quinta-feira, 24 de setembro de 2015

VOCÊ SABE QUEM FOI HELENA DOS SANTOS?

2015 completa-se uma década sem 


Por Alberto Robson Gonçalves



Quando encontrei aquela revista, me surpreendi, logo na capa, uma frase que dizia “letras dos dois últimos LPs”, logo, vi que se tratava de uma raridade, a foto de um cabeludo que, só tinha a certeza de que se tratava do rei Roberto Carlos porque, só não o reconhece quem ainda não nasceu, pois, sua imagem é uma das mais divulgada no mundo da música, e também, porque estava escrito o seu nome em letras garrafais. Em seu interior, fotos surpreendentes, do rei e do tremendão, aparentando seus vinte e poucos anos, bem jovens mesmo. Mas, tinha mais, Dorival Cayme com sua cabeleira já bastante grisalha e Jorge Amado, com poucos fios negros em seu famoso bigode branco, como se fizessem parceria, os dois se encontravam na mesma foto, também, tinha uma foto do jovem compositor de Cachoeira do Itapemirim, Edson Ribeiro com seu tímido sorriso e uma cabeleira que fez lembrar-me da era brecocô, cocota, Jovenguarda, coisas daquela época. Mas na verdade a foto que mais me surpreendeu, que também continha lá, foi a da jovem compositora Helena, que pela forma que foi publicada naquela revista “Roberto Carlos por Fred Jorge HOJE”, parecia que não havia tanta consideração a sua pessoa, que esgotou seu estoque de fotografias, que era desmazelada que não se preocupava com um possível legado, que os direitos autorais eram tão pouco que não dava para fazer um álbum, que era tão humilde que não se preocupava com o que mostrar, não sei, mas, sua foto além de parecer que foi reaproveitada de uma carteira profissional, ainda veio sorteada com um fio de cabelo impresso, compreendo, naquele tempo ainda não havia Photo shop, mas as dos outros foram verdadeiros closes.




Naquela época já descrevia o autor Fred Jorge, “pouca gente sabe quem é Helena dos Santos Oliveira”, hoje, quarenta anos depois muito menos. Segundo o que relata a reportagem, Helena nasceu em Minas Gerais, na cidade de Conselheiro Lafaiete, no dia 7 de Janeiro, foi uma mulher do povo, humilde, humana, que sofreu muito, mas soube transformar seu drama em canções românticas. Seus pais, Francisco dos Santos e Maria Amélia dos Santos, jamais poderiam imaginar que, Helena um dia viria a ser famosa. Muito cedo, perdeu a mãe, passando a viver com a madrasta até aos onze anos de idade, vindo para o Rio de Janeiro em companhia de uma irmã que era casada. Logo começou a trabalhar em uma fábrica de tecidos e depois em confecções de roupas para homens na rua Frei Caneca, trabalhava muito, para sobreviver com o pouco que ganhava, até sofrer um acidente e ficar dois anos desempregada, passando por grandes dificuldades financeiras. Depois de se recuperada do acidente voltou a trabalhar, dessa vez como doméstica. Aos dezessete anos conheceu um jovem de Cabo Frio, Lauro de Oliveira, com quem namorou, se casando mais tarde, tiveram quatro filhos, doze anos depois seu marido faleceu. Novamente só, com quatro filhos para criar e com a saúde fragilizada, não desistiu, começou a fazer pequenos trabalhos de costura, passando horas na máquina para entregar suas encomendas, muitas vezes, até de madrugada.

Um belo dia, sem saber como, Helena decidiu a fazer música, simplesmente lhe veio uma inspiração e ela se sentiu capaz de compor, imaginava que, talvez com isso desse para ela acabar de criar e educar os filhos sem as duras penas que a tempo vinha sofrendo.

Helena começou a compor bolero, sambas, marchas e valsas, mas era algo que ninguém queria ouvir. Embora, insistentemente, procurasse os cantores daquela época para cantar suas músicas, ninguém lhe dava atenção, mesmo assim não desistia. Ainda animada, continuava a compor, certa de que um dia seria ouvida por alguém.

Um dia ela assistiu a um programa chamado “HOJE É DIA DE ROCK”, sentiu-se influenciada por aquele ritmo, era como algo diferente, dinâmico e gracioso, tendo a inspirado a compor uma música, que aos amigos pareceu algo maluco. Ainda animada com a nova tendência, sem dar confiança às críticas, voltou a procurar os cantores famosos, mas eles não davam muita atenção para compositores jovens, pois, eram quase todos maduros.

Ainda insistente em seu sonho, helena procurou a Rádio Nacional, onde encontrou-se com uma cantora, a quem mostrou-lhe a música, a qual disse “a música é boa, embora não seja meu gênero, senão eu gravaria, mas vou lhe dar um conselho procure o Roberto Carlos, é um menino que está começando agora e vai indo muito bem, esse é o gênero que ele gosta, é bem capaz que ele se interesse!”. Ao ouvir esse conselho Helena não esperou mais, foi ao encontro do rei. Ficou surpresa ao ver que realmente se tratava de um menino como a cantora havia descrito, porque naquele tempo os cantores eram praticamente todos maduros (coroas), Roberto era apenas um jovem iniciante de carreira, mas que já era bastante aceito como cantor e ia muito bem.


Roberto, atenciosamente ouviu Helena que apresentou-lhe as composições, dizendo em seguida que havia gostado muito das músicas prometendo-lhe que iria gravá-las. Disse mais, “não estou fazendo nenhum favor a você, a música é boa e merece ser gravada!”



Chegou sua vez, aquela foi a primeira vez que uma música de Helena fora gravada por ninguém menos do que aquele que até hoje está no coração do povo como o maior astro da música popular brasileira, o rei Roberto Carlos. Daquele dia em diante, não nasceu para Helena, apenas o sucesso, mas uma grande amizade entre ela e Roberto. A partir daí, ela passou a ser prestigiada até mesmo pela família de Roberto, e os sucessos não pararam mais, algumas de suas composições são: “NA LUA NÃO HÁ”, “COMO É BOM SABER”, “MEU GRANDE BEM”, “SORRINDO PARA MIM”, “NEM MESMO VOCÊ”, “DO OUTRO LADO DA CIDADE”, “ESPERANDO VOCÊ”, “O ASTRONAUTA” e “AGORA EU SEI”.

Mais tarde, Helena veio a fazer parceria com Edson Ribeiro, idéia de Roberto Carlos, que parece, gostava muito dos dois, e percebendo que eles se combinavam e que havia uma grande concordância de idéias entre ambos, os influenciou a compor juntos,“O ASTRONAUTA” e “AGORA EU SEI”, grandes sucessos, são frutos dessa parceria.

Helena não parou por aí, continuou compondo, mas tinha também outros planos, o de escrever livros, já havia escrito três obras enquanto planejava outro, intitulado “O REI E EU”, é nesse que ela irá contar a sua história de encontro com o rei Roberto Carlos.

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