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quinta-feira, 16 de março de 2017

NELSON NED, 70 ANOS

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

COM 45 MILHÕES DE DISCOS VENDIDOS, NELSON NED SUPEROU PRECONCEITOS E CONQUISTOU O MERCADO INTERNACIONAL

Cantor morreu ap longo deste mês de janeiro em decorrência de choque séptico, broncopneumonia e acidente vascular cerebral

Por Ângela Faria



Seu vozeirão conquistou muitos fãs, até mesmo o colombiano Gabriel García Márquez, que chegou a declarar que escrevia ao som da voz do cantor. Com seu 1,12m, ele cantou nos quatro cantos do mundo e vendeu 45 milhões de discos. Portador de displasia espôndilo-epifisária, decorrente de mutação genética, jamais se rendeu ao bullying. Enfrentou o preconceito pelo gênero escolhido para mostrar seu talento: a canção romântica popular. Mineiro de Ubá, onde nasceu em 2 de março de 1947, Nelson d’Ávila Pinto, mais conhecido como Nelson Ned, morreu na manhã desse domingo, aos 66 anos, no Hospital Regional de Cotia (SP), em decorrência de choque séptico, broncopneumonia e acidente vascular cerebral.

Em 2003, o cantor e compositor havia sofrido um AVC. Perdeu a visão de um olho e precisava se locomover em cadeira de rodas. Tinha diabetes, hipertensão e foi diagnosticado com mal de Alzheimer em fase inicial. O corpo será cremado hoje no Crematório Horto da Paz, em Itapecerica da Serra, na Região Metropolitana de São Paulo.

Nelson Ned foi o primeiro latino-americano a vender 1 milhão de discos nos Estados Unidos, onde se apresentou junto com o espanhol Julio Iglesias e o americano Tony Bennett. Por três vezes lotou o Carnegie Hall, a mítica casa de shows de Nova York. Também se apresentou no famoso Madison Square Garden. Evangélico desde os anos 1990, passou a gravar temas religiosos em discos lançados nos mercados brasileiro, norte-americano e hispânico.

(Arquivo pessoal/ Reprodução Túlio Santos/EM/D.A Press)O jornalista Paulo César Araújo, autor do livro 'Eu não sou cachorro não', afirmou que Nelson Ned era sagaz em relação ao mercado fonográfico. “Ele tinha visão crítica e lúcida com relação ao contexto da música. No Brasil, sempre fez muito sucesso entre as camadas mais populares, mas não dá dúvida de que seu reconhecimento e prestígio foram muito maiores no exterior.”

Do ator Paulo Gracindo o cantor mineiro ganhou o apelido que o consagraria: Pequeno Gigante da Canção. “O começo foi muito difícil para mim, pois o Brasil estava acostumado a só ver anão fazendo show em circo ou pegando alguma ponta em programa humorístico de televisão. Foi muito difícil provar às pessoas que sou pequeno e canto bem, assim como o Ray Charles e o Stevie Wonder são cegos e também cantam”, afirmou Nelson em sua autobiografia, O pequeno gigante da canção. Ele gravou 32 discos. Era ídolo no México, Colômbia, Argentina, Espanha, Portugal, Angola, Luanda e Moçambique, entre outros países. 'Tudo passará' teve 40 regravações em vários idiomas.


Chacrinha

Nos anos 1960, Nelson Ned morava com a família em BH, vindo de Ubá. Apresentou-se em programas de auditório nas rádios Guarani e Inconfidência e na TV Itacolomi. Em 1963, mudou-se para o Rio de Janeiro. Peregrinou por rádios, TVs e gravadoras, contou com o empenho de Chacrinha para divulgar seu trabalho até estourar com 'Tudo passará' em 1968.

No Brasil, o mineiro fazia sucesso no programa do Chacrinha e nas rádios populares. Era tratado com desdém pela crítica brasileira, enquanto no exterior despontava como top do showbusiness. Em 1976, interrompeu a carreira por causa de um descolamento da retina. Em meio ao desespero e à dor num hospital norte-americano, tornou-se evangélico.

Em sua autobiografia, Nelson fala do sucesso, da mudança para os Estados Unidos, da fortuna e do envolvimento com mulheres, além de bebidas e drogas. Em 1988, o cantor frequentou as páginas policiais: a mulher, Cida, segundo ele, sofrera acidente com arma de fogo na residência do casal, na capital paulista. Nelson nega ter atirado nela, mas foi processado. Parou de beber e de cheirar cocaína, mas voltou aos vícios. Só se livrou dos tormentos no fim dos anos 1990. Em 2003, sofreu o AVC que interrompeu sua carreira. Perdeu a fortuna e contou com os cuidados dos irmãos Ned Helena, Nélia, Nedson, Neuma, Neyde e Nelci. O cantor foi casado duas vezes e deixou três filhos: Monalisa, Verônica e Nelson Jr.


Ubá

Ano passado, o cantor ganhou homenagem em Ubá. O Memorial Nelson Ned abriga pequeno acervo alusivo à carreira dele. “O Brasil perdeu um de seus grandes poetas e compositores. Esse artista levou o nome de Ubá, de Minas Gerais e do Brasil para o mundo”, afirma o pesquisador João Carlos Teixeira Mendes, de 55 anos, responsável pela festa para o conterrâneo.

Cunhado do cantor, Rubens Pereira ressalta a cordialidade, gentileza e generosidade dele com a família. “Nelson ajudou a muita gente, mas não gostava de divulgar isso. Vê-lo cantar, com toda aquela emoção, sempre foi uma alegria para os fãs. Morre o homem, mas não o artista, porque a obra dele vai ficar para sempre”, conclui. (Colaborou Walter Sebastião)



Palavras do cantor

"Quando virei evangélico, era muito depravado, bebia muito, usava muita droga e tinha muitas mulheres. E aí Deus falou comigo de madrugada. Porque Deus fala com a gente é de madrugada: ou você muda, ou vou tirar você daqui. Então eu resolvi mudar.”

“A coisa que mais sinto falta de Minas é a comida. Eu amo o Brasil. Eu amo Minas Gerais e eu amo Ubá.”

“Conheço o mundo inteiro. Viajei muito. Mas gosto mesmo é de Miami. Foi lá que minha carreira internacional começou. Mas pra mim já está bom. Tá na
hora de sombra e
água fresca.”

“Tenho saudades de mim mesmo.”

Nelson Ned em sua última entrevista, ao Estado de Minas, em 7 de dezembro de 2013

domingo, 5 de janeiro de 2014

A REPERCUSSÃO DA MORTE DE NELSON NED, PRIMEIRO ARTISTS LATINO-AMERICANO A VENDER MAIS DE 1 MILHÃO DE DISCOS NA AMÉRICA LATINA

O cantor Nelson Ned, de 66 anos, morreu na manhã deste domingo (5) no Hospital Regional de Cotia, em São Paulo. Ele estava internado desde o dia anterior com pneumonia


Natural de Ubá (MG), o artista fez fama como cantor de músicas românticas nos anos 1960, quando já vivia no Rio. "Tudo passará" foi um de seus sucessos. Em 2003, sofreu um acidente vascular cerebral. Ele vivia em São Paulo, sob a guarda e cuidados de Neuma, uma de suas irmãs.


Veja, abaixo, a repercussão da morte:

Wanderley Cardoso, cantor, ao G1
“Conheci o Nelsinho na extinta TV Rio. Ele estava mostrando músicas para vários artistas, tocava violão com muitas dificuldades. E eu falei que tinha uma oportunidade para levá-lo para a gravadora. Ele duvidou que iriam aceitá-lo. Ele foi morar na minha casa. Quando chegou lá, tinha só uma cuequinha. Eu pedi para levá-lo para a Copacabana [gravadora]. Por causa do nanismo, não queriam contratá-lo. Falei a ele: ‘Canta ‘Tudo passará’.’ Imediatamente foi contratado. E se transformou em grande ídolo mundial.

Recordo que ele tinha uns óculos amarrados com esparadrapo. Mandei trocar. Com o tempo ele foi melhorando de vida. Tivemos desavenças. Eu namorava uma menina chamada Marli. Depois que terminamos, ficou com ele e foi a mãe de dois filhos. Lembro que, uma vez, ele veio dos EUA e depositou US$ 300 mil em uma conta. Também comprou o primeiro Galaxie [carro de luxo da época] em que andei.

Hoje recebi a notícia triste, perco o Nelsinho. Quando ele morava na minha casa, eu andava de mãozinha dada com ele como se fosse meu filho. Já chorei tudo o que tinha para chorar. Faz muito anos que eu não me encontrava com ele. Procurava o telefone, queria ajudar. A última vez que vi foi na televisão. De qualquer maneira, ele mora no meu coração.”


Jerry Adriani, cantor, ao G1

"No início de carreira tínhamos muito contato, principalmente na TV. Saíamos com o Chacarinha. Sempre tive amizade grande com ele. Não havia como não ter, era um cara muito alegre, espirituoso, tirava o problema dele de letra. Eu brincava muito, pegava no colo.

Encontrei-me com ele no aeroporto, há uns 8 anos, já estava com problemas de vista, não me enxergava direito, não estava com aquela alegria. A saúde foi piorando. Foi muito triste. Ele foi um fenômeno. Principalmente fora do Brasil. Fez mais sucesso lá fora que aqui. Lotava estádio. Foi sucesso só comparado a Roberto Carlos. Em alguns lugares mais que o Roberto. E cantando um gênero que pessoas não costumam dizer que é brasileiro, a balada."


Odair José, cantor, ao G1

“Lamento muito, mas a gente sabe que a morte faz parte da vida. Soube hoje que ele veio a falecer no hospital de Cotia (SP). Eu moro na cidade, mas não estava no momento. Eu me lembro do sucesso enorme de Nelson na década de 70, um pouco antes de mim, com aquela balada “Tudo passará”. Quando viajei pela América Latina e EUA vi o grande sucesso que ele fazia. Um cara que fez um grande trabalho mesmo com as dificuldades físicas. Agradou bastante e com certeza vai ficar na história da música, pelo trabalho que fez.”


Aguinaldo Timóteo, cantor, ao G1

"Hoje não sei se fico triste ou agradecido a Deus. Ele o tirou de uma situação terrível: incerteza, falta do palco, falta de rendimento. Era um momento delicado na vida. Começamos juntos em Belo Horizontes. Depois, viemos para o Rio. Fizemos sucesso quase ao mesmo tempo. E ele se tornou celebridade no exterior. Ele sentia falta do reconhecimento.

Genival Melo, empresário que também trabalhou comigo, fez do Nelson Ned o segundo maior ídolo da história do país, só depois de Roberto Carlos. Genival não teve comigo o mesmo cuidado que com ele. Ele o levava nas costas para os palcos da América Latina.

Há cinco anos Nelson viva um momento delicado. Ele mesmo deve ter pedido a Jesus. Era evangélico, com músicas maravilhosas. Tanto nas mensagens religiosas quanto nas românticas, era muito iluminado. Mas entre a tristeza e a alegria de ter acabado o sofrimento de Nelson Ned, eu agradeço a Deus."


Fafá de Belém, cantora, no Twitter

"Que período para a música popular! Perdemos grandes expoentes que corajosamente jorravam suas (nossas) emoções, apesar da patrulha. Ned!"


Emicida, cantor, no Twitter 

"Descanse em paz Nelson Ned. O Hip Hop te eterniza nos samples!"


Lobão, cantor, no Twitter

"Morre o grande cantor Nelson Ned aos 66 anos. R.I.P. (sem piadas, por favor)"


MC Rashid, cantor, no Twitter

"Descanse em paz Nelson Ned!"


Fonte: G1

MORRE NELSON NED AOS 66 ANOS EM SÃO PAULO

Artista estava internado com pneumonia grave em Cotia, Grande SP.



O cantor Nelson Ned, de 66 anos, morreu na manhã deste domingo (5) no Hospital Regional de Cotia, em São Paulo. Ele estava internado desde sábado com pneumonia.

Segundo funcionários da Funerária Muncipal de Cotia, o cantor morreu às 7h25 em decorrência de "choque septico, sepse, broncopneumonia e acidente vascular cerebral". O corpo irá sair da funerária em Cotia e deve chegar no Cemitério Horto da Paz, em Itapecerica da Serra, por volta das 16h deste domingo. A princípio, o velório será só para a família. Depois, será aberto aos fãs.

Segundo a irmã Neuma Nogueira, que cuidava do cantor em São Paulo, Nelson teve infecção pulmonar e urinária e não respondeu ao tratamento. “Ele teve febre muito alta e estava muito debilitado. Nos últimos 2 dias, ele já estava inconsciente e respondia muito pouco”, disse.

Natural de Ubá, Minas Gerais, Nelson Ned fez fama como cantor de músicas românticas nos anos 60, quando já vivia no Rio de Janeiro. "Tudo passará", de 1969, foi um de seus grandes sucessos. Em 2003, o cantor sofreu um acidente vascular cerebral. Desde então, vivia no Recanto São Camilo, na Granja Viana, em Cotia, sob a guarda e cuidados de Neuma. O AVC afetou sua parte vocal, assim como memória. Ned foi casado duas vezes e teve três filhos com Marly, sua segunda esposa: duas filhas, de 32 e 33 anos, e um filho, que mora no México. Segundo a irmã Ned Helena, as filhas irão acompanhar o velório em São Paulo.

Primogênito dos 7 filhos de Nelson de Moura Pinto e Ned d´Ávila Pinto, ele saiu de Ubá (MG) para tentar a vida no Rio de Janeiro aos 17 anos. Começou bem distante dos palcos, trabalhando em uma linha de montagem de uma fábrica de chocolates. Cantou em boates paulistas e cariocas antes da maioridade e era escondido embaixo do balcão das casas quando o Juizado de Menores passava para fiscalizar.


Tempos depois, passou a ser figura recorrente no programa do Chacrinha, que ele considera o “pai de sua carreira artística”. Foi na televisão que conquistou espaço e sucesso com o hit "Tudo passará", uma de suas primeiras músicas.“Ele foi um divisor de águas na minha vida. Me deu oportunidade e comida. Devo muito ao falecido amigo. Foi muito difícil ser cantor de brega e anão neste país”, relembrou Ned em entrevista ao G1, em 2012.

Com 32 discos gravados em português e espanhol, Ned cantou no Carnegie Hall e no Madison Square Garden, ambos em Nova York. Ele se converteu nos anos 90 à religião evangélica e, desde então, cantava músicas gospel. Em 1996, lançou a biografia "O pequeno gigante da canção", que fazia referência à sua altura, de 1,12m.

O hit "Tudo passará” era sua faixa predileta, conforme contou ao G1. “É a que mais gosto. Quando cantei em um programa fui aplaudido de pé no meio da música. Isso é ser brega? Quem não é brega quando fala de amor? É o amor que é brega, não a minha música.”

Principais discos:
1960 - "Eu sonhei que tu estavas tão linda/Prelúdio à volta"
1969 - "Tudo passará"
1970 - "Nelson Ned"
1979 - "Meu jeito de amar"
1992 - "Penso em você"
1993 - "El romantico de América"
1997 - "Jesus está voltando"
1998 - "Seleção de ouro/20 sucessos"
1999 - "Os melhores tangos e boleros"
1999 - "Tudo passará/Meu jeito de amar"

Fonte: G1

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