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sexta-feira, 11 de setembro de 2020

FERNANDA TAKAI LANÇA DISCO SOBRE 'A NOSSA FRAGILIDADE E IMPOTÊNCIA'

Sombrio e melancólico, 'Será que você vai acreditar?' traz duas canções compostas durante a quarentena, revisita as obras de Amy Winehouse e Michael Jackson e inclui duo com Virginie

Guilherme Augusto*


(foto: Dudi Polonis/Divulgação)

Fernanda Takai perdeu as esperanças. Prova disso é o conteúdo de seu novo álbum solo, Será que você vai acreditar? (DeckDisc), que chega nesta sexta-feira (10) às plataformas digitais. Produzido, arranjado, gravado e mixado durante o confinamento por John Ulhoa, seu parceiro de vida e banda, o trabalho carrega um repertório que dialoga diretamente com o contexto de incerteza que o Brasil e o mundo vivem atualmente.

“Ele tem uma sincronia com essa sensação de limite que estamos vivendo. E isso é curioso, porque a maioria das canções entrou no repertório antes mesmo da pandemia e do isolamento, o que confirma que esse não é um sentimento novo. Afinal, nós estamos vendo o país andar de ré”, comenta a cantora e compositora.

“Ao mesmo tempo, eu me invisto da vontade de lançar um trabalho novo, mesmo num momento tão deprimente da nossa história. Sinceramente, sinto que as pessoas precisam de músicas que falem da nossa fragilidade e impotência.”


Pandemia

Embora soe como um projeto pensado para ser fruto de uma incursão criativa durante os dias em casa, o disco começou a nascer antes de a pandemia do novo coronavírus impor essa realidade.

Dois anos após O tom da Takai (2018), disco com repertório dedicado às canções de Tom Jobim, Fernanda já pretendia entrar em estúdio para um novo registro. A produção começou logo depois do carnaval dese ano, no início de março.

Quando a Organização Mundial da Sáude (OMS) decretou a pandemia, no dia 11 daquele mês, a cantora, John e Nina, filha de 16 anos do casal, se isolaram em casa, em Belo Horizonte. A partir daí, a rotina da família passou a girar em torno da gravação do disco.

“Produzi-lo foi o que nos manteve numa rotina durante esses dias. Moramos em uma casa com jardim e animais, então a gente teve que se organizar para realizar os afazeres domésticos. Eu, por exemplo, cozinho todos os dias”, conta.

Diferentemente de seus outros discos solo, e também dos 11 que compõem a discografia do Pato Fu, o trabalho atual foi construído a quatro mãos, com John no comando de todos os instrumentos ouvidos nas músicas. O esforço resulta num trabalho afinado, minimalista e elegante.

Terra plana abre o álbum, trazendo à tona um comentário delicado sobre as ansiedades de educar uma filha. A canção seguinte, Não esqueça, pinçada do repertório do artista gaúcho Nico Nicolaiewsky (1957-2014), segue a mesma toada. Apesar de datar de uma época passada, alguns versos parecem ter sido escritos durante os tempos de pandemia: “Não esqueça que tudo é ilusão, não esqueça de lavar as mãos”.

Pérola da música popular brasileira interpretada por Paulo José e lançada em 1970, Não creio em mais nada ganha um registro à altura de sua importância. Com elementos eletrônicos e diferentes camadas vocais, a canção se reveste de uma nova cara e é uma das melhores do disco. A versão conta com a participação da robótica voz do Google.

“Fico impressionada com o tanto que essa música fez sucesso, mesmo sendo tão intensa para a época. Nesse mar de mentiras e notícias falsas em que a gente vive hoje, acho que ela está bem de acordo com a realidade do Brasil”, afirma Fernanda.

Em O amor em tempos de cólera a cantora divide os vocais com Virginie Boutaud, vocalista da banda de new wave Metrô, que fez sucesso nos anos 1980 com a música Tudo pode mudar. Quem também está no disco é a japonesa Maki Nomiya. Conhecida por integrar o duo Pizzicato Five, ela é coautora da canção Love song e a canta com Takai.

Corações vazios e O que ninguém diz nasceram durante a quarentena. Em ambas, Fernanda Takai transborda melancolia, ainda que a segunda tenha uma levada dançante. “Mas seu ponto de vista/ Duro como cimento/ Não dura muito tempo/ Se a boca secar/ Se a fome doer/ Você vai entender/ Espere só pra ver”, canta ela, na primeira.

Balada promovida como quinto single do consagrado segundo álbum de Amy Winehouse (1983-2011), Back to black (2006), Love is a losing game aparece no disco sob a forma de uma bossa nova eletrônica.

“Sempre fui muito fã da Amy”, admite Fernanda. “Torcia para que ela não tivesse um final tão trágico e prematuro. Até cheguei a cantar Rehab em alguns shows do Pato Fu, mas, depois que ela morreu, acho que a música ganhou um novo significado. Para mim, Love is a losing game é a música mais bonita do disco dela. Fala sobre um amor que deu errado, mas de uma forma nova e diferente.”

Outro sucesso internacional regravado pela cantora amapaense radicada em Minas Gerais é a balada One day in your life, hit na voz de Michael Jackson (1958-2009), em gravação para seu quarto álbum solo, Forever, Michael (1975).

“Essa é uma música muito especial para mim. Lembro-me de ouvi-la quando era jovem, mas nunca tive a coragem de trabalhar nela. Como não tínhamos mais um cronograma rígido de gravação para seguir, eu e John decidimos quebrar a cabeça para produzir essa”, comenta.

Essa não é a primeira vez que Fernanda presta tributo ao cantor norte-americano. No disco ao vivo Luz negra ela regravou o sucesso Ben, de 1972.

Sem medo de demonstrar seu posicionamento político, ela avalia o atual momento da política no Brasil com preocupação. “Somos governados por gente muito irresponsável e tudo é muito pior do que a gente pensava que seria. Sofrer um golpe como em 2016 ou perder a eleição de 2018 são coisas que acontecem. Mas ter ali, no comando do país, uma pessoa como Bolsonaro é um completo descalabro”, afirma.

“Levou muito tempo para construirmos um caminho que favorecesse a maioria das pessoas, mas a destruição está sendo muito rápida. Por isso não podemos deixar de sinalizar nossas convicções.”

Apesar de adepta às redes sociais, ela não se adaptou ao universo das lives, alternativa aos shows ao vivo criada na quarentena. Como artista, fez poucas, em geral participando de transmissões ao vivo de colegas. Assume que vê poucas, na maioria das vezes as de entrevistas, e conta que tem usado o tempo livre para fazer cursos on-line.

“Cultivo uma certa birra dessas grandes lives que duram horas e horas e, com certeza, envolvem o trabalho de uma equipe grande. Agora é o momento de darmos o exemplo e ficar em casa. Espero me apresentar ao vivo, para o público, quando isso for uma decisão segura.”

E apesar da falta de esperança que paira em sua voz, tanto no disco quanto na entrevista, a última canção do álbum, Who are you?, parece conter o antídoto para esse sentimento. Embalada por um instrumental eletrônico soturno, a faixa destoa do restante, mas soa como um convite à ressignificação da realidade.

“Quem é você?/ Se explique/ Me ajude a entender”, canta ela em inglês, como quem tenta decifrar o inimigo.



Será que você vai acreditar?
. Fernanda Takai
. DeckDisc
. Disponível nas plataformas digitais

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

ROBERTA SÁ, FERNANDA TAKAI E CHICO CÉSAR REPASSAM CARREIRA EM SÉRIE DE SHOWS NA CAIXA CULTURAL

Projeto Palco Brasil terá quatro apresentações de cada artista, entre os meses de agosto e setembro

Por Breno Pessoa


Músicos prometem também resgatar histórias de bastidores e memórias da carreira. Crédito: Caixa Cultural/Divulgação

Três importantes nomes da MPB vão inaugurar o Palco Brasil, na Caixa Cultural do Recife. Com proposta intimista, o projeto, em sua primeira edição, terá uma série de 12 shows, quatro para cada convidado. Roberta Sá, Fernanda Takai e Chico César são os três nomes escolhidos para lançar a iniciativa, que tem início no dia 23 de agosto e segue até 8 de setembro. Os ingressos custam R$ 30 e R$ 15 (meia) e serão vendidos na bilheteria do local. 

Os shows prometem trazer um apanhado da carreira de cada artista, a partir de um repertório pautado pelas principais obras e músicas que fazem parte das trajetórias de cada convidado. O caráter memorialísta também se dá pelo formato das apresentações, que devem ser intercaladas por conversas com o público, histórias de bastidores e memórias.

Quem inicia a programação é Roberta Sá, com shows de 23 e 25 de agosto. Na sequência, Fernanda Takai, com apresentações de 30 de agosto a 1º de setembro, e, por fim, Chico César de 6 a 8 de setembro. Às quintas e sextas-feiras, os shows ocorrem às 20h. Nos sábados, são duas sessões, às 17h e às 20h.


Confira a programação em detalhes:

Roberta Sá
23 e 24 de agosto, às 20h.
25 de agosto, às 17h e às 20h. 
Vendas a partir do dia 22 de agosto.

Fernanda Takai
30 e 31 de agosto, às 20h.
1º de setembro, às 17h e às 20h.
Vendas a partir do dia 29 de agosto. 

Chico César
Dias 6 e 7 de setembro, às 20h.
Dia 8 de setembro, às 17h e às 20h.
Vendas a partir do dia 5 de setembro.

Serviço
Local: Caixa Cultural Recife (Av. Alfredo Lisboa, 505, Praça do Marco Zero, Bairro do Recife)
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)
Horário de funcionamento da bilheteria: das 10h às 20h
Duração: 60 minutos 
Classificação indicativa: 14 anos 
Acesso para pessoas com deficiência
Informações: (81) 3425-1915

domingo, 11 de março de 2018

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