Por Camila Moura Cardilo*
RESUMO:
O forró “Pé de Serra” contagia muitos jovens da cidade de Belo Horizonte. Assim, este estudo procura compreender o motivo que os levam a viver e reviver esta dança, música e espaço definido como forró. Primeiramente foi realizada uma pesquisa bibliográfica para apresentar o significado do forró “Pé de Serra”, do jovem e da motivação. Posteriormente, uma observação em um dos espaços da cidade em que se realiza o forró e uma aplicação de questionários a 20 jovens freqüentadores, deu continuidade à pesquisa. Quanto aos resultados verificou-se que, mesmo com as influencias externas do meio, os jovens possuem um forte envolvimento intrínseco com o forró pelo forte despertar de sentimentos e emoções.
PALAVRAS-CHAVE: Dança. Atividades de Lazer. Recreação.
CONSIDERAÇÕES FINAIS: A MOTIVAÇÃO DOS JOVENS PARA VIVER E REVIVER O “PÉ DE SERRA”
Por meio desse estudo, percebe-se que a motivação abrange uma dimensão ampla e dependente de fatores internos e/ou externos para manifestar-se. Foi possível diagnosticar a força da manifestação das emoções e dos sentimentos quando os jovens “vivem” o forró “Pé de Serra”. São reações internas incontroláveis, que os permitem: sorrir, chorar, amar, apaixonar, “chamegar”, enfim... emocionar. O forró torna-se um momento único de esquecer os problemas, de viver como se fosse a última vez, de fazer com que se queira reviver aquela experiência novamente. Alceu Valença mostra numa de suas músicas o quanto o homem ilude-se, ao achar muitas vezes, que “o coração” não tem valor em seu comportamento, porém é ele que define muitas vezes nossas respostas a favor do amor, da compreensão, do perdão... é ele que age impulsivamente, sem controle, sem direção e sem permissão. O cantor chama de “Coração bôbo”:
Meu coração tá batendo
Como quem diz não tem jeito
Zabumba, bumba esquisito
Batendo dentro do peito
Teu coração tá batendo
Como quem diz não tem jeito
O coração dos aflitos
Batendo dentro do peito
Coração bobo, coração bola
Coração balão, coração São João
A gente se ilude
dizendo Já não há mais coração
(ALCEU VALENÇA, 1980).
Portanto, talvez seja pela força incontrolável das emoções e dos sentimentos, que os jovens forrozeiros têm como motivação principal o envolvimento intrínseco com as músicas e com a dança do forró “Pé de serra”. Essa motivação traz prazer e leveza ao corpo e a alma desses jovens. No entanto, percebe-se também, a importância do meio externo na construção da identidade e na presença do prazer, por meio da vivência do forró “Pé de Serra”, na vida dos jovens forrozeiros. Assim, sem os fatores externos (o ritmo e letras das canções, envolvimento com o outro na dança, clima e visualização do ambiente ou, até mesmo, roupas e acessórios) seria impossível que os jovens sentissem o amor, o chamego, a paixão, o acelerar do coração, o arrepio do corpo e o prazer de viver o forró. Então, verifica-se a importância da interação do homem com o meio para que o corpo possa falar, sentir e expressar a necessidade de viver novamente a experiência.
Ser jovem e ser forrozeiros: é aventurar-se; é se encontrar e descobri quem realmente você é, é entregar-se ao que realmente admira; é ter coragem para afirmar-se na sociedade e caminhar em busca dos seus objetivos e ideais; é ser, viver e buscar prazer através da sensibilidade dos sentimentos e emoções. Portanto, foi possível perceber, em cada jovem pesquisado, a importância: do meio social, da vivência com o ambiente agradável, da relação com outras pessoas, dos acessórios e roupas que os deixam á vontade e, principalmente, do envolvimento emotivo e sentimental quando ouvem ou dançam o forró... o som e o ritmo tocam, de forma mais intensa e marcante, os corações desses jovens. Eles expressam o prazer que vem “de dentro”. Essa vivência é tão boa que os fazem reviver a experiência de viver o forró, como disseram alguns jovens pesquisados: “é um vício”, um “refugio”, uma “paixão”. Neste contexto, o forró “Pé de serra” se torna uma alternativa de lazer para esses jovens, faz bem ao corpo físico e psicológico. Ele é um meio cultural, social e histórico que estimula a educação e o respeito através da relação com o outro, ativa as reações fisiológicas importantes para um bom funcionamento do organismo (o batimento acelerado do coração, sudorese, aumento da circulação sanguínea...) e promove a motivação intrínseca não somente para a vivência do forró, mas também para a vida afetiva, familiar, profissional e pessoal, pois, o forró leva-lhes o bem estar, prazer, harmonia, felicidade...proporcionando-lhes autoestima, vontade de viver. Com o forró eles se encontram, permitem-se, sentem a necessidade pelo prazer de ser e viver o “Pé de Serra”.
Concluindo, Bergamini citado por Bandeira (2008), relata que tanto os comportamentos condicionados quanto os incondicionados exigem alguma necessidade ativa intrínseca para se realizarem de forma enérgica, motivando o comportamento. Então, considera-se que a motivação dos jovens forrozeiros é envolvida por vários fatores que compõe o forró, fazendo surgir prioritariamente os fatores intrínsecos, que despertando sentimentos e emoções e que os motivam a viver e reviver essa experiência.
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* Bacharel em Educação Física pela PUC- Minas.
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