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terça-feira, 30 de junho de 2020

MAURO DUARTE, 90 ANOS

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Em 1933, mudou-se com a família para o bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro.

Trabalhou como bancário e ourives.

Desde cedo freqüentou os blocos carnavalescos de Botafogo e adjacências, como compositor e ritmista, fazendo parte do núcleo de sambista do bairro.

Em 1947 conheceu Walter Alfaiate (Walter Nunes) no campo do Fluminense, após uma partida de futebol no qual os dois, Botafoguistas, presenciaram a derrota do alvinegro. Por essa época, conheceu também outros compositores do bairro e fez parte da geração que incluía, além de Walter Alfaiate, Mical, Zorba Devagar, Niltinho Tristeza, geração que viria a influenciar outro jovem compositor, também de Botafogo, Paulinho da Viola.

Aos 15 pertencia à Ala de Compositores do Bloco Mocidade Alegre de Botafogo, no qual atuava também como ritimista. Por essa época, Walter Alfaiate o levou também para participar de outros blocos: Bloco do Funil e Foliões de Botafogo.

Tinha o apelido de Mauro Bolacha, devido a seu rosto arredondado.

Integrou a Ala de Compositores da Escola de Samba Império Serrano, Portela e da Tradição.
Como ator, participou dos filmes "Coração de Ouro", baseado na composição homônima de Elton Medeiros e Joacyr Santana e do filme "O Homem Nu", baseado na crônica de Fernando Sabino.

Em dezembro de 1998, por iniciativa do vereador Eliomar Coelho, fo criada a praça Mauro Duarte, em Botafogo. A praça situa na confluência das ruas São Manuel e Fernandes Guimarães com decreto nº 20856 de 11 de dezembro de 2001 por César Maia, prefeito da cidade do Rio de Janeiro na época.

Em 1960 Miltinho interpretou "Palavra", sua primeira música gravada. Por essa época, ao lado de Jair do Cavaquinho, entre outros, participou do show "A hora e a vez do samba".

Com a composição "Culpas e desenganos" (c/ Maurício Tapajós e Hermínio Bello de Carvalho) participou do "1º Festival de Juiz de Fora", em 1966.





Participou também do grupo de samba Os Autênticos, entre os anos de 1966 e 1968, integrado ainda por Noca da Portela, Adélcio Carvalho, Eli Campos e Walter Alfaiate.

Em 1967, substituindo Paulinho da Viola, passou a integrar o conjunto Os Cinco Crioulos, ao lado de Elton Medeiros, Anescarzinho do Salgueiro, Nelson Sargento e Jair do Cavaquinho. O grupo gravou três LPs pela Odeon entre os anos de 1967 e 1969, fazendo shows de lançamento por vários estados.

No ano de 1968, no LP "Samba na madrugada", de Paulinho da Viola e Elton Medeiros, foi incluída "A maioria sem nenhum", de sua autoria em parceria com Elton Medeiros. Neste mesmo ano de 1968 participou como convidado do show "Mudando de conversa" (Conjunto Rosa de Ouro, Clementina de Jesus, Cyro Monteiro e Nora Ney) do qual foi gerado o LP ao vivo. No disco, ao lado de Elton Medeiros e Cyro Monteiro, interpretou "Se o carnaval acabar", parceria com Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho.

Em 1970, Elizete Cardoso gravou "Lamentação", de sua autoria, para ser lançada no carnaval. Neste mesmo ano, Paulinho da Viola regravou a composição. Ainda em 1970, conheceu Clara Nunes que viria a ser a principal intérprete. No ano seguinte, Paulinho da Viola gravou "Reclamação", parceria de ambos e "Cuidado, teu orgulho te mata", parceria com Walter Nunes, depois conhecido como Walter Alfaiatte.

No ano de 1972 entrou para a Ala de Compositores da Portela.


A cantora Eliana Pittman, em 1974, gravou "Motivação", (c/ Noca da Portela). No mesmo ano, o grupo MPB 4 interpretou "A alegria continua", também em parceria com Noca da Portela. Ataulpho Alves Júnior gravou "Isso tem que acabar" (c/ Noca da Portela) e Clara Nunes interpretou duas composições suas: "Meu sapato já furou" (c/ Elton Medeiros) e "Menino Deus" (c/ Paulo César Pinheiro), ambas, sucessos imediatos da cantora. Ainda em 1974, Elizete Cardoso interpretou "Pra quê, afinal?" (c/ Adélson Carvalho) no LP "Mulata maior".

Resultado de imagem para Mauro DuarteNo ano de 1976 Clara Nunes, no LP "Clara" interpretou "Canto das três raças" (c/ Paulo César Pinheiro) e "Lama". Sobre a composição "Lama" Paulo César Pinheiro escreveu um comentário no encarte do mesmo LP: "Há muitos anos o Mauro cruzou com o Ataulfo Alves num botequim de Botafogo e mostrou esse samba ao mestre a fim de uma gravação sua. Ataulfo botou aquela mão enorme que ele tinha no ombro do malandro e disse: - ô mulato, o samba é grande. Mas vou te ser honesto. Se eu gravar, vão dizer que é meu. E ninguém vai falar de você. Mas garanto que um dia você grava. Ninguém vai desperdiçar uma maravilha dessa".

Em 1977, no LP "As forças da natureza", Clara Nunes interpretou "Perdão" (c/ Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro). Neste mesmo ano, no LP "Espelho", João Nogueira incluiu "Desengano", parceria de ambos, e "Samba do amor", esta última em parceria com João Nogueira e Gisa Nogueira. No ano seguinte, Vania Carvalho (irmã de Beth Carvalho) regravou "Lamentação" e João Nogueira gravou "Bate boca" (c/ Walter Nunes), no disco "Vida boemia".

No ano de 1979, no disco "Esperança", Clara Nunes gravou "Contentamento" (c/ Paulo César Pinheiro). Neste mesmo ano, no LP "Zumbido", Paulinho da Viola interpretou "Foi demais", parceria de ambos.

Em 1980, foi a vez de Noca da Portela no disco "Mãos dadas", regravar "A alegria continua". No mesmo ano, Clara Nunes incluiu no LP "Brasil mestiço" as composições "Coração em chamas" (c/ Elton Medeiros) e "Brasil mestiço, santuário da fé" (c/ Paulo César Pinheiro). A mesma cantora, em 1981, gravou com a participação especial da Velha-Guarda da Portela, a composição "Portela na avenida" (c/ Paulo César Pinheiro) e "Coroa de areia" (c/ Paulo César Pinheiro). Ainda neste ano, Paulinho da Viola gravou "A M O R amor", parceria com Walter Nunes.

Em 1982, Clara Nunes gravou "Serrinha" (c/ Paulo César Pinheiro), no LP "Nação". No ano seguinte, Alcione, no disco "Alma & corações", interpretou, de sua autoria com Paulo César Pinheiro e João Nogueira, "Um ser de luz", e em 1984, "Mangueira Estação Primeira" (c/ Paulo César Pinheiro).

No ano de 1985, gravou com Cristina Buarque um LP independente, "Cristina e Mauro Duarte", pelo Selo Coomusa (Cooperativa Mista dos Músicos Profissionais do Rio de Janeiro), que contou várias músicas suas em parceria com Carlinhos Vergueiro, além de "A alegria continua", com Noca da Portela e outras em parceria com Maurício Tapajós, Walter Nunes e Paulo César Pinheiro. Também foi registrada nesse LP a única música de Paulo César Pinheiro em que a letra não é do poeta, e sim de Mauro Duarte, "Reserva de domínio". Constou ainda, neste disco, uma parceria com Cristina Buarque, interpretada por ela, "Deixa eu viver na orgia". No mesmo ano, a cantora Alcione gravou o LP "Fogo da vida", no qual incluiu "Academia do Salgueiro" (c/ Paulo César Pinheiro). Ainda em 1985, ao lado de Chico Buarque, Paulinho da Viola, Beth Carvalho, João Bosco, Toquinho e Cristina Buarque, entre outros, participou do disco "Flores em vida", produzido por Carlinhos Vergueiro em homenagem a Nelson Cavaquinho, com lançamento na quadra da Mangueira. Por essa época, fez turnê nacional para lançamento do disco com Cristina Buarque e internacional, na qual a dupla apresentou-se em Moçambique e Nicaragua, neste último país, a dupla apresentou-se também com a cantora Miúcha.




Em 1987, gravou um compacto duplo ao lado de Cristina Buarque, no qual interpretaram "Resgate" (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro). No mesmo ano, Alcione interpretou "Imperatriz Leopoldinense" (c/ Paulo César Pinheiro) e, no ano seguinte, "União da Ilha do Governador", da mesma dupla. Ainda em 1988, em parceria com Paulo César Pinheiro, compôs o samba-enredo que a Tradição desfilou naquele ano.

Em 1989, a gravadora EMI/Odeon produziu uma coletânea de sucessos da cantora Clara Nunes, na qual foram incluídas Canto das três raças" e "Portela na avenida", ambas em parceria com Paulo César Pinheiro. Naquele ano, a gravadora Idéia Livre produziu um LP em homenagem a Paulo da Portela, no qual interpretou em dueto com Cristina Buarque a faixa "Quem espera sempre alcança".

Em 1990, Cristina Buarque gravou "Marcha da saideira" (Mauro Duarte, Cristina Buarque e Lefê) para o disco "Bloco Carnavalesco Simpatia É Quase Amor - 5 anos de samba em Ipanema", e, em 1994, Cristina Buarque relançou o LP "Resgate", originalmente gravado em 1990 para o mercado japonês. Foram incluídas neste LP as músicas "Volta para a minha companhia", "Violão amigo" (c/ Walter Nunes), "Eu pensei" (Délcio de Carvalho) e "Eu vou embora", as quatro músicas cantadas por Cristina Buarque e Walter Alfaiate. No mesmo disco, Cristina e Paulo César Pinheiro interpretaram "Carioca da gema" (c/ Paulo César Pinheiro).

Em 1994, foi lançado pela gravadora Saci o CD "Homenagem a Mauro Duarte", reunindo gravações suas e de outros cantores interpretando suas músicas, entre eles Paulinho da Viola que cantou de autoria do homenageado as faixas "Cuidado, teu orgulho te mata", "Foi demais", "Lamentação" e "Reclamação", esta última um dueto de Paulinho da Viola e Mauro Duarte. No ano seguinte, Paulo César Pinheiro produziu um disco-homenagem a Clara Nunes, "Clara Nunes Com vida", no qual foi incluída a música "Menino Deus", acrescida da voz de Emílio Santiago.

No ano 2000, Alcione interpretou de sua autoria "Menino Deus" e "Canto das três raças", ambas em parceria com Paulo César Pinheiro, no disco "Claridade", homenagem à Clara Nunes. No ano posterior, Elton Medeiros interpretou "A maioria sem nenhum", parceria de ambos, no disco "1º Compasso", coletânea de vários artistas lançada pelo selo Biscoito Fino.
No ano de 2002 foi lançado o disco "Clássicos do samba" (Elaine Faria, Dona Ivone Lara, Martinho da Vila e Jamelão). No CD Eliane Faria interpretou "Portela na avenida" (c/ Paulo César Pinheiro). Neste mesmo ano, Renato Braz lançou o CD "Quixote", no qual interpretou de sua autoria "Canto das três raças" (c/ Paulo César Pinheiro).

Em 2003, Walter Alfaiate lançou o CD "Samba na medida" (gravadora CPC-Umes), disco no qual incluiu "A paixão e a jura" (c/ Paulo César Pinheiro) e "Isso um dia tem que se acabar" (c/ Noca da Portela) e Noca da Portela incluiu "Alegria continua" e "Sonho de criança", parceria de ambos, no disco "Noca da Portela - 51 anos de samba". Ainda em 2003, Walter Alfaiate, Noca da Portela e Elton Medeiros, prestaram homenagem ao amigo sambista em show no Centro Cultural José Bonifácio, na Gamboa, centro do Rio de Janeiro e Eliane Faria, no disco "Alma feminina", regravou "Menino Deus". Neste mesmo ano, Renato Braz regravou "Menino Deus" e Elton Medeiros "Lama", ambas no CD "Um ser de luz - saudação à Clara Nunes".



No ano de 2005 Walter Alfaiate lançou, pelo selo paulista CPC-Umes, um CD em sua homenagem, somente com composições do sambista. No CD o parceiro incluiu várias composições inéditas cedidas por Cristina Buarque e Paulo César Pinheiro, além de seis parcerias de Walter e Mauro. Entre as músicas incluídas destancam-se "Nossos esforços" (c/ Paulo César Pinheiro), "Fonte dos amores" (c/ Walter Alfaiate e Wilson Moreira), "Lenha na fogueira" (c/ Paulo César Pinheiro), "Arroz e feijão" (c/ Walter Alfaiate), "Vila" (c/ Paulo César Pinheiro) e ainda "Vem ver, João" e "Jeito do cacimbo", além da única não inédita, "Falsa euforia", anteriormente gravada pelo grupo Família Roitman.

Em 2008 Cristina Buarque e o grupo Samba de Fato (Pedro Amorim: Bandolim; Alfredo Del Penho: Violão de 7; Paulinho Dias e Pedro Miranda; pecussão e vozes) lhe prestaram homenagem lançando o CD "O samba informal de Mauro Duarte" (Deckdisc). No disco foram incluídas "Falou demais" (c/ João Nogueira e Paulo César Pinheiro) e várias parcerias com Paulo César Pinheiro, entre elas "Lenha na fogueira", "Reza, meu bem", "Samba de botequim" e "Sublime primavera" (interpretada por Paulo César Pinheiro no CD). Também foram incluídas no disco, parcerias de Mauro Duarte com Élton Medeiros, Walter Alfaiate e Maurício Tapajós.

Lançado no ano de 2011 pelo Selo Discobertas, do pesquisador Marcelo Fróes em convênio com o Selo ICCA (Instituto Cultural Cravo Albin), o box "100 Anos de Música popular Brasileira" é integrado por quatro CDs duplos, contendo oito LPs remasterizados. Inicialmente os discos foram lançados no ano de 1975, em coleção produzida pelo crítico musical e radialista Ricardo Cravo Albin a partir de seus programas radiofônicos "MPB 100 AO VIVO", com gravações ao vivo realizadas no auditório da Rádio MEC entre os anos de 1974 e 1975. Elza Soares participou do CD volume 8 interpretando de sua autoria "A infelicidade" (c/ Niltinho Tristeza) e Paulinho da Viola, no mesmo CD, gravou "Eu sabia" (Mauro Duarte).

Dentre suas composições gravadas por Clara Nunes, que se tornaram sucessos da cantora, constam ainda "Brasil mestiço", "Serrinha", "Menino Deus", "Meu sapato já furou", "Tributo aos Orixás", "Perdão" e "Portela na avenida".

Entre seus parceiros estão Paulinho da Viola, Dona Ivone Lara, Elton Medeiros, Noca da Portela, Maurício Tapajós, Hermínio Bello de Carvalho, Carlinhos Vergueiro, Rubem Tavares, Lefê e Cristina Buarque.

Suas músicas foram gravadas por vários artistas da MPB: "Maria das Dores" (MPB4); "A maioria sem nenhum" (Elton Medeiros); "Se o carnaval chegar" (Cyro Monteiro, Doris Monteiro, Os Cinco Crioulos); "Quanta dor" (Os Cinco Crioulos); "Lamentação" (Paulinho da Viola, Elizeth Cardoso, Germano Batista) e "Sons de mim" (Elza Soares), "Falsa euforia" (Família Roitman), "Sapato mole" (Quarteto em Cy), "Nunca mais" (Roberto Ribeiro), entre outros.


Fonte: Dicionário da MPB

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

MAURO DUARTE, 30 ANOS DE SAUDADES

Mauro Duarte de Oliveira, mineiro da cidade de Matias Barbosa, onde nasceu em 2 de junho de 1930,mudou-se para o bairro do Botafogo no Rio de Janeiro aos 3 anos, e desde cedo freqüentou os blocos carnavalescos, como compositor e ritmista, fazendo parte do núcleo de sambista do bairro, mas para ganhar a vida trabalhou como ourives e bancário.
Começou a compor ainda criança, e era um pianista autodidata.
Em 1947, após assistir um jogo do Botafogo no campo do Fluminense, conheceu Walter Alfaiate (Walter Nunes), outro botafoguense como ele. Nessa mesma época, conheceu também outros compositores do bairro, como Mical, Zorba Devagar e Niltinho Tristeza.

Mais Consideração

Por causa de seu rosto arredondado, era chamado pelo apelido carinhoso de "Bolacha", dado por Cyro Monteiro.
Pertencente à Ala de Compositores do Bloco Mocidade Alegre de Botafogo, Walter Alfaiate o levou também para participar de outros blocos: Bloco do Funil e Foliões de Botafogo.
Em 1960 Miltinho interpretou "Palavra", sua primeira música gravada, e ao lado de Jair do Cavaquinho, entre outros, participou do show "A hora e a vez do samba".

Sorri de Mim - com Cristina Buarque

Em 1966, com a composição "Culpas e desenganos" (c/ Maurício Tapajós e Hermínio Bello de Carvalho) participou do "1º Festival de Juiz de Fora". /
Entre os anos de 1966 e 1968 participou também do grupo de samba Os Autênticos, integrado ainda por Noca da Portela, Adélcio Carvalho, Eli Campos e Walter Alfaiate.
Em 1967, substituindo Paulinho da Viola, passou a integrar o conjunto Os Cinco Crioulos, ao lado de Elton Medeiros, Anescarzinho do Salgueiro, Nelson Sargento e Jair do Cavaquinho, e com o grupo gravou três LPs entre os anos de 1967 e 1969, fazendo shows por vários estados.

Maioria Sem Nenhum - Elton Medeiros e Paulinho da Viola

No ano de 1968 "A maioria sem nenhum", de sua autoria em parceria com Elton Medeiros, foi incluída no LP "Samba na madrugada", de Paulinho da Viola e Elton Medeiros. Participou como convidado do show "Mudando de conversa" (Conjunto Rosa de Ouro, Clementina de Jesus, Cyro Monteiro e Nora Ney), gravado em LP ao vivo, interpretando, ao lado de Elton Medeiros e Cyro Monteiro, "Se o carnaval acabar", parceria com Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho.

Reserva de Domínio - com Paulo César Pinheiro e Cristina Buarque

Em 1970, Elizete Cardoso gravou "Lamentação", de sua autoria, regravada em seguida por Paulinho da Viola. Ainda em 1970, conheceu Clara Nunes que viria a ser a principal intérprete.
Em 1971 Paulinho da Viola gravou "Reclamação", parceria de ambos e "Cuidado, teu orgulho te mata", parceria com Walter Alfaiatte.
No ano de 1972 entrou para a Ala de Compositores da Portela.

Em 1974 Eliana Pittman gravou "Motivação", (c/ Noca da Portela), o grupo MPB 4 interpretou "A alegria continua", (também em parceria com Noca da Portela), Ataulpho Alves Júnior gravou "Isso tem que acabar" (c/ Noca da Portela), Clara Nunes interpretou duas composições suas: "Meu sapato já furou" (c/ Elton Medeiros) e "Menino Deus" (c/ Paulo César Pinheiro), e Elizete Cardoso interpretou "Pra quê, afinal?" (c/ Adélson Carvalho) no LP "Mulata maior".

Meu  Sapato já Furou - Clara Nunes

Em 1976 Clara Nunes, no LP "Clara" interpretou "Canto das três raças" (c/ Paulo César Pinheiro) e "Lama", sobre a qual Paulo César Pinheiro escreveu um comentário no encarte do mesmo LP: "Há muitos anos o Mauro cruzou com o Ataulfo Alves num botequim de Botafogo e mostrou esse samba ao mestre a fim de uma gravação sua. Ataulfo botou aquela mão enorme que ele tinha no ombro do malandro e disse: - ô mulato, o samba é grande. Mas vou te ser honesto. Se eu gravar, vão dizer que é meu. E ninguém vai falar de você. Mas garanto que um dia você grava. Ninguém vai desperdiçar uma maravilha dessa" ( e hoje esta é uma música que todos aqui no Japão pedem que eu cante, porque gostam demais).

Lama - Clara Nunes

Em 1977 Clara Nunes interpretou "Perdão" (c/ Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro), no LP "As forças da natureza, e no LP "Espelho", João Nogueira incluiu "Desengano", parceria de ambos, e "Samba do amor", esta última em parceria com João Nogueira e Gisa Nogueira. 
Em 1978 Vania Carvalho (irmã de Beth Carvalho) regravou "Lamentação" e João Nogueira gravou "Bate boca" (c/ Walter Nunes), no disco "Vida boemia".
Em 1979, no disco "Esperança", Clara Nunes gravou "Contentamento" (c/ Paulo César Pinheiro). Neste mesmo ano, no LP "Zumbido", Paulinho da Viola interpretou "Foi demais", parceria de ambos.

Em 1980 Noca da Portela, no disco "Mãos dadas", regravar "A alegria continua", e Clara Nunes incluiu no LP "Brasil mestiço" as composições "Coração em chamas" (c/ Elton Medeiros) e "Brasil mestiço, santuário da fé" (c/ Paulo César Pinheiro). 
Em 1981 Clara Nunes gravou com a participação especial da Velha-Guarda da Portela, a composição "Portela na avenida" (c/ Paulo César Pinheiro) e "Coroa de areia" (c/ Paulo César Pinheiro), enquanto Paulinho da Viola gravou "A M O R amor", parceria com Walter Nunes.

Portela na Avenida - Clara Nunes

Em 1982, Clara Nunes gravou "Serrinha" (c/ Paulo César Pinheiro), no LP "Nação".
Em 1983 Alcione, no disco "Alma & corações", interpretou, de sua autoria com Paulo César Pinheiro e João Nogueira, "Um ser de luz", em homenagem à Clara Nunes, morta naquele ano.
Em 1984, "Mangueira Estação Primeira" (c/ Paulo César Pinheiro), foi gravada também por Alcione.

Mangueira Estação Primeira - Alcione

Em 1985 gravou, com Cristina Buarque, um LP independente, "Cristina e Mauro Duarte", que contou várias músicas suas em parceria com Carlinhos Vergueiro, além de "A alegria continua", com Noca da Portela e outras em parceria com Maurício Tapajós, Walter Nunes e Paulo César Pinheiro. Nesse LP também foi gravada a única música de Paulo César Pinheiro em que a letra não é do poeta, e sim de Mauro Duarte, "Reserva de domínio", além de uma parceria com Cristina Buarque, interpretada por ela, "Deixa eu viver na orgia".
Alcione gravou, no LP "Fogo da vida", "Academia do Salgueiro" (c/ Paulo César Pinheiro). 

Ao lado de Chico Buarque, Paulinho da Viola, Beth Carvalho, João Bosco, Toquinho e Cristina Buarque, entre outros, participou do disco "Flores em vida", produzido por Carlinhos Vergueiro em homenagem a Nelson Cavaquinho, com lançamento na quadra da Mangueira, e fez turnê nacional para lançamento do disco com Cristina Buarque e internacional, na qual a dupla apresentou-se em Moçambique e Nicaragua, sendo que neste último país, a dupla apresentou-se também com a cantora Miúcha.
Em 1987 gravou um compacto duplo ao lado de Cristina Buarque, no qual interpretaram "Resgate" (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro), enquanto Alcione interpretou "Imperatriz Leopoldinense" (c/ Paulo César Pinheiro).

Em 1988 Alcione ainda interpretou "União da Ilha do Governador", da mesma dupla, que também compôs o samba-enredo que a Tradição desfilou naquele ano.
Em 1989, em uma coletânea de sucessos da cantora Clara Nunes, foram incluídas Canto das três raças" e "Portela na avenida", ambas em parceria com Paulo César Pinheiro, e em LP em homenagem a Paulo da Portela, interpretou em dueto com Cristina Buarque a faixa "Quem espera sempre alcança".

Serrinha - Clara  Nunes

Para tristeza de seus inúmeros amigos e parceiros, morreu repentinamente em 26 de agosto de 1989.
Como ator, participou dos filmes "Coração de Ouro", baseado na composição homônima de Elton Medeiros e Joacyr Santana e do filme "O Homem Nu", baseado na crônica de Fernando Sabino.
Em dezembro de 1998 foi criada a praça Mauro Duarte, em Botafogo, situada na confluência das ruas São Manuel e Fernandes Guimarães.
Em 1990 Cristina Buarque gravou "Marcha da saideira" (Mauro Duarte, Cristina Buarque e Lefê) para o disco "Bloco Carnavalesco Simpatia É Quase Amor - 5 anos de samba em Ipanema".

Em 1994 Cristina Buarque relançou o LP "Resgate", originalmente gravado em 1990 para o mercado japonês, onde foram incluídas as músicas "Volta para a minha companhia", "Violão amigo" (c/ Walter Nunes), "Eu pensei" (Délcio de Carvalho) e "Eu vou embora", as quatro músicas cantadas por Cristina Buarque e Walter Alfaiate, além de "Carioca da gema" (c/ Paulo César Pinheiro), interpretada por Cristina e Paulo César Pinheiro.
No mesmo ano foi lançado o CD "Homenagem a Mauro Duarte", reunindo gravações suas e de outros cantores interpretando suas músicas, entre eles Paulinho da Viola que cantou de autoria do homenageado as faixas "Cuidado, teu orgulho te mata", "Foi demais", "Lamentação" e "Reclamação", esta última um dueto de Paulinho da Viola e Mauro Duarte. 

Resgate - com Cristina Buarque

Em 1995 Paulo César Pinheiro produziu um disco-homenagem a Clara Nunes, "Clara Nunes Com vida", no qual foi incluída a música "Menino Deus", em dueto com a voz de Emílio Santiago.
No ano 2000 Alcione interpretou de sua autoria "Menino Deus" e "Canto das três raças", ambas em parceria com Paulo César Pinheiro, no disco "Claridade", homenagem à Clara Nunes.
Em 2001 Elton Medeiros interpretou "A maioria sem nenhum", parceria de ambos, no disco "1º Compasso".

Em 2002 foi lançado o disco "Clássicos do samba" (Elaine Faria, Dona Ivone Lara, Martinho da Vila e Jamelão), com Eliane Faria interpretando "Portela na avenida" (c/ Paulo César Pinheiro), enquanto Renato Braz lançou o CD "Quixote", no qual interpretou de sua autoria "Canto das três raças" (c/ Paulo César Pinheiro).
Em 2003 Walter Alfaiate lançou o CD "Samba na medida", disco no qual incluiu "A paixão e a jura" (c/ Paulo César Pinheiro) e "Isso um dia tem que se acabar" (c/ Noca da Portela) e Noca da Portela incluiu "Alegria continua" e "Sonho de criança", parceria de ambos, no disco "Noca da Portela - 51 anos de samba".

Walter Alfaiate, Noca da Portela e Elton Medeiros, prestaram homenagem ao amigo sambista em show no Centro Cultural José Bonifácio, na Gamboa, centro do Rio de Janeiro e Eliane Faria, no disco "Alma feminina", regravou "Menino Deus", enquanto Renato Braz regravou "Menino Deus" e Elton Medeiros "Lama", ambas no CD "Um ser de luz - saudação à Clara Nunes".
No ano de 2005 Walter Alfaiate lançou um CD em sua homenagem, somente com composições do sambista, onde incluiu várias composições inéditas cedidas por Cristina Buarque e Paulo César Pinheiro, além de seis parcerias de Walter e Mauro, destancando-se "Nossos esforços" (c/ Paulo César Pinheiro), "Fonte dos amores" (c/ Walter Alfaiate e Wilson Moreira), "Lenha na fogueira" (c/ Paulo César Pinheiro), "Arroz e feijão" (c/ Walter Alfaiate), "Vila" (c/ Paulo César Pinheiro) e ainda "Vem ver, João" e "Jeito do cacimbo", além da única não inédita, "Falsa euforia", anteriormente gravada pelo grupo Família Roitman.

Um Ser de Luz - João Nogueira


Em 2008 Cristina Buarque e o grupo Samba de Fato (Pedro Amorim: Bandolim; Alfredo Del Penho: Violão de 7; Paulinho Dias e Pedro Miranda; pecussão e vozes) lhe prestaram homenagem lançando o CD "O samba informal de Mauro Duarte". No disco foram incluídas "Falou demais" (c/ João Nogueira e Paulo César Pinheiro) e várias parcerias com Paulo César Pinheiro, entre elas "Lenha na fogueira", "Reza, meu bem", "Samba de botequim" e "Sublime primavera" (interpretada por Paulo César Pinheiro no CD). Também foram incluídas no disco, parcerias de Mauro Duarte com Élton Medeiros, Walter Alfaiate e Maurício Tapajós.

Lenha na Fogueira - Cristina Buarque (vozes PCPinheiro e Mauro Duarte)


Entre seus parceiros estão Paulinho da Viola, Dona Ivone Lara, Elton Medeiros, Noca da Portela, Maurício Tapajós, Hermínio Bello de Carvalho, Carlinhos Vergueiro, Rubem Tavares, Lefê e Cristina Buarque.
Suas músicas foram gravadas por vários artistas da MPB: "Maria das Dores" (MPB4); "A maioria sem nenhum" (Elton Medeiros); "Se o carnaval chegar" (Cyro Monteiro, Doris Monteiro, Os Cinco Crioulos); "Quanta dor" (Os Cinco Crioulos); "Lamentação" (Paulinho da Viola, Elizeth Cardoso, Germano Batista) e "Sons de mim" (Elza Soares), "Falsa euforia" (Família Roitman), "Sapato mole" (Quarteto em Cy), "Nunca mais" (Roberto Ribeiro), entre outros.



quarta-feira, 14 de abril de 2010

MAURO DUARTE

O apelido, dado por Cyro Monteiro, era por conta da cara arredondada. Mauro “Bolacha” Duarte compôs aos montes e, mais que tudo, se divertiu na vida de sambista. Mas, por ironia, não chegou a fazer significativos registros de sua obra em bolachas – grandes como os vinis de antigamente ou pequenos como os CDs de hoje. Ao todo, foram apenas quatro discos – três deles como integrante do conjunto Os Cinco Crioulos. Talvez isso ajude a explicar, em parte, por que seu nome (com apelido ou não) nem sempre é diretamente ligado às suas composições. Ainda que muitas delas, como “Lama”, “Canto das Três Raças” e “Portela na Avenida” (as duas últimas com Paulo César Pinheiro) estejam até hoje na boca do povo.

Desde de sua morte em 1989 – próxima de completar 20 anos, portanto - Mauro vem tendo sambas gravados esporadicamente por aí. A homenagem mais recente foi do parceiro Walter Alfaiate, que gravou "Tributo a Mauro Duarte" (CPC-Umes) em 2006. Mas isso não significa que o baú de inéditas tenha esvaziado. Agora parte delas será lembrada em uma mesma bolachinha: o disco será lançado no fim de fevereiro pela Deckdisc com 30 canções, a maior parte nunca gravada, outras gravadas mas (quase) esquecidas, algumas ainda montadas como quebra-cabeça. Quem interpreta pérolas como “Jeito de cachimbo”, “Sublime primavera” e “Lenha na fogueira” é o grupo Samba de Fato, formado por Alfredo Del Penho, Pedro Miranda, Paulino Dias e Pedro Amorim, com auxílio luxuoso de Cristina Buarque, grande amiga do compositor, e participação especial de Paulo César Pinheiro, parceiro mais constante e figura fundamental para a realização do projeto. Para completar, há quatro faixas-bônus com trechos do próprio Bolacha cantando, em pequenas vinhetas.

Como a idéia é celebrar o sambista respeitadíssimo pelos compositores, mas pouco conhecido por seu próprio público, o projeto vai além do CD. O mergulho no baú rendeu a Alfredo, que coordena a empreitada, a redescoberta de fotos, fitas e anotações. Matéria-prima que o estimulou a dar mais um passo, registrando em vídeo os depoimentos dos parceiros e amigos de Mauro. O material iconográfico e audiovisual vai ser reunido num hotsite, a ser lançado junto com o disco. É tarefa de fã. “Acho o Mauro um dos melodistas mais ricos do samba. É daquele tipo de compositor que você consegue identificar ao ouvir o fraseado. Tem marca de autor. Isso torna ainda mais inusitado o fato de seu nome nem sempre ser ligado à sua obra”, explica Alfredo.

“Quem conhece a vida não se desespera
No mundo
O que tinha de ser, já era.” (Palavra)

Mauro nasceu em Matias Barbosa, distrito de Juiz de Fora (MG). Mas foi no Rio, no bairro de Botafogo, que se aproximou do samba, ainda na infância. “Ele ainda era criança quando começou a freqüentar o carnaval. Na época, em Botafogo, tinha muito bloco de sujo. Era o auge dos blocos cariocas, animados como são os de hoje, mas sem essa coisa arrumadinha, de camiseta. Então ele começou a compor por essa influência”, conta Cristina. A produção para os blocos era enorme e extrapolava o bairro. Do mesmo modo que compôs sambas-exaltação para diversas escolas, sem deixar de ser portelense convicto, criou músicas para blocos de Laranjeiras, Flamengo, Catete, sem trair de forma alguma o amor a Botafogo - o bairro e também o time.

Já adulto, tocava a vida trabalhando em banco, atuando como ourives, vendendo chapéu, mas sempre dedicando as horas vagas ao samba. Na Portela, desfilava sempre na ala dos compositores – e se não chegou a emplacar nenhum samba-enredo (apesar de ter tentado com “Fonte dos Amores”, com Alfaiate e Wilson Moreira, em 1988), mereceria todas as loas mesmo que fosse só por causa de “Portela na Avenida”, imortalizada na voz de Clara Nunes. Gostava de compor andando, batucando nas pernas. Daí a necessidade de registrar tudo no gravadorzinho ao chegar em casa. Na dele ou na dos parceiros. “O Mauro gostava de ir à praia cedinho. Logo começava a tomar umas e, como na época eu morava no Leblon, não era raro aparecer lá em casa dizendo que precisava me mostrar alguma melodia recém-criada”, lembra Paulo Pinheiro.

A aproximação da maturidade o deixou ainda mais próximo do samba. Passou a ser gravado por alguns intérpretes – sendo a mais recorrente e importante Clara Nunes, mas também Elizeth Cardoso, Alcione... – e até a se assumir timidamente como cantor. Função que exercia muito bem, segundo os amigos. A prova está nos três discos que gravou como membro do conjunto Os Cinco Crioulos (com Nelson Sargento, Elton Medeiros, Anescarzinho do Salgueiro e Jair do Cavaquinho), no qual substituiu Paulinho da Viola a partir de meados da década de 60. E também no disco independente que gravou com Cristina Buarque em 1985.

“Não adianta
Estar no mais alto degrau da fama
Com a moral toda enterrada na lama”
(Lama)

Mas nem só como compositor e cantor ele deu sua contribuição: nos anos 80, junto com a própria Cristina, começou a realizar o Projeto Resgate, com o intuito de fazer as pérolas de sambistas antigos não se perderem.

“A gente encontrava os compositores e revirava o baú. Da memória, porque muitos deles não tinham gravador. Então a gente gravava, conversava”, lembra Cristina. “O duro foi que ninguém poderia prever que Mauro morreria logo em seguida. Ele era até organizado com sua obra, tinha um caderno com os nomes de suas composições. Mas muita coisa ficou solta.” Quem organizava o resgate, curiosamente, acabou sendo alvo de outro, duas décadas depois. Se não chegou (e nem queria) ao mais alto degrau da fama, tem uma obra que mostra consistência e perenidade e o carinho eterno de muitos cariocas. O simpático símbolo disto é uma conquista de seus amigos em 1998: seu nome passou a batizar uma pequena praça de Botafogo.

Frankenstein

No fundo do baú havia três fitas. Cassete, sem grandes explicações, que foram passadas pela família de Mauro para Cristina Buarque. Ao ouvir, ela sacou o tamanho da encrenca e pensou: “Só o Paulinho pode dar um jeito nisso!” “Isso” eram os trechos de melodias e letras que Mauro registrava assim, de bobeira, para quem sabe um dia aproveitar. Não chegava a ser total novidade para Paulo. “Fomos parceiros por muitos anos e não foi raro eu trabalhar com base nessas gravações caseiras dele. Esse que é o grande barato: conhecia os caminhos criativos dele, a gente tinha uma intimidade musical, era muito companheiro. O engraçado é que ele gravava para não esquecer, mas depois esquecia que tinha gravado, ou não tinha paciência de ir ouvir para criar em cima. Sobrou pra mim”, conta, rindo.

E foi realmente um trabalho de formiguinha para ouvir melodias soltas, sem saber exatamente onde começavam e terminavam as idéias para as mesmas músicas. “Fui separando o que me chamava atenção e complementando. Quando vi, tinha 10 músicas prontas. Elas não existiriam se eu não tivesse essa paciência de chinês”, diverte-se, lembrando que, além delas, entraram no disco outras oito parcerias antigas dos dois.

A pesquisa rendeu pelo menos outro quebra-cabeças, dessa vez envolvendo mais gente. Num dos depoimentos gravados, um entrevistado comentou sobre a existência de um samba em homenagem ao polêmico casal Garrincha e Elza Soares. Alfredo começou então a perguntar a todo mundo. “Ninguém lembrava direito. O parceiro Walter Alfaiate cantou uma parte, um amigo de Botafogo lembrou da letra inteira, mas não da melodia... Aí o salvador Paulinho resolveu a parada, lembrando tudo. Foi o maior Frankenstein!”

Como a música acabou não entrando no disco, aí vai a palinha com a letra remontada pela lembrança coletiva:

Música sem título sobre Elza Soares e Garrincha (Mauro Duarte, Walter Alfaiate)

Eu já não sei mais o que fazer desta paixão
Além de amor proibido
Somos demais conhecidos
Demais, demais, demais
Pagando o tributo da fama
Fizeram do nosso caso um drama
Com manchetes de jornais

Vizinho se manda com a vizinha
Branco adora a escurinha
E ninguém diz nada

Plebeu desposa broto do society
Madame adora o chaveiro da light
E ninguém sabe de nada

Mas bastou ser artista
Pra ter o nome na lista de repórter à procura de furo
Que pra manter a alcunha de foca
Em todo caso faz uma fofoca
Se tornando um dedo duro


Imagens à vista

Hoje em dia é raro ver um projeto deste tipo ter vez em gravadoras tradicionais. Neste caso, saiu do papel graças aos esforços pessoais dos envolvidos (como costuma acontecer em toda produção apaixonada) e alguma negociação. A gravação pelo Samba de Fato barateou os custos, pois os arranjos foram feitos de forma coletiva e não foi necessário contratar músicos extras. A produção enxuta teve como contrapartida a possibilidade de se fazer o site com o resto do material pesquisado.

Na reta final do processo, uma constatação um tantinho desanimadora se instalou: se no processo de pesquisa cada foto ou material encontrado era comemorado, agora existe uma certa frustração de não poder mostrar tudo no site. Por questões de copyright. “Encontramos fotos lindas, mas em alguns casos não sabemos quem é o fotógrafo. Acredito até que o próprio autor da foto pode não se lembrar que a tirou. Mesmo assim, não podemos colocar no site sem autorização”, conta Alfredo. Sem entrar no mérito do inusitado da coisa, resta fazer um apelo: se nos carnavais da vida você por acaso tirou uma foto de Mauro Duarte, entre em contato com esse pessoal!


Cristina Buarque / Mauro Duarte (1985)
Faixas:
01 - Sorri de mim (Walter Nunes, Mauro Duarte)
02 - Vazio (Élton Medeiros, Mauro Duarte)
03 - Timidez (Noca da Portela, Mauro Duarte)
04 - Monograma (Cristóvão Bastos, Paulo César Pinheiro)
05 - Pra que, afinal? (Adélcio de Carvalho, Mauro Duarte)
06 - Lá se foi (Carlinhos Vergueiro, Mauro Duarte)
07 - Lama (Mauro Duarte)
08 - Quantas lágrimas (Manacéa)
09 - Nunca mais (Paulo César Pinheiro, Mauro Duarte)
10 - Reserva de domínio (Paulo César Pinheiro, Mauro Duarte)
11 - Papagaio falador (Buci Moreira, Geraldo Gomes)
12 - Aventura (Paulo César Pinheiro, Mauro Duarte)
13 - Uma canção desnaturada (Chico Buarque)
14 - Sacrifício (Maurício Tapajós, Mauro Duarte)
15 - A alegria continua (Noca da Portela, Mauro Duarte)
16 - Portela na avenida (Paulo César Pinheiro, Mauro Duarte)

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