segunda-feira, 4 de maio de 2015

ARTISTAS TROCAM OS PALCOS PELAS RUAS, PRAÇAS E ÔNIBUS

Bárbara Fagundes e Carlos Batata contam suas trajetórias como artistas de rua.

Por Alana Lima e Luiza Falcão




Há uma semana, o artista de rua Jessé de Paula morreu em provável acidente no metrô do Recife. As imagens mostram que o homem de 30 anos estava de costas para o trem que chegava na estação Largo da Paz quando o retrovisor do meio de transporte bateu nele, ocasionando a morte. Ele teria ultrapassado a faixa de segurança da estação e estava falando ao celular. As investigações ainda não foram concluídas. 


O trágico acidente deixou muitos moradores do Grande Recife perplexos, sobretudo os que se locomovem através de transporte público. A surpresa se deu não apenas por expor a falta de segurança a que os usuários são submetidos diariamente, mas, e principalmente, por fazer com que passageiros de ônibus lotados perdessem um companheiro de viagem. Jessé trabalhava no transporte público, tocava violino, embalava viagens, acalantava engarrafamentos. Como estratégia, Bárbara Fagundes e Carlos Batata só sobem em ônibus que param para eles. 



A tragédia causou comoção nas redes sociais e mostra como a música, a arte e a sensibilidade causam empatia, conquistam pessoas, tornam a existência menos dolorosa - neste caso traduzida em tornar as viagens de ônibus mais agradáveis. Os depoimentos de passageiros de coletivos, o público de Jessé de Paula, mostram que em tempos de fone de ouvido para escutar música no celular ainda há espaço para uma apreciação de arte coletiva onde erudito e popular se misturam cativando o povo com violino. Povo que aplaude, dá dinheiro, se emociona e, sim, gosta de violino. Jessé, que ganhava o seu sustento nos coletivos, morreu atropelado pelo metrô. Se não fosse real, ninguém ia acreditar. 


Se Jessé não pode mais fazer músicas nos ônibus, a bandeira da arte de rua continua sendo levada por uma gama de artistas. Bárbara Fagundes e Carlos Batata são dois deles. Há cerca de um ano, cantam e tocam em coletivos. Contam com a ajuda de motoristas, cobradores e o público em uma experiência artística diferente: "Geralmente, é o público que sai de casa para ver os artistas, no caso da arte de rua, é o artista que vai encontrar o público", explica Bárbara. 

A apresentação nos ônibus é a forma de sustento de Bárbara. Ela trabalha cerca de 8 horas por dia, de terça a sábado.

No bate-papo de meia hora, os músicos conversaram com as jornalistas Alana Lima e Luiza Falcão e falaram do frio na barriga da primeira vez ao se apresentar em ônibus, das dificuldades, das alegrias, e, com música, lembraram Jessé.

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