quinta-feira, 6 de setembro de 2012

CINEMA E MÚSICA NA NOITE DE ABERTURA DA NONA EDIÇÃO DA MIMO

Sedentos por música de qualidade, o público presente rende-se ao encanto do carismático  músico camaronês Richard Bona, cujo show contou  com a participação do percussionista brasileiro Marco Suzano e do violonista francês Sylvain Luc.

Por Bruno Negromonte



A Mostra Internacional de Música em Olinda (MIMO) chega à sua nona edição sacramentando-se cada vez mais como um evento que, se depender do público que a frequenta, não deixará de existir. A movimentação na cidade teve início já no final da tarde, onde muitos dos que ali estavam presentes tinham por propósito conseguir uma senha para o concorrido concerto de abertura. Aos poucos a concentração que antes se dava na Biblioteca Pública da cidade por conta da distribuição das senhas foi ganhando um dos pontos turísticos mais conhecidos da cidade: o Alto da Sé.

De modo paralelo aos concertos acontece também o Festival MIMO de Cinema, cuja abertura precedeu o primeiro espetáculo do Festival no Nordeste com a exibição do longa "Futuro do pretérito: Tropicalismo now!" dos cineastas Ninho Moraes e Francisco César Filho. O público que ansiosamente aguardava a abertura da Igreja da Sé pode acompanhar a película que procura retratar um dos movimentos culturais mais importantes da história brasileira a partir de um prisma contemporâneo, um olhar do século 21 enquanto as portas da Catedral da Sé não abriam-se.

Fila para conferir as atrações do primeiro dia do festival deu volta na igreja (Foto: Gabriela Alcântara/G1)Enquanto o longa era exibido as pessoas chegavam em números cada vez maior para o espetáculo de estreia do festival, pois notória era o tamanho da fila que se formava entre aqueles que possuíam a senha de acesso para assistir ao espetáculo nas dependências do templo religioso. A espera de cerca de 1 hora até a abertura do espaço não desanimou o público presente, cujo anseio para assistir ao trio era perceptível e audível nas diversas rodas de conversas existentes. 

A expectativa era grande para a apresentação do artista camaronês (tanto por parte do público quanto por parte do próprio Bona, que em entrevista coletiva havia dito que iria preparar um espetáculo especial para a MIMO). De fato o artista ao fazer essa declaração não quis em hipótese alguma fazer média com o público pernambucano como demostrou ao apresentar o espetáculo que trouxe para o evento.

O cativante artista trouxe um set-list inicial composto por oito canções, dentre elas uma de autoria do carioca Guinga, conceituado violonista brasileiro. O início do espetáculo se deu com composições da lavra do próprio Bona com o violonista Luc, cuja a percussão do brasileiro Suzano trouxe à sonoridade da dupla a complementação habilidosamente perfeitas, em execuções imbuídas de técnica e sensibilidade, contagiando e emocionando o público presente na primeira noite do evento.


Hipnotizado, o público presente tanto dentro do templo quanto fora, acompanhou o espetáculo emocionando-se em diversas passagens, merecendo destaque o momento em que entoou sozinho, em duala (dialeto nativao de Camarões). De olhos fechados, trouxe suas raízes a partir de sua suave voz. Carismático, Bona chegou a brincar com o público neste número olhando para  um relógio imaginário em seu pulso par ver quanto tempo seria capaz de segurar uma das notas emitidas e gravando (com o auxílio  de um pedal looper) sua voz  e alguns instrumentos e ruídos produzidos por ele a partir da emissão de sons e de suas mãos, sem dúvida alguma este momento foi um dos pontos altos de sua concorrida apresentação.

Com o público já nas mãos, manteve contato com o público presente em inglês, arriscando esporaticamente algumas palavras em português: "O Brasil é maravilhoso e a sua música também. Para ter coragem de cantar em português, tive que experimentar a cachaça de vocês", disse o bem humorado músico arrancando risadas do público presente. Ainda em inglês, disse: "Quando faço um show, procuro cantar algo popular e local. Foi assim na Mimo de Ouro Preto, onde toquei Milton Nascimento. Não poderia deixar de fazer isso no Nordeste, que tem uma música maravilhosa. Vocês querem adivinhar quem eu resolvi homenagear?"

A homenagem ao Brasil e sua música fugiu do set-list inicial e abarcou artistas como Tom Jobim e Vinícius de Moraes (A Felicidade),  Milton Nascimento e Ronaldo Bastos (Cravo e canela), Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga (Asa Branca e Assum Preto). Em "Assum Preto" o artista arriscou cantar em português acompanhado por um coro de uma extasiada plateia presente. A noite serviu como uma mostra do quanto será interessante o festival e os concertos que aguardam o público presente até o próximo domingo, data do encerramento do evento. 


Serviço:
MIMO (Mostra Internacional de Música em Olinda)
de 05 a 09 de setembro de 2012
Maiores informações: http://www.mimo.art.br/

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