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domingo, 1 de março de 2015

COLETÂNEA MOSTRA SOFISTICAÇÃO DAS HARMONIAS DE ARISMAR


Por Sidney Molina



É a falta de opções a preços acessíveis que leva os músicos e estudantes brasileiros à pirataria de partituras ou, ao contrário, é a facilidade do xerox e do PDF que inibe os lançamentos editoriais?

Na música erudita tem sido cada vez mais difícil encontrar edições comerciais de obras de compositores brasileiros, mesmo dos mais famosos. Já na canção popular, houve, a partir de meados dos anos 1980, um esforço para fixar com algum rigor as melodias e os acordes dos principais nomes da MPB.

Graças aos livros de Almir Chediak (1950-2003), popularizou-se aqui o termo "songbook", eventualmente traduzido por "cancioneiro", como na refinada edição da obra de Tom Jobim (1927-1994).

No âmbito da música instrumental brasileira os lançamentos têm sido raros, o que adiciona importância ao songbook com composições do guitarrista, violonista, baixista, pianista e baterista Arismar do Espírito Santo.

O livro segue faixa a faixa o CD "Alegria nos Dedos" (2012). Apesar de Arismar ser um virtuose e, no disco, atuar com outros –como o saxofonista Vinicius Dorin e a flautista Léa Freire, além do filho Thiago– as composições carregam certa simplicidade formal.

Muitas poderiam mesmo ser canções: os andamentos são pausados, as melodias têm tessitura pequena e usam notas longas. A curtição composicional está na relação entre melodias e harmonias, e de ambas com a variedade dos ritmos brasileiros.

A edição cuida bem do essencial, as partituras. Mas perde a oportunidade de adicionar alguns ensaios mais ambiciosos, colocar mais reflexão sobre o estilo e, para além do puro elogio, apresentar melhor o autor.

Há, no entanto, breves comentários sobre cada peça por Arismar e convidados. Alguns são descritivos (como o de Cleber Almeida); outros impressionistas (Jean Garfunkel); outros, ainda, prescritivos, conversam diretamente com o músico que se prepara para estudar (tal como propõe Toninho Horta).

Tomara o lançamento aponte para um novo ciclo no mercado de partituras, mas, para isso, os músicos terão de vencer a tentação da pirataria.


SONGBOOK ARISMAR
AUTOR - Arismar do Espírito Santo
EDITORA - Passarim
QUANTO - R$ 65 (80 págs.)

sábado, 7 de dezembro de 2013

ARISMAR DO ESPÍRITO SANTO COMEMORA 40 ANOS DE CARREIRA COM NOVO DISCO

Em 'Roupa na corda' o multi-instrumentista vai da valsa ao samba e afoxé com 'orquestra imaginária'

Por Ailton Magioli 



“O piano é a melhor bateria do mundo. O violão é um piano de peito. Já o baixo é a alma da música: ele acalanta, dá a volta e abraça, proporcionando conforto.” As conclusões são do multi-instrumentista Arismar do Espírito Santo, de 57 anos, que lança o disco 'Roupa na corda' (Maritaca) para comemorar seus 40 anos de carreira.

Gravado em uma fazenda em Itapetininga, no interior de São Paulo, o disco reúne melodias que marcaram a trajetória de Arismar. Dezesseis temas inéditos vão do samba ao xote, passando por valsa, choro-canção e afoxé. 

Em companhia de Lea Freire (flautas e flautão) e Fábio Peron (bandolim 10 cordas e bandolão), com direito a participações dos filhos Bia Goes (voz em 'Arco de pua e Canal 1') e Thiago Espírito Santo (baixo em 'Jaco no Jabour'), Arismar (piano, guitarra, violão sete cordas e baixo) comanda uma verdadeira “orquestra imaginária”. Nesse disco, a função rítmica é cumprida por instrumentos variados, embora às vezes a bateria pareça presente. 

“A música nasceu da batucada”, constata Arismar, lembrando que o ritmo é responsável pela pulsação. “Em compensação, o violão é um bumbo (parte de cima), enquanto sua parte de baixo é uma caixa”, diz. Com cinco discos solo de baixo e/ou violão “e um monte de outros repletos de convidados”, o músico informa que em 'Roupa na corda' há muito baixo, embora ele se exercite em vários instrumentos. Os arranjos foram feitos especialmente para a imaginária orquestra que o acompanha.


Violão

“A procura pela música instrumental cresceu muito no Brasil”, afirma ele, constatando que à medida que o gênero vai se mostrando, o público o absorve. A estreia de Arismar se deu ao violão, “ainda molequinho”, na cidade natal, Santos (SP). Filho da cantora de rádio Aracy Lima, ele conta, emocionado, que o pai conheceu a mãe pela voz. “Ele foi atrás dela na rádio”, diz, lembrando-se carinhosamente do representante comercial, tocador de violão nas horas vagas e ex-jogador de basquete.

“Lá em casa, sempre foi mais samba do que choro”, recorda o multi-instrumentista, “mordido” pelo baixo acústico ao tocar na noite paulistana em 1977. De 1974 a 1977, Arismar se dedicou à bateria. Desde então, ele não parou mais, estendendo seu talento a outros instrumentos – inclusive à guitarra, com a qual animou muitos bailes. Daí a sua desenvoltura ao comparar os instrumentos em falas carregadas de afeto. 

Pai da cantora Bia Goes e do baixista e guitarrista Thiago do Espírito Santo, ele fala com carinho da caçula Maria Júlia, de 12. Maju é autora das inspiradas ilustrações da capa de 'Roupa na corda'. O lançamento oficial do disco está marcado para segunda-feira, no Teatro Anchieta do Sesc Consolação, na capital paulista.


Repertório
Dia santo
Envaidecida
Arco de pua
Outonal
Venina
Pensa na labareda
Jaco no Jabour
Canal 1
Roupa na corda
Jambo de Iracema
Aracy
O xote virou

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