No centenário do rei da baião, completa-se 05 anos de ausência da rainha do xaxado.
Dia 14 de maio, assim como 02 de agosto (dia da morte do inesquecível Luiz Gonzaga) e 10 de julho (data marcada pela morte de Jackson do Pandeiro), marcou o calendário cultural nordestino como uma das datas que gostaríamos de esquecer. Foi nesse dia, que faleceu no Real Hospital Português de Beneficência, a cantora Inês Caetano de Oliveira, a saudosa Marinês. A artista se recuperava de um Acidente Vascular Cerebral ocorrido em Caruaru, nove dias antes de seu falecimento.
Seu pai, filho de índios Ariús, era seresteiro e a mãe foi cantora de igreja. Aos 10 anos de idade começou a participar de programas de calouros, tendo chegado a competir num deles, com o também ainda menino Genival Lacerda. Foi casada com o sanfoneiro e produtor Abdias, com quem se casou aos 14 anos. Depois de premiada com um sabonete numa retreta de rua, espécie de concurso de calouros ao ar livre, no bairro da Liberdade, onde morava, resolveu inscrever-se num programa de calouros na rádio local e, para fugir da vigilância dos pais, acrescentou o Maria ao seu nome. Ao ser anunciada no concurso, o locutor acabou por chamá-la de Marinês, e ela, gostando, adotou o nome artístico.

Em 1957, gravou dois grandes sucessos, os xotes "Peba na pimenta", de João do Vale, José Batista e Adelino Rivera e "Pisa na fulô", de João do Vale, Ernesto Pires e Silveira Jr., que foram posteriormente regravados por inúmeros artistas. No mesmo ano, lançou o xaxado "Xaxado da Paraíba", de Reinaldo Costa e Juvenal Lopes e o xote "O arraiá do Tibiri", de João do Vale e Silveira Jr. Ainda nessa época, a convite de Luiz Gonzaga, vão para o Rio de Janeiro, onde se apresentaram no programa "Caleidoscópio", na Rádio Tupi. Em 1958, gravou de Rosil Cavalcânti os baiões "Aquarela nordestina" e "Saudade de Campina Grande". Gravou ainda, de Gordurinha e Wilson de Morais, o baião "Perigo de morte". No mesmo ano participou do filme "Rico ri à toa", de Roberto Faria. Em 1959, gravou de Antônio Barros e Silveira Jr. o baião "Velho ditado" e o xote "Marieta". Em 1960, gravou da mesma dupla o baião "Mais um pau-de-arara" e o chótis "Balanço da saudade". No mesmo ano, transferiu-se para a RCA Victor, onde lançou, de Reinaldo Costa e Juvenal Lopes, o xote "Viúva nova" e, de Onildo Almeida, o xaxado "História de Lampeão". Gravou ainda, de Zé Dantas e Joaquim Lima, a polca "Chegou São João". No mesmo ano recebeu o troféu Euterpe no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, como a melhor cantora regional. Em 1961, gravou os cocos "Gírias do Norte", de Jacinto Silva e Onildo Almeida e "Cadê o Peba", de Zé Dantas. No mesmo ano, gravou a moda de roda "Marinheiro", de motivo popular com arranjos de Onildo Almeida e o coco de roda "No terreiro da Usina", de Zé Dantas. Gravou ainda o LP "Outra vez Marinês", que lhe rendeu um segundo troféu Euterpe, além de ter obtido o prêmio de melhor vendagem.

Devido a essas gravações, chegou a ter problemas com os meios católicos do país, tendo ocorrido casos de padres que durante as missas pediam aos fiéis para não comprarem seus discos, como foi o caso de "Peba na pimenta". Com a separação do marido e produtor Abdias, ficou alguns anos sem gravar; ainda sim, lançou cerca de 30 discos, entre 78 rpm, LPs e CDs. Dentre os seus LPs, estão "Nordeste valente", "Balaiando" e "Cantando pra valer". Em 1995, lançou o CD "Marinês cidadã do mundo". Ainda nos anos 1990, participou do disco de forró lançado por Raimundo Fagner. Em 1998, com produção da cantora Elba Ramalho, lançou pela BMG o CD "Marinês e sua Gente", contando com a participação de importantes nomes da Música Popular Brasileira contemporânea, quase todos do Nordeste. Uma das faixas de destaque é o dueto com Alceu Valença em "Pelas ruas que andei", do cantor e compositor pernambucano. No mesmo ano, a Copacabana/EMI lançou uma coletânea de seus sucessos remasterizados na série "Raízes Nordestinas". Foi a primeira mulher a formar um grupo de forró. Em 2000 teve CD lançado pela BMG dentro da série "Eu só quero um forró", no qual contou com as participações especiais de Gilberto Gil na música "Quatro cravos" e Alceu Valença em "Pelas ruas que andei".
Fonte: Cantoras do Brasil
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