. Nomes como Vânia BastosItamar Assumpção, Arrigo BarnabéEliete Negreiros, Cida Moreira, Tetê Espíndola e grupos como Rumo, Língua de Trapo e Premeditando o Breque surgiram nessa leva.




Hoje, 36 anos após o marco fonográfico inicial com o lançamento dos álbuns "Clara Crocodilo" (disco que virou até dissertação de mestrado), do cantor, pianista e compositor Arrigo Barnabé, e de "Beleléu, Leléu, Eu", do cantor e compositor Itamar Assumpção junto com a banda Isca de Políciauma outra geração de músicos, cantores e compositores buscam condensar toda essa influência sofrida a partir destes e outros projetos surgidos na época e que mostram-se, ainda nos dias de hoje, verdadeiras usinas sonoras ao misturar dodecafonismo, música erudita pop, rock entre outras experiências. Bebendo destas fontes, a nova geração da música paulista vem dando a sua contribuição a partir dos mais distintos trabalhos como o que hoje chega aqui ao nosso espaço. Advindos desta nova cena musical independente que vem crescendo na capital paulista (batizada por muitos como "nova geração da Vanguarda Paulistana"), Os Amanticidas (nome que é referência explícita a "Amanticida", música que Itamar Assumpção gravou em 1983 em seu LP "Às próprias custas S.A.") surgiu em 2012 e tem como integrantes Alex Huszar (baixo, canto, composição e arranjado), João Sampaio (guitarra, composição, arranjo, vocal, cavaquinho e bandolim), Joera Rodrigues (bateria, canto e arranjo) e Luca Frazão (violão de sete cordas, arranjado, composição e flauta). Ao longo destes anos os integrantes do quarteto tem estabelecido distintas parcerias com nomes que reforçam a afirmação de que foram substancialmente influenciados pela gama de artistas de outrora da cena musical paulista a partir de parcerias com como Juçara Marçal, Suzana Salles, Banda Isca de Polícia, Alzira E, Filarmônica de Pasárgada, Suzana Salles, Vange Milliet e Orquídeas do Brasil. Com esta vasta experiência já achavam que era hora de um registro fonográfico.

Gravado com apoio do ProAC, com produção de Paulo Lepetit, "Freguesia", primeiro álbum dos jovens músicos, chega expondo tudo aquilo que o quarteto absorveu, condensou e transformou de modo bastante original nas dez faixas autorais presentes no disco. É possível observar neste trabalho algumas características que provavelmente venham a se tornar uma marca registrada do grupo ao longo dos anos e das próximas produções fonográficas, uma delas são os adornos utilizados nos arranjos presentes no projeto. Percebe claramente que o grupo trabalha exaustivamente o arranjo de cada uma das músicas presentes no disco. "Nós sempre evitamos pegar a solução mais fácil", diz Alex Huszar, "pensamos o arranjo como parte da composição", chamando a atenção a unidade presente a partir de todas as canções. Em sua sonoridade há influências de nomes que vão de Jards Macalé a Paulinho da Viola, perpassando por nomes como Os MutantesArrigo BarnabéSibaMetá Metá e Tom Zé.

Apesar de beber na fonte da vanguarda paulista, o quarteto Os Amanticidas apresenta-se de modo inovador, trazendo para a realidade atual aquele tipo de tratamento da canção – por exemplo, a linha baixo do dobrando a linha do violão ou guitarra, como fazia Itamar Assumpção a partir das dez canções que compõem o disco. Por falar nas faixas, nove são composições autorais (seis assinadas por Alex Huszar, duas por João Sampaio e uma por Luca Frazão) – sendo uma delas um poema de Carlos Drummond de Andrade musicado por Alex Huszar. E a outra é uma música de Talismã, nome de referência do samba paulistano.  Trazem, todas elas, a força da juventude dos quatro músicos. Nas letras, na sonoridade, na expressão vocal. Aliás, curioso observar que, igualmente aos jovens músicos paulistas, Drummond estava na casa dos 20 anos quando escreveu “Quero me casar” (publicado em 1930 no livro "Alguma Poesia"). Em referência explícita às suas influências, no disco Os Amanticidas têm como convidados especiais Arrigo Barnabé (em "Traste") e Tom Zé (em "Pisadeira"). Outros músicos em participações especiais foram a flautista Clara Kok e o tecladista Rafael Montorfano. Este primeiro disco chega "às boas lojas do ramo" e às principais plataformas digitais, amanhã, dia 12 de agosto. No mesmo dia, às 22h30, o grupo faz no Espaço Cultural Serralheria um show para lançamento oficial do álbum (na agenda de lançamento do CD já estão cinco outros shows, a serem realizados em São Paulo, em São Luiz do Paraitinga e no Rio de Janeiro). Portanto é preciso estar atento, pois alguma coisa acontece na cena cultural paulista para além do cruzamento da Ipiranga com a avenida São João.


Mais informações:
Facebook - https://www.facebook.com/amanticidas/
Deezer - http://www.deezer.com/album/13593697?utm_source=deezer&utm_content=album-13593697&utm_term=539617953_1470848929&utm_medium=web
Instagram - https://www.instagram.com/osamanticidas/
Youtube - https://www.youtube.com/channel/UCAV-ioIWGwAqHOZwWyCNfxg


Atendimento à imprensa
Matias José Ribeiro - Gabinete de Comunicação
(11) 3082-5444 & 98102-9870



Serviço:
Espetáculo de lançamento do CD "Os Amanticidas"
12 de Agosto, sexta-feira, 22h30

Local - Serralheria (Rua Guaicurus 857, tel. 2592-3923)

Ingressos: R$ 20,00 – à venda no local ou em escapeserralheria.org
Nº de lugares: 200
Duração: 80 minutos
Outras informações: acesso para deficientes, área para fumantes
Classificação etária: 18 anos

R E P E R T Ó R I O
Freguesia (João Sampaio)
Quero me casar (Alex Huszar sobre poema de Carlos Drummond de Andrade)
Maltratou (Alex Huszar)
Esperava você (Alex Huszar)
Duas aflições (Alex Huszar)
Traste (Talismã)
Coração avenida (Alex Huszar)
Pisadeira (Luca Frazão)
Dentro de mim (Alex Huszar)
Na beira do sono (João Sampaio)

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