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domingo, 11 de outubro de 2015

JOVEM GUARDA FOI CONCRETIZAÇÃO DO BRASIL ROQUEIRO

Segundo escritor e jornalista Paulo Cesar de Araújo, iê-iê-iê e Jovem Guarda são parte do mesmo fenômeno





No fundo, rock, iê-iê-iê e Jovem Guarda são a mesma coisa. Pelo menos é o que assegura o jornalista, escritor e pesquisador Paulo Cesar de Araújo. Mesmo que um ou outro artista não goste de ser associado ao movimento liderado por Roberto Carlos, o autor dos livros 'Eu não sou cachorro, não – Música popular cafona e ditadura militar', 'O Rei e o réu' e 'Roberto Carlos em detalhes' diz que boa parte dos músicos que surgiram naquela época, sobretudo a turma ligada a Carlos Imperial – o pessoal da Tijuca, que fazia rock e um som pop –, faz parte do mesmo fenômeno.


O termo iê-iê-iê foi adaptado de “yeah, yeah, yeah”, refrão de 'She loves you', dos Beatles, e era a concretização no Brasil da tendência roqueira que já seduzira as massas no exterior. As canções reproduziam o ritmo com versões em português ou mesmo cantadas originalmente. “De 1964 a 1968, o estilo ficou com essa denominação. Só no final dos anos 1960 ele ficou conhecido como rock mesmo”, explica Paulo Cesar.

O especialista lembra que o movimento reuniu gente de todo o país, com claro predomínio de cariocas e paulistas. “Ele abrangeu todos os estados, foi um caldeirão brasileiro: Roberto, do Espírito Santo; Wanderléa e Eduardo Araújo, de Minas; Erasmo e Ronnie Von, do Rio; Jerry Adriani, de São Paulo; e até o Reginaldo Rossi, de Pernambuco. O mais interessante é que o movimento atingiu o Brasil profundo, os rincões desta nação. Não foi igual ao pessoal da MPB, que atingia a classe média e os intelectuais. A Jovem Guarda teve essa força”, ressalta.

O pesquisador e jornalista ressalta também a inovação da Jovem Guarda não apenas no aspecto do comportamento, do figurino, de gírias e expressões, que chegou a incomodar bastante os conservadores, mas principalmente no âmbito musical.

“Aquela novidade vai eletrificar e instaurar o pop na música brasileira. Quem gostava de diversidade gostou, mas quem preferia a coisa mais genuína torceu o nariz. Ela trouxe mudanças profundas, que muitos artistas admitiram anos depois. O próprio Caetano Veloso, que chegou a declarar que, sem a Jovem Guarda, eles não teriam feito o Tropicalismo”, reforça Araújo.


Mais um musical

Para celebrar os 50 anos do movimento jovem que revolucionou o Brasil, vem aí 'Iê, iê, iê', um musical sobre a Jovem Guarda. A M.M. Produções já pode captar R$ 889,5 mil, por meio da Lei Rouanet, para o espetáculo que será dirigido pelo compositor e produtor Alexandre Elias (diretor musical de Tim Maia – Vale tudo). A estreia está prevista para setembro, no Rio de Janeiro, com temporada de três meses. O elenco deve contar com 14 atores e cinco músicos, que serão selecionados em audições.

>> Gírias da Jovem Guarda
Brasa (pessoa espevitada)
Bicho (forma de tratamento entre rapazes)
Carango (carro)
Broto (menina bonita)
Mora? (entende?)
Tremendo (muito bom)
Coroa (pessoa velha)
Cuca (cabeça)
Pão (garoto bonito)
Papo-firme (pessoa boa de conversa)
Pra frente (avançado)



Fonte: Estado de Minas e Guia dos Curiosos

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

MINEIRO, EDUARDO ARAÚJO DIZ QUE A JOVEM GUARDA É CRIA DOS ROQUEIROS

Músico que trocou Joaíma pelo Rio de Janeiro e fez o Brasil cantar 'O bom' celebra este ano meio século de carreira

Por Ana Clara Brant 




Mais do que se dizer integrante da Jovem Guarda, Eduardo Araújo se define como um roqueiro, acima de tudo. Aliás, o primeiro de Belo Horizonte e de Minas Gerais. “O rock’n’ roll embrionou a Jovem Guarda. Ali foi o começo de tudo. Pra falar a verdade, nem no programa deles fui, até porque tinha a minha própria atração, O bom, na TV Excelsior, ao lado da Sylvinha, que se tornaria minha esposa”, afirma. A cantora morreu de câncer aos 56 anos, em 2008.

O cantor e compositor conta que, quando se mudou de Joaíma para Belo Horizonte para estudar, fazia parte de uma juventude “muito alegre e transviada”. Nem pensava em ser artista, queria apenas curtir a vida, namorar e andar de lambreta. No entanto, ele sempre tocou violão e gostava de música – sobretudo de Luiz Gonzaga.


As coisas começaram a mudar quando ele participou do programa de rádio de Aldair Pinto. Eduardo tomou coragem e “fugiu” para o Rio de Janeiro, pois a família desaprovou os planos de ser artista. “Chegando lá, procurei a Rádio Mayrink Veiga e eles acharam curioso eu ser um roqueiro de Minas Gerais. Logo depois, fui contratado pela Philips e, com apenas 16 anos, lancei meu primeiro disco, O garoto do rock”, orgulha-se.


Eduardo participou do Clube do Rock ao lado de Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Tim Maia e Renato e seus Blue Caps. Tinha também ligação especial com o produtor, compositor e apresentador Carlos Imperial. Os dois são parceiros em várias canções – inclusive o hit O bom –, e o mineiro chegou a gravar algumas músicas dele. Até hoje, O bom mobiliza as pistas. “Meu carro é vermelho/Não uso espelho pra me pentear/Botinha sem meia/E só na areia eu sei trabalhar/Cabelo na testa/ Sou o dono da festa”, diz o hino dos rebeldes sessentistas.

Um dos pioneiros do rock nacional, Eduardo Araújo sempre foi um homem ligado ao campo, até porque nasceu em fazenda. “Sempre conciliei a carreira com esse meu lado de criador de cavalo. Já gravei discos de rock progressivo, psicodélico e soul music, produzido inclusive pelo Tim Maia. Pra não fugir do rock, passei a cantar country rock”, conta ele, que lançou cerca de 30 álbuns. O mais recente é Lado a lado, que traz 14 faixas inéditas e clássicos como Um violeiro toca (Almir Sater e Renato Teixeira), além de composições autorais.

Este ano, Eduardo Araújo vai lançar o DVD comemorativo de seus 50 anos de carreira, gravado ao vivo no Grande Teatro do Sesc Palladium, na capital mineira. Sérgio Reis, Renato Teixeira, Tadeu Franco, Landau e a dupla Victor e Leo participaram do projeto. Eduardo afirma que convidou pessoas que fizeram parte de sua história. “Fiz o show no lugar onde tudo começou. Antigamente, o Palladium era um cinema, cheguei a cantar e tocar lá. Foi um momento muito especial”, conclui.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

MORRE MÁRCIO ANTONUCCI, DA DUPLA 'OS VIPS'

Cantor estava internado em Angra dos Reis após contrair uma pneumonia



Rio - Morreu, nesta segunda-feira, o cantor e produtor musical Márcio Antonucci, 68 anos, conhecido como Márcio Vip, da dupla vocal Os Vips. Márcio estava internado em um hospital de Angra dos Reis, no Sul Fluminense, após contrair uma pneumonia e morreu de complicações da doença. A ex-mulher do cantor, Lilian Knapp, também da dupla Leno e Lilian, repassou a informação por meio de uma rede social.

Márcio começou a carreira com Ronaldo Luís Antonucci em 1964. Os dois gravaram músicas de Roberto Carlos e regravaram clássicos dos Beatles, fazendo muito sucesso durante a Jovem Guarda. A carreira do músico e produtor musical também foi marcada pela direção de programas em emissoras de televisão, como Rede Globo e Record.

Ainda não há informações sobre a data e local de sepultamento do cantor. 


Fonte: O Dia

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