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quarta-feira, 16 de março de 2016

60 ANOS SEM AUGUSTO CALHEIROS

Por ocasião da morte do famoso cantor alagoano Augusto Calheiros, o poeta Duarte, naquela época era locutor e animador de programas da Rádio Borborema de Campina Grande - Paraíba, e ao saber do inesperado desaparecimento do seu grande amigo, fez de improviso, o seguinte poema:

A morte do grande Augusto
Entristeceu toda terra
Desde a chapada da serra
A região do Sertão.
O mundo ficou escuro
Angústias, lutas e pesares
Entristeceu a nação.
Libertou-se desta vida
O grande cantor amigo
Porque o tremendo alçapão
Da morte o surpreendeu.
E agora Jesus veio buscar
A linda voz que lhe deu.
Fugiu da gaiola imensa
Da Brasileira nação,
Agora um gemido grande
Manda o Brasil se calar
E o Brasil se ajoelha
Com os olhos fitos no céu
Dizendo com emoção
Augusto não morreu não.
Campina Grande soluça
Triste soluço de dor
Rezando pelo cantor
Que ninguém pode imitar.
E Campina agora envia 
Nas asas loiras do sol
Saudades por rouxinol
Que já parou de cantar.
Orlando, Nélson e Silvio
Vestiram luto e choraram
E nunca mais que cantaram
Nas rádios nacionais.
Cantam somente escondidos
Às frias da madrugada
Augusto foi a cigarra
Que mais afinou seu canto
Mas quem já viu um graúna
Cantar para enriquecer?
Mas como cantor cantasse
E cantasse até demais
Unicamente juntava
O alpiste para viver
As suas valsas gravadas
Nós temos no pensamento
Qual seriam neste momento
A emoção e o esplendor
Das valsas de rodo mundo
"O CABOCLO VINGADOR"...
Talvez mesmo por vingança
Há de matar a esperança
Cerrar seus olhos morrer
E o tal "GAROTO DA RUA"
Sem mais a bola de gude
Há de fazer um ataúde
Fechar os olhos e morrer.
Aqui eu deixo gravado
Um preito de gratidão
Ao grande Augusto Calheiros
O genital do sertão
Mas ele quando puder
eixe são Pedro dormindo
E trate de vir fugindo
Nas asas do temporal
Ver o Brasil fazer prece
Dizendo que não esquece
A sua voz imortal.


Poema extraído do livro "Inspirações de um poeta" de Pedro Bandeira, em homenagem a Enéas Duarte, p.30.

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