sábado, 23 de março de 2013

RENATO BARUSHI ABRE CONCESSÕES SEM PERDER A COERÊNCIA, MOSTRANDO O SEU UNIVERSO PARTICULAR EM UM VARIADO MERCADO SONORO

Pré-selecionado ao 24º Prêmio da Música Brasileira, Renato Barushi traz seu "Mercado" com toda a heterogeneidade melódica ao qual está imbuída a sua música.

Por Bruno Negromonte



Imaginem uma sortido mercado onde os principais produtos expostos são versos e melodias que procuram mostrar a música mineira contemporânea. Esse espaço se fez possível graças  a um novo talento que chega para contribuir com ideias e sons consistentes, procurando perpetuar, a seu modo, a boa fama que a música mineira vem construindo nacionalmente desde ó início da década de 70, quando o carioca Milton Nascimento lançou o antológico álbum "Clube da Esquina", esse disco foi o marco inicial de uma revolução dentro da música produzida em Minas Gerais e que se estendeu mundo a fora.

Pois bem, Renato Barushi, mineiro de Cataguases (cidade da zona da mata mineira localizada a cerca de 320 km da capital Belo Horizonte) é o responsável por este mercado de variedades rítmicas. Na composição dessas variantes vemos o quão ele foi influenciado não só por toda essa geração antes citadas, como também por outros elementos sonoros, formando assim uma rica e belíssima "vitrine" onde são expostas a diversidade na qual está imbuído o seu som. Percebe-se que Barushi soube absorver e fundir inspirações e influências de modo bastante seguro a partir de uma sonoridade toda particular baseada em uma gama de ritmos.



De família grande e apreciadora da boa música, Barushi nasceu em 10 de fevereiro de 1981 e desde a infância já procurava desenvolver habilidades artísticas. Gostava de atuar e cantar, e aos 10 anos já brincava de escrever músicas. Tendo suas aptidões artísticas estimuladas e valorizadas aos 11 anos ganhou o seu primeiro violão, a partir daí resolveu iniciar de fato a sua formação musical indo estudar no conservatório musical existente em sua cidade. Vem desse período as suas primeiras referências musicais e que o acompanham até os dias atuais como se é perceptível na audição do seu álbum de estreia. A forte influência da chamada MPB e do Rock em suas composições mostra que o artista soube dosar de modo interessante tanto esses dois gêneros como outros que acabaram influenciando em sua formação. De certo modo, "Renato e mercado" evidencia essa teoria, pois vem impregnado dessa diversidade rítmica sem se deixar cair no lugar-comum.

Aos 17 anos Renato percebe que Cataguases acaba tornando-se pequena para os seus anseios e resolve aventurar-se em Belo Horizonte. Chega à capital mineira trazendo em sua bagagem suas primeiras composições, aquelas que seriam o cerne para o seu desenvolvimento enquanto compositor e músico de modo geral. O aperfeiçoamento veio com as diversas experiências na capital mineira, dentre as quais a sua passagem pela banda ''Machinari'' como vocalista, instrumentista e compositor, pois foi como integrante do grupo que começou a dedicar-se com mais afinco à elaboração do seu trabalho autoral, criando em parceria com grandes amigos várias canções até o dissolvimento da banda, que ocorreu por volta de 2004.

Mesmo com o fim da banda e as adversidades existentes, Renato Barushi tinha planos traçados e metas determinadas. Sua força motriz encontrava-se justamente neste determinismo que alimentava seus sonhos e desejos, por isso não desanimou e continuou a acreditar que já era hora de registrar as suas letras e músicas, composições tão peculiares e carregadas fortemente pela fusão da música negra, do rock e da tradicional MPB.

É bom trazer ao conhecimento de todos que
o nome "Renato e o mercado" veio em meio à conversas informais com parceiros e amigos e faz alusão às muitas vertentes que influenciaram no trabalho do músico ao longo dessa sua jornada musical. surgiu devido a diversidade sonora presente neste trabalho de estreia. A diversidade sonora dá ao álbum uma textura peculiar, mostrando uma heterogeneidade rítmica coesa e moderna a partir da execução das nove composições presentes no disco e que contam com o acompanhamento dos músicos Marcílio Rosa (guitarra), Paulo Maitá (baixo e produção musical), Tininho (bateria), Daniel Diniz (teclados), Edgar Sozzi (guitarra), Marcelo Silvah (violão), Boca Brown (percussão), Nequinho (backimg vocal), Luiz Peixoto (guitarra). "Renato e o mercado" ainda conta com a participação do rapper Lil'dawg.



O disco vem munido de nove canções que são assinadas tanto por Barushi  de modo solo como em parcerias com Robson Pitchier (sete em um total de nove). São canções que acentuam uma contemporaneidade peculiar atreladas a valorizadas raízes. No som de Renato é possível encontrar pitadas de uma sonoridade advinda com os grandes nomes da Motown, é possível identificar acordes do pop rock nacional surgido a partir dos anos 80, além é claro de incursões no que há de melhor em nossa música. Tudo de modo preciso como é possível observar já na primeira faixa intitulada "Dela" (balada romântica de autoria do próprio intérprete e que fala fundamentalmente sobre a presença da amada para dar outra conotação a sua vida). O disco continua com "Onde quero chegar", uma das parcerias com Robson Pitchier  que retrata o desejo de coisas tão simples que infelizmente perdem-se em nossas caóticas rotinas, além de "Filme em Cartaz" (mais um fruto da parceria entre RenatoPitchier), que traz a participação do rapper Lil'dawg cantando e assinando parte da letra. 

O mercado continua aberto oferecendo produtos de excelente qualidade como é o caso do contagiante funk batizado de "Minha musa", mais uma contagiante parceria da dupla e que tras como tema algo que o próprio título já denota: uma alegre declaração. Em "Sem reparo" (mais uma parceria com Robson) as guitarras mostram que a influência do rock não é algo que restringe-se apenas ao release do álbum. Outra canção que a dupla assina é a balada "O mar gelou o deserto", que retrata fenômenos naturais incomuns influenciados por uma determinada situação afetiva.

A trinca final traz  "Meu lugar", "Malandragem" e "The end". A primeira trata-se de uma composição assinada pelo próprio Renato. As duas que restam foram escritas a quatro mãos em parceria com Pitchier. Quanto aos temas eles retratam os mais variados assuntos, em "Malandragem", por exemplo, há o retrato de um sujeito preso as amarras do ilícito; já "Meu lugar" e "The end" surgem atreladas as peculiaridades das relações amorosas, mostrando, desse modo, que Renato Barushi surge no atual mercado fonográfico brasileiro como um cantor e compositor possuído de acordes e estilos que mesclam todas as fontes nas quais teve a oportunidade de beber, fazendo uma sonoridade pode ser rotulada como ''Música Livre Brasileira'', como o próprio artista define.
Assim sendo, Barushi mostra-nos através da concretização desse antigo desejo, o seu rico e diversificado mercado sonoro. E apesar da diversidade existente, cada prateleira trazer o seu produto específico, mostrando-se coerente o suficiente para acreditarmos que é inevitável que venham a surgir novas filiais desse mercado. Desvinculado de rótulos, o artista mineiro chega à indústria do disco alimentando seus antigos anseios acrescidos  da ciência dos desafios a enfrentar nesse mercado muito menos lírico que os violões e canções desse cataguasense, que "comendo quieto" (como costumam dizer) vem mostrando ao que veio.


Maiores Informações:
Site Oficial - www.renatobarushi.com.br
Orkut (Comunidade) -

2 comentários:

Amanda Silva disse...

Parabéns pela bela matéria, o Barushi é M.A.R.A.V.I.L.H.O.S.O!!! Merece alcaçar as estrelas!!
SUCESSO!

Helena Morgado disse...

Bela matéria Bruno, são pessoas como você que ajudam a transformar a cena musical desse país e mostra talentos incríveis como Renato Barushi!
Viva o Musicaria e o Barushi!

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