PROFÍCUAS PARCERIAS

Em comemoração aos nove anos de existência, nosso espaço apresentará colunas diárias com distintos e gabaritados colaboradores. De domingo a domingo sempre um novo tema para deleite dos leitores do nosso espaço.

INTUITY BORA BORA JANGA

Siga a sua intuição e conheça aquela que vem se tornando a marca líder de calçados no segmento surfwear nas regiões tropicais do Brasil. Fones: (81) 99886 1544 / (81) 98690 1099.

ZÉ RENATO - ENTREVISTA EXCLUSIVA

Com 40 anos de carreira, o músico capixaba faz uma retrospectiva biográfica de sua trajetória como instrumentista, compositor e intérpretes em diverso dos projetos nos quais participou.

SENHORITA XODÓ

Alimentos saudáveis, de qualidade e feitos com amor! Culinária Brasileira, Gourmet, Pizza, Vegana e Vegetariana. Contato: (81) 99924-5410.

QUEM FOI INALDO VILARIN?

Autor de canções como “Eu e o meu coração” (gravada por nomes como João Gilberto e Maysa), Inaldo Vilarin é mais um na triste estatística de um país sem memória

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

NOVAS LEIS DE DIREITOS AUTORAIS PODEM DEIXAR SERVIÇOS DE STREAMING MAIS CAROS

A batalha entre artistas, gravadoras e serviços de streaming de música promete ficar mais acirrada em 2015. Um relatório do Escritório de Direitos Autorais dos Estados Unidos, órgão ligado justamente à proteção de copyright no país, apresentou um relatório sugerindo uma série de mudanças nos sistemas atuais de licenciamento de músicas, com foco em plataformas como Spotify, Pandora, Rdio e outras. O objetivo seria aumentar os pagamentos e compensações aos artistas e proprietários das faixas, uma medida que, no final das contas, deve encarecer os preços das assinaturas.

Não é de hoje que os sistemas do tipo são alvo de críticas devido ao baixo pagamento de royalties por execução. Tal fator, por exemplo, levou artistas como Taylor Swift a remover seu catálogo inteiro do Spotify ou Thom Yorke, do Radiohead, a criticar publicamente o serviço. Agora, a ideia da comissão é simplificar as leis de copyright para tais serviços, criando escritórios específicos para lidar com o mercado online e realizar negociações específicas para o setor.

A ideia do documento de 245 páginas, detalhado pela PC World, é que as leis de direitos autorais são arcaicas e não se aplicam exatamente à conjuntura atual. A partir de consultas públicas, comentários em plebiscitos online e reuniões com donos de gravadoras e executivos do setor, o órgão do governo chegou a um conjunto de normas que, acredita, poderia mudar esse cenário. Se aprovadas, as regras podem efetivamente mudar as leis relacionadas ao mercado fonográfico nos Estados Unidos.

A criação de órgãos específicos para lidar com esse tipo de licenciamento também seria uma maneira de simplificar as intrincadas leis relacionadas aos direitos autorais, que separam as músicas em dois quesitos separados – o trabalho musical em si e a composição de faixas ou letras. Normas diferentes regem cada um desses conjuntos e se tornam ainda mais complexas, e muitas vezes sobrepostas, quando se fala em exibições públicas, licenciamento para cinema ou televisão ou, ainda, serviços de compartilhamento.

Uma das reclamações, por exemplo, é que os autores de faixas recebem até nove vezes mais dinheiro de royalties que os músicos responsáveis pela execução e gravação, um fator que apenas se intensificou com a chegada dos serviços de streaming. Eles pagam poucos centavos por execução e vendem uma ideia de que existe uma economia de escala, com baixos pagamentos a cada reprodução mas grandes ganhos oriundos da popularidade dos artistas na rede.

É justamente por isso que representantes de serviços do tipo, que também participaram da consulta pública, refutaram as novas regras. As plataformas já apresentam, notoriamente, um faturamento baixo em relação aos gastos com infraestrutura e licenciamento e a ideia de entregar ainda mais dinheiro aos artistas pode levar tais números a se tornarem ainda menores. O resultado, claro, recairá sobre os usuários, com aumento no valor das assinaturas, intensificação na exibição de anúncios e, eventualmente, em uma queda na popularidade do streaming.

Essa é a teoria das plataformas de streaming, que apontam as medidas como um retrocesso. Pouco a pouco, sistemas do tipo parecem estar sendo capazes de trazer os clientes de volta de um mundo de pirataria para o mercado formal. Caso as taxas aumentem, a ideia geral é que o download ilegal de músicas volte a ser uma alternativa viável e, nessa medida, todos perdem, incluindo os próprios artistas que demandam pagamento e, de repente, podem ver os valores recebidos diminuindo.

Fonte: Canal Tech

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

GRAMOFONE DO HORTÊNCIO

Por Luciano Hortêncio*


"Este é o registro original deste samba conhecidíssimo e bastante regravado (Clementina de Jesus, Zeca Pagodinho, Marisa Monte, etc.). Saiu pela Continental em novembro de 1959, no 78 rpm número 17734-B, matriz C-4219." (Samuel Machado Filho)



Canção: Esta melodia

Composição: 
Bubu da Portela e Jamelão

Intérprete - 
Jamelão

Ano - 1959

78RPM - 80-1906-B, matriz 13-H2PB-0260


Luciano Hortêncio é titular de um canal homônimo ao seu nome no Youtube onde estão mais de 5000 pessoas inscritas. O mesmo é alimentado constantemente por vídeos musicais de excelente qualidade sem fins lucrativos).

MEMÓRIA MUSICAL BRASILEIRA

Por Luiz Américo Lisboa Junior


Orquestra Armorial  (1975) 

A produção artística brasileira sempre esteve ligada a movimentos ocorridos nas principais cidades do sul do país, mesmo que seus protagonistas fossem de outras regiões e isso é facilmente explicado pelo fato de o Rio de Janeiro e São Paulo oferecerem toda a estrutura e visibilidade necessárias para o lançamento e popularização de todas as manifestações surgidas. A primeira foi ate 1960 capital do país e a segunda seu eixo financeiro mais forte, conseqüentemente nelas concentravam-se as gravadoras, principais estações de radio, jornais, os mais importantes museus, enfim quem quisesse vencer na vida artística tinha que emigrar para o sul do país, alcançando o sucesso, ele se estenderia ao resto do território e tornava-se portanto um elemento unificador da cultura nacional representada por seus expoentes das varias regiões. Foi assim que o fenômeno Luiz Gonzaga nos anos cinqüenta se estabeleceu, e o Brasil de norte a sul ouviu seu canto e conheceu melhor e mais profundamente a cultura do Nordeste.

Muitos movimentos estabelecem um percurso contrario, ou seja, surgem em seus locais de origem e depois de consolidados são divulgados nos centros mais desenvolvidos, apesar de não ser uma regra eles ocorrem quando se verifica que a força regional e a qualidade da sua produção cultural se tornam unânimes em sua comunidade e o seu lançamento e posterior divulgação em escala maior é apenas a continuação de um trabalho já cristalizado, contribuindo assim para diminuir a dependência dos centros mais prósperos e valorizando a capacidade local de se fazer ouvir com mais intensidade, proporcionando um movimento descentralizador e independente, fenômeno que se ocorreu com menos intensidade nos anos setenta e oitenta, veio com o crescimento das regiões metropolitanas a afirmar-se criando um mercado próprio e auto sustentável.

As manifestações de caráter regional que tomou conta do país foi batizado de Movimento Armorial tendo entre seus idealizadores Ariano Suassusa e Cussy de Almeida. Com uma proposta de divulgar a arte nordestina na musica, teatro, literatura e artes plásticas, foi buscar em nossas tradições mais profundas o seu sentimento nativista produzindo uma expressão artística tipicamente nacional fundada em nossos mitos e na cultura popular. No dizer de Ariano Suassuna a Arte Armorial Brasileira "é aquela que tem como traço comum principal a relação com o espírito realista e mágico dos folhetos do Romanceiro Popular do Nordeste, Literatura de Cordel, com a música de viola, rabeca ou pífano que acompanha seus cantares e com a xilogravura que ilustra suas capas, assim como o espírito e a forma das artes e espetáculos populares com esse romanceiro relacionados".

O especifico da musica criou-se, a Orquestra Armorial de Câmara cuja estréia deu-se em 18 de outubro de 1970 na igreja de São Pedro dos Clérigos em Recife, data também do lançamento oficial do Movimento. Com uma sonoridade que traduz todo um sentimento de brasilidade nordestina, a música armorial se propõe a realizar uma arte brasileira erudita a partir de raízes populares, utilizando instrumentos típicos de nossa ancestralidade musical que remontam o barroco do século XVIII, como a rabeca, a viola, o clavicórdio e a viola de arco.

Em 1975 a Continental lançou o primeiro LP da Orquestra Armorial e o que era um movimento artístico regional localizado tornou-se numa das maiores expressões nacionais de cultura dentro da vanguarda artística contemporânea brasileira. Com um repertório composto de 12 peças, destacam-se de Cussy de Almeida o principal compositor do movimento a Abertura (em duas partes), Nordestinados, Aboio e o Kyrie. O maestro Guerra Peixe um de seus mais entusiásticos divulgadores comparece com Galope e Mourão. Capiba um dos mais representativos compositores pernambucanos contribui com Sem lei nem rei, o flautista Jose Tavares de Amorim com Ciranda armorial e Pífanos em dobrado, ambas executadas com pífanos populares feitos de taboca. Por fim temos Terno de pífanos, de Clóvis Pereira e Repentes, de Antonio Jose Madureira.

A importância do Movimento Armorial é fundamental para a compreensão das nossas raízes culturais fincadas no imaginário popular, sua musica forte, doce e contemplativa nos remete a vastidão das terras nordestinas, proporcionando-nos um retorno a nossa ancestralidade e retomando uma linha evolutiva de nosso cancioneiro que deságua na exata dimensão da compreensão plural de um país que se completa e se agiganta com suas múltiplas expressões culturais, unificando-o em sua diversidade e fortalecendo sua identidade.

O disco da Orquestra Armorial lançado originalmente em 1975 foi um marco nessa proposta renovadora das artes brasileiras, surgiu de uma necessidade de se revisitar a cultura popular a partir do Recife e indo parar nos mais importantes centros do país como a legitima expressão de uma arte que nos representa em plenitude.

Hoje em dia talvez sejam poucos os que conhecem a musica armorial, no entanto é necessário que ela se revitalize para que com todas as facilidades de comunicação que temos ela se faça mais presente para sedimentar em nós o sentido da nossa afirmação enquanto brasileiros.


Músicas: 
01 - Abertura (Cussy de Almeida)
02 - Galope (Guerra Peixe)
03 - Ciranda armorial (Jose Tavares de Amorim)
04 - Nordestinados (Cussy de Almeida)
05 - Repentes (Antonio Jose Madureira)
06 - Terno de pífanos (Clóvis Pereira)
07 - Aboio (Cussy de Almeida)
08 - Mourão (Guerra Peixe)
09 - Pífanos em dobrado (Jose Tavares Amorim)
10 - Sem lei nem rei - 1º. Movimento (Capiba)
11 - Kyrie (Cussy de Almeida)
12 - Abertura (Cussy de Ameida)


Ficha Técnica
Produtor fonográfico: Discos Continental
Coordenação geral: Ramalho Neto
Assistente de produção: Waldemar Farias
Estúdio de gravação: Conservatório Pernambucano de Música - Recife
Técnico de gravação: Aloísio Mello
Equalização: Estúdios Haway
Arte da capa: Ariano Suassuna
Texto da contra capa: Ariano Suassuna
Regências: Cussy de Almeida 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

LENDO A CANÇÃO

Por Leonardo Davino*




Basicamente, a canção é o equilíbrio entre um texto (palavra) e uma melodia (vocal e/ou instrumental). O equilíbrio deve se dar na performance do cancionista - que nem sempre é o compositor da canção.

É na performance que o cancionista imprime o efeito de real: a sensação - no ouvinte - de naturalidade, de que aquelas palavras só podem ser ditas (entoadas) da forma ouvida. O cancionista dá sentido a sons, ritmos, sentimentos e experiências que estão "soltas" no mundo.

Cantar é sempre cantar a vida: afirmar a existência de quem canta. O sujeito de "Ele me lê", de Ana Cláudia Lomelino, ao apontar o gesto do outro - "ele me lê" - está chamando atenção para a surpresa de ser lido pelo outro.

Guardada no disco Tono (2010), o verso "Ele me lê" mais parece uma palavra única - êlimilê - vinda de alguma língua afro: nagô, iorubá, bantu. Para isso, age o modo de pronúncia de Ana: gerador de um delicioso palíndromo. Além disso a melodia mântrica, ampliada pela repetição ad infinitum do verso-título, a conjunção dos sons /l/ e /m/ e o som palindromático reforçam a gestualidade ritual da canção.

O sujeito parece aprofundar-se mais e melhor em si, a cada nova repetição: circularidade cartática. Isso, aliado ao som da banda Tono, que produz uma ciranda encantatória entre sintetizadores e percussão, faz de "Ele me lê" uma bela espiral de fumaça sonora.

A certa altura, o verso que até então vinha se dobrando para dentro de si desdobra-se para fora e entra o coro: "Ele te lê". Eis o ápice da vontade do sujeito, o êxtase ritualístico: o reconhecimento daquilo que ele havia dito.

Ana Claudia Lomelino é a abelhinha que faz zum-zum no mel: engendra o sujeito da canção na voz. Voz que dá espaço ao som instrumental quando a mensagem é restaurada: agora não é mais "ele" que lê o sujeito, há uma terceira personagem - o coro - que ouve, lê e canta (assina) o que o sujeito cantou: "ele me lê".


***

Ele me lê
(Ana Cláudia Lomelino)

Ele me lê ele me lê ele me lê
Ele te lê ele te lê

Ele te lê



* Pesquisador de canção, ensaísta, especialista e mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e doutor em Literatura Comparada, Leonardo também é autor do livro "Canção: a musa híbrida de Caetano Veloso" e está presente nos livros "Caetano e a filosofia", assim como também na coletânea "Muitos: outras leituras de Caetano Veloso". Além desses atributos é titular dos blogs "Lendo a canção", "Mirar e Ver", "365 Canções".

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

MPB - MÚSICA EM PRETO E BRANCO

Nena Queiroga

domingo, 22 de fevereiro de 2015

AOS 70 ANOS, GERALDO AZEVEDO NÃO SE SENTE VELHO E PERDOOU A DITADURA

Por Romero Rafael



Uma risada, duas, três… O riso é vírgula na prosa de Geraldo Azevedo, cantor, compositor e violonista petrolinense, que chegou no último dia 11 de janeiro aos 70 anos. Dono de Chorando e cantando, Dia branco, Táxi lunar, Bicho de sete cabeças, O princípio do prazer, Canção da despedida e Você se lembra, para citar algumas, diz que nestas sete décadas de vida esse conjunto foi, sim, sua maior contribuição existencial. Com leveza, em conversa ao telefone, ele recordou o tempo em que a “música salvava”, diz ter superado o bicho-de-sete-cabeças que foi a ditadura e ensina sua receita para viver. Termina falando dos projetos que mantém na cabeça, com a vitalidade de quem não se sente velho. Acompanhe:



Como é chegar aos 70?

Rapaz, dizem que 7 é a idade da razão. Então, de 7 em 7 eu tenho dez razões para gostar de viver. Eu não me sinto velho. Não é querendo… Mas é que eu continuo com a minha vida do mesmo jeito e vou celebrar este ano todo.


De qual jeito?

Tocando por aí… Festa eu não preparei. Eu tinha uma viagem para fora do Brasil, para me apresentar em um festival, mas foi cancelado. Fiquei desarticulado. Como está todo mundo saindo de festas, ia ser uma complicação.



Há um segredo para viver bem?

Gostar de olhar ao redor. E também como você pode se integrar nisso tudo. O mundo, tudo o que está ao nosso redor, é irmão. Tem que saber cultivar, cultuar e incentivar o bem.


O que a vida lhe deu de mais especial?

O dom de saber viver, de poder viver fazendo o bem. Tenho de viver fazendo o bem.


E nessas sete décadas, qual sua maior contribuição para o mundo?

Tenho certeza de que são as canções que fizeram parte da vida das pessoas, e estas foram passando de geração em geração. Minha música foi se perenizando, porque são canções que representam o sentimento da vida das pessoas. Sentimentos que, às vezes, eu não alcanço, mas que as pessoas alcançam.



E se não fosse a música?

Tenho muita habilidade com as mãos, então eu seria artista plástico. Gosto de desenhar, esculpir, montar… São coisas que me encantam. Embora meu sonho fosse me formar, porque não existia essa coisa de ser artista como uma profissão. Existia preconceito, e até eu aceitar… Mas acontece que a música me seduzia. Essa sedução foi a loucura.


Quais músicas são muito especiais para você?

É difícil, são muitas canções… Mas, Chorando e cantando [cantarola: “Quando fevereiro chegar, saudade já não mata a gente…”], O sal da terra, de Beto Guedes,Vida de gado, de Zé Ramalho, O que será (À flora da pele), naquela gravação de Chico Buarque com Milton Nascimento, que sempre me deixa muito emocionado…



A gente pode falar em sobrevivência?

Tem um pouco, mas a música é muito generosa. Lembro que a gente tocava nas casas, comia ali e ficava todo mundo feliz por estar tocando. A música sempre salvava. Na época da ditadura, quando a cultura passou por processos mais difíceis, eu fui desenhar, que eu sabia. Fui preso por 40 dias, Passei por processos muito violentos. Aliás, fui preso duas vezes, em 1969 e 75. O fato é que eu superei. Consegui resistir e enfrentei. Tirei bom proveito: perdoei. Como dizia Jesus, pensei: “eles não sabem o que fazem”. Era muita ignorância!



E quanto ao futuro?

Neste ano eu tenho que realizar. Estou com muita música nova, inédita, um disco tem que sair de todo jeito, com umas dez faixas. Tenho que lançar um logo, bicho. Também quero gravar um DVD de frevo. Todo ano faço Carnaval no Recife e tenho que registrar essa interação com o povo, com o ritmo, com o maracatu… E tenho vários outros projetos. Às vezes falta dinheiro ou tempo. Faço muitos shows pelo Brasil e a gente perde muito tempo. Tem que parar para gravar. E eu sou artista independente [desde 1986, com o disco De outra maneira, pelo qual lançou os sucessos Chorando e cantando, Dona da minha cabeça e O princípio do prazer]. Pago os projetos através dos meus shows. Agora estou tentando financiamento, mas não não tenho facilidade para essas negociações. Uma vez a lei foi aprovada, mas não consegui captar.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

CURIOSIDADES DA MPB

Dorival Caymmi tornou-se o sócio número 26 da Associação Brasileira de Rádio (ABR), nos primeiros dias de sua fundação.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

GRAMOFONE DO HORTÊNCIO

Por Luciano Hortêncio*


"Marchinha gravada na Victor em 11 de janeiro de 1930 e lançada bem em cima do carnaval, em fevereiro, disco 33255-A, matriz 50151." (Samuel Machado Filho)



Canção: Adeus meu carnaval

Compositor: 
Josué de Barros

Intérprete - 
Breno Ferreira - Orchestra Victor e Coro

Ano - 1930

78RPM - Disco 33255-A, matriz 50151


Luciano Hortêncio é titular de um canal homônimo ao seu nome no Youtube onde estão mais de 5000 pessoas inscritas. O mesmo é alimentado constantemente por vídeos musicais de excelente qualidade sem fins lucrativos).

MPB - MÚSICA EM PRETO E BRANCO

Naná Vasconcelos

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

GERALDO JULIO DIZ QUE FEZ O MAIOR E MELHOR CARNAVAL DA HISTÓRIA DO RECIFE

Por Paulo Veras



Folião animado, o prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSC), acredita ter feito o maior e melhor Carnaval da cidade em 2015. Desde a última segunda-feira (16), a Prefeitura do Recife tem comemorado um recorde de público no Marco Zero, principal palco da festa.

“A gente viveu o maior e melhor carnaval que o Recife já teve. Eu visitei a cidade inteira e levei a minha família também para se divertir. Em cada canto, vi a alegria de quem estava curtindo o carnaval e a alegria maior ainda dos artistas que estavam se apresentando. Estou muito feliz com o resultado da festa este ano. Espero que todos tenham gostado muito”, diz o prefeito.

Música e dança do mundo inteiro. Não existe um festival aqui ou em outros países que junte tantos artistas. São 2 mil apresentações; quase 70 polos funcionando durante os cinco dias da folia em toda a cidade”, afirma ainda.

Dois novos polos foram criados em 2015, na Praça da Independência e no Parque da Macaxeira.

A Prefeitura do Recife faz questão de divulgar, também, que 98% da grade de atrações e de artistas pernambucanos. Geraldo faz o balanço oficial do Carnaval do Recife em 2015 nesta quarta-feira (18), no Paço do Frevo, às 15h.

MINHA CARNE É DE CARNAVAL, MEU CORAÇÃO É IGUAL

Depois de uma maratona de shows, um eclético desfile de gêneros e ritmos, o carnaval do Recife chega ao fim como invariavelmente termina: com aquele gostinho de que poderíamos ter aproveitado um pouco mais

Por Bruno Negromonte




O ano que vem tem mais e no mesmo formato democrático que o caracteriza como o melhor e mais popular carnaval de rua do país. Este é o carnaval do Recife: democrático e participativo. Uma festa que traz uma diversidade sem igual, um ecletismo ímpar e a participação da população de modo pleno nos mais diversos polos existentes na cidade. Dos polos infantis ao Rec Beat, do dia dedicado ao samba a apresentações de nomes como Titãs, esta é a prova documental de que no Recife todas as tribos e ritmos tem vez. Rap, hip-hop, samba, maracatu, frevo, caboclinho e toda a diversidade que constitui a cultura pernambucana e nacional evidencia-se em sua máxima forma neste período nos mais distintos e descentralizados polos que a cidade mantém. Um carnaval convidativo que quem tem a oportunidade de vivenciá-lo dificilmente o esquecerá. São oficialmente quatro dias de alegria e magia que não existe em nenhum outro lugar no planeta. Com um slogan que o bem define, a prefeitura do Recife soube fazer um carnaval que atendeu a todas as expectativas dos foliões e já prepara-se para mais um, que com certeza procurará manter as tão marcantes características que fazem do carnaval da cidade do Recife uma festa singular. Parabéns folião que tão bem soube portar-se, obrigado a todos os turistas que prestigiaram esta festa que anualmente acontece com um brilho cada vez mais intenso, e obrigado principalmente a você, amigo leitor, que de longe ou de perto, acompanhou-nos nesta cobertura carnavalesca a partir do nosso espaço. ano que vem tem mais e como diria o poeta: "Quando fevereiro chegar, saudade já não mata a gente..."

DICAS DE PASSEIO PARA ALÉM DO CARNAVAL

A cidade do Recife traz para aqueles que pretendem estenderem-se além do carnaval uma gama de opções de lazer

Por Bruno Negromonte



Recife não é feita apenas de carnaval. Ela apresenta ao turista que por aqui passa diversas opções de lazer e entretenimento. Seja suas paisagens naturais (como a praia de Boa Viagem e os rios que cortam a cidade) até boates, casas de espetáculos, teatros e shopping, a cidade justifica o porquê é considerado como um dos maiores pólos turísticos nacionais. A Prefeitura da cidade sugere àqueles que passarão os dias de momo na cidade diversas opções de lazer como as que você conferir logo abaixo:

PASSADISCO
Loja de cd's, dvd's e lp's especializada em música brasileira que conta com grande acervo de artistas pernambucanos dos mais diversificados gêneros. Atendido pelo próprio dono, Fábio Cabral, o cliente tem a possibilidade de atualizar-se com a cena musical local em poucos minutos. 

PRAÇA DO MARCO ZERO
Lugar de origem da cidade, possui vista do parque das esculturas, além de abrigar em seu piso a grande Rosa dos Ventos, de Cícero Dias.

CENTRO DE ARTESANATO DE PERNAMBUCO
Instalado no Armazém 11 do porto do Recife, ao lado do Marco Zero, ocupa uma área construída de 2.511 m². O espaço, considerado o maior do segmento no Brasil, conta com mais de 16 mil peças de 700 artesãos de todas as regiões de Pernambuco para comercialização, auditório climatizado com 120 lugares, área de exposições, setor administrativo, além do Bistrô & Boteco com capacidade para 400 pessoas.

PASSEIO DE CATAMARÃ
Os passeios de catamarã promovem percursos românticos sob as pontes do centro da cidade, acompanhados de guia que narra a história dos atrativos às margens dos rios. Há também um passeio que vai até a zona norte da cidade.

PAÇO DO FREVO
Instalado no Bairro do Recife, o Paço do Frevo é um espaço dedicado à difusão, pesquisa, lazer e formação nas áreas da dança e música do frevo, visando propagar sua prática para as futuras gerações. Venha mergulhar em um vasto universo de personalidades, histórias, memórias e experimentar o carnaval pernambucano durante o ano todo.

RUA DO BOM JESUS
Uma das mais antigas ruas da cidade, possui belos sobrados, além de importantes equipamentos como a Embaixada dos Bonecos e a Sinagoga Kahal Zur Israel.

EMBAIXADA DOS BONECOS GIGANTES
Espaço que abriga mais de 40 bonecos de personalidades brasileiras e mundiais.

SINAGOGA KAHAL ZUR ISRAEL
Primeira sinagoga das Américas, abriga um rico acervo da história judaica do Recife do período holandês.

CAPELA DOURADA
Banhada a ouro, este é um dos mais belos exemplares do barroco brasileiro. Também apresenta acervo de peças de arte sacra.

CASA DA CULTURA
Antiga Casa de Detenção, suas celas abrigam, hoje, o melhor do artesanato pernambucano.

MERCADO DE SÃO JOSÉ
Construído no século XIX, é um dos mercados mais antigos do Brasil. Nele se pode encontrar desde artesanato até comidas, frutas e pescados encontrados na região.

OFICINA BRENNAND
Espaço que abriga o atelier do artista Francisco Brennand, com uma grande quantidade de obras espalhadas por todas as partes. Além das esculturas, encontram-se o Jardim de Burle Marx e o Espaço Academia, com inúmeras pinturas.

INSTITUTO RICARDO BRENNAND
Encontra-se neste espaço um grande acervo sobre o período holandês em Pernambuco, a Pinacoteca com quadros de Franz Post e o Castelo, com uma grande coleção de armas brancas.

MUSEU DO HOMEM DO NORDESTE
Espaço destinado a mostrar o desenvolvimento das raças que povoaram e construíram a sociedade nordestina.

FORTE DAS CINCO PONTAS
Construção holandesa de 1630, tinha originalmente cinco baluartes, tendo uma redução acontecido em 1684, passando a ter apenas quatro. Neste hoje está o Museu da Cidade, que possui grande acervo iconográfico do Recife.

MUSEU DO ESTADO
Mantém exposição permanente de peças que vão do século XVI ao XIX.

MUSEU-CASA MAGDALENA E GILBERTO FREYRE
Casarão onde morou o famoso escritor Gilberto Freyre, contando sua vida, sua obra e seus ideais.

OH QUARTA-FEIRA INGRATA...

Todo ano é assim: os versos do cantor e compositor Luis Bandeira evidencia-se de modo pleno no último dia de carnaval

Por Bruno Negromonte




É de fazer chorar
quando o dia amanhece
e obriga o frevo acabar
ó quarta-feira ingrata
chega tão depressa
só pra contrariar...

A força desses versos compostos pelo saudoso cantor e compositor pernambucano Luis Bandeira evidenciam-se hoje a partir da meia-noite. Depois de alguns intensos dias de folia chegou a hora de nós, da capital pernambucana, voltarmos a realidade e bater no peito com um orgulho tamanho dizendo: o carnaval do Recife não tem igual. O turbilhão de alegria que toma conta das ruas da cidade ao longo desta festa a cada ano encorpa-se de sorrisos e demostrações de alegria e bom humor. Obrigado pela companhia ao longo de nossa aventura momesca. Obrigado à Prefeitura da cidade do Recife por nos credenciar a fazer parte da cobertura desta festa que a cada ano mostra-se cada vez mais imensurável. Ano que vem tem mais!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

JORGE ARAGÃO ENCANTA PÚBLICO NO MARCO ZERO NA NOITE DO SAMBA


O cantor carioca Jorge Aragão colocou a multidão do Marco Zero para cantar e sambar nesta segunda-feira (16) de Carnaval dedicada ao ritmo. Com a música “Identidade” a banda começou o show que foi repleto de sucessos. Entre os clássicos, “Alvará, “Falsa Consideração”, “Papel de Pão”, “Amor estou sofrendo”, “Coisinha do pai” e outros.

A apresentação contou com uma participação especial.”Quem sou eu para falar de prata da casa e do que tem de bom no solo pernambucano? Estou muito feliz aqui! Obrigada pelo carinho”, disse o músico antes de chamar a cantora, Karynna Spinelli, para subir ao palco e dividir com ela a música “Loucuras de uma paixão”.

Depois de quase uma hora de show, Jorge Aragão perguntou ao público se poderia ir embora e recebeu um sonoro ‘não’ dos milhares de foliões que lotaram a Praça do Marco Zero. “Eu não vou mais cantar. Vou fazer um charmezinho aqui…” e cantou o clássico “Logo logo assim” em uma levada lenta, mas com uma ajuda especial: de todo público presente. Em seguida, emendou com “Lucidez”, “eu sou da pele preta” e com a música “Boa Noite” ele se despediu.

Fonte: NE10

ORQUESTRÃO COM MAESTROS SPOK, FORRÓ E ADEMIR ARAÚJO ANIMA OS RESISTENTES DO CARNAVAL DO RECIFE


O Carnaval vem chegando ao fim, mas ainda tem muita folia para ser brincada no Recife. Claudionor Germano, Maestro Forró, Alceu Valença e Elba Ramalho engordam esta terça-feira (17) no Marco Zero, onde acontece o encerramento da programação com o Orquestrão, que reúne maestros e convidados numa ode ao frevo.

O cantor Claudionor Germano, que completa 70 anos de carreira e anunciou sua aposentadoria dos festejos de Momo, apresenta o show Rei do Frevo, com participação do filho Nono Germano – que recebeu o bastão carnavalesco das mãos do pai -, Orquestra Popular do Recife e Maestro Ademir Araújo.

A apoteose final da folia de Momo no Recife está garantida com o Orquestrão, quando os maestros Spok, Forró, Ademir Araújo e convidados vão arrastar os últimos foliões até raiar o sol da Quarta-feira de Cinzas.

Nos demais polos, haverá shows de Cidade Negra e Otto (Pátio do Terço), Spok Frevo Orquestra e Tribo de Jah (Alto José do Pinho), Leci Brandão (Pátio do Livramento), Fundo de Quintal (Casa Amarela), Orquestra Contemporânea de Olinda (Mustardinha) e Geraldo Azevedo (Jardim São Paulo).

» Veja a lista dos principais shows desta Terça-feira Gorda (17):

POLO MARCO ZERO
21h – Claudionor Germano (Show Rei do Frevo), Nono Germano, Orquestra Popular do Recife e Maestro Ademir Araújo
22h50 – Maestro Forró e Orquestra Popular da Bomba do Hemetério, com participação de Ed Carlos
0h20 – Alceu Valença
2h – Elba Ramalho
3h40 – Orquestrão

POLO PÁTIO DE SÃO PEDRO
22h40 – Academia da Berlinda

POLO PÁTIO DO TERÇO
21h20 – Manga Rosa
22h40 – Tiger
0h – Cidade Negra
0h – Otto

POLO PÁTIO DO LIVRAMENTO
20h – Cris Galvão e Nosso Samba é assim
22h40 – Belo Xis
0h – Leci Brandão

POLO BRASÍLIA TEIMOSA
20h – Nena Queiroga
21h – Beto Hortis
22h20 – Tibério Azul
23h40 – André Rio

POLO CASA AMARELA
21h – Lia de Itamaracá
22h20 – Josildo Sá
23h40 – Fundo de Quintal

POLO ALTO JOSÉ DO PINHO
18h – Spok Frevo Orquestra
22h20 – Zé Brown
23h40 – Tribo de Jah

POLO VÁRZEA
21h – Getúlio Cavalcanti
22h20 – Maestro Duda e Orquestra
23h40 – Sem Compromisso

POLO JARDIM SÃO PAULO
21h – Orquestra Metais
22h20 – Liv Morais
23h40 – Geraldo Azevedo

POLO BOMBA DO HEMETÉRIO
23h40 – Almir Rouche

POLO LAGOA DO ARAÇÁ
23h40 – Alcimar Monteiro

POLO CAMPO GRANDE
22h20 – Irah Caldeira
23h40 – Marrom Brasileiro

POLO MUSTARDINHA
21h – Maciel Salu
22h20 – Orquestra Contemporânea de Olinda

POLO MACAXEIRA
22h20 – Nando Cordel
23h40 – Adilson Ramos
23h40 – Karynna Spinelli


Fonte: NE 10

LENDO A CANÇÃO

Por Leonardo Davino*




O sujeito de "Cada voz", de Tulipa Ruiz, faz um convite ao ouvinte: "tire sua fala da garganta e deixa ela passar por sua guéla e transbordar da boca". Ou seja, o sujeito cantor convida o ouvinte ao canto: à se distinguir entre tantas vozes.

Tudo no universo criado pelo sujeito da canção parece conspirar para que o ouvinte cante - "a orquestra já tocou e o maestro até se despediu". Mais do que um ato artístico, o canto é tematizado como um transbordamento do ser: cantar, aqui, é colocar para fora todas as vozes que perturbam o indivíduo.

Guardada no disco Efêmera (2010), "Cada voz" instiga o ouvinte destinatário da canção a ouvir sua própria singularidade, a construir um canto para si, afirmando-se como cantor das próprias venturas.

O sujeito cantor quer o ouvinte livre, consciente-de-si e capaz de impor a voz sobre as outras inúmeras vozes que ecoam pela cidade. Cada voz tem seu valor - canta algo que vai de si para si, sustentando no mundo quem canta.

Fica a cargo do ouvinte sair da zona de conforto do personagem cantado e tornar-se cantante: sujeito e objeto da canção, afinal "todos querem ver você cantar", querem saber qual é a sua posição na roda viva, no "itinerário profano da existência", na bela expressão de Paul Zumthor.

É preciso saber de onde esta voz emana, o que ela escamoteia, quais são seus berros e silêncios. Quais são as figurações de vida que ela engendra. E o porque dela ser "cada", única e sozinha, apesar das companhias sonoras ensurdecedoras do mundo.

Toda voz precisa falar, personalizar-se, fazer-se presença física - calor - e ser ouvida. Eis o eco almejado pelo sujeito de "Cada voz"; eis a esperança de reciprocidade que lhe mantém o canto, a canção.


***

Cada voz
(Tulipa Ruiz)

Tire sua fala da garganta
E deixa ela passar por sua guéla
E transbordar da boca
Deixa solto no ar
Toda essa voz que tá ai dentro deixa ela falar
Você pode dar um berro quem sabe não pinta um eco pra te acompanhar
Cada voz tem um tom
Cada vez tem um som

A orquestra já tocou
E o maestro até se despediu
Todos querem ver você cantar



* Pesquisador de canção, ensaísta, especialista e mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e doutor em Literatura Comparada, Leonardo também é autor do livro "Canção: a musa híbrida de Caetano Veloso" e está presente nos livros "Caetano e a filosofia", assim como também na coletânea "Muitos: outras leituras de Caetano Veloso". Além desses atributos é titular dos blogs "Lendo a canção", "Mirar e Ver", "365 Canções".

A ENERGIA DOS RACIONAIS MC'S EM CASA AMARELA



O palco descentralizado de Casa Amarela, na Zona Norte do Recife, vem se mostrando um dos destaques do Carnaval. Prova disso é que o espaço trouxe uma das atrações de maior peso da programação, o Racionais MCs. O grupo de rap paulista fez um show histórico com faixas do novo álbum, Cores e Valores.

Foi a estreia deste disco na capital pernambucana. A banda de Mano Brown, KL Jay, Ice Blue e Edi Rock subiu ao palco por volta da 1h30 e recebeu um público bem receptivo, a maioria fãs que aguardaram praticamente a noite inteira pela apresentação. Isso acabou rendendo um show bem mais interativo do que o normal em se tratando dos Racionais.

Mano Brown, em geral mais sisudo em palco, mostrou mais participativo. Já o público respondeu cantando as músicas em coro. A escalação dos Racionais na periferia do Recife foi um dos acertos da programação do Carnaval deste ano, que clama por uma renovação há alguns anos. Passaram ainda pelo polo Márcia Pequeno, Ciranda Dengosa, Zé Brown e o grupo Bongar.

Fonte: O grito

FELINTO, DO APÔIS FUM

Por Leonardo Dantas Silva

Naquele hoje distante Carnaval de 1957, uma marcha-de-bloco tomou conta das ruas e salões, cantada a plenos pulmões por crianças e velhos, mulheres e homens, a relembrar sem querer velhos carnavais dos anos vinte, onde reinavam as figuras de Felinto, Pedro Salgado, Guilherme e Fenelon, quando das saídas dos blocos carnavalescos mistos das Flores..., Andaluzas ...., Pirilampos ..., Apôis Fum....

Tratava-se de Evocação, um frevo-de-bloco composto por Nelson Ferreira, que se tornara o grande sucesso da Fábrica de Discos Rozenblit, fundada no Recife em 1952 e distribuidora do selo Mocambo para todo Brasil. Gravado em 1956 para o carnaval de 1957, em disco em 78 RPM nº 15142 B, matriz R 791, foi o primeiro grande sucesso daquela gravadora, produzido no Recife e cantado em todo o país. A marcha tornou-se execução obrigatória em qualquer festa carnavalesca e, mesmo nos dias atuais, é comum encontrar-se grupos de foliões entoando animadamente em uma só voz: Felinto..., Pedro Salgado, / Guilherme, Fenelon, / Cadê teus blocos famosos ?! / Blocos das Flores..., Andaluzas..., / Pirilampos..., Apôis Fum... / dos carnavais saudosos ?!..”

Declara o próprio Nelson Ferreira, em depoimento ao Museu da Imagem e do Som de Pernambuco e em texto inserido no álbum duplo Rozenblit – LPP 015/16 (1968), que Evocação nº 1 fora inspirado em figuras de blocos carnavalescos do Recife dos anos 20, então desaparecidas: 

Felinto de Moraes e Fenelon Moreira [de Albuquerque] eram do Apôis Fum; Pedro Salgado era presidente do Bloco das Flores; Guilherme de Araújo era a figura de proa do Andaluzas em Folia e do Pirilampos de Tejipió; o velho Raul Moraes era compositor, pianista e ensaiador do Bloco das Flores, para o qual escreveu várias marchas, inclusive a Marcha Regresso. Dela usei os versos ‘Adeus, adeus minha gente / Que já cantamos bastante’. Fiz Evocação nº 1 numa noite, de uma vez só.

Dessas figuras citadas, notabilizava-se Felinto de Moraes (Recife, 1884 - Rio de Janeiro, 1927), fundador e principal dirigente do mais famoso bloco carnavalesco de todos os tempos, o Apôis Fum, surgido na povoação da Torre em 1925. Em depoimento ao Diario de Pernambuco, de 29 de janeiro de 1980, uma antiga simpatizante, Ana Uzeda Luna, afirma que “o bloco congregava os melhores músicos, inclusive os componentes do conjunto Turunas da Mauricéia, conjunto vocal composto pelos maiores violonistas de sua época, entre eles Manuel de Lima (violonista cego), Alfredinho de Medeiros e seu primo Felinto de Moraes; o bandolinista Luperce Miranda (1904-1977) e seu irmão, Romualdo Miranda (1897-1930), eram a nota alta dos bandolins, enquanto Augusto Calheiros (1891-1956), que viria receber o apelido de Patativa do Norte, chefiava o coro”.

A orquestra de pau-e-cordas, formada por dezesseis violões, dentre eles Alfredo de Medeiros e Felinto de Moraes, bandolins dedilhados por Luperce Miranda e seus irmãos , violinos, clarinetos e outros instrumentos, era dirigida por Zuzinha, apelido pelo qual ficou conhecido o mestre-de-banda José Lourenço da Silva (1889-1952), que por muito tempo foi o regente da Banda da Polícia Militar de Pernambuco. Os ensaios eram realizados na residência do diretor Francisco Sá Leitão, localizada em frente ao atual Sesi da Torre, na Rua José Bonifácio. No repertório composições do próprio Zuzinha, Sustenta a Nota; Miguel Barkokebas, Esse bloco é meu; Luperce Miranda, Quininha e Seu Raimundo no frevo; notabilizando-se a marcha-regresso, composta por Raul Moraes, conhecida pelo título de Saudade Eternal: “Saudade, eternal! / Deixamos no Carnaval / E o Bloco Apôis Fum / Portou-se como nenhum....”.

O “Príncipe das Marchas-de-Bloco”, como ficou sendo conhecido, nasceu em 2 de fevereiro de 1891, na Rua da Soledade nº 25, no bairro recifense da Boa Vista, tendo falecido na mesma cidade, em 6 de setembro de 1937, na Rua Cais Ligeiro, subúrbio da Torre, segundo noticia recolhida pelo pesquisador Evandro Rabello no Jornal Pequeno, edição do dia 8 do mesmo mês.

Juntamente com o irmão, Edgard Moraes (1904-1974), Raul participou, além do Bloco das Flores, de outros blocos carnavalescos do Recife, tocando bandolim e seu mano cavaquinho, segundo informa o Diario de Pernambuco de 5 de fevereiro de 1924. Para o Bloco Apôis Fum, compôs no ano seguinte uma das suas célebres marchas-regresso, Saudade Eternal, famosa pelo seu refrão: 

A manhã já vem surgindo 
Já se vê, já se vê 
A luz do dia
E o Apôis Fum já vai sentindo
Vai sentindo
Saudades da folia

Saudade, eternal 
Deixamos no carnaval
E o Bloco, Apôis Fum
Portou-se como nenhum.

Foi um sonho que passou
Belo sonho, belo sonho sem igual
E o Apôis Fum só demonstrou
Só demonstrou
O fulgor do Carnaval

Saudade, eternal
Deixamos no Carnaval
E o Bloco, Apôs Fum
Portou-se como nenhum

Segundo depoimento de Apolônio Gonçalves de Melo, in Antologia do Carnaval do Recife , o “Bloco Apôis Fum, de Guilherme Araújo e Fenelon de Albuquerque, foi considerado um dos mais finos da cidade. Na sua primeira exibição vestiram-se de palhaços brancos com botões pretos e usavam nas cabeças bonitos funis. Com boa orquestra e uma mocidade de primeira linha. Puxava o bloco um carro alegórico representando a bola do mundo com uma linda garota sobre a bola que era admirada por todos”.

Em sua primeira exibição, o Apôis Fum logo conquistou a simpatias da cidade, com os seus componentes fantasiados de pierrôs e pierretes, em cetim branco, botões negros, pompons prateados, chapéu em cone do mesmo tecido, trazendo um belo carro alegórico com uma linda jovem, portando o rico flabelo do bloco, e “uma mocidade de primeira linha”. Ao chegar em frente ao Jornal do Commercio, na Rua do Imperador, encontrou-se com o Bloco das Flores, de Pedro Salgado e Raul Moraes, que passou a executar a sua famosa Marcha da Folia. 

O Apôis Fum não se deu por perdido e, ao som de Sustenta a Nota, marcha composta por Zuzinha, abafou o seu rival e assim conquistou os prêmios de “Melhor Orquestra”, “Melhor Fantasia”, “Maior Conjunto” e “Mais Bela Marcha”, fazendo jus ao seu Regresso, “... e o Bloco Apôis Fum, portou-se como nenhum”. 

Em 1927, os Turunas da Maricéia viajaram para o Rio de Janeiro, tendo uma memorável estréia no Teatro Lírico, em festa patrocinada pelo Correio da Manhã. Vestindo à moda dos sertanejos, com chapéus de abas largas e alpargatas de rabicho, os violonistas Romualdo Miranda, Manuel de Lima, Piriquito e Felinto de Moraes, juntamente com o bandolim de Riachão, acompanharam Augusto Calheiros na apresentação de cocos, emboladas, toadas e outros ritmos pouco conhecidos na Capital Federal. É desta época as gravações de Helena (Luperce Miranda) e Pinião (Luperce Miranda e Augusto Calheiros), este último grande sucesso no Carnaval de 1928.

Felinto, porém, já se encontrava bem doente.... Naquele mesmo ano de 1927, no Rio de Janeiro, ao pressentir a chegada da indesejada das gentes, o boêmio Felinto de Moraes, falou para os seus familiares que “não ia morrer não! Ia fazer a sua última serenata...”. A cena dos seus últimos momentos é descrita por Austro Costa, em um dos seus antológicos poemas, Felinto:

O Boêmio sentiu que ia morrer
Então,
vendo chegar a grande hora
de entregar a alma a Deus
(o bom Deus dos que amara e honraram a Boemia, 
dos que souberam romantizar a paisagem impassível da Vida
humanizando a alma da Noite,
enchendo as ruas de canções errantes, 
– fascinados do Luar, do Vinho e das Mulheres –) 
não quis tristeza, não quis pranto.

Não ia morrer, ai, não! Ia fazer a última serenata...

Assim falou, no leito de moribundo,
Aos que foram ver, assistir-lhe à agonia:
seus amigos,
seus irmãos de inefáveis, românticas vagabundagens, 
velhos e amados companheiros de vida alegre,
de vida boa cheia de luares e de violões...

E eles choravam. Todos choravam no quarto triste,
onde a intrusa com pés de lã já penetrava.
Só não chorava o que ia morrer.

(Niágara dos olhos – mortos de vigília – da esposa alanceada!


Fontes confusas e pasmadas de infantis olhos – coitadinhos! ...)

E, no silêncio cheio de lágrimas,
O Boêmio falou de novo.
Não ia morrer, ai, não! Ia, apenas, fazer a última serenata...
– “Frazão! Romualdo! Manuel de Lima! Pernambuco!
toca a tocar! ...
Eh! lá, Calheiros! vamos cantar! ...
Nada de choro! O choro que eu quero
é de violão, pandeiro, flauta, banjo,
saxofone e reco reco (Apôis Fum !...)
Vamos, Frazão! Aquele solo maravilhoso
que você dedicou a minha filha...
Calheiros, você canta uma das suas ....
Eu acompanho ao violão...”.

Mas no quarto da Morte tudo era um soluço.
Ninguém queria tocar, cantar.

E o Boêmio, triste, pôs-se a chorar.

Pois, seus amigos, seus companheiros tão queridos,
seus irmãos de suaves, divinas loucuras
não lhe satisfaziam o último desejo?!

– “Rapazes, 
vocês não parecem os Turunas da Mauricéia!
Vamos! Eu quero morrer alegre, morrer ouvindo
a alma boêmia da minha terra,
a voz, o canto do meu povo
na voz, na música de vocês!
Quero lembrar tudo o que fui na vida louca, 
quero evocar tudo o que amei!
Não me façam sofrer! Quem morre é um boêmio ...
Meu coração só quer cantar ...
Meu violão ...”

Então, no quarto triste,
onde a Intrusa, impassível, fiava, fiava,
violões acordaram na noite serena um luar de agonia,
e uma voz trêmula e bárbara, comovida,
estrangulando, num canto convulso, a alma de um soluço imenso,
redimiu, para sempre, a saudade boêmia da terra maurícia.

O silêncio que veio depois, com mão suave
cerrou do Boêmio, para sempre, os olhos doces.

(Não ia morrer, ai, não! Ia fazer, apenas, sua última serenata...)

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

A NOITE DOS TAMBORES SILENCIOSOS

O Pátio do Terço, às segunda-feira de carnaval, transforma-se tradicionalmente no grande palco do maracatu

Por Bruno Negromonte




Seguindo um verdadeiro rito, a Noite dos Tambores Silenciosos tornou-se um evento que já faz parte do calendário carnavalesco da capital pernambucana. A cada novo ano o evento reforça-se com mais adeptos, que agregam forças não apenas para a manutenção da cerimônia de origem africana e que tem por objetivo louvar a Virgem do Rosário, padroeira dos negros, mas principalmente na propagação de uma cultura bastante peculiar, uma vez que reúne nações de maracatus de baque-virado oriundas de diversos municípios do estado de Pernambuco que buscam reverenciar os ancestrais africanos, que sofreram durante a escravidão no Brasil Colonial.


Tradição

Esses ritos que reverenciam os antepassados é um costume que os escravos trouxeram para o Brasil durante o período colonial. Algumas cerimônias daquela época são bem semelhantes as praticadas na atualidade como a do Coroação do Congo, onde os escravos elegiam seus reis e rainhas, lamentavam seus mortos e pediam proteção aos Orixás. Aqui no Brasil, escravos, os negros tinham o seu direito de manifestar suas crenças e tradições cerceados, sendo obrigados a realizar tais cerimônias às escondidas. Os cortejos de lamentações passaram então a ser em silêncio e sem que fossem percebidos, vem daí o nome dado a tradicional manifestação artístico-cultural recifense: Noite dos Tambores Silenciosos. A festa que antes era realizada no pátio da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, localizada na Rua Estreita do Rosário, no bairro de Santo Antonio, hoje é celebrada tradicionalmente na segunda-feiras de carnaval por ser o dia das almas nas religiões de origem africana e também em memória dos escravos que nunca tiveram direito de brincar o carnaval.


A cerimônia

Como tradicionalmente ocorre todos os anos a cerimônia tem início com a apresentação das nações de maracatus de baque-virado, tendo os tambores lugar de destaque neste momento, pois trata-se do principal instrumento da orquestra dos Xangôs e tem uma função mágica nas religiões africanas. 

O ápice da cerimônica acontece à meia-noite quando as luzes do tradicional bairro de São José são apagadas e o público presente no pátio silencia. Neste momento são acessas tochas que são levadas até a porta da Igreja pelos líderes dos maracatus. Uma voz entoa loas (verso de louvor, louvação em versos improvisados ou não) em louvor a Rainha dos negros, Nossa Senhora do Rosário. O silêncio é interrompido apenas pela batida intermitente dos tambores de todas as nações de maracatus, que entoam cânticos de Xangô (um dos mais populares, prestigiosos e divulgados orixás dos candomblés, terreiros, macumbas). A marcha dos dançarinos é marcada pela batida de tambores. Estandartes trazem o nome dos maracatus e são seguidos por uma corte de reis e rainhas africanas devidamente caracterizadas. Nesse momento, o babalorixá responsável pelo ritual, alinha os batuques e rege um coro de mães-de-santo que rezam com ele, e termina o culto abençoando os membros dos maracatus e o público presente na cerimônia.

Um dia antes acontece a Noite dos Tambores Silenciosos mirim.


Noite Dos Tambores Silenciosos 

Programação Oficial - A partir das 20h:
Maracatu Nação De Luanda 
Nação Do Maracatu Encanto Do Dendê 
Maracatu Encanto Da Alegria
Nação Do Maracatu Estrela Dalva
Maracatu Baque Forte
Maracatu Nação Axé Da Lua 
Maracatu Nação Sol Nascente
Maracatu Nação Estrela Brilhante De Igarassu 
Maracatu Nação Almirante Do Forte 
Nação Do Maracatu Porto Rico
Maracatu Nação Cambinda Estrela 
Maracatu Linda Flor
Maracatu Lira do Morro
Maracatu Nação Leão Da Campina 
Maracatu Brilhante do Recife
Maracatu Nação Raízes De Pai Adão
Maracatu Nação Encanto Do Pina 
Maracatu Nação Oxum Mirim 
Maracatu Nação Aurora Africana 
Maracatu Gato Preto
Maracatu De Baque Virado Cambinda Africano 
Maracatu Nação Tigre 
Maracatu Nação Leão Coroado 
Maracatu Nação Tupinambá 
Maracatu Nação Estrela De Olinda 

0h - Cerimônia Noite Dos Tambores Silenciosos com o Babalorixá

O SAMBA HOJE PEDE PASSAGEM

Na noite do maracatu, o palco do Marco Zero reverencia o samba

Por Bruno Negromonte



A polêmica é grande.  Há quem defenda de que o nascedouro do samba tenha sido no Rio de Janeiro, há outros que acreditam que o ritmo tenha tido origem a partir do recôncavo baiano e há ainda os que acreditam que o surgimento do samba não tenha raízes africanas como defende o pesquisador Bernardo Alves. Para o pesquisador radicado em Pernambuco a ideia tão difundida de que o samba nasceu nas rodas da casa de Tia Ciata perde o sentido a partir de pesquisas realizadas pelo mesmo quando ele descobriu que tudo começara com índios catequizados do Nordeste. Em suas pesquisas, Bernardo identificou a presença da palavra samba em 1699, na Arte de Grammatica da Língua Brasílica da Naçan Kiriri, escrita pelo padre Luiz Vincêncio Mamiani, que vivia no alto sertão nordestino. Polêmicas à parte, o samba hoje é celebrado em todo o país e hoje invade o palco do Marco Zero com artistas pernambucanos e outros de projeção nacional. O Grupo Fundo de Quintal, o cantor e compositor Jorge Aragão são algumas das atrações desta noite dedicada ao samba, que apesar da polêmica de sua origem, é brasileiro nato. 


Geraldo Azevedo, 70 anos

Também no bairro do Recife, na Praça do Arsenal, apresenta-se o cantor e compositor pernambucano Geraldo Azevedo, trazendo para a capital pernambucana o espetáculo comemorativo aos seus 70 anos de vida. Com uma vasta carreira e inúmeros sucessos, Geraldinho traz aos palcos da cidade ao longo deste carnaval a turnê que teve início no Circo Voador, no Rio de Janeiro, no último mês de janeiro. Um show contagiante e repleto de boas vibrações constituído essencialmente de frevos. No repertório clássicos do seu repertório como "Chorando e cantando", "Dia Branco", "Bicho de sete cabeças" entre outros e canções que não fazem parte de sua lavra como "Taj Mahal", do cantor e compositor Jorge Ben Jor.


Outros Polos

Além das fronteiras do bairro do Recife o carnaval também é tomado por diversas atrações. Nos bairros da cidade há atrações para todos os gostos. Nomes como Marcelo Jeneci, Nação Zumbi, Gonzaga Leal, Nando Reis, Lirinha, Cidade Negra, Alceu Valença entre outros grandes nomes da cultura pernambucana e nacional.

Confira a programação completa AQUI

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