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Um bate-papo com alguns dos maiores nomes da MPB e outros artistas em ascensão.

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Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

BENITO DI PAULA, 70 ANOS


Nascido em 28 de novembro de 1941, em Nova Friburgo (RJ), Uday Veloso ganhou fama nacional com o pseudônimo de Benito Di Paula. Seu envolvimento com música se deu desde a infância, quando junto aos irmãos Ney e Jota Veloso (que hoje são multiinstrumentistas) já convivia com a música dentro de casa, pois o pai, aposentado da concessionária da Estação Leopoldina, tocava vários instrumentos (piano, bandolim, violão).

Essa naturalidade com a qual lhe dava com a música fez com que sua relação com o piano tivesse bastante êxito ainda cedo. Talvez por isso, logo após servir ao Exército no Rio de Janeiro e ter morado no Morro da Formiga, na Tijuca, Zona Norte do Rio enveredou para a música.

Na década de 1960 trabalhou como crooner em boates do Rio de Janeiro, principalmente na boate Balalaika, em Copacabana. Em seguida, passou a cantar e a tocar piano em casas noturnas de Santos e na cidade de São Paulo, em casa como Catedral do Samba, no bairro do Bixiga. Em 1968 teve a oportunidade de ter o seu primeiro registro fonogáfico a partir de um compacto simples, e daí em diante sua carreira discográfica só viria a se sedimentar a partir da década seguinte.



Seu estilo musical conhecido como "samba jóia", ao combinar o samba tradicional com piano e arranjos românticos e jazzísticos popularizou-se a partir dos anos 70 a partir de alguns acontecimentos cronologicamente expostos aqui. Em 1971 a gravadora Copacabana o convidou para gravar um LP como crooner, no qual foram incluídas "Jesus Cristo" (Roberto e Erasmos Carlos), "Azul da cor do mar" (Tim Maia) e "Apesar de você", de Chico Buarque, que também fora censurada de tocar no rádio. Neste mesmo disco também interpretou quatro composições de sua autoria, entre elas "Violão não se empresta a ninguém", que foi a música que acabou puxando a vendagem do LP. Seu segundo LP, "Ela" também não trouxe grande êxito. Mas Benito estourou as paradas com o terceiro, "Um Novo Samba", onde já aparecia na capa com sua longa barba e cabelos, inúmeras correntes, brincos, pulseiras, etc. O grande sucesso desse disco foi a música "Retalhos de Cetim" principalmente em casas noturnas de São Paulo, em especial o Teleco-Teco, casa frequentada por sambistas como Ciro Monteiro e Monsueto. Em virtude do sucesso desta música foi convidado a gravar um compacto pela Copacabana, porém com a música "Ela". "Retalhos de cetim" só foi gravada em um segundo compacto pela mesma gravadora. Esta mesma composição lhe abriu as portas para o sucesso no Brasil e no exterior, tendo sido gravada por Jair Rodrigues, pela orquestra de Paul Mauriat e pelo guitarrista americano Charlie Byrd, figurando também entre as composições selecionadas pelo historiador Jairo Severiano como um dos maiores sucessos do ano de 1973. O compacto simples vendeu mais de 150 mil cópias.



Em 1974, 1975 e 1976, respectivamente, mais três composições de sua autoria fizeram sucesso: "Se não for amor", "Beleza que é você mulher" e "Vai ficar na saudade".

Em 1975, comandou o programa "Brasil Som 7", da TV Tupi, de São Paulo, que resultou em um disco lançado no mesmo ano, no qual apresentou alguns de seus convidados, entre eles Elizete Cardoso, Wando e Bebeto. Neste mesmo ano, ao lado de Elizete Cardoso, Paulinho da Viola, Gilberto Gil, Jorge Ben, Beth Carvalho, Sônia Santos, Quinteto Violado e Cláudia, integrou a delegação brasileira que participou do Festival do MIDEM (Mercado Internacional de Discos e Editoras Musicais), na cidade de Cannes, na França. Ainda em 1975, lançou a música "Charlie Brown", que obteve grande sucesso, a ponto de Chico Buarque referir-se a Charlie Brown como se fosse personagem real.



Em janeiro de 1976 foi subistituído por Elizete Cardoso na apresentação do programa Brasil Som 7, na TV Tupi de São Paulo.

No ano de 1977, lançou pela Copacabana o LP "Benito Di Paula", que contou com a participação especial do regional do Canhoto.

Em 1981, gravou o LP "Benito Di Paula", pela EMI Odeon BR. Retornou à gravadora Copacabana em 1987 gravando mais um LP que levava seu nome como título.


Hoje com inúmeros sucessos ao longo de sua carreira como "Charlie Brown", "Vai Ficar Na Saudade", "Se Não For Amor", "Amigo do Sol, Amigo da Lua", "Mulher Brasileira", tendo chegado nos anos 70, a disputar a venda de LPs juntamente com Roberto Carlos (compondo muitas músicas para este, inclusive) e tendo fãs como Ravi Shankar (tocador de cítara), a cantora Sarah Vaughan, o violonista Charlie Bird e o pianista e cantor Stevie Wonder vem após 13 anos sem gravar, na estrada divulgando o seu segundo álbum ao vivo. "Benito di Paula - Ao Vivo", gravado no Vivo Rio, no Rio de Janeiro, conta com Jorge Cardoso (direção musical), Ney Veloso (violão), o sobrinho Kauan Veloso (cavaquinho), Téo Lima (bateria), Edu (baixo), Luiz Felipe (violão de sete cordas), Ivanildo, Pirulito e Esguleba (percussão),Jussara, Jurema, Jefferson e Nélio (backing vocal) e o filho Rodrigo Veloso ao piano trazendo seus maiores sucessos e também como primeiro registro de Benito em DVD (e Blu-ray).



Benito Di Paula - Discografia Oficial (com exceção de alguns compactos)

Benito Di Paula - Compacto Simples (1968)
Faixas:
01 - Andança
02 - Canção Para o Nosso Amor


Beleza Que é Você Mulher (Copacabana) (1972)
Faixas:
01 - Beleza que é você mulher
02 - Tributo a um rei esquecido
03 - Além de tudo
04 - Meu enredo


Ela - (Copacabana) (1972)

Faixas:
01 - Violão não se empresta a ninguém
02 - Antonico
03 - Fale Baixinho
04 - Quem vem lá
05 - O bom é o Juca
06 - Frevo gingado
07 - Paraíba
08 - Formiga desunida
09 - É pranto
10 - Ela
11 - Maria do Céu
12 - Fui eu


Benito Di Paula (Copacabana) (1973)
Faixas:
01 - Apesar de você
02 - Jesus Cristo
03 - Você vai ser alguém
04 - Viagem
05 - Na tonga da mironga do kabuletê
06 - Longe de você
07 - Salve salve
08 - Madalena
09 - Eu gosto dela
10 - Azul da cor do mar
11 - Menina
12 - Preciso encontrar você


Um Novo Samba (Copacabana) (1973)
Faixas:
01 - Se não for amor
02 - Samba do profeta
03 - Fui sambando, fui chegando
04 - Quando tudo mudar
05 - Certeza de você voltar
06 - Que beleza
07 - Sandália de couro
08 - Depois do amor
09 - Agradecimento
10 - Ela veio do lado de lá
11 - Retalhos de cetim
12 - Violão não se empresta a ninguém


Gravado Ao Vivo (Copacabana) (1974)
Faixas:
01- Além de Tudo
02- Charlie Brown
03- Beleza que é você Mulher
04- Pare Olhe e Viva
05- Vou Cantar Vou Sambar
06- Na Cada de Sinhá
07- Tributo a um Rei Esquecido
08- Prelúdio n°4
09- Novo Rio
10- Meu Enredo


Benito Di Paula e Seus Convidados - Brasil Som 75 (Copacabana) (1975)
Faixas:
01 - Mulher Brasileira (com Benito Di Paula)
02 - Quem Vem Lá – Ela Veio Do Lado de Lá – Fui Sambando, Fui Chegando - Retalhos de Cetim – Violão Não Se Empresta a Ninguém (com Benito Di Paula)
03 - Casa da Zezé (com Elizeth Cardoso)
04 - Nega de Obaluae (com Wando)
05 - Segura a Nega (com Bebeto)
06 - Mon Ami João (com Nonato Buzar)
07 - Capa de Viola (com Elizeth Cardoso)
08 - Pra Você Não Ir Embora (com Benito Di Paula)
09 - Samba Criola (com Grupo Xodó)
10 - Vou Deixar Você Cair (com Luiza Maura)
11 - Não Presta Mas Eu Gosto Dela (com Edu Maia)
12 - Sem Resposta (com Elizeth Cardoso)
13 - Paraíba (com Benito Di Paula)
14 - Formiga Desunida


Benito Di Paula - Não precisa perdoar (Copacabana) (1975)
Faixas:
01 - Não precisa perdoar
02 - Coisas da vida
03 - Não me importo nada
04 - Sanfona branca
05 - Sem tempo pra sonhar
06 - Bandeira do samba
07 - Modificação
08 - Vai ficar na saudade
09 - Como dizia o mestre
10 - Sempre assim


Benito Di Paula (Copacabana) (1976)
Faixas:
01 - Maria Baiana Maria
02 - Tudo está no seu lugar
03 - Do jeito que a vida quer
04 - Tudo está mudando
05 - Meu maior afeto
06 - Meu Brasil, meu doce amado
07 - Além do arco-íris
08 - Vou pro mar
09 - Homem da montanha
10 - Quando o samba sair


Benito Di Paula (Assobiar ou Chupar Cana) (Copacabana) (1977)
Faixas:
01 - Assobiar ou chupar cana
02 - Osso duro de roer
03 - Canção de viver com você
04 - Bahia
05 - Jesus Papai Noel
06 - Proteção às borboletas
07 - De tombar caminhão
08 - Razão pra viver
09 - Otelo
10 - Eu vou pedir


Jesus Papai Noel - Instrumental (Copacabana) (1977)
Faixas:
Jesus papai Noel


Benito Di Paula (Copacabana) (1978)
Faixas:
01 - Viva ao sol
02 - Trinta anos de saudade
03 - Trapézio
04 - Velho, profissão esperança
05 - Meu lamento
06 - Pra ver se ela me quer
07 - Lua, lua
08 - Chegou Maria
09 - Esperança do céu
10 - Tudo sobre a mesa
11 - Ave de rapina


Caprichos de La Vida (Copacabana) (1978)
Faixas:
01 - Todo esta cambiado
02 - Maria baiana Maria
03 - o precisas perdonar
04 - Hombre de montaña
05 - Caprichos de la vida
06 - Detras del arco iris
07 - Bandera del samba
08 - Cancion para vivir contigo
09 - Voy al mar


Benito Di Paula (Copacabana) (1979)
Faixas:
01 - Desencontro
02 - Pau de arara
03 - Banda do povo
04 - Nesse barco eu vou
05 - Se eu pudesse
06 - Olha nós aí
07 - Som do cavaquinho
09 - Madrugada
10 - Vamos cantar
11 - Marcas de amor


Benito Di Paula (Copacabana) (1980)
Faixas:
01 - Pagode da pesada
02 - Nossa homenagem
03 - Havia festa
04 - De quem é essa morena
05 - Nunca é o fim
06 - Vou pra São Salvador
07 - Perdoa
08 - Filho de Deus e pé na estrada
09 - Carinha de triste
10 - Abri a porta
11 - Flor, amor e saudade
12 - Quero ver você de perto


Benito Di Paula (WEA) (1981)
Faixas:
01 - Ah, como eu amei
02 - A mulher amada
03 - Antigo amor
04 - Vou embora e basta
05 - Olá você, como vai
06 - Um dia vai chegar
07 - Bendito seja
08 - Preciso te encontrar
09 - Xote do cheiro
10 - Não pode, dá bode


Benito Di Paula (WEA) (1982)
Faixas:
01 - Sonho em preto e branco
02 - Este nosso amor
03 - Rasgue seu verso
04 - Anerom
05 - Radamés
06 - Não quero ver você triste
07 - Sonho bom
08 - Doce Bahia
09 - Diga meu bem
10 - Morena
11 - Chorei


Bom Mesmo é o Brasil (WEA) (1983)
Faixas:
01 - Bom mesmo é o Brasil
02 - Já te digo
03 - Vovó Clementina
04 - Festa no silêncio
05 - Eu guardarei o seu sorriso
06 - Mera fantasia
07 - Senhorita Liberdade
08 - Branca
09 - No ar
10 - Velho realejo
11 - O xerife e o bandido
12 - A turma lá de casa


Que Brote Enfim o Rouxinol Que Existe Em Mim (RGE) (1984)
Faixas:
01 - Que Brote Enfim o Rouxinol Que Existe Em Mim
02 - Fonte Nova
03 - Quem Sabe?
04 - Onde Tem Camaleão, Lagartixa Também Muda de Cor
05 - Sigo Te Amando
06 - Amigo do Sol, Amigo da Lua
07 - Nova Mulher
08 - Desemprego
09 - Colibri
10 - Melô da Calibragem
11 - O Xerife e o Bandido
12 - A Turma Lá de Casa


Nação (RGE) (1985)
Faixas:
01 - Nação
02 - Cometa Halley
03 - Noite Clara de Luar
04 - Samba de Um Não Dá
05 - Razão e Desejo
06 - Nova República
07 - Cara Pintada
08 - Encontro
09 - Caminhante
10 - Mulher Primeira


Benito Di Paula / Instrumental (1986)
Faixas:
01 - Avenida paulista
02 - Retalhos de cetim
03 - Sonho em preto e branco
04 - Mulher brasileira
05 - Madrugada
06 - Amigo do sol, amigo da lua
07 - Como seria os homens
08 - Ela
09 - Tudo está mudado
10 - Depois do amor


Quando A Festa Acabar (Copacabana) (1987)
Faixas:
01 - Quando a festa acabar
02 - Vale o que está escrito
03 - Índio caboclo cigano (Nativo)
04 - á vai amanhecer
05 - Vai escutar Cauby cantar
06 - Pare, olhe e viva
07 - Eu sou mulher
08 - Carente de amor
08 - Adelodê Yalonã
10 - Quero ter o seu amor pra mim
11 - Super bem
12 - Menor abandonado


Fazendo Paixão (BMG Ariola) (1990)
Faixas:
01 - A vida é bonita sem você
02 - Fazendo paixão
03 - Cigarra marrom
04 - Pedaços de carinho
05 - Corpo doce de mulher
06 - Soberano
07 - Me dê amor
08 - Algo mais
09 - O que é, o que é
10 - Esquece
11 - Dom Salvador
12 - Espuma de cachoeira
13 - Dama


A Vida Me Faz Viver (Copacabana) (1992)
Faixas:
01 - A vida me faz viver
02 - Dança cigana
03 - Você gosta só de mim
04 - Eu não tenho onde morar
Não tenho lágrimas
Maracangalha
05 - Giuseppe e a crise
06 - Me deixa em paz
07 - Meto o pé na porta
08 - Traço de união
09 - Foi engano
10 - Eu não aguento mais
11 - Pout - Pourri: Leva meu samba
Atire a primeira pedra
Na cadência do samba
Ai! Que saudades da Amélia
Laranja madura
12 - A flor e o espinho


Pode Acreditar (RGE) (1994)
Faixas:
01 - Choro de homem
02 - Amor de marejador
03 - O amor é um jogo
04 - Senna, nosso campeão
05 - Meu caminho
06 - Não vale a pena
07 - Pode acreditar
08 - Meu amor, não chora
09 - Não dá tempo
10 - Paciência
11 - Fantasia de rei
12 - À sombra das canções imortais
13 - Por amor
14 - Viva meu padim


Baileiro (Paradoxx Music) (1996)
Faixas:
01 - Dignidade de um otário
02 - Bicho do mato
03 - Sentimento de amor
04 - Vai saudade
05 - Quando a saudade bate à porta
06 - Eu quero muito mais
07 - E fui eu que dancei
08 - Sonho e fantasia
09 - Fica mais um pouco aqui
10 - Baileiro
11 - Cheiro de carmim
12 - Fantasia
13 - Chuá chuver
14 - Bolero Opus II


Ao Vivo (EMI Music) (2009)
Faixas:
01 - Bandeira do Samba
02 - Do Jeito que a Vida Quer Como Dizia o Mestre
03 - Maria Baiana Maria
04 - Quero Ser seu Amigo
05 - Assobiar ou Chupar Cana
06 - Se Não For Amor
07 - Osso Duro de Roer
08 - Beleza que É Você Mulher
09 - Pagode da Cigana
10 - Sanfona Branca
11 - Ah! Como Eu Amei
12 - Violão Não Se Empresta a Ninguém
13 - Ficar, Ficamos
14 - Mulher Brasileira
15 - Me Dê Motivos
16 - Unidos de Tom Jobim Citação Chega de Saudade
17 - Tudo Está no seu Lugar
18 - Charlie Brown
19 - Retalhos de Cetim


Fonte:
Wikipédia
Instituto Cravo Albin

60 ANOS DE LANNY GORDIN

Ao longo do mês de novembro, um dos nomes mais representativos da guitarra em nosso país torna-se sexagenário, porém ainda com todo o vigor.


Nascido em Xangai, filho de pai russo (e também músico) e mãe polonesa, viveu em Israel até os seis anos de idade, viveu em Israel até o seis anos, quando no final dos anos sessenta, sua família mudou-se para o Brasil, radicando-se em São Paulo, onde, aos 13 anos de idade, começou a estudar violão. Seu pai era proprietário da casa noturna paulistana Stardust, onde costumavam se apresentar Hermeto Paschoal, Heraldo do Monte e Jair Rodrigues, entre outros artistas. Foi lá também que Lanny se apresentou pela primeira vez ao lado de Wanderléia e atuou como instrumentista durante quinze anos.

No final dos anos 1960, fez parte, juntamente com o pianista Cido Bianchi, o violonista Olmir Stocker, o contrabaixista Nilson da Matta e o multi-instrumentista Hermeto Pascoal, do grupo Brazilian Octopus, com o qual lançou LP homônimo, em 1969.

Considerado um dos maiores guitarristas do país, durante os anos 1970 esteve ligado ao tropicalismo, sendo escolhido pelo maestro Rogério Duprat para gravar a maioria de seus arranjos.



Ao longo de sua carreira, participou de discos de vários artistas, como Gal Costa, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Ana Maria & Maurício, Erasmo Carlos, Tim Maia, Trio Mocotó, Eduardo Araújo, Jards Macalé, Rita Lee, Chico César e Vange Milliet, entre outros.

Entre suas atuações de maior destaque estão as participações em discos históricos como "Caetano Veloso" (Philips, 1969), "Fa-tal" (Gal Costa, Phonogram/1971), "Expresso 2222" (Gilberto Gil, Phonogram/1972) e "Jards Macalé" (Phonogram/1972).

Em 1982, gravou ao lado de Arnaldo Antunes na Banda Performática, liderada então pelo artista plástico José Roberto Aguilar. O repertório do disco, “Aguilar e Banda Performática”, incluiu duas músicas de sua autoria: “Carioca canibal” (c/ Paulo Miklos, Go, Dekinha e Aguilar) e “Tribo” (c/ Dekinha, Aguilar e Tuba).

Em 2001, lançou o CD “Lanny Gordin”, pelo selo Baratos Afins.

Lançou, em 2004, os CDs “Projeto Alfa, volume I” e “Projeto Alfa, volume II”, pelo selo Baratos Afins.



Tocando guitarra, baixo e violão, gravou, em 2006, o CD "Duos", contendo as seguintes faixas: "Lá vem o homem que matou o homem que matou o homem mau" (Jorge Benjor), com a participação de Max de Castro; "Dindi" (Tom Jobim e Aloysio de Oliveira), com a participação de Gal Costa; "Dê um rolê" (Moraes e Galvão), com a participação de Zeca Baleiro; "Evaporar" (Rodrigo Amarante), com a participação do autor; "Enquanto seu lobo não vem" (Caetano Veloso), com a participação do autor; "Mucuripe" (Belchior e Fagner), com a participação de Fernanda Takai; "Farol da Jamaica" (Péricles Cavalcanti), com a participação do autor; "Abre o olho" (Gilberto Gil), com a participação do autor; "Me dê motivo" (Sullivan e Massadas), com a participação de Adriana Calcanhotto; "Onde eu nasci passa um rio (Caetano Veloso), com a participação de Junior Barreto; "O sol" (Edgard Scandurra e Arnaldo Antunes), com a participação de Arnaldo Antunes; "Era você" (Vanessa da Matta), com a participação da autora; "Let's play that" (Jards Macalé e Torquato Neto), com a participação de Jards Macalé; "Lanny, qual?" (Chico César), com a participação do autor; "Corcovado" (Tom Jobim); e "El blues", de sua parceria com Edgard Scandurra, com a participação do parceiro. O disco foi produzido por Péricles Cavalcanti.



Em 2007, lançou o CD “Lanny duos”, produzido por Péricles Cavalcanti e Glauber Amaral, a partir de reencontros do guitarrista com artistas que fizeram parte de sua trajetória, como Caetano Veloso (“Enquanto seu lobo não vem”), Gilberto Gil (“Abra o olho”), Jards Macalé (“Let’s play that”, parceria com Torquato Neto) e Gal Costa (“Dindi”, de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira), de encontros com artistas mais novos, como Max de Castro (“O homem que matou o homem que matou o homem mau”, de Jorge Ben), Zeca Baleiro (“Dê um rolê”, de Moraes Moreira e Galvão), Rodrigo Amarante (com a inédita “Evaporar”), Fernanda Takai (“Mucuripe”, de Fagner e Belchior), Péricles Cavalcanti (“Farol da Jamaica”), Edgard Scandurra (“El blues”, parceria inédita de ambos), Adriana Calcanhotto (“Me dê motivo”, de Michael Sullivan e Paulo Massadas), Junio Barreto (“Onde eu nasci passa um rio”, de Caetano Veloso), Arnaldo Antunes (“O sol”, de Arnaldo e Scandurra), Vanessa da Mata (“Era você”) e Chico César (a também inédita “Lanny, qual?”), além de sua interpretação solo de “Corcovado” (Tom Jobim).





Discografia Oficial

Brazilian Octopus (1969)
Faixas:
01 - Gamboa
02 - Rhodosando
03 - Canção Latina
04 - Pavane
05 - As Borboletas
06 - Momento B-8
07 - Summerhill
08 - Gosto de Ser Como Sou
09 - Chayê
10 - Canção de Fim de Tarde
11 - O Pássaro
12 - Casa Forte

Lanny Gordin (2001)
Faixas:
01 - Groselha (O Sapato)
02 - Bife Bossa
03 - O vento
04 - I Didn't Know That You Love Me
05 - O pássaro
06 - Baião da China
07 - Filé De Frago
08 - Amores Grape
09 - Folha De Papel
10 - Tomati
11 - Jaboticaba (As Folhas Que Um Dia Deixei De Comer De Minha Jaboticabeira)


Projeto Alfa - Volume I (2004)
Faixas:
01 - Groselha
02 - Algodão Doce
03 - O vento
04 - Amnésia
05 - Tomati
06 - Conversa Mole
07 - Murissoca
08 - água Corrente
09 - Navio Negreiro
10 - Caiu Bonito!
11 - Roberto Horácio
12 - Quero Mais

Projeto Alfa - Volume II (2004)
Faixas:
01 - Então Toma
02 - Portal
03 - Outra Porta
04 - Ziprexa Olanzapina
05 - Conversa Fiada
06 - Jaboticaba
07 - Bronha
08 - Trailer
09 - Cinema Nacional
10 - De manhã. Zezito
11 - Cuco
12 - O Pássaro


Lanny Duos (2007)
Faixas:
01 - O Homem que Matou o Homem... (Com Max de Castro)
02 - Dindi (Com Gal Costa)
03 - Dê um Rolê (Com Zeca Baleiro)
04 - Evaporar (Com Rodrigo Amarante)
05 - Enquanto Seu Lobo Não Vem (Com Caetano Veloso)
06 - Mucuripe (Com Fernanda Takai)
07 - Farol da Jamaica (Com Péricles Cavalcanti)
08 - El Blues (Com Edgard Scandurra)
09 - Abre o Olho (Com Gilberto Gil)
10 - Me Dê Motivo (Com Adriana Calcanhotto)
11 - Onde Eu Nasci Passa um Rio (Com Junio Barreto)
12 - O Sol (Com Arnaldo Antunes)
13 - Era Você (Com Vanessa da Mata)
14 - Let's Play That (Com Jards Macalé)
15 - Lanny, Qual? (Com Chico César)
16 - Corcovado (Solo)

Kaoll & Lanny Gordin: Auto-Hipnose (2010)
Faixas:
01 - Momento Ômega
02 - A Chegada dos Deuses
03 - Horizontes
04 - O Farol
05 - Groselha (O Sapato)
06 - Hipnosis
07 - Khan El Khalili
08 - Momento Ômega pt.II
09 - Flutuante
10 - Música Kármica

Algumas participações especiais:
Eduardo Araújo & Os Bons – Sim, Nem Não/Não Posso Dizer Adeus (compacto, 1968)
De Kalafe & A Turma – Mundo Quadrado/Guerra (compacto, 1968)
Suely & Os Kantikus – Esperanto/Que Bacana (compacto, 1968)
Silvinha Araujo – Odeon 1968
O Quarteto – O Quarteto Phillips 1968
Gilberto Gil – 1969 (lp/cd, 1969)
Cetano Veloso – Caetano Veloso (lp/cd, 1969)
Gal Costa – Gal Costa (lp/cd, 1969)
Gal Costa – Gal Costa (lp/cd, 1969)
Gal Costa – Legal (lp/cd, 1970)
Anamaria & Maurício – No No No … (lp, 1970)
Rita Lee – Build Up (lp/cd, 1970)
Rita Lee – Build Up (lp/cd, 1970)
Erasmo Carlos – Carlos Erasmo (lp, 1971)
Gal Costa – Fa-Tal, ao vivo (lp/cd, 1971)
Silvinha -1971
Tim Maia – Chocolate/Paz (compacto, 1971)
Tom Zé – Irene (1971)
Jards Macalé – Jards Macalé (lp/cd, 1972)
Gilberto Gil – Expresso 2222 (lp/cd, 1972)
Fábio Antiero – Compartimento Etéreo (lp, 1981)
Aguilar & Banda Performática – Aguilar & Banda Performática (lp, 1982)
Vange Milliet – Vange Milliet (cd, 1995)
Catalau – Catalau (cd, 1997)
Jards Macalé – O Q Eu Faço é Música (cd, 1998)
Itamar Assumpção – Preto Brás (cd, 1998)

Fonte: Dicionário da MPB e Discos do Brasil.

sábado, 12 de novembro de 2011

05 ANOS SEM MÁRIO ZAN

Há 05 anos atrás partia Mario Giovanni Zandomeneghi, mais conhecido como Mario Zan, músico que ficou famoso por suas canções típicas das festas juninas do centro-sul do Brasil.


Por Ari Donato

Mário Zan, civilmente Mário João Zandomenighi, nascido em Veneza (Itália) a 9 de outubro de 1920 e falecido em São Paulo a 8 de novembro de 2006, não era violeiro e nunca tocou uma viola da forma magistral como o fez com o acordeão. É provável, até, que jamais tenha tocado uma viola.

Mas, não há um violeiro, um sequer, que não execute uma canção desse ítalo-brasileiro que veio com a família para o Brasil aos 4 anos de idade, desembarcando em Santa Adélia, interior do Estado de São Paulo. E entre essas canções está o rasqueado “Chalana”, dele e do paulista Arlindo Pinto (1906-1968), autor de expressivas composições sertanejas nas décadas de 1940 e 1950. Foi composta por volta de 1944, originalmente para acordeão, e gravada pelo Duo Brasil Moreno em 1952, em um 78 RPM que tinha do Lado B outro rasqueado, “Abandonada”, de Palmeira e Mário Zan.

O Duo Brasil Moreno, formado pelas irmãs Dora (Dora de Paula, 1917) e Didi (Antonia Glória de Paula, 1914), ambas paulistas de Guariba e já falecidas, regravou “Chalana” em 1969, em LP.



Pertencentes a família de cantores, as duas começaram a cantar com outros irmãos em programas de calouro no final dos anos 1940. Inicialmente, como quarteto, depois trio. A dupla veio em 1952, permanecendo até metade da década de 1970.


O sanfoneiro Mário Zan

Em 1954, o próprio Mário Zan gravou a primeira versão instrumental de “Chalana” em um disco 78, pela RCA Victor, que tinha do Lado A “Falem de mim”, dele e Messias Garcia. Na sua concepção, a música instrumental (ou solada, como se referia às suas execuções, em que somente se toca o instrumento) permite que o ouvinte faça outras coisas enquanto escuta; a cantada exige atenção.

“Chalana” se transformou em um clássico e foi gravada também, dentre dezenas de outros intérpretes, por Zé do Rancho, no disco A Viola do Zé (1966); Duo Brasil Moreno – Chalana (1969); Tonico e Tinoco, no LP Laço de Amizade (1971); Almir Sater no CD Almir Sater no Pantanal (1990); Renato Teixeira e Pena Branca & Xavantinho, Ao vivo em Tatuí (1992), Helena Meirelles no seu primeiro disco (1994) e no CD ao vivo (2002); Pena Branca & Xavantinho, no CD Pingo D’Água (1996) e Sérgio Reis, em Grandes Sucessos (1999).



Mais recentemente, gravaram “Chalana”, Bruno e Marrone (com participação de Milionário e Zé Rico), no CD Acústico Volume II (2007); Divino e Donizete, em Perfil Sertanejo (2007); Roberta Miranda, no CD Senhora Raiz (2008); Viola do Cerrado, Ao Vivo (2008), Rolando Boldrin & Almir Sater, em Coração Sertanejo 2 (2009) e João Neto e Frederico, no CD Só Modão (2009).

No início dos anos 1990, a partir da telenovela “Pantanal”, da Rede Manchete, cuja trilha sonora incluía uma gravação de “Chalana” por Almir Sater, a canção se transformou em hino da região pantaneira, onde estão os Estados do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul. Na definição da folclorista e apresentadora de rádio e televisão Inezita Cardoso (Inês Madalena Aranha de Lima, 1925) é a música que simboliza o Pantanal.



Musicalmente, a composição de Mário Zan e Arlindo Pinto representa na concepção de pesquisadores e músicos, entre os quais Almir Sater o primeiro movimento para a fusão da música brasileira com a música paraguaia – que viria a se materializar anos mais tarde. Embasamento musical ele possuía, pois, já no começo da carreira profissional, em 1933, tocava diversos ritmos, a ponto de, tão logo gravar o primeiro disco, um 78 RPM com o tango “El Choclo” e a valsa “Namorados”, da sua autoria, receber o convite para uma excursão de três meses por cidades do Sudeste e Centro-Oeste do País.

Foi justamente durante esta excursão, entre 1943 e 1944, que lhe veio a inspiração para compor a melodia de “Chalana”, cuja letra foi escrita depois por Arlindo Pinto. Da janela de um hotel, nas margens do Rio Paraguai, em Corumbá, o músico divisava uma curva do rio e, descendo as águas do rio, uma chalana. Sua filha, a instrumentista e cantora Mariângela Zan, em sua página na Internet, no espaço reservado à história do pai, traz o depoimento do sanfoneiro: “A canção surgiu do nosso sofrimento durante a excursão, da saudade que sentíamos, sem notícias da família”.

Mário Zan e outros artistas chegando a Corumbá, em 1944, na histórica excursão - foto cedida gentilmente por Mariangela Zan, filha do músico.

Segundo o Dicionário Houaiss o termo chalana define as embarcações usadas em águas fluviais, de fundo chato, lados retos e com proa e popa salientes. Na prática, é usada para a navegação nos rios pantaneiros, entre Brasil e Bolívia, mais acentuadamente no Rio Paraguai. É o principal meio de transporte nas regiões mais longínquas do Pantanal, por ser de grande porte. Ao contrário da gaiola, sem divisões internas, a chalana possui cabinas para passageiros.



Além de “Chalana”, hino das bandas pantaneiras brasileiras, outra composição do músico ítalo-brasileiro, o dobrado “Quarto Centenário”, se destacou e se transformou no hino da Cidade de são Paulo. Foi composta em 1954 em parceria com J. M. Alves para homenagear os 400 anos da fundação da Cidade de São Paulo e venceu o concurso municipal. O disco, também em 78 RPM, vendeu 1 milhão de cópias em poucos meses.

A beleza emanada da singeleza, mas jamais vulgar, das melodias compostas por Mário Zan ficou evidente, tal qual ocorreu com a “Chalana”, em Pantanal, também em “Nova Flor” (Os homens não devem chorar). Originalmente um rasqueado e gravada por Mário Zan em 1958, esta canção entrou na trilha sonora internacional da primeira edição da novela “Pecado Capital”, da Rede Globo, em 1976, com o grupo vocal norte-americano The Letterman cantando a versão inglesa “Love me like a stranger”.

“Nova Flor”, que recebeu o título “Los hombres no deben llorar” na letra versada para o espanhol por Pepe Ávila, foi gravada por Roberto Carlos em 1992, a partir de uma nova feição que ele e Erasmo Carlos deram à letra, a partir da edição espanhola, com toque de bolero. Na nova versão, os criadores da extinta Jovem Guarda sacrificaram a expressão “nova flor”, base do título original da canção de Palmeira e Mário Zan.

Os pesquisadores afirmam que a discografia de Mário João Zandomenighi – cuja simplificação para Mário Zan teria sido sugestão de Walter Foster – reúne cerca de 300 discos em 78 RPM, 105 LPs, além de 40 CDs, dos quais 30 ainda estão em catálogo. Os pesquisadores creditam essa popularidade, principalmente, ao fato de Mário Zan ser identificado em todo o País como o maior solista de festas juninas. Luiz Gonzaga costumava dizer, sempre que o chamavam de rei da sanfona: “Eu sou o rei do baião; o rei da sanfona é Mario Zan”.


Breve cronologia
1920 – Nasce, na região de Vêneto, nordeste da Itália, cuja capital é Veneza.
1924 – Chega ao Brasil, com a família.
1933 – Estréia como sanfoneiro profissional.
1939 – Começam as apresentações em rádios, pela Cruzeiro do Sul.
1940 – Vai ao Rio de Janeiro conhecer Luiz Gonzaga, onde fica por um tempo e toca na casa noturna Sambadancing.
1944 – Volta para São Paulo e inicia os shows, começando por Corumbá;
Compõe “Chalana”, que recebe letra de Arlindo Pinto;
Grava primeiro disco de 78 RPM com o tango “El Choclo” e a valsa “Namorados”, da sua autoria, pela Continental.
1946 – Indicado por Luiz Gonzaga para ocupar o seu lugar de solista na gravadora RCA, onde gravou mais de 300 discos de 78 rotações e 40 LPs.
1948 – Grava disco só com músicas juninas e cria a marcação cantada da quadrilha.
1954 – Grava o rasqueado “Chalana”, pela RCA Victor;
Grava o dobrado “Quarto Centenário”, em homenagem aos 400 anos da fundação da Cidade de São Paulo, em parceria com J. M. Alves;
Participa do filme “Da terra nasce o ódio”, de Antoninho Hossri.
1956 – Dedica-se a pesquisa musical e lança tupiana, um tipo índio com batidas ritmadas.
1958 – Grava o rasqueado “Nova flor” (Os homens não devem chorar).
1960 – Participa do filme “Tristeza do Jeca”, de Milton Amaral.
1963 – Participa do filme “Casinha pequenina”, de Glauco Mirko Laurelli.
1976 – A versão inglesa de “Nova Flor” (“Love me like a stranger”) gravada pelo grupo vocal norte-americano The Letterman entra na trilha sonora internacional da novela “Pecado Capital”, da Rede Globo.
1989 – Lamenta a morte de Luiz Gonzaga e prevê a descaracterização da música de São João.
1990 – “Chalana” faz parte da trilha sonora da novela “Pantanal”, da Rede Manchete.
1998 – Comanda o programa “Mário Zan e seus convidados”, na TV Rede Vida.
2002 – Sua obra é tema de enredo da Escola de Samba Rosas de Ouro.
2004 – A composição “Festa na roça”, parceria com Palmeira, foi apontada em pesquisa realizada pela Ecad como uma das mais tocadas nas festas juninas e joaninas no Brasil;
Recebe título de Cidadão Honorário de São Paulo, por ocasião dos festejos dos 450 anos da cidade;
Homenagem da Escola de Samba Rosas de Ouro, na passagem dos 450 anos da Cidade de São Paulo.
2006 - Homenagem dos governos dos Estados do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul, pela autoria do rasqueado “Chalana”.
Sepultado, em São Paulo, no Cemitério da Consolação, em túmulo vizinho ao da Marquesa de Santos, como era seu desejo.

Fontes:
Saudade da Minha Terra
Viola na Pauta
Raiz Caipira
Mariangela Zan
Dicionário Crabo Albin da MPB.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

UNIVERSAL FECHA COMPRA DA EMI POR US$ 1,9 BILHÃO

Informação foi anunciada no site da francesa Vivendi, dona da Universal. EMI abriga grupos como Coldplay e Beatles.


A gravadora Universal Music confirmou que assinou um contrato com o Citigroup para comprar a EMI por £ 1,2 bilhões. As informações são do site GigWise.

Para os fãs, isto significa que bandas como os Rolling Stones, Coldplay e 30 Seconds To Mars passarão a lançar seus álbuns pela Universal, gravadora que, assim, controlará um terço das vendas de música em todo o mundo.

Antes da confirmação, especulava-se que seria a Warner Music quem assumiria o falido selo, casa de nomes como Katy Perry e The Beatles. Porém, a empresa desistiu da corrida, deixando a Universal livre para fechar um acordo.

Em um comunicado, o presidente do grupo EMI, Stephen Volk, que também é vice-presidente do Citigroup,disse: "Acreditamos que esta transação irá maximizar o valor da EMI, dando a empresa um parceiro na Universal Music, que aprecia o rico legado cultural da EMI".

Lucian Grange, chefe da Universal Music, disse que, com a fusão, a gravadora estará melhor posicionada para capitalizar as oportunidades do mercado atual. "Também seremos capaz de melhor servir os nossos artistas, compositores e parceiros de negócios, enquanto oferecemos aos fãs uma escolha mais."

Fonte: GigWise

35 ANOS SEM MILTON CARLOS

No último dia 26 de outubro completou-se 35 anos que em um acidente de carro na via Anhanguera, em São Paulo falecia precocemente o cantor compositor Milton Carlos, aos 22 anos.

Por Bruno Negromonte


A década de 70 foi uma das mais profícuas para a música popular brasileira em vários segmentos, foi a década que surgiu nomes como Belchior, Amelinha, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Ednardo, Zé e Elba Ramalho, Djavan isso para ficar só no Nordeste. Foi a década também que o já consagrado cantor e compositor Roberto Carlos entrou em definitivo para o hall dos grandes nomes da música mundial sendo eleito pelo povo brasileiro como o Rei de nossa música. Enquanto no início da década o regime militar apertava o cerco contra artistas como Caetano, Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque e tantos outros alguns artistas ganhavam projeção nacional com músicas e letras que apesar de serem menos elaboradas, falavam daquilo que o povo vivenciava e aparentemente pouco eram análogas ao regime opressor da época. Além disso, diversos nomes surgiram nesse contexto musical encabeçado por artistas como Odair José, Waldick Soriano, Nelson Ned, Lindomar Castilho dentre outros. Surgiram também subgêneros musicais dentro do contexto existente como, por exemplo, o chamado "samba jóia" regido por Benito di Paula.



Dentro desse contexto de novos intérpretes e compositores em nossa música podemos, por que sem dúvida alguma destacar o nome do cantor e compositor Milton Carlos, que apesar de falecer precocemente foi um dos nomes mais representativos dessa década. Milton Carlos (assim como a sua irmã Isolda) começaram as suas respectivas carreiras ainda na adolescência, fazendo backing vocals. E embora muito jovens na época, eles já vinham sendo gravados por intérpretes como Antônio Marcos, Maria Creuza e a banda Os Incríveis ao início dos anos 70. Mas, sem dúvida, foi a partir de 1973 depois de chegar à voz de Roberto Carlos que as canções dos irmãos os irmãos Isolda e Milton Carlos ganharam projeção.

Milton Carlos vivia em um tempo, mas se identificando com outro, como expressou em composições como 1910 (gravada pelos Incríveis), Largo do Boticário, Samba quadrado e Memórias do Café Nice (gravadas por ele próprio). "Milton sempre alugava meus tios perguntando como era São Paulo antigamente, como era o bairro do Bexiga, como era no tempo de vovô. Meus tios contavam, contavam e ele perguntava mais e mais", lembra Isolda.

Numa tarde de 1973, durante uma conversa no estúdio da RCA, Eduardo Araújo comentou com Milton Carlos que naquela semana iria à casa de Roberto Carlos mostrar-lhe uma composição que tinha feito para ele gravar. O outro então perguntou se Eduardo Araújo poderia levar também uma fita com uma composição dele com a irmã. "Mas o que eu vou ganhar com isso?", perguntou Eduardo Araújo, brincando. "Tudo que tenho é um fusca. Se Roberto Carlos gravar minha música, dou meu fusca pra você", prometeu Milton Carlos, que gravou numa fita sua composição Amigos, amigos.



Eduardo Araújo deixou as duas fitas com Roberto Carlos e foi passar uma temporada em sua fazenda em Minas Gerais. Na volta, ligou para o cantor. "E aí, Roberto, vai gravar minha música ou não vai?", perguntou em tom descontraído. "Dudu, sua música é bonita, mas acho que ela não é pra mim. Mas eu gostei daquela outra com uma mulher cantando", respondeu Roberto Carlos. "Mulher cantando?" "É, bicho, aquela que fala de um cara apaixonado por uma amiga." "Mas não é mulher, Roberto. É Milton Carlos, um rapaz que tem voz fina." Não era falsete. Milton Carlos foi uma criança que não teve mudança de voz. Ele crescia, mas sua voz continuava infantil e com o tempo feminina. Era uma voz ímpar, bastante peculiar porque continha, além da beleza esfuziante, uma evidente androginia. E isso chamou a atenção das gravadoras, que logo o convidaram para gravar por volta de 1970. E o que podia ser uma coisa negativa se tornou positiva.



Depois de falar com Roberto Carlos, Eduardo Araújo telefonou para o autor de Amigos, amigos: "Milton, você pode passar aqui em casa e deixar a chave do fusca porque Roberto Carlos vai gravar sua música". Milton Carlos ficou alguns segundos em silêncio, respirou fundo e perguntou: "Isso não é brincadeira sua, não? Roberto Carlos vai mesmo gravar minha música?". "Pra gente foi uma loucura, uma loucura", lembra Isolda. "A gente não queria acreditar. E quando vimos a confirmação no jornal com a lista das músicas do novo disco de Roberto fizemos a maior comemoração. Chamamos os amigos, saímos, pagamos o chope para todo mundo."

Outras canções da lavra dos irmãos Milton Carlos Izolda e gravada pelo Rei Roberto Carlos foram as canções "Um jeito estúpido de te amar" e "Pelo avesso" (música com um refrão de forte apelo popular: "Eu quero seu amor a qualquer preço/ quero que você me tenha até pelo avesso/ pra me sentir envolvido em seus cabelos/ faça de mim o que quiser/ eu sou seu homem, você minha mulher..."). Por via das dúvidas, Milton Carlos foi ao estúdio da RCA, gravou as duas Carlos: autores de fora entrarem com mais de uma música num mesmo disco do cantor.canções numa fita e a enviou para o escritório de Roberto Carlos em São Paulo. Agora era torcer e esperar. Pois foi uma agradável surpresa para os autores saber, algumas semanas depois, que Roberto Carlos iria gravar não apenas uma, mas as duas canções em seu álbum de 1976. O cantor gostou muito de Pelo avesso e ainda mais de Um jeito estúpido de te amar, que o emocionou assim que ouviu a fita enviada por Milton Carlos - o compositor, aliás, defendia muito bem seus temas, cantando sempre com sentimento e segurança, o que por certo contribuía para a boa aceitação das suas músicas. Até hoje poucas vezes aconteceu isso na discografia de Roberto

Ele morreu aos 23 anos, na noite de 20 de outubro de 1976, quando vinha de Jundiaí para São Paulo a bordo de seu Passat. Viajava em companhia de sua noiva, a também cantora Mariney Lima e do empresário Genildo de Oliveira. O acidente ocorreu num trecho da via Anhanguera quando o Passat do cantor tentou ultrapassar uma carreta Scania Vabis e bateu em um caminhão Chevrolet. Com o choque, o carro do cantor desgovernou-se e foi colhido pela carreta. Milton Carlos e sua noiva morreram na hora. O empresário Genildo Oliveira, que viajava no banco de trás, teve apenas ferimentos leves, o ajudante do motorista do caminhão, o jovem Mário Alves de Araújo, que desceu para socorrer as vítimas, foi atropelado na pista e também morreu no local.

Sem ainda ser informada da real dimensão do acidente, Isolda foi imediatamente para Jundiaí. Ao parar na porta do hospital, ela ligou o rádio do carro no momento em que Milton Carlos cantava a canção Elas por elas. Logo depois, o locutor informava que o cantor e compositor Milton Carlos havia falecido naquela noite. "Eu abri a porta do carro e corri feito uma louca para a entrada do hospital. Mas aí não sei o que aconteceu, não sei se desmaiei ou se me deram uma injeção, porque eu só acordei no carro do meu tio já chegando em casa."



Mesmo sem o irmão e parceiro, Isolda continuou compondo suas canções para os cantores gravarem. E no ano seguinte entregou a Roberto Carlos uma música que se constituiria num dos maiores sucessos no Brasil, em todos os tempos: Outra vez. Se a música popular brasileira é repleta de musas, a história dessa composição revela a existência de um raro "muso":

Acho que minha vida se divide em antes e depois desse dia. Pensei em voltar a estudar, em tomar outro rumo, mas no meio dessa tempestade encontrei vários amigos que me abrigaram, emocionalmente e, mesmo sem perceber, continuei fazendo sozinha o que sempre fiz desde menina: brincar de fazer músicas. Desse momento em diante, sem mais o meu amigo para brincar comigo. Foi assim que fiz, numa madrugada, uma música desprovida de qualquer ambição futura, uma confidência sincera: ‘Outra vez’. Gravei essa canção numa fita entre outras e entreguei para Roberto Carlos”. (Isolda - cantora, compositora e irmã de Milton Carlos)

Obra musical:
• Amanhã é outro dia (c/ Isolda)
• Ana Cláudia (c/ Isolda)
• Desta vez te perdi (c/ Isolda)
• Enredo (c/ Isolda)
• Eu juro que te morreria minha (c/ Isolda)
• Eu vou caminhar (c/ Isolda)
• Foi ela um tema de amor (c/ Isolda)
• Maria de tal (c/ Isolda)
• Pelo avesso (c/ Isolda)
• Samba quadrado (c/ Isolda)
• Saudade do Bexiga (c/ Isolda)
• Tele-rodovia (c/ Isolda)
• Tudo parou (c/ Isolda)
• Último samba-canção (c/ Isolda)
• Um jeito estúpido de te amar (c/ Isolda)
• Um presente para ela (c/ Isolda)
• Uma valsa, por favor (c/ Isolda)
• Você precisa saber das coisas (c/ Isolda)


Milton Carlos - Discografia Oficial (Incompleta)

Milton Carlos - Samba Quadrado (1975)
Faixas:
01 - Memórias Do Café Nice
02 - Eu Juro Que Te Morreria Minha
03 - Piston De Gafieira
04 - É Mais De Meia Noite
05 - Jogo De Damas
06 - Amanhã É Outro Dia (Participação Especial De Isolda)
07 - Contrasenso
08 - Se Alguém Telefonar
09 - Irônica
10 - Amanheci Chorando Por Você
11 - Foi Ela Um Tema De Amor
12 - Samba Quadrado


Milton Carlos - Largo do boticário (1976)
Faixas:
01 - Largo Do Boticário
02 - Da Janela
03 - Me Mata
04 - Alguém Me Disse
05 - Hora Do Jantar
06 - Elas Por Elas
07 - Dorinha Meu Amor
08 - Último Samba Canção
09 - Uma Valsa, Por Favor
10 - Vexame
11 - Zé Biriba
12 - Um Acalanto


Milton Carlos - Inédito (1977)
Faixas:
01 - Eu E Companhia
02 - Saudade Do Bexiga (Ao Amigo Adoniran Barbosa)
03 - Entre Seis Milhões De Pessoas
04 - Ana Cláudia
05 - Amigos, Amigos
06 - Jogo De Damas
07 - Dados Biográficos
08 - Maria De Tal
09 - Feira De Artesanato
10 - Enredo
11 - Elas Por Elas
12 - Samba Quadrado



Bibliografia e Fontes Consultadas:
Araújo, Paulo César de. Roberto Carlos em Detalhes. São Paulo. Editora Planeta, 2006.
Dicionário da MPB
Wikipédia

12º GRAMMY LATINO TRAZ CALLE 13 COMO GRANDE DESTAQUE

Dupla se consagrou com nove dos dez prêmios aos quais concorreram. Caetano Veloso, Jota Quest e Djavan foram destaques brasileiros da festa.


Da EFE


O duo porto-riquenho Calle 13 se consagrou nesta quinta-feira (10) como reis da 12ª edição do Grammy Latino, uma cerimônia na qual ganharam nove dos dez prêmios aos quais concorreram, recorde absoluto na história da premiação.

René Resident Pérez e Eduardo Visitante Cabra conseguiram os fonógrafos dourados de melhor álbum do ano e melhor álbum urbano, além de melhor canção, gravação, canção alternativa, vídeoclipe, canção urbana, canção tropical e produtor do ano, com o argentino Rafael Arcaute.

Arcaute foi o outro grande vencedor da noite, já que levou os seis prêmios aos quais concorria, todos eles por seu trabalho de produção com Calle 13.

"É preciso ter colhões para conseguir isto', disse René ao final da cerimônia.

Vestido com uma camiseta que pedia "educação pública gratuita", o músico acrescentou: "estamos rompendo muitas barreiras com uma proposta que rompe esquemas".

Na categoria álbum do ano, por exemplo, os porto-riquenhos conseguiram superar o disco "Sale el sol', da colombiana Shakira.


Brasileiros

Entre os brasileiros, quem se destacou foi Caetano Veloso, vencendo o prêmio de melhor álbum de rock brasileiro, com "Zii e zie - ao vivo"; Jota Quest, com melhor álbum brasileiro de pop contemporâneo por "Quinze"; Djavan, com melhor álbum de MPB por "Ária".

Na disputa pelo Grammy de melhor álbum de música sertaneja, João Bosco & Vinícius derrotaram a favorita Paula Fernandes, também indicada para melhor artista revelação.
Além disso, o grupo mineiro Pato Fu levou o prêmio de melhor álbum infantil com "Música de brinquedo". Já o Exaltasamba faturou o prêmio de melhor álbum de samba por "25 anos ao vivo".

Outro dos prêmios destacados foi o melhor álbum de folk, que foi para a falecida Mercedes Sosa, por "Deja la vida volar - en gira".

Foi uma cerimônia de três horas repleta de apresentações com momentos emotivos, como quando o Calle 13 se uniu à Orquestra Sinfônica Simón Bolívar, dirigida pelo venezuelano Gustavo Dudamel, para cantar "América Latina".

A noite continou com shows de Shakira, Paulina Rubio, Maná e Prince Royce, Paula Fernandes e Romeo Santos, Pablo Alborán e Demi Lovato, Pit Bull e Marc Anthony, Romeo Santos e Usher, entre outros.

O público também ficou de pé quando a atriz colombiana Sófia Vergara entregou para sua compatriota Shakira o prêmio de personalidade do ano, outorgado pela Academia Latina da Gravação.

"Pouca gente sabe que nós duas vivíamos pertinho uma da outra, em Barranquilla", revelou a cantora, que não hesitou em afirmar que esse prêmio é "possivelmente o reconhecimento mais bonito" que já recebeu. A colombiana, aliás, também recebeu o prêmio de melhor álbum vocal pop feminino, por 'Sale el sol'.

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