PROFÍCUAS PARCERIAS

Em comemoração aos nove anos de existência, nosso espaço apresentará colunas diárias com distintos e gabaritados colaboradores. De domingo a domingo sempre um novo tema para deleite dos leitores do nosso espaço.

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ZÉ RENATO - ENTREVISTA EXCLUSIVA

Com 40 anos de carreira, o músico capixaba faz uma retrospectiva biográfica de sua trajetória como instrumentista, compositor e intérpretes em diverso dos projetos nos quais participou.

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QUEM FOI INALDO VILARIN?

Autor de canções como “Eu e o meu coração” (gravada por nomes como João Gilberto e Maysa), Inaldo Vilarin é mais um na triste estatística de um país sem memória

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

70 ANOS DE ROBERTO RIBEIRO

Dando continuidade a incessante luta em não deixar cair no ostracismo alguns nomes de nossa MPB, venho hoje lembrar do saudoso Roberto Ribeiro.
Dermeval Miranda Maciel, mais conhecido como Roberto Ribeiro nasceu em 20 de julho há exatamente 60 anos atrás. Todos aqueles que admiram o bom samba sabem que Roberto foi um exímio cantor e puxador de samba-enredo brasileiro.
Sambista do Império Serrano, Roberto Ribeiro construiu uma respeitável carreira de intérprete e compositor desde a segunda metade da década de 1960. De voz bem timbrada e enxuto fraseado, seu repertório incluíam sambas de todos os tipos, como afoxés, ijexás, maracatus e outros ritmos africanos. Tem mais de 20 discos gravados, com sucessos populares como as canções "Acreditar", "Estrela de Madureira", "Todo Menino É um Rei", "Malandros Maneiros", "Fala Brasil" e "Amor de Verdade".

Biografia

Filho de Antônio Ribeiro de Miranda (um jardineiro) e Júlia Maciel Miranda, Roberto era um carioca típico, apaixonado por futebol e samba. Aos nove anos de idade, trabalhava como entregador de leite. Naquele tempo, já frequentava a Escola de Samba Amigos da Farra, da cidade de Campos dos Goytacazes, e participava das festas do tradição "Boi Pintadinho".

Ele foi jogador de futebol profissional em sua cidade natal. Depois de passagens por equipes amadoras (Cruzeiro e Rio Branco), ele se tornou goleiro do Goytacaz Futebol Clube. Era conhecido pelo apelido de "Pneu". Em 1965, Roberto mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro em busca de um lugar em um clube grande carioca.


Chegou a treinar no Fluminense, mas acabou desistindo da carreira e começou a trabalhar com música, a se apresentar no programa "A Hora do Trabalhador", da Rádio Mauá, do Rio de Janeiro. Sua performance chamou a atenção da compositora Liette de Souza (que viria a ser sua esposa), irmã do compositor Jorge Lucas. Ela resolveu apresentá-lo aos sambistas da Império Serrano e Roberto passou a frequentar as rodas de samba da tradicional escola de Madureira. A diretoria da Império convidou-o para ser o puxador de samba-enredo da escola no Carnaval de 1971.

Ele aceitou, mas se afastou nos dois carnavais seguintes para gravar seus primeiros discos como cantor. A partir de 1974, Roberto Ribeiro firmou-se como puxador oficial da Império, defendendo a agremiação até o Carnaval de 1981. Dentre os grandes destaques nos desfiles cariocas, estão os sambas-enredo "Brasil, Berço dos Imigrantes", de 1977 (feito em parceria com o cunhado Jorge Lucas), e em "Municipal Maravilhoso, 70 Anos de Glórias", de 1979 (parceria com Jorge Lucas e Edson Passos).

Sua carreira como cantor ganhou impulso a partir de 1972 com gravações de três compactos em parceria com Elza Soares pela Odeon. Satisfeita com o sucesso dos compactos, o selo lançou o LP "Elza Soares e Roberto Ribeiro". No ano seguinte, Roberto gravou um LP, "Simone et Roberto Ribeiro - Brasil Export 73 Agô Kelofé", junto com a Simone, lançado pela Odeon exclusivamente para o mercado externo.

Em 1975, a mesma gravadora lançou o compacto duplo "Sucessos 4 sambas", no qual Roberto Ribeiro interpretou "Leonel/Leonor" (de Wilson Moreira e Neizinho). Ainda neste ano, foi lançado o disco "Molejo", que despontou com os sucessos "Estrela de Madureira" (de Acyr Pimentel e Cardoso) e "Proposta amorosa" (de Monarco) e chamou a atenção da crítica. No ano seguinte, foi lançado "Arrasta Povo", LP que destacou mais dois grandes sucessos nas rádios de todo o Brasil: "Tempo É" (de Zé Luiz e Nelson Rufino) e "Acreditar" (de Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho). Gravou em 1977 o LP "Poeira Pura", onde se destacou "Liberdade" (de Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho).

Um ano depois, foi lançado o álbum "Todo Menino É Um Rei", que o colocou outra vez nas lista dos discos mais vendidos, puxado pelos sucessos da faixa-título (de Nelson Rufino e Zé Luiz), de "Amei demais" (de Flávio Moreira e Liette de Souza), de "Isso não são horas" (de Catoni, Chiquinho e Xangô da Mangueira) e de "Meu drama" (de Silas de Oliveira e J. Ilarindo) - esta incluída também na trilha sonora da novela "Pai Herói", da Rede Globo. Em 1979, foi a vez do lançamento do LP "Coisas da Vida", que teve entre as mais tocadas "Vazio" (de Nelson Rufino), também conhecida na época como "Está faltando uma coisa em mim", e "Partilha" (de Romildo e Sérgio Fonseca).

No início da década de 1980, Roberto gravou "Fala meu povo". Neste LP, de 1980, constavam algumas composições de sua autoria como "Vem" (parceria com Toninho Nascimento) e sucessos como "Só chora quem ama" (de Wilson Moreira e Nei Lopes) e "Quem lucrou fui eu" (Monarco). Em 1981, foi lançado "Massa, raça e emoção", com o sucesso "Santa Clara Clareou" (de Zé Baiano do Salgueiro).

Em 1983, foi lançado o disco "Roberto Ribeiro", com o sucesso "Algemas" (parceria com Toninho Nascimento). Em 1984, no seu LP "De Palmares ao tamborim", obteve êxito com "Lágrima Morena" (outra parceria sua com Toninho Nascimento). Naquele ano participou do disco "Partido alto nota 10", de Aniceto do Império, no qual interpretaram em dueto a faixa "Chega Devagar", de autoria de Aniceto do Império.


Em 1985, foi lançado o LP "Corrente de Aço", que contou com a participação de Chico Buarque de Hollanda na música "Quem te viu, quem te vê" (do próprio Chico) e de Nei Lopes, em "Malandros maneiros" (Nei Lopes e Zé Luiz). Em 1987, Roberto Ribeiro gravou o disco "Sorri pra Vida", obtendo sucesso com a faixa "Ingrata Paixão" (de Mauro Diniz, Adílson Victor e Ratinho) e, um ano depois, "Roberto Ribeiro", que contou com a participação especial de Alcione na faixa "Mel pra minha dor" (de Nelson Rufino e Avelino Borges) e do Grupo Raça, em "Malandro mais um" (de Ronaldinho e Carlos Moraes).

Passou a sofrer de um seriíssimo problema de vista e, em Janeiro de 1996, faleceu em virtude um atropelamento no bairro de Jacarepaguá, Rio de Janeiro. Perdeu um olho em razão de uma contaminação por fungo agravada pelo diabetes).

Um ano antes, em 1995, a EMI-Odeon lançou a coletânea "O Talento de Roberto Ribeiro", na qual compilou 22 sucessos de seus vários discos. Roberto participara ainda naquele ano do disco-homenagem "Clara Nunes com Vida", produzido por Paulo César Pinheiro, no qual interpretou (com sua voz acrescida posteriormente) um dueto com Clara Nunes, "Coisa da Antiga" (de Wilson Moreira e Nei Lopes).

Sua vida foi contada em livro de autoria de sua própria esposa, Liette de Souza Maciel, com o título "Dez anos de saudade" (Potiguar Editora).

Discografia:

Elza Soares e Roberto Ribeiro (1972)
Faixas:
01 - Swing negão / Brasil pandeiro / O samba agora vai / É com esse que eu vou (Elza Soares / Assis Valente / Pedro Caetano / Pedro Caetano) — intérpretes: Roberto Ribeiro e Elza Soares)
02 - Aurora de um sambista (Tôco) — intérprete: Roberto Ribeiro
03 - Domingos domingueira (Eduardo Marques) — intérprete: Elza Soares
04 - Cicatrizes (Miltinho e Paulo César Pinheiro) — intérprete: Roberto Ribeiro
05 - Isto é papel João? / Cocorocó / Decadência (Paulo Ruschell / Paulo da Portela / Cartola) — intérpretes: Roberto Ribeiro e Elza Soares
06 - Recordações de um batuqueiro (João Gomes e Xangô da Mangueira) — intérpretes: Roberto Ribeiro e Elza Soares
07 - O que vem de baixo não me atinge (Johnny Alf) — intérprete: Elza Soares
08 - Lenço cor de rosa (Eduardo Marques) — intérprete: Roberto Ribeiro
09 - Sacrifício (Mauricio Tapajós e Mauro Duarte) — intérprete: Elza Soares
10 - Coisa louca / A razão dá-se a quem tem / O que se leva desta vida (Ismael Silva / Francisco Alves, Ismael Silva e NoelRosa / Pedro Caetano) — intérpretes: Roberto Ribeiro e Elza Soares



Simone et Roberto Ribeiro avec João de Aquino (guitare) À Bruxelles - Brasil Export/73 (1973)
Faixas:
01 - Bamboleo (André Filho) Simone
02 - Voltei Pro Morro (Vicente Paiva / Luis Peixoto) Simone
03 - Lamento Negro (Constantino Silva "Secundino" / Humberto Porto) Simone
04 - Que Navio É Esse (Tradicional / Adpt. Simone)
Lavadeira do Taboão (Tradicional / Adpt. Simone)
Vai Lavar o Siri (Tradicional / Adpt. Simone) Simone
05 - Berimbau (Baden Powell / Vinicius de Moraes) João de Aquino e Roberto Ribeiro
06 - Manhã de Carnaval (Luis Bonfá / Antônio Maria) Roberto Ribeiro
07 - Não Tenho Lágrimas (Milton de Oliveira / Max Bulhões) Roberto Ribeiro
08 - De Uma Noite de Festa (Marcelo Melo / Fernando Filizola) Roberto Ribeiro e Simone



Arrasta Povo (1976)
Faixas:
01 - Tempo ê
02 - Acreditar
03 - O quitandeiro
04 - Samba do Irajá
05 - Podes rir
06 - Império bamba
07 - Glórias e graças da Bahia
08 - Lua aberta
09 - Rose
10 - Samba do sofá
11 - Meu pranto continua
12 - Moda-Ruê


Poeira Pura (1977)
Faixas:
01 - Liberdade
02 - Coité, Guia
03 - Um dia de rei
04 - Prece a Xangô
05 - Propágas
06 - Caro amor
07 - Engenho Novo
08 - Pernambuco, o Leão do Norte
09 - Amor de verdade
10 - Cabide de molambo
11 - Início de felicidade
12 - Poeira pura


Roberto Ribeiro (1978)
Faixas:
01 - Todo menino é um rei
02 - Favela
03 - Isso não são horas
04 - Meu drama
05 - Flor mulher
06 - Noite amiga
07 - Amei demais
08 - Um poema pra você (Fonte de inspiração)
09 - Rosas do mar
10 - Quero
11 - Ao povo em forma de arte
12 - Não sou feliz no amor



Roberto Ribeiro - Coisas da vida (1979)
Faixas:
01 - Vazio (Está faltando uma coisa em mim)
02 - Triste desventura
03 - Amor aventureiro
04 - Impetuosa
05 - Partilha
06 - Não sei
07 - Bate coração
08 - Dengo Só
09 - Coração contraído
10 - Inenuidade
11 - Pá-nela
12 - Coisas da vida



Roberto Ribeiro - Fala meu povo (1980)
Faixas:
01 - Resto de Esperança
02 - Jura
03 - O Patrão Pediu Serão
04 - Artifício
05 - Planta Imortal
06 - Ebó
07 - Vem
08 - Quem Lucrou Fui Eu
09 - Só Chora Quem Ama
10 - Quem Sabe Amanhã
11 - Gamação Danada
12 - Heróis da Liberdade



Roberto Ribeiro - Massa, raça e emoção (1981)
Faixas:
01 - Passagens
02 - Se eu soubesse vem depois
03 - Fala Brasil
04 - A paixão e a jura
05 - Calamidade
06 - Jongo do irmão café
07 - Santa Clara clareou
08 - Desperta gigante
09 - Passarela da vida
10 - Só mais esta vez
11 - Eu sou assim
12 - Conchas e estrelas


Roberto Ribeiro - Fantasias (1982)
Faixas:
01 - Fumo de rolo
02 - Tarde demais
03 - Inquilino
04 - Do universo nunca mais
05 - Cinzas da solidão
06 - Muita coisa para um só coração
07 - Fantasias
08 - Cantos da vida
09 - Correntes
10 - Nega rainha
11 - Cartas marcadas
12 - Viola da serrinha


Roberto Ribeiro (1983)
Faixas:
01 - O ganzá do seu Leitão
02 - Algemas
03 - Amar como eu te amei
04 - Preceitos do amor
05 - Tia Eulália na xiba
06 - Dor de amor
07 - Feiras e mafuás
08 - Quando o sol raiar
09 - Última chance
10 - Tristeza postiça
11 - Irmã da alegria
12 - Nordeste, seu povo, seu canto e sua glória


Roberto Ribeiro - De Palmares ao tamborim (1984)
Faixas:
01 - De Palmares ao tamborim
02 - Braços abertos
03 - Lágrima morena
04 - Raiz e flor
05 - Divina aurora
06 - Ciganinha
07 - Maculelê do tamanduá
08 - Maior que o mar
09 - Nego benguela
10 - Eu, avenida e você
11 - Aventura
12 - Ainda que tarde


Roberto Ribeiro - Corrente de aço (1985)
Faixas:
01 – Malandros maneiros
02 – Divina invenção
03 – Adeus timidez
04 – Miçanga
05 – Perdão amor
06 – Amor, amor, amor
07 – Quem te viu, quem te vê
08 – Pedra falsa
09 – Corrente de aço
10 – Chafariz
11 – Côco sacudido
12 – Levante


Roberto Ribeir0 - Sorri pra vida (1987)

Faixas:
01 – Sorri pra vida
02 – Desbandeira
03 – Onde não existe flor
04 – Festa de Reis
05 – Ingrata Paixão
06 – Ginga Angola
07 – Dom de fingir
08 – Serra, serrinha, serrano
09 – Olodum
10 – Cada problema uma solução
11 – Fique
12 – Do mesmo chão


Roberto Ribeiro - Devaneios e tramas (1988)
Faixas:
01 – Devaneios e tramas
02 – Coisas do destino
03 – Razão e emoção
04 – Não vai não
05 – Malandro mais um
06 – Roda de samba
07 – Mel pra minha dor
08 – Álbum de familia
09 – Tempo pra pensar
10 – Céu de pudor, mas de paixão
11 – Desapego
12 – Espalhando fé


Roberto Ribeiro - Brasil Samba (1992)
Faixas:
01 – Meu drama, acredita; todo menino é um rei; vazio
02 – Conto de areia, o mar serenou
03 – Leva meu samba; minha festa
04 – Mulata assanhada; é luxo só
05 – Viva meu samba; Brasil pandeiro; a voz do morro
06 – Ai que saudade da amelia; emilia
07 – Falsa baiana; escurinho
08 – Filosofia; O orvalho vem caindo
09 – Vem chegando a madrugada; O sol nascera; 1800 colinas
10 – Filosofia do samba; foi um rio que passou em minha vida
11 – Samba da minha terra; Yá Yá do cais dourado
12 – Brasil berço de imigrantes; alo alo taí carmem miranda


Roberto Ribeiro - A música brasileira deste século por seus autores e intérpretes (2002)

Faixas:
01 -Vazio (Está Faltando Uma Coisa Em Mim)
02 - Boi
03 - Canção de amor
04 - Sozinha
05 - Bom dia tristeza
06 - Amor de verdade
07 - Triste destino
08 - Pot-Pourri:
Nordeste, seu povo seu canto, sua glória
Alô... alô... tai Carmen Miranda
09 - Todo menino é um rei
10 - Meu irmão café
11 - Acreditar
12 - Liberdade
13 - Pot-Pourri:
Me deixe em paz
Atire a primeira pedra
14 - Preconceito
15 - Meu drama
16 - Amor aventureiro
17 - Heróis da liberdade


Roberto Ribeiro - Duetos (2006)

Faixas:
01 - Malandros Maneiros (Part Especial: Nei Lopes)
02 - Mel Pra Minha Dor (Part Especial: Alcione)
03 - Coisa Louca/A Razao Da-se A Quem Tem/ O Que Se Leva Dessa Vida (Part. Especial: Elza Soares)
04 - Artificio (Part. Especial: Clara Nunes)
05 - Malandro + 1 (Part. Especial: Grupo Raça)
06 - Me Engana Que Eu Gosto (Part.Especial: Marquinho Santana)
07 - Recomecar (Part.Especial Neguinho Da Beija-Flor)
08 - Desesperar, Jamais (Part Especial: Ivan Lins)
09 - Quem Te Viu, Quem Te Ve/ Musica Incidental: A Banda (Part Especial: Chico Buarque)
10 - De Uma Noite De Festa (Part. Especial: Simone)
11 - Coisa Da Antiga (Part Especial: Clara Nunes)
12 - Cocorocó (Part Especial: Clementina De Jesus)

28 DE AGOSTO - 01 ANO SEM BOB NELSON

Nelson Pérez, ou simplesmente Bob Nelson foi um cantor e compositor nascido em Campinas (SP), em 12.10.1918, sendo o 6º dos oito filhos de José Pérez, espanhol, ferroviário da Mogiana e dono do Hotel Dalva, e de D. Floresmina. Fez o grupo escolar que funcionava em anexo à Escola Normal e formou-se contador na Escola de Comércio São Luiz. Em sua família só ele teria pendores artísticos.
Com 11 anos já trabalhava no comércio. Depois entrou na Mogiana, apenas para atender ao desejo do pai, foi contador da Armour e caixeiro-viajante. Iniciou-se como crooner da Orquestra Julinho e cantor-solista do Grupo Cacique, que apresentava na Rádio Educadora de campinas (PRC-9), nas pegadas do Bando da Lua e dos Anjos do Inferno, e era formado, além dele, por Paulinho Nogueira e seu irmão Celso, Armando do Couto, primo dos dois e médico, Aimoré dos Santos Matos, oficial, e pelo professor Enéas.
Quando Carmen Miranda se apresentou em Campinas, em 1939, lá estavam eles acompanhando a Pequena Notável. Uma noite, depois de assistir ao filme Idílio Nos Alpes, no Cine Rink, na rua Barão de Jaguara, por brincadeira, começou a se comunicar com um amigo à maneira das montanhas do Tirol, como o cowboy-cantor Gene Autry, com menos perfeição, já vinha fazendo. Aquilo fez vibrar as mocinhas que passavam.
Durante a semana, para viver percorria a Central do Brasil como vendedor das meias Ethel, que ninguém comprava devido ao preço. Uma noite, em Taubaté, cantou no serviço de alto-falante uma adaptação que tinha feito de Ó Suzana. Agradou demais e foi estimulado a ir à Hora da Peneira Rodine, na Rádio Cultura de São Paulo. Vai com o amigo Paulo, que fica com o 2º lugar, com Lábios que beijei, e ele, com Ó Suzana, com o 1º, repartindo entre si, conforme o combinado, os prêmios, 100 e 50 cruzeiros respectivamente, ou seja, 75 para cada um. Aí resolve ficar por São Paulo, tornando-se um "calouro profissional".
Quando canta, sempre Ó Suzana, no programa Calouros do Chá Ribeira, na Rádio Tupi, o diretor Dermival Costalima o contrata a 300 cruzeiros por mês. Numa reunião de diretores, fica decidido que Nelson Pérez positivamente não era nome de cowboy. Um diretor, folheando uma revista de cinema, dá com o nome de Robert (Bob) Taylor, grande galã da época. Costalima tem o estalo: "Bob Nelson!". Nessa ocasião, Assis Chateaubriand, todo-poderoso dono das Associadas, estava empenhando em homenagear, na Tupi, o oficial-comandante americano do Atlântico Sul. Teve uma de suas idéias: "Rapaz, pegue este dinheiro, vá à loja Sloper e compre uma roupa completa de cowboy. E cante Suzana, pois o homem é do Texas!" "- O americano gostou tanto que subiu no palco para abraçar. Ele era muito alto. Abracei ele no joelho!"
Com um repertório ampliado, nesse mesmo ano de 1943, vai atuar no Cassino Ahú, de Curitiba, a 300 cruzeiros por noite. A seguir faz todo o circuito das bases militares, até Natal e Fernando de Noronha. Na volta, Ziembinski o convida para ir ao Rio de Janeiro, onde atua na Rádio Tupi e no Cassino Atlântico, a 500 cruzeiros por noite, com mais sucesso até que Gregorio Barrios e Libertad Lamarque. Como a Tupi ficasse em atraso de pagamento por quatro meses, tenta leiloar nos corredores, com colegas, seus vales e é expulso pelo diretor. Assis Chateaubriand, que o chamava de "cowboy sem cavalo", chega pouco depois e dá-lhe razão: "Atrasou, não pagou, faz leilão dessa porcaria!"
Haroldo Barbosa sem demora o recomenda a Victor Costa, diretor da Nacional. Mesmo já sabendo de seu sucesso, quer testá-lo num programa de auditório. Não deu outra: contrato imediato. Daí em diante o Vaqueiro Alegre, seu slogan, faz-se astro do disco e da Rádio Nacional, emendando um sucesso após outro como Boi Barnabé (com Afonso Simão), Eu tiro o leite (com Sebastião Lima), Minha linda Salomé (Denis Brean e Vitor Simon), Te agüenta, Mané (com Almeida Rego) e Catulé (com Murilo Latini), e sua adaptação de Ó Suzana, gravada na Victor e depois lançada nos EUA.
O Brasil também o conhece através do cinema: Este Mundo É Um Pandeiro (1946), Segura Essa Mulher (1946), É Com Este Que Eu Vou (1948), no qual canta Como É Burro O meu Cavalo! , e Estou Ai? (1949).
Muito depois, em 1970, faria papel de padre em Vale do Canaã, sob a direção de Jece Valadão. Casa-se com Antonietta Leal Perez, em 1950, e têm dois filhos, Nelson Roberto e Eduardo José, e dois netos, Luciana Antonela e Victor Eduardo. Deixando de cantar, continua na Rádio Nacional, como secretário do departamento jurídico e diretor do departamento de gravações.
Na Nacional aposenta-se em 1976, depois de 26 anos ininterruptos de trabalho na estação. Jamais pararia, contudo, de trabalhar. É representante de produtos ópticos, percorrendo todo o Brasil para promover as vendas, e sempre disposto a se apresentar artisticamente, com a mesma disposição e a mesma capacidade de conquistar qualquer platéia.



Roberto Carlos era fã do “Vaqueiro Alegre”. Quando criança, o rei gostava de colar o ouvido nos radinhos sintonizados na Rádio Nacional e ouvir as “canções de caubói” de Bob Nelson. O cantor, cujo nome verdadeiro era Nelson Roberto Perez, nasceu na cidade de Campinas (SP) em 12 de outubro de 1918. Reza a lenda que, quando Carmen Miranda se apresentou em Campinas no ano de 1939, ele a acompanhou no show. Na época, já cantava no “Grupo Cacique”.

Inspirado pelo filme “Idílio nos Alpes”, começou a arranhar o ritmo tirolês (também conhecido como “yodel”) no início dos anos 1940. Em 1943, Bob Nelson faz uma adaptação para o português de uma tradicional canção norte-americana. Música premiada na rádio Cultura, “Oh,Suzana” torna-se um de seus maiores sucessos. A música também catapultou Bob Nelson para um evento histórico.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o dono dos Diários Associados, Assis Chateaubriand, resolveu homenagear o comandante norte-americano General Douglas MacArthur. Não teve dúvidas: mandou chamar Bob Nelson e sua “Oh, Suzana”. A homenagem funcionou: Douglas MacArthur era natural do Arkansas e adorou a versão brasileira de uma música sobre a Guerra da Secessão nos Estados Unidos. Ao final da apresentação, o general subiu ao palco e abraçou o cantor. Também foi Chatô quem deu o dinheiro para que Bob Nelson comprasse a sua primeira fantasia de caubói, com direito a chapéu e revólver no coldre.

Em 1944, Bob Nelson gravou seu primeiro disco com “Oh, Suzana” e “Vaqueiro Alegre”. Ao longo da década de 1940, apresentou-se em diversos programas de rádio e gravou músicas usando o nome artístico “Bob Nelson e seus Rancheiros”. Foi mais ou menos nessa época que ele se tornou o ídolo das estrelas da Jovem Guarda, Roberto e Erasmo Carlos.

A dupla gravou até mesmo uma música em homenagem ao caubói brasileiro: “A Lenda de Bob Nelson”, lançada em 1974. Um dos primeiros artistas a misturar a música sertaneja do interior com o country norte-americano, Bob Nelson ainda arranjava tempo para desfilar no Carnaval, sempre pela escola de samba Império Serrano. Foi no Rio de Janeiro que ele morreu, há exatamente 01 ano, no dia 28 de agosto de 2009, aos 91 anos.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

VESTIDIM (DANIELLA ALCARPE)

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

EXCLUSIVIDADE DA MUSICARIA

Família Caymmi - Uma visita ao repertório do Djavan (2010)

Faixas:
01 - Dupla Traição (Nana Caymmi)
02 - Dejame Ir (Vida Real) (Danilo Caymmi)
03 - Meu Bem Querer (Nana Caymmi)
04 - Faltando Um Pedaço (Dori Caymmi)
05 - Nuvem Negra (Nana Caymmi)
06 - Tanta Saudade (Danilo Caymmi)
07 - Sorrir (Smile) (Nana Caymmi)
08 - Alegre Menina (Dori Caymmi)
09 - De Volta Pro Meu Aconchego - Faltando Um Pedaço (Nana Caymmi)
10 - Flor De Lis (Danilo Caymmy)
11 - Dejame Ir (Nana Caymmi)
12 - Dupla Traição (Nana Caymmi)

sábado, 14 de agosto de 2010

AS PRIMEIRAS GRAVAÇÕES DE GIL CHEGAM EM CD DUPLO

No início de 1966, procurando se estabelecer como compositor em São Paulo (SP), Gilberto Gil gravou uma fita demo de voz e violão na editora musical Arlequim com 18 músicas, algumas compostas ainda na Bahia. O registro seminal desse repertório - que inclui músicas até hoje inéditas como o sambossa A Última Coisa Bonita (1963), Retirante (1964) e o samba Me Diga, Moço (1964) - chega pela primeira vez ao disco no álbum duplo Retirante, idealizado por Marcelo Fróes - sob a supervisão de Gilberto Gil - e editado neste mês de agosto de 2010 pelo selo Discobertas. Retirante reúne em dois CDs 31 gravações feitas por Gil entre 1962 e 1966 antes de sua explosão nacional com o LP Louvação, editado em 1967 no rastro da semente tropicalista que já começava a se espalhar pelo mundo da música naquele ano. Além da fita demo da Arlequim, a compilação reapresenta as oito gravações feitas por Gil em Salvador (BA), entre 1962 e 1963, na gravadora JS Discos. Embora tenham alto valor documental, estas oito gravações já foram disponibilizadas em CD em 2002 na coletânea Salvador, 1962 - 1963, incluída na caixa Palco e posteriormente editada de forma avulsa. Para quem desconhece tais registros, Gil debutou em disco como cantor num 78 rotações por minuto de 1962 que trazia dois temas de Everaldo Guedes. Povo Petroleiro é hilário jingle da Petrobrás, empresa da qual Guedes era funcionário. No labo B, havia a marchinha Coça, Coça, Lacerdinha. Na sequência, já em 1963, a JS Discos editou compacto duplo do cantor, Gilberto Gil, sua Música, sua Interpretação - cuja capa (vista acima) foi reaproveitada em Retirante. Compõe este naipe de músicas autorais Serenata do Teleco-Teco (tentativa curiosa de juntar o balanço do samba ao universo da seresta), a sofrida Maria Tristeza, o samba sincopado Vontade de Amar e a seresteira Meu Luar, Minhas Canções. No encarte de 16 coloridas páginas, Marcelo Fróes reconstitui os primeiros passos de Gilberto Gil na música, todos repisados nesta coletânea dupla que reconta a pré-história fonográfica do artista.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

CHICO XAVIER PSICOGRAFOU TEXTO DE CLARA NUNES

Esse mês de agosto sempre é lembrado por aqueles que adoravam a nossa saudosa e estimada Clara Francisca Gonçalves Pinheiro, ou simplesmente Clara Nunes. 12 de agosto, se estivesse viva, Clara estaria completando 67 anos de vida, pena que em 1983 o destino preferiu que ela brilhasse em outros palcos aos 39 anos.

Durante algumas pesquisas para poder lembrar a data de maneira menos convencional, encontrei um texto psicografado por ela pouco tempo após a sua passagem e gostaria de compartilhar com todos, até porque o nome daquele que psicografou também está em plena evidência pela passagem do seu centenário.

Com a permissão da Sra. Maria Gonçalves da Silva, carinhosamente conhecida em Caetanópolis como Mariquita, irmã de Clara Nunes, estamos apresentando uma mensagem desta cantora extraordinária que encantou a todos nós.

Pelas mãos caridosas de Francisco Cândido Xavier, a nossa conterrânea rompeu o silêncio do túmulo e veio consolar os seus entes queridos narrando, com detalhes, os seus últimos momentos na Terra, assim como a sua chegada ao plano espiritual e, ainda, os seus planos para o futuro.

Clara Nunes, devido às suas músicas com base no afro-brasileiro, era uma sensível mística e a Umbanda enchia-lhe a alma, porém, alcançou Kardec, através de suas obras, bem como as psicografadas por Francisco Cândido Xavier, sendo que a leitura dos livros de André Luiz lhe emocionava que chegava às lágrimas. O seu preparo espiritual foi tão expressivo que um ano e cinco meses depois de seu desencarne brindou os seus familiares com uma mensagem de pleno equilíbrio. Dois meses antes, já havia dado uma mensagem, também muito importante, através do médium Celso de Almeida Afonso de Uberaba.

Passemos à apreciação da página que, certamente, nos enriquecerá mais espiritualmente, agradecendo aos familiares de Clara por esta dádiva:


Querida Maria, Eu pressentia que o encontro, através de notícias seria primeiramente com você. Somente você teria suficiente disposição para viajar de Caetanópolis até aqui, no objetivo de atingir o nosso intercâmbio. Descrever-lhe o que se passou comigo é impossível agora. Aquela anestesia suave que me fazia sorrir se transformou numa outra espécie de repouso que me fazia dormir. Sonhava com vocês todos e me via de regresso à infância. Cantava. Era uma alegria que me situava num mundo fantástico. Melodias e cores, lembranças e vozes se mesclavam e eu me perdia naquele êxtase desconhecido. Não cuidava de mim. Lembrava-me dos que ficavam, mas ainda não sabia se a mudança seria definitiva. Conte ao nosso querido Paulo a minha experiência. Tantos dias no descanso, ignorando o que vinha a ser tudo aquilo que se me apresentava à imaginação, por fantasia que desconhecia como deslindar. Peço a você solicitar ao Paulo me perdoe se lhes transmito as presentes notícias com a fidelidade possível. Acordei num barco engalanado de flores, seguida de outras embarcações nas quais muitos irmãos entoavam hinos que me eram estranhos, hinos em que o amor por Iemanjá era a tônica de todas as palavras. Os amigos que me seguiam falavam de libertação e vitória. Muito pouco a pouco, me conscientizei e passei, da euforia ao pranto de saudade porque a memória despertara para a vida, na retaguarda e o nosso Paulo se fazia o centro de minhas recordações. Queria-o ali naquela abordagem maravilhosa, pois os barcos se abeiravam de certa praia encantadoramente enfeitada de verde nas plantas bravas que a guarneciam. Quando o barco que me conduzia ancorou suavemente, uma entidade de grande porte se dirigiu a mim com paternal bondade e me convidou a pisar na terra firme. Ali estavam o meu pai Manoel e a nossa mãezinha Amélia. Os abraços que nos assinalavam as lágrimas de alegria pareciam sem fim. Era muita saudade acumulada no coração. Ali, passei ao convívio de meus pais e os meus guardiões retornavam ao mar alto. Retomei a nossa vida natural e em companhia de meu pai Manoel pude rever você e os irmãos todos, comovendo-me ao abraçar a nossa Valdemira que me pareceu um anjo preso ao corpo. Querida irmã não disponho das palavras exatas que me correspondam as emoções. Peço a você reconfortar o nosso Paulo e dizer-lhe que não perdi o sonho de meu filhinho que nascesse na Terra de nossa união e de nosso amor. O futuro é luz de Deus. Quem sabe virá pára nós uma vida renovada e diferente, na qual possamos realmente pertencer-nos para as mais lindas realizações? Você diga ao meu poeta e meu beletrista querido que estou contente por vê-lo fortalecido e resistente, exceção feita aos copinhos que ele conhece e que estou vendo agora um tanto aumentados. Desejo que ele saiba que o meu amor pelo esposo e noivo permanente que ele continua sendo para mim está brilhando em meu coração, em meu coração que continua cantando fora do outro coração que me prendia. A cigarra, por vezes, canta com tanta persistência em louvor de Deus e da Natureza que se perde nas cordas que lhe coordenam a cantiga, caindo ao chão desencantada. O meu coração da vida física não suportou a extensão das melodias que me faziam viver e, uma simples renovação para tratamento justo, me fez repousar nas maravilhas diferentes a que fui conduzida. Espero que o nosso Paulo consiga ouvir-me nestas letras. Agradeço a ele as atitudes dignas com que me acompanhou até o fim do corpo, tanto quanto agradeço a você e as nossas irmãs e irmãos o respeito com que me honraram a memória abstendo-se de reclamações indébitas junto aos médicos humanitários que se dispuseram a servir-nos. Querida irmã continuem com o nosso grupo em Caetanópolis o irmão José Viana e o Dr. Borges estão conquistando valiosas experiências. Muitas saudades e lembranças a todos os nossos e pra você um beijo fraternal com as muitas saudades de sua, Clara.

(Mensagem psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier em reunião pública do Grupo Espírita da Prece em 15-9-1984, Uberaba – MG)

EIS OS CONTEMPLADOS EM 2010 COM O 21º PRÊMIO DE MÚSICA

Não houve um grande vencedor na 21ª edição do Prêmio da Música Brasileira. Apesar das já previsíveis vitórias de Maria Bethânia na categoria MPB (Melhor Cantora e Melhor Disco, por Encanteria), nenhum dos 105 indicados reinou soberano na festa-show que lotou o Theatro Municipal do Rio de Janeiro (RJ) na noite de quarta-feira, 11 de agosto de 2010. A única soberania coube à rainha do samba, Ivone Lara, a homenageada da noite. Eis a lista dos contemplados com o 21º Prêmio da Música Brasileira:

Pop / Rock / Reggae / Hip Hop /Funk
Grupo: Paralamas do Sucesso
Disco: Rock'n'Roll (Erasmo Carlos)
Cantor: Caetano Veloso
Cantora: Zélia Duncan

Projeto Especial: Dolores Duran - Entre Amigos

Disco Eletrônico: Ultrasom, de Siri

Disco Erudito: Debussy (Nelson Freire)

Disco Infantil: Adriana Partimpim 2

Disco em Língua Estrangeira: Tributo a Ella Fitzgerald (Jane Duboc e Victor Biglione)

DVD: Luz Negra (Fernanda Takai)

Concurso Vale Cantar
Externo: Tony Daniel (Acreditar)
Interno: Cleyton Melo da Silva (Alguém me Avisou)

Instrumental
Grupo: Letieres Leite e Orkestra Rumpilezz
Disco: Luz da Aurora (Yamandú Costa e Hamilton de Hollanda)
Solista: Yamandú Costa

Canção Popular
Grupo: Trilogia
Dupla: Zezé Di Camargo & Luciano
Disco: O Coração do Homem-Bomba ao Vivo Mesmo (Zeca Baleiro)
Cantor: Cauby Peixoto
Cantora:
Rita Ribeiro

Projeto Visual: Ocimar Versolato por Beijo Bandido (Ney Matogrosso)

Arranjador: Mario Adnet (AfroSambaJazz - A Música de Baden Powell)

Regional
Grupo: Orquestra Frevo Diabo
Dupla: Chitãozinho & Xororó
Disco: Alma Cabocla (Ana Salvagni)
Cantor: Targino Gondin
Cantora: Elba Ramalho

Voto Popular
Cantor: Juraildes da Cruz
Cantora: Daniela Mercury

Revelação: Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz

Canção: Feita na Bahia (Roque Ferreira)

Samba
Grupo: Casuarina
Disco: Tantinho canta Padeirinho da Mangueira
Cantor: Tantinho
Cantora: Alcione

MPB
Grupo: 4Cabeça
Disco: Encanteria (Maria Bethânia)
Cantor: Ney MatogrossoCantora: Maria Bethânia

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

NELSON RUFINO, O REQUINTADO SAMBA DA BAHIA

Ele tentou fazer carreira como jogador, mas a saudade da mãe lhe rendeu sua primeira composição “Bahia/ meu primeiro travesseiro”. E o futebol logo foi substituído pelo samba.

Nomes como Ederaldo Gentil, Edil Pacheco, Batatinha e Valmir Lima, que na década de 60 movimentaram o cenário do samba baiano exerceram grande influência na carreira de Nelson Rufino.

Em 1992 lançou seu primeiro vinil. Em 2000 veio o CD “A verdade de Nelson Rufino”, e em 2003 o disco “Cadê meu amor?”. Depois de quase 50 anos de carreira, ou melhor, de samba como ele mesmo define, Nelson lança seu mais novo trabalho, o CD “Tempo e vida”. A música carro chefe que intitula o disco, composta pelo sambista é inspirada na sua própria trajetória.

O baiano Nelson Rufino faz parte de uma pequena galeria de conterrâneos que de sua terra conseguiu influir no caldeirão do samba gerido a partir do eixo carioca. Ao lado de Ederaldo Gentil, Edil Pacheco, Tião Motorista e Batatinha, ele ultrapassou a barreira da latitude (e do preconceito) e foi gravado por Roberto Ribeiro (Todo Menino É um Rei, Tempo Ê), Nara Leão (Nonô), Zeca Pagodinho (Verdade), Alcione (Aruandê), além de Elza Soares, Maria Bethânia, Martinho da Vila e Neguinho da Beija Flor, entre outros.

Oriundo da Escola de Samba Filhos do Tororó, em 1965, compôs seu primeiro samba enredo "Portais da Bahia", com o qual a escola foi campeã.

Sua primeira música gravada foi "Alerta mocidade", por Eliana Pittman, em 1970. Um ano depois, ganhou o primeiro festival de samba do Bloco Apaches do Tororó, com o samba "Blusão do ano passado".

Em 1975, Alcione no LP "A voz do samba", gravou de sua autoria "Aruandê" (c/ Edil Pacheco). Ainda neste ano, Ederaldo Gentil no LP "Samba, canto livre de um povo", incluiu "Rose", parceria de ambos. No ano seguinte Roberto Ribeiro gravou com grande sucesso "Tempo É" (c/ Zé Luiz) e regravou "Rose". Neste mesmo ano, no LP "Pequenino", Edraldo Gentil regravou "Rose".

Roberto Ribeiro, em 1977, gravou "Prece a Xangô" (c/ Zé Luiz), em seu LP "Poeira pura". Neste mesmo ano, Edil Pacheco interpretou no LP "Pedras afiadas", pela gravadora Polydor, "Pranto natural", parceria de ambos.

Em 1978, a música "Todo menino é um rei", em parceria com Zé Luiz, obteve sucesso na voz de Roberto Ribeiro que, em 1981, gravou ainda "Passagem", no LP "Massa, raça e emoção". Em 1984 o mesmo cantor interpretou de sua autoria "Ciganinha" no disco "De Palmares ao tamborim".

Em 1987 Roberto Ribeiro, um de seus principais intérpretes, gravou "Fique". Neste mesmo ano, no LP "Meu sorriso", de Neguinho da Beija-Flor interpretou "Nada mais" (Nelson Rufino e Orlando Rangel).

Em 1988, Elza Soares gravou "Doce acalanto" (Nelson Rufino e Noca da Portela), em seu disco "Voltei" e Zeca Pagodinho interpretou no LP "Jeito Moleque", uma composição de ambos, "Se tivesse dó". Ainda neste ano Roberto Ribeiro interpretou de sua autoria "Devaneios e tramas" (c/ Roberto Ribeiro e Toninho Nascimento). No ano seguinte, Roberto Ribeiro gravou "Mel pra minha dor" (c/ Avelino Borges).

Em 1992, fez uma participação especial na faixa "Chora viola" (c/ Pery da Bahia), no disco "Mar de esperança", de Dominguinhos do Estácio, lançado pela gravadora RGE. Dois anos depois, o Grupo Batacotô regravou em seu segundo disco "Semba dos ancestrais" a música "Nas águas de Amaralina" (c/ Martinho da Vila). No ano seguinte, o Grupo Fundo de Quintal, no CD "Palco iluminado", interpretou de sua autoria "Por todos os santos", em parceria com Carlinhos Santana.

No ano de 1996 Zeca Pagodinho interpretou "Verdade" (c/ Carlinhos Santana) em seu disco "Deixa clarear", música muito executada nas emissoras de rádio e televisão de todo o país.

Em 1997, Martinho da Vila regravou "Nas águas de Amaralina", parceria de ambos. No ano seguinte, participou do CD "Diplomacia", de Batatinha. Neste disco, lançado pela EMI, interpretou ao lado de Batatinha, Edil Pacheco, Valmir Lima e Riachão, a faixa "De revólver não".

Jorge Aragão, em seu CD "Ao vivo", de 1999, gravou uma parceria de ambos, "Colcha de algodão". Neste mesmo ano, no disco "Pérolas finas", em homenagem a Ederaldo Gentil, foi incluída "Rose", parceria com Ederaldo Gentil. No disco "Departamento do pagode", de Luizinho SP, lançado pela gravadora Velas, foi incluída de sua autoria "A mulher que eu gostei", em parceria com Marquinhos Satã.

No ano 2000, gravou um disco com vários sucessos seus e algumas músicas inéditas. Neste CD, contou com várias participações especiais, fazendo duetos com artistas como Alcione, em "Até a próxima estação"; Zeca Pagodinho, em "Marejou"; Jorge Aragão, em "Inusitada"; Grupo Katinguelê, em "Mel pra minha dor"; Martinho da Vila, em "Passagens"; João Nogueira, em "Todo menino é um rei" e "Dono da dor"; Emílio Santiago, em "Vazio" e Joanna, em "Crença da ilusão". Ainda neste mesmo ano, a faixa "Verdade", produzida inicialmente por Rildo Hora para o disco "Casa de samba volume 3", da gravadora Universal, interpretada por Gil (da Banda Beijo) e Caetano Veloso, foi incluída no disco de Nélson Rufino e também no disco da Banda Beijo.

Em 2001, o grupo Da Melhor Qualidade interpretou de sua autoria "Mentira".

Suas músicas foram gravadas por Martinho da Vila, Toque de Prima, Nara Leão, Paul Mauriat e Roberto Ribeiro, seu principal intérprete.

No ano de 2002, no disco "Quando o samba é samba" (Abril Music) do grupo Da Melhor Qualidade, foi incluída uma composição de sua autoria: "Gota de esperança". Ainda neste mesmo ano de 2002, Marquinho Santanna (ex- Marquinhos Sathã) regravou "Mel pra minha dor" (c/ Avelino Borges) no CD "Nosso Show".

No ano de 2004 lançou o CD "Cadê meu amor" no qual incluiu "Deus manda" (c/ Jorge Aragão), "Orgasmo" (c/ Liete de Souza) e "Luandê" de Ederaldo Gentil e Capinam.

No ano de 2005, no CD "À vera", Zeca Pagodinho interpretou de sua autoria "Cadê meu amor".

Em 2009 lançou o cd intitulado "Nelson Rufino – Tempo e Vida", onde esse novo disco além de contar com composições próprias e músicas de antigos parceiros será base para um projeto futuro na carreira do sambista. Um DVD. Além de ser um sonho realizado na vida e na carreira de Nelson Rufino.


Nelson Rufino Tempo e vida(2009)

Faixas:
01 - Tempo e vida
02 - Sublime tentação
03 - Ketu Angola
04 - Amor de matar
05 - Chuva Santa
06 - Inusitado
07 - Nas águas de Amaralina
08 - Meu pranto
09 - Oké odé
10 - Marejou
11 - Não rolou mas vai rolar
12 - Amado Jorge Amado

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

MPB - MUSICA EM PRETO E BRANCO

MARINA LIMA

CURIOSIDADES DA MPB

Internacionalmente, Nelson Ned foi o primeiro artista da América Latina a vender um milhão de discos nos Estados Unidos com o sucesso "Happy Birthday My Darling" (Feliz aniversário meu amor) em 1974.

domingo, 8 de agosto de 2010

DICAS DA MUSICARIA

Através deste CD com 21 faixas originais e inesquecíveis, a Revivendo reverencia o eterno vaqueiro alegre, o nosso ´Cowboy´ - Bob Nelson - que mandava bala com sambas, marchas, xotes, valsas e não dispensava o carnaval. Com estilo único, não havendo ninguém que conseguisse superar suas modulações tirolesas. Destaque para as faixas: Oh! Suzana, Meu Cavalo Pangaré e Vaqueiro Alegre.

BOB NELSON - Vaqueiro Alegre (1996)
Faixas:
01 - Ó SUZANA! - (Stephen Foster - Bob Nelson)
02 - MEU CAVALO - (Arlindo Marques Júnior - Roberto Roberti)
03 - EU TIRO O LEITE - (Bob Nelson - Sebastião Lima)
04 - BURRO TEIMOSO - (Antônio Almeida)
05 - SAUDADE DO POVOADO - (Irmãos Orlando - Bob Nelson)
06 - SANTA FÉ - (José Cunha - Nelson Teixeira)
07 - OKEY JOHNNY - (Vito Bonny - Oswaldo França - Carlos Armando)
08 - CRI-CRI - (Klécis Caldas - Armando Cavalcanti - David Nasser)
09 - VAQUEIRO DO OESTE - (Stephen Foster - Bob Nelson)
10 - UM SAMBA NA SUÍÇA - (Janet de Almeida - Haroldo Barbosa)
11 - ÍNDIO DE PALETÓ - (Mary Monteiro - Pedro Reis)
12 - A VALSA DO VAQUEIRO - (Victor Simon)
13 - NÃO SOU DE BRIGA - (Santos Rodrigues - B. Toledo)
14 - CALIFÓRNIA EM FESTA - (Nelson Teixeira Santos Rodrigues)
15 - ALÔ XERIFE - (Pedro Paraguassu - José Batista)
16 - MINHA LINDA SALOMÉ - (Dênis Brean - Victor Simon)
17 - O BOI BARNABÉ - (Bob Nelson - Victor Simon)
18 - VAQUEIRO NO SAMBA - (Irany de Oliveira - Rosalino Senos)
19 - VAQUEIRO APAIXONADA - (Waldemar de Abreu "Dunga")
20 - UM VAQUEIRO NA CIDADE - (Peterpan - Ary Monteiro)
21 - VAQUEIRO ALEGRE - (Bem Kanter - Bb Nelson - Victor Simon)

sábado, 7 de agosto de 2010

PROGRAMA ZOOMBIDO COM DUDU FALCÃO





sexta-feira, 6 de agosto de 2010

100 ANOS DE ADONIRAN BARBOSA

Adoniran Barbosa, nome artístico de João Rubinato, foi sem dúvida alguma um dos maiores divulgadores da cidade de São Paulo através de suas composições e interpretações. Rubinato representava em programas de rádio diversos personagens, entre os quais, Adoniran Barbosa, o qual acabou por se confundir com seu criador dada a sua popularidade frente aos demais.

Rubinato era filho de Ferdinando e Emma Rubinato, imigrantes italianos da localidade de Cavárzere, província de Veneza. Aos dez anos de idade, sua certidão de nascimento foi adulterada para que o ano de nascimento constasse como 1910 possibilitando que ele trabalhasse de forma legalizada: à época a idade mínima para poder trabalhar era de doze anos.

Abandona a escola cedo, pois não gosta de estudar. Necessita trabalhar, para ajudar a família numerosa - Adoniran tem sete irmãos. Procurando resolver seus problemas financeiros, os Rubinato vivem mudando de cidade. Moram primeiro em Valinhos, depois Jundiaí, Santo André e finalmente São Paulo.

Em Jundiaí, conhece seu primeiro ofício: entregador de marmitas. Aos quatorze anos, ainda criança, o encontramos rodando pelas ruas da cidade e, legitimamente, surrupiando alguns bolinhos pelo caminho. "A matemática da vida lhe dá o que a escola deixou de ensinar: uma lógica irrefutável. Se havia fome e, na marmita, oito bolinhos, dois lhe saciariam a fome e seis a dos clientes; se quatro, um a três; se dois, um a um".


O compositor e cantor tem um longo aprendizado, num arco que vai do marmiteiro às frustrações causadas pela rejeição de seu talento. Quer ser artista – escolhe a carreira de ator. Procura de várias maneiras fazer seu sonho acontecer. Tenta, antes do advento do rádio, o palco, mas é sempre rejeitado. Sem padrinhos e sem instrução adequada, o ingresso, nos teatros, como ator, lhe é para sempre abortado. O samba, no início da carreira, tem para ele caráter acidental. Escolado pela vida, sabia que o estrelato e o bom sucesso econômico só seriam alcançados na veiculação de seu nome na caixa de ressonância popular que era o rádio.

O magistral período das rádios, também no Brasil, criou diversas modas, mexeu com os costumes, inventou a participação popular – no mais das vezes, dirigida e didática. Têm elas um poder e extensão pouco comuns para um país rural como o nosso. Inventam a cidade, popularizam o emprego industrial e acendem os desejos de migração interna e de fama. Enfim, no país dos bacharéis, médicos e párocos de aldeia, a ascensão social busca outros caminhos e pode-se já sonhar com a meteórica carreira de sucesso que as rádios produzem. Três caminhos podem ser trilhados: o de ator, o de cantor ou o de locutor.

Adoniran, aprendiz das ruas, percebe as possibilidades que se abrem a seu talento. Quer ser ator, popularizar seu nome e ganhar algum dinheiro, mas a rejeição anterior o leva a outros caminhos. Sua inclinação natural no mundo da música é a composição mas, nesse momento, o compositor é um mero instrumento de trabalho para os cantores, que compram a parceria e, com ela, fazem nome e dinheiro. Daí sua escolha recair não sobre a composição, mas sobre a interpretação.

Entrega-se ao mundo da música. Busca conquistar seu espaço como cantor – tem boa voz, poderia tentar os diversos programas de calouro. Já com o nome de Adoniran Barbosa – tomado emprestado a um companheiro de boêmia e de Luiz Barbosa, cantor de sambas, que admira – João Rubinato estreia cantando um samba brejeiro de Ismael Silva e Nilton Bastos, o Se você jurar. É gongado, mas insiste e volta novamente ao mesmo programa; agora cantando o belo samba de Noel Rosa, Filosofia, que lhe abre as portas das rádios e ao mesmo tempo serve como mote para suas composições futuras.




A vida profissional de Adoniran Barbosa se desenvolve a partir das interpretações de outros compositores. Embora a composição não o atraia muito, a primeira a ser gravada é Dona Boa, na voz de Raul Torres. Depois grava em disco Agora pode chorar, que não faz sucesso algum. Aos poucos se entrega ao papel de ator radiofônico; a criação de diversos tipos populares e a interpretação que deles faz, em programas escritos por Osvaldo Moles, fazem do sambista um homem de relativo sucesso. Embora impagáveis, esses programas não conseguem segurar por muito tempo ainda o compositor que teima em aparecer em Adoniran. Entretanto, é a partir desses programas que o grande sambista encontra a medida exata de seu talento, em que a soma das experiências vividas e da observação acurada dá ao país um dos seus maiores e mais sensíveis intérpretes.

O mergulho que o sambista fará na linguagem, suas construções linguísticas, pontuadas pela escolha exata do ritmo da fala paulistana, irão na contramão da própria história do samba. Os sambistas sempre procuraram dignificar sua arte com um tom sublime, o emprego da segunda pessoa, o tom elevado das letras, que sublimavam a origem miserável da maioria, e funcionavam como a busca da inserção social. Tudo era uma necessidade urgente, pois as oportunidades de ascensão social eram nenhumas e o conceito da malandragem vigia de modo coercitivo. Assim, movidos pelos mesmos desejos que tinha Adoniran de se tornar intérprete e não compositor, e a partir daí conhecido, os compositores de samba, entre uma parceria vendida aqui e outra ali, davam o testemunho da importância que a linguagem assumia como veículo social.

Mas a escolha de Adoniran é outra, seu mergulho também outro. Aproveitando-se da linguagem popular paulistana – de resto do próprio país – as músicas dele são o retrato exato desta linguagem e, como a linguagem determina o próprio discurso, os tipos humanos que surgem deste discurso representam um dos painéis mais importantes da cidadania brasileira. Os despejados das favelas, os engraxates, a mulher submissa que se revolta e abandona a casa, o homem solitário, social e existencialmente solitário, estão intactos nas criações de Adoniran, no humor com que descreve as cenas do cotidiano. A tragédia da exclusão social dos sambistas se revela como a tragicômica cena de um país que subtrai de seus cidadãos a dignidade.

O seu primeiro sucesso como compositor vira canção obrigatória das rodas de samba, das casas de show: Trem das Onze. É bem possível que todo brasileiro conheça, senão a música inteira, ao menos o estribilho, que se torna intemporal. Adoniran alcança, então, o almejado sucesso que, entretanto, dura pouco e não lhe rende mais que uns minguados trocados de direitos autorais. A música, que já havia sido gravada pelo autor em 1951 e não fizera sucesso ainda, é regravada novamente pelos “Demônios da Garoa”, conjunto musical de São Paulo (esta cidade é conhecida como a terra da garoa, da neblina, daí o nome do grupo). Embora o conjunto seja paulista, a música acontece primeiramente no Rio de Janeiro. E aí
sim, o sucesso é retumbante.

Como acontecera com os programas escritos por Osvaldo Moles, que deram a Adoniran a medida exata da estética a ser seguida, o samba inspira Osvaldo a criar um quadro para a rádio, que se chamava História das Malocas, com um personagem, que faz sucesso, o Charutinho. De novo ator, Adoniran, tendo provado o sucesso como compositor, não mais se afasta da composição.

Arguto observador das atividades humanas, sabe também que o público não se contenta apenas com o drama das pessoas desvalidas e solitárias; é necessário que se dê a este público uma dose de humor, mesmo que amargo. Compõe para esse público um dos seus sambas mais notáveis, um dos primeiros em que trabalhou a nova estética do samba.

Entre a tentativa de carreira nas rádios paulistas e o primeiro sucesso, Adoniran trabalha duro, casa-se duas vezes e frequenta, como boêmio, a noite. Nas idas e vindas de sua carreira tem de vencer várias dificuldades. O trabalho nas rádios brasileiras é pouco reconhecido e financeiramente instável, muitos passaram anos nos seus corredores e tiveram um fim de vida melancólico e miserável. O veículo que encanta multidões, que faz de várias pessoas ídolos é também cruel como a vida; passado o sucesso que, para muitos, é apenas nominal, o ostracismo e a ausência de amparo legal levam cantores, compositores e atores a uma situação de impensável penúria.


Adoniran sabe disto, mas mesmo assim seu desejo cala mais fundo. O primeiro casamento não dura um ano; o segundo, a vida toda: Matilde. De grande importância na vida do sambista, Matilde sabe com quem convive e não só prestigia sua carreira como o incentiva a ser quem é e como é, boêmio, incerto e em constante dificuldade. Trabalha também fora e ajuda o sambista nos momentos difíceis, que são constantes. Adoniran vive para o rádio, para a boêmia e para Matilde.

Numa de suas noitadas, de fogo, perde a chave de casa e não há outro jeito senão acordar Matilde, que se aborrece. O dia seguinte foi repleto de discussão. Mas Adoniran é compositor e dando por encerrado o episódio, compõe o samba Joga a chave.

Dono de um repertório variado de histórias, o sambista não perdia a vez de uma boa blague. Certa vez, quando trabalhava na rádio Record, onde ficou por mais de trinta anos, resolveu, após muito tempo ali, pedir um aumento. O responsável pela gravadora disse-lhe que iria estudar o aumento e que Adoniran voltasse em uma semana para saber dos resultados do estudo... quando voltou, obteve a resposta de que seu caso estava sendo estudado. As interpelações e respostas, sempre as mesmas, duraram algumas semanas... Adoniran começava se irritar e, na última entrevista, saiu-se com esta: “Tá certo, o senhor continue estudando e quando chegar a época da sua formatura me avise..”

Nos últimos anos de vida, com o enfisema avançando, e a impossibilidade de sair de casa pela noite, o sambista dedica-se a recriar alguns dos espaços mágicos que percorreu na vida. Grava algumas músicas ainda, mas com dificuldade – a respiração e o cansaço não lhe permitem muita coisa mais – dá depoimentos importantes, reavaliando sua trajetória artística. Compõe pouco.


Mas inventa para si uma pequena arte, com pedaços velhos de lata, de madeira, movidos a eletricidade. São rodas-gigante, trens de ferro, carrosséis. Vários e pequenos objetos da ourivesaria popular – enfeites, cigarreiras, bibelôs... Fiel até o fim à sua escolha, às observações que colhe do cotidiano, cria um mundo mágico. Quando recebe alguma visita em casa, que se admira com os objetos criados pelo sambista, ouve dele que “alguns chamavam aquilo de higiene mental, mas que não passava de higiene de débil mental...” Como se vê, cultiva o humor como marca registrada. Marca aliás, que aliada à observação da linguagem e dos fatos trágicos do cotidiano, faz dele um sambista tradicional e inovador.

Adoniran Barbosa morre em 1982, aos 72 anos de idade.


Eis as faixas do registro fonográfico do Programa MPB Especial de 1972:

Faixas:
01 - Saudosa Maloca (Adoniran Barbosa)
02 - Filosofia (Noel Rosa)
03 - Malvina (Adoniran Barbosa)
04 - Joga A Chave (Oswaldo França e Adoniran Barbosa)
05 - Por Onde Andará Maria (Raguinho e Adoniran Barbosa)
06 - Mãe Eu Juro (Peteleco e Marques filho)
07 - Samba Do Ernesto (Alocin e Adoniran Barbosa)
08 - Conselho De Mulher (Oswaldo Moles, João D. Santos e Adoniran Barbosa)
09 - As Mariposas (Adoniran Barbosa)
10 - Um Samba No Bexiga (Adoniran Barbosa)
11 - Abrigo De Vagabundos (Adoniran Barbosa)
12 - Prova De Carinho (Hervé Cordovil e Adoniran Barbosa)
13 - Vila Esperança (Marcos César e Adoniran Barbosa)
14 - Despejo Na Favela (Adoniran Barbosa)
15 - Acende O Candieiro (Adoniran Barbosa)
16 - Zum, Zum, Zum (Adoniran Barbosa)
17 - Senta, Senta (Pinguim, Cachimbinho e Adoniran Barbosa)
18 - Trem Das Onze (Adoniran Barbosa)

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