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Um bate-papo com alguns dos maiores nomes da MPB e outros artistas em ascensão.

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

ELBA RAMALHO, 60 ANOS

Ainda em tempo, o Musicaria Brasil presta uma singela homenagem à essa que, sem dúvida alguma, merece ser chamada pelo título de um de seus álbuns: flor da Paraíba.

Elba Maria Nunes Ramalho nasceu em Conceição da Paraíba, em 17 de agosto de 1951 e desde muito cedo despertou o gosto pela música. Talvez tenha herdado do seu pai tal predileção,pois o agricultor além de participar de uma orquestra, adorava a música.

Em 1962, sua família mudou-se para Campina Grande, na Paraíba. Naquela cidade, seu pai tornou-se proprietário de um cinema. Fez o ginásio no Colégio Estadual da Prata, onde participou do Coral Falado Manuel Bandeira. Cursou a Faculdade de Sociologia e Economia da Universidade Federal da Paraíba.



Em 1966, participou, pela primeira vez, de uma apresentação no palco, no Coral da Fundação Artística e Cultural Manuel Bandeira, do qual fazia parte, com "Evocação do Recife". Os Corais Falados Manuel Bandeira e Cecília Meireles ganharam fama e passaram a ser vistos por todo o Nordeste, com destaque para as apresentações da futura cantora. Protagonizou as montagens poéticas de Castro Alves, Thiago de Mello, Lindolfo Bell, Carlos Pena Filho e Figueiredo Agra.

Participou das montagens das peças "Ministro do Supremo" e "Diálogo das Carmelitas".

Durante o período em que esteve na Universidade Federal da Paraíba, criou o conjunto feminino "As Brasas". Suas atuações no conjunto lhe valeram um convite de Roberto Santana, produtor de Chico Buarque e Caetano Veloso, para integrar como crooner o Quinteto Violado, para uma temporada no Rio de Janeiro. Em 1971, participou da remontagem de "Morte e Vida Severina", com desempenho marcante na interpretação das composições "Severino", "A mulher da janela", "Viagem a São Saruê", "Chegada de Lampião no inferno", "Catimbó", "Episódio sinistro de Virgulino Ferreira", "Desafio de Romano da Mãe-d'água e Ignácio da Catingueira" e "Brasil caboclo".



Em 1972, teve uma atuação histórica no espetáculo "Uma cena para dois povos". Nesse período, abandonou a faculdade no último ano e mudou-se para o Rio de Janeiro. Passando a freqüentar o Baixo Leblon, conheceu Alceu Valença e Carlos Vereza. Atuou como vocalista em shows de Alceu Valença e, de 1974 a 1979, fez parte do grupo teatral "Junho Chegança", dirigido por Luís Mendonça, tendo participado de diversos espetáculos, entre os quais "Canção de fogo", "Viva o cordão encarnado" e "A incrível história de Pedro Bacamarte". Atuou, ainda, nas montagens infantis "Dorotéia a bruxinha rebelde" e "D. Pixote de La Pancha".

Neste primeiro disco destacaram-se as composições "Canta coração", de Geraldo Azevedo e Carlos Fernando, que foi um grande sucesso, "Não sonho mais", de Chico Buarque, e "Ave de prata", de Zé Ramalho, que deu nome ao disco. Do disco saiu o show "Ave de prata", montado no Teatro Alaska, com o qual viajou em seguida por diversas capitais brasileiras e por cidades do interior, num total de 180 apresentações. Ainda no mesmo ano, participou, ao lado de Sivuca, Dominguinhos e Lulu Santos, entre outros, do LP "Vinte palavras girando ao redor do Sol", da cantora, compositora e escritora Cátia de França.Em 1979, foi selecionada para participar do musical "A ópera do malandro", de Chico Buarque e Rui Guerra. Destacou-se com a interpretação de "O meu amor", em dueto com Marieta Severo, que se tornou um grande sucesso naquele ano. No mesmo ano, atuou em "Teatro do Ornitorrinco canta Brecht e Weill", no Tablado; substituiu, por algum tempo, a atriz Tânia Alves na peça "O fado e a sina de Mateus e Catirina", no Teatro Gláucio Gil; lançou ainda seu primeiro disco, "Ave de prata", pela Epic, contando com a participação especial de Dominguinhos, Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, Novelli, Vinícius Cantuária, Sivuca, Robertinho do Recife, Nivaldo Ornellas e Jackson do Pandeiro.

Em 1981, lançou o LP "Elba", o último gravado pela CBS. Participou também do Festival de Jazz de Montreaux, na Suíça, na "Noite do Brasil", cantando ao lado de Moraes Moreira e Toquinho, em show que seria lançado depois em disco. No mesmo ano, estourou nas paradas de sucesso com o xote "Bate coração", de Antônio Barros e Cecéu. Em 1982, lançou o disco "Alegria", que vendeu mais de 300 mil cópias, embalado pelo sucesso de "Banho de cheiro", de Carlos Fernando, o que lhe rendeu disco de ouro e de platina. No mesmo ano, apresentou-se em Berlim, na Alemanha, no Festival de Cultura Latino-americana, juntamente com Sivuca, Hermeto Pascoal e Clara Nunes. Atuou ainda em um especial de fim de ano na TV Globo.Em 1980, lançou seu segundo disco, "Capim do vale", com destaque para "Caldeirão dos mitos", de Bráulio Tavares, "Porto da saudade", de Alceu Valença, e "Veja (margarida)", de Vital Farias, além das regravações de "Légua tirana", de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, e "Imbalança", de Luiz Gonzaga e Zé Dantas. No mesmo ano, montou um show no Teatro Ipanema e realizou uma turnê pelo país. Ainda nesse ano, apresentou-se no Festival de Arte Negra realizado na Ilha da Martinica. Viajou com vários artistas para a África e lá realizou três shows.



Percorreu o Brasil com o show "Alegria", que estreou com grande êxito no Teatro Casa Grande(RJ). No início de 1983, em Israel, dividiu o palco com Caetano Veloso, Ney Matogrosso e Djavan, cantando nas cidades de Tel-Aviv, Haifa e Cesarea. Em agosto, retornou sozinha a Israel, realizando um show para 120 mil pessoas. Apresentou-se, em seguida, em um show em Portugal na companhia de Luiz Gonzaga, com a presença de 100 mil pessoas. No mesmo ano, seu disco "Coração brasileiro" ganhou disco de ouro. Em 1984, lançou o disco "Do jeito que a gente gosta" e voltou a se apresentar no exterior, principalmente em Cuba e no Japão. Em 1986, voltou ao Festival de Jazz de Montreaux, na Suíça. Em 1987, lançou o disco "Elba", e excursionou pelo Brasil com o show do mesmo nome, mantendo intensa atividade artística, mesmo grávida de seu primeiro filho.

Em 1988, lançou o LP "Fruto", apresentando-se em Portugal e na Argentina. No ano seguinte, lançou o disco "Popular brasileira" e realizou sua primeira excursão aos Estados Unidos, tendo passado por Miami e Nova Jersey. Em 1990, retornou aos Estados Unidos, realizando shows nas cidades de Nova York, Boston e Miami. Lançou, no mesmo ano, um LP gravado ao vivo. Voltou aos Estados Unidos em 1991, realizando shows nas casas de espetáculos "The Ballroom" e "The Blue Note", em Nova York. Lançou, ainda, o disco "Felicidade urgente". Em 1992, fez sua maior excursão à Europa, realizando shows em sete cidades de Portugal, oito da Itália, além dos realizados na Expo/92, em Sevilha, na Espanha, e ainda na Inglaterra, Suíça e França. No mesmo ano, lançou o LP "Encanto". No ano seguinte, retornou aos Estados Unidos, realizando shows em companhia de Margareth Menezes. Lançou também o LP "Devora-me". Em 1994, apresentou-se no "Madison Square Garden", um das mais tradicionais e requisitados locais de grandes espetáculos esportivos e artísticos dos Estados Unidos. Em 1996, foi a Angola e cantou no "Lincoln Center", nos Estados Unidos. Lançou dois discos naquele ano: o solo "Leão do Norte" e "O grande encontro", gravado ao vivo em show realizado por ela, Geraldo Azevedo, Zé Ramalho e Alceu Valença, no palco do Canecão, no Rio de Janeiro. Neste CD, interpretou "Dia branco", de Geraldo Azevedo e Renato Rocha, "Veja (Margarida)", de Vital Farias, "A rosa impúrpura do Caicó", de Chico César, "Banho de cheiro", de Carlos Fernando, e "Frevo mulher", de Zé Ramalho.

Em 1997, tornou a lançar dois discos, o solo "Baioque", título da música de Chico Buarque, que consta do CD, juntamente com "Pavão misterioso", de Ednardo, e "Paralelas", de Belchior. O outro disco foi "O grande encontro volume II", desta vez sem a presença de Alceu Valença, disco no qual ela interpretou, entre outras canções, "Pedras e moças", de Geraldo Azevedo e Zé Ramalho, "Canta coração", de Geraldo Azevedo e Carlos Fernando, "Canção da despedida", de Geraldo Azevedo e Geraldo Vandré, e "Ai, que saudade de ocê", de Vital Farias. Ainda em 1997, lançou sua cinebiografia pela BMG Vídeo, "Elba inédito".

Em 1999, realizou shows na Alemanha, França, Itália e no Festival de Montreaux na Suíça. Lançou o CD duplo "Solar", comemorativo dos vinte anos de carreira. Um dos discos foi gravado em estúdio e o outro ao vivo durante shows em Salvador e no Festival de Montreaux. No disco de estúdio gravou, entre outras, "Palavra de mulher", "O meu amor" e "Não sonho mais", todas de Chico Buarque, e "Trem das ilusões", canção inédita de Alceu Valença. O disco conta ainda com diversas participações especiais, entre as quais a de Nana Caymmi, em "Imaculada", com arranjo de Wagner Tiso; Lenine, em "Nó cego", de Pedro Osmar; Dominguinhos, em "Retrato da vida", e Margareth Menezes, em "Quem é muito querido a mim".

Em 2000, lançou o CD "O Grande encontro 3", com Zé Ramalho, Geraldo Azevedo e Alceu Valença com uma série de shows. O CD deu origem ao DVD ao vivo com o mesmo nome, que foi lançado logo em seguida, pela BMG.



Em 2001, realizou na feira de São Cristovão, tradicional reduto da cultura nordestina no Rio de Janeiro, o show "Cirandeiro", lançando o CD com o mesmo nome, que contou com a participação do forrozeiro Fuba de Taperoá e do grupo de forró Forroçacana. O show contou com a presença de aproximadamente 80 mil pessoas e nele a cantora interpretou cirandas, baiões, xotes, forrós e cocos. No mesmo ano realizou show no Canecão, também no Rio de Janeiro, onde interpretou as músicas "José", do grupo pernambucano Mestre Ambrósio, "Forró do Surubim", gravada anteriormente por Jackson do Pandeiro, "Monte Castelo", de Renato Russo, "Homem com H", "Banho de cheiro" e "Chão de giz".

Ainda em 2001, lançou o CD "Cirandeira", faixa título de autoria do compositor Lenine, e que contou ainda com as músicas "Alma nua", de Zeca Baleiro, "Nego forró" e "Coco sem ganzá", as duas de Chico César, "Se eu tivesse asas", de Geraldo Azevedo, "Querendo mais", de Nando Cordel, e a clássica "Patativa", de Vicente Celestino. Inaugurou seu próprio selo, Ramax, pelo qual lançou o CD "Coração de mãe", um tributo a Nossa Senhora, com a participação de Ney Matogrosso. No mesmo ano, apresentou-se com sucesso no Canecão, um de seus 160 shows daquele ano.
Em 2002, lançou o CD "Elba canta Luiz", no qual interpreta composições de Luiz Gonzaga como "Xamego", com Miguel Lima, "Vem morena", com Zé Dantas e "Danado de bom", com João Silva, ou gravadas por ele, como "O cheiro da Carolina", de Zé Gonzaga e Amorim Roxo, e "Sorriso cativante", de Dominguinhos e Anastácia. O disco foi co-produzido por ela e Dominguinhos, que também fez os arranjos e contou com a participação especial de Zeca Pagodinho na faixa "O xamego da Guiomar". No mesmo ano, apresentou show no ATL Hall com o repertório do CD "Canta Luiz", gravado ao vivo para o seu primeiro DVD.

Na primeira metade de 2003, lançou o CD "Elba ao vivo", em que continua o projeto do CD anterior, ao relembrar Luiz Gonzaga. Sem repetir nenhuma música, incluiu o clássico "Asa branca", do rei do baião, em parceria com Humberto Teixeira. Nesse trabalho, também lançado em DVD, a cantora articula sua experiência com os recursos teatrais, enriquecendo faixas como "Assum Preto", "Qui nem jiló" e "A vida do viajante". Ainda nesse ano, participou na Fundição Progresso, Rio de Janeiro do show comemorativo dos 45 anos do Trio Nordestino.

Em 2004, apresentou, com Dominguinhos, "De volta para o aconchego", temporada de shows no Canecão, (RJ). O repertório contou com sucessos de carreira da cantora e do compositor como "De volta para o aconchego", parceria de Dominguinhos com Nando Cordel, além de levar ao palco surpresas como a composição "Xote da navegação", de Dominguinhos e Chico Buarque. Ainda no mesmo ano, entre outras apresentações, lotou o Espaço Cultural Cândido Mendes no talk show com Ricardo Cravo Albin, em que falou um pouco de sua vida, sua carreira e interpretou vários sucessosde sua trajetória.



Em 2005, enquanto preparava disco produzido por Lenine, lançou CD gravado ao vivo na temporada de shows que apresentou com Dominguinhos no ano anterior. A não ser a música "Chama" de Tato, vocalista do grupo Falamansa, o repertório é composto por regravações de sucessos de autoria de Dominguinhos, como "Isso aqui tá bom demais", "Pedras que cantam" e "De volta pro aconchego", clássico da carreira da cantora. Em junho desse mesmo ano, entre outros, fez show, com casa lotada,na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro e participou, como atração consagrada, do circuito tradicional dos festejos juninos que engloba cidades nordestinas como Caruaru, Campina Grande e Recife.

Em março de 2006, apresentou-se, não pela primeira vez, no Teatro Municipal de Niterói, privilegiando, dessa vez, um repertório romântico e fazendo uma homenagem a Chico Buarque, com interpretações de grandes sucessos do compositor. Fez ainda show na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a UERJ. Em junho do mesmo ano, integrando o projeto São João do Rio, apresentou show no Canecão, em que recebeu convidados como o grupo Forroçacana e o Trio Virgulino, além de Toni Garrido. No início de 2007, participou das comemorações dos 100 anos do frevo, gravando a faixa "Frevo Rasgado", de Gilberto Gil e Bruno Ferreira, no CD "100 anos de frevo - É de perder o sapato", uma coletânea com dois CDs, da qual participaram vários artistas consagrados da MPB, como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Alceu Valença, Maria Bethânia, Geraldo Azevedo, Silvério Pessoa, Geraldo Azevedo e Chico Buarque, entre outros. Em outubro do mesmo ano, após cinco anos sem gravar um disco solo, lançou o CD "Qual o assunto que mais lhe interessa", trazendo compositores de diferentes gerações, como Carlinhos Brown, Geraldo Azevedo, Alceu Valença, Chico César, Jorge Benjor, Zé Ramalho, Gabriel, o Pensador, Pedro Luis, Capinam, Lula Quiroga e Arnaldo Antunes e Lenine, entre outros. O CD foi gravado e lançado pelo selo Ramax, de propriedade da cantora, que também assumiu a direção artística do álbum. São várias também as participações especiais, entre elas, Geraldo Azevedo, na última faixa e Paulão Sete Cordas, na primeira, seguido por Hamilton Holanda, no bandolim, Pedro Osmar, na viola caipira, Frejat, na guitarra e nos teclados e pelos metais de Spok., Por ocasião do lançamento, a cantora ratificou a tendência do CD em mostrar linhas diversas e ritmos existentes na musicalidade brasileira, descolando-se da aura estrita de cantora regional nordestina. No CD, o seguinte repertório: "Qual o assunto que mais lhe interessa? (Tempos quase modernos)", de Roberto Mendes e Capinam; "Aves anjos angeli", de Jorge Bem Jor; "Rua da Passagem (Trânsito)", de Lenine e Arnaldo Antunes; As forças da natureza", de João Nogueira e Paulo César Pinheiro; "A natureza das coisas", de Acioly Neto; "Dois para sempre", de Lula Queiroga; "Amplidão", de Chico César; "Boi cavalo de Tróia", de Pedro Osmar e Paulo Ró; "Argila", de Carlinhos Brown; "Novena", de Geraldo Azevedo, e "Último minuto", de Lula Queiroga. Também em 2007, realizou na casa de espetáculos Canecão Petrobras, no Rio de Janeiro, o show "Raízes e antenas" que marcou o lançamento do CD "Qual o assunto que mais lhe interessa?". Com 25 músicas o show teve como destaque a apresentação das 16 músicas gravadas no CD.



Em março de 2008, foi atração principal no show realizado nos Arcos da Lapa, região boêmia do Rio de Janeiro, na festa de comemoração dos 443 anos da cidade. O show, feito para dançar, teve seu repertório composto com base no CD "Qual o assunto que mais lhe interessa?", incluindo também antigos sucessos como "Banho de cheiro" e "Bate coração". No mesmo ano, teve participação especial no CD e DVD "Fábio Júnior & elas", do cantor Fábio Júnior, cantando na faixa "Ai que Saudade d´ocê". Em 2009, foi convidada a participar do album "Iluminar", do Padre Fábio de Melo, na faixa "Maria e o anjo", de autoria de Dalvimar Gallo. No mesmo ano, já iniciando a comemorar seus 30 anos de carreira, lançou o CD "Balaio de Amor", produzido por Cezinha. O álbum, que é uma mistura de xote, baião e choro, contém as seguintes faixas: "Fuxico" , de Flávio Leandro; "Um baião chamado saudade", de Petrúcio Amorim e Rogério Rangel; "Riso cristalino", de Dominguinhos e Climério Oliveira; "Não lhe solto mais", de Antonio Barros e Ceceu; "Me dá meu coração", de Accioly Neto; "Oferendar", de Xico Bezerra e Flávio Leandro; "É só você querer", de Nando Cordel; "Recado", de Cezinha e Fábio Simões; "D’estar", de Eliezer Setton; "Ilusão nada mais", de Dominguinhos e Fausto Nilo; "Se tu quiser", de Xico Bezerra; "Seu aconchego" de Terezinha do Acordeom e Júnior Vieira; "Bebedouro", de Maciel Melo e Anchieta Dali; e "Quem é você?" de Jorge de Altinho. No mesmo ano, participou da gravação do CD/DVD "Simplesmente Assim", do cantor, compositor e sanfoneiro Targino Gondim, nas músicas "Boato Ribeirinho", "Esperando na janela" e "Deixe Estar". O álbum, lançado pelo selo Atração, foi gravado ao vivo no Centro de Cultura João Gilberto, em Juazeiro (BA), durante o Festival Internacional da Sanfona.

Em março de 2010, participou do programa "Emoções Sertanejas", da Rede Globo de Televisão, que teve como objetivo homenagear o cantor e compositor Roberto Carlos. O programa, recebeu como convidados, em um mega-show, no ginásio do Ibirapuera em São Paulo, grandes nomes da música brasileira como Almir Sater, Bruno & Marrone, César Menotti & Fabiano, Chitãozinho & Xororó, Daniel, Daniel, Gian & Giovani, Leonardo, Martinha, Milionário & José Rico, Nalva Aguiar, Paula Fernandes, Rio Negro & Solimões, Roberta Miranda, Sérgio Reis, Victor & Léo e Zezé di Camargo & Luciano. No mesmo ano, foi vencedora do "21º Prêmio de Música Brasileira", na categoria Melhor Cantora Regional.

Em 2010, celebrou 30 anos de carreira, gravando DVD em show ao vivo na festa de comemoração de 473 anos da cidade de Recife. O álbum, "Marco Zero", que também foi lançado em CD, reuniu um repertório com grandes sucessos, como "De volta pro aconchego", de Dominguinhos e Nando Cordel; "Banquete dos signos", de Zé Ramalho; e "Canta Coração", de Geraldo Azevedo e Carlos Fernando. Ainda no mesmo ano, participou do CD "Asas do frevo - O carnaval de J. Michiles", cantando o frevo "Roda e Avisa". O CD consistiu em uma coletãnia com as principais sucesso do compositor J. Michiles no carnaval pernambucano.



No início de 2011, realizou show de divulgação do DVD na casa de shows Vivo Rio, no Rio de Janeiro, incluindo no repertório músicas de Chico Buarque, como "Folhetim", "Palavra de Mulher" e "Meu amor". A apresentação contou com a participação especial de Cristina Amaral e André Rio. No mesmo ano, participou do evento "São João carioca", apresentando, ao lado de Gilberto Gil, o show realizado pela prefeitura do Rio de Janeiro, na Quinta da Boa Vista, comomorando a passagem dos festejos juninos. O evento levou ao palco montado naquele parque artistas como Caetano Veloso, Dominguinhos, Geraldo Azevedo e Alcione, entre outros.

Canções em trilhas sonoras de telenovelas
Veio d´água (Terras do Sem-Fim) (1981)
Sete cantigas para voar (Sabor de Mel) (1983)
Amor eterno (Livre para Voar) (1984)
De volta pro aconchego (Roque Santeiro) (1985)
Imaculada (Tieta) (1989) - Gravação exclusiva para a novela
Ouro puro (Rainha da Sucata) (1990)
Fim de jogo (Salomé) (1991)
Felicidade urgente (Vamp) (1991)
O que a noite faz (Pedra sobre Pedra) (1992) - Ggravação exclusiva para a novela
Eu quero meu amor (Renascer) (1993)
Coração da gente (Tropicaliente) (1994)
Paisagem da janela (Irmãos Coragem) (1995)
Noturna (Explode Coração) (1995) - Gravação exclusiva para a novela
Sim foi você (Salsa e Merengue) (1996)
Ciranda da rosa vermelha (A Indomada) (1997)
Paralelas (Por Amor) (1997)
La vie en rose (Fascinação) (1998)
Aroma (Meu Bem Querer) (1998)
Casa, comida e paixão (Suave Veneno) (1999)
Vozes da seca - com Dominguinhos (Marcas da Paixão) (2000)
Entre o céu e o mar (Porto dos Milagres) (2001)
Xamego (Começar de Novo) (2004)
Estrada do sertão (Alma Gêmea) (2005)
Mulher (Prova de Amor) (2005) - Ggravação exclusiva para a novela
Amplidão (Páginas da Vida) (2006) - Gravação exclusiva para a novela
Dúvidas - com Waldonys (Os Mutantes) (2008)
É só você querer (Caras e Bocas) (2009)

Elba Ramalho - Discografia Oficial

Ave de prata (1979)
Faixas:
01 - Canta coração
02 - Não sonho mais
03 - Veio d'água
04 - Razão de paz
05 - Baile das máscaras
06 - Filho das índias
07 - Ave de prata
08 - Kukukaya
09 - Cartão postal
10 - O dia do criador
11 - Bodocongó

Capim do vale (1980)
Faixas:
01 - Caldeirão dos Mitos
02 - Nó Cego
03 - Pés de Milho
04 - Légua Tirana
05 - Porto da Saudade
06 - O Violeiro
07 - Banquete de Signos
08 - Espiral do Tempo
09 - Capim do Vale
10 - Fulô da Margem
11 - Imbalança
12 - Veja (Margarida)

Elba (1981)
Faixas:
01 - Temporal
02 - Amanhã eu vou
03 - Dono dos teus olhos
04 - Oitavo
05 - Pedido
06 - Lua viva
07 - Aquarela nordestina
08 - Vem (ser navegador)
09 - Cajuína
10 - Eu queria


Alegria (1982)
Faixas:
01 - Essa Alegria(Caboclinhos)
02 - Dominó
03 - No Som da Sanfona
04 - A Casca do Ovo
05 - Chego Já
06 - Amor Com Café
07 - Olhos Acesos
08 - Sete Cantigas Para Voar
09 - Marcha Regresso
10 - Menina do Lido
11 - Bate Coração


Coração brasileiro (1983)
Faixas:
01 - Banho de Cheiro
02 - Toque de Fole
03 - Ave Cigana
04 - Se Eu Fosse O Teu Patrão [Chico Buarque]
05 - Chororó
06 - Roendo Unha
07 - Batida de Trem
08 - Canção da Despedida
09 - A Volta dos Trovões
10 - Ai Que Saudade De Oce
11 - Vida e Carnaval
12 - Coração Brasileiro


Do jeito que a gente gosta (1984)
Faixas:
01 - Azedo e mascavo
02 - Toque de Amor
03 - Feitiço de Gafieira
04 - Amanheceu
05 - Forró do Poeirão
06 - Moreno de Ouro
07 - Do Jeito Que a Gente Gosta
08 - Amor Eterno
09 - Calmaria
10 - Energia
11 - Nordeste Independente


Fogo na mistura (1985)
Faixas:
01 - Fogo Na Mistura
02 - De Volta Pro Aconchego
03 - Como Se Fosse a Primavera
04 - Desassossego
05 - Mexe...Mexe, Funga...Funga
06 - No Caminho de Cuba
07 - Anjo do Prazer
08 - Equilibrando os Planos
09 - Sambaiãozar
10 - Pátria Amada


Remexer (1986)
Faixas:
01 - Remexer
02 - Só Se For a Dois
03 - Sonho de Uma Noite de Verão
04 - Odilê, Odilá
05 - Boca do Balão
06 - Neném Mulher
07 - Chorando e Cantando
08 - Forró Temperado
09 - Vestido Suado
10 - Sai da Frente
11 - Caia Na Real


Elba (1987)
Faixas:
01 - Ai de Mim
02 - Folia Brasileira
03 - Vem Ficar Comigo
04 - Quero Mais
05 - Ginga
06 - Nós Destinos
07 - Rumbaiana
08 - Lembrando Você
09 - Corcel Na Tempestade
10 - Da Mesa Pra Cama
11 - Pout-Pourri (Jackson do Pandeiro)


Fruto (1988)
Faixas:
01 - Doida
02 - Salve-se Quem Puder
03 - Segredo de Menina
04 - Estrela Grande
05 - Palavra De Mulher
06 - Dragão Encantado
07 - Pisa No Meu Coração
08 - Um Bilhete Pro Seu Lua [Gonzaguinha]
09 - O Girassol da Baixada
10 - A Flor Da Magia
11 - Luã


Popular brasileira (1989)
Faixas:
01 - Jogo de Cintura
02 - Cheiro Moreno
03 - Agora é Sua Vez - Zinho
04 - Vê Estrelas
05 - Sem Saída
06 - Popular Brasileira
07 - A Roda do Tempo
08 - Agarradinho com Você
09 - Me Perdoa
10 - Saga da Amazônia


Ao vivo (1990)
Faixas:
01 - Feiticão de Gafieira
02 - Pau-de-Arara
03 - Filho das Índias
04 - Imaculada
05 - Miss Celie's Blues
06 - Tango de Nancy
07 - Las Muchachas de Copacabana
08 - Ouro Puro
09 - Doida
10 - Veja Margarida
11 - Beatriz
12 - Marim dos Caetés
13 - Popular Brasileira
14 - Nordeste Independente


Felicidade urgente (1991)
Faixas:
01 - Vida
02 - Felicidade Urgente
03 - Morena de Angola
04 - Ventos do Norte
05 - Pisa Na Fulô (O Cheiro da Carolina)
06 - Maré Dendê
07 - Fim de Jogo
08 - Feitiço
09 - Deixa Falar
10 - É D'oxum
11 - Tudo Vai Bem
12 - La Vie En Rose


Encanto (1992)
Faixas:
01 - São João Na Estrada
02 - Flora
03 - Alegria Geral
04 - Que Nem Vem Vem
05 - Dúvida
06 - Caminhos do Coração
07 - Miragem do Porto
08 - Cidadão
09 - Na Hora H
10 - Noites Olindenses
11 - Amor de Índio
12 - Encanto
13 - Eu Vou Te Amar


Devora-me (1993)
Faixas:
01 - Cora Coração
02 - Devora-me Outra Vez
03 - Magalenha
04 - Ouro
05 - Porto Seguro
06 - Indiado
07 - Força Interior
08 - Desesperada
09 - Trampolim
10 - Eu Quero Meu Amor
11 - Eu Sou o Carnaval
12 - Coração da Gente


Paisagem (1995)
Faixas:
01 - Proibir Pra Que
02 - Paisagem da Janela
03 - Caranguejo Dance
04 - O Bom da Vida
05 - Eu Quero é Botar Meu Bloco Na Rua
06 - Nascido em 22 de Abril
07 - Incendiá, Incendiê
08 - Água Fria
09 - A Massa
10 - Tudo Passa
11 - Que Baque é Esse
12 - Acaba Quando Começa
13 - Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua (Frevo)
14 - Contradições


Leão do Norte (1996)
Faixas:
01 - Onde Tu Tá Neném
02 - Xodó Beleza
03 - Leão do Norte
04 - Chão de Giz
05 - Béradero
06 - Treze de Dezembro
07 - Na Base da Chinela
08 - Canoeiro
09 - Parceiros das Delícias
10 - Eu Vou Até de Manhã
11 - Estrada de Canindé
12 - A Paisagem
13 - Estrela Miúda
14 - Sim Foi Você
15 - Frevos

O Grande Encontro (1996)
Faixas:
01 - Sabiá
02 - Coração Bobo
03 - Jacarepaguá Blues
04 - Pelas Ruas Que Andei
05 - Talismã
06 - O Ciúme
07 - Dia Branco
08 - O Amanhã É Distante
09 - Admirável Gado Novo
10 - O Trem das Sete
11 - Canção de Giz
12 - Veja (Margarida)
13 - A Prosa Impúrpura do Caicó
14 - Tesoura do Desejo
15 - Chorando E Cantando
16 - Banho de Cheiro / Frevo Mulher


Baioque (1997)
Faixas:
01 - Baioque
02 - Pavão Misterioso
03 - S.O.S.
04 - Paralelas
05 - Vila do Sossêgo
06 - Vamos Fugir
07 - Zanzibar
08 - Os Argonautas
09 - Relampiano
10 - Xotes
11 - A Música do Nosso Amor
12 - Ciranda da Rosa Vermelha
13 - Tambor do Mundo
14 - Frevos Nº 2


O Grande encontro 2 (1997)
Faixas:
01 - Disparada
02 - O princípio do prazer
03 - Banquete de signos
04 - Miragens
05 - Pedras e moças
06 - Canta coração
07 - Eternas ondas
08 - Bicho de sete cabeças ii
09 - O autor da natureza
10 - Saga da asa branca
11 - Canção da despedida
12 - Ai que saudade d'ocê


Flor da Paraíba (1998)
Faixas:
01 - Chameguinho
02 - Tum, Tum, Tum
03 - Face
04 - Lavadeira do Rio
05 - Aroma
06 - A Letra I
07 - Pra Ninar Meu Coração
08 - Pau de Arara é a Vovozinha
09 - Me Pegue Pra Xamegar
10 - São Xangô Menino
11 - Casa, Comida e Paixão
12 - Zé Esteves
13 - Meu Sublime Torrão - Paraíba Meu Amor


Solar (1999)
Disco 01:
01 - A Palo Seco
02 - Trem das ilusões
03 - O meu amor
04 - Não sonho mais
05 - Cajuína
06 - Ave de prata
07 - Palavra de mulher
08 - Nó cego
09 - Imaculada
10 - 7 cantigas para voar
11 - Retrato da vida
12 - Kukukaya (Jogo Da Asa Da Bruxa)
13 - Choveu sorvete (La salve de Las Antillas)
14 - Quem é muito querido a mim

Disco 02:
01 - Caldeirão dos mitos
02 - Amor com café
03 - Forró do xenhenhém
04 - Agora é sua vez / Forró das cumadres
05 - É D’Oxum
06 - Pisa na fulô / Chororó / Pé de serra
07 - Avôhai
08 - Leão do norte
09 - Batida de trem / Toque de fole
10 - Roendo unha / No som da sanfona / Morena de Angola
11 - Pagode russo / Onde tu tá neném
12 - Olha pro céu
13 - Boca do balão / São João na estrada
14 - De volta pro aconchego


O grande Encontro 3 (2000)
Faixas:
01- Caravana
02- Táxi Lunar
03- Dona de Minha Cabeça
04- Canta Brasil
05- Frisson
06- Lá e Cá
07- A Peleja do Diabo Com o Dono do Céu
08- Garoto de Aluguel (Taxi Boy)
09- Galope Rasante
10- Você Se Lembra
11- Petrolina-Juazeiro
12- A Terceira Lâmina
13- Tum-Tum-Tum / Mulata No Coco
14- Eu Vou Pra Lua / O Canto do Ema


Cirandeira (2001)
Faixas:
01 - Cirandeira
02 - Patativa
03 - Se Eu Tivesse Asa
04 - Alma Nua
05 - Onde Anda Você
06 - Querendo Mais
07 - Sem Ganzá Não é Coco
08 - Pra Virar Xodó
09 - Pra Se Aninhar
10 - Entre O Céu e o Mar
11 - Forró de Surubim
12 - Lua Vadia
13 - O Amor é Lindo
14 - Estrela Soberana


Elba canta Luiz (2002)
Faixas:
01 - Danado de Bom
02 - A Sorte É Cega
03 - Quer ir mais eu
04 - O Xote das Meninas
05 - O Xamego da Guiomar
06 - Vem, Morena
07 - Orélia
08 - Sorriso Cativante
09 - Aquilo bom-Facilita-O Cheiro da Carolina
10 - Xamego
11 - Numa Sala de Reboco
12 - Calango da Lacraia - Nega Zefa - Coco Xeem
13 - Canta Luiz


Elba ao vivo (2003)
Faixas:
01 - Asa branca
02 - A vida do viajante
03 - Imbalança
04 - Pagode russo - Onde tu tá neném
05 - Numa sala de reboco - Estrada do Canindé
06 - Juazeiro - Beija-flor
07 - Luar do sertão
08 - Dúvida
09 - Súplica cearense
10 - Qui nem jiló
11 - Assum preto
12 - Sabiá
13 - De volta pro aconchego
14 - Nem se despediu de mim - São João do carneirinho - Pedras que cantam


Elba e Dominguinhos (2005)
Faixas:
01 - Rio de Sonho
02 - Tenho Sede
03 - Lamento Sertanejo (Forró do Dominguinhos)
04 - Eu só quero um xodó
05 - Vem Ficar Comigo
06 - Onde está você
07 - Retrato da vida
08 - Chama
09 - Xote da navegação
10 - Gostoso demais
11 - Forrozinho bom
12 - De volta pro aconchego
13 - Pedras que cantam - Isso aqui tá bom demais


Qual o Assunto Que Mais Lhe Interessa? (2007)
Faixas:
01 - Gaiola da Saudade
02 - Ave Anjos Angeli
03 - Noite Severina
04 - Rua da Passagem (Trânsito)
05 - Tempos Quase Modernos (Qual o Assunto que Mais lhe Inte
06 - A Natureza das Coisas
07 - Argila
08 - Boi Cavalo de Tróia
09 - Último Minuto
10 - A Dança das Borboletas
11 - As Forças da Natureza
12 - Dois pra Sempre
13 - Os Beijos
14 - Novena
15 - Conceição dos Coqueiros
16 - Amplidão


Balaio de Amor (2009)
Faixas:
01 - Fuxico
02 - Um Baião Chamado Saudade
03 - Riso Cristalino
04 - Não Lhe Solto Mais
05 - Me Dá Seu Coração
06 - Oferendar
07 - É Só Você Querer
08 - Recado
09 - D’estar
10 - Ilusão, Nada Mais
11 - Se Tu Quiser
12 - Seu Aconchego
13 - Bebedouro
14 - Quem É Você

Marco Zero - Ao vivo (2010)
Faixas:
01 - Anunciação
02 - Banquete de Signos
03 - Canta Coração
04 - Morena de Angola
05 - Pavão Mysteriozo
06 - O Meu Amor
07 - De Volta Pro Aconchego
08 - Queixa
09 - Admirável Gado Novo - Vida de Gado
10 - Chorando e Cantando
11 - É Só Você Querer
12 - Chão de Giz
13 - Chuva de Sombrinhas
14 - Frevo Mulher

Fonte: Dicionário da MPB

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

40 ANOS DE FA-TAL - GAL A TODO VAPOR: O ÁLBUM DA GERAÇÃO DO DESBUNDE

Por Jeocaz Lee-Meddi



Há momentos sublimes da criação do artista, cujo carisma é assimilado por uma legião de pessoas em busca de uma definição de ideais, sonhos ou apenas identificação na essência mais primária da composição do retrato humano. Quando esse momento acontece em uma determinada obra do artista, esta lhe é arrebatada (quase usurpada) e feita voz, ícone e representação. Assim aconteceu com “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, de Joahnn Wolfgang van Goethe em 1774, livro símbolo de uma geração de jovens na Europa do romantismo, que fizeram dos sofrimentos e da forma de estar na vida do jovem Werther, o modelo a ser seguido.

No Brasil da fase pós-AI-5, promulgado em 13 de dezembro de 1968, o endurecimento da ditadura deixou uma geração calada e sem rumo. Uma geração que passou pelos suspiros das contestações de 1968, pelo psicodelismo embriagante do roque do fim dessa década, pelas drogas, a Tropicália, o movimento Flower Power e pelo histórico espetáculo de Woodstock; essa mesma geração chega ao início da década de setenta mergulhada em um vazio e em uma lacuna deixada pelo silêncio de quem pensava e via as palavras caladas pela força bruta.

Essa geração sem heróis ou ídolos para exaltar e refletir o espelho de Narciso, encontra-se em 1971 com Gal Costa, que com a sua voz de sereia, estreava o show que seria o símbolo dessa geração: “Gal a Todo Vapor”. Nessa simbiose entre artista e público, a geração que ficaria para sempre conhecida como a do desbunde, faz do show um momento de fuga e sonho, de poder dizer não às convenções de uma sociedade de um país calado pela repressão, mas mutante em seus costumes. O show estréia em novembro de 1971 no Teatro Tereza Raquel, no Rio de Janeiro, dirigido por Waly Salomão. Com ele a geração do desbunde elege a sua musa, Gal Costa. O espetáculo torna-se obrigatório durante todo o verão de 1972.

Do show surge o álbum duplo “Fa-tal: Gal a Todo Vapor”. O disco, assim como "Werther" de Goethe, é arrebatado da cantora para se tornar o hino cultural da geração do desbunde.



Geração Desbunde


A moda à época do show “Gal a Todo Vapor” é a dos cabelos compridos. Aquela geração de cabeludos órfãos da Tropicália e de Woodstock torna-se a Geração do Desbunde. O termo desbunde foi denominado pela esquerda radical. Era tido como um movimento individualista e sem propósito ideológico. Seus participantes eram vistos como politicamente alienados e alienantes.

Seguiam a cultura underground sugerida pelo tropicalismo e pelo movimento hippie. A cultura vista como marginal e de ruptura estética. É a contracultura.

A contracultura surgiu com a publicação do poema “Howl”, de Allen Ginsberg (1956). Ginsberg foi o representante máximo do que ficou conhecido como a beat generation. Os beats foram os precursores ideológicos dos hippies, que surgiram nos anos sessenta. Os dois movimentos incitavam à filosofia do Drop Out: não lutar por mudanças no sistema, mas sim debandar (desbundar) e “curtir a vida” como lhes apetecesse, longe de princípios a ser seguidos, indiferentes às críticas e aos preconceitos dos “caretas”. A palavra de ordem era "não ser careta".


A geração de poesia marginal ou geração desbunde da década de 70, surge no eixo Rio-São Paulo. É um movimento de artistas (escritores, cineastas, cantores, pintores) independentes, que não possuem plataforma estética explícita, o que lhes tira o caráter histórico de movimento. No movimento modernista era comum a exaltação dos símbolos nacionais. No desbunde a exaltação é o homem e o seu existencialismo angustiado, a sexualidade rompe com os tabus. É a importação dos moldes americanos com o existencialismo europeu de Jean-Paul Sartre.

Glauber Rocha, dizia sobre as juventudes do desbunde e a juventude armada do final da década de sessenta: "a luta da granada contra o rock".

O desbunde trava o discurso do corpo, a festa, a droga. Procura novas formas de percepção, vocifera uma liberdade existencial convulsiva e prazerosa. Traz no underground a contestação.

No Rio de Janeiro, essa geração freqüentava no início da década de setenta o Píer, local que se tornou moda, criado por causa de um Emissário Submarino e ficava entre as Ruas Farme de Amoedo e Teixeira de Melo. Proporcionou boas ondas no mar e sensação nas areias de Ipanema. Ali nasceram as dunas do barato, ou dunas da Gal, local predileto da cantora. O ambiente descontraído reunia surfistas, artistas, hippies e intelectuais.


Fa-tal – Gal a Todo Vapor: o Disco

“Fa-tal – Gal a Todo Vapor” foi lançado pela Philips antes do natal de 1971. Primeiro álbum duplo da carreira de Gal Costa, traz dezenove faixas e dezessete canções, que foram imortalizadas no show. Na capa é destacada a boca vermelha da cantora ao microfone, que a partir de então, seria símbolo e ícone da sua carreira, juntamente com os cabelos. Quando lançado em CD teve as disposições das músicas alteradas em relação ao LP e até a capa veio adulterada. Na versão do CD, é respeitada o início do show, com Gal Costa, intimista, ao violão. No LP, o disco inicia na segunda parte, com a cantora e a banda no palco.


Como completa tradução de uma geração calada e perdida em suas próprias dúvidas, é um disco de canções existencialistas e de sentimentos rasgados à flor da pele. Grandes nomes da MPB identificados à época como representantes do underground, assinam as faixas.

“Dê Um Rolê” (Galvão – Moraes Moreira) inicia o canto que arrebatará a geração dos cabeludos. Vinda de músicos da banda Novos Baianos, é um rompimento de quem traduz no amor os anseios de uma vida, maior do que a força do dinheiro. Ser “amor da cabeça aos pés” é ser maior do que o modelo da sociedade capitalista tão bem representada pelo “milagre brasileiro”, então no seu auge.

Mas se “Dê Um Rolê” é superior ao momento vivido, “Mal Secreto” (Jards Macalé – Waly Salomão) é a própria sombra dilacerante da força bruta que cala um país, uma juventude. Visceral, inquietante, protesto sufocado e silêncio diluído nos medos, mascarar e massacrar a dor, uma realidade social ou do amor.

“Pérola Negra” (Luiz Melodia) é a ousadia da nova forma de amar que a década trazia, “tente saber tudo mais sobre o sexo”, porque já se pode falar sobre sexo, estamos diante da geração que no final da década de sessenta descobrira o amor livre, que descobriu ser possível levá-lo para dentro dos brandos costumes da sociedade. Gal Costa quase que grita com o seu canto, esse momento tão arrancado de dentro de quem vivia a fase de transição da mudança de tais costumes. A música cresce, a voz da cantora é aqui guerreira, mostrando porque aquela geração a havia escolhido para musa. Quem ousava na época cantar a relação rasgando a camisa e as roupas? Com esta canção um novo compositor fica conhecido no cenário musical brasileiro, Luiz Melodia. Gal Costa revisitaria “Pérola Negra” na comemoração dos seus trinta anos de carreira, no álbum “Acústico MTV”, em 1997, em dueto com o compositor da música.

Duas faixas do “Legal” (1970), álbum anterior, são registradas aqui: “Hotel das Estrelas” (Duda – Jards Macalé) e “Falsa Baiana” (Geraldo Pereira). A primeira é uma canção que descreve a juventude que vê amigos mortos pela ditadura e pela droga. A juventude que se sente tolhida e ameaçada. Nem a ditadura nem a droga oferecem saídas, mas a segunda alivia um pouco mais os tormentos. É a solidão dos anos vista pela janela e pela distância:

“Dessa janela sozinha
Olhar a cidade me acalma
Estrela vulgar a vagar
Rio e também posso chorar
Oh, e também posso chorar...”



A segunda, música de 1944, leva uma roupagem estilo bossa nova que se perpetuou ao repertório de Gal Costa, uma verdadeira baiana. Teria uma terceira versão no "Acústico MTV".

Um momento intimista do disco, quebrando um pouco o seu canto instigante, acontece com “Assum Preto” (Humberto Teixeira – Luiz Gonzaga). Aqui Gal Costa usa a sua voz de sereia como arma da mais profunda beleza e tristeza, como os olhos da ave cegada para cantar melhor. Como a cantora se sentia com o exílio dos amigos da Tropicália. A interpretação comove. O disco segue na linha da saudade e da homenagem aos amigos: “Bota a Mão nas Cadeiras” (Folclore Baiano), homenagem à Maria Bethânia, que cantava a canção em seu show Rosa dos Ventos”. “Maria Bethânia” (Caetano Veloso) reflete a homenagem à cantora homônima. “Não se Esqueça de Mim (Chuva, Suor e Cerveja)” (Caetano Veloso) é uma lembrança aos amigos Caetano e Gil, que estão do outro lado do Atlântico, em Londres.

“Como Dois e Dois” (Caetano Veloso) aparece em duas faixas. A canção foi gravada naquele ano por Roberto Carlos, tornando-se sucesso de público na interpretação do cantor. O registro de Gal Costa é mais intimista, apesar de aparecer duas vezes no álbum, não marca o seu repertório e nem se torna uma interpretação essencial. E como o tempo é de sofrimento existencialista, “tudo vai mal” ou tudo está perfeito “como dois e dois são cinco”, Caetano Veloso fizera a música no auge do seu exílio na Europa.

Ainda percorrendo o universo intimista do álbum, esbarramos com a canção “Fruta Gogóia” (Folclore Baiano), que “Como Dois e Dois”, também aparece em duas faixas. Recuperada do vasto folclore da eterna magia baiana, “Fruta Gogóia” é daquelas canções que por algum motivo se prendeu para sempre ao mundo musical de Gal Costa, não se separando mais. A canção volta a ser incluída no álbum “Gal Costa ao Vivo”, de 2006. E cumprido a promessa, samba que Gal Costa ensaiar o mestre não olha.


Na calma momentânea do álbum passamos rapidamente por “Charles Anjo 45” (Jorge Ben), outra alusão ao amigo Caetano Veloso.

Na sua visita de homenagens à saudade, traz de volta “Coração Vagabundo” (Caetano Veloso), primeiro quase sucesso de sua carreira em 1967, do álbum de estréia “Domingo”. E alguns anos depois, o coração não se cansava em tempos difíceis, de ter esperança de um dia ser tudo.

Desfilando pela MPB, Gal Costa recupera uma antiga canção, “Antonico” (Ismael Silva), que até então já ninguém mais se lembrava, depois desse registro, ninguém mais se esqueceu. “Antonico” tornou-se uma canção cultuada pelos críticos e fãs da cantora. Em algumas fases da recente história brasileira, a canção foi assimilada no cotidiano brasileiro com o nepotismo e com a política de favores. Assim como “Fruta Gogóia”, também voltaria a ser regravada no álbum “Gal Costa ao Vivo”.

O auge do intimismo do álbum é alcançado com “Sua Estupidez” (Erasmo Carlos – Roberto Carlos), uma das interpretações mais definitivas da carreira da cantora. A canção tinha sido lançada por ela em um compacto simples no início de 1971. A melodia, a poesia da letra, a melancolia saudosista e a sua beleza ímpar, tudo cai com perfeição à voz da cantora. “Sua Estupidez” consegue algo raro, ser diferente e lírica em todas os registros que há na interpretação de Gal Costa. Além das duas versões de 1971, ao vivo e em estúdio, ela reaparece em 1997 no “Acústico MTV” e no dueto com Roberto Carlos em seu tradicional programa de fim de ano na Rede Globo; em 2006 numa participação especial no álbum de Wagner Tiso, “Wagner Tiso 60 Anos – Um Som Imaginário”. Nos cinco registros Gal Costa emociona nas interpretações desta canção.

Após as canções intimistas, voltamos à essência do álbum com “Luz do Sol” (Waly Salomão – Carlos Pinto). Novamente o protesto implícito da geração sufocada pelo medo e pelos perigos do regime. Aqui já não se grita que tudo é perigoso, ou divino maravilhoso, os tempos são outros. Tempo de silêncio e tortura, de sobrevivência. E quem sobrevive só pensa em ver a luz do sol brilhar novamente nas trevas dos tempos e da história do Brasil.


Mas é “Vapor Barato” (Jards Macalé – Waly Salomão) a canção que se irá tornar o hino oficial da Geração do Desbunde. A canção tinha sido lançada em compacto no início de 1971, em uma versão rock, totalmente diferente da versão ao vivo. A canção reflete essa juventude intelectualmente consciente do momento vivido, mas presa às limitações do regime e da droga. É na contestação da sexualidade imposta e do amor livre proposto que extravasam essas limitações.

Os amores são fugazes, por isso vividos intensamente. Seguir à deriva dos sentimentos, partir sem olhar para trás em um navio ou outro veículo qualquer, sem as imposições do dinheiro, aqui novamente desprezado em relação aos sentimentos, visceralmente vividos.

"Oh, sim, eu estou tão cansado
Mas não pra dizer
Que eu não acredito mais em você
Com minhas calças vermelhas
Meu casaco de general
Cheio de anéis
Vou descendo por todas as ruas
E vou tomar aquele velho navio"


E “Fa-tal – Gal a Todo Vapor”, termina como começou, após um grande role, imerso no vapor barato em fuga, encerrando um dos mais emblemáticos e belos álbuns da MPB. O álbum é poesia underground, é marginal, de um existencialismo convulsivo. Fez parte de um movimento cultural que tomou o canto de Gal Costa como hino. Ver o show Gal a Todo Vapor e ouvir o disco era sinônimo de não ser careta, de pertencer a esse movimento.


Fa-tal - Gal a Todo Vapor (Philips - 1971)
Ficha Técnica:

Direção geral: Waly Salomão
Direção de produção e estúdio: Roberto Menescal
Técnico de gravação: Jorge Karan (gravação ao vivo)
Assistente de produção: Paulo Lima
Arranjos: Lanny
Capa: Luciano Figueiredo e Oscar Ramos
Fotos: Edison Santos e Ivan Cardoso

Músicos Participantes:
Direção musical e guitarra: Lanny
Baixo: Novelli
Bateria: Jorginho
Tumba: Baixinho

"Fa-tal": título extraído do poema homônimo, incluído no livro "Me Segura Que Eu Vou Dar Um Troço" de Waly Salomão


Faixas (Versão do LP):

Disco 01

Lado 01:
01 - Dê um role (Moraes Moreira - Galvão)
02 - Pérola negra (Luiz Melodia)
03 - Mal secreto (Jards Macalé - Waly Salomão)
04 - Como dois e dois (Caetano Veloso)

Lado 02:
01 - Hotel das estrelas (Jards Macalé - Duda)
02 - Assum preto (Humberto Teixeira - Luiz Gonzaga)
03 - Bota a mão nas cadeiras (Folclore Baiano)
04 - Maria Bethânia (Caetano Veloso)
05 - Não se esqueça de mim (Chuva suor e cerveja) (Caetano Veloso)
06 - Luz do sol (Waly Salomão - Carlos Pinto)

Disco 02

Lado 01:
01 - Fruta gogóia (Folclore Baiano)
02 - Charles anjo 45 (Jorge Ben)
03 - Como dois e dois (Caetano Veloso)
04 - Coração vabundo (Caetano Veloso)
05 - Falsa baiana (Geraldo Pereira)
06 - Antonico (Ismael Silva)

Lado 02:
01 - Sua estupidez (Erasmo Carlos - Roberto Carlos)
02 - Fruta gogóia (Folclore Baiano)
03 - Vapor barato (Jards Macalé - Waly Salomão)


Versão do CD:
01 - Fruta gogóia (Folclore Baiano)
02 - Charles anjo 45 (Jorge Ben)
03 - Como dois e dois (Caetano Veloso)
04 - Coração vabundo (Caetano Veloso)
05 - Falsa baiana (Geraldo Pereira)
06 - Antonico (Ismael Silva)
07 - Sua estupidez (Erasmo Carlos - Roberto Carlos)
08 - Fruta gogóia (Folclore Baiano)
09 - Vapor barato (Jards Macalé - Waly Salomão)
10 - Dê um role (Moraes Moreira - Galvão)
11 - Pérola negra (Luiz Melodia)
12 - Mal secreto (Jards Macalé - Waly Salomão)
13 - Como dois e dois (Caetano Veloso)
14 - Hotel das estrelas (Jards Macalé - Duda)
15 - Assum preto (Humberto Teixeira - Luiz Gonzaga)
16 - Bota a mão nas cadeiras (Folclore Baiano)
17 - Maria Bethânia (Caetano Veloso)
18 - Chuva suor e cerveja (Caetano Veloso)
19 - Luz do sol (Waly Salomão - Carlos Pinto)

terça-feira, 8 de novembro de 2011

UMA CANÇÃO

Cesar Camargo Mariano fala de sua formação autodidata, da paixão pelo cinema e da relação com Elis Regina.

Por Francisco Quinteiro Pires


Ao escrever um livro de memórias, Cesar Camargo Mariano apresentou-se como coadjuvante da própria história. Ele tem alma de artista. Sente muita dor quando alguém critica sua obra, como se sua existência estivesse em questão. Ele soube, porém, abdicar do egocentrismo para narrar suas experiências.

Memórias, que está saindo pela editora LeYa, é um exercício de humildade. Sem os parceiros que encontrou em quase 68 anos de vida, que completa no dia 19 deste mês, Cesar Camargo Mariano pode dar a impressão ao leitor de que não é um dos músicos essenciais da MPB.

O lançamento de Memórias será diferente. Em vez de sentar à mesa de uma livraria e distribuir autógrafos, concebeu um show com 14 músicas inéditas. O instrumentista sobe ao palco do Sesc Vila Mariana, em São Paulo, nos dias 9, 10 e 11 de setembro.

No mesmo espaço, vai exibir alguns desenhos a lápis criados especialmente para o volume. Desde 1994, vive na cidade de Chatham, em Nova Jersey, a uma hora e meia da Penn Station, em Manhattan. Ele montou um estúdio no porão da casa, onde recebeu a CULT.
Não tenho nenhuma pretensão de ser escritor”, diz. “Ao contrário do vinil, da fita cassete e do CD, o livro é a maneira mais eficiente de eternizar uma obra.” Camargo Mariano não tem vontade de que os outros sigam seus conselhos. “Quero apenas incentivar os jovens a prestar a atenção que eu prestei para ser músico.” Ser atento, segundo o pianista, é ter respeito pelo poder da música.


O amigo Alf

Adolescente, aprendeu o comportamento íntegro em relação à arte com um dos precursores da bossa nova, Johnny Alf, que viveu na casa de seus pais por sete anos. “Ela existe dentro de mim, mas não se submete a mim”, diz. Aos 14 anos, assistiu a um show do pianista na boate Golden Ball.
Na casa dos pais de Camargo Mariano, em São Paulo, o instrumentista era o responsável por buscar as crianças na escola. O pianista não dava conselhos, mas sua presença foi suficiente para Camargo entender “os bastidores da arte, as dificuldades e dramas de ser músico”.




Kubrick e Hitchcock

Por dois anos, a família cuidou de Alf, debilitado por uma cirrose hepática. Beth, uma das irmãs, parou de trabalhar para acompanhar a saúde do músico acamado. A mãe de Camargo Mariano guardou em caixas, legadas para o filho, folhas amassadas e rasgadas em que o hóspede anotou composições.

Em vez de música, o jovem instrumentista conversava com o compositor carioca sobre cinema. “Ele me ensinou a ser um telespectador exigente.” Camargo Mariano sempre revê os filmes de Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock. Lembra ter descoberto por acaso o trabalho de Johnny Mandel, “o maior dos compositores de trilhas sonoras”.

Certo dia, andando à toa pelas ruas de São Paulo, ele e o violonista Théo de Barros entraram à 1 da tarde em uma sala que exibia Adeus às Ilusões (1965). “Esperava um dramalhão com péssima atuação da Elizabeth Taylor.

Protagonizado pela atriz e por Richard Burton, o filme de Vincente Minnelli tinha “uma trilha sonora absurda”, criada por Mandel. Os dois assistiram várias vezes ao longa-metragem, chegando à última sessão, das 2 da madrugada.

Anos depois, no estúdio onde gravou o disco Elis & Tom, Camargo Mariano conheceu pessoalmente o compositor norte-americano, de quem se tornaria grande amigo. Na ocasião, Mandel confessou ser fã do instrumentista brasileiro.


O cinema é inspiração para a técnica musical de Camargo Mariano. Antes de se tornar compositor de trilhas sonoras para filmes, novelas e minisséries, ele entendia como cinematográfico o processo de compor e arranjar.
Trilhas para filmes

A letra e a melodia servem como roteiros para construir uma unidade que expressa os sentimentos e sonhos de um músico”, diz. “Por isso, foi automático fazer trilhas.” Ele compôs para Eu Te Amo (1980), filme de Arnaldo Jabor; Mandala (1987-1988), novela da Rede Globo; e Avenida Paulista (1982), minissérie da mesma emissora.

A paixão pelo cinema conduziu-o ao amor por Elis Regina. A convite de Ronaldo Bôscoli, que estava se divorciando da Pimentinha, em 1971, Camargo Mariano cuidou dos arranjos e da direção musical de uma temporada de shows da cantora no Teatro da Praia.

Às segundas-feiras, dia de folga das apresentações, Elis reunia amigos em casa para uma sessão de cinema. Eles alugavam filmes e um projetor do Museu da Imagem e do Som. Elis convidou Camargo Mariano para assistir a Morangos Silvestres, de Ingmar Bergman.

Durante uma pausa para a troca dos rolos do longa-metragem, a cantora colocou um bilhete no bolso da camisa do pianista. Disse para ler depois de terminada a exibição. Ele não aguentou, saiu da sala escura e se trancou no banheiro para ler a mensagem de amor. O namoro começou. Tiveram dois filhos, os cantores Pedro Mariano e Maria Rita.



A parceria profissional entre Elis Regina e Cesar Camargo Mariano foi uma das mais bem-sucedidas da música brasileira e atravessou os anos 1970. O pianista produziu e arranjou os discos Elis (1973), Elis & Tom (1974), Falso Brilhante (1976), Elis (1977), Transversal do Tempo (1978) Essa Mulher (1979), Saudades do Brasil (1980) e Trem Azul (1981).

Nos ensaios para a temporada no Teatro da Praia, Elis fez uma confissão. “Quando escuto essa música, na hora que chega esse trecho aqui, me dá uma dor por dentro, aqui ó”, disse, ao mesmo tempo em que pousava as mãos sobre o ventre.

Elis referia-se, diz Camargo Mariano, a um acorde criado por ele para valorizar a interpretação. “Desde criança, sinto essa dor também por causa de certos acordes. É algo pessoal, intransferível. Só não sabia que outras pessoas sentiam algo semelhante, e a sensação descrita por Elis me ajudou a identificar o que eu próprio sentia e sinto”, diz.


A insegurança de Tom

Clássico da MPB, Elis & Tom (1974) provocou um dos choques emocionais mais fortes que Camargo Mariano já sentira. “Por causa da gravação desse disco, Tom Jobim transformou-se de ídolo em ser humano.

A tomada de consciência sobre a personalidade do compositor de “Águas de Março” ocorreu ao longo de 22 dias de convivência, três deles para as gravações no estúdio.

Elis e Camargo Mariano chegaram a Los Angeles sem avisar. Tom Jobim não sabia de nada, e o compositor Aloysio de Oliveira não conseguiu localizar o compositor por telefone. “Foi uma situação ímpar, além de dramática.

Aos 31 anos, Camargo Mariano teve de superar as inseguranças de Tom Jobim, então com 47. Mesmo sendo uma estrela, Tom sofria com a possibilidade de o disco fracassar. Queria ter controle sobre todo o processo e dispensar os arranjos e a direção musical do jovem pianista. A resistência foi grande, a ponto de Camargo Mariano dizer-lhe, com educação, que o disco era de Elis – e Tom apenas um convidado. Ilustre, mas ainda assim um convidado.

Quando ele terminou a mixagem das gravações às 5 da madrugada, levou uma fita com o material para o compositor. O arranjador insistiu para que escutassem. Ao ouvir o trabalho pronto, Tom chorou compulsivamente.

No dia seguinte, pelo telefone, confessou ao parceiro mais novo: “Vocês tomam banho de chuveiro, com água fria e corrente, eu tomo de banheira, com água morna, que vai se ajustando à temperatura do meu corpo”, relembra Camargo Mariano, imitando a voz rouca do maestro. Era uma metáfora para a insegurança de Tom diante daqueles jovens atrevidos.


Pai professor

Desde cedo, Cesar Camargo Mariano chamou atenção por seus dotes musicais. Influenciado por Nat King Cole e Erroll Garner, ele aprendeu a tocar de ouvido. Autodidata, teve suas primeiras lições de teoria musical dadas pelo pai. Aos 13 anos, não entendia direito as definições teóricas, mas no piano era capaz de executar de modo comovente o que lhe era pedido.

Boa parte de Memórias aborda a importância das relações familiares. O livro relembra a emoção do primeiro piano, de cor amarela e dispensado pela antiga dona.

O talento natural de Camargo Mariano desenvolveu-se na convivência com músicos da São Paulo do início dos anos 1960. Ele recorda a atuação por dois anos na Baiuca, casa de shows na Praça Roosevelt, no centro da cidade.


Sambalanço

Nas apresentações, tocava habitualmente um repertório de jazz, mas um pedido foi fundamental para a formação de seu estilo. Certa noite, alguém da plateia lhe pediu um samba. Ao tentar tocá-lo no compasso jazzístico, não teve sucesso. Quando introduziu a cadência do samba, acentuando o ritmo no tempo fraco da composição, foi aplaudido.

Nos anos 1960, formou com Airto Moreira e Humberto Clayber o Sambalanço Trio. Tornou-se uma referência para a bossa nova com performances no João Sebastião Bar, o templo paulistano daquele gênero musical nascente.

Na mesma época, ajudou a criar com o coreógrafo norte-americano Lennie Dale e o diretor Solano Ribeiro um espetáculo para o Teatro Arena. Depois de São Paulo, as apresentações foram para o Rio, resultando no disco Lennie Dale & Sambalanço Trio no Zum-Zum (1965).

Camargo Mariano acredita nos ensaios. É bom conhecer minuciosamente as manhas musicais para lidar com o improviso. Foi o que ele aprendeu ao trabalhar como arranjador e diretor musical de Wilson Simonal em programas da Rede Record, na segunda metade dos anos 1960.
Era comum o pianista ensaiar à exaustão e, na última hora, ver o repertório mudar. “É necessário jogo de cintura nessa profissão.

Tendo trabalhado com os músicos brasileiros mais importantes – “só faltam Roberto Carlos e Gilberto Gil” –, Camargo Mariano ainda nutre alguns desejos, como um duo com Tony Bennett. “Não tenho muitas vontade em relação à nova safra brasileira, que está bem difícil.”

Enquanto não realiza o sonho, passa os dias no estúdio, de onde se comunica via Skype com os parceiros musicais. Os instrumentos eletrônicos estão sempre à mão para registrar as novas ideias. Ele reclama que da cabeça para o papel muita coisa se perde. “A criação da música é um drama que revolve as vísceras”, diz. “Mas só sendo assim para trazer dignidade à arte.

Preço médio: R$ 43,90

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

MPB - MÚSICA EM PRETO E BRANCO

Raul Boeira

MEMÓRIA MUSICAL BRASILEIRA

A aventura dos Doces Bárbaros começa em 1976, quando os quatro baianos Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gal Costa e Gilberto Gil se reuniram em comemoração a 10 anos de carreiras individuais de sucesso e formam um conjunto que se apresentaria nas principais cidades brasileiras. Gil e Caetano compõem um repertório especial para a ocasião e, em junho daquele ano, Os Doces Bárbaros estréiam em São Paulo, no Palácio Anhembi, cujos quatro mil lugares mal conteve a multidão de fãs que a cada noite acorria ao teatro para assistir ao show dos Quatro Baianos. A turnê do espetáculo durou menos de um mês, já que Gil e o baterista Chiquinho Azevedo foram presos por porte de maconha, em Florianópolis. Pouco depois, o show foi retomado e bateu o recorde de bilheteria do Canecão (RJ), onde permaneceu por dois meses. Em seguida, foi lançado o álbum Doces Bárbaros Ao Vivo.

Em 1994 aconteceu a primeira reunião do grupo depois do lançamento do álbum de 1976, especialmente para homenagear a escola de samba carioca Estação Primeira de Mangueira. A retribuição veio com a homenagem prestada pela Mangueira aos Doces Bárbaros no samba-enredo daquele mesmo ano. Ainda em 94, o grupo voltou a se reunir para uma apresentação em Londres, no Royal Albert Hall.

Em dezembro de 2002, os Doces Bárbaros voltaram aos palcos, desta vez para a inesquecível apresentação para mais de 100.000 pessoas que lotaram a Praia de Copacabana (RJ) no encerramento do projeto Pão Music. O evento e seus bastidores foram registrados pelo diretor Andrucha Waddington, e o filme, lançado em DVD em 2004. Em 2008 é lançado o DVD "Doces Bárbaros", a versão original de 1976.

Os doces bárbaros (1976)
Faixas:
Disco 1:
01 - Eu E Ela Estávamos Ali Encostados Na Parede – Doces Bárbaros – (Gilberto Gil, Caetano Veloso & José Agripino De Paula) (4:12)
02 - Esotérico – Doces Bárbaros – (Gilberto Gil) (4:10)
03 - Eu Te Amo – Doces Bárbaros – (Caetano Veloso) (3:00)
04 - O Seu Amor – Doces Bárbaros – (Gilberto Gil) (4:29)
05 - Quando – Doces Bárbaros – (Gal Costa, Caetano Veloso & Gilberto Gil) (4:15)
06 - Pé Quente, Cabeça Fria – Doces Bárbaros – (Gilberto Gil) (3:48)
07 - Peixe – Doces Bárbaros – (Caetano Veloso) (3:18)
08 - Um Índio – Doces Bárbaros – (Caetano Veloso) (4:42)
09 - São João, Xangô Menino – Doces Bárbaros – (Caetano Veloso & Gilberto Gil) (4:32)
10 - Nós, Por Exemplo – Doces Bárbaros – (Gilberto Gil) (4:06)
11 - Os Mais Doces Bárbaros – Doces Bárbaros – (Caetano Veloso) (1:14)

Disco 2:
01 - Os Mais Doces Bárbaros – Doces Bárbaros – (Caetano Veloso) (6:42)
02 - Fé Cega Faca Amolada – Doces Bárbaros – (Milton Nascimento & Ronaldo Bastos) (5:30)
03 - Atiraste Uma Pedra – Doces Bárbaros – (Herivelto Martins & David Nasser) (3:59)
04 - Pássaro Proibido – Doces Bárbaros – (Caetano Veloso & Maria Bethânia) (4:40)
05 - Chuckberry Fields Forever – Doces Bárbaros – (Gilberto Gil) (5:25)
06 - Gênesis – Doces Bárbaros – (Caetano Veloso) (8:47)
07 - Tarasca Guidon – Doces Bárbaros – (Wally Salomão) (7:31)

Ficha técnica original
Direção geral - Caetano Veloso
Direção musical - Gilberto Gil
Piano - Tomás Improta
Baixo - Arnaldo Brandão
Guitarra - Perinho Santana
Bateria - Chiquinho Azevedo
Sax e Flautas - Tuzé Abreu e Mauro Senise
Percussão - Djalma Corrêa
Direção da produção - Gapa e Perinho Albuquerque
Técnico em gravação e mixagem - Ary Carvalhaes
Assistente - Rafael Isaak
Técnico em manutenção - Ivan A. Lisnik
Corte - Luigi Hoffer
Capa - Aldo Luiz e Flávio Império
Fotos - Frederico Confalonieri
Ilustração - Jorge Vianna
Gravado ao vivo

domingo, 6 de novembro de 2011

SHOW ACABOU CHORARE POR MORAES MOREIRA

Em 23 de agosto de 2011, o Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro apresentou o show Acabou chorare por Moraes Moreira, com a participação especial do filho do músico, Davi Moraes. Além de interpretar as composições do disco, Moraes Moreira contou ao público um pouco sobre a história do LP.

Fonte: IMS - Instituto Moreira Salles

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