sexta-feira, 19 de junho de 2020

GUINGA, 70 ANOS

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Carlos Althier de Souza Lemos Escobar (Rio de Janeiro, RJ, 1950). Violonista, compositor e cantor. Ainda criança, ganha de sua tia Ligia o apelido de "Guinga", uma adaptação de "gringo", pelo fato de ter a pele clara e os cabelos escorridos. Do pai, um militar da Aeronáutica, o sargento Escobar (Althier da Silva Escobar), herda o gosto pela música erudita. Outra influência é do cantor Augusto Calheiros, de quem seu pai é fã. Pela mãe, a dona de casa Inalda, aproxima-se de serestas e valsas brasileiras.

O primeiro contato com o violão ocorre aos 11 anos. Entre os nomes importantes em sua formação estão Paulinho Cavalcanti, Hélio Delmiro (1947) e Jodacil Damasceno (1929-2010), com quem tem aulas de violão clássico por cerca de cinco anos. Aos 17, com o nome de Carlos Althier, classifica Sou Só Solidão no 2º Festival Internacional da Canção, com letra de Paulo Faya. Em 1970, passa a acompanhar a cantora Alaíde Costa (1935) e a cursar odontologia, formando-se em 1975. Também acompanha Beth Carvalho (1946), João Nogueira (1941-2000) e Cartola (1908-1980), com quem grava O Mundo É um Moinho, no disco do sambista. Como Carlos Escobar, classifica Pela Cidade, parceria com Marcio Ramos, no 4º Festival Internacional da Canção, em 1971. Três anos depois, tem temas seus e de Paulo César Pinheiro (1949), Conversa com o Coração e Maldição de Ravel, gravados pelo conjunto MPB-4. Com o mesmo parceiro, tem Punhal, registrada por Clara Nunes (1943-1983), em 1974, e Bolero de Satã, por Elis Regina (1945-1982), em 1979.

No ano de 1988, conhece Aldir Blanc (1946), que se torna seu parceiro mais constante. É apresentado a Paulinho Albuquerque, produtor de seus primeiros discos. Tem o primeiro álbum lançado em 1991, Simples e Absurdo, pelo selo Velas, com 11 temas seus e de Blanc interpretados por nomes como Chico Buarque (1944), Ivan Lins (1945), Leila Pinheiro (1960), Leny Andrade (1943) e Zé Renato (1956). Dois anos depois, lança Delírio Carioca, em parceria com Aldir Blanc, e duas composições com Paulo César Pinheiro (Saci e Passarinhadeira) e participação de Djavan (1949), Fátima Guedes (1958), Boca Livre e Leila Pinheiro. Lança Cheio de Dedos, em 1996, com participação de Chico Buarque, Nó em Pingo D'Água e Ed Motta (1971). No mesmo ano, Leila Pinheiro divulga o álbum Catavento e Girassol, com composições de Guinga e Blanc. Em 1997, é contemplado em quatro categorias do Prêmio Sharp. No ano seguinte, lança o disco Suíte Leopoldina, inaugurando parcerias com Nei Lopes (1942), Celso Viáfora e Mauro Aguiar. Como convidados, o próprio Nei Lopes, Chico Buarque, Alceu Valença (1946), Ivan Lins, Lenine (1959), Ed Motta e Toots Thielemans (1922).

Em 2001, ano em que é indicado ao Grammy latino por Suíte Leopoldina, estreia Cine Baronesa, com nova participação de Chico Buarque e Nei Lopes. Dois anos depois, lança Noturno Copacabana, com o registro de seu tema mais conhecido, Senhorinha, parceria com Paulo César Pinheiro. Há temas seus registrados em 2006 por Marcus Tardelli, no disco Unha e Carne. No ano seguinte, lança Casa de Villa, e dois anos depois o álbum Saudade do Cordão, interpretando temas seus com o clarinetista Paulo Sérgio Santos. No exterior, divulga, em 2004, Graffiando Vento, com o clarinetista italiano Gabriele Mirabassi (1967). Em 2008, fora do Brasil, novamente com Mirabassi, lança Dialetto Carioca, desta vez também com Jorginho do Trompete, Lula Galvão (1962) e Paulo Sérgio Santos.




Comentário Crítico

Violonista dos mais conceituados no cenário mundial, depois de ter contato com a obra de Guinga, Paco de Lucia declara que teve vontade de trocar seu universo musical pelo do brasileiro. O espanhol não é o único, já que, ao longo de sua carreira, Guinga recebe elogios de nomes como Tom Jobim, Turíbio Santos, Chico Buarque, Hermeto Pascoal, Sergio Mendes, Michel Legrand, Toots Thielemans, entre outros. Entre as explicações para a obra de Guinga despertar admiração e respeito entre artistas conceituados no Brasil e no exterior, a mais consensual para críticos e especialistas é a sua inventividade harmônica. O fascínio surgido pela obra de Guinga muitas vezes se dá pelas inusitadas formações de acordes encontradas no violão desse canhoto, mas que toca com a mão direita. No meio musical, não são poucos os instrumentistas com dificuldades em compreender e executar os intervalos e inversões propostos por Guinga.


Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural

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