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Em comemoração aos nove anos de existência, nosso espaço apresentará colunas diárias com distintos e gabaritados colaboradores. De domingo a domingo sempre um novo tema para deleite dos leitores do nosso espaço.

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Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

RODRIGO VELLOZO, MAIS QUE UM TALENTO HERDADO

Por Bruno Negromonte




Sempre que se fala de um cantor cujo pai ou a mãe também seguem ou seguiram a mesma profissão, invariavelmente surge algum tipo de analogia entre ambos. Com Rodrigo Vellozo não poderia ser diferente, pois ele é filho do cantor, instrumentista e compositor Uday Veloso, cujo esse nome de batismo é quase que totalmente desconhecido do grande público.

O pai de Rodrigo Vellozo é conhecido pelo grande público como Benito Di Paula, um dos artistas mais representativos da música brasileira desde a década de 70. Benito dispensa apresentação, pois sabemos o quão exímio pianista e compositor o artista é (Ressaltando que na família Veloso há também o excelente violonista e compositor Ney Velloso, tio do Rodrigo e o saudoso Jota Veloso). Toda essa árvore genealógica só veio à tona na matéria para contextualizar o talento existente no Rodrigo e o seu bom gosto musical.

O interesse de Rodrigo pela música começou quando ele ainda era criança (quiçá pelo ambiente musical ao qual vivia assim como também por conta da influência dos parentes citados, dentre eles soma-se também seus irmãos). Estimulado pelo pai, ainda criança, participa da gravação de uma versão feita pelo Benito para a Oração de São Francisco, versão essa utilizada durante a campanha da fraternidade do ano de 1986. Foi o pontapé oficial para o seu interesse pela música, pois depois dessa gravação ele começa a estudar teoria musical e a ter aulas de piano. O que o pai ouvia em casa e o que o próprio Rodrigo selecionava para tocar em sua vitrola portátil (salve o engano em um modelo tipo Philips Eletrofone GF 133 vermelho) foi fundamental para a sua excelente formação musical. Nas agulhas dessas vitrolas passaram álbuns dos mais variados estilos, porém sempre com uma característica fundamental: o bom gosto. Bom gosto esse que o acompanhou durante a infância e adentrou em sua adolescência.

E foi justamente durante esse período da adolescência que vieram os dilemas (comuns a todos os adolescentes) em relação a que carreira seguir. Abandonou o piano, pensou na engenharia e na advocacia e decidiu-se pela engenharia eletrônica, chegando a cursá-la na UFRJ. No entanto, ainda no primeiro período da universidade, a música falou mais alto e Rodrigo abandonou o curso que havia ingressado a cerca de seis meses. A decisão radical fez com que Rodrigo enveredasse para a música em definitivo e retomasse as aulas de piano (a princípio com a professora Lúcia Dicalafiori que o preparou para a faculdade de música), em seguida entrou no conservatório brasileiro de música onde se formou em bacharel em piano na classe de Ronal Silveira.

Em seguida, transitando entre composições, demos, música erudita e popular, Rodrigo seguiu para a Berklee School of Music em Boston para aprimorar sua técnica e conhecimentos. Na volta resolve se submeter a um teste para participar de uma peça teatral do conhecido cantor e compositor Oswaldo Montenegro. O resultado desse teste foi que acabou participando de duas montagens: Tipos e Aldeia dos Ventos. Profissionalizou-se a partir de então.

Deste início até o álbum “Samba de câmara”, passaram-se cerca de dois anos. Rodrigo Vellozo utilizou deste tempo para pesquisa de repertório, ensaio e outros detalhes que fizeram deste seu primeiro disco um álbum imbuído de características peculiares. Este projeto de estreia é o registro de um músico jovem e muito confiante de si mesmo. Confiante porque o projeto permite a partir de um requintado repertório e no potencial que traz consigo e que todos são capazes de identificar ao ouvir qualquer uma das faixas presentes no disco.



O disco abre ousadamente ao piano e voz com um clássico de Vinícius de Moraes e Baden Powell: “Consolação” (gravado pela primeira vez, salve o engano, no disco “À vontade” do próprio autor, Baden, em 1963). A canção foi escolhida, segundo o próprio Vellozo, por trazer em sua letra uma filosofia de vida e de arte com a qual ele se identifica muito. Em seguida vem outro clássico da MPB na voz do Rodrigo: “Feitio de oração” (de autoria de Noel Rosa e Osvaldo Gogliano, popularmente conhecido por Vadico). Esse agradável samba-canção da década de 1930, ganha mais uma magistral versão nesse álbum.

Em seguida vem duas canções compostas por Rodrigo Vellozo: “Aconteceu” e “Marcas do passado”. Segundo o próprio autor, foi da canção “Aconteceu” que surgiu o conceito de samba de câmara. Já “Marcas do passado” foi composta durante a escolha do repertório do disco. Vale a pena prestar atenção nestas canções, pois além do excelente piano presentes nas faixas executado por Rodrigo há também a demonstração de um talentoso compositor que se mostra sensível e de bom gosto.

As demais faixas do disco perpassam pelo repertório dos mais distintos compositores brasileiros tais quais Monsueto Menezes e Ayrton Amorim (com “Me deixa em paz”, música gravada também pelo Benito di Paula); Leoni, Herbert Vianna e Paula Toller (com o sucesso “Por que não eu?”); Caetano Veloso (“O ciúme”); uma canção do pai em parceria com o centenário Adoniran Barbosa (“Não precisa muita coisa”); o contemporâneo compositor cubano Sílvio Rodriguez (“Esta primavera”) e artistas sem muita notoriedade junto ao grande público como Rodrigo Santos (“Nunca desista do seu amor”) e Hiran Monteiro (“Muito mais”). Além do registro de uma canção do inglês Phil Collins (“In the air tonight”). Vale destacar dois registros magistrais feitos por Rodrigo: O primeiro é da canção “Dente no dente” (do Jards Macalé e do poeta piauiense Torcuato Neto) e “Samba erudito” (de autoria do paulista Paulo Vanzollini).

Um fato interessante nesse início da discografia do Rodrigo é que, assim como o seu genitor, o piano (instrumento que consagrou e é utilizado até hoje por Benito), também ganhou destaque. Talvez esta seja uma evidência de que Rodrigo siga o mesmo perfil fonográfico do pai. Benito, em seus primeiros discos, também buscou beber da fonte de artistas consagrados tais quais Chico Buarque, Monsueto Meneses, Ismael Silva, Adoniran Barbosa, Vinícius e outros renomados compositores, além de trazer composições próprias. Rodrigo Vellozo em um novo contexto e cenário musical também segue esses passos, como foi visto na descrição das canções acima. Se são traços propositais ou coincidências só o tempo irá dizer.


Para maiores informações (For more information):

http://www.rodrigovellozo.com.br/

Contato para show (Contact to show):

Juliana Funaro: +55(11) 7728 2748

e-mail – contato@rodrigovellozo.com.br

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

TODO ARTISTA TEM QUE IR AONDE O POVO ESTÁ

Atendendo a proposta de um modelo de entrevista onde o público leitor do Musicaria também a elabora, Daniella Alcarpe se mostra extremamente feliz com a carreira que abraçou e super apaixonada pela música brasileira.

Por Bruno Negromonte





Como havíamos dito ao longo do mês anterior, durante o presente mês estaríamos entrevistando a cantora paulista Daniella Alcarpe. A apresentação desta artista ao público do Musicaria Brasil se deu ao longo do último mês através da matéria DANIELLA ALCARPE - O CANTO DOCE DE UM NOVO TALENTO DA MPB (http://musicariabrasil.blogspot.com/2010/09/daniella-alcarpe-o-canto-doce-de-um.html). Hoje, Alcarpe volta ao nosso espaço para esta entrevista exclusiva, onde podemos atestar o quanto o Musicaria estava certo ao perceber o imensurável talento da Daniellasem contar toda a simpatia e carismaGostaria de agradecer a produção da Alcarpe através da pessoa do Daniel Cukier pelo material disponibilizado para elaboração das pautas e a atenção dada a mim, desde o início, quando cogitei trazer ao público do deste espaço o trabalho da Alcarpe. Vamos deixar de lero-lero e vamos ao que de fato interessa! Segue aqui então a entrevista concedida pela Daniela:


Primeiramente gostaríamos de agradecer imensamente pela atenção dispensada ao Musicaria Brasil e começar essa entrevista com o seguinte questionamento: O Qué que cê qué? O que é que você almeja trazer para a MPB com esse trabalho de estreia?

Daniela Alcarpe - Olá Bruno, eu é quem agradeço imensamente por ser tão bem recebida no Musicaria Brasil. Parabéns pelo seu trabalho! O que eu quero é cantar, gravar e divulgar a boa música brasileira. Em casa a gente sempre privilegiou a música brasileira, os compositores e intérpretes de verdadeiro valor artístico. Tanto no que diz respeito a poesia, como a melodia. Tivemos tantas maravilhas criadas nos anos 60, 70, 80 e até mesmo nos anos 90. Impossível não se deixar influenciar pela beleza, pelo lirismo e pela responsabilidade de músicos como Chico, Caetano, Joao Bosco, Gil, a turma do Clube da Esquina, Luis Melodia, Paulinho da Viola, enfim, é ímpossível listar, são tantos! A riqueza e capacidade de criação do músico brasileiro me encanta sem parar.

Muitas vezes, os artistas em seu primeiro trabalho procuram no mínimo colocar alguma canção conhecida ou até mesmo mais de uma, até para poder levar como carro-chefe do disco na hora da divulgação. O seu caso foi totalmente atípico, você procurou destacar artistas sem grande notoriedades e um repertório basicamente inédito. Como se deu a escolha desses compositores e do repertório justamente em seu trabalho de estreia?

DA - Pois é. O fato é que também existem muitas intérpretes de qualidade no Brasil. E muitas fazem isso: selecionam um repertório conhecido, para apresentar sua voz e interpretação. É uma maneira de trabalhar. A escolha das músicas do meu CD buscou, além de me apresentar, mostrar que tem muita gente boa fazendo música bonita, põe aí um B maiúsculo! Ao longo dos meus anos de trabalho, eu tive a sorte de me deparar com compositores incríveis que pouca gente conhece. É muito bom dividir este encantamento com as pessoas. E fico feliz quando percebo no meu show o público cantando junto comigo algumas cancões do CD. E só pra finalizar: tanto o Zé de Riba como o Carlos Careqa são compositores de longa estrada, com um público bastante fiel.


Quem chega a ler o seu resumo biográfico percebe que a sua história se dá nos grandes centros urbanos, destacando aí São Paulo, a Itália e a Holanda. A partir desse prisma podemos dizer que você é uma pessoa essencialmente cosmopolita. O que fez você paradoxalmente selecionar e interpretar ritmos como baião, frevo e choro já que estes, apesar de suas respectivas notoriedades, se destacam hoje em dia lugares cada vez mais recônditos?

DA - Talvez esteja na hora de devolver ao Brasil o que é do Brasil, não é mesmo? Beleza e talento a gente encontra em qualquer endereço! Ainda bem!



4 - Durante o mês anterior destacamos a sua carreira solo e o lançamento do álbum "Qué que cê qué?", porém há outros projetos que você desenvolve paralelamente a sua carreira de cantora como o Trio Dellaz, os duos de piano e voz, as aulas junto ao conservatório e a sua carreira de atriz. Como se dá os cuidados de sua voz para poder dar conta de todas essas obrigações profissionais?

DA - Eu estudo técnica vocal desde os 14 anos! A gente aprende a cuidar da voz... tomo muita água, levo uma vida saudável, ainda faco aulas de canto, porque é muito importante ter alguém que ouça a gente e tenho o apoio de uma fonoaudióloga. Mas o mais importante são os exercicios vocais, que eu faço diariamente.



A cerca de dois meses atrás estive com o João Bosco e falávamos sobre a questão da venda de disco no Brasil. Ele fez uma colocação bastante pertinente sobre a situação atual desse nicho de mercado, que na visão dele está mais que saturado, sendo necessário a criação de uma nova maneira de se negociar música. Ele vem de uma época que teve que se adequar ao contexto atual, você vem com o primeiro álbum já nesse contexto. Gostaria de saber qual a sua concepção sobre mercado fonográfico e as tendências que a música (comercialmente falando) irão tomar ao seu ver?

DA - Eu acho que cada vez mais existem tribos, né? É muita gente no mundo, muitas tendências diferentes, coisas novas surgindo a todo o momento... uma unanimidade nacional já não é mais possível, a sociedade está dividida em muitos segmentos culturais, econômicos... acho que a saída do artista é se divulgar através de shows. Divulgar os shows pela internet, criar redes de relacionamento online, se não tiver acesso à midia impressa. E vender seus CDs em shows e via internet. Que oferece também a possibilidade de vender apenas uma ou duas música, não é necessário mais comprar o CD inteiro. Estamos neste processo. Em países como a Europa e Estados Unidos, onde a compra de um computador é acessível à grande maioria, isso está cada vez mais assimilado. Para você ter uma ideia, eu tenho mais fãs fora do Brasil do que aqui, só por conta da divulgação das minhas músicas no site Jango (http://www.jango.com/music/Daniella+Alcarpe). Essas ferramentas permitem que eu, além de divulgar meu trabalho, interaja com os fãs, mandando e recebendo mensagens, críticas, elogios. Esse contato próximo com o público é muito saudável, eu aprendo muito!


Nossa cultura, apesar de riquíssima, vem ao longo dos anos sempre destacando coisas muito mais de valor comercial do que necessariamente de valor cultural e você vem "remando contra a maré" trazendo um trabalho simplório, lindíssimo e essencialmente não comercial. Quais tem sido as suas dificuldades na propagação do álbum em um país de dimensões continentais como é o nosso e como vem se dando a divulgação desse seu trabalho de estreia?

DA - "Qué que cê qué? é um CD independente, feito com muito cuidado e carinho. Estou fazendo a divulgacão pela internet, shows e programas de rádio e TV. É sem dúvida um trabalho de formiguinha, mas tem sido muito gratificante, pois o disco está sendo muito bem aceito pelo público e pela crítica especializada. Estou feliz! Claro, que é mais difícil penetrar na grande mídia por não se tratar de um repertório com foco comercial.


Desde a sua infância que você vem se aperfeiçoando em seus estudos musicais em diversos conservatórios paulistas; desde o início de seus estudos que você já estava certa que seu caminho seria a música popular ou isso foi sendo descoberto ao longo dessa sua passagem pelas escolas de música?

DA - Desde criança eu sou profundamente apaixonada por música popular brasileira. Sempre sonhei em ser cantora, então comecei a estudar canto e não parei mais. Estudei canto lírico, canto popular, teatro e me formei em Música pela Faam. Sempre com o objetivo de aprimorar minha técnica para o canto popular.


Quem é que te influenciou e influencia na música popular? Quem é que a Daniella costuma ouvir com frequência?

DA - Influências são muitas, mas eu posso citar: Carmem Miranda, Ney matogrosso, Isaura Garcia, Elis Regina, Adoniran Barbosa, Ná Ozzetti, Tom Jobim, Chico Buarque, Vinícius de Moraes e Caetano Veloso. Eu também adoro ouvir novos compositores, como: Kléber Albuquerque, Cássio Carvalho, Luciano Garcez, Miro Dottori, além dos compositores que eu gravei no CD (Carlos Careqa, Lucy Casas, Zé de Riba, João Marcondes, Joca Freire, Dimitri Bentok).


É de conhecimento de quem acompanha a sua carreira que a Paula Portella assim que voltou da Europa começou a aprimorar seus estudos no Conservatório Souza Lima Alphaville com você. Alem dela, a Flavia Panachao também aperfeiçoa-se no mesmo Conservatório Musical. A perdunta é a seguinte: Como se deu a ideia da formação do Trio Dellaz? Foi a partir desse encontro no Souza Lima ou vocês já se conheciam antes e esse encontro só foi o incentivo que faltava para o início do projeto?

DA - Eu conheci a Paula em 1998 em festival de música do colégio e já comecamos a cantar juntas em uma banda. A banda acabou e a amizade ficou. Posteriormente a Paula conheceu a Flávia. Logo surgiu a ideia de formarmos um trio, pois queriamos cantar juntas. É um repertório totalmente diferente do CD, eu diria mesmo que mais comercial, pois o Dellaz se apresenta em eventos corporativos e sociais. Por isso, a seleção de músicas é mais ao gosto do "freguês".



Sabemos que você ainda está nesse processo de divulgação do seu álbum de estreia intitulado "Qué que cê qué?", mas já está sendo cogitada a possibilidade do registro fonográfico do Trio Dellaz?

DA - Sim, nós só não sabemos ainda quando conseguiremos concretizar esse projeto.



Daniella, gostaria de agradecer a sua disponibilidade em nome de todos aqueles que participaram na elaboração desta entrevista nos enviando perguntas diversas; o espaço então fica então aberto para que você possa deixar uma mensagem àqueles que estão conhecendo o seu trabalho agora ou alguma colocação que você queira fazer aos nossos leitores.

DA - O Brasil é musical e a música brasileira é linda! Prestigiem o artista nacional. Vejam shows, comprem os CDs. Comprem música pela internet. Ajudem a gente a continuar criando e fazendo cultura. Vamos atrás da beleza, da poesia, da melodia. Se todo mundo fizer um pouquinho, quem sabe a gente traz de volta aquele Brasil em que as pessoas assobiavam suas canções prediletas enquanto caminhavam na rua? Faz tempo, mas não tanto tempo assim! Um beijo! Obrigada.


P.S. - O CD de estreia da Daniella Alcarpe pode ser adquirido nas unidades físicas da Livraria Cultura (além do site da livraria) ou através dos endereços eletrônicos abaixo:
http://www.imusica.com.br/album.aspx?id=277915
http://www.jango.com/music/Daniella+Alcarpe

KUARUP, INFELIZMENTE MAIS UMA VÍTIMA DA CRISE

Selo reconhecido pela qualidade do elenco, com destaque para a cultura de raiz e música instrumental brasileira, encerra suas atividades.

A
crise do mercado fonográfico vem se agravando ao longo dos anos e não se cansa de vitimar mais selos... a vítima da vez no Brasil foi a Kuarup. Depois de mais de 30 anos dedicados à música brasileira, a gravadora carioca Kuarup Discos, de propriedade dos empresários Mário de Aratanha e Janine Houard, encerra as atividades sob o argumento de que, nos últimos tempos, as vendas de produtos físicos (CDs, principalmente) sofreram queda vertiginosa, nem de longe compensada pelas vendas por download. “A crise do CD é irreversível, tornando inviável o modelo de negócio da empresa, calcado na produção e comercialização de música de qualidade”, afirmam os empresários no curto comunicado disponibilizado no site www.kuarup.com.br.

Procurados pela reportagem, Mário e Janine não foram localizados. Fonte próxima ao empresário, no entanto, diz que ele está muito abalado com o fim da gravadora, preferindo não se manifestar. No momento, Mário está à frente da Cine Viola, empresa criada por ele e sócios, também com sede no Rio, dedicada à produção e gravação de DVDs. O primeiro grande produto da Cine Viola foi o registro, ao vivo, do encontro de Maria Bethânia e Omara Portuondo, no Grande Palácio das Artes, de Belo Horizonte. O show realizado no ano passado foi lançado em DVD pela Biscoito Fino. O CD de estúdio ganhou lançamento anterior da mesma gravadora.

“Trata-se de uma grande perda para o mercado fonográfico brasileiro”, lamenta o violeiro Chico Lobo, que, desde 1999, mantinha contrato de licenciamento de seus discos com a Kuarup. Além de Chico (No braço dessa viola, Reinado, Viola caipira – Tradição, causos e crenças, e do CD/DVD Chico Lobo ao vivo), a gravadora foi responsável pelo lançamento do elogiado No balanço do balaio, em que Vander Lee explorava repertório de sambas e choros, e Violão caipira, de Gilvan de Oliveira, entre outros artistas mineiros. “A Kuarup era a única gravadora que apostava na música do interior do Brasil, com destaque para a viola”, recorda Chico, que não vê alternativa agora senão abrir o próprio selo.

Entre alguns dos clássicos lançados pela Kuarup Discos está a série Cantoria brasileira, que reuniu artistas nordestinos em vários volumes. Pena Branca & Xavantinho e Renato Teixeira ao vivo em Tatuí é outro produto antológico da gravadora, cujo catálogo requer atenção do mercado. Segundo consta, por enquanto, o acervo de valor inestimável da Kaurup vai “hibernar”. Além da música sertaneja de raiz, a gravadora produziu discos de música nordestina, música folclórica e música instrumental, com destaque para o choro. A música de identidade cultural brasileira era o foco da empresa carioca, que, ao completar 25 anos, reuniu vários artistas de seu cast para a gravação de um Cantoria brasileira especial.

50 ANOS DO KIKO ZAMBIANCHI

Francisco José Zambianchi, ou simplesmente Kiko Zambianchi completa hoje 50 anos.
Ele começou a tocar guitarra na adolescência, tendo participado de festivais estudantis e peças de teatro, fez shows pelo interior, formou a banda Vida de Rua e aos 23 anos mudou-se para São Paulo, onde foi contratado em um mês pela gravadora EMI. Lançou no final de 1984 o single de "Rolam as Pedras" que estourou nas rádios paulistas e posteriormente em todo o Brasil. Depois disso Zambianchi lança pela EMI o LP Choque, que emplacou três sucessos: a faixa-título, "Rolam as Pedras" e "Primeiros Erros" e ainda tem a participação de Lulu Santos e Marina Lima nas músicas "Nossa Energia" e "Quem Sofre sou Eu" respectivamente. "No meio da rua", outra faixa do disco, entra na trilha sonora do programa Armação Ilimitada da Rede Globo. Marina Lima grava "Eu te amo você" de autoria de Kiko e estoura nas rádios de todo o país e no mesmo ano Erasmo Carlos grava outra música composta por Zambianchi chamada "Manchas e Intrigas".

O disco seguinte, Quadro Vivo, foi lançado em 1986 também pela EMI e mostra algumas variações musicais que se seguem por toda a carreira do artista. Já não apresenta um rock simplesmente e em suas músicas já se percebe um pouco de black music. No show de lançamento em São Paulo sobe ao palco para uma participação especial, Dado Vila Lobos da Legião Urbana para cantar ao lado de Kiko "Será" e "Ainda é cedo". Zambianchi toca com Charly García em São Paulo e vai ao seu show novamente no Rio. A faixa "Alguém" incluída na trilha sonora da novela "Roda de Fogo" Rede Globo, projetando seu nome nacionalmente. E tem um vídeo feito exclusivamente para o fantástico com a participação da, até então desconhecida, Carolina Ferraz com quem era casado na época. A faixa "Quadro Vivo" foi bem executada nas rádios, e também ganhou video clipe no Fantástico. E "Nossos Sentimentos" também teve boa repercussão.

Em 1987 é lançado o álbum homônimo Kiko Zambianchi, o último lançado pela EMI. Um disco que Zambianchi muda completamente o seu estilo de tocar e apresenta um novo gênero musical, com metais e muito funk presentes o tempo todo mas sempre com uma visão voltada ao Rock and roll. O disco conta com a presença de grandes instrumentistas como Bocato, Léo Gandelman, Jorjão Barreto, Serginho Delamônica entre outros. "Limousine" é o single escolhido pela gravadora, "Você Perde" entra na novela Roda de Fogo da Rede Globo e ganha clipe no Fantástico, e "Tina" é muito executada nas rádios. O curioso é que a capa deste disco foi censurada na pela gravadora, apenas por Kiko aparecer ao lado de uma Limousine (sendo este o antigo nome do álbum).

Em 1989 é a vez de Era das Flores, que já fez parte do término da relação do artista e da gravadora EMI. A música "Demônia" toca nas rádios e "Blecaute", música da peça de mesmo nome de Marcelo Rubens Paiva, também é bem executada. "Tente de novo amanhã" também é executada nas rádios. Em 1990 gravou uma versão de "Hey Jude", dos Beatles, especialmente para a novela Top Model. A versão, feita por Rossini Pinto, alcançou o topo das paradas de sucesso de todo o país e foi incluída no disco posteriormente. O êxito estrondoso com esse cover não foi bem o que Kiko Zambianchi queria para sua carreira e ele foi pressionado pela gravadora para gravar músicas mais comerciais. Como não aceitou a proposta de virar um artista "romântico", Kiko pediu rescisão do seu contrato com a EMI. Depois disso o Brasil se voltou para a música sertaneja. A maioria dos artistas considerados "dos anos 80" foram praticamente retirados do mercado nacional com poucas exceções.

Kiko Zambianchi trabalhou com trilhas sonoras para teatro durante esse período. Foi indicado ao Prêmio APETESP de teatro pela melhor trilha no ano de 1996 com a peça "As Priscilas de Elvis" de Ana Ferreira.

Em 1997 lançou o CD KZ, pela gravadora Warner, com remixes de antigos sucessos e músicas inéditas ao lado de Franco Jr, o DJ Mau Mau (M4J), Lee Marcucci e Hans Z. Nesse disco podemos ouvir regravações das composições "Jóia" de Caetano Veloso e "Palco" de Gilberto Gil.

Fez em 1998 a trilha da peça "Da Boca pra Fora" de Marcelo Rubens Paiva, também fez algumas trilhas para televisão. Em 2000, foi presença marcante no sucesso do disco "Acústico MTV" da banda Capital Inicial. Nesse trabalho Kiko cantou, arranjou e emprestou o seu maior hit para se tornar o maior hit do disco. Foi a maior vendagem conseguida pela banda em toda a sua carreira e Zambianchi fez mais de 250 shows com a banda por todo o país inclusive o auge do sucesso, o Rock in Rio. Com o sucesso, Kiko foi novamente convidado para trabalhar no disco seguinte do Capital, Rosas e Vinho Tinto. O Capital gravou "Mais" e "Como Devia Eestar" ambas compostas por Alvin, Dinho e Zambianchi. O Ira! grava "Logo de Cara" música composta por Zambianchi e Marcelo Rubens Paiva no disco Ao vivo MTV.

Em 2002 é contratado pela gravadora Abril Music e lançou Disco Novo, seu sexto CD solo. O single "Norte e Sul" é escolhido pela gravadora para lançar o trabalho. A música "Tudo é Possível" de sua autoria e que já havia sido sucesso na interpretação da banda O Surto, entra como parte da trilha do seriado Malhação da Rede Globo. No mesmo ano grava o Luau MTV, com destaque para as canções "Ando Jururu" de Rita Lee e "Feira Moderna" de Beto Gudes. Mas depois disso a Abril Music fecha as portas devido a problemas financeiros. Em 2003 Erasmo Carlos volta a gravar outra música do compositor intitulada "O Impossível". Kiko também participou de um show de Erasmo Carlos que deu origem ao CD e DVD ao vivo do cantor onde a mesma música foi novamente regravada desta vez pelos dois juntos em São Paulo.


Em 2004 Kiko Zambianchi começa a trabalhar com o produtor americano Disco D e fazem juntos o tema de abertura festa de premiação Hip Hop Honors da VH1 que até 2006 permanecia a mesma. Ajuda o produtor a se instalar no Brasil para a criação do selo "BRAZA" enquanto trabalham juntos. Em 2006 a música "Deu na Loka" de Kiko, antes gravada por Patrícia Coelho é transformada em versão em inglês recebendo o nome de "Right Away" e gravada pelo rapper americano Lil Scrappy, produzido por 50 Cent. A música foi incluída em mais dois discos em 2007 após o falecimento do seu amigo Disco D. Atualmente Kiko se prepara para gravar CD e DVD acústico ao vivo, com os maiores sucessos da carreira, e a gravação ocorrerá em Ribeirão Preto, sua terra natal, em outubro de 2010, para lançamento em 2011.

Segue abaixo os primeiros LP's do Kiko (e sem sombra de dúvidas os mais representativos na sua escassa discografia).

KIKO ZAMBIANCHI - CHOQUE (1985)

Faixas:
01 - Choque
02 - Primeiros Erros
03 - Jony
04 - Tempo Perdido
05 - Rolam as Pedras
06 - No Meio da Rua
07 - Nossa Energia
08 - Quem Sofre Sou Eu
09 - Guerra Fria
10 - Júlia



KIKO ZAMBIANCHI - QUADRO VIVO (1986)
Faixas:
01 - Estranho Prazer
02 - Imaginação
03 - Mais Uma Folha no Chão
04 - Fly
05 - Naufrágio
06 - Justiça
07 - Mulher Assim
08 - Quadro Vivo
09 - Alguém
10 - Nossos Sentimentos
11 - Controle


Kiko Zambianchi (1987)

Faixas:
01 - Estreia
02 - Você Perde
03 - Tina
04 - Só Você Não Sabe
05 - Sempre Achei Que Isso Não Era Legal
06 - Limousine
07 - Mexendo Com Fogo
08 - Álibi é Sorte
09 - Prazer Geral



Kiko Zambianchi - Era das flores (1989)

Faixas:
01 - E Onde Você Está?
02 - Demônia
03 - Amanheceu
04 - Blecaute
05 - Tente de Novo Amanhã
06 - O Medo Não é Motivo
07 - Meu País
08 - Dança Pra Mim
09 - O Porteiro

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A PELEJA DO COMPOSITOR CONTRA UM PAÍS INERTE PELO DIREITO DA FORÇA

No último dia 07 foi comemorado o dia do compositor brasileiro. E foi a partir da lembrança desta data que me surgiu a ideia de escrever o artigo deste mês. 

Por Bruno Negromonte



Segundo alguns dicionário a palavra compositor tem por significado um tipo de pessoa que compõe música ou um texto tipográfico. Na minha concepção, acho que a definição para o termo compositor vai muito além desta seca descrição sobre o dom de escrever tudo aquilo que "dá na telha" de maneira poética ou não. Confesso que acho divino alguém que consegue, dentre tantas coisas, expor suas posições sentimentais, políticas e sociais através da música e das letras que escreve.

Não sei porque, mas ao escrever essa última linha do parágrafo anterior lembrei daquele rapaz que enfrentou diversos tanques na praça celestial a mais de 20 anos atrás... um franzino rapaz contra os 59 tanques do exército chinês. Imagem que até hoje parece surreal.

Parece absurdo, mas me peguei agora imaginando o Chico Buarque armado dos versos de suas composições enfrentando as duras situações impostas pelo regime militar. Fechem os olhos e imaginem qualquer praça do Brasil e o Chico armado com uma caneta e papel. Os inimigos armados até os dentes e vestidos com suas fardas verdes (institucionalizadas!), atos inconstitucionais, truculência e mais um apanhado de coisas que nem vale a pena se estender. Enquanto isso o Chico o enfrenta de peito aberto, armado com seu dom natural, seus versos, papel e caneta.

Ao iniciar-se a batalha, o exército "inimigo" surpreenderia o nosso poeta o atacando com um limitado Ato Inconstitucional, Chico e seus olhos cor de ardósia, tal qual um Garrincha da poesia, encararia o inimigo driblando-o com as mais distintas licenças poéticas e subterfúgios existentes nas rimas. E nessa peleja, como forma de defesa, o inimigo iria buscar forças na criação de vários atos inconstitucionais sem saber que o nosso herói possuía um trunfo na manga: Julinho da Adelaíde. O nosso conhecido herói se refugiria em uma identidade secreta tendo por objetivo burlar a truculência do inimigo. Seria a estratégia perfeita! Ao menos ele conseguiria enganar o inimigo durante algum tempo com essa façanha. Julinho munido da mesma arma que o conhecido herói Chico, sairia escrevendo versos diversos: pediria para o amor acordar, pediria para chamar o ladrão para juntar forças a ele contra o inimigo. E seria também enfático quando diria:

"Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não.
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão
Viu?
Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar
Toda escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar o perdão

Apesar de você
amanhã há de ser outro dia
Eu pergunto a você onde vai se esconder
Da enorme euforia?
Como vai proibir
Quando o galo insistir em cantar?
Água nova brotando
E a gente se amando sem parar"


A identidade secreta do nosso herói sobreviveria por pouco tempo, até porque Chico tinha que voltar para defender sua nação contra um inimigo, que de tanto ser combatido por todos os lados, já estava ficando moribundo. Já perto da morte do algoz, Chico desferiria um golpe fatal com a sua arma principal: seus contundentes e lindos versos de afronto:

"...Meu Deus, vem olhar, vem ver de perto uma cidade a cantar
A evolução da liberdade até o dia clarear."


E assim terminaria a história. Nosso herói consagrado para sempre e o inimigo tentando ser esquecido ao longo dos anos posteriores apesar de ter deixado muitos traumas na população brasileira.. Pois, afinal, todos os brasileiros teriam direito algum dia de exercer sua felicidade (mesmo que de forma temporária):

...E um dia, afinal, tinham o direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia que se chamava carnaval,
o carnaval, o carnaval...


Citei o Chico ciente que o que mais existe são compositores de talento em nosso país. Compositores estes que estão em muitos lugares recônditos deste nosso Brasil de dimensões continentais. Parabéns a todos os compositores brasileiros! Parabéns ao Chico Buarque, maior compositor em atividade existente no Brasil!! Salve a MPB!!

sábado, 9 de outubro de 2010

AS COINCIDÊNCIAS ENTRE JOHN LENNON E TOM JOBIM

Hoje ao abrir o Google me deparei com a notícia de que o Beatle John Lennon, se vivo estivesse, estaria completando 70 anos. O que muita gente não sabe é sobre as coincidências entre o famoso beatle e o nosso maestro Tom Jobim.
Os dois gênios da música morreram em um oito de dezembro, ambos em Nova York Um integrou a banda de rock mais famosa e influente de todos os tempos. O outro é considerado um dos inventores da bossa nova. Em comum, a data e o local da morte.Tom Jobim e John Lennon morreram em um 8 de dezembro, em Nova York, nos Estados Unidos. John Lennon nos deixou há quase 30 anos. A notícia, mesmo na era anterior à Internet, correu feito um jato pelo mundo. Afinal, o cantor, compositor e músico britânico foi assassinado em frente ao Dakota, edifício em que morava, em Nova York. Mark David Chapman, um fã obcecado por Lennon, havia conseguido um autógrafo do músico na manhã daquele mesmo dia, fato que foi registrado por um fotógrafo. Quem poderia imaginar que, horas depois, o mesmo cidadão faria tamanha loucura? O mundo ficou rapidamente de luto. As homenagens ao ex-beatle se espalharam pelos quatro cantos do planeta, frequentemente acompanhadas por pessoas cantando as músicas de Lennon, especialmente o hino pacifista Imagine. Quatorze anos depois, foi a vez de Tom Jobim tornar essa data motivo de luto. Na época, o cantor, compositor e músico carioca vivia uma fase das mais produtivas em sua carreira. Seu CD Antonio Brasileiro havia acabado de sair, com participações especiais de Dorival Caymmi e Sting. Um trabalho com alta qualidade artística, no qual Jobim se mostrava mais inspirado do que nunca. Mas um câncer na bexiga em estágio já adiantado acabou sendo constatado no músico em um ex
ame rotineiro, dias antes. Ele foi operado, mas dois dias depois, morreu de parada cardíaca, no hospital Mount Sinai, em Nova York, em 8 de dezembro de 1994. Lennon amava Nova York e Tom Jobim também se deu muito bem por lá, sendo presença constante na cidade americana. Outro fato em comum entre eles é que seus legados continuam sendo apreciados e cultuados por fãs nos quatro cantos do mundo, além de gerar novos produtos. No caso de Lennon, os discos dos Beatles mereceram um relançamento luxuoso em 2009, além do lançamento do game Beatles Rock Band, um sucesso de vendas. Tom Jobim é tema de documentário dirigido pelo cineasta Nelson Pereira dos Santos e idealizado por Marco Altberg, Paulo Jobim (filho do maestro soberano) e Miúcha (cantora e irmã de Chico Buarque)
Em homenagem a John Lennon, no ano em que se celebram seus 70 anos, além dos 30 anos de morte, cantoras brasileiras gravam canções de autoria de sua mulher. Yoko Ono como você nunca ouviu, em gravações exclusivas – em inglês – produzidas com esmero por grandes artistas, músicos e produtores. Um projeto único, para se curtir vozes prestigiosas num surpreendente repertório de Mrs. Lennon. Elogiada ao longo dos anos por Eric Clapton, David Bowie, Roberta Flack, Nile Rodgers e Robert Palmer, Yoko Ono existe para quem não tem preconceito. E este projeto é a prova de que não existe preconceito cultural para as grandes intérpretes de nossa música. Fugindo da obviedade de se lançar a homenagem a Lennon nas efemérides de seus 70 anos (09/10/2010) ou nos 30 anos de morte (08/12/2010), este lançamento conjunto dos CDs “Mrs. Lennon” e “Mr. Lennon” se dá por ocasião do Dia dos Namorados de 2010. É a forma que Discobertas encontrou de homenagear o mestre, não só com a reedição de um tributo gravado há 10 anos como também com a produção e o lançamento deste surpreendente projeto coletivo de releituras das canções de sua amada.

Mrs. Lennon (2010)
Faixas:
01 - Mrs. Lennon (Cida Moreira)
02 - Who Has Seen the Wind? (Hevelyn Costa)
03 - Listen, the Snow Is Falling (Ampslina)
04 - Death of Samantha (Digitaria)
05 - Why (Tetine)
06 - Midsummer New York (Fuzzcas)
07 - Sisters o Sisters (Doidivinas)
08 - Move On Fast (Marília Barbosa & Pelv’s)
09 - Yangyang (Silvia Machete)
10 - Kiss Kiss Kiss (Voz Del Fuego)
11 - Yes, I’m Your Angel (Mathilda Kovak)
12 - Don’t Be Scared (Isabella Taviani)
13 - I’m Moving On (Luen)
14 - Walking On Thin Ice (Katia B)
15 - It Happened (Angela Ro Ro)
16 - Goodbye Sadness (Zélia Duncan)

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

EXCLUSIVIDADE DA MUSICARIA

Eles Cantam Caetano - Volume 02 (2010)

Faixas:
01 - Beleza Pura (Skank)
02 - Tigresa (Ney Matogrosso)
03 - London, London (RPM)
04 - Muito Romântico (Roberto Carlos)
05 - Vai Levando (Chico Buarque)
06 - Milagre do povo (Jauperi)
07 - Menino do Rio (Edson Cordeiro)
08 - Sou Você (Tony Garrido)
09 - Soy Loco Por Ti América (Gilberto Gil)
10 - Qualquer Coisa (Steban)
11 - Desde Que O Samba É Samba (Emílio Santiago)
12 - Eclipse Oculto (Barão Vermelho)
13 - Você É Linda (Nelson Gonçalves)
14 - Cavaleiro De Jorge (Banda Groovelândia)
15 - Não Identificado (Paulo Ricardo)
16 - O Leãozinho (Jânio Vilar)

AS MIL E UMA ATIVIDADES DE CAETANO VELOSO

Caetano Veloso grava DVD, faz show com Gadú, prepara disco de Gal e comenta eleições.

Por Antônio Carlos Miguel

Era para "Zii e zie" ter se despedido do público em agosto passado, em Helsinque, na Finlândia, onde Caetano Veloso fechou a sua turnê internacional. Mas, graças à insistência do filho Zeca, os cariocas ganharam uma última dose do show, hoje, no Vivo Rio - às 22h, com pista a preço popular, R$ 20 -, o local onde o repertório do CD homônimo começou a nascer, há dois anos e meio, durante a temporada "Obra em progresso".

- Zeca tinha assistido ao show de lançamento do disco, aqui no Rio, e gostado. Mas ele realmente se empolgou ao rever "Zii e zie", já no fim, em Portugal e na Finlândia, quando insistiu que eu deveria gravar um DVD - conta Caetano, no escritório de Paula Lavigne, mãe de Zeca e Tom e administradora com mão de ferro de sua carreira, explicando que concordou desde que o filho se mexesse para viabilizar o projeto.

O garoto foi à luta, também convenceu a mãe - patrocinadora da produção, que depois será lançada pela gravadora Universal e negociada para exibição na MTV ou no Multishow -, e agora acompanha passo a passo a gestação do projeto. Tanto Paula quanto Caetano asseguram que a recepção ao show foi muito mais calorosa fora do Brasil, lotando teatros na América do Sul e em diferentes países da Europa. Turbinados por essa resposta, Caetano e a Banda Cê - Pedro Sá (guitarra), Ricardo Dias Gomes (baixo e teclados) e Marcelo Callado (bateria) - voltam para o registro em DVD, fechando um ciclo.

- Em disco, prefiro "Cê", mas, no palco, "Zii e zie" rendeu melhor, gosto do repertório, misturando as músicas do CD com canções antigas, tropicalistas, do período de Londres... - diz Caetano, adiantando também que pretende completar uma trilogia com o jovem grupo de formação roqueira que o acompanha desde 2006, quando "Cê" foi gravado e chegou às lojas. - Mas ainda não tenho ideia de como será esse disco. Como aconteceu com os dois CDs anteriores, deverei começar a fazer as músicas em Salvador, durante o verão. Já tenho uma vaga ideia do que quero. É para soar mais radicalmente ainda Banda Cê.

Agora, no entanto, cabeças e corações estão concentrados para a derradeira noite de "Zii e zie", cujo DVD terá direção geral do cenógrafo Hélio Eichbauer, com captação de imagem nas mãos de Fernando Young e de som a cargo do filho mais velho de Caetano, Moreno. Eichbauer não é diretor de DVD ou cinema, mas tem visão estética abrangente e rigorosa, casada à do cantor - com quem vem trabalhando desde a capa e o cenário do disco e do show "Estrangeiro" (1989) -, e reconfirmada na funcional e bela solução cênica para "Zii e zie": uma asa-delta em meio aos músicos na qual são projetados vídeos. Caetano promete não quebrar a sequência do roteiro - o que virou uma das piores pragas das gravações de DVDs - e, se necessário, só irá repetir canções após o bis:

- Não ensaiamos nada. A gente está com o show no ponto e faremos apenas um ensaio geral na véspera (ontem) que também será filmado. Mas acho que o que entrará no DVD será do show com o público.

Antes de seguir para as habituais férias de verão em Salvador, Caetano também continua trabalhando com Moreno nas bases de um disco de Gal Costa - apenas com suas composições, a maioria inédita - e ainda tem mais shows pela frente, mas em dupla com Maria Gadú. Apenas os dois e seus violões no palco, passando por algumas cidades brasileiras. Ele assistiu às primeiras apresentações da jovem revelação, no extinto Cinematheque, e adorou de cara.

- Parecia um moleque, mas com peito, e com aquela coisa de tocar sentada numa banqueta com as pernas cruzadas. Tinham me dito que eu iria conhecer uma nova Cássia Eller, mas, musicalmente, ela tem mais de Marisa Monte - diz Caetano, que já se apresentara com Gadú numa festa fechada, quando fizeram três músicas juntos, e depois na premiação do Multishow, no fim de agosto, quando cantaram "Rapte-me, camaleoa". - Volta e meia, pessoas me param na rua para dizer que assistiram na TV e gostaram.

Um papo com Caetano não é completo sem uma passada pela política. Ainda mais após ter mergulhado fundo na campanha de Marina Silva. Como a candidata do PV, lê os quase 20% de votação como uma vitória.

- Claro que meu balanço é positivo, fiquei feliz. O fato de a eleição ter ido para o segundo turno já significa muito, e de ter sido a Marina que fez a maior diferença faz com que isso signifique algo ainda melhor. Existe uma exigência de dignidade e verdade no eleitor brasileiro que se manifestou na campanha para a lei da Ficha Limpa - diz Caetano, que também aplaude o que considera uma "resposta muito madura do eleitorado" a declarações do presidente na reta final da campanha. - Lula falou que a imprensa é golpista, um partido político. Como assim? Se a Dilma se eleger, a imprensa terá contribuído enormemente para que isso tenha acontecido, com a presença ao gosto de Lula e no ritmo que ele comandou da imagem dela na imprensa brasileira. Há dois anos ou mais que vem acontecendo isso. O pessoal que dirige os jornais, os editores sabiam que aquela exposição de Dilma, apesar de discutida nos textos, era uma campanha que a imprensa não estava se negando a fazer. E querer que a imprensa seja mais pró-governo e não seja crítica do governo, isso sim seria golpismo. A pior coisa que há é a imprensa toda a favor do poder estabelecido. Mesmo que haja distorções, veículos que sejam grosseiros ou errados, é sempre melhor que a imprensa seja crítica do poder estabelecido do que uma mera caixa de ressonância para os aplausos ao governo.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

CURIOSIDADES DA MPB

Em junho de 83, vindos de Brasília, os Paralamas do Sucesso (Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone) gravaram um compacto com “Vital e sua moto”, que começou — como todas as novas bandas de rock — tocando na Fluminense FM, autocognominada “A maldita”, e de lá se espalhou pelos ares cariocas e brasileiros. A rádio, pra lá de alternativa (emitia de Niterói), foi uma criação do radialista Luiz Antonio Mello e do ex-empresário de Os Mutantes Samuel Wainer Filho, o Samuca. A partir de março de 82, a Fluminense foi a principal plataforma de lançamento das novas bandas: tocava do Clash ao The Cure até demos caseiras, promovia concursos e shows de rock, agitava dia e noite.
Foi na “maldita” que tocaram pela primeira vez os Paralamas e a nova banda carioca Kid Abelha e os Abóboras Selvagens.

NEY MATA CURIOSIDADE SOBRE A MÚSICA PARAENSE

Por Leonardo Fernandes

Ney Matogrosso estava à paisana.Para os que têm impressa na memória a figura extravagante que o artista costuma apresentar nos palcos, o senhor vestido de forma sóbria (camisa xadrez de botão e jeans preto) passou quase incólume em sua visita à praça da República, no domingo de manhã.

“Onde posso encontrar músicas iguais a essa para vender?”, perguntava ele ao condutor de uma “bicicleta de som” que fazia a propaganda de um candidato a deputado federal embalada pelo tecnobrega.

Ney, que havia se apresentado em Belém na noite anterior, resolveu conhecer um pouco mais do som ensurdecedor que chegava ao quarto do hotel em que estava hospedado, ali em frente à praça que aos domingos fica abarrotada de vendedores ambulantes.

O encontro com a reportagem do DIÁRIO foi casual, e logo veio o convite. “Se eu não estiver atrapalhando, vocês poderiam vir comigo para me dar umas dicas?”, convidou o cantor. Se daria para acompanhar um dos medalhões da música brasileira a comprar CDs piratas de brega? É claro que seria um prazer.

Saímos então com uma lista de bregueiros em busca do camelô amigo mais próximo. “Mas brega não é um termo depreciativo?”, indaga Ney, ao vasculhar a pilha de CDs de artistas locais oferecidos na barraquinha entulhada de produtos contrabandeados: DVDs, brinquedos, pilhas, extensão de computador. “Já me chamou a atenção. É uma das poucas músicas originais a surgir ultimamente”, diz. “Quando eu vim a Belém pela primeira vez, me encantei pela música popular daqui. Ouvi um grupo folclórico tocando uns tambores de madeira enorme e queria botar isso no meu som”. A resposta da gravadora: “Tá louco? Como a gente vai trazer esses trambolhos de madeira para o estúdio?”.

Mas nada disso é surpresa. Desde que a p a r e c e u como vocalista da banda Secos & Molhados, fenômeno dos anos 1970, a ousadia sempre foi a marca de Ney Matogrosso. Muito antes do recente culto a Odair José, por exemplo, ele gravou a música “Uma canção de Amor” do cantor brega.

“Nunca tive problema de cantar música popular. Nos Secos cantávamos forró, baião”, relembra. “Existe um preconceito arraigado na música brasileira. Sempre houve essa distinção entre o popular e o intelectualizado, o que é uma besteira. Não acredito nem que existe música boa ou ruim, só gosto. Ou você gosta, ou não. E eu só toco o que me dá na telha”.

Então uma capa de CD surge na interminável pilha de discos e lhe chama a atenção. “O que é brega marcante?”, questiona Ney ao camelô. “O brega tem várias fases: a era das cavernas, o não tão antigo e os tempos de agora. ‘Brega marcante’ existe há alguns anos. Não é saudade. É aquela primeira fase do tecnobrega”, teoriza o camelô.

“Ei, tu não és o Ney Matogrosso?”, alguém se aproxima, interrompendo nossa classe introdutória ao ritmo apócrifo paraense. Algumas poses para fotos e autógrafos depois, Ney finalmente é reconhecido pelo vendedor de rua. “Aqui não tem o seu disco pirata, não, viu, Ney? Se achar, pode chamar a polícia”, diz o ambulante.

“O pirata não me incomoda”, responde ele, bem humorado. Ney confessa que já se incomodou muito com a pirataria, pois se sentia duplamente atingido, primeiro como cantor e segundo como produtor da gravadora EMI-Odeon, trabalho que desempenha até hoje.

“As gravadoras perderam a guerra. Poderiam ter revertido essa realidade barateando o produto, mas agora não há mais como competir com algo que é oferecido quase de graça nas ruas. Eu continuo lançando CD porque gosto de oferecer um produto diferenciado. Mas sempre centrei a minha carreira em fazer shows, muitos shows. Tanto que quando a pirataria ameaçou a venda de CDs, isso não foi o fim do mundo pra mim”.

O cara que nunca teve medo de se firmar em tempos muito mais conservadores como um personagem rebolativo e irreverente, que já provocava até nos títulos dos discos - “Bandido”, “Pecado”, “Seu Tipo”, sem falar nas fotos, como a dele totalmente nu no LP “Feitiço” (1978) -, diz que até hoje bate de frente contra o lugar-comum criado em torno de sua imagem.

“Minha relação com o público não é mais centrada na sexualidade. Era bom quando eu tinha 30 aninhos e um corpinho maravilhoso. Não dá mais para pintar a cara e ficar requebrando sem camisa hoje em dia. Quero arriscar. No meu novo disco me assumi romântico, cantei até Roberto Carlos”, diz Ney, carregando em uma sacolinha de plástico dezenas de CDs piratas do Super Pop, Rubi e Pop Saudade.

Pergunto se ele estaria preparado para se assumir cantor de brega. “Até disso. Não estou nem aí”.

NO CINEMA
Os fãs de Ney Matogrosso podem aguardar a estreia do cantor nos cinemas. Ney é o protagonista de “Luz nas Trevas – Revolta de Luz Vermelha”, filmado a partir do roteiro de Rogério Sganzerla, que vai estrear ainda este ano.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

ELIZAH - BATUQUE DE PIRAPORA

MORRE ED WILSON

Edson Vieira de Barros de 65 anos, conhecido como Ed Wilson, morreu na noite de domingo (3) em Copacabana. O cantor e compositor estava internado no Hospital São Lucas, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, ele lutava contra um câncer. O corpo foi velado na capela 6 do cemitério São João Batista, em Botafogo. E a cremação está marcado para ser na tarde desta terça-feira (4) no crematório do Caju, na Zona Portuária do Rio.

Ed Wilson foi criado na Piedade e já adulto viveu até sua morte no Leblon, na Zona Sul do Rio. Seus irmãos Renato Barros e Paulo César Barros eram integrantes do grupo “Renato e Seus Blue Caps”, onde Ed Wilson iniciou sua carreira musical e permaneceu até 1961. Em 1962, Ed Wilson iniciou sua carreira solo, influenciado por Elvis Presley.

Parceiro de Ronaldo Bastos na canção Chuva de Prata, gravada por Gal Costa em 1984, o cantor e compositor Edson Vieira de Barros, o Ed Wilson (1945 - 2010), saiu de cena aos 65 anos, na noite de domingo, 3 de outubro de 2010, em decorrência de complicações decorrentes de um câncer diagnosticado há seis meses. Criado em Piedade, bairro do vasto subúrbio carioca, Ed era irmão de Renato Barros, com quem integrou o conjunto Renato e seus Blue Caps, de 1959 a 1961, quando partiu em carreira solo iniciada efetivamente em 1962 com o lançamento do compacto que trazia Nunca Mais e Juro meu Amor. Ed Wilson gravou regularmente durante o apogeu da Jovem Guarda. Mas acabaria alcançando maior sucesso como compositor do que como cantor, já nos anos 80 e 90. Além da parceria com Ronaldo Bastos em Chuva de Prata, ele compôs com Paulo Sérgio Valle o sucesso Aguenta Coração, gravado por José Augusto em 1990.

Nos anos 90, Ed Wilson regravou uma coletânea de sucessos da Jovem Guarda ao lado de artistas da MPB como Erasmo Carlos, Leno e Lilian, Wanderléia e Golden Boys. No meio gospel, teve suas músicas regravados por Alex Gonzaga, vocalista da banda Novo Som.

Nos últimos anos, Ed Wilson integrava o conjunto carioca The Originals, formado por músicos revelados nas velhas tardes de domingo dos anos 60.

O compositor deixa a mulher Marisa Barros e os três filhos do casal Alessandro, Adriano e Bruna.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

EMILINHA BORBA - 05 ANOS DE SAUDADES

No último domingo, enquanto estávamos todos com a atenção voltada ao pleito eleitoral, completava-se 05 anos em que a nossa saudosa Emilinha Borba nos deixavam órfãos de seu imenso talento e carisma.

Emilinha Borba era botafoguense de coração e mangueirense de alma e nascimento, pois foi num dia 31 de agosto, na Vila Savana, de seu avô, situada na Rua Visconde de Niteroi, no Bairro da Mangueira, na cidade do Rio de Janeiro / RJ, que nasceu, da união de Eugênio Jordão Borba e Edith da Silva Borba, uma carioca predestinada ao sucesso e a levar para fora dos limites de sua cidade e do seu País, o seu carisma, a sua grandiosidade e, principalmente, a nossa cultura popular: Emilia Savana da Silva Borba (hoje Emília Savana de Souza Costa) e nacionalmente conhecida como Emilinha Borba.

Ainda menina e contrariando um pouco a vontade de sua mãe, apresentava-se em diversos programas de auditório e de calouros, dentre eles, "A Hora Juvenil", na Rádio Cruzeiro do Sul, e "Calouros do Ari Barroso", onde conquistou a ota máxima interpretando o samba "O X do Problema" de Noel Rosa.

Emilinha Borba e Bidú Reis
(Emilinha Borba e Bidú Reis)

Cantando de emissora em emissora de rádio daquela época, formou com Bidú Reis, e por um curto período, a dupla "As Moreninhas" (foto ao lado), quando então, gravaram em Discoteca Infantil - 78 RPM, "A História da Baratinha", numa adaptação de João de Barro.

Dupla desfeita, passou Emilinha a cantar sozinha, sendo de imediato contratada pela Rádio Mayrink Veiga e recebendo de Cesar Ladeira o slogan "Garota Grau Dez".

Em seguida foi convidada por João de Barro (Braguinha) a participar com destaque, em 1939, da gravação da marcha "Pirulito" cantada por Nilton Paz, sendo que no disco nao constou seu nome, só o do referido intérprete.

No mesmo ano, na Columbia Discos e com o nome de Emília Borba, grava seu primeiro disco 78 RPM "Ninguém Escapa" de Erastostenes Frazão e "Faça o Mesmo" de Frazão e Nássara.

Levada por Carmen Miranda, "A Pequena Notável" e sua madrinha artística, fez um teste no Cássino Balneário da Urca / Rio de Janeiro. Por ser menor de idade e na ansia de conseguir o emprego, alterou sua idade para alguns anos a mais. Ajudada por Carmen (que também emprestou-lhe vestido apropriado e sapatos de plataforma), foi aprovada pelo Sr. Joaquim Rollas, diretor artístico do Cássino e ali passou a se apresentar como "crooner", tornando-se logo em seguida uma das principais atrações daquela casa de espetáculos.

Transferiu-se da Columbia Discos para a gravadora Odeon, de onde já era contratada sua irmã e também cantora, Nena Robledo, casada com o compositor Perterpan. Lá, em fins de 1941 e já com o nome de Emilinha Borba, gravou "O Fim da Festa" de Nelson Trigueiro e Nelson Teixeira e "Eu Tenho um Cachorrinho" de Oswaldo Santiago e Georges Moran. Em 1944 retorna à Columbia Discos (com a etiqueta de Continental Discos), permanecendo naquela gravadora até fins de 1958, quando, então, transferiu-se para a CBS (hoje Sony Music) e ali ficando contratada por 18 anos consecutivos.

Em 1942 foi contratada pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro, desligando-se meses depois. Em Setembro de 1943 retornou ao "cast" daquela Emissora, firmando-se a partir de então, e durante os 27 anos que lá permaneceu contratada, como a "Estrela Maior" da emissora PRE-8, a líder de

audiência. Enquanto naquela emissora, Emilinha atingiu o ápice de sua carreira artística, tornando-se a cantora mais querida e popular do país. Teve participação efetiva em todos os seus programas musicais, bem como, foi a "campeã absoluta em correspondência" por 19 anos consecutivos (até quando durou a pesquisa naquela emissora) de 1946 à 1964.

Os Frenéticos Autditórios da Rádio Nacional
(Os Frenéticos Auditórios da Rádio Nacional)


FATOS

Programas de Auditório Permanentes no Rádio dos quais Emilinha era a Estrela Principal:


  • - Programa Cesar de Alencar (Rádio Nacional) - neste programa que foi o maior musical radiofônico e o mais popular programa de auditório na fase aurea do Rádio, Emilinha recebeu do apresentador o slogan "a minha, a sua, a nossa favorita".

    - Programa Paulo Gracindo (Rádio Nacional) - neste programa seu horário era prescedido pelo prefixo musical: "aí vem o bom momento que o programa tem para seus fãs que são milhões, salve a "Rainha dos Corações" que agora se apresentará nessa audição dominical, sucesso sensacional porque Emilinha irá cantar na audição que já vai começar".

    - Programa Maoel Barcelos (Rádio Nacional)

    - Programa Variedades José Messias (Rádio Nacional e Metropolitana)

    - Programa "A Felicidade Bate À Sua Porta" (Rádio Nacional) - com Yara Sales e Heber De Bôscoli. A cada final de semana, Heber visitava um Bairro do Rio de Janeiro ou cidade vizinha, levando prêmios e música, onde, sobre um carro especial, Emilinha cantava para o público nunca inferior a 20 mil pessoas.

    - Programa "Aí Vem Emilinha" (Rádio Mayrink Veiga)

    - Programa "A Escada da Fama" (Rádio Nacional)

    - Programa "Ronda dos Bairros" (Rádio Nacional)

    - Programa "Carvana ABC" (Rádio Mauá)

    - Programa Emilinha Borba (Rádio Continental)

    - Programa "Passa Tempo Gessy" (Rádio Nacional)

    - Programa "Musical Singer" (Rádio Nacional)

    - Programa Euclides Duarte (Rádio Mauá) - com o quadro a favorita canta.Programa Jonas Garret (Rádio Naional e Globo)


Programas de Rádio dedicados à Emilinha Borba:

  • Programa "O Cantinho da Emilinha"
  • Programa "O Cantinho do Fã Clube Emilinha Borba"
  • Programa "A Hora e a Vez da Rainha"
  • Programa "Roteiro da Emilinha"
  • Programa "O Encontro do Rei e a Rainha" (Roberto Carlos e Emilinha Borba)
  • Programa "Canta a Rainha dos Corações"

Desde o início de sua carreira artística, Emilinha é uma vitoriosa. Os concursos populares, que servem como termômetro de popularidade do artista, sempre foram constantes, e, das pesquisas realizadas, na fase aurea do rádio, 99,9% deram vitória a Emilinha Borba, tornando-a a artista brasileira que possivelmente possui mais títulos, troféus, faixas e coroas.



Principais Títulos Outorgados à Emilinha


  • 01 - Favorita da Marinha (1947)
    02 - Favorita dos Marinheiros (1948)
    03 - Favorita Permanente da Marinha (1949)
    04 - Melhor Cantora de 1950 (1951) - Revista do Rádio
    05 - Melhor Cantora de 1951 (1952) - Revista do Rádio
    06 - Melhor Cantora de 1952 (1953) - Revista do Rádio
    07 - Rainha do Rádio (1953) - Associação Brasileira do Rádio ABR - Emilinha foi eleita apenas com o voto popular (sem patrocínio comercial) e o somatório dos votos das demais candidatas não atingiu o total de votos de Emilinha, que alcançou patricamente o triplo de Angela Maria, a segunda colocada.
    08 - Rainha dos Músicos (1957) - Ordem dos Músicos (pela primeira vez os próprios músicos elegeram sua Rainha)
    09 - Rainha da Rádio Nacional (1958)
    10 - Rainha do Jubileu de Prata da Rádio Nacional (1961)
    11 - Rainha do Quarto Centenário da Cidade do Rio de Janeiro (1965)
    12 - Primeiro Lugar por 13 Anos Consecutivos no Concurso "Os mais queridos do Rádio e da Televisão" - Revista do Rádio - a pesquisa foi realizada de 1956 à 1968
    13 - Rainha do Jubileu de Ouro da Rádio Nacional (1986)
    14 - Cidadã Benemérita da Cidade do Rio de Janeiro (1991)
    15 - Cidadã Paulistana (1995)
    16 - Troféu Imprensa (1996)
    17 - A Cantora do Brasil Mais Popular do Século XX (1999)
    18 - A Maior Intérprete da Música Carnavalesca do MILÊNIO - Socimpro
    19 - 50 Anos de Rainha do Rádio (1953 / 2003)


Nas edições da "Revista do Rádio", "Radiolândia" e do jornal "A Noite", Emilinha se comunicava com seus fans, amigos e leitores desses orgãos da imprensa, através das colunas:


  • Diário da Emilinha
    Álbum da Emilinha
    Emilinha Responde
    Coluna da Emilinha

O simples anúncio de sua presença em qualquer cidade ou lugarejo do país, era feriado local e Emilinha simbolicamente recebia as chaves da cidade e desfilava em carro aberto pelas principais ruas e avenidas sendo aplaudida, ovacionada e acarinhada pelos habitantes e autoridades da localidade.UMA LOUCURA!

Devido ao enorme sucesso após o seu terceiro espetáculo realizado no teatro Santa Rosa em João Pessoa (Paraíba) Emilinha teve que cantar em praça pública junto ao Casssiano Lagoa, para um incalculável público, só comparado aos dos comícios de Luiz Carlos Prestes ou Getúlio Vargas.

Emilinha foi a primeira artista brasileira a fazer uma longa excursão pelo país com patrocínio exclusivo. O laboratório Leite de Rosas até então investia em artístas internacionais (como a orquestra de Tommy Dorsey) e contratou e patrocinou Emilinha por três meses consecutivos em excursão pelo Norte e Nordeste.

Sua foto era obrigatória nas capas de todas as revistas e jornais do país. Na "Revista do Rádio" semana era ela, na seguinte outro artista e na posterior ela novamente. Até que, na Semana Santa que seria a vez de Emilinha, foi criado um impasse, pois o diretor da revista queria homenagear a Igreja Católica. Como resolver? Solução: colocar um crucifixo em seu colo, o que foi o bastante para um crítico (José Fernandes) dizer: "Que até Cristo para ser capa de revista teve que sentar no colo de Emilinha" weight: bold;">.

Até Agosto de 1995 Emilinha Borba foi a personalidade brasileira que maior número de vezes foi capa de revistas no Brasil, calcula-se aproximadamente umas 350 capas nas mais diversas revistas.


Emilinha . . . a primeira

Emilinha foi:

  • a primeira cantora a gravar, comercialmente, um samba de enredo de escola de samba. "Brasil Fontes das Artes" do GRES do Salgueiro (1957).
  • a primeira cantora a gravar, comercialmente, uma música tema "trilha sonora" de Novela. "Jerônimo, O Herói do Sertão" (1955). Novela transmitida pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro / RJ e anos depois adaptada pela TV Tupi do Rio de Janeiro / RJ.
  • a primeira cantora a cantar à distância da orquestra. Quando em 1955, excursionando pelo Sul do País, esteve no Estúdio da Rádio Gaúcha de Porto Alegre / RS e de lá por telefone, cantou o bolero "Em Nome de Deus", defendendo o primeiro lugar da "Parada dos Maiorais - Plastilhas Valda" do Programa César de Alencar, sendo devidamente acompanhada pela Orquestra do Maestro Ercolli Vareto, que se encontrava no palco / auditório da Rádio Nacional do Rio de Janeiro / RJ.
  • a primeira cantora a gravar um disco com o sistema de posterior colocação da voz sobre a parte orquestrada, já previamente gravada. Foi quando gravou "Catito", em 1958, pela CBS.
  • a primeira cantora a usar o marketing de divulgação oficial e simultânea em todas as emissoras de rádio do país. Quando do lançamento de "Catito" pela CBS em 1958.
  • a primeira cantora a "reger" a platéia do Maracanãzinho literalmente lotado. Quando defendeu o primeiro lugar na festa de apresentação das músicas campeãs do carnaval de 1957. Interpretou a marcha "Vai com Jeito" de João de Barro (o Braguinha).

De 1968 a 1972, Emilinha esteve inativa por problemas de saúde. Teve edema nas cordas vocais e, após três cirurgias e longo estudo para reeducar a voz, voltou a cantar. Seu retorno aos braços do público ocorreu em grandioso espetáculo realizado pelo Sistema Globo de Rádio, diretamente do campo de futebol do Clube de Regatas Vasco da Gama / RJ, extamente no Dia dos Marinheiros de 1972. No início de 1973, sua imagem voltou a brilhar nos lares de todo Brasil, pois, com transmissão direta pela TV Tupi / RJ, apresentou-se no Canecão / RJ, no festival de MPB, quando, com a marcha de João Roberto Kelly "Isarael", venceu, mais uma vez, a "guerra" do carnaval.



A partir de então não mais parou, levando sempre seu talento por todo o país e a alegria do carnaval brasileiro a diversas partes do mundo.

Sua arte, admirada e aplaudida por milhões, sempre foi em prol da cultura popular e, assim, carismática Emilinha Borba, cuja trajetória artística, pontilhada de sucessos, personifica-se como verdadeira e autêntica representante da Era de Ouro do Rádio Brasileiro.

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