PROFÍCUAS PARCERIAS

Gabaritados colunistas e colaboradores, de domingo a domingo, sempre com novos temas.

ENTREVISTAS EXCLUSIVAS

Um bate-papo com alguns dos maiores nomes da MPB e outros artistas em ascensão.

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

Mostrando postagens com marcador Grande Otelo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Grande Otelo. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

GRANDE OTELO, 100 ANOS

Sebastião Bernardes nasceu em 18 de outubro de 1915, em Uberlândia, Minas, filho de trabalhadores agregados da família Prata, sobrenome adotado pelos pais para o menino




São Paulo - Ele tinha "grande" no nome e era, de fato, enorme, apesar do seu 1,50m de altura. Sebastião Prata, o Grande Otelo, faria cem anos dia 18. As comemorações começam dez dias antes. Nesta quinta-feira (8), o Caixa Belas Artes dá início a uma ampla retrospectiva com 23 filmes nos quais atuou. Haverá debates e reavaliações de sua obra. A primeira mesa ocorre às 18h30, com Mário Prata (filho de Grande Otelo) e os curadores da mostra, Breno Lira Gomes e João Monteiro, moderação da jornalista Maria do Rosário Caetano.

Sebastião Bernardes nasceu em 18 de outubro de 1915, em Uberlândia, Minas, filho de trabalhadores agregados da família Prata, sobrenome adotado pelos pais para o menino. Artisticamente dotado, teve o circo como primeira escola.

Impressionando por sua precocidade, é levado para São Paulo e, em Campinas, integra a trupe do cômico Genésio Arruda. Entra para a Companhia Negra e chega ao Rio de Janeiro. Trabalha em teatro de revista, na Praça Tiradentes, e se aproxima do meio cinematográfico carioca. Em 1935, participa do primeiro filme, Noites Cariocas, de Enrique Cadicamo.

Otelo atravessou várias fases do cinema brasileiro, e elas estão representadas na mostra. No tempo das chanchadas, compôs com Oscarito a grande dupla do período. E lá estão os filmes para mostrar essa vertente cômica, como Matar ou Correr, Um Candango na Belacap e Samba em Berlim.

Em meados dos anos 1950, Otelo participou ativamente do então embrionário Cinema Novo, que, com suas preocupações sociais, era muito crítico em relação às chanchadas. Ele é o protagonista de Rio Zona Norte (1957), de Nelson Pereira dos Santos, precursor dos cinemanovistas. Seu personagem se chama Espírito da Luz, um sambista que vende suas composições para sobreviver, prática comum entre sambistas da época.

Está em Assalto ao Trem Pagador (1962), de Roberto Farias, filme que corre em paralelo ao Cinema Novo e é tido como o melhor policial já feito pelo cinema brasileiro. Em papel tragicômico, Otelo faz parte do bando de Tião Medonho, e é um cachaceiro impenitente. Na tensa ação dramática, despeja seus cacos divertidos e alivia o clima. Mas a cena que o consagra é aquela em que, completamente bêbado, vê passar o enterro de uma criança na favela. Ele canta, esganiçado, cambaleante e com a garrafa na mão. Quando o advertem por falta de respeito, diz, com sua voz de alcoólatra, que todos deveriam comemorar quando uma criança morre na favela, porque é uma a menos para sofrer aquela miséria.

Otelo está também em algumas obras importantes do Cinema Novo, como Os Herdeiros (1970), de Cacá Diegues, e Macunaíma (1969), de Joaquim Pedro de Andrade. Neste, vive a faceta negra do "herói da nossa gente", enquanto Paulo José encarna o lado branco do personagem de Mário de Andrade. A cena do nascimento de Macunaíma, na versão de Otelo, é uma das mais hilárias dessa tragicomédia do povo brasileiro, imaginada no Modernismo e reciclada no sufoco da ditadura.

A versatilidade de Otelo o fazia atravessar períodos contraditórios da história do cinema. Brilhou nas chanchadas, que foram desancadas pelo Cinema Novo, movimento que também o adotou. Depois, o Cinema Novo foi criticado pelo chamado Cinema Marginal e também neste Otelo deixou sua marca, em filmes como A Família do Barulho (1970) e O Rei do Baralho (1973).

Por isso, ganha especial relevo outra mesa de debates, esta no domingo dia 18, com presença da atriz e diretora Helena Ignez, viúva de Rogério Sganzerla. A conversa acontece depois da projeção de Nem Tudo É Verdade (16h), um dos filmes dedicados por Sganzerla à complicada e polêmica passagem de Orson Welles pelo Brasil em 1942 para filmar o documentário It’s All True (É Tudo Verdade). Helena falará da experiência de atuar ao lado de Grande Otelo, da relação dele com Orson Welles e Sganzerla e de sua importância para a cultura brasileira. Ah, sim, conhecendo-o no Rio, Welles, o cineasta gênio de Cidadão Kane, não teve dúvidas em afirmar: "Grande Otelo é o maior ator do Brasil". Se alguém achar que Welles exagerava, é só ver os filmes.

Em 1993, Otelo passou pelo Festival de Brasília, onde foi homenageado. Deu entrevistas, brincou com todos, esbanjou talento e simpatia. Embarcou no dia seguinte para a França, onde apresentaria uma retrospectiva de sua obra no Festival des Trois Continents, em Nantes.

Ao chegar ao Aeroporto Charles De Gaulle, teve o enfarte fatal. Morreu aos 78 anos, dia 26 de novembro, em Paris. Chique até na saída de cena. As informações são do jornal 


Fonte: O Estado de S. Paulo.

domingo, 10 de novembro de 2013

O LADO MUSICAL DE GRANDE OTELO

No ano em que completa-se 02 décadas sem o saudoso Grande Otelo, o Musicaria Brasil aborda o lado musical deste artista que consagrou-se em tudo o que fez




Com ou sem h?

O ator Jardel Jércolis criou para o amigo o apelido The Great Othelo, que acabou pegando na versão traduzida pela metade. A língua portuguesa dispensaria o h do Othelo, como prefere Sérgio Cabral, o biógrafo convidado para assinar o livro "Grande Otelo uma biografia".


Uberabinha

Grande Otelo nunca soube em que dia exato ele nasceu. Escolheu a data de 18 de outubro de 1917 porque foi a do seu batizado. Sabia, sim, que nasceu na cidade de Uberlândia, que na época se chamava São Pedro do Uberabinha - ou simplesmente Uberabinha - e que era filho de Maria Abadia de Souza, empregada doméstica, e de Francisco Bernardo da Costa, conhecido na cidade como Chico dos Prata por ser empregado da fazenda da família Prata. Otelo nunca viu o pai, mas sabia que sua mãe ainda teria mais um filho de Chico, também chamado de Francisco, que morreria no início da década de 1970, em Brasília.

Seu nome também foi escolhido por ele. Primeiramente, foi Sebastião Bernardo da Costa, mas quando procurou o cartório para ter a certidão de idade, já na década de 1930, não só escolheu uma nova data de nascimento como o próprio nome. Manteve o Sebastião original, que a mãe lhe dera em homenagem ao filho da patroa, Sebastião, nascido dois meses antes dele, mudou o Bernardo para Bernardes em homenagem ao ex-presidente Artur Bernardes, de quem era admirador, manteve o Souza da mãe e acrescentou o Prata: Sebastião Bernardes de Souza Prata.



Grande Otelo foi alimentado pelos seios da patroa, Augusta Maia de Freitas, porque Maria Abadia não tinha leite. Considerava sua infância igual à de qualquer garoto: começou a estudar na escola Bueno Brandão, soltava papagaio, jogava bola, catava gabiroba e tinha medo de passar em frente ao cemitério. E, desde cedo, revelava a desinibição que abriria caminho para a carreira de artista: metia-se na conversa dos mais velhos e cantava para eles - principalmente para os hóspedes do Grande Hotel de Uberabinha- mediante o pagamento de um tostão por música.

Aos oito anos de idade, três fatos não deixaram dúvidas sobre sua vocação: viu o filme O garoto, de Charles Chaplin, e ficou fascinado com a atuação do menino Jacques Cougan; a passagem do circo Serrano na cidade, quando foi convidado a representar a mulher do palhaço numa pantomina, e ao fazer o papel de um filho de alemão numa peça apresentada por uma companhia de comédias vinda de São Paulo. Isabel e Abigail Parecis, mãe e filha e responsáveis pela companhia, gostaram tanto dele que pediram à Maria Abadia para adotá-lo. E Otelo foi entregue a elas, com papel passado, e levado para São Paulo.




No início da década de 40, Grande Otelo, fascinado pelo samba, começou a compor. Naquela década ele criou vários clássicos, como o samba Praça Onze, uma inspiração que desenvolveu com seu compadre e principal parceiro Herivelto Martins. Assim como Espírito - o compositor popular que interpretou genialmente no filme Rio - Zona Norte, ele tinha muito orgulho de ser sambista. Orgulho testemunhado pelo cineasta Roberto Moura no seu livro sobre o artista: - "Ser sambista, para ele, era mesmo uma coisa tão maravilhosa como ser artista de cinema".

Sua primeira composição, Vou pra Orgia, foi gravada na Odeon por Nuno Roland, em 1940. Daí até o final dos anos 70, ele compôs dezenas de sambas, fazendo parcerias também com Haroldo Lobo, Alvarenga, Wilson Moreira, Blecaute, e outros mais. Muitos desses sambas foram cantados no cinema e gravados na sua voz - ou por grandes intérpretes como Linda e Dircinha Batista, Trio de Ouro, Chico Alves e Jorge Goulart. Grande Otelo atuou também como intérprete e gravou composições de Ary Barroso, Carvalhinho, Carlos Gardel, entre outros artistas populares de seu tempo. 


Atuação como compositor:
Vou pra orgia (1940)
Cidade velha (1942)

Desperta Brasil (1942)

Praça Onze (1942)
Rosalina mudou (1942)
Vitória amarga (1942)
A pátria está te chamando (1943)
Abaixo o chope (1943)
Pixaim (1943)
Bom dia avenida (1944)
Mangueira, não! (1944)
Meu boi morreu (1944)
Os direitos são iguais (1944)
São João do Barro Preto (1944)
A guerra acaba amanhã (1945)
Bate o sino juvenal (1945)
Botafogo (1945)
O outro palpite (1945)
Campeão de peteca (1946)
Fala Claudionor (1946)
Rainha da Lapa (1950)
Eh! Eh! Paisano (1953)
Couro de Gato (1954)
Vida vazia (1954)
Batuque de Salvador  (1955)
Adeus Mangueira (1958)
Carnaval com quem? (1959)
Mulheres à vista (1959)
Tá certo, sim (1961)
A mulher da gente (1969)
Congada pra sinhô rei (1970)
Rainha da gafieira (1971)
O último rancho (1973)
A vida não vale nada  (1979)
A canção da formiguinha (1979) 
A morte da porta-estandarte (1979) 
Arigó no metrô (1979) 
Chora trombone (1979) 
Dona Formiguinha (1979) 
O negócio é pechinchar (1979) 
Obrigado Noel (1979) 
Por mim, Rosa (1979)
Reza por mim meu irmão (1979)
Saudades da gafieira (1979)
Saudades do Elite (1979)


Atuação como intérprete:
1939 - Rosinha e Tico-Tico
1940 - Maria Bonita (marcha)
1944 - Já tenho compromisso
1946 - Avec vous madame!
1946 - Mano a mano
1954 - Marcha do tatu
1957 - Samba Comunicado
1959 - Co-co-co-ró!
1959 - Umbigo de vedete
1961 - Nenén transviado
1965 - Risoleta
1971 - O barão Otelo no barato dos bilhões – Trilha Original do Filme
1985 -  Cansei de implorar
1985 - Boneca de pixe
1985 - Cineangiocoronariografia
1985 - Negrinho da Casa Grande
1985 - No tabuleiro da baiana


Fonte:
http://www.ctac.gov.br

LinkWithin