PROFÍCUAS PARCERIAS
Gabaritados colunistas e colaboradores, de domingo a domingo, sempre com novos temas.
ENTREVISTAS EXCLUSIVAS
Um bate-papo com alguns dos maiores nomes da MPB e outros artistas em ascensão.
HANGOUT MUSICARIA BRASIL
Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.
Mostrando postagens com marcador João da Baiana. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador João da Baiana. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 18 de maio de 2017
quinta-feira, 1 de dezembro de 2016
JOÃO DA BAIANA E O SAMBA
Saiba um pouco da história do sambista João da Baiana
Por Oswaldo Faustino
Diga aí, rapidinho, um instrumento que te faz lembrar o samba. Se você disse pandeiro, sem dúvida, é quase impossível dissociar este instrumento da manifestação cultural maior do nosso povo. Mas sabia que o pandeiro nem sempre foi parte dos instrumentos do samba? Pois é, esse remanescente de antigos instrumentos musicais das culturas asiáticas, européias e africanas e que aqui chegou pelas mãos dos portugueses, só caiu no samba graças a João da Baiana.
Ele próprio, conhecido por fazer o ritmo nas rodas de samba do início do século XX, raspando uma faca num prato. Neto de escravizados, João Machado Guedes, nasceu um ano menos quatro dias , antes de a Princesa Isabel assinar a Lei Áurea. Era o 12º filho de Perciliana Maria Constança, a Tia Perciliana de Santo Amaro, uma das famosas baianas mães de santo (iyalorixás) da Cidade Nova, na convergência entre o centro e a zona norte, no Rio de Janeiro.
Único carioca dos irmãos, todos baianos, João aprendeu logo cedo o que era viver clandestino para poder fazer samba e os rituais do Candomblé, ambos proibidos e reprimidos severamente pela polícia.A história de sambista e compositor de João da Baiana que teve sua corima Ke-ke-ré-ke-ké gravada em 1940 pelo maestro Leopold Stokowski, que recolhia música brasileira para ser estudada nos Estados Unidos já vimos aqui em nossa seção Gingas do Brasil, assinada e ilustrada pelo talentoso Leandro Valquer.
Em momentos nostálgicos, porém, penso no João que, trabalhando de fiscal no Cais do Porto, recusou o convite para integrar Os Oito Batutas, de Pixinguinha, para a turnê em Paris. Oportunidade que jamais se repetiu. Penso no João artista plástico, criando telas inspiradas nos antigos carnavais e nos folguedos populares, que só existiam em suas memórias. No João recolhido à Casa dos Artistas, em Jacarepaguá, onde morreu dois anos depois, em 1974. E no João que raspava a faca no prato e que botou o pandeiro pra sambar.