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ZÉ RENATO - ENTREVISTA EXCLUSIVA

Com 40 anos de carreira, o músico capixaba faz uma retrospectiva biográfica de sua trajetória como instrumentista, compositor e intérpretes em diverso dos projetos nos quais participou.

VERSOS E MELODIAS INCRUSTADAS ENTRE O PLANALTO E O SERTÃO

Embevecido da cultura popular nordestina, Túlio Borges a faz de esteio para os versos e melodias que sustentam a trilogia a que se propõe.

QUEM FOI INALDO VILARIN?

Autor de canções como “Eu e o meu coração” (gravada por nomes como João Gilberto e Maysa), Inaldo Vilarin é mais um na triste estatística de um país sem memória

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

CORDEL DO FOGO ENCANTADO - 10 ANOS DO REC BEAT

Em 1997 um grupo teatral voltou a atenção para a cidade de Arcoverde. Nascia o espetáculo "Cordel do Fogo Encantado", basicamente de poesia, onde a música ocuparia um espaço de ligação entre essa poesia. Começou em um ambiente de teatro e as pessoas envolvidas eram relacionadas ao teatro. Na formação, José Paes de Lira, Clayton Barros e Emerson Calado. Por dois anos, o espetáculo, sucesso de público, percorreu o interior do estado.

Em Recife, o grupo ganhou mais duas adesões que iria modificar sua trajetória: os percussionistas Nego Henrique e Rafa Almeida. No carnaval de 1999 o Cordel se apresenta no Festival Rec-Beat e o que era apenas uma peça teatral ganha contornos de um espetáculo musical. Ao lirismo das composições somou-se a força rítmica e melódica dos tambores de culto-africano e a música passou a ficar em primeiro plano. A estréia no carnaval pernambucano mais uma vez chamou a atenção de público e crítica e o que era, até então, sucesso regional, ultrapassou as fronteiras, ganhando visibilidade em outros estados e o status de revelação da música brasileira.


Na formação, o carisma e a poesia de José Paes de Lira, a força do violão regional de Clayton Barros, a referência rock de Emerson Calado e o peso da levada dos tambores de Rafa Almeida e Nego Henrique. O Cordel do Fogo Encantado passa a percorrer o país, conquistando a todos com suas apresentações únicas e antológicas.

As apresentações da banda surpreenderam a todos não somente pela força da mistura sonora ousada de instrumentos percussivos com a harmonia do violão raiz. À magia do grupo que narra a trajetória do fogo encantado, soma-se a presença cênica de seus integrante e os requintes de um projeto de iluminação e cenário.

Em 2001, com produção do mestre da percussão Nana Vasconcellos, o Cordel do Fogo Encantado se fecha em estúdio para gravar o primeiro álbum, que leva o nome da banda. A evolução artística amplia ainda mais o alcance do som do grupo que, mesmo atuando independente, ganha mais público e atenção da mídia, por onde passa.

Com turnê que passou pelos mais remotos cantos do país, um ano depois, em 2002, o grupo volta para o estúdio para gravar o segundo trabalho: "O Palhaço do Circo Sem Futuro", produzido por eles mesmos, de forma independente. Lançado no primeiro semestre de 2003, o trabalho foi considerado pela crítica especializada um dos mais inventivos trabalhos musicais produzidos nos últimos anos.

E o Cordel do Fogo Encantado ganha projeção internacional, com apresentações na Bélgica, Alemanha e França. Entre os prêmios conquistados pela banda estão o de banda revelação pela APCA (2001) e os de melhor grupo pelo BR-Rival (2002), Caras (2002), TIM (2003), Qualidade Brasil (2003) e o bi-campeonato do Prêmio Hangar (2002 e 2003).


No cinema, a banda participou da trilha sonora e do filme de Cacá Diegues, "Deus É Brasileiro". Nas brechas das turnês, Lira Paes marcou presença também na trilha sonora de "Lisbela e o Prisioneiro", de Guel Arraes, na qual interpreta a música "O Amor é Filme". Lirinha, como é conhecido pelos fãs, também atuou no filme Árido Movie, de 2006.

Em outubro de 2005 o Cordel do Fogo Encantado lançou o DVD "MTV Apresenta", o primeiro registro audiovisual da banda. "Transfiguração", terceiro disco lançado em setembro de 2006, vem borrar ainda mais a linha de fronteira entre as artes cênicas e a música. Pela primeira vez o grupo faz primeiro o registro sonoro para então se dedicar à criação do espetáculo. Com produção de Carlos Eduardo Miranda e Gustavo Lenza e mixagem de Scotty Hard, o Cordel do Fogo Encantado se firma como um dos grupos mais representativos da cena independente nacional.


Discografia:

Cordel Do Fogo Encantado (2001)
Faixas:
01 - A Chegada De Zé Do Né Na Lagoa De Dentro
02 - Poeira (ou Tambores Do Vento Que Vem)
03 - Profecia (Ou testamento de Ira)
04 - Boi Luzeiro (ou A Pega Do Violento, Vaidoso E Avoado)
05 - Chamada Dos Santos Africanos
06 - Chover (ou Invocação Para Um Dia Líquido)
07 - O Cordel Estradeiro
08 - Antes Dos Mouros
09 - Os Oim Do Meu Amor
10 - Toada Velha Cansada
11 - Salve
12 - Alto Do Cruzeiro (ou Auto Do Cruzeiro)
13 - Pedrinha
14 - Foguete De Reis (Ou A Guerra)
15 - O Carroceiro
16 - Profecia Final (Ou No Mais Profundo)
17 - Catingueira
18 - Ai Se Sêsse


Cordel Do Fogo Encantado - O palhaço do circo sem futuro (2003)
Faixas:
01 - Os Anjos Caídos (ou A Construção Do Caos)
02 - Nossa Senhora Da Paz (ou O Trapézio Do Sonho)
03 - Na Veia
04 - A árvore Dos Encantados (ou Recado Da Ororubá)
05 - O Palhaço Do Circo Sem Futuro (ou A Trajetória Da Terra)
06 - Devastação Da Calma (ou A Tempestade)
07 - Tempestade (ou A Dança Dos Trovões)
08 - Quando O Sono Não Chegar
09 - Dos Três Mal-amados Palavras De Joaquim
10 - A Matadeira (ou No Balanço Da Justiça)
11 - Britadeira (ou Flores Pedra Solidão)
12 - Cavaleiros Do Fogo Da Origem
13 - Jetir Xenupre Jucrêgo
14 - O Espetáculo
15 - Vou Saquear A Tua Feira
16 - O Fim Do Segundo Ato


Cordel Do Fogo Encantado - MTV Apresenta (áudio do DVD)(2005)
Faixas:
01 - A Chegada de Zé do Né na Lagoa de Dentro
02 - Nossa Senhora da Paz (ou O Trapézio do Sonho)
03 - A Matadeira (ou no Balanço da Justiça
04 - Poeira (ou Tambores do Vento Que Vem)
05 - Devastação da Calma (ou A Tempestade)
06 - Tempestade (ou A Dança dos Trovões)
07 - Foguete de Reis (ou A Guerra)
08 - Antes dos Mouros
09 - Cavaleiro da Ordem do Deserto
10 - Os Anjos Caídos (ou A Construção do Caos)
11 - Boi Luzeiro (ou A Pega de Violento, Vaidoso e Avoador)
12 - Dos Três Mal-Amados - Palavras de Joaquim
13 - Tambores do Fogo
14 - Na Veia
15 - A Árvore dos Encantados (ou Recado da Ororubá)
16 - Morte e Vida Stanley
17 - Pedrinha
18 - Salve
19 - Os Oím do Meu Amor
20 - Britadeira (ou Flores Pedra Solidão)
21 - O Palhaço do Circo sem Futuro (ou A Trajetória...)
22 - Catingueira
23 - Louco de Deus
24 - Chamada dos Santos Africanos
25 - Chover (ou Invocação para um Dia Líquido)


Cordel Do Fogo Encantado - Transfiguração(2006)
Faixas:
01 - Tlank
02 - O Lamento das Águas Sagradas
03 - Joana do Arco (Agitprop)
04 - Canto dos Emigrantes
05 - Morte e Vida Stanley
06 - Na Estrada (Quando Encontrei Dean Pela Primeira
07 - Aqui (Memórias do Cárcere)
08 - O Sinal Ficou Verde (Além do Bem e do Mal)
09 - Sobre as Folhas (O Barão nas Árvores)
10 - Preta
11 - Pedra e Bala (Os Sertões)
12 - Louco de Deus (Perto de Você)
13 - Ela Disse Assim (A Teus Pés)
14 - Transfiguração

O RETORNO DOS BOLACHÕES

Por Lauro Lisboa Garcia

O CD está pela hora da morte, há tempos já se diz. Para quem gosta de música, porém, há boas novas no horizonte. Os velhos e amados discos de vinil, que fazem a alegria de colecionadores e roqueiros, estão de novo em alta no mercado. Mas desta vez o movimento não se restringe aos sebos, que têm se mantido em pé graças aos bolachões, e as novidades não vêm só dos Estados Unidos, onde as vendas subiram em 2008 (leia abaixo). Além dos lançamentos importados - disponíveis até em duas redes de livrarias, a Cultura e a Saraiva -, “um sonho realizável” está para se concretizar. A última fábrica de vinil no Brasil, a Polysom, que fechou as portas em outubro de 2008, vai reabrir sob nova administração. Quem assume as rédeas desta vez é o empresário João Augusto, presidente da gravadora independente Deckdisc.

Outro sinal de interesse nesse nicho parte da major Sony/BMG, que vai relançar, a partir de fevereiro, em CD e LP, 30 títulos de artistas de seu acervo, como Da Lama ao Caos (Chico Science & Nação Zumbi) e os homônimos álbuns de estreia de João Bosco e Vinícius Cantuária, para citar três do primeiro lote.

“A Polysom fechou por problemas de administração e é só essa questão que falta resolver. Nós nos interessamos pela fábrica e decidimos adquiri-la e colocar logo em funcionamento. Queremos já soltar os primeiros discos em abril”, diz o experiente João Augusto, que já atuou na antiga Polygram, na EMI e na Abril Music. “Temos a colaboração dos antigos donos, que também trabalhariam com a gente, há uma grande corrente favorável.” O projeto não é só dele, estão envolvidos outros profissionais com quem trabalha na Deckdisc. Um deles é o produtor Rafael Ramos, seu filho e um grande entusiasta do vinil.

A ideia básica, segundo João, é atender a indústria, não só do Brasil, mas de toda a América Latina, já que deve ser a única no continente. “Isso atinge potencialmente Argentina, Chile e Colômbia, mas basicamente o Brasil, para atender selos como Monstro, Baratos Afins e todo mundo dessa área. Por outro lado, tem as majors, que sempre encontram problemas quando seus artistas querem lançar LP, porque o processo de importação é muito lento. Temos o exemplo de Cê, de Caetano Veloso, que saiu muito depois do CD e foi até um êxito de vendas.”

Na Europa e nos Estados Unidos é cada vez mais comum o lançamento do CD de artistas em evidência hoje também ter uma produção paralela em LP - caso de Amy Winehouse, Portishead, Beck e o citado Radiohead. Por aqui, o último a investir nos dois formatos foi Lenine, com Labiata, em 2008. O próximo será o Skank. A versão em LP do álbum mais recente da banda, Estandarte, sai entre março e abril pela Sony/BMG. O problema é que, como os discos são fabricados nos Estados Unidos, o bolachão chega ao consumidor brasileiro com valor de importado: em torno de R$ 120.

Os relançamentos da série Primeiro Disco, da Sony/BMG, confeccionados nos EUA, custarão em torno de R$ 150, reunindo com o CD, o LP e um encarte especial, com fotos e material de pesquisa, numa edição conjunta. Serão mil unidades por título. “Não acredito em volumes expressivos de vendas, mas existe um movimento em torno disso”, diz Marcus Fabrício, gerente de marketing da gravadora. “É um teste, mas a gente pode ter uma surpresa, uma demanda que valha a pena produzir discos no Brasil, podendo baixar o custo de manufatura e o preço para o consumidor. Aí pode valer a pena esporadicamente investir em lançamentos simultâneos com o CD, como acontece lá fora.”

João Augusto também não pensa em ter lucro, mas que pelo menos empate o investimento. “A intenção onírica é muito maior do que a econômica”, diz. Como diante da falência do mercado massivo o de nicho ganha importância, a intenção do chefão da Deckdisc é também investir em acervo. “Vamos criar um label próprio para relançar coisas antigas. As majors não se interessam em fazer produtos para vender 500 cópias. A gente vai se interessar.” A Universal, por exemplo, já cogitou disponibilizar todo seu fabuloso catálogo para ele.

No cargo de comprador de música da Livraria Cultura, em São Paulo, Rodrigo de Castro é outro entusiasta da causa e incentivador da reabertura da fábrica de vinil. “A gente abriria espaço na loja para reedições de álbuns antigos, se tivessem algo especial. Mas não dá para apostar numa Mart’nália, por exemplo”, compara. “Um álbum como Labiata, do Lenine, é conceitual, bacana, mas não tem venda expressiva. Hoje, um lançamento em vinil tem de ter alguma faixa exclusiva, sair em edições limitadas.” E precisa ser bom, certo?

Desde 2006 a Cultura, em São Paulo, vem investindo gradativamente na comercialização de LPs. Começou com títulos de Itamar Assumpção, Mutantes e Fellini, da Baratos Afins, e hoje investe mais nos importados. Os preços variam de R$ 99 a R$ 109. Para o vinil se popularizar, outro passo importante é a indústria nacional voltar a fabricar os toca-discos. Os aparelhos importados, como os discos, continuam caros.

Os álbuns Da Lama aos Caos (1994), de Chico Science e Nação Zumbi, marco zero do movimento mangue beat, e João Bosco, de 1973, com o clássico Bala Com Bala, voltam em fevereiro em edição especial com CD e LP.

NEY MATOGROSSO VERSÃO LUXO

Em Beijo bandido cantor optou por sons acústicos e um grupo de renomados músicos.

Por José Teles

A carreira solo de Ney Matogrosso vem sendo pautada pelo extravagante versus sobriedade. Depois do exuberante e colorido Inclassificáveis, ele reaparece com um novo disco, Beijo bandido (EMI), com uma luxuosa encadernação em tons pastel e prata, com um não menos requintado encarte, no qual aparece em várias fotos de terno e gravata (direção de arte de Ocimar Versolato). Enquanto em Inclassificáveis ele tocava com uma banda de ilustres, e talentosos desconhecidos, num som plugado de guitarras distorcidas, em Beijo bandido Ney optou por sons acústicos e um grupo de renomados músicos: Leandro Braga (piano), Lui Coimbra (cello e violão), Ricardo Amado (violino e bandolim) e Felipe Roseno (percussão). Leandro Braga também é o responsável pelos arranjos e direção musical. “Nos meus discos eu primo pelo melhor e a embalagem faz parte disso. Esta capa e o encarte têm sido muito comentados, mas a de Inclassificáveis também foi luxuosa”. Pela sobriedade e elegância do figurino, o tratamento camerístico do show, tem-se comparado Beijo bandido com Pescador de pérolas,
de 1987, no qual ele também aparecia de terno, de cara limpa e com um formato instrumental parecido: Arthur Moreira Lima (piano), Chacal (percussão), Paulo Moura (saxofone) e Raphael Rabello (violão): “Pode até parecer, mas o conceito dos dois repertórios são bem diversos”, diferencia Ney, apontando para o repertório calcado no romântico de Beijo bandido.
Beijo bandido é um disco de canções e, sobretudo, de intérprete Para Ney, a canção é eterna e uma dessas com destino à eternidade é Fascinação que, com Tango pra Tereza e de Cigarro em cigarro, dá o tom e clima para o disco: “As três eu já havia gravado. Tango para Tereza havia feito com Teresa Tinoco, De cigarro em cigarro gravei com Luli e Lucina. Então esperei que estas música estivessem no CD de raridades da caixa Camaleão. Não estavam, e resolvi gravar novamente”, explica Ney Matogrosso o embrião de Beijo bandido. O título, segundo ele, foi pura coincidência, não tem influência do filme Luz nas Trevas, de Helena Ignez, no qual interpretará o célebre bandido da luz vermelha, que aterrorizou São Paulo. O título vem de um verso da música de Vitor Ramil, Invento, que ele canta no novo disco: “Leva um beijo perdido/um verso bandido/um sonho refém”. Nas 14 faixas de Beijo bandido há algumas outras surpresas, como Bicho de sete cabeças, de Geraldo Azevedo, e A distância (Roberto e Erasmo Carlos), que ele pensava em gravar desde que assistiu ao filme Violência e paixão, de Luchino Visconti (1974), mas só agora conseguiu um disco com um repertório que a enquadrasse.
O disco, como já aconteceu com outros do cantor antes, teve seu repertório primeiramente testado em público, com um show em Santos (SP). Seria apenas um, mas ele acabou fazendo também em São Paulo e no Rio de Janeiro (dois): “Fiz o show para testar a reação da plateias às músicas. Assim você sabe quais funcionam ou não. Das que cantei, duas saquei que não funcionaram, uma foi Veleiro de Villa-Lobos e Tema de amor de Gabriela. Eu queria um show menos sisudo, mais relaxante”. Mais tarde, quando já gravava Beijo bandido, ele se deu conta de que, embora as músicas escolhidas fossem boas, o disco estava ficando meio careta. Aí procurou algumas músicas de que gostava, que não estiveram no show e que poderiam dar um molho mais suculento ao repertório romântico do álbum.
Uma destas tem a interpretação mais diferente do disco, a Cor do desejo, de dois autores pouco conhecidos, alagoanos Júnio Almeida e Guima, gravada pelo primeiro, no CD Limiar do tempo, que Ney Matogrosso ganhou quando fez o show Inclassificáveis em Maceió: “Eu tinha gravado direito, uma interpretação normal. Aí trouxe para casa e fiz com uma oitava abaixo, uma experimentação. Achei que ficou bem melhor assim”, explica. A versão que está no disco é cantada de forma sensual e sussurrante, quase falada, apenas, nos primeiros versos: “Tua boca anda oca/da minha língua/da minha língua/a minha língua anda à mingua/sem tua boca/sem tua boca”. Outra canção que não fez parte do show foi Nada por mim, de Herbert Vianna e Paula Toller, gravada por Marina Lima. A cantora convidou Ney para cantar a música com ela na festa do programa Sexo na MPB, e Ney passou a pensar em gravar a canção, que entrou no disco.
A prova de fogo deste CD é a enésima regravação de Fascinação (F. D. Marchetti, versão de Armando Louzada), de Carlos Galhardo a Agnaldo Timóteo, com uma versão definitiva de Elis Regina, em 1976. Ney encara Fascinação como “apenas” um clássico, e cantando assim, acrescenta mais uma grande versão à história da música.

PLACA LUMINOSA

A Banda existe desde janeiro de 1977, ano em que grava o primeiro disco, cuja faixa "Velho demais" é tema da novela global, "Sem lenço e sem documento".
Mesmo com a boa execução no rádio e um relativo sucesso, o Placa continuou na estrada fazendo, basicamente, bailes pelos clubes do país inteiro. Aliás, bom que se diga, os clubes das cidades do interior, principalmente, era um ótimo espaço de trabalho para o músico brasileiro, coisa que, recentemente, tem-se a impressão, vem ressurgindo, só que, agora, nos bares das médias e grandes cidades do Brasil.
O ano de 1981 é especial na história do PLACA. Raul de Souza considerado, então, o 3º melhor trombonista do mundo, segundo a revista Downbeat, acaba de chegar de Los Angeles à procura de uma banda que pudesse tocar com ele, nas apresentações que faria em São Paulo, bem como na gravação de especiais para as TVs Cultura e Bandeirantes. Foi um golaço! Tendo em vista que nas terras tupiniquins, para os segmentos tidos como formadores de opinião, tocar em bailes era uma atividade menor, porque, supostamente o músico de baile não seria criativo e, ou capaz de realizar trabalhos musicais dignos de respeito. Tocar com RAUL DE SOUZA foi um up grade. Era como se só agora, depois do "vestibular", a banda tivesse conseguido, finalmente, o passaporte para o time dos músicos propriamente ditos.
Ainda em 1981, gravam o LP "Néon", disco onde já começa a ser desenhado o estilo MPB-POP-SOUL que, hoje, no novo CD "Beleza que se espalha" pode-se afirmar, bastante definido. Um som de MPB meio jazzy, meio bossa nova, meio soul e meio pop, estética essa (pop) que foi, sem dúvida, bastante mais acentuada na fase de grande sucesso, da década de 80.
Logo após a gravação de "Neon", com o nome já consagrado no meio musical, surgem várias oportunidades de trabalho, agora com nomes de expressão no cenário musical nacional. Aí vieram, Erasmo Carlos, Tim Maia, Cezar Camargo Mariano, com quem fizeram o show "A todas amizades" com enorme sucesso de público e crítica alem do especial "À Cezar" que foi realizado por Solano Ribeiro (aquele dos festivais da Record) na TV Manchete. Outro golaço!
Foi o próprio Cézar Camargo Mariano quem se encarregou de recomendar a PLACA para Ney Matogrosso, que estava atrás de uma banda para o show "Destino de aventureiro". Dessa vez não foi só um golaço. Foi uma goleada. Não é à toa que, o próprio Ney acha, até hoje, que esse foi o melhor show da sua belíssima carreira. É isso aí, o Placa estava nessa, e não era tudo. Juntos em janeiro de 1985 abririam o primeiro Rock in Rio.
A estrada e a luta continuavam. Sempre fazendo shows, bailes e muitas, muitas "demos". Chega o ano de 1997. Com a versão de "Just to see her", de Smokey Robinson feita por Rosana Herman, na mão, foram para o estúdio Transamérica. A canção foi gravada. Dias depois uma fita com a versão, "Mais uma vez" começou a tocar na Jovem Pan e depois na rádio Cidade e depois na Band etc ,etc. O resto é história. Nos dois anos que se seguiram vieram os sucessos "Fica comigo" (novela Top Model-Globo) e "Ego" (novela Mico preto - Globo). Ambas as canções foram primeiro lugar nas paradas de sucesso em todo o Brasil.
Somente após 12 anos de ralação o Placa Luminosa seria, finalmente, uma banda reconhecida nacionalmente, como é até hoje. Um grande sucesso que está de volta ainda melhor.

Placa Luminosa - Beleza que se espalha (2006)



Faixas:
01 - Mapa da mina
02 - Não vou ficar
03 - Teu olhar
04 - Beleza que se espalha
05 - Seu guardião
06 - Sempre me engano
07 - Novo rumo
08 - Palavrad de apaixonado
09 - Meu coração é tua casa
10 - Fim de semana
11 - Não há dinheiro que pague
12 - Sem graça
13 - Com dinheiro é mole (Quero ver duro)
BONUS TRACKS:
14 - Fica comigo
15 - Mais uma vez (Just to see her)
16 - Faz de conta

Downloads:
http://www.4shared.com/file/61565058/aa1d6810/Placa_Luminosa.html

terça-feira, 17 de novembro de 2009

FADAS (CÉU E LUÍZ MELODIA)

50 ANOS SEM HEITOR VILLA-LOBOS

Heitor Villa-Lobos nasceu no Rio de Janeiro em 5 de março de 1887 e ao longo de sua vida musical destacou-se por ter sido o principal responsável pela descoberta de uma linguagem peculiarmente brasileira em música, sendo assim considerado o maior expoente da música do Modernismo no Brasil, compondo obras que enalteceram o espírito nacionalista onde incorpora elementos das canções folclóricas, populares e indígenas.
Filho de Noêmia Monteiro Villa-Lobos e Raul Villa-Lobos, foi desde cedo incentivado aos estudos, pois sua mãe queria vê-lo médico . No entanto, Raul Villa-Lobos, pai do compositor, funcionário da Biblioteca Nacional e músico amador, deu-lhe instrução musical e adaptou uma viola para que o pequeno Heitor iniciasse seus estudos de violoncelo. Aos 12 anos, órfão de pai, Villa-Lobos passou a tocar violoncelo em teatros, cafés e bailes; paralelamente, interessou-se pela intensa musicalidade dos "chorões", representantes da melhor música popular do Rio de Janeiro, e, neste contexto, desenvolveu-se também no violão. De temperamento inquieto, empreendeu desde cedo escapadas pelo interior do Brasil, primeiras etapas de um processo de absorção de todo o universo musical brasileiro. Em 1913 Villa-Lobos casou-se com a pianista Lucília Guimarães, indo viver no Rio de Janeiro. Em 1915 realiza o primeiro concerto com obras de sua autoria.

Em 1922 Villa-Lobos participa da Semana da Arte Moderna, no Teatro Municipal de São Paulo. No ano seguinte embarca para Europa, regressando ao Brasil em 1930, quando realiza turnê por sessenta e seis cidades. Realiza também nesse ano a " Cruzada do Canto Orfeônico" no Rio de Janeiro. Seu casamento com Lucília termina na década de 1930 . Depois de operar-se de câncer em 1948, casa-se com Arminda Neves d'Almeida a Mindinha, uma ex-aluna, que depois de sua morte se encarrega da divulgação de uma obra monumental. O impacto internacional dessa obra fez-se sentir especialmente na França e EUA, como se verifica pelo editorial que o The New York Times dedicou-lhe no dia seguinte a sua morte. Villa-Lobos nunca teve filhos.


As primeiras composições de Villa-Lobos trazem a marca dos estilos europeus da virada do século XIX para o século XX, sendo influenciado principalmente por Wagner, Puccini, pelo alto romantismo francês da escola de Frank e logo depois pelos impressionistas. Teve aulas com Frederico Nascimento e Francisco Braga.

Nas Danças características africanas (1914), entretanto, começou a repudiar os moldes europeus e a descobrir uma linguagem própria, que viria a se firmar nos bailados Amazonas e Uirapuru (1917). O compositor chega à década de 1920 perfeitamente senhor de seus recursos artísticos, revelados em obras como a Prole do Bebê, para piano, ou o Noneto (1923). Violentamente atacado pela crítica especializada da época, viajou para a Europa em 1923 com o apoio do mecenas Carlos Guinle e, em Paris, tomou contato com toda a vanguarda musical da época. Depois de uma segunda permanência na capital francesa (1927-1930), voltou ao Brasil a tempo de engajar-se nas novas realidades produzidas pela Revolução de 1930.

Apoiado pelo Estado Novo, Villa-Lobos desenvolveu amplo projeto educacional, em que teve papel de destaque o canto orfeônico, e que resultou na compilação do Guia prático (temas populares harmonizados).

À audácia criativa dos anos 1920 (que produziram as Serestas, os Choros, os Estudos para violão e as Cirandas para piano) seguiu-se um período "neobarroco", cujo carro-chefe foi a série de nove Bachianas brasileiras (1930-1945), para diversas formações instrumentais. Em sua obra prolífera, o maestro combinou indiferentemente todos os estilos e todos os gêneros, introduzindo sem hesitação materiais musicais tipicamente brasileiros em formas tomadas de empréstimo à música erudita ocidental. Procedimento que o levou a aproximar, numa mesma obra, Johann Sebastian Bach e os instrumentos mais exóticos.

É possível encontrar na obra de Villa-Lobos preferências por alguns recursos estilísticos: combinações inusitadas de instrumentos, arcadas bem puxadas nas cordas, uso de percussão popular e imitação do cantos de pássaros. O maestro não defendeu nem se enquadrou em nenhum movimento, e continuou por muito tempo desconhecido do público no Brasil e atacado pelos críticos, dentre os quais Oscar Guanabarino.Também se encontra em sua obra uma forte presença de referências a temas do folclore brasileiro.

Não obstante as severas críticas, Villa-Lobos alcançou grande reconhecimento em nível nacional e internacional. Entre os títulos mais importantes que recebeu, está o de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Nova Iorque e o de fundador e primeiro presidente da Academia Brasileira de Música. O maestro foi retratado nos filmes Bachianas Brasileiras: Meu Nome É Villa-Lobos (1979), O Mandarim (1995) e Villa-Lobos - Uma Vida de Paixão (2000), além de aparecer pessoalmente no filme da Disney, Alô, Amigos (1940), ao lado do próprio Walt Disney. Em 1986, Heitor Villa-Lobos teve sua efígie impressa nas notas de quinhentos cruzados.


Heitor Villa Lobos - Canções de Cordialidade (Poesias de Manuel Bandeira)


Canções:
01 - Feliz Natal
02 - Canto de Natal
03 - Feliz Ano Novo
04 - Boas Festas
05 - Feliz Aniversário
06 - Boas Vindas
07 - Lenda do Cabloco(Heitor Villa Lobos)(com Turibio Santos e Oscar Caceres)
08 - Ciranda Nr. 2 (Heitor Villa Lobos)(com Turibio Santos e Oscar Caceres)

Download:

NELSON JACOBINA

Nelson Jacobina Rocha Pires, instrumentista, arranjador e compositor.

Em meados da década de 1970, integrou, ao lado de Vinicius Cantuária (bateria) e Arnaldo Brandão (baixo), a Banda Atômica, grupo de apoio a Jorge Mautner, com quem vem atuando desde então, em shows e gravações.

Compôs várias canções em parceria com Jorge Mautner, com destaque para "Maracatu atômico", sucesso em gravação de Gilberto Gil e Chico Sciense.

Em 1988, lançou, com Jorge Mautner, o LP "Árvore da vida".



Ao lado de Jorge Mautner, participou dos songbooks de Dorival Caymmi (na faixa "Balaio grande", de Dorival Caymmi e Oswaldo Santiago) e Gilberto Gil (na faixa "Andar com fé").

É um dos integrantes da Orquestra Imperial.

Como compositor, teve canções gravadas por Gilberto Gil, Gal Costa, Leo Gandelman, Chico Science e Nação Zumbi, Milton Banana, César Camargo Mariano e Amelinha, além do parceiro Jorge Mautner.

Jorge Mautner e Nelson Jacobina - Árvore da vida (1988)

Faixas:
01 - Yeshua Ben Joseph (Jorge Mautner)
02 - Zum-zum (Nelson Jacobina - Jorge Mautner)
03 - Hiroshima Brasil (Jorge Mautner)
04 - Positivismo (Noel Rosa - Orestes Barbosa)
05 - Menino carnavalesco (Jorge Mautner)
06 - Perspectiva (Jorge Mautner)
07 - Maracatu atômico (Nelson Jacobina - Jorge Mautner)
08 - O vampiro (Jorge Mautner)
09 - Lágrimas secas (Nelson Jacobina - Jorge Mautner)
10 - Samba-jambo (Nelson Jacobina - Jorge Mautner)
11 - Teu olhar (Ismael Silva)
12 - Árvore da vida (Nelson Jacobina - Jorge Mautner)

domingo, 15 de novembro de 2009

UMA GERAL DO AZEVEDO

Cantor e compositor Geraldo Azevedo lança o seu primeiro DVD, no qual faz um balanço de 35 anos de carreira.

“Passei para uma nova dimensão. Comecei com o LP, depois com o compacto, o CD e agora no DVD. Um formato que dá uma abertura maior a carreira, com a mídia dando mais atenção, abrindo mais espaço. Está sendo ótima a turnê deste trabalho e um ótimo momento para mim”, comenta Geraldo Azevedo sobre a turnê que faz com o repertório do seu primeiro DVD, Uma geral do Azevedo. É o primeiro DVD solo, já que ele está com Elba Ramalho e Zé Ramalho no DVD O grande encontro Vol.3, de 2000.

O show aportou em Recife no último final de semana com praticament a mesma formação da banda que participou da gravação. Esta é uma das poucas vezes em que Geraldo Azevedo viaja com um grupo tão grande, banda completa, vocalistas: “É praticamente o mesmo pessoal que participou do DVD. Só mudou o tecladista, e saiu Lucas, meu filho, que tocou percussão na gravação, mas que voltou para Londres, onde mora”.

A carreira dele, no entanto, ressalta, ganhou consistência com os anos, assentada no formato voz e violão: “Fiz muitos shows assim, ou então com mais dois músicos. Este trabalho está sendo muito bom, mas eu gosto de voz e violão. O próximo DVD que gravar será neste formato, com alguns convidados. Isto naturalmente, depois que lançar o DVD Salve o São Francisco (também em CD), um projeto conceitual, com músicas inéditas, que tem as participações de Alceu Valença, Ivete Sangalo, Dominguinhos e Targino Gondim, que já está pronto”.

Geraldinho foi um dos últimos nomes consagrados de sua geração a lançar DVD. A razão dada para a demora foi o custo do formato, e o fato de estar já em seu próprio selo, o Geração. Lançado em setembro passado (e gravado em novembro de 2008, no Circo Voador, no Rio (“Porque foi palco de várias fases da minha carreira”, justifica). Uma geral do Azevedo, como o título dá a pista, é um apanhado da trajetória do cantor e compositor, com duas inéditas: É o frevo (com Geraldo Amaral) e É minha vida (com José Carlos Capinam). A justificativa também seria os 35 anos de carreira, não se sabe contados a partir de que etapa.

A primeira música gravada de Geraldo Azevedo, Aquela rosa (com Carlos Fernando) é de 1967. O primeiro disco, com Alceu Valença, de 1972, e o primeiro solo, de 1977. Datas redondas, porém, são o de menos. Em Uma geral do Azevedo é uma celebração a obra de um dos mais respeitados artistas da MPB.

“Além de uma retrospectiva, é também uma coletânea dos meus sucessos, dos vários ritmos com que trabalho e dos meus muitos parceiros – Capinam, Fausto Nilo, Geraldo Amaral, Carlos Fernando”. Entre os parceiros que ele não enumera está Geraldo Vandré, com quem fez a bela Canção da despedida, que passou 16 anos silenciada pela censura e agora sofre com a proibição de ser gravada, porque Vandré não libera.

Apesar de marcante na carreira de Geraldo Azevedo, Canção da despedida não pode, portanto, entrar no DVD, mas continua no repertório do show: “Não gravei porque ele podia cismar e processar a gravadora. Se fosse uma grande empresa, ainda dava, mas a minha gravadora é pequena. Não dá para encarar um processo. Já no show é diferente. Se ele quiser implicar, implique com o Ecad. Vou tentar encontrar Vandré para ver se resolvemos esta situação. A música teve a primeira gravação em 1983, no disco Coração brasileiro, de Elba Ramalho, que na época ainda morava comigo. Ele não quis liberar, alegou que o Geraldo Vandré não existia mais. Então sugeri que Elba colocasse no selo como autores Geraldo Azevedo e Geraldo, foi assim que saiu”.

No shows que vem fazendo, Canção da despedida geralmente tem sido a última que canta, antes do bis, que não cresce de assovios e palmas da plateia para o óbvio: “Canto esta, chamo a banda e canto um frevo, às vezes entra Ai que saudade de ocê, de Vital Farias”, adianta o cantor, que repassa todas as músicas do DVD, acrescentando duas que fizeram parte da gravação do vídeo, mas ficaram fora do trabalho final. “Sabiá de Luiz Gonzaga (e Zé Dantas) e uma homenagem que compus a Jackson do Pandeiro não ficaram com qualidade para entrar no DVD, que acabou virando um trabalho autoral, só com canções minhas. Mas não repito sempre o mesmo roteiro. Posso dizer que o show é meio apelativo porque atendo os anseios das pessoas, que querem sempre ouvir os sucessos que marcaram a vida. No meio das bem conhecidas incluo algumas que não fazem parte do inconsciente coletivo do público. Muitas músicas minhas se fizeram no palco. E o que gosto de fazer é um show bem participativo”, diz o cantor.

O inquieto cantor e compositor pernambucano, já possui um novo projeto pronto para sair do forno em breve, o CD “Salve o São Francisco”. Em conversa, o cantor detalha as experiências desses novos trabalhos.


Como surgiu a ideia do DVD? Há quanto tempo você pensava nele e como foi o processo criativo?
Geraldo Azevedo - Na verdade eu sempre pensei em fazer meu 1° DVD num teatro, uma coisa mais clássica, voz e violão e com algumas participações bem especiais, mas minhas filhas Gabriela e Lara vieram com uma proposta para fazermos o DVD no Circo Voador (RJ), onde sempre fiz shows. Então pensei em fazer um show bem animado, dançante, e para isso chamei músicos que sempre me acompanham nos shows de carnaval e São João. Foi tudo muito rápido, do dia em que elas me disseram que íamos fazer, que tava tudo certo, para o dia da gravção não foram mais que vinte dias. Por isso a idéia de chamar os músicos que já tocavam comigo e fazer esse apanhado da carreira.

E o resultado final, agradou? Ficou à altura de ser o primeiro DVD de Geraldo Azevedo?
Geraldo Azevedo - Se eu te falar que ainda não vi tal e qual foi lançado, voce vai achar que estou brincando, mas é a pura verdade. Ainda não parei para ver, mas o que vi no processo, um pouco antes da finalização achei maravilhoso. É um trabalho muito emocional por ter esse envolvimento familiar (os filhos de Geraldo, também músicos, complementaram sua banda na gravação), além de que meus desenhos serviram como cenário e figurinos. A Mônica Martins soube através da minha filha Gabi, que eu desenhava e fez um belo trabalho a partir deles.


Fala um pouco do show de sábado. Ele segue a estrutura do DVD? Traz novidades? Geraldo Azevedo - O show é basicamente o DVD, mas tem algumas músicas que não foram incluídas e é um show bem animado. É um show de duas horas onde mostro meus maiores sucessos, passeio pelo forró, xote, frevo e as minhas cancões que o público sempre canta junto. A banda estará quase toda completa, exceto pelo meu filho que mora fora. Será um show especial, pois estaremos celebrando a vida e comemorando um ano da gravação do DVD.

Como está o “Salve São Francisco”?
Geraldo Azevedo - O “Salve São Francisco” eu comecei antes deste DVD e no momento está sendo finalizado. Ao contrário do meu primeiro DVD, que não teve participação especial, esse projeto está cheio de gente maravilhosa: Maria Bethânia, Ivete Sangalo, Fernanda Takai, Djavan, Dominguinhos, Alceu, Moraes, Roberto Mendes. Ele alerta para a conscientização de que a água é um bem finito e que nenhuma espécie sobrevive sem água. Por ser de Petrolina, nas margens do São Francisco, sempre tive uma ligação muito forte com o rio. Estamos correndo atrás de parceiros para patrocinar o lançamento, que queremos fazer em abril e maio de 2010, começando com shows em praças públicas por cidades ribeirinhas. Quero levar todo mundo que participou, tomara que eu consiga.

Qual sua relação com a internet? Acredita na eficiência de novas mídias, como Twitter e MySpace?
Geraldo Azevedo - Eu acredito que a internet seja uma ferramenta maravilhosa para divulgação da música, mas ao mesmo tempo a gente perde um pouco o controle do direito autoral da nossa obra. Acho que ainda vamos achar um lugar confortável para todos dentro desta história. Confesso que eu ainda estou engatinhando com essa tecnologia e tenho um pouco de preguiça, sabe? Até para checar e-mail eu sou um pouco devagar. Gosto mesmo é de tocar violão (risos). Por um outro lado quando meu site entrou no ar, acho que só o Gil (Gilberto Gil) tinha também. Fui um dos primeiros da música a começar a usar essa ferramenta.

Como você analisa o cenário atual da música nordestina? Estamos perto ou cada vez mais longe de uma nova “revolução musical nordestina”, como aconteceu na década de 1980, quando vários artistas do Nordeste ganharam relevância nacional?
Geraldo Azevedo - O Nordeste tem uma posição grandiosa no cenário cultural brasileiro. Se eu for falar de todos os talentos que vieram dessa região não vai caber na entrevista. Tem muita gente boa fazendo música no Nordeste todo, apesar de também termos muitas coisas descartáveis. E ainda há a vantagem de hoje em dia o artista não precisar ir para Rio ou São Paulo para poder graver seu trabalho, como era na época em que comecei.

sábado, 14 de novembro de 2009

ZÉ KETI DISSE QUE FOI POR AÍ HÁ 10 ANOS

Zé Keti, nome artístico de José Flores de Jesus, foi um cantor e compositor do samba carioca da gema e quenasceu no dia 06 de outubro de 1921.

Nascido em 16 de setembro de 1921, embora tenha sido registrado, em 6 de outubro, no bairro de Inhaúma, José Flores de Jesus, ficou conhecido como Zé Kéti . Em 1924, foi morar em Bangu na casa do avô, o flautista e pianista João Dionísio Santana, que costumava promover reuniões musicais em sua casa, das quais participavam nomes famosos da música popular brasileira como Pixinguinha, Cândido (Índio) das Neves, entre outros. Filho de Josué Vale da Cruz, um marinheiro que tocava cavaquinho, cresceu ouvindo as cantorias do avô e do pai. Após a morte do avô, em 1928, mudou-se para a Rua Dona Clara. Cantou o samba, as favelas, a malandragem e seus amores.

Ele começou a atuar na década de 1940, na ala dos compositores da escola de samba Portela. Entre 1940 e 1943, compôs sua primeira marcha carnavalesca: "Se o feio doesse". Em 1946, "Tio Sam no Samba" foi o primeiro samba de sua autoria gravado (pelo grupo Vocalistas Tropicais). Em 1951, obteve seu primeiro grande sucesso com o samba "Amor passageiro", parceria com Jorge Abdala gravado por Linda Batista na RCA. No mesmo ano, seu samba "Amar é bom", parceria com Jorge Abdala foi gravado na Todamérica pelos Garotos da Lua.

Em 1955, sua carreira começou a deslanchar quando seu samba "A voz do morro", gravada por Jorge Goulart e com arranjo de Radamés Gnattali, fez enorme sucesso na trilha do filme "Rio 40 graus", de Nelson Pereira dos Santos. Neste filme, trabalhou também como segundo assistente de câmera e ator. Outro sucesso na anos cinqüenta, foi "Leviana", que também foi incluído no filme "Rio 40 Graus" (1955), de Nelson Pereira dos Santos, diretor com o qual trabalhou também no filme "Rio Zona Norte" (1957).





Dono de um temperamento tímido, seu pseudônimo veio do apelido de infância "Zé Quieto" ou "Zé Quietinho". No ano de 1962 idealizou o conjunto A Voz do Morro, do qual participou e que ainda contava com Elton Medeiros, Paulinho da Viola, Anescarzinho do Salgueiro, Jair do Cavaquinho, José da Cruz, Oscar Bigode e Nelson Sargento. O grupo lançou três discos.

Em 1964, participou do espetáculo "Opinião", ao lado de João do Vale e Nara Leão, que o levou ao concerto que tornou conhecidas algumas de suas composições, como "Opinião" e "Diz que Fui por Aí" (esta em parceria com Hortênsio Rocha). No ano seguinte, lançou "Acender as velas", considerada uma de suas melhores composições. Esta música inclui-se entre as músicas de protesto da fase posterior a 1964; a letra deste samba possui um impacto forte, criado pelo relato dramático do dia-a-dia da favela. Nara Leão, Elis Regina fizeram um enorme sucesso com a gravação desta música.

Também em 1964, gravou pelo selo Rozemblit um compacto simples que tinha a música "Nega Dina". Nessa mesma época, recebeu o troféu Euterpe como o melhor compositor carioca e, juntamente com Nelson cavaquinho, o troféu O Guarany, como melhor compositor brasileiro. Com Hildebrando Matos, compôs em 1967 a marcha-rancho "Máscara Negra", outro grande sucesso, gravada por ele mesmo e também por Dalva de Oliveira, foi a música vencedora do carnaval, tirando o 1º lugar no 1º Concurso de Músicas para o Carnaval, criado naquele ano pelo Conselho Superior de MPB do Museu da Imagem e do Som e fazendo grande sucesso nacional.

Nos anos seguintes, viveu um período de esquecimento na música do Brasil. Durante a década de 1980, Zé Keti morou em São Paulo. Em 1987, no início de julho, teve o primeiro derrame cerebral.

Em 1995, década seguinte, voltou a morar no Rio com uma das filhas. Continuou compondo, cantando e lançou um disco.

Em 1996, lançou o CD "75 Anos de Samba", com participação de Zeca Pagodinho, Monarco, Wilson Moreira e Cristina Buarque. Este CD foi produzido por Henrique Cazes, com quatro músicas inéditas e vários sucessos antigos. Nesse mesmo ano, subiu ao palco com Marisa Monte e a Velha Guarda da Portela e interpretou com enorme sucesso alguns clássicos do samba, como "A voz do morro" e "O mundo é um moinho", de Cartola, entre outros.

Em 1997, recebeu da Portela um troféu em reconhecimento pelo seu trabalho e participou da gravação do disco Casa da Mãe Joana. Em 1998, ganhou o Prêmio Shell pelo conjunto de sua obra: mais de 200 músicas. Nesta noite foi homenageado por muitos músicos da Portela, entre eles, Paulinho da Viola, Élton Medeiros, Monarco e a própria Velha Guarda, em show dirigido por Sérgio Cabral e encenado, em noite única, no Canecão do RJ.

Em janeiro de 1999, recebeu a placa pelos 60 anos de carreira na roda de samba da Cobal do Humaitá. Apresentou-se ao lado da Velha Guarda da Portela e teve várias músicas regravadas.

Aos 78 anos, Zé Keti morreu de falência múltipla dos órgãos em 1999.

Sucessos de Zé Keti (2001)
Faixas:
01 - Acender As Velas
02 - Cicatriz
03 - Diz Que Fui Por Aí
04 - Opinião
05 - Queixa
06 - Vestido Tubinho
07 - Favelado
08 - Poema De Botiquim
09 - Prece De Esperança
10 - Mascara Negra
11 - Viver
12 - Mascarada

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

MAIS UM TRIBUTO PARA LUIZ GONZAGA

Luiz Gonzaga já foi merecedor de diversos tributos, entre eles "Baião de Viramundo" (reunindo Nação Zumbi, Cascabulho, Mestre Ambrósio, Otto, Mundo Livre S/A, Novelle Cusine, Dj Dolores, Naná Vasconcelos...), "É Xote, Xaxado e Baião... Viva Gonzagão (reunindo Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Fagner, Marinês, Dominguinhos, Chico Buarque, Quinteto Violado...), além de Cds de Elba Ramalho, Quinteto Violado, Maria da Paz, Mastruz com Leite, entre outros.

No início do próximo ano ele receberá mais um tributo, desta vez chama-se "Luas Pro Gonzaga", produzido pelo baiano Gereba...contemplando valsas e choros originalmente instrumentais de 'seu' Luiz, gravados na década de 40, que recebeu letras de Gilberto Gil, Zeca Baleiro, Lirinha (do Cordel do Fogo Encantado), Fernando Brant, Ronaldo Bastos, Xico Bizerra, Tuzé de Abreu, Abel Siva, Carlos Pitta, Capinan, Fausto Nilo, Maciel Melo e do próprio Gereba.

As músicas serão interpretadas por Maria Bethânia, Dominguinhos, Fagner, Elba Ramalho, Lenine, Margareth Menezes, Gilberto Gil, Lirinha, Flávio Venturinni, Maciel Melo, Margareth Menezes, Santanna, Luiz Melodia, Jorge Vercillo, Targino Gondim, Cezinha do Acordeon...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

40 ANOS DO IV FESTIVAL INTERNACIONAL DA CANÇÃO

Muitos festivais surgiram em 1969. Além dos dois da TV Record e do FIC, realizaram-se o Festival Universitário da Guanabara pela TV Tupi do Rio, o I Festival de Música Popular de Porto Alegre, o II Festival Fluminense da Canção de Niterói, o I Festival de Juiz de Fora, o Brasil Canta no Rio pela TV Excelsior, o II Festival Estudantil no Teatro João Caetano, o II Festival Estudantil Petropolitano de Música Popular e outros mais.

O IV FIC, que seria transmitido pela Eurovisão, contou com um desfalque de atrações internacionais que não estava no script. Jane Fonda, Roger Vadim, Nancy Wilson e até o beatle George Harrison, já anunciados, cancelaram suas vindas.

Outro diferencial dessa quarta edição foi a falta de notas nas eliminatórias. As 20 classificadas para final seriam anunciadas, mas notas só seriam atribuídas para definição dos 10 primeiros colocados.

Quarenta e uma canções foram classificadas, sendo que seis eram de São Paulo, entre elas “Ando Meio Desligado” (Os Mutantes), “Madrugada, Carnaval e Chuva” (Martinho da Vila) e “Charles Anjo 45” (Jorge Ben). Haviam ainda músicas da Bahia, Paraná, Pernambuco, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Entre as cariocas “Beijo Sideral”, “Cantiga por Luciana”, “Juliana”, e “Mercador de Serpentes” eram os destaques. Nada que gerasse qualquer trabalho à Censura.

A primeira eliminatória nacional teve transmissão direta para São Paulo, Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre. As 21 canções foram avaliadas pelo júri e pelo público, responsável pela eleição da música mais popular. Entre compositores e cantores, tanta gente nova, que o IV FIC parecia um festival universitário. Os novos grupos abriam espaço também para visuais mais extravagantes e coreografias, que a partir daí passaram a ser incorporados à produção de uma canção de festival.

As mais aplaudidas da noite foram “Madrugada, Carnaval e Chuva”, “Cantiga por Luciana” de Edmundo Souto e Paulinho Tapajós, “Visão Geral” de César Costa Filho, Ruy Mauriti e Ronaldo M. de Souza, e “Juliana” de Antônio Adolfo e Tibério Gaspar.

Na segunda eliminatória “Serra Acima’ (Sílvio da Silva Jr. e Aldir Blanc) e “Ave Maria dos Retirantes” (Alcivando Luz e Carlos Coqueiro), defendida por Maysa, foram muito aplaudidas, abrindo a noite. Terceiro a se apresentar, Jorge Ben, acompanhado pelo Trio Mocotó, cantou sua “Charles Anjo 45”, a temática transgressora e a apresentação diferenciada são consideradas precursoras do rap nacional. Muito vaiada, “Gotham City” (Jards Macalé e José Carlos Capinan) foi defendida com raça por Macalé. “Beijo Sideral”, de Marcos e Paulo Sérgio Valle e “Mercador de Serpentes”, de Egberto Gismonti foram os outros destaques da noite.

“Cantiga por Luciana”, defendida por Evinha, ex integrante do Trio Esperança era a preferida na opinião da maioria. Quando o resultado da fase nacional foi anunciado veio a confirmação: a música havia vencido e Evinha foi escolhida cantora revelação. Antônio Adolfo e Tibério Gaspar ficaram em segundo.

Apesar da boa aceitação, “Cantiga por Luciana” não era a eleita da plateia, que havia se encantado com a performance do cantor inglês Malcom Roberts cantando “Love Is All”. A vitória da música brasileira na fase internacional contrariando a escolha do público fez com que o xodó por Evinha se acabasse. Incoerentemente, “Cantiga por Luciana” foi a escolhida pelo voto popular. Fechando a noite, Wilson Simonal realizou outro show histórico, para um Maracanãzinho lotado.
Evinha interpretando "Cantiga por Luciana"

O festival lançou dois discos oficiais, um álbum duplo com 18 faixas, gravadas por artistas do elenco da Philips e convidados, e outro pela Odeon, com dez faixas, entre as quais, as duas primeiras colocadas na fase nacional do IV FIC.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

CURIOSIDADES DA MPB

Hoje faz 90 anos que faleceu o violonista e compositor Eduardo das Neves.
Foi Eduardo das Neves quem aproveitou a canção napolitana Vieni sul mare e fez a adaptação para glorificar a chegada do encouraçado Minas Gerais, que se juntaria à esquadra brasileira. Mais tarde, modificada pelo povo, passou a celebrar tão somente o estado brasileiro e não mais ao navio, na conhecida música Oh! Minas Gerais.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

NEM VEM QUE NÃO TEM...

Apesar de certa tendência a absolver Wilson Simonal (1938 - 2000) da acusação de dedo-duro dos colegas da Esquerda, notadamente na tristonha parte final, a biografia do cantor escrita pelo jornalista Ricardo Alexandre - já nas livrarias pela Editora Globo, com opções de capa amarela ou azul - é documento histórico que investiga com seriedade o caso jurídico do artista e ajuda a entender a ascensão e queda de Simonal no mundo da música. Fruto de dez anos de pesquisa e entrevistas, o detalhista trabalho de reportagem do autor faz com que o livro avance em relação ao que já foi exposto no (também histórico) documentário Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei, estreado em março de 2008 no festival É Tudo Verdade e sucesso de público desde que entrou oficialmente em circuito em maio de 2009. Um dos méritos da biografia é enfatizar e contextualizar a existência de documento assinado pelo próprio Simonal, em 24 de agosto de 1971, a pedido de integrantes do Departamento de Ordem Política e Social, o famigerado Dops, órgão repressor do regime militar instaurado no Brasil em 1964. Nesse documento, elaborado para forjar perseguição política ao cantor e assim justificar perante a Opinião Pública o fato de o Dops ter dado uma dura no contador de Simonal a pedido do próprio, o artista assumia "cooperar com informações" que ajudaram o Dops a "desbaratar por diversas vezes movimentos subversivos no meio artístico". Provável farsa, criada para livrar a cara do próprio Dops, o documento foi o estopim da bomba que explodiu na cabeça de Simonal, tão ingênuo quanto arrogante. A propósito, Nem Vem que Não Tem cumpre honrosamente sua função ao perfilar o cantor sem escamotear seus defeitos. E demole clichês e mitos sobre o caso Simonal ao historiar a trajetória profissional e pessoal do cantor depois do incidente. Primeiro, o livro deixa claro que o artista não caiu em imediato ostracismo. Foi Simonal - conta Alexandre - que quis se desligar da Odeon, a gravadora na qual ingressara em 1961 e na qual vivera momentos áureos com popularidade que chegou a rivalizar com a de Roberto Carlos no final dos anos 60. E convite não lhe faltou naquele momento. Mesmo após o mau passo político do cantor, que realmente acionou contatos no Dops para dar uma coça no contador de sua mastodôntica empresa, Raphael Viviani, a RCA acenou com proposta polpuda - recusada pelo então novo empresário do cantor, Marcos Lázaro, que, num gesto equivocado que custaria muito a Simonal, sugeriu a André Midani, então no comando da Philips, que a contratação de Simonal seria uma recomendação de "Brasília". Acuado, Midani recebeu o artista em seu elenco, o que gerou mais desprezo a Simonal por parte da elite da MPB que se abrigava na Philips. Mas, política à parte, o primeiro álbum de Simonal na nova companhia, Se Dependesse de mim (1972), não surtiu o efeito comercial esperado, levando a Philips a enquadrar o artista no samba no álbum seguinte, Olhaí, Balandro... É Bufo no Birrolho Grinza (1973). Novamente sem sucesso. O fato - normalmente omitido nas reportagens maniqueístas sobre Simonal, mas abordado no livro - é que o cantor já amargava declínio de popularidade antes do imbróglio político, em 1970, quando lançou álbum, Simonal, embebido em black music. E nunca mais recuperaria o sucesso e o prestígio. Contudo, como ressalta Alexandre, é impossível tentar prever se o cantor reeditaria o êxito comercial da áurea fase da Pilantragem após a dissolvição do ralo movimento se não tivesse havido a questão política. Mas outro fato normalmente ignorado é que Simonal ainda gravou regularmente ao longo dos anos 70 - com destaque para um álbum intimista feito na RCA em 1975, Ninguém Proibe o Amor, cultuado por soulmen como Ed Motta. O livro também demole o
clichê de que Simonal foi completamente banido do mercado de shows. Ele continuou se apresentando com agenda cheia até o fim dos anos 80. O que houve foi uma progressiva mudança de rota e status nas suas turnês, deslocadas para cidades do Nordeste ou então para casas menores. Outro mito que cai por terra é o de que Simonal viveu deprimido após a confusão com o Dops. Alexandre deixa claro que a depressão não foi imediata, tendo o cantor mantido num primeiro instante a alegria que ainda o identificava no imaginário nacional. E mostra como a arrogância e a intransigência de Simonal - reincidentes mesmo depois do episódio de 1971 - o ajudaram a cavar a própria cova. Contudo, as qualidades artísticas do cantor - dono de voz privilegiada, suingue fenomenal e carisma grandioso - são enfatizadas na narrativa na mesma medida dos defeitos e erros do biografado. Nem Vem que Não Tem refaz os primeiros passos artísticos de Simonal com o mesmo rigor na apuração com que detalha sua descida ao inferno, sobretudo a partir do fim da década de 80, quando a perda da voz acelerou o processo de alcoolismo e consequente depressão, diluindo a autoestima do cantor. Foi aí que os filhos já crescidos, Wilson Simoninha e Max de Castro, entraram em cena para segurar a barra do pai. Inclusive a financeira. Na parte final, a narrativa fica mais pungente e o biógrafo não esconde certa ternura quase parcial pelo biografado, enfocado como uma vítima. Mas o livro jamais absolve explicitamente Wilson Simonal de seus erros. O que engrandece a biografia e a torna leitura essencial para todos que se interessam pela música brasileira e, em especial, por uma de suas personagens mais controvertidas de todos os tempos. Dez!

domingo, 8 de novembro de 2009

CURIOSIDADES DA MPB

Raimundo Fagner foi um dos primeiros artistas brasileiros a ter um CD lançado nos Estados Unidos com o álbum ''ROMANCE NO DESERTO'' ( BMG MUSIC/New York, No. 9629-2 RL) ainda no final de 1987. Importado pela BMG Brasil (antiga gravadora RCA), curiosamente este CD foi lançado no País antes mesmo da versão nacional chegar às lojas em 1989, portanto dois anos antes.

sábado, 7 de novembro de 2009

FAGNER E O ROMANCE NO DESERTO

Rio de Janeiro, 14 de Novembro de 1987.

Com uma tiragem inicial de 200 mil exemplares, Raimundo Fagner lança o seu 14º elepê solo - ''ROMANCE NO DESERTO'' (BMG-Ariola, No. 140.0003) - retornando ao tema fundamental em sua carreira: o amor. Pleno e total.

Direção Artística: Miguel Plopschi;
Produção: Raimundo Fagner e Michael Sullivan;
Assistente Musical: Ivair Vila Real;
Apoio de Produção: Fausto Nilo;
Arregimentacão: Gilberto D'Avila.

As músicas:
Das dez faixas do disco apenas quatro têm a assinatura de Fagner e em parceria com Fausto Nilo: À Sombra de um Vulcão (uma indisfarçável homenagem a atriz Rita Hayworth - nunca houve uma mulher como Gilda - e ao diretor John Houston), Paraíso Proibido, Demônio Sonhador e Ansiedade, uma versão de Fagner e Fausto Nilo para Ansiedad, de José Enrique e Sarabia Rodrigues, imortalizada na voz de Nat King Cole. As demais são: Romance no Deserto - uma versão de Fausto Nilo para Romance en Durango, de Bob Dylan e Jacques Levy; Você Endoideceu Meu Coração, de Nando Cordel; Deslizes, de Michael Sullivan e Paulo Massadas; Chorar é Preciso, de Moraes Moreira; Incêndio, de Petrúcio Maia e Belchior; Preguiça, de Gonzaga Jr.
As músicas Você Endoideceu Meu Coração, Deslizes e Incêndio, são conhecidas do grande público através dos shows de Raimundo Fagner ao longo dos anos. Incêndio é a música mais antiga e já fazia parte do repertório desde 1974. Foi gravada anteriormente pela cantora Bimba em disco independente lançado em 1981.

Os músicos:
Lincoln Olivetti (teclados, bateria, arranjos e regências), Fernando Souza (contra-baixo), Robertinho de Recife (guitarras), Manassés (violas e cavaquinho), Leo Gandelman (sax soprano, alto e tenor soprano), Chiquinho (acordeon), Rildo Hora (gaita), Dino (violão 7 cordas), Fabiola, Solange, Nina, Regina Correa, Renata Moraes, Ronaldo Correa, Roberto Correa, Paulo Massadas, Júnior Mendes (vocais).
A princípio a crítica musical não gostou do disco. Principalmete do sucesso enorme que estava fazendo a música Deslizes em todas as rádios do País. Segundo o jornalista Maurício Kubrusly ''o sucesso é que nem tersol: dá e passa. O de Fagner já passou. E o disco novo, ''ROMANCE NO DESERTO'', sugere que o cantor tenta se amoldar à fase de romantismo brega que tomou conta das FM's do Brasil. Tanto que a faixa que mais se enquadra no gênero é Deslizes, exatamente aquela na qual ele exagera mais na interpretação. Adivinhe quem compôs essa canção... Claro! Michael Sullivan e Paulo Massadas.''
A crítica não gostou da inclusão da dupla Michael Sullivan e Paulo Massadas, autores de Deslizes, no disco de Fagner. O crítico musical carioca Miguel de Almeida no artigo ''A Conspiração do Brega'', atacou ferozmente Fagner. Maurício Kubrusly, que um dia chamou Fagner de ''a maravilhosa voz de taquara rachada'', mudou a afirmação para ''Baladista de Fm''.
É até bom explicar que naquele momento, as emissoras de FM do País inteiro estavam apostando numa música mais suave e amorosa. Cantores como Rosana, Marquinhos Moura, Adriana, Fábio Jr., Sandra de Sá, nomes até então banidos da programação diária das FM’s, rotulados pejorativamente de bregas e relegados ao horário da madrugada (quando ninguém escuta) começaram a despontar no cenário nacional. Os ouvintes foram de extrema importância no processo, obrigando as rádios FM’s a mudarem as grades de programação e tocarem os cantores românticos, anteriormente acuados nas emissoras AM. Em cada 10 músicas solicitadas pelos ouvintes, 9 eram românticas e o mais importante: eram brasileiras. Assim, o rótulos de brega e romântico passaram a conviver mutualmente. Até cantores citados notadamente como membros da elite da MPB passaram a incluir coisas mais populares em seus repertórios.
Músicas como O Amor e o Poder, de Rosana, I Love You Baby, com Adriana e Solidão, com Sandra de Sá, tornaram-se as mais solicitadas e tocadas em rádios até então consideradas pop/rock.
Nos anos setenta, o próprio Fagner sentiu na pele o gostinho do preconceito. Na época, no auge do estouro da música Revelação, disseram que, como ele era da elite da MPB não podia tocar no rádio AM, só em FM. Com Deslizes aconteceu quase a mesma coisa. Acharam que a música era brega e muito popular para o rádio FM. Mas o sucesso de uma música, queiram ou não, quem determina é o povo. Ele é que tem o poder mágico de mudar as coisas ditas e postas.
Mas graças a Deslizes, Fagner fez as pazes com o sucesso e com as rádios. A música, uma das mais solicitadas, bateu todos os recordes do mercado, chegando a 700 dias de execução em todas as emissoras do País , fazendo o disco ''ROMANCE NO DESERTO'', 1º lugar de vendas da gravadora BMG/Ariola atingindo um milhão de exemplares vendidos.
O álbum ''ROMANCE NO DESERTO'' tornou-se um marco na carreira de Raimundo Fagner. Vendeu mais de um milhão de exemplares e teve músicas como À Sombra de Um Vulcão e Deslizes que permaneceram 700 dias entre as mais executadas em todas as rádios do País. No programa ''Fantástico'', do dia primeiro de janeiro de 1989, um júri de 150 pessoas escolheu Deslizes em sexto lugar, entre as 10 melhores músicas do ano de 1988.
O sucesso do disco rendeu o especial ''Raimundo Fagner - Romance no Deserto'', exibido pela Rede Manchete de Televisão no dia 26 de outubro de 1989. No repertório do especial os seus grandes sucessos como Canteiros, As Rosas Não Falam, Revelação, À Sombra de um Vulcão e é claro, Deslizes; e músicas do disco ''O QUINZE'' como Amor Escondido, Desfez e Mim e Retrovisor..

FAGNER - ROMANCE NO DESERTO (1987)

Faixas:
01 - À sombra de um vulcão (Fausto Nilo - Fagner)
02 - Incêndio (Petrúcio Maia - Belchior)
03 - Ansiedade (Ansiedad de besarte) (Enrique - Rodrigues - Vrs. Fausto Nilo)
04 - Paraíso proibido (Fausto Nilo - Fagner)
05 - Preguiça (Gonzaguinha)
06 - Romance no deserto (Romance en Durango)(Bob Dylan - J.Levy - Vrs. Fausto Nilo)
07 - Você endoideceu meu coração (Nando Cordel)
08 - Deslizes (Paulo Massadas - Michael Sullivan)
09 - Demônio sonhador (Fausto Nilo - Fagner)
10 - Chorar é preciso (Moraes Moreira)
11 - Dona da minha cabeça (Fausto Nilo - Geraldo Azevedo)
12 - Lua do Leblon (Lisieux Costa - Fausto Nilo)
13 - Rainha da vida (Ferreira Gullar - Fagner)
14 - Sabiá (Luiz Gonzaga - Zé Dantas)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

MPB - MÚSICA EM PRETO E BRANCO

Los Hermanos

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

ROSA PASSOS CANTA DJAVAN (2008)

mais uma exclusividade do nosso blog! desta vez uma coletânea exclusiva da Rosa Passos cantando só canções do Djavan, espero que gostem!




Faixas:
01 - Álibi
02 - De flor em flor
03 - Samurai
04 - Obi
05 - Azul
06 - Aliás
07 - Açaí
08 - Seduzir
09 - Beiral
10 - A ilha
11 - Sim ou não

terça-feira, 3 de novembro de 2009

HARMONIA UNE FRANÇA E BRASIL

Por Luís Fernando Moura

Louis Bertignac trocou Carla Bruni por Zeca Baleiro. Nada de relacionamento sério, apenas um flerte escancarado aos voyeurs. Bertignac, que namorou e produziu a primeira-dama francesa na carreira musical e afetiva, recebeu letras em troca, para o disco Longtemps, de 2005, e agora dá o ar da maior graça parisiense para o brasileiro que tem O coração do homem-bomba estourando no Recife. O namorico musical entre França e Brasil, neste ano em que somos anfitriões, chega ao clímax do cronograma com músicos pra lá de amoureux dando as caras na Torre Malakoff (Bairro do Recife). É o festival Station Brésil.
O evento promove três encontros musicais hoje e mais três amanhã, cada qual estabelecido entre um nome francês e um brasileiro. Para além da dor de cotovelo de Bertignac, de
proporções nacionais, a música pop dos dois países arrisca um diálogo que vai de brasileiros como Chico César, Fernanda Takai a Naná Vasconcelos. Naná, que protagoniza uma jam session, coroa a parceria com a afirmação inabalável de que amor, em música, é a busca da harmonia. Os shows começam às 19h e a entrada é gratuita, mas é necessário garantir um ingresso entre os 500 disponibilizados, a partir das 17h, no próprio local.
Os encontros são abertos pelos brasileiros, que arranham um quê das suas obras antes de receberem os colegas franceses. Juntas no palco, as duplas executam uma ou três canções em parceria, com repertório à livre escolha. Na sequência, os franceses tomam a frente da apresentação. Aliás, a festa começa com uma transação rítmica entre Siba e a Fuloresta e o
francês Mathieu Boogaerts: no primeiro show do festival, às 19h de hoje, Siba coloca sua ciranda emancipada para brigar com o reggae funkeado de Boogaerts. O novo álbum do francês, que aposentou o violão e adotou os sintetizadores, vingou no amor simples: chama-se simplesmente I love you.
Particularmente curiosa deve ser a parceria seguinte: difícil imaginar a gestação de uma transa entre Chico César, que resolveu transformar a maturidade artística em frevo-ska e forró-rock (vide o recente Francisco, forró y frevo), com Thierry Stremler, francês que é tão francês que fez, de Nirvana e Lou Reed, referências declaradas, um disco chamado Je suis votre homme (em bom português, “eu sou seu homem”). Não bastasse, Stremler compôs até para a diva Françoise Hardy.
Se soa incompatível, imagine todos reunidos numa única roda ao jazz de uma jam session. Cabe a Naná Vasconcelos administrar a parafernália de referências. “Eu sou mais desse lado do que do outro. Sou mais da turma da improvisação”, afirma o percussionista. “No improviso, todo mundo tem que ficar atento, todo mundo tem que se ouvir, ir procurando espaço, sugerindo”. O
esquema do músico é subir ao palco, esboçar sonoridades, chamar Chico César, convidar Siba, convocar “a francesada”, como batiza. Entre risos, em entrevista ao telefone, Naná diz que não há motivo para falha de comunicação musical.
“Quando é instrumental não tem problema. Se fosse algo apenas rítmico, eu teria que dar uma paradinha para ensinar. Mas é algo melódico, e a música brasileira tem vários aspectos em comum com a europeia – basta você ouvir a bossa nova ou as composições de Villa-Lobos”, continua o músico. “Enquanto eles improvisarem melodicamente, posso até fazer um ritmo de maracatu. Mesmo assim, entendemos nossas melodias. No fim das contas, o que importa é a celebração”.


MULHERES

Amanhã é noite de acento um tanto feminino, seja carioca ou parisiense. Escalação feita de
doçura, sexualité e ironia, o programa é aberto pela parceria entre a aveludada Mariana Aydar e o francês Spleen. Spleen tem pegada sexy, que dá ar melancólico ao beatbox: veio ao festival No Ar Coquetel Molotov 2006, quando subiu ao palco da dupla de garotas americanas CocoRosie e expôs faceta intimista do hip hop. Em álbuns como Comme un enfant, do ano passado, casou o blues e o novo folk no brilho de ser simples. Tudo certo para casar também com Mariana, que brinca com estrangeirismos e samba para fabricar uma MPB macia e, de repente, nova.

Na sequência, a novidade é o encontro entre duas garotas. Fernanda Takai, que investiu em ser Nara Leão nos últimos tempos (lançou o álbum de releituras Onde brilhem os olhos seus), sobe ao palco com a francesa Jeanne Cherhal. São duas vozes pequenas desenhando um pop que sabe se divertir – certamente se encontram no intervalo geográfico entre a música popular francesa e a brasileira, onde se situam os ícones de Fernanda: Michael Jackson, Duran Duran, Siouxsie and the Banshees, Mutantes. A apresentação esboça uma leveza compensada no rock amargo de Bertignan, que encerra o festival. Caberá a Zeca Baleiro tentar um pouco de bom humor – ele sabe arriscar na ironia – antes que o companheiro francês termine na fossa de Sarkozy. Carla Bruni arrasa.



INTERCÂMBIO

“Nossa proposta é trazer nomes da França que não eram necessariamente conhecidos no Brasil
e criar encontros com a cena musical brasileira. Queremos que os franceses saiam daqui muito mais brasileiros”, afirma Matthieu Rougé, curador do festival junto ao brasileiro Paulo Lepetit, produtor e músico que já trabalhou com Itamar Assumpção. “Resolvemos reunir parte da cena pop
francesa e contemplamos um leque relativamente grande. Tem gerações de 20 a 50 anos, com sons que passam pelo pop, rock, funk, soul, groove”, pontua.
De acordo com Rougé, houve uma busca pelas interseções nacionais e regionais. “A coisa bonita é que a música tem algo de universal, então, a interação se cria. Óbvio, a música brasileira é muito rica. Passamos pelo Recife e vemos muita riqueza sonora. É interessante ver o quanto conseguimos juntar a música de raiz americana ou europeia com o que se produz em Pernambuco”,
continua Rougé. “Uma das nossas maiores preocupações foi atrair o público, para que ele entre em contato esses nomes franceses, ainda pouco conhecidos no Brasil”, explica.
O curador lembra uma situação em que o intercâmbio promovido foi tão forte que rendeu uma parceria fora dos palcos. O caso das bandas Tante Hortence, da França, e Revista do Samba, de São Paulo, vai virar disco. “Foi completamente inesperado”, afirma. As apresentações do Station Brésil contemplam ainda João Pessoa, Brasília e São Paulo, com outros artistas convidados.


Programação Festival Station Brésil
Local: Torre Malakoff (Recife Antigo)

Dia 03/11 – início às 19h

Mathieu Boogaerts + Siba e a Fuloresta

Thierry Stremler + Chico César

Naná Vasconcelos comanda jam session


Dia 04/11 – início às 19h

Mariana Aydar + Spleen

Jeanne Cherhal + Fernanda Takai

Bertignac + Zeca Baleiro

Obs: As senhas para os shows serão distribuídas no local no dia do show, às 17h

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