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quarta-feira, 27 de julho de 2016

10 ANOS DE SAUDADES

Giafrancesco Guarnieri



Gianfrancesco Sigfrido Benedetto Martinenghi de Guarnieri nasceu em 6 de agosto de 1934, em Milão, na Itália. Com 2 anos, emigrou para o Brasil e foi para o Rio com os pais, que fugiam do regime fascista de Benito Mussolini. Filho do maestro Edoardo Guarnieri e da harpista Elza Guarnieri, manteve contato com as artes desde cedo, mas também herdou do pai, antifascista ferrenho, o apreço pela política. Assim, aos 13 anos, escrevia para o jornal da Juventude Comunista.

Aos 18 anos, morando em São Paulo, começou a militar no movimento estudantil, enquanto iniciava sua carreira naquela que era sua grande paixão: o teatro. Com Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha, e um grupo de estudantes de São Paulo, criou, em 1955, o Teatro Paulista do Estudante. Já no ano seguinte, o grupo se uniria ao Teatro de Arena de São Paulo, fundado e dirigido por José Renato, criando assim o Teatro de Arena. O grupo se tornaria um marco da história do teatro brasileiro, conhecido pelas peças comprometidas com a realidade social do país. No Teatro de Arena, destacou-se inicialmente como ator, em peças dirigidas por José Renato e Augusto Boal.

Em 1958, marcou seu nome no teatro brasileiro logo em sua estreia como dramaturgo: subvertendo a praxe dos textos escritos no país, que retratavam apenas a burguesia, levou ao palco Eles Não Usam Black-Tie, com personagens do operariado como protagonistas, abordando temas como greve e luta de classes. A peça foi um sucesso de bilheteria e recebeu diversos prêmios, no Brasil e no exterior, salvando as finanças do Teatro de Arena, que estava prestes a falir.




Depois, no Teatro de Arena ou em outras companhias teatrais, vieram outras das 20 peças que escreveria – invariavelmente com cunho social ou político, como Gimba, Presidente dos Valentes(1959), que colocava em cena o morro carioca e as duras condições de sobrevivência das populações marginalizadas; A Semente (1961), que abordava a militância comunista; e O Filho do Cão (1964), que misturava misticismo religioso e reforma agrária. Duas peças escritas com Augusto Boal nos anos 1960 foram marcantes: Arena Conta Zumbi (1965), Arena Conta Tiradentes (1967).

Na década de 1970, escreveu mais peças politizadas, como Castro Alves Pede Passagem (1971), Um Grito Parado no Ar (1972) e Ponto de Partida (1976). Depois de um período de produção esparsa, nos anos 1980 e 1990, escreveu A Luta Secreta de Maria da Encarnação (2001), na qual retomava o tom engajado: a peça abordava fatos que mobilizaram politicamente o país no século XX. Paralelamente, Gianfrancesco Guarnieri atuava em outras peças, muitas vezes clássicas, como A Mandrágora, de Nicolau Maquiavel, em 1962, e O Inspetor Geral, de Nikolai Gogol, em 1966.

Devido ao cunho político de suas peças, Gianfrancesco Guarnieri enfrentou problemas com a censura do regime militar. Sua peça Animália foi uma que chegou a ser proibida em 1968. Principalmente a partir daquele ano, sentiu-se obrigado a adotar a linguagem metafórica para falar sobre a realidade do país – Um Grito Parado no Ar, por exemplo, é centrado nas frustradas tentativas de um grupo teatral de executar sua peça, oferecendo um retrato da situação de isolamento a que fora confinada a sociedade brasileira. 

Seu trabalho com o teatro revelou uma nova faceta: a de compositor. A canção Upa Neguinho, por exemplo, feita para o espetáculo Arena Conta Zumbi, é uma parceria de Gianfrancesco Guarnieri com Edu Lobo. Em Marta Saré, repetiu a parceria com o Edu Lobo, e compôs com Toquinho em Castro Alves Pede Passagem. Apesar da ligação de suas músicas com a dramaturgia, muitas delas ganharam vida própria fora do teatro – Upa Neguinho tornou-se um clássico na voz da cantora Elis Regina.

Em 1958, mesmo ano de sua estreia como dramaturgo, estreou também no cinema, no filme O Grande Momento, de Roberto Santos, um dos primeiros do movimento do Cinema Novo. Também escreveria, em 1965, outro filme do mesmo diretor, A Hora e a Vez de Augusto Matraga. Depois, atuou em filmes como Diário da Província (1977), de Roberto Palmari, pelo qual recebeu o Kikito de melhor ator coadjuvante no Festival de Gramado, Gaijin, Caminhos da Liberdade (1980), de Tizuka Yamasaki, e O Quatrilho (1995), de Fábio Barreto, entre outros. Sua mais lembrada atuação no cinema, porém, foi na versão para as telas de sua própria peça Eles Não Usam Black-Tie (1981), que rendeu ao diretor Leon Hirszman o Grande Prêmio do Júri no Festival de Veneza.

Estreou na televisão em 1967, na novela A Hora Marcada, de Ciro Bassini, exibida pela extinta TV Tupi. A partir daí, se tornaria uma presença recorrente na televisão. Na TV Excelsior, participou de novelas como O Tempo e o Vento (1967), adaptação de Teixeira Filho para a obra de Erico Verissimo, O Terceiro Pecado (1968), de Ivani Ribeiro, entre outras. Em 1973, na TV Tupi, atuaria em outra trama de Ivani Ribeiro, a primeira versão de Mulheres de Areia, no papel de Tonho da Lua. Em 1977, na TV Excelsior, participou de Éramos Seis, adaptação do romance homônimo de Maria José Dupré, por Silvio de Abreu e Rubens Ewald Filho. Nos anos 1980, 1990 e 2000, integraria, ainda, o elenco de novelas em várias emissoras: na Bandeirantes, Manchete, SBT e Record.

Gianfrancesco Guarnieri fez seus primeiros trabalhos na Globo ainda na década de 1970. Em 1974, integrou o elenco de Turma, Doce Turma, episódio de Caso Especial escrito por Oduvaldo Vianna Filho – no que seria seu último trabalho para a TV. A história era uma homenagem aos seus companheiros de Teatro da Arena. No ano seguinte, escreveu e atuou em outro episódio do programa, Solidão. Em 1979, teve sua peça Um Grito Parado no Ar adaptada pelo poeta Ferreira Gullar para um teleteatro da série Aplauso. Também participou de seriados: em 1979, escreveu episódios para Carga Pesada e, no ano seguinte, atuou em Malu Mulher – que ficou conhecido por abordar com ousadia os dilemas da mulher da época. Em 1989, escreveria a minissérie Sampa, a convite do diretor Daniel Filho.

Em 1981, atuou em sua primeira novela na Globo: Jogo da Vida, de Silvio de Abreu. Nela, a personagem de Glória Menezes, Jordana, lutava para encontrar quatro cupidos de bronze que herdara, dentro dos quais havia um milhão de dólares. Era o personagem de Gianfrancesco Guarnieri, o padeiro Vieira, quem a ajudava a recuperar as esculturas, no fim da novela. Em 1982, atuou em Sol de Verão, em papel criado pelo autor Manoel Carlos especialmente para ele: Caetano, pai de Abel (Tony Ramos), um personagem que ganhou projeção ao longo da novela. Após a morte do ator Jardel Filho, que vivia o protagonista Heitor, durante as gravações, o autor Manoel Carlos, muito amigo do ator, sentiu-se impossibilitado de continuar escrevendo, e foi substituído por Lauro César Muniz, assessorado por Gianfrancesco Guarnieri.




Já em 1984, atuou na primeira novela do autor Carlos Lombardi, Vereda Tropical, que fez grande sucesso. Naquele ano, para conseguir gravar, passou meses na ponte-aérea: convidado pelo então prefeito de São Paulo, Mário Covas, ele assumira, em janeiro, a secretaria de Cultura do município, cargo que ocupou até 1986.

O primeiro personagem de destaque na Globo veio na novelaCambalacho, de 1986, escrita por Silvio de Abreu. Na produção, viveu o trambiqueiro Jerônimo Machado, o Gegê, um dos protagonistas da trama ao lado de Leonarda Furtado, a Naná (Fernanda Montenegro). A dupla era parceira nos cambalachos que Naná fazia para sobreviver e manter a filha, que estudava no exterior. Muito do sucesso da novela se deveu ao entrosamento dos protagonistas, que se casavam no final da história.

Em 1987, reviveu os tempos em que foi censurado no teatro: a novela Mandala, de Dias Gomes e Marcílio Moraes, na qual interpretava o militante comunista Túlio, chegou a ter sua sinopse vetada pela Censura Federal, que alegava que a novela tratava de temas impróprios para o horário, como incesto, uso de drogas e bissexualismo. A Globo comprometeu-se a fazer modificações necessárias e a novela pôde entrar no ar. Além disso, a forte conotação política da fase inicial da trama também precisou ser atenuada. Cinco anos depois, em 1992, viveu outro militante comunista, Dr. Salviano, desta vez na minissérie Anos Rebeldes, de Gilberto Braga. A produção, que fez grande sucesso, se passava durante o período da ditadura militar no Brasil.

Gianfrancesco Guarnieri participou também de outras novelas de sucesso da Globo, como Que Rei Sou Eu? (1989), de Cassiano Gabus Mendes, Rainha da Sucata (1990), de Silvio de Abreu, e Terra Nostra (1999), de Benedito Ruy Barbosa. Sua última novela foi Belíssima (2005), de Silvio de Abreu. Na época, ele já se travava havia quatro anos de uma insuficiência renal crônica. Quando doença se agravou, precisou deixar a novela, e acabou falecendo no dia 22 de julho de 2006.



Dinorah Lemos



Cantora nascida no interior de Minas Gerais, morou nas cidade de Divinópolis e em Belo Horizonte antes de mudar definitivamente para o Rio de Janeiro. Trabalhou na roça, e também como babá, balconista, caixa de supermercados. Foi funcionária pública federal. Faleceu de câncer na bexiga.

Iniciou a carreira artística no começo da década de 1960. Em 1963, passou a fazer parte do grupo vocal Os Rouxinóis que participou com sucesso do espetáculo biográfico em homenagem a Lamartine Babo "O teu cabelo não nega" que foi encenado por Carlos Machado no "Golden Room" do Copacabaca Palace. Com este grupo gravou os LPs "Isto é Lamartine Babo" e "O rancho dos Rouxinóis". Em 1967, fundou o quarteto vocal As Gatas com o qual gravou 4 LPs além de ter participação em mais de trinta discos com destaque para a série "História da música popular brasileira", "Samba de enredo das Escolas de samba", "100 anos de música popular brasileira", série de oito LPs produzidos por R. C. Albin, em 1975, extraídos da série radiofônicado Projeto Minerva intituLADO "mpb 100 AO VIVO", e "Carnaval 82 - As marchinhas estão de volta". Foi fundadora da Escola de samba mirim Herdeiros da Vila da qual foi presidente durante 17 anos. Com a cantora Alcione ajudou a fundar a Escola de samba Mirim Mangueira do Amanhã". Foi presidente de honra da Associação das Escolas de Samba Mirins do Rio de Janeiro. Em 1998, recebeu o prêmio Estandarte de Ouro do jornal O Globo na categoria "Personalidade". No começo dos anos 2000 fez parte do vocal da banda do cantor Zeca Pagodinho. Em 2006, em seu último trabalho, participou com grupo vocal As Gatas do espetáculo "Carnaval de todos os tempos" apresentado no Circo Voador.


Fonte
Dicionário da MPB
Memória Globo

terça-feira, 19 de agosto de 2014

GIANFRANCESCO GUARNIERI, 80 ANOS

Parceiro de nomes como Carlos Lyra e Edu Lobo, o ator e compositor nascido na Itália se vivo estivesse completaria este ano oito décadas de vida



Gianfrancesco Sigfrido Benedetto Marinenghi de Guarnieri (Milão, Itália 1934 - São Paulo SP 2006). Autor e ator. Nome de proa nos anos 1960 e 1970, ao lançar textos voltados à realidade nacional e discutindo, com densidade dramática, problemas sociopolíticos de impacto. Eles Não Usam Black-Tie, escrito por ele, abre o período da fase nacionalista do Teatro de Arena, do qual é integrante. Como ator, e eventualmente diretor, distingue-se pela busca de uma expressividade brasileira nas caracterizações.

Filho de imigrantes, chega ao Brasil com dois anos, vivendo no Rio de Janeiro. Muda-se para São Paulo em 1954 e como ator integra, a partir do ano seguinte, o Teatro Paulista do Estudante, grupo amador que se funde com o Teatro de Arena em 1956. Ali, nos elencos deEscola de Maridos e Dias Felizes, sob a direção de José Renato; e Ratos e Homens, dirigido por Augusto Boal, ambas encenadas em 1956, projeta-se como intérprete e ganha espaço no grupo.

No ano seguinte, o Arena encontra-se em crise e pensa em fechar as portas. Para fazê-lo, resolve encenar um texto de Guarnieri - Eles Não Usam Black-Tie - que, contrariando todas as expectativas, salva o conjunto da bancarrota e impõe-se como o primeiro texto nacional a abordar a vida de operários em greve. Inicia-se, desse modo, a construção que faz o autor de um panorama sobre a vida operária, continuado em Gimba, produzido pelo Teatro Maria Della Costa - TMDC, que revela o talento de Flávio Rangel, em 1959; e A Semente, levada à cena pelo mesmo diretor no Teatro Brasileiro de Comédia - TBC, em 1961. Gimba coloca em cena o morro carioca e a dura sobrevivência das populações marginalizadas; enquanto que A Semente enfoca, em modo desabrido, a organização do Partido Comunista e a atuação de uma de suas células num momento de greve operária.




Esses textos ostentam, pela temática e proposições estéticas, vínculos com o realismo socialista; possuindo o mérito de deslocar o olhar cênico para as camadas populares, seus problemas e contradições próprias, sem a óptica paternalista tradicional.

O Filho do Cão, de 1964, é ambientado no Nordeste, tentativa de fundir os mitos regionais com a exposição realista da miséria em que vive a população. O texto é montado dentro do Teatro de Arena, com direção de Paulo José, recebendo reparos por parte da crítica. Uma experiência bem diversa ocorre em 1965, como uma resposta ao golpe militar do ano anterior: para estruturar um espetáculo em torno da saga de Ganga Zumba, o herói negro dos Palmares, Guarnieri, Augusto Boal e Edu Lobo enveredam pelo modelo de um seminário histórico, o que possibilita a inclusão de um narrador contemporâneo que interliga e comenta os episódios representados, estabelecendo outro patamar de comunicação com a platéia. Tais técnicas, de cunho marcadamente brechtiano, dão forma ao sistema coringa, um modelo de espetáculo musical cujo primeiro fruto é Arena Conta Zumbi, em 1965. Dois anos depois, surge Arena Conta Tiradentes, um aprimoramento do sistema que destaca o protomártir da Independência como herói. Dois sucessos que promovem o Arena à condição de liderança junto ao teatro de resistência.

A peça curta Animália, de 1968, é escrita para integrar a Primeira Feira Paulista de Opinião, dirigida por Boal e montada no Teatro Ruth Escobar. Após seu desligamento do Arena, Guarnieri aceita uma encomenda de Fernanda Montenegro e escreve Marta Saré, saga musicada de uma prostituta nordestina que faz fama e fortuna no Rio de Janeiro, em 1968, realização apenas discreta. Um novo musical, Castro Alves Pede Passagem, de 1971, ambienta num programa de televisão passagens significativas da vida do poeta romântico, num bem logrado jogo metalingüístico, que lhe rende os prêmios Associação Paulista de Críticos Teatrais - APCT, e Molière de melhor autor. Sob sua direção, a montagem marca o início de uma colaboração com a Othon Bastos Produções Artísticas, que, sucessivamente, encena outros textos seus.

Botequim, dirigido por Antônio Pedro Borges, no Rio de Janeiro, e Um Grito Parado no Ar, outra colaboração com Othon Bastos e Martha Overbeck, agora com direção de Fernando Peixoto, ambos de 1972, evidenciam a forte censura imperante no auge da ditadura militar, e são por ele classificados como "teatro de ocasião". Em Botequim, os freqüentadores de um bar são impedidos de sair, em função da tempestade que cai lá fora; enquanto que Um Grito Parado no Ar é centrado sobre as frustradas tentativas de um grupo teatral de levar a termo sua realização, oferecendo através de metáforas um retrato da situação de isolamento a que foi confinada a sociedade brasileira. Esse último garante a ele os prêmios de melhor autor da Associação Paulista dos Críticos de Artes - APCA, o Molière e Governador do Estado. Basta!, da mesma época, é interditada pela Censura e impedida de entrar em cena.

Em 1976 Guarnieri volta à alegoria, criando Ponto de Partida, mais uma montagem pela companhia de Othon Bastos, em encenação de Fernando Peixoto. O próprio autor desempenha um pastor de cabras, em sensível composição. Numa hipotética aldeia medieval um poeta surge enforcado, sem que ninguém saiba o motivo; o que motiva as conjecturas das diversas figuras cênicas, desde uma camponesa até os mandatários locais. A alusão à morte do jornalista Wladimir Herzog, assassinado no ano anterior pelos órgãos de segurança, é bastante evidente, e Guarnieri arrebata os prêmios Molière, Governador do Estado, Mambembe e APCA de melhor texto.

Após longo afastamento dos palcos, exercendo outras atividades, inclusive como Secretário de Cultura da Prefeitura, o autor volta em 1988 com Pegando Fogo...Lá Fora, texto que não alcança a mesma densidade dos anteriores.



Em sua carreira de ator, Guarnieri acumula sucessos e prêmios, distinguindo-se, no Teatro de Arena, na composição de algumas personagens de grande expressividade, tais como em Ratos e Homens, de John Steinbeck, em 1957; como o jovem Tião, de seu próprio textoEles Não Usam Black-Tie, em 1958, em que é premiado como autor revelação; O Filho do Cão, em 1964; A Mandrágora, de Maquiavel, em 1962; Tartufo, de Molière, em 1964; O Inspetor Geral, de Nikolai Gogol, em que é dirigido por Boal, em 1966; o Coringa de Arena Conta Tiradentes, em 1967; o protagonista de A Resistível Ascensão de Arturo Ui, de Bertolt Brecht, em 1968.

Também ator de cinema e televisão, acumula nesses veículos grandes interpretações. Pelo sensível acorde dramático alcançado como Otávio, o pai de Eles Não Usam Black-Tie,na versão cinematográfica de Leon Hirszman, em 1982, recebe inúmeros prêmios.

Na avaliação do crítico Décio de Almeida Prado, "Guarnieri escreveu com facilidade e fecundidade tanto na década de 1960 quanto na de 1970, antes e depois de 1964, porque tinha durante esse tempo todo um claro projeto político em vista. Sabia a favor do que ou contra o que manifestar-se. (...) Se na qualidade de escritor engajado Guarnieri nunca se recusou a tomar partido, na de poeta dramático equilibrou sempre a sua obra entre dois pólos: a sedutora simplicidade das grandes explicações históricas - no caso, o marxismo - e a extrema complexidade do mundo real e dos homens. Daí o paradoxo (comum a toda boa literatura) desse teatro: não é preciso partir de suas premissas ideológicas para admirá-lo enquanto lição humana e realização estética".1


Notas
1. PRADO, Décio de Almeida. Peças, pessoas, personagens: o teatro brasileiro de Procópio Ferreira a Cacilda Becker. São Paulo: Companhia das Letras, 1993. p. 120-121.

Fonte: Itau Cultural

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