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sábado, 15 de dezembro de 2018

SERGINHO TROMBONE LANÇA DISCO COM PRODUÇÃO DE FREJAT

Músico fez segundo álbum mais humano que eletrônico, embora os teclados estejam sempre por ali


Reprodução da internet/Facebook


O cantor e compositor Frejat convidou o veterano Serginho do Trombone para gravar em seu estúdio, no Bairro Lagoa, no Rio (foto: Uanderson Fernandes/Estadão Conteúdo)

Aos 69 anos, Serginho Trombone já tinha credenciais despencando do cabide. Depois de começar ao lado do pianista Dom Salvador e de seu grupo de música afro-brasileira Abolição, no começo dos anos 1970, passaria seus sopros por uma lista sem fim. Tim Maia, Jorge Benjor, Gilberto Gil (os três ‘grooveiros’, como ele chama), Rita Lee, Barão Vermelho, Sidney Magal, Luiz Melodia, Alcione, Ed Motta, Antônio Adolfo, Lenine, Sandra de Sá e Lincoln Olivetti, entre muitos outros.

O roqueiro Frejat sentia que era a hora, uma questão de justiça, e isso o fazia ligar para Serginho apenas para lembrá-lo. “E aí Serginho, o estúdio está aqui te esperando. Vamos fazer aquele disco?” Um dia, o telefone de Frejat tocou de volta. “Aquela história de disco é séria mesmo?” Era. Em dois anos, um prazo longo para quem não saía dos estúdios, sobretudo entre os anos 1980 e 1990, perdendo a soma dos álbuns que ajudava dar forma, participando como instrumentista ou arranjador.

O álbum Tromboneando não é o primeiro. Sua estreia solo é de 1992, quando gravou todos os instrumentos e fez as programações eletrônicas, inclusive de bateria, para Avec elegância. Já era uma amostra da escola de metais Serginho Trombone, com o suingue de faixas como a abertura de Aeróbica, mas ainda muito contaminado pela estética dos anos 1980, sobretudo nos timbres dos muitos teclados.

A ideia agora veio junto com o homem que passou todo o tempo querendo que o disco acontecesse. “Só disse a ele que queria que, dessa vez, a bateria fosse real, e não programada”, diz Frejat. Quando o som começou a ganhar forma, Serginho reconheceu “É por aí mesmo.” “Ele já tinha as músicas formatadas, é um outro nível de trabalho. Serginho é criador de uma linguagem e merecia esse disco.”

Serginho Trombone fez de fato um álbum mais humano que eletrônico, embora os teclados estejam sempre por ali. Apenas duas são regravações. Primavera, de Cassiano e Silvio Rochael, um dos maiores clássicos de Tim Maia, tem as cordas coladas em um improviso de trombone de “responsa”. “Esse arranjo ainda será objeto de estudo para muitos músicos por anos, tenho certeza”, escreveu Frejat em um texto de apresentação do disco.

A outra é O caminho do bem, lançada em 1976 no álbum Tim Maia Racional Volume 2, recobre o momento que Trombone também considera o melhor musicalmente de Tim. “Ninguém mais podia fumar, beber, se drogar, nada. Assim, a voz de Tim ficou perfeita e as execuções também.” Convertido à seita Universo em Desencanto, Tim se jogou na crença Cultura Racional, inspirada no espiritismo, e baixou as novas normas. Músicos no ensaio e nos shows, só de branco. Os instrumentos deviam ser pintados de amarelo. “Pena que as letras não condiziam com a parte instrumental”, avalia Serginho.

A versão de hoje sai com novas linhas de sopros e um baixo assumindo primeiro o refrão que logo será cantado por vozes de Frejat e de outros integrantes. É vibrante e não deixa perder a sonoridade setentista mesmo sendo muito mais cheia e um pouco mais acelerada do que a original. A ficha técnica mostra 14 músicos, entre eles Paulinho Guitarra (velho parceiro dos anos de Tim), Jessé Sadoc (trompete e vocal) e Altair Martins (trompete e voz).

As novas músicas fazem um sobrevoo sobre o pensamento de Serginho Trombone e um pouco do que ele colheu pelo caminho. Os teclados de Lincoln Olivetti são presenças ainda que menos fortes. A abertura de Caule do coqueiro tem solo de sax alto de Leo Gandelman. O improviso de Serginho é daqueles que narram uma história. “Não sou de tocar fechando os olhos e indo embora nas notas.” Ele prefere a respiração em suas frases, como se falasse sem pressa. “Meus solos precisam contar uma história.”

Alçapão é a porção da latinidade, pouco associada ao músico. Tem Paulo Braga na bateria e Cesinha na percussão. E Escola real, o samba do disco, faz lembrar das gafieiras, a entrada dos naipes de metais da música brasileira bem antes da soul music feita aqui absorver essa mão de obra. Claudio Jorge foi chamado por Frejat para fazer o violão de sete cordas. A única faixa que tem Frejat é Tromboneando, o nome do disco, que ganha riffs cortando os grooves acelerados dos metais. Uma viagem.

Serginho Trombone foi se adaptando às mudanças. Quando os teclados chegaram nos anos 1980, como criaturas abocanhando guitarras, baterias, sopros e tudo o que passou a ser assumido por suas programações, Serginho não se acanhou. Colou em Olivetti, o homem que melhor traduziu a realidade daqueles sons para a música de estúdio no Brasil, e passou a aprender com ele. Como seu instrumento não morreu? “Em vez de reclamar, eu aprendo”, ele diz. E assim seguiu, criando arranjos para os discos mais vencedores de Rita Lee dos anos 1980 e 1990 e estelares como o que fez para W/Brasil, que reconduziu Jorge Ben à existência em 1990.


Fonte: Estadão Conteúdo

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

FREJAT EM COLETÂNEA LANÇADA APENAS EM PLATAFORMAS DIGITAIS

Por José Teles





Nas plataformas digitais, desde o 5 de setembro, o anti-disco de Roberto Frejat, o Frejat 2016. Dias antes, numa entrevista ao G1 carioca, assinada pelo jornalista Braulio Lorentz, o músico revelou que não lança mais álbum pelo método convencional: ” Em princípio, disco não vai ter mais. Eu não me imagino com necessidade de gravar disco… Eu estava com isso tudo guardado procurando um formato. Mas não existe formato mais…. A partir de agora se tiver um grupo de canções, eu vou colocar nas plataformas digitais”.

Faz isto na prática com Frejat 2016. compilação com 15 músicas, duas inéditas, Na Sala de Espera do Paraíso (com Leoni), e Você Vem (com Chacal), sobras do álbum Intimidade Entre Estranhos. As demais são conhecidas, feito a recente Mais do Que Tudo, em duas versões. Pinçadas de shows O Amor Quente, Me Perdoa, A Felicidade Bate à Sua Porta (de Gonzaguinha, um hit das Frenéticas),

Três canções alheias, que estão em seu repertório de palco, aparecem aqui em versões de estúdio, Mais um Vez, de Renato Russo, Vambora, de Adriana Calcanhoto e Você Não Entende Nada, de Caetano Veloso. Até então disponível em animação só no canal do cantor no Youtube, Maria (parceria com a filha Julia Frejat, e participação do filho Rafael Frejat na guitarra) tem sabor de inédita.

Raridade de um álbum tributo ao Beatles (da Discobertas) é Oh Darling, de Abbey Road, enquantoSatisfaction, dos Rolling Stones foi gravada para a novela Insensato Coração. Também extraída de trilha, para o filme Se eu Fosse Você 2, é a canção Desejo. E tem ainda Carinhoso, de João de Barros e Pixinguinha, feita para um comercial de café.


DISCO

Frejat não lança álbum de estúdio desde 2008. Esta compilação, apesar de ser uma colcha formada por retalhos de fases e origens diferentes, acaba sendo um disco leve, divertido e despretensioso. O que mais se aproxima de ousadia é uma versão meio roqueira de Carinhoso, com solo de guitarra à George Harrison. A ousadia aqui é Frejat encarar a “Canção do Século” com centenas de versões, a primeira delas por Orlando Silva, maior cantor da história da música brasileira.

Algumas músicas mereciam vir à tona, como é o caso de Desejo (vale lembrar que Frejat é autor da maioria das melodias do Barão Vermelho). A nova Mais Que Tudo (em duas versões) gerou polêmicas pela receita de mulher dada por Frejat, considerada machista pelas mulheres (curioso é que não se protestou contra Esse Cara Sou Eu, de Roberto Carlos, em que o personagem da canção é um maníaco possessivo).

O bom do, vá lá, disco é a diversidade de arranjos, temas e ritmos. Vai do r & b de Me Perdoa, à balada pop Na Sala de Espera do Paraíso, ou disco music em O Amor É Quente. Os covers, num disco convencional certamente destoariam, mas aqui pela falta de uma linha estética, vale tudo. De uma versão lenta de Oh Darling, ou Você Não Entende nada em ritmo de rock com a mesma introdução deAlegria Alegria. Frejat 2016 é um anti-disco em todos os sentidos. Se não há gravadoras, tudo é permitido.

Confiram Frejat no single Mais Que Tudo:

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