PROFÍCUAS PARCERIAS

Gabaritados colunistas e colaboradores, de domingo a domingo, sempre com novos temas.

INTUITY BORA BORA JANGA

Siga a sua intuição e conheça aquela que vem se tornando a marca líder de calçados no segmento surfwear nas regiões tropicais do Brasil. Fones: (81) 99886 1544 / (81) 98690 1099.

ZÉ RENATO - ENTREVISTA EXCLUSIVA

Com 40 anos de carreira, o músico capixaba faz uma retrospectiva biográfica de sua trajetória como instrumentista, compositor e intérpretes em diverso dos projetos nos quais participou.

VERSOS E MELODIAS INCRUSTADAS ENTRE O PLANALTO E O SERTÃO

Embevecido da cultura popular nordestina, Túlio Borges a faz de esteio para os versos e melodias que sustentam a trilogia a que se propõe.

QUEM FOI INALDO VILARIN?

Autor de canções como “Eu e o meu coração” (gravada por nomes como João Gilberto e Maysa), Inaldo Vilarin é mais um na triste estatística de um país sem memória

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

EXCLUSIVIDADE DA MUSICARIA

UM BANQUINHO, UM VIOLÃO - HOMENAGEM A DJAVAN

Faixas:
01 - Oceano (Roberto Menescau e Leila Pinheiro)
02 - A Rota do Indivíduo (Caetano Veloso)
03 - Flor de Lis (Renato Vargas)
04 - Embola bola (Leny Andrade e Romero Lubambo)
05 - Esfinge (Moreno Veloso + 2)
06 - Meu bem querer (Jaime Alem e Nair Candia)
07 - Violeiros (Paulo Bellinati e Claudio Nucci)
08 - Nobreza (Jussara Silveira)
09 - Faltando Um Pedaço (Dori Caymmi)
10 - Cerrado (Isa Taube)
11 - Acelerou (Lica Cecatto e Romero Lubambo)
12 - Muito obrigado (Leny Andrade e Romero Lubambo)
13 - Nem um dia - A flor da pele (Jorge Vercillo)
14 - Sina (Renato Vargas)
15 - Oceano (Caetano Veloso)
16 - Beiral (Meddley com Que nem jiló e respeita Januário) (Luciana Souza)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

POR NOEL, A ABL ABRE SUAS PORTAS PARA MARTINHO DA VILA

Martinho da Vila vai participar das comemorações pelo centenário de Noel Rosa promovidas pela Academia Brasileira de Letras, para a qual o Poeta da Vila é "o acadêmico do samba". Autor do samba da Vila Isabel deste ano, um tributo a Noel, o compositor almoçou ontem na ABL, convidado pelo presidente Marcos Vilaça, e ratificou seu compromisso de contribuir para a homenagem. "Hoje (ontem) foi a abertura do Ano Noel Rosa. Juntar a diretoria de uma escola de samba e a da ABL é sinal de uma grande abertura", disse Martinho, depois do encontro.

Vilaça é reconhecido por trabalhar pela proximidade da academia e do grande público -assim o fez quando presidiu a casa, em 2006 e 2007, e quando foi eleito presidente novamente, em dezembro, já havia dito que o centenário de Noel, em 11 de dezembro, seria lembrado. Assim também será com outras efemérides, como o centenário de morte de Joaquim Nabuco e o do nascimento de Rachel de Queiroz (dois acadêmicos).

Para Martinho, que tem amigos entre os imortais (Murilo Melo Filho, Arnaldo Niskier, Carlos Heitor Cony, Luiz Paulo Horta, Cicero Sandroni, Nelson Pereira dos Santos), a iniciativa - que ainda não foi detalhada, mas deve incluir apresentações de música e conversas abertas sobre a vida e a obra de Noel - é uma prova de que a academia está cada vez mais acessível. "Ele foi uma figura fantástica, não tinha vaidade e era uma pessoa antipreconceito. Estudei muito a vida dele para fazer o samba da Vila."

O sambista, que tem livros publicados, também se diz despido de vaidade ao comentar a sugestão que alguns dos amigos acadêmicos lhe fazem: que tente uma vaga na Casa de Machado - ele seria, assim, o único compositor entre os imortais. "Não penso nisso. Meus amigos me convidam para ir lá, mas prefiro não ir muito, porque senão vai parecer que estou fazendo campanha. Se fosse só por vaidade, para ter um título, eu não acho legal", afirmou. "Eu poderia colaborar com a academia. Eles não querem só grandes escritores, mas pensadores, gente com ideias novas."

No ano passado, Villa-Lobos, Roberto Martins e Ataulfo Alves foram homenageados com shows pela ABL (o primeiro, pelo cinquentenário de morte; o segundo e o terceiro, pelos cem anos de seu nascimento).

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

OS CAMINHOS CRUZADOS DE ELIS REGINA E NARA LEÃO

Nara Leão nasceu no dia 19 de janeiro de 1942. Elis Regina morreu no dia 19 de janeiro de 1982. Elis, que implicou muito com a musa da bossa nova depois que ela aderiu ao iê-iê-iê da Jovem Guarda, teceu elogios à rival numa entrevista ao jornal Última Hora em... 19 de janeiro de 1976. Coincidências à parte, as vidas de Elis e Nara tropeçaram em pedras semelhantes. Uma delas tinha nome e sobrenome: Ronaldo Bôscoli.

O jornalista, letrista e produtor Bôscoli havia namorado Nara na adolescência. Foi noivo da cantora entre o final dos anos 50 e o início dos 60, na época em que o apartamento da família Lofego Leão, na avenida Atlântica, servia de ponto de encontro dos entusiastas da bossa nova. Todos bem nascidos e bem criados na zona sul carioca, como Roberto Menescal, Carlinhos Lyra, João Gilberto, Luiz Carlos Vinhas e Luizinho Eça.

O relacionamento de Nara e Bôscoli foi por água abaixo em 1961, quando Maysa anunciou à imprensa, sem o conhecimento do jornalista, que se casaria com ele. É certo que os dois dormiram juntos na turnê que haviam acabado de fazer na Argentina, Uruguai e Chile, mas a história do casamento foi invenção de Maysa. E Nara rompeu com Bôscoli de uma maneira enérgica: não atendia nem os telefonemas do compositor, em quem seu pai, o severo Jairo Leão, depositava um bocado de confiança.

Pois bem. Elis Regina e Ronaldo Bôscoli casaram-se no civil no dia 5 de dezembro de 1967. Em comparação à idade de Bôscoli, Elis era ainda mais nova do que Nara: 16 anos contra 13 de diferença. O casamento durou cinco anos, entre separações, reconciliações e o nascimento do primogênito João Marcelo Bôscoli, hoje dono da gravadora Trama. Bôscoli, o Ronaldo, só teria novamente acesso à Nara Leão anos mais tarde.

O jornalista e compositor Nelson Motta foi testemunha da rixa entre Elis e Nara. "A Elis tinha uma grande voz. Nara Leão era o contrário: tinha poucos recursos vocais, mas usava muito bem a inteligência. Era hostilizada pela Elis por causa da pequena voz, mas reunia os melhores repertórios e trabalhou muito pela música brasileira. Já a Nara vivia dizendo que Elis era uma grande cantora".

Até a imprensa sabia que Elis detestava Nara. As duas foram convidadas para estrelar a série ‘As grandes rivalidades’, publicada na revista Manchete. O crítico de música e jornalista Sérgio Cabral lembra esse episódio em ‘Nara Leão, uma biografia’, lançada pela Lumiar. "O clima era de hostilidade, principalmente por parte de Elis Regina", afirma Cabral no livro.


E continua, linhas abaixo: "Bem humorada, Nara até brincou com a rival na hora das fotografias. ‘Como é? Estão dizendo por aí que não queremos posar juntas. Podemos ou não?’ Elis nada respondeu e, à medida que as fotos eram batidas, foi perdendo a paciência, até que estourou: ‘Vou embora porque não gosto de Nara Leão’. Em seguida, Carlos Marques entrevistou as duas isoladamente".

Sérgio Cabral destaca a agressividade de Elis para com Nara. "Elis Regina foi contundente: ‘Eu não tinha nada contra a moça Nara Leão. Hoje eu tenho porque me irrita a sua falta de posição, dentro e fora da música popular brasileira. Ela foi a musa, durante muito tempo, mas começou gradativamente a trair cada movimento do qual participava. Iniciou na bossa nova, depois passou a cantar samba de morro, posteriormente enveredou pelas músicas de protesto e, agora, aderiu ao iê-iê-iê. Negou todos...’".

Só a título de curiosidade, vale reproduzir o trecho da entrevista ao Última Hora, de Samuel Wainer, na qual Elis aplaudia a paciência da irmã de Danuza e, portanto, cunhada de Wainer, adiantando a postura que adotaria com ela no futuro: "Eu sou esquentada. Tem gente que é calma, a Nara Leão, por exemplo, é uma pessoa que tem uma paciência histórica, sentou, esperou tudo acomodar e fez um disco certo. Aliás, ela sempre faz as coisas certas nas horas corretas e para as pessoas exatas. Eu sou guerreira e pego a metralhadora para sair atrás de quem me enche o saco".

LANÇADA NO RIO DE JANEIRO A CONSTRUÇÃO DA NOVA SEDE DO MUSEU DE IMAGEM E DO SOM

O projeto é uma parceria com a Fundação Roberto Marinho. No canteiro de obras, foram colocados tapumes com imagens de grandes nomes da música, como Carmem Miranda e Cartola.

O museu vai ficar onde funcionava a boate Help, em Copacabana, desde 1984. O projeto do novo MIS é de americanos e foi escolhido em um concurso. O prédio terá fachada de vidro.

O lançamento das obras teve a presença de Sérgio Cabral. Segundo governo do estado, a inauguração está prevista para 2012.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

ABRAÇA RECIFE!

Alceu Valença, Calypso, Geraldinho Lins e ala da Beija Flor são algumas das atrações deste mega evento; a entrada é gratuita.

O evento carnavalesco Abraça Recife vai acontecer no dia 7 de fevereiro, com apoteose na Rua da Aurora, no centro do Recife. A primeira edição do projeto pretende reunir importantes manifestações carnavalescas do Brasil e oferecer ao público uma festa democrática e gratuita.

Os organizadores esperam 300 mil pessoas para o evento, que tem início às 9h, na Avenida Cruz Cabugá. Depois, a folia segue para a Avenida Princesa Izabel e tem sua apoteose na Rua da Aurora.

O público que comparecer na grande festa vai poder conferir as apresentações de mais de 25 atrações musicais e artísticas, como carros alegóricos, bonecos gigantentes, desfile de blocos, trio elétricos e escolas de samba, todos reunindo cerca de 1500 artistas.

O evento, previsto pra acabar as 17h, se propõe a algo nunca antes visto no Estado, informa Antônio Bernardo, diretor do Abraça Recife: “teremos pela primeira vez a união cultural dos carnavais do Brasil em uma única manifestação popular, em um pré-carnaval nunca visto”.

Para abrir o festival, a maior orquestra de frevo de Pernambuco irá tocar: 600 músicos, 38 maestros e dezenas de passistas compõem o grupo. Em seguida, o maracatu entra em cena e Olinda dará o ar da graça logo depois com uma de suas marcas registradas: o desfile de bonecos gigantes.

No quesito musical, Alceu Valença, Almir Rouche, André Rio e Geraldinho Lins vão animar a farra com shows repletos de sucessos acumulado ao longo da carreira.

BRASIL
Vários Estados brasileiros participam da festa, mostrando ao público aquilo que tem de bom. Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e Amazonas dão um toque multicultural ao evento.

Entre os destaques, estão o desfile de uma das alas das escolas de samba da Beija Flor e da Vai-Vai, provenientes do Rio de Janeiro e São Paulo, respectivamente; o show do Forró do Muído, do Ceará e apresentação da banda baiana Nairê. O Amazonas, por sua vez. oferece aos foliões o tradicional desfile do Boi Caprichoso e Garantido.

Para fechar a noite, o Abraça Recife vai recepcionar o show da banda Calypso, que anima o público com o seu ritmo característico.


SERVIÇO
Abraça Recife 2010
Quando: domingo, 7 de fevereiro), às 9h
Concentração: Av. Cruz Cabugá
Percurso: Av. Cruz Cabugá, Av. Princesa Izabel e Rua da Aurora. 1,8 Km

domingo, 17 de janeiro de 2010

ZÉ GUILHERME

Cearense nascido em Juazeiro do Norte, no Vale do Cariri, Zé Guilherme cresceu ouvindo Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, cantadores, repentistas, violeiros, banda cabaçal, maracatu, frevo e boi-bumbá, influências que foram de fundamental importância para a realização do sonho de infância de se tornar cantor. Em São Paulo desde 1982, participou, na cidade, de inúmeros shows ao lado de amigos (Cida Lima, José Luiz Marmou, Naná Correia, Renato Santoro, Maurício Pereira, Cris Aflalo, Madan, Cezinha Oliveira, Marcelo Quintanilha, Péri, entre outros), cantou no circuito das casas noturnas de São Paulo, dirigiu, a convite, espetáculos musicais de Sabá Moraes, Ney Couteiro e Madan. Gravou seu primeiro CD demo em 1997, com arranjos, direção e produção musical do Maestro Rodrigo Vitta, baseado no repertório que apresentava à época nas casas noturnas. A partir de 1998, imprimiu rumo novo e muitíssimo mais pessoal à sua carreira. Estreou o show Clandestino, no Espaço Anexo Domus, em São Paulo, com arranjos e direção musical de Swami Jr. e direção geral do ator Luiz Furlanetto, e apresentou-se com Clandestino no circuito musical da cidade (Empório Cultural, Villaggio Café, Supremo Musical e outros), gravou o segundo CD demo, com canções de Zeca Baleiro, Carlos Careqa e Donato Alves, uma prévia do CD Recipiente, de 2000, apresentou o show Zé Guilherme e Convidados no Teatro Crowne Plaza, com a participação especial de Carlos Careqa, Maurício Pereira, Vânia Abreu, Zé Terra e René de França. Cantou nos projetos Arte nas Ruas, No Clima do Som no parque da Aclimação e MPB nas Bibliotecas, da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, Quinta Mariana, do SESC Vila Mariana, e Quatro Vozes, do Centro Experimental de Música do SESC Consolação. Apresentou-se, ainda, no Pilão da Madrugada, em Fortaleza. Em setembro de 2000, Zé Guilherme lançou seu primeiro CD, Recipiente, pela gravadora Lua Discos, com produção musical e arranjos de Swami Jr. Estreou o show de mesmo nome no Teatro Crowne Plaza, marcando o lançamento do CD. Levou Recipiente ao SESC Ipiranga (projeto Encontros Musicais da Nova Safra da MPB), choperia do SESC Pompéia (projeto Prata da Casa), Villaggio Café, Livraria Fnac (projeto MPB na Varanda), Supremo Musical (projeto Canto da Lua, realizado pela Gravadora Lua Discos), Centro Cultural Monte Azul (II Mostra de Música Monte Azul), dentro do projeto Cena Musical Paulistana, promovido pela Rede Solidária de Música Brasileira - RSMB, Centro Cultural São Paulo, durante a Feira do CD promovida pela Associação Brasileira de Música Independente - ABMI - SP, Bar Água Benta, em São Paulo, SESC São Carlos, Parque do Nabuco, Casa de Cultura Chico Science, SESC Vila Mariana (projeto Série Lançamentos), e livraria Nobel Megastore do Shopping Center Frei Caneca. A interpretação de Zé Guilherme para Mosquito Elétrico, de Carlos Careqa, foi incluída, em 2002, na coletânea Brazil Lounge - New Electro-ambient Rhythms from Brazil, lançada pela Gravadora Música Alternativa de Portugal. Em abril de 2003, com a participação do cantor e compositor paulista Marcelo Quintanilha e do cantor e compositor baiano Péri, mostrou, no Teatro Crowne Plaza, em São Paulo, o show Zé Guilherme e Convidados. No mesmo mês, participou do show de lançamento do CD homônimo do mineiro Cezinha Oliveira, também no Teatro Crowne Plaza, apresentando-se também em outubro, como seu convidado, no Sesc Ipiranga. Em julho, foi recebido por Marcelo Quintanilha, em sua Sala de Estar com Visitas, no Blen Blen Brasil ao lado de Carlos Careqa, e em agosto apresentou-se no Villaggio Café. Em 2004, Zé Guilherme estreou o show Canto Geral, com canções de seu CD de estréia, Recipiente, unidas a interpretações de músicas inéditas de Marcelo Quintanilha, Carlos Careqa, Péri, Alexandre Leão e outros, que estarão presentes no próximo CD do cantor, em fase de pré-produção, já tendo mostrado este novo trabalho no Villaggio Café, no SESC Belenzinho (Projeto Música no Bar) e na FUNARTE - Sala Guiomar Novaes com participação de Carlos Careqa e Marcelo Quintanilha. Participou também da 1ª e 4ª edição do SARAU PÚBLICO, realizadas no Bar Bartitura, dividindo o palco com diversos artistas entre eles Alzira Espíndola, Carlos Careqa, Cris Aflalo, Cezinha Oliveira, Dante Ozzetti, Marcelo Quintanilha, Wandi Doratiotto, entre outros. Em 2005, apresentou-se no Espaço "PHOTOZOFIA ARTE & COZINHA" em São Francisco Xavier, na Serra da Mantiqueira, no Projeto "Música no Museu", do Museu da Casa Brasileira em São Paulo, entre outros. Paralelamente entrou em estúdio para a gravação do seu segundo CD - TEMPO AO TEMPO, que se encontra em fase de finalização devendo ser lançado em breve. Em 2006, apresentou-se no Espaço Mauro Discos em São Paulo, mostrando uma prévia do novo CD e participou da 5ª edição do SARAU PÚBLICO, realizada no Espaço Mauro Discos, ao lado de diversos artistas entre eles A 4 Vozes, Lucila Novaes, Kléber Albuquerque, Vanessa Barum, Violeiros Matutos, Tonho Penhasco, Carlinhos Antunes, entre outros. Lança agora, pela LUA MUSIC, seu novo CD "TEMPO AO TEMPO", com produção musical e arranjos de Serginho R., direção artística, concepção e escolha de repertório de Zé Guilherme, que assina também a co-produção em parceria com Marcelo Quintanilha. A canção "Reza", tem arranjo e produção musical de Swami Jr., que foi o responsável pela produção do primeiro CD do cantor e marca mais uma vez sua presença no trabalho do artista. O repertório de Tempo ao Tempo constitui-se de 14 canções de uma geração de compositores que conquistam espaço e reconhecimento, tais como: Alexandre Leão, Carlos Careqa, Cris Aflalo, Cezinha Oliveira, Marcelo Quintanilha e Péri, entre outros. São paulistas, cariocas, maranhenses, mineiros, curitibanos, baianos, gaúchos e um cearense – este último, o próprio Zé Guilherme, numa parceria com a também cantora e compositora Cris Aflalo. O novo trabalho conta com execuções brilhantes de músicos como Ari Colares, Estevan Sinkovitz, Douglas Alonso, Gabriel Levy, Guilherme Kastrup, José Henrique Mano Pena, Luciano Barros, Marcelo Quintanilha, Sizão Machado, entre outros, além da participação especial da cantora Vania Abreu, que interpreta com Zé Guilherme a canção "Caminhos do Coração" (Gonzaguinha).

Zé Guilherme - Tempo ao tempo (2006)


Faixas:
01 - Canção de Esperar Você (A. Leão/J.Andradei)
02 - Tempo ao Tempo (Marcelo Quintanilha)
03 - Flor Madrinha (Péri)
04 - A Ilusão da Casa (Vitor Ramil)
05 - Caminhos do Coração (Gonzaguinha), com Vânia Abreu
06 - Reza (Zeca Baleiro/Paulo Leminski)
07 - O Escultor (Cris Aflalo/Fred Mazzuchelli)
08 - Mais o Menos (Marcelo Quintanilha)
09 - Rema Remador (Carlos Careqa)
10 - Seca (Cezinha Oliveira)
11 - O Patrão Nosso de Cada Dia (João Ricardo)
12 - Pegue um Táxi (Carlos Careqa)
13 - Canto Geral (Cris Aflalo/Zé Guilherme)
14 - Seca (Cezinha Oliveira)

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O HAITI TAMBÉM É AQUI COMO ESCREVEU CERTA VEZ CAETANO VELOSO...

Terremoto
Um terremoto de magnitude 7 na escala Richter atingiu o Haiti nessa terça-feira, às 16h53 no horário local (19h53 em Brasília). Com epicentro a 15 km da capital, Porto Príncipe, segundo o Serviço Geológico Norte-Americano, o terremoto é considerado pelo órgão o mais forte a atingir o país nos últimos 200 anos. Dezenas de prédios da capital caíram e deixaram moradores sob escombros. Importantes edificações foram atingidas, como prédios das Nações Unidas e do governo do país. O Haiti é o país mais pobre do continente americano. O Brasil comanda cerca de 7 mil soldados da força de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti, enviada ao país em 2004, e tem cerca de 1,3 mil homens na região. As Forças Armadas Brasileiras participaram do socorro às vítimas de furacões no país em 2004 e 2008.

Ajuda humanitária

Wyclef Jean publicou em seu blog que as pessoas podem ajudar pelo celular, enviando donativos de 5 dolares para a Yele Haiti Earthquake Fund – fundação criada pelo próprio Wyclef – ou doar via site na Yele.org. O rapper foi entrevistado pela CNN e convocou todos para ajudar. Neste momento, sua página de twitter se concentra nos esforços de mobilizar pessoas e arrecadar donativos.

O rapper e produtor musical descendente de haitianos, Pras Michel (http://twitter.com/prasmichel), ex-parceiro de Wyclef no Fugees, manifestou seu carinho pelo país. “Acabo de falar com algumas pessoas no Haiti e a capital inteira está destruída. O Haiti parece nunca conseguir ter uma folga”, afirmou Pras. Outros tuiteiros como Ashton Kutcher e John Legend também manifestaram apoio às vitimas do país.

O que temos a ver com isso?

O Brasil, que comanda uma missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti também prepara sua mobilização. O país comanda cerca de 7 mil soldados de 15 nacionalidades e tem 1.266 cidadãos brasileiros na região. O general de brigada Carlos Alberto Barcellos disse que “certamente, o Brasil vai unir esforços com outras nações para ajudar um país amigo”.

Além disso, vale observar os aspectos positivos de uma mobilização via internet. De forma romântica, isso pode mostrar que nem tudo está perdido: as mudanças por meio das ações das pessoas ainda são possíveis. Talvez um exemplo desses ainda não aconteça no Brasil, mas imagine se algo do tipo tivesse ocorrido no desastre de Angra dos Reis ou de Santa Catarina, por exemplo?

Talvez uma mobilização futura em relação à política (eleições), catástrofes e em tantos outros momentos possa vir a acontecer. Será possível?

Países
O Brasil lidera a lista de países que já se comprometeram a fazer doações para ajudar na reconstrução do Haiti. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, informou que a ajuda financeira às vítimas do terremoto no país pode chegar a US$ 15 milhões. Estados Unidos e Canadá também se comprometeram a ajudar. O primeiro deve enviar US$ 4,3 milhões e o segundo US$ 4,8 milhões. Alguns países da União Europeia, como Itália e Alemanha, devem fazer doações acima de US$ 1 milhão e a China, uma das maiores economias mundiais, também se comprometeu com US$ 1 milhão.

Como ajudar
A ONG Viva Rio, que está no Haiti desde 2004 desenvolvendo projetos sociais ligados às áreas de segurança, desenvolvimento e meio ambiente, abriu uma conta para receber doações que serão usadas para compra de gêneros alimentícios, água e medicamentos.

De acordo com nota da ONG, os brasileiros que trabalham no Viva Rio no Haiti e os estudantes da Unicamp que faziam uma pesquisa de campo no país estão bem. A sede do projeto sofreu pequenas rachaduras e está abrigando milhares de vítimas. O complexo comunitário de 25 mil m² fica em Bel Air, um bairro pobre no centro da capital.

Os militares brasileiros que fazem parte da Missão de Paz da ONU no Haiti (Minustah) estão trabalhando no atendimento às vítimas, e brigadistas treinados pelo Viva Rio estão se mobilizando para prestar auxílio aos desabrigados.

Confira a conta para doações:
Banco do Brasil
Agência 1769-8
Conta 5113-6

Com informações da EFE, da Associated Press e da Agência Brasil.

TALENTOS HERDADOS

Tendo como proposta difundir cada vez mais a MPB de qualidade para o nosso país e para o mundo, o MUSICARIA lança uma nova coluna em 2010: Talentos Herdados.
Essa coluna tem por proposta mostrar talentosos músicos que herdaram esse talento de berço, pois seus pai ou mãe (ou até mesmo os dois como é o caso de Pery Ribeiro e dos irmãos Pedro Mariano e Maria Rita e dessa que apresentaremos a seguir).
Então fica registrado aqui que o velho "clichê" do filho de peixe, peixinho é também é válido para os nossos astros e estrelas da MPB. Fica aqui o nosso primeiro "peixinho".

Clara Moreno - Miss Balanço (2009)
Faixas:
01 - Deixa a nega gingar
02 - Brincando de samba
03 - Bebete
04 - Mestiço
05 - Bruxaria
06 - Pourquoi? (Nêga sem sandália)
07 - Uala ualala
08 - Que besteira
09 - Mais valia não chorar
10 - Vai devagarinho
11 - Tamanco no samba
12 - Jeito bom de sofrer
13 - Balanço zona sul
14 - Samba de negro

P.S. - Clara é filha do músico Tutty Moreno e da cantora Joyce.

POUT-POURRI (LUPICÍNIO RODRIGUES)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

DICAS DA MUSICARIA

MORAES MOREIRA - ACÚSTICO (1995)

Faixas:
01 - Meninas do Brasil (Fausto Nilo - Moraes Moreira)
• Vassourinhas (Mathias da Rocha-Joana Batista Ramos-Adpt. Moraes Moreira)
02 - Pão e poesia (Fausto Nilo - Moraes Moreira)
03 - Brasil pandeiro (Assis Valente)
04 - Arco-íris (Glorinha Gadelha - Moraes Moreira - Sivuca)
05 - Acabou chorare (Galvão - Moraes Moreira)
06 - Mistério do planeta (Galvão - Moraes Moreira)
07 - Forró do ABC (Patinhas - Moraes Moreira)
• Forró de Zé Tatu (Jota Ramos-Jorge de Castro)
08 - Pernambuco é Brasil (Moraes Moreira)
09 - Cidadão (Capinan - Moraes Moreira)
10 - De noite e de dia (Fausto Nilo - Moraes Moreira)
11 - Lá vem o Brasil descendo a ladeira (Pepeu Gomes - Moraes Moreira)
12 - Coisa acessa (Fausto Nilo - Moraes Moreira)
13 - Pombo correio (Dodô - Osmar - Moraes Moreira)
• Festa do interior (Moraes Moreira-Abel Silva)
14 - Vassourinha elétrica (Moraes Moreira)
15 - Preta pretinha (Galvão - Moraes Moreira)

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

MPB - MÚSICA EM PRETO E BRANCO

Clara Nunes

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O GRANDE CIRCO MÍSTICO - DO POEMA AO ÁLBUM


Por Jeocaz Lee-Meddi


Chico Buarque e Edu Lobo uniram-se algumas vezes para criar trilhas sonoras sob encomenda para o teatro. Dos chamados álbuns de teatro da dupla, “O Grande Circo Místico”, de 1983, é o maior deles. O álbum é de uma grande sofisticação musical, trazendo uma poesia elaborada e de teor emotivo latente, arrebatado por um lirismo flamejante, poucas vezes alcançado dentro da MPB.

O álbum surgiu de uma encomenda do Ballet Guaíra, do Paraná, em 1982. Sua inspiração veio do poema surrealista de Jorge de Lima, “O Grande Circo Místico”, escrito em 1938, e publicado no livro “A Túnica Inconsútil”. Jorge de Lima, poeta do parnasianismo e do modernismo, criou o poema inspirado em um fato real acontecido na Áustria, no século XIX. A partir do tema, Chico Buarque e Edu Lobo criaram a trilha sonora para a apresentação do balé, contando musicalmente, a saga da família austríaca proprietária do Grande Circo Knieps e do amor entre um aristocrata e uma acrobata, que vagavam de cidade em cidade, apresentando os seus números circenses.

O sucesso do espetáculo musical originou uma longa turnê e um álbum clássico e imprescindível da MPB, reunindo grandes cantores como Gal Costa, Gilberto Gil, Simone, Tim Maia, Jane Duboc, Zizi Possi, Chico Buarque e Edu Lobo. Lançado em 1983 pela Som Livre, o álbum trazia 11 canções; mais tarde, quando lançado em CD, Edu Lobo acrescentou mais duas canções instrumentais, “Oremus” e “O Tatuador”, que pelo condicionamento do formato em vinil, ficaram de fora na época.

Sob o poema de Jorge de Lima, Chico Buarque criou letras de um conteúdo poético labirinticamente sedutor, casando-se com perfeição às músicas de Edu Lobo. Nenhuma das canções chegaram às paradas de sucessos, mas se tornaram irremediavelmente, clássicos conhecidos da MPB, como “Beatriz”, “A História de Lily Braun” e “O Circo Místico”. Muitas músicas alcançaram já no álbum, interpretações definitivas, apesar de várias revisitações futuras e diversificadas. “O Grande Circo Místico” dilui-se mesclado à música, à poesia, ao teatro e ao circo; trazendo a emoção que transporta o mais “ardoroso espectador” numa viagem lúdica e onírica até a última faixa.


Beatriz, Bela e Complexa



O Grande Circo Místico” foi lançado em meados de 1983. Trazia um formato de álbum sofisticado, com um encarte luxuoso, com desenhos de Naum Alves de Souza para cada canção, além de ilustrar a capa. A direção artística era de Edu Lobo, que dividia os arranjos com Chico de Moraes.

Chico Buarque, que cinco anos antes encantara com a trilha sonora de “A Ópera do Malandro”, voltou com poemas complexos, lingüisticamente mais delicados, deixando as questões sociais e passionais dos personagens da sua ópera, para mergulhar nas mais profundas angústias do ser humano, dando a dimensão mais suave do balé, sem perder a emoção latente das palavras.

O álbum começa com a instrumental “Abertura do Circo” (Edu Lobo), numa canção que se inicia suave e densa, ao mesmo tempo, como se fosse explodir a atmosfera mística, o que acontece quando rompe o bombo, trazendo instrumentos que revivem as marchinhas circenses. O espetáculo estava apenas a começar, pronto para tragar o mais exigente dos ouvintes.

Passada a euforia da abertura, a voz de Milton Nascimento surge quente, como se rasgasse uma cortina à meia luz, cantando a mais emblemática das canções do álbum, “Beatriz” (Chico Buarque – Edu Lobo). No poema de Jorge de Lima existia a personagem Agnes, a equilibrista. Chico Buarque não conseguiu criar sobre o nome, mudou-o para Beatriz, transformando-a de equilibrista em atriz. Assim, em uma homenagem a Beatrice Portinari, de Dante, ele a pôs no sétimo céu, fazendo uma das suas mais sofisticadas canções. “Beatriz” traz intervalos melódicos, modulações e exige extensão vocal, que faz dela uma das mais difíceis canções de ser interpretada. Milton Nascimento consegue a perfeição dentro de tão inóspito terreno, fazendo uma interpretação definitiva. Na década de noventa, a canção foi escolhida para uma das faixas de um song book em homenagem a Edu Lobo, a escolha da intérprete recaiu sob Gal Costa, outra cantora de extensão vocal insuperável! Alguns aventureiros tentaram desastrosamente, interpretar "Beatriz", como Ana Carolina, mas caíram no grotesco da pretensão. Acompanhado apenas pelo piano de Cristóvão Bastos, Milton Nascimento fez da canção o apogeu do disco, navegando em uma valsa complexa e existencialista. As cordas foram inseridas posteriormente pelo arranjador Chico de Moraes. Edu Lobo explicaria mais tarde, que a nota mais grave da canção cai na palavra “chão” (“Me ensina a não andar com os pés no CHÃO”) e a mais aguda na palavra “céu” (“Se ela despencar do CÉU”). “Beatriz” é um poema de delicada beleza, fazendo

uma metáfora aguda da vida de uma atriz. “Beatriz” é o sonho da mulher inatingível, ao mesmo tempo, é a maquiagem do rosto, a sombra da vida diante da arte, é a própria metáfora da realidade, travestida pelos palcos.

Sim, me leva para sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Ai, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz

Depois de passar pelos labirintos de “Beatriz”, o álbum segue com “Valsa dos Clowns” (Chico Buarque – Edu Lobo). A canção mergulha no universo do palhaço, visto tradicionalmente como um homem de rosto triste, escondido atrás de um rosto pintado. Entre simulacros de vida, somos transportados para o um frágil mundo chapliniano, como se fosse desenhar Carlitos com o seu olhar caído. Jane Duboc, cantora em grande evidência na época, foi a escolhida para interpretar a canção, o que faz com delicadeza e sutil suavidade.


Da Opereta ao Blues



Opereta do Casamento” (Chico Buarque – Edu Lobo), é um dos momentos mais densos do álbum. Interpretada pelo coro composto por Regininha e Zé Luiz (que cantam os solos da música), Márcia Ruiz, Luna, Maucha Adnet, Rosa Lobo, Verônica Sabino, Chico Adnet, Dalmo Medeiros, Márcio Lott, Paulinho Pauleira, Paulo Roberto e Ronald Vale; a canção assume a sua dimensão de opereta, revelando os costumes de um casamento conturbado, a honra defendida na mancha de sangue sobre o lençol nupcial, simbolizando a posse, sintetizada na quebra do hímen. Segue como uma saga, em que se casa, perde-se pelas armadilhas da vida, sofre-se com a desagregação moral do mundo, mas jamais se abandona a essência de cada um, refletida no palco, no espetáculo que não pode parar por dor alguma, por mais pungente que seja. Chora-se no intervalo, brilha-se no espetáculo. Os versos são densos, quase cruéis, porque a vida do artista de circo é uma ilusão da dor e da felicidade, mescladas num só ato, sem que jamais uma revele a outra.

Do pudor da noiva a bandeira
Após a noite primeira
Desfraldava-se ao sol
A sua virtude escarlate
Igual brasão de tomate
Enobrecendo o lençol

O álbum atinge outro ápice de sofisticação com “A História de Lily Braun” (Chico Buarque – Edu Lobo), que se transforma em um delicioso blues magistralmente interpretado por Gal Costa.

Chico Buarque usa de rimas com palavras em inglês e em português, elevando a canção de Edu Lobo, transformando-a em um dos momentos mais luxuosos do álbum. Com malícia e sedução, a voz de Gal Costa vai além do lírico, suavizando a ironia das palavras, transformando-as em doces e ardis convites para o amor. Lily Braun é a estrela seduzida pelo espectador, que subiu ao palco e arrebatou-a para o seu espetáculo particular. Entre rosas e poemas, ela é levada ao altar, perdendo o brilho de estrela e de mulher apaixonada no cotidiano de um casamento. Doce ironia, adorável blues, incomparável Gal Costa.

Nunca mais romance
Nunca mais cinema
Nunca mais drinque no dancing
Nunca mais cheese
Nunca uma espelunca
Uma rosa nunca
Nunca mais feliz

Na versão para CD, segue-se com o coro a entoar “Oremus” (Edu Lobo), recuperando o clima onírico do álbum, apesar de indelevelmente despida da poesia de Chico Buarque.


Questionamentos Existencialistas



Meu Namorado” (Chico Buarque – Edu Lobo), é um dos momentos mais mornos do álbum. Comparada à poesia de “Beatriz” ou à beleza estética de “A História de Lily Braun”, a canção parece simples, sem maiores atrativos. Simone faz uma interpretação acadêmica, sem elevar o pouco brilho da canção. É a paixão vista pela mulher, que se faz submissa diante do seu amor, mostrando-o ao mundo como um homem dominante, sendo ela, no íntimo da relação, quem conduz e domina a paixão, dando e recebendo o que decidiu sobre os sentimentos. “Meu Namorado” foi, com o passar do tempo, uma das canções esquecidas do álbum.
Ciranda da Bailarina” (Chico Buarque – Edu Lobo) tornar-se-ia uma referência às bailarinas, decodificando o lado humano dessas mulheres. Jamais tocada na rádio, adquiriu fama nos bastidores da MPB, talvez por trazer a ironia lúdica e onírica desse universo, interpretada por um coro infantil, composto por Bebel, Lelê, Luiza, Mariana, Silvinha, Bernardo, Cristiano e Kiko, criando um clima malicioso de uma ciranda antiga. A bailarina é o símbolo da perfeição e da beleza, toda mulher sonha em ser uma, daí a ironia dos versos de Chico Buarque, transformando-a em uma estátua, sem as imperfeições humanas a deflorar-lhe a pele, o semblante, o mito. Nada atinge a bailarina na sua beleza plástica.
Sobre Todas as Coisas” (Chico Buarque – Edu Lobo), é outro grande momento do álbum e da reflexão existencialista da poesia de Chico Buarque. Gilberto Gil dá vida à canção, acompanhado apenas por um violão. A canção cria um monólogo dirigido a Deus, com questionamentos seculares, sobre a criação e o papel do homem no universo do Criador. Gilberto Gil consegue dimensionar a canção em um ápice existencialista, às vezes pungente, às vezes angustiante, sem perder o lirismo poético da canção. A impotência do homem diante dos dogmas da vida, a sua rebelião eterna contra Deus, que se pergunta se a terra prometida onde

jorra o leite e o mel, é apenas uma visão sugerida por Deus, mas não merecida pelo homem, que jamais a alcançará. A música teria outras versões de cantores da MPB, entre elas a do próprio Chico Buarque, que a gravou no álbum “Paratodos” (1993), mas a perfeição lírica só foi atingida por Gilberto Gil, numa interpretação que até os dias atuais, insiste em permanecer definitiva.

Ou será que o Deus
Que criou nosso desejo é tão cruel
Mostra os vales onde jorra o leite e o mel
E esses vales são de Deus

O Tatuador” (Edu Lobo), é outra canção inserida na versão do CD. Preterida a outras na versão de vinil, em 1983, aparece sem letra, interpretada instrumentalmente. A ausência de uma letra de Chico Buarque não invalida a sua beleza, mas faz com que imaginemos que outra grande obra-prima da MPB poderia ter daqui surgido.


Hora de Partir e Cerrar as Cortinas



A Bela e a Fera” (Chico Buarque – Edu Lobo), desafoga um pouco o questionamento existencialista, não se distanciando do caráter humano. Aqui a fera declara-se à bela. A fera é a tradução do homem rude, rústico e de músculos como símbolo do seu caráter, distanciado do intelecto. A canção traz um magnífico Tim Maia, único capaz de dar a interpretação histriônica que ela exige. A voz agreste do cantor consegue oscilar entre o homem rude e sensível, analfabeto por sua condição social, mas poeta na alma. Quase domesticada, a fera faz um poema verbal à amada, mas não se esquece da sua essência silvestre, ameaçando arrombar a janela se ela não a abrisse para o seu amor.

Mais que na lua ou no cometa
Ou na constelação
O sangue impresso na gazeta
Tem mais inspiração
No bucho do analfabeto
Letras de macarrão
Letras de macarrão
Fazem poema concreto

O Circo Místico” (Chico Buarque – Edu Lobo), sintetiza todas as músicas, traduzindo a mensagem, a poesia e o imenso clima de teatro que gerou as canções, sendo o existencialismo humano arrancado no seu âmago, alcançando um ludismo quase que infinito. Zizi Possi tem um dos momentos mais belos da sua carreira, dando uma interpretação lúdica, beirando à perfeição da voz em encontro com a poesia. Derrama-se o véu da própria existência, a vida caminha às vezes dentro de um vagão apressado, outras vezes entre os refletores do palco, encerrando-se no infinito da morte, desenhada no vôo mortal do trapezista. O clima existencialista enlaça as canções. Depois da canção, já não há mais o que perguntar, o salto para a morte encerra tudo. Já não há tempo para os questionamentos, apenas para encerrar o espetáculo, cerrar as cortinas e seguir viagem, o show tem que prosseguir, como a vida.



Negro refletor
Flores de organdi
E o grito do homem voador
Ao cair em si
Não sei se é vida real
Um invisível cordão
Após o salto mortal

E o álbum é encerrado com “Na Carreira” (Chico Buarque – Edu Lobo), num espetacular dueto de Edu Lobo e Chico Buarque, mostrando a vida mambembe dos artistas de circo. A canção final já não traz questionamentos existenciais, mas a constatação dos efeitos daquela vida cigana, suas conseqüências, aspirações e desfechos. O importante é seguir, não deixar nunca o espetáculo morrer. A verdade é um sonho, jamais a realidade, o artista mambembe tem como função chegar subitamente nas cidades, envolver as pessoas, deixar suas marcas e seguir viagem, desaparecendo sem avisos, assim como chegou. O artista de circo pode sonhar, jamais fincar raízes na realidade ou em qualquer lugar. Sob este dueto, encerra-se um dos mais belos álbuns da Música Popular Brasileira.


O Grande Circo Místico, de Jorge de Lima


O médico de câmara da imperatriz Teresa - Frederico Knieps - resolveu que seu filho também fosse médico,


mas o rapaz fazendo relações com a equilibrista Agnes,
com ela se casou, fundando a dinastia de circo Knieps
de que tanto se tem ocupado a imprensa.
Charlote, filha de Frederico, se casou com o clown,
de que nasceram Marie e Oto.
E Oto se casou com Lily Braun a grande deslocadora
que tinha no ventre um santo tatuado.
A filha de Lily Braun - a tatuada no ventre
quis entrar para um convento,
mas Oto Frederico Knieps não atendeu,
e Margarete continuou a dinastia do circo
de que tanto se tem ocupado a imprensa.
Então, Margarete tatuou o corpo
sofrendo muito por amor de Deus,
pois gravou em sua pele rósea
a Via-Sacra do Senhor dos Passos.
E nenhum tigre a ofendeu jamais;
e o leão Nero que já havia comido dois ventríloquos,
quando ela entrava nua pela jaula adentro,
chorava como um recém-nascido.
Seu esposo - o trapezista Ludwig - nunca mais a pôde amar,
pois as gravuras sagradas afastavam
a pele dela o desejo dele.
Então, o boxeur Rudolf que era ateu
e era homem fera derrubou Margarete e a violou.
Quando acabou, o ateu se converteu, morreu.
Margarete pariu duas meninas que são o prodígio do Grande Circo Knieps.
Mas o maior milagre são as suas virgindades
em que os banqueiros e os homens de monóculo têm esbarrado;
são as suas levitações que a platéia pensa ser truque;
é a sua pureza em que ninguém acredita;
são as suas mágicas que os simples dizem que há o diabo;
mas as crianças crêem nelas, são seus fiéis, seus amigos, seus devotos.
Marie e Helene se apresentam nuas,
dançam no arame e deslocam de tal forma os membros
que parece que os membros não são delas.
A platéia bisa coxas, bisa seios, bisa sovacos.
Marie e Helene se repartem todas,
se distribuem pelos homens cínicos,
mas ninguém vê as almas que elas conservam puras.
E quando atiram os membros para a visão dos homens,
atiram a alma para a visão de Deus.
Com a verdadeira história do grande circo Knieps
muito pouco se tem ocupado a imprensa.

(A Túnica Inconsútil - 1938)


Ficha Técnica:



O Grande Circo Místico


Somlivre
1983

Músicas de Edu Lobo / Letras de Chico Buarque
Criado para o Ballet Guaíra
Interpretações : Milton Nascimento, Jane Duboc, Gal Costa, Simone, Gilberto Gil, Tim Maia, Zizi Possi, Chico Buarque e Edu Lobo
Direção artística: Edu Lobo
Arranjos: Chico de Moraes e Edu Lobo
Orquestrações e regência: Chico de Moraes
Concepção, roteiro, ilustrações da capa e encarte: Naum Alves de Souza
Produção: Homero Ferreira
Baseado no poema “O Grande Circo Místico” de Jorge de Lima
Coreografia: Carlos Trincheiras
Técnico de gravação: Edu de Oliveira
Técnico de mixagem: Alan Sides
Gravado nos estúdios da Som Livre, Rio de Janeiro, entre agosto e dezembro de 1982. Mixado nos estúdios da Ocean Way, Los Angeles, em janeiro de 1983.

Músicos participantes:


Piano: Cristóvão Bastos
Piano Yamaha: Cristóvão Bastos e Chico de Moraes
Piano Rhodes: Antônio Adolfo e Raimundo Nicioli
Baixo Acústico: Sérgio Barroso e Ken Wild
Baixo Elétrico: Jamil Joanes e Jorjão
Violão: Edu Lobo, Gilberto Gil e Nelson Angelo
Percussão: Paschoal Meirelles, Chico Batera e Jorge de Oliveira
Flauta: Mauro Senise, Celso Woltzenlogel e Paulinho Guimarães
Bateria: Paulinho Braga
Guitarra: Hélio Delmiro
Bells e Xilofone: Pinduca
Minimoog: Chico de Moraes
Clarinete: Biju, Macaé, Mazinho, Zé Bodega e José Botelho
Requinta: José Botelho
Picollo: Celso Woltzenlogel
Trompa: Zdenek Svab, Antônio Cândido, Luiz Cândido e Luciano
Sax-Alto: Netinho, Oberdan Magalhães e Macaé
Sax-Tenor: Leo Gandelmann, Biju, Nivaldo Ornellas e Zé Bodega
Sax-Barítono: Aurino e Leo Gandelmann
Trompete: Formiga, Barreto, Niltinho, Bidinho, Hamilton e Márcio Montarroyos


Trombone: Edmundo Maciel, Edson Maciel, Flamarion, Berto, Jessé, Manoel Araújo e Serginho
Fagote: Noel Devos
Gaita: Maurício Einhorn
Harpa: Dorothy Ashby
Oboé: Braz
Violinos: Giancarlo Pareschi (spalla), Aizik Geliër, Alfredo Vidal, Carlos Hack, Francisco Perrota, João Daltro de Almeida, Jorge Faini, José Alves, Luiz Carlos Marques, Marcelo Pompeu, Michel Bessler, Walter Hack, Paschoal Perrota, André Charles Guetta, João de Menezes, José de Lana e Virgilio Arraes
Violas: Arlindo Penteado, Frederick Stephany, Hindemburgo Pereira, Murilo Loures, Nelson Macedo e José de Lana
Cellos: Alceu de Almeida Reis, Jacques Morelenbaum, Jorge Ranevsky, Márcio Mallard e Henrique Drach
Contrabaixos: Gabriel Bezerra de Mello e Sandrino Santoro
Coro: Luna, Márcia Ruiz, Maucha Adnet, Regininha, Rosa Lobo, Verônica Sabino, Chico Adnet, Dalmo Medeiros, Márcio Lott, Paulinho Pauleira, Paulo Roberto, Ronald Vale e Zé Luiz
Coro Infantil: Bebel, Isabel, Lelê, Luiza, Mariana, Silvinha, Bernardo, Cristiano e Kiko
Arregimentação e Regência do Coro Infantil: Cristina


Faixas:

01 - Abertura do circo (Edu Lobo)

(Instrumental)
02 Beatriz (Chico Buarque – Edu Lobo) Interpretação: Milton Nascimento
03 - Valsa dos clowns (Chico Buarque – Edu Lobo) Interpretação: Jane Duboc
04 - Opereta do casamento (Chico Buarque – Edu Lobo) Interpretação: Coro
05 - A história de Lily Braun (Chico Buarque – Edu Lobo) Interpretação: Gal Costa
06 - Oremus (Edu Lobo) Interpretação: Coro
07 - Meu namorado (Chico Buarque – Edu Lobo) Interpretação: Simone
08 - Ciranda da bailarina (Chico Buarque – Edu Lobo) Interpretação: Coro Infantil,
09 - Sobre todas as coisas (Chico Buarque – Edu Lobo) Interpretação: Gilberto Gil
10 - O tatuador (Edu Lobo) Instrumental
11 - A bela e a fera (Chico Buarque – Edu Lobo) Interpretação: Tim Maia
12 - O circo místico (Chico Buarque – Edu Lobo) Interpretação: Zizi Possi
13 - Na carreira (Chico Buarque – Edu Lobo) Interpretação: Chico Buarque e Edu Lobo

sábado, 9 de janeiro de 2010

01 ANO SEM DONA EDITH DO PRATO

Há um ano, uma voz calou-se em Santo Amaro da Purificação (a 94 km de Salvador, no Recôncavo baiano). Em uma tarde com a mesma data de hoje (09 de janeiro), porém em uma sexta-feira, ao som de Luzes da Ribalta, de José Augusto, os santoamarenses deram o último adeus à sambista Edith Oliveira Nogueira, mais conhecida como Edith do Prato, 94, que ficou famosa por usar um prato e uma faca como instrumentos.

Edith participou do disco Araçá Azul, de Caetano Veloso, de quem foi mãe de leite. Trinta anos depois, aos 86 anos de idade, gravou o próprio CD, Dona Edith do Prato e Vozes da Purificação, produzido pelo cantor e compositor J. Velloso, com patrocínio do governo do Estado.

Foram poucas, mas marcantes, as vezes em que as chulas, sambas-de-roda e lundus, típicos do Recôncavo baiano, subiram aos palcos pontuadas pelo toque do prato de dona Edith, que nunca imaginou fazer carreira artística e nem usou esse dom como profissão. Não teve nenhuma referência artística, mas contou com o dom natural de tocar um simples prato de louça, ainda adolescente.

“Ela começava a tirar os primeiros sons da metade de uma cuia de queijo quando brincava de fazer comida no quintal de casa. Na adolescência, tocava prato e assim descobriu um som diferente e foi aperfeiçoando. Para ela, o prato tinha que ser de louça e o mais barato, e a faca de inox, sem cabo de madeira. Não teve referência artística, mas um dom, que foi desenvolvendo aos poucos. Ela nunca se imaginou artista”, contou o neto de criação e produtor Ninho Nascimento.

As duas famílias mais conhecidas de Santo Amaro, a Velloso e a Oliveira, são muito próximas porque a irmã caçula de Edith, Nicinha, foi criada por dona Canô, e Caetano é filho de leite de dona Edith.

EM PÚBLICO – A primeira aparição pública de dona Edith do Prato foi em Santo Amaro, há 60 anos, no aniversário de Maria Mutti, diretora do Núcleo de Incentivo Cultural de Santo Amaro. Tocando prato, ela se apresentou há dois anos e meio com Roberto Mendes no SESC Pompéia, em São Paulo. Em Salvador, foi em junho do ano passado que apareceu pela última vez em público, no lançamento do livro Mulheres negras do Brasil, na Fundação Pedro Calmon. “Na página 404, há relatos sobre a vida e a tardia, mas influente, musicalidade de dona Edith”, ressaltou Ninho. Em 2004, ela ganhou o Prêmio TIM de Melhor Disco Regional.

Segundo Ninho, que a acompanhava em todos os lugares há 14 anos, dona Edith do Prato não sofreu influência artística, mas foi uma referência para outros artistas como o próprio Caetano, Maria Bethânia e Mariene de Castro. A primeira vez que ela saiu de Santo Amaro foi em 1972, com Roberto Mendes, para se apresentar num festival, em Feira de Santana. “No ano seguinte Caetano a projetou como intérprete, foi quando se tornou mais conhecida. Teve participações também no disco Circuladô, de Caetano, em três discos de Roberto Mendes, e do disco Ciclo, de Maria Bethânia. Ela influenciou todos esses artistas que a tornaram conhecida”, contou.

Alguns até tentaram aprender a tocar prato com dona Edith, como Mariene de Castro e o próprio filho, Luciano Oliveira, 63 anos, que foi percussionista, além de Valmar Paim, que hoje é músico do Chiclete com Banana.

A técnica de tocar pratos descoberta por dona Edith tem particularidades. “O prato tem que ser o mais vagabundo e barato, de louça. Não é qualquer louça ou faca que produz o melhor som. A faca tem que ser fina e sem cabo de madeira, toda de inox”, ensinou o neto de criação, Edson Nasciento.

Dona Canô, a matriarca dos Velloso, relatou que Santo Amaro perdeu uma pessoa de boa índole e que ajudou a projetar a cidade. “Ultimamente Edith perdeu a força e deixou de tocar prato. Deu nome a Salvador e à Bahia. Uma voz que se calou no Recôncavo e deixa muitas saudades”, avaliou.

Toda Santo Amaro se mobilizou para se despedir da sambista. Ela morreu às 22h30 de quinta-feira, aos 94 anos, depois de apresentar insuficiência respiratória. Estava internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Português desde o último dia 18, devido a um Acidente Vascular Cerebral (AVC)

Nas palavras do poeta Hermínio Bello de Carvalho, Dona Edith do Prato é uma espécie de cartão postal sonoro da Bahia. Nascida há 87 anos em Santo Amaro da Purificação, região do Recôncavo Baiano, Dona Edith surgiu para a música brasileira há exatas três décadas, com uma participação indelével no disco Araçá Azul, de Caetano Veloso.Na faixa de abertura do álbum, Dona Edith fazia o que mais sabe: entoar samba de roda (no caso Viola meu bem, D.P.) e raspar a faca no prato, num suingue personalíssimo que lhe valeu o nome artístico. A partir daí, Dona Edith tornou-se referência para diversas gerações de cantadores.

O disco Vozes da Purificação, lançamento do selo Quitanda (distribuição Biscoito Fino), apresenta Dona Edith do Prato em toda a sua simplicidade gloriosa. Gravado em 2002 (e lançado a princípio numa tiragem comercial restrita), o álbum chega ao grande público pelas mãos de Maria Bethânia, que participa dos sambas de roda Quem Pode Mais, Dona da Casa e Eu Vim Aqui. Dona Edith já havia sido recebida por Bethânia no disco Ciclo, onde interpretou a chula Filosofia Pura.

Caetano Veloso é outro a purificar as vozes do Recôncavo de Edith. Ele participa de Minha Senhora, música que inspirou a composição tropicalista homônima de Gilberto Gil e Torquato Neto. Apontando para diversas gerações dos Velloso (assim mesmo, com L dobrado, como aparece no encarte do CD), Caetano une o samba de Santo Amaro a How Beautiful Could a Being Be, de autoria de seu filho Moreno. Outro filho talentoso do Recôncavo é o sambista Roque Ferreira, que participa da faixa Ariri Vaqueiro.

Das 14 faixas do álbum, apenas três não pertencem ao Domínio Público. Além da já citada How Beautiful, são elas Raiz, de Roberto Mendes e Jota Velloso (este, o produtor do disco), e o Hino de Nossa Senhora da Purificação, de Carlos Sepulveda. A predominância das faixas de autoria desconhecida se deve ao fato de o samba de roda ser um gênero primitivo, cantado e cultivado pelas baianas antes do aparecimento do samba propriamente dito, no Rio, na década de 10.

Nas palmas e na cantoria coletiva, típica dos sambas do Recôncavo, destaca-se o grupo de cantadoras septuagenárias de Santo Amaro, não por acaso batizado com o mesmo nome do disco: Vozes da Purificação. A arte da capa e do encarte é de Gringo Cardia.


Vozes da Purificação (2004)

Faixas:
01 - Abertura e Cavaleiro (D. Edith do Prata e Vozes da Purificação)
02 - Quem Pode Mais / Dona da Casa / Eu Vim Aqui (com Maria Bethânia) (D. Edith do Prata e Vozes da Purificação)
03 - Marinheiro Só (D. Edith do Prata e Vozes da Purificação)
04 - Casa Nova / Raiz (com Mariene de Castro) (D. Edith do Prata e Vozes da Purificação)
05 - Tombo do pau (D. Edith do Prata e Vozes da Purificação)
06 - Samba Numerado (com Cortejo Afro) (D. Edith do Prata e Vozes da Purificação)
07 - Ariri Vaqueiro (com Roque Ferreira) (D. Edith do Prata e Vozes da Purificação)
08 - Senimbú e Calolé (D. Edith do Prata e Vozes da Purificação)
09 - Ai Dindinha (com Nené Barreto) (D. Edith do Prata e Vozes da Purificação)
10 - Minha Senhora / How Beautiful (com Caetano Veloso) (D. Edith do Prata e Vozes da Purificação)
11 - Santo Amaro ê ê (Erlon Portugal) (D. Edith do Prata e Vozes da Purificação)
12 - Viola Meu Bem (D. Edith do Prata e Vozes da Purificação)
13 - Vivas (D. Edith do Prata e Vozes da Purificação)

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