terça-feira, 11 de outubro de 2016

EM 'CANTO DE MÃE', MILENA TIBÚRCIO REITERA SUA VOCAÇÃO ARTÍSTICA APÓS MAIS DE UMA DÉCADA

Substantivos como mãe e professora não foram suficientes para afastar a artista brasiliense da música; e agora, após um longo hiato, a cantora, compositora e instrumentista lança seu segundo disco.

Por Bruno Negromonte 


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Uma década é suficiente para abandonar sonhos aparentemente longínquos? Depende... Isso é bastante relativo, pois é um fator que está intrinsecamente ligado ao protagonista do sonho e sua obstinação. Um fator bastante importante e que sempre deve ser levado em consideração é a certeza de que adversidades poderão (ou quase sempre hão) de surgir ao longo do caminho que traçamos para alcançarmos nossos pretensos objetivos. E ao longo de cada obstáculo, o modo como o encaramos é que irá medir o nosso grau de obstinação. Para uns estes estorvos podem vir a servir como combustível para nos alavancar em direção aos nossos objetivos, para outros, o menor estorvo surgido, é sinal de rendição, que as coisas não devem seguir adiante e devem fenecer ali aos pés da esperança. É como foi dito: tudo depende unicamente de nós, pois dentro de cada é possível que haja ao menos um sonho amordaçado, um grito contido, uma fagulha de esperança de que podemos ser mais do que somos. Enquanto mantivermos viva esta certeza o tempo passará sem dúvida alguma a ser secundário, pois aquilo a fé naquilo que almejamos é perene. É como certa vez escreveu o escrito e e estadista alemão Johann Goethe: "Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma, todo o universo conspira a seu favor". Enquanto muita gente passa a vida inteira sem se encontrar, outras se acham rapidamente, mas por circunstâncias diversas acabam, em dado momento, abdicando temporariamente dos seus sonhos, sonhos estes que por motivo de força maior mudaram de posição dentre as prioridades existentes, e assim  passaram a permear não o campo dos desejos não alcançados, mas um espaço destinado às realizações do amanhã .



Toda a teoria anterior serve para falar desta artista que teve o seu primeiro CD, intitulado "Milena Tibúrcio", lançado em 2005. Composto por doze faixas de sua autoria (algumas em parceria), Milena naquele momento buscava firmar-se como uma das ascendentes cantoras de sua geração dentro da MPB a partir de toda uma diversidade rítmica muito evidenciada a partir de gêneros como o samba, valsas, chorinho, afoxé, baião, ciranda e até mesmo bolero. Vale o registro que o projeto contou com a participação de nomes como Lula GalvãoHamilton de HolandaAndré VasconcelosClaúdio Jorge, entre outros. Finalmente a tão sonhada carreira musical parecia estar começando a evoluir. Os shows de lançamento ocorreram no Clube do Choro de Brasília e no Rio de Janeiro; na Pauta Funarte da Música Brasileira, com participações de Hamilton de Holanda e Sueli Costa; Centro Cultural da Justiça Federal; IBEU; Lona Cultural Gilberto Gil em Realengo. Rendeu também a gravação do programa "Talentos", na TV Câmara (2007), e a participação como convidada especial do “Câmara das Artes”, com o compositor Guinga. No entanto, no meio deste percurso, interesses pessoais falaram mais alto. Protelando o seu desejo de seguir a carreira artística para não apenas dar vazão ao seu desejo de tornar-se mãe, a cantora, instrumentista e compositora Milena Tibúrcio viu que não era necessário abnegar seus anseios em nome da maternidade, mas que era possível, com o tempo, adequar-se as duas realidades como hoje é possível atestar. Segundo relato da própria artista, a sua condição de mãe acabou por favorecê-la artisticamente, inspirando-a e mostrando-lhe caminhos nunca dantes possíveis graças ao aguçado instinto materno como diz: "A maternidade me fez imaginar um mundo que eu queria deixar para as minhas filhas."

Voltando um pouco no tempo a história de Milena Tibúrcio com a música teve início ainda na infância, quando estudava piano e resolveu aventurar-se pela primeira vez no universo da composição. Porém, foi na adolescência que descobriu o violão, aquele que viria a se tornar o seu parceiro inseparável de ofício. Acompanhada por tal instrumento deu vez a inspiração e foi capaz de criar as mais distintas melodias como agora também é possível atestar neste seu segundo projeto fonográfico intitulado "Canto de mãe", disco que marca a volta da compositora, cantora e educadora musical brasiliense ao universo fonográfico após um tempo delicioso de dedicação. "Canto de Mãe" mostra exatamente a que veio: exibir toda a força e importância que o cantar de mãe significa; toda herança do canto que fica. É a retomada de Milena Tibúrcio ao cenário musical embalada por esse intervalo intenso de afeto. Para endossar esse seu retorno, o disco conta com uma ficha técnica onde constam os nomes de Luis Barcelos (arranjos e bandolim de 10 cordas); Rafael dos AnjosLucas Tibúrcio e Rogério Caetano (violões); André Vasconcellos e Guto Wirtti (baixo acústico); Rui Alvim (clarinete e clarone); Marcelinho Moreira (percussão); Bebe Kramer (acordeon); Eduardo Neves (arranjo de sopro e flauta); Amoy Ribas (moringa); Aquiles Moraes (trompete e flugel) e Caio Márcio (guitarra).

Com um repertório que reitera a abrangência de sua música Milena Tibúrcio assina todas as faixas ao lado de parceiros como Vidal AssisThiago Amud Edu KneipCaio Tiburcio (seu pai), João Marinho, Clodo FerreiraIara FerreiraJayme Lima, além de um poema de Altino Caixeta de CastroO disco tem início com o samba homônimo ao seu título, uma faixa que reitera o seu prazer em cantar agora endossado pela condição de mãe. Imbuída de uma densidade melódica "Juiz e pescador" faz jus à proposta da artista em apresentar um repertório caracterizado por canções pautadas em uma maior densidade e substância harmônica. Esta mesma característica evidencia-se de modo mais evidente em canções "Na eternidade", "À margem" e "Parar pra não pensar". O disco ainda conta com "Rancho da Ilusão", "Remição da flor", "Talvez" e "Se voltar". Valendo o destaque para "Canção de barro", dedicada ao saudoso poeta Manoel de Barros. É um disco que reitera a força da delicadeza como é possível atestar já na aquarela que ilustra a capa assinada por Renato Amorim. Se com o nascimento dos filhos o eixo da vida chega a mudar, no caso de Milena tal inclinação pendeu-a para o lirismo, onde o amor ramificou-se em melodias surpreendentes, de uma belezas harmônicas incomumente densa e bela, mostrando-nos possíveis novos viés dentro da música popular brasileira, um caminho adornado por canções preciosas e precisas para que possamos continuar a acreditar na redenção do nosso cancioneiro. Diante deste talento há quem se deixe intuitivamente se auto-questionar: Por que um intervalo tão grande entre o primeiro disco e este? Sem dúvida alguma, a resposta mais sensata seria: para poder fazer valer aquilo que certa vez escreveu Machado de Assis: "Amor de mãe é a mais elevada forma de altruísmo."


Maiores Informações:








Contato - producao@milenatiburcio.com.br (+55 21 988811546)

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