PROFÍCUAS PARCERIAS

Em comemoração aos nove anos de existência, nosso espaço apresentará colunas diárias com distintos e gabaritados colaboradores. De domingo a domingo sempre um novo tema para deleite dos leitores do nosso espaço.

INTUITY BORA BORA JANGA

Siga a sua intuição e conheça aquela que vem se tornando a marca líder de calçados no segmento surfwear nas regiões tropicais do Brasil. Fones: (81) 99886 1544 / (81) 98690 1099.

AGENDE-SE

Zé Renato, Toninho Horta e Igor Eça apresentam em Recife.

SENHORITA XODÓ

Alimentos saudáveis, de qualidade e feitos com amor! Culinária Brasileira, Gourmet, Pizza, Vegana e Vegetariana. Contato: (81) 99924-5410.

EM CASA COM LUIZ EÇA

Zé Renato e Toninho Horta apresentam disco tributo a músico morto há 25 anos.

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

DJAVAN E A TURNÊ MATIZES

No último final de semana aportou por aqui o show do cantor e compositor Djavan, artista este que não apresentava-se por terras pernambucanas desde 2005, quando ele apresentou o espetáculo vaidade por duas oportunidades.
Pois bem, a expectativa era grande em torno do show, pois Recife é uma cidade que tem um público fiel ao seu trabalho e que procura está sempre em massa (quando há espaço) em seus espetáculos.
O local da apresentação era propício a um grande público, pois o Chevrolet Hall (a maior casa de espetáculos do estado e uma das maiores da américa latina) comporta um público superior a 10 mil pessoas. O público compareceu e logo na apresentação de abertura deu pra perceber o que a noite prometeria. A cantora ALEXA mostrou um repertório fundamentado em sambas, porém com pitadas de regionalismos e outros ritmos. O show agradou ao público, mas o que todos esperavam mesmo era o alagoano Djavan.
Djavan surgiu no palco entoando JOANINHA (uma das canções do mais recente álbum que dá nome ao espetáculo), em seguida veio uma leva de sucessos como EU TE DEVORO, OCEANO, PÉTALA, FALTANDO UM PEDAÇO, MEU BEM QUERER, AZUL entre tantas outras. Mostrou o seu lado intérprete ao cantar LA LEYENDA DEL TIEMPO e SUAVE VENENO, além de mostrar canções pouco interpretadas por ele em shows como JOGRAL, PÁRA RAIO e INFINITO.
Foram quase duas horas de êxtase e boa música. Quem tiver a oportunidade de ir a esse show não pode perder. Pois está perfeito!
Aproveitem quem estiver em Sampa, ele irá se apresentar no início de outubro e ele me disse que está encerrando a turnê agora em dezembro.

REPERTÓRIO:
Joaninha
Eu te devoro
Seduzir
Delírio dos mortais
Um amor puro
Oceano
Pétala
Meu bem querer
Que foi my Love?
Infinito
Pedra
Samurai
Desandou
La Leyenda del Tiempo
Faltando um pedaço
Jogral/pára-raio/suave veneno/ flor de lis
Sina
Azul
Boa noite

Bis:
Se...
lilás

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

DICAS DA MUSICARIA

Imaginário, Modulo 1000 e A Tribo - Posições (1971)
Faixas:
01 - Kyrie - "A Tribo"
02 - Marina Belair - "Equipe Mercado"
03 - Curtíssima - "Módulo 1000"
04 - A Nova Estrela - "Som Imaginário"
05 - Ferrugem E Foligem - "Módulo 1000"
06 - Peba & Pobó - "A Tribo"


Lançado pela Odeon em 1971, esta rápida coletânea (menos de 1/2 hora) pretendia mostrar o que havia de novo no cenário musical brasileiro. Foi lançado de uma forma tímida e quase desacreditada, sem nenhum alarde. Na verdade de todas essas bandas, a mais duradoura teria sido o Som Imaginário (que durou de 1970 até 1974).

As outras bandas (com exceção do Módulo 1000 que gravou um LP em 1972) apenas registraram compactos na história da música brasileira. Porém, o fato de não terem sido absorvidos pela indústria fonográfica não tira a primazia e beleza das composições.


A Tribo era formada por Nelson Angelo, Joyce, Novelli, Toninho Horta e Naná Vasconcelos (depois substituido pelo Nenê da bateria). Atuou no cenário artístico no início dos anos 70. Em 1970, classificou a música "Onocêonekotô" (Nelson Angelo) para a final do V Festival Internacional da Canção.

Equipe Mercado, grupo formado por Diana (voz), Leugruber (guitarra), Ricardo Ginsburg (guitarra), Stul (violão, baixo, piano e voz), Carlos Graça (bateria) e Ronaldo Periassu (percussão) em 1970 na cidade do Rio de Janeiro, tendo como influência maior o rock psicodélico dos anos 60. Lançou em 1971 um compacto simples com as músicas "Os campos de arroz" e "Side b rock", encerrando suas atividades no ano seguinte.

Som Imaginário, grupo formado em 1970 por Wagner Tiso (teclados), Robertinho Silva (bateria), Tavito (violão de 12 cordas), Luiz Alves (baixo), Laudir de Oliveira (percussão) e Zé Rodrix (órgão, percussão, voz e flautas). Nesse ano, com a participação de Nivaldo Ornelas (sax) e Toninho Horta (guitarra), dividiu o palco com Milton Nascimento, apresentando o espetáculo "Milton Nascimento, ah, e o Som Imaginário".
Ainda em 1970, gravou seu primeiro disco, "Som Imaginário", destacando-se canções como "Feira moderna" (Beto Guedes e Fernando Brant) e "Hey man" (Zé Rodrix e Tavito).

Módulo 1000, formado por Daniel (guitarra e voz), Luís Paulo (órgão), Eduardo (baixo), Candinho (bateria) na cidade do Rio de Janeiro em 1969. Conjunto de curta duração, seguia a linha "hard rock" mesclada com o blues. Em 1970, participou do "V Festival Internacional da Canção" e lançou pela Odeon o compacto simples com as músicas "Big mama" e "Isto não quer dizer nada". No ano de 1972, pela Top Tap lançou o LP "Não fale com as paredes". Encerrou as suas atividades em meados da década de 1970, tinha guitarras gritantes e uma bateria pesada ao estilo Led Zeppelin.

Texto extraído do blog Mopho Discos.

GRAVADORAS LANÇAM CARTÃO PARA MP3

A fabricante de produtos de memória flash SanDisk e as gravadoras Sony BMG, EMI, Universal e Warner Music Group lançaram ontem um novo formato para ouvir e reproduzir música em cartões de memória. O SlotMusic, que só chegará às lojas em meados de outubro, custará US$ 15 e poderá ser inserido em telefones celulares e computadores pessoais.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

DESEJO ATENDIDO

Um dos desejos de Waly Salomão era ver Luiz Melodia interpretando Mal Secreto, música de Salomão e Jards Macalé. Apesar de Waly Salomão gostar muito de ter Gal Costa cantando a canção, não estava satisfeito, pois era Melodia quem ele queria ouvir cantando os versos que escreveu. A diretora Karla Sabah registrou a realização do desejo do poeta. Confira Melodia interpretando Mal Secreto.

DICAS DA MUSICARIA

AS CHICAS - QUEM VAI COMPRAR NOSSO BARULHO?
Faixas:
01 - Felicidade
02 - Você
03 - Ter que Esperar
04 - Me Deixa
05 - Oração
06 - Paciência
07 - O que Não Sou
08 - Geraldinos e Arquibaldos
09 - Namorar
10 - Espumas ao Vento
11 - Rap do Silva
12 - Volte para o Seu Lar
13 - Tia Chica
14 - Alô, Liberdade

CURIOSIDADES DA MPB

A primeira apresentação pública de Roberto Carlos lhe rendeu 500 cruzeiros de cachê. Foi no programa Chianca de Garcia, na TV Rio. Depois, se apresentou no Clube do Rock, de Imperial, e arranjou um contrato de 8 meses para ganhar 9 mil cruzeiros mensais na Boate Plaza.

MACHADO DE ASSIS - 1º CENTENÁRIO DE SUA MORTE

Machado de Assis, o bruxo das palavras - O cronista e seu tempo (Programa 1)

DICAS DA MUSICARIA

Faixas:
01 - A Dança da Borboleta - com Sepultura (Zé Ramalho / Alceu Valença)
02 - Amar Quem Eu Já Amei - com Ivete Sangalo (João do Vale / Libório)
03 - Galope Rasante - com Geraldo Azevedo (Zé Ramalho)
04 - Garrote Ferido - com Fagner (Zé Ramalho)
05 - Ave de Prata - com Elba Ramalho (Zé Ramalho)
06 - Coração Bobo - com Alceu Valença (Alceu Valença)
07 - Garoto de Aluguel - com Belchior (Zé Ramalho)
08 - Fica Mal com Deus - com Luiz Gonzaga (Geraldo Vandré)
09 - Não Vendo, nem Troco - com Dominguinhos (Luiz Gonzaga / Gonzaguinha)
10 - Guerra de Facão - com Falcão (Wilson Aragão)
11 - Paraí-Ba - com Flávio José (Ceceu)
12 - Os Segredos do Sumé - com Roberta do Recife (Zé Ramalho)
13 - Águas de Março - com Tetê Espíndola (Tom Jobim)
14 - Coco do Trocadilho - com Bezerra da Silva (Buco do Pandeiro)

E TOME SOM BESTA NAS CAIXAS (JOSÉ TELES)

Por José Teles

Embora eu conheça bem John Coltrane, tenha um monte de discos de Miles Davis, Charlie Parker, Ornette Coleman, muita coisa de música erudita, com uma inclinação especial pelos impressionistas, de vez em quando caio na real, e vejo que curto pra valer mesmo é música besta. Atenção, besta não significa exatamente ruim.

Constatei isto mais uma vez dando uma reouvida no repertório com que carreguei meu toca-MP3, quando viajei de férias. Nuns dois gigas de música, o que mais escutei foi o duo inglês The Ting Tings, o CD We started nothing, que tem algumas musiquinhas deliciosamente olvidáveis, a melhor delas a contagiante That's not my name. Depois vieram The Better Beatles, grupinho obscuro que descontruiu e anarquisou com a música do Fab Four, e The Turtles, um dos melhores, e mais subestimados, grupos pop dos anos 60, The 13th Floor Elevator, Erasmo Carlos (o do começo dos anos 70). Tá bem que no meio estavam John Coltrane, com Blue Train, o reggae de Toots and the Maytalls, e uma coletânea de Warren Zevon, um dos mais idiossincráticos roqueiros dos anos 70 e 80.

Deixe-me falar um pouco mais de Warren Zevon. Ele é ótimo para você citar em conversas sobre roqueiros doidões. quando alguém vier falar de Amy Winehouse, você corta o papo: "Amy? Aquilo tá querendo é aparecer. Doido pra mim foi Warren Zevon, até nas músicas com letras cheias de brigas, revólver. O cara foi o Hunter S.Thompson da música, fazia gonzo rock". Aí o que citou Amy Winehouse tenta contra-argumentar, e você novamente interrompe: "Amy até entrou em clínica de reabilitação. Sabe o que fez Warren Zevon? Tava com câncer e recusou-se a se medicar. Droga pra ele só as que davam barato!". Pior é que é verdade. O cara morreu em 2003, com ojeriza a médicos, e cultuado por todo mundo, de Bob Dylan ao pessoal do R.E.M. que participou de alguns dos últimos discos de Zevon.

O Zevon que levei pra viagem foi Excitable boy, de 1978, que tem alguns clássicos como Werewolves of London e Roland the headless Thompson Gunner. Este claro, não fez música besta. O contraponto a Warren Zevon foi uma coletânea dos Herman's Hermits, banda inglesa dos anos 60, que só não foi mais besta do que a Freddie and the Dreamers, de um hit intitulado I'll tell you now, cujo vocalista principal cantava e fazia uma coreografia que inventou e batizou de Do the freddie. Não pegou, porque se assemelhava a um débil mental com problema de coordenação motora, querendo dançar o Lago dos Cisnes. Mas Herman's Hermits curto muito. Aliás foram os únicos astros da chamada Invasão Britânica a vir ao Brasil. Morri de inveja de um amigo meu gaúcho que assistiu ao show dela em Porto Alegre. Eles têm um repertório impagável, com coisas bestas como Mrs.Brown you got lovely daughter (Dona Brown a senhora tem uma filha adorável), ou I'm into something good (Tô dentro de uma coisa boa). Porém nenhuma mais besta do que I'm Henry the Eighth, I Am, cuja letra dizia que ele era o Henrique Oitavo porque casou com uma mulher que havia tido sete maridos antes, todos com o nome de Henrique. Pense numa leseira, e inclusive uma leseira das antigas, porque a música fez sucesso a primeira vez em 1911.

Outro disco de besteira que levei pra relaxar na viagem é um com 50 one-hit wonders, ou seja, caras que só conseguiram um único sucesso na carreira. Entre estes tem uma ou outra coisa legal, mas muito besteira de primeiríssima qualidade. Umas das minhas preferidas é o instrumental Telstar, com The Tornadoes, de 1962, um clássico da música surfe, e obrigatório no repertório de todo conjuntinho de ié-ié-ié. Numa seleção destas não poderia estar ausente The Cascades, com Rhythm Of The Rain (que recebeu uma versão de Demetrius, chamada O ritmo da chuva). Quer uma de uma besteira fantástica? Dominique, com Singing Nun (A freira cantora), também conhecida como Soeur Sourire (Madre Sorriso). Se bem que aqui a coisa foi da leseira à tragédia. A música foi feita para louvar São Domingos (a freira era dominicana), e gravada assim meio por acaso, só com a freirinha acompanhando-se ao violão. A canção, talvez com uma mãozinha de São Domingos, foi primeiro lugar nas paradas do mundo inteiro, em 1963 (teve várias versões no Brasil, uma delas acho que de uma cantora chamada Giane).

Soeur Sourire, tirou o hábito, o sorriso do caminho, e foi morar com uma Anna Pécher, sua namorada. viveram juntas durante dez anos, e suicidaram-se em 1996.

No meu MP3 tinha também Astrud Gilberto, cantando em inglês, Supergrass, Burt Bacharach. Ei pensando bem, não devo gostar tanto assim de besteira não, porque Bacharach é o suprasumo do requinte em música pop. Porém confesso, The Ting Tings fizeram a festa durante a minha viagem, de um jeito que devo passar uns dez anos sem escutar That's not my name.

MORRE WALDICK SORIANO

Morreu na madrugada de quinta-feira (05 de setembro) o cantor e compositor Waldick Soriano, de 75 anos, que estava internado desde domingo em estado grave no Hospital do Câncer, em Vila Isabel, Zona Norte do Rio. Waldick Soriano tratava há dois anos um câncer na próstata. Ele estava em coma e respirava com a ajuda de aparelhos. O corpo do músico está sendo velado na Câmara dos Vereadores do Rio e vai ser sepultado nesta sexta-feira no Cemitério do Caju.
Nesta quinta-feira, amigos do cantor lamentaram sua morte. O cantor Agnaldo Timóteo disse que o autor de mais de 500 músicas bregas era mais do que um amigo:

- Ele não era só um colega: além de amigo, era um mestre. O homem que fez "Tortura de amor" não precisaria mais nada. Daqui debaixo, a gente pede a Deus que o receba com o carinho que o povo sempre o recebeu.

A atriz Patrícia Pillar - que assinou a direção de seu primeiro CD/DVD ao vivo e o documentário "Waldick Soriano - Sempre no meu coração" - também lamentou a morte do cantor.

- Me aproximei de Waldick como fã e, hoje, posso dizer que me sinto parte da família. Percorrendo o Brasil, vi o quanto ele era querido e derretia o coração das fãs. Waldick, além de ser um grande artista popular, era um homem amoroso e sempre tinha um olhar inteligente sobre as coisas. Com seu jeito divertido, conseguia falar direto ao coração. Waldick fará falta porque era um invasor de corações e a cara do Brasil - disse Patrícia.

A trajetória do cantor

Eurípedes Waldick Soriano, ou simplesmente Waldick Soriano nasceu na cidade de Caetité, no interior da Bahia, em 13 de maio de 1933. Seu pai era um comerciante de ametistas e sua mãe abandonou a família quando ainda era criança. Trabalhou como lavrador, peão e garimpeiro antes de ir a São Paulo tentar a sorte no meio artístico, no final dos anos 50. Consta que um incidente "amoroso" teria ajudado também em sua saída de Caetité. Na capital paulista passou necessidade, tendo trabalhado como engraxate por um bom período.

Através de um amigo conseguiu gravar a música "Quem és tu?", um sucesso espontâneo. A partir de então começou a chamar a atenção por seu repertório de canções sobre amores malsucedidos e por seu visual - sempre de óculos escuros e vestido de preto. A explicação para a indumentária estava na série de filmes do personagem "Durango Kid", um justiceiro que se vestia de negro e cobria o parte do rosto com um lenço da mesma cor.

Nos anos 60 e 70 firmou-se como um cantor de muito sucesso popular com canções como "Paixão de um homem", "A carta", "A dama de vermelho" e "Se eu morresse amanhã". Mas seu grande sucesso foi "Eu não sou cachorro não", duas décadas depois regravada em um inglês propositalmente tosco por Falcão, numa espécie de deboche contra o preconceito aos cantores populares que ganharam a pecha de cafonas ou bregas.

Em entrevista ao Globo Online, Waldick lembrou de como fez seu primeiro sucesso:

- Eu já tinha me mudado para o Rio, para a Ilha do Governador, onde criava 11 cachorros. Fui fazer uma gravação em São Paulo e depois, para comemorar, fomos a um boteco. Então meu maestro perguntou por que eu não fazia uma canção em homenagem aos cachorros. Na hora eu pensei: "posso levar isso para outro universo". E deu no que deu. É um dito antigo. Eu não sou cachorro não quer dizer não me maltrata, não pisa em mim.

Mas a música que tornou Waldick famoso também é a síntese do preconceito que sofreu. Não à toa "Eu não sou cachorro não - Música popular cafona e ditadura militar" foi o nome escolhido pelo historiador e jornalista Paulo César de Araújo para o livro que reescreve a história e contesta a pecha de adesista imposta à turma formada por Waldick Soriano, Odair José, Benito di Paula, Paulo Sérgio nos anos de chumbo.

Odair José foi um campeão de músicas censuradas. Waldick, por exemplo, teve "Tortura de amor", composta em 1962, vetada em 1974, quando esta foi reeditada.


Cantor de grande apelo popular, ele só foi homenageado em meados da década de 1990, quando o vereador Edilson Batista conseguiu dar o nome de Waldick Soriano a uma das principais avenidas de Caetité.

Há dois anos, a atriz Patrícia Pillar, admiradora do artista, começou a acompanhá-lo em shows e a fazer entrevistas para um documentário, trabalho esse ainda inédito, mas que resultou no CD e DVD "Waldick Soriano ao vivo" (Som Livre), gravado no cinema do Centro Cultural Sesc Luiz Severiano Ribeiro, em Fortaleza, em 2006, e lançado em outubro do ano passado.

- Sempre ouvi Waldick no radinho da babá, no Chacrinha. Era uma figura instigante para mim. Há dois anos, eu ouvi "Tortura de amor" e descobri que era dele. Quando ele começou já apontava para coisa do Tropicalismo, de digerir outras culturas. Tinha influência dos boleros caribenhos, a coisa visual do justiceiro que ele incorporou. Era riquíssimo e moderno para a época.

Fonte: O globo

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

COBERTURA DA MIMO 2008 - 1º DIA

Minhas aventuras na MIMO 2008 começaram ainda no primeiro dia das apresentações na Marim dos Caetés.

Cheguei para o primeiro dia de espetáculos um pouco antes das 18 horas e não encontrei fila alguma para a retirada das senhas para a primeira noite do festival. Coisa aparentemente normal para um ia de quarta-feira, onde muitos trabalham ou têm outras atividades como empecilho para a presença na primeira noite do evento.
Na bilheteria haviam duas ou três pessoas para a retirada das senhas, e ao chegar retirei senha para dois espetáculos: o primeiro seria dos grandes músicos Gilson Peranzetta ao seu pianno e Mauro Senise em uma grande apresentação em seu sax, eles se apresentaram para um tímido público (porém a igreja ao contrário da bilheteria se encontrava lotada para a apresentação) na Convento de São Francisco. Nesse mesmo horário a Igreja de São Pedro recebia Ramiro Mussoto para o único espetáculo presente na Igreja. Espetáculo esse que não cheguei a acompanhar.
O último espetáculo da primeira noite da MIMO foi do virtuose sueco Jan Stigmer, na catedral da Sé, onde foi iniciado oficialmente o evento.
Estavam presentes os representantes políticos da cidade e do estado (como secretários, prefeita e afins) e o espetáculo iniciou-se sem muitas expectativas quanto ao músico. Achei que o público estava mais presente ao local para ver o se violino Stratovariuss.



Durante a apresentação o músico mostrou de fato porque é que é possuidor de tão requintado instrumento, virtuoso que é, apresentou-se de maneira que vai ser difícil seu nome ser esquecido entre aqueles felizardos presentes a apresentação.
De poucas palavras, o músico entrou mudo e saiu calado porém paradoxalmente deixou o seu recado muito bem dado.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

DONA CANÔ - 101 ANOS

Matriarca de dois dos principais nomes da música popular brasileira, inspiração para diversos versos de canções de compositores baiano, Claudionor Veloso, conhecida como Dona Canô, completou 101 anos nesta terça-feira (16). Como tradicionalmente faz, ela começou a celebração da data com um café-da-manhã em sua casa, em Santo Amaro, na Bahia. Ela é mãe de Caetano Veloso e Maria Bethânia, além de outros seis filhos. Os dois mais famosos devem marcar presença ao longo do dia. Uma missa será celebrada para comemorar o aniversário. "Não mereço tanto. Não sei quantos anos eu ainda tenho pela frente, mas o que Deus quiser está de bom tamanho. Estou feliz porque minha família está aqui, meus filhos, netos e bisnetos"

BONS TEMPOS, ÓTIMOS DISCOS

Por João Paulo

O choro é nosso gênero musical que melhor transita entre as tradições popular e erudita. É uma música que exige grande virtuosismo dos intérpretes e, ao mesmo tempo, consegue imediata comunicação com o público. Estes elementos despertaram o interesse na gravadora Teldec, que encomendou a Rildo Hora a produção de Café Brasil, uma antologia belíssima de clássicos do choro, tendo ao centro o grupo Época de Ouro e uma constelação de nomes do primeiro time da música brasileira. O tom do disco não é de comemoração ou homenagem, mas de pura criatividade, com arranjos modernos e improvisos sofisticados e deliciosos. Lançado no mercado europeu, na esteira do sucesso de Bach in Brasil, de Henrique Cazes (um dos melhores discos instrumentais da história da nossa música), ele chega agora ao Brasil.

O grupo Época de Ouro, criado em 1966 para acompanhar Jacob do Bandolim, se apresenta na maioria das canções. É sempre um prazer ouvir Dino 7 Cordas, César Faria (pai de Paulinho da Viola) e Jorginho do Pandeiro criando os desenhos harmônicos e rítmicos para músicas como Noites Cariocas (com Sivuca), Treme-Treme e Mariana. Um dos destaques do disco é o resgate do choro cantado, com as participações de Leila Pinheiro, João Bosco, Paulinho da Viola, Martinho da Vila e Ademilde Fonseca. Sem deixar de lado a força instrumental e criativa das composições, os arranjos reservam à voz um papel de destaque em diálogo com os instumentos. No caso de Títulos de Nobreza, a canção praticamente se desdobra entre o balanço do Época de Ouro e os scats de João Bosco.
Além do Época de Ouro, Rildo Hora convocou grandes músicos que deram sua contribuição na renovação de obras primas. É o caso de 1x0, que em um dueto fantástico de Carlos Malta no saxofone e Altamiro Carrilho na flauta (que lembra os contrapontos de Pixinguinha e Benedito Lacerda) e que abre ainda espaço para o trabalho do regional. Altamiro apresenta ainda a valsa-choro Meu Primeiro Amor, com Maria Teresa Madeira ao piano. Uma das faixas mais interessantes do disco, propõe um falso duelo entre o bandolim e o cavaquinho. Geralmente, na tradição dos chorões, em festa de um instrumento o outro não entra. Joel Nascimento e Henrique Cazes mostram a capacidade expressiva e de timbre de cada um deles, desmanchando a briga em pura festa.As melhores faixas de um disco Ernesto Nazareth, que ganha um arranjo moderníssimo para bandolim (Pedro Amorim) e clarinete (Paulo Sérgio Santos) e André de Sapato Novo, com a mesma formação, com o cavaquinho de Luciana Rabello e o violão de Maurício Carrilho. Em Sarau para Radamés, um encontro para fechar o disco integrando várias gerações de chorões, instrumentistas e arranjadores, com Paulinho da Viola e Cristóvão Bastos (piano) convidando o produtor Rildo Hora para tocar sua harmônica. Um cuidado do coração a mais em um disco cheio de gentilezas com o Brasil.

DICAS DA MUSICARIA

RENATO BRAZ (1996)

Faixas:
01 - Porto (Dori Caymmi) Participação: Monica Salmaso
02 - Sorri (Smile) (Charles Chaplin - John Turner - G. Parsons - Vrs. João de Barro)
03 - Anabela (Mário Gil - Paulo César Pinheiro)
04 - Meu drama (Senhora tentação) (Silas de Oliveira - Joaquim Ilarindo)
05 - Onde está você (Luvercy Fiorini - Oscar Castro Neves)
06 - Passarinheiro (Jean Garfunkel - Pratinha)
07 - Cantiga do sapo (Buco do Pandeiro - Jackson do Pandeiro)
08 - Pagã (Chico César)
09 - Bambayuque (Zeca Baleiro)
10 - Assum preto (Luiz Gonzaga - Humberto Teixeira)
11 - Retirantes (Dorival Caymmi)
12 - 7 x 7 (Aldir Blanc - Guinga)
13 - Estrela da terra (Dori Caymmi - Paulo César Pinheiro)

terça-feira, 2 de setembro de 2008

MIMO - MOSTRA INTERNACIONAL DE MÚSICA DE OLINDA

Pela quinta vez consecutiva, a MIMO - Mostra Internacional de Música em Olinda promove a confluência da mais apurada música instrumental popular e erudita com a arte barroca das igrejas de Olinda. Esta cidade pernambucana, considerada uma das maravilhas arquitetônicas do mundo, é palco do evento entre os dias 1º e 7 de setembro de 2008, oferecendo cerca de 90 atividades gratuitas e abertas ao público.

Um dos momentos mais aguardados do festival são os concertos, realizados na acústica perfeita dos templos religiosos, que confere aos sentidos de quem interpreta e de quem admira uma sonoridade mágica, profunda e única. Todo o roteiro de apresentações é pontuado pela indelével qualidade e diversidade das atrações, que transitam livremente de formações camerísticas a orquestrais, e do repertório clássico à produção brasileira contemporânea.

Ao oferecer também uma programação intensa de filmes, palestras e ações educativas, a MIMO se firma como uma nova maneira de vivenciar a música, aproximando espectadores e instrumentistas da arte e da identidade cultural brasileiras. Você é o convidado especial deste evento, que faz o uso consciente do patrimônio histórico do nosso país e abre janelas para a apreciação crítica e construção fértil desta musa apaixonante chamada música.

03 de setembro de 2008 (Quarta-feira):

Atrações do dia:
RAMIRO MUSSOTO


Poucos criadores têm unido tradição e contemporaneidade como o percussionista, programador e produtor argentino Ramiro Musotto, radicado no Brasil desde meados dos anos 80. Tempo mais do que suficiente para delinear a atual percussão baiana, formar a primeira orquestra de berimbaus do mundo, tocar e gravar com Marisa Monte, Gilberto Gil e Martinho da Vila, entre tantos outros, em mais de 200 discos de música popular brasileira, e ministrar workshops no exterior.

O surpreendente na música do artista é o encaixe de bits e couros embalados em ritmos, timbres e cores originais e, curiosamente, familiares. É essa marca que faz de Ramiro Musotto um dos percussionistas mais incensados do mundo, com discos lançados no Brasil, na Argentina, no Japão, Estados Unidos e França. O álbum mais recente, ‘Civilização & Barbarye’, foi consagrado entre os dez melhores de 2006 pelo jornal La Nación, de Buenos Aires.

Ramiro Musotto se apresentará, às 18h30, na Igreja de São Pedro Apóstolo. Será acompanhado por Léo Leobons – Percussão (bata e voz), Icaro Sá (percussão e baixo), Ramirito Gonzalo (berimbau e percussão) e Mintcho Garrammone (cavaquinho, guitarra baiana e acordeão).


DUO PERANZZETTA-SENISE


O duo Peranzzetta-Senise é um dos melhores exemplos de que música instrumental faz sucesso no Brasil. A dupla é como goiabada e queijo: separados são ótimos, mas juntos têm um sabor imbatível. E Olinda foi escolhida como um dos destinos da turnê de lançamento do ‘Êxtase’, talvez o melhor álbum dos dois. Quer comprovar? O concerto será no dia 3 de setembro, às 18h30, no Convento de São Francisco.

Gilson Peranzzetta é citado por Quincy Jones como um dos maiores arranjadores do mundo e tem composições gravadas por George Benson, Sarah Vaughan e Terence Blanchard, entre muitos outros. Contabiliza 37 discos solo lançados nos últimos 20 anos. Todos os anos leva sua música ao Japão, Estados Unidos e Espanha. A cada dois anos grava e excursiona com a WDR Big Band, da cidade de Colônia, na Alemanha.

Mauro Senise tocou e gravou com Egberto Gismonti, Wagner Tiso, Luiz Eça e Hermeto Pascoal. É fundador do quinteto Cama de Gato, ainda em atividade, e faz parte de um trio erudito com a cravista Rosana Lanzelotte e o violoncelista inglês David Chew. Celebrado como atração de eventos como o Free Jazz e o Chivas Jazz Festival, atua há dez edições como solista do Rio International Cello Encounter.


JAN STIGMER
Jan Stigmer para muitos anos recebeu elogios maravilhosos tanto do publico quanto dos críticos para o seu estilo pessoal e comunicativo de tocar. Sem duvida a qualidade lírica a colorido do seu jeito de tocar diferenciam ele. E quando alguém vai ver os maestros que ele conta no meio dos seus professores de repente não estranha tanto que ele às vezes tem quase a qualidade de modo antiquado de tocar.Nasceu na Sueca em 1964 ele recebeu a primeira aula de violino com seis anos de idade. Ainda novo o professor de violino húngaro Tibor Fülep já teve uma influência importante na vida dele. Depois receber uma base solida dele e continuo os seus estudos com André Gertler e Herman Krebbers.Desde o início dos vintes ele viajou intensivamente a se apresentou com algumas das orquestras mais importantes como o English Chamber Orchestra e o Moscow Chamber Orchestra. As viagens o levaram para a maioria dos países da Europa como vários viagens para America do Norte, America do Sul e Asia.Após estrear em Chicago com “Sibelius violin concert” a critica da Chicago Tribune descreveu ele como “.. uma tour-de-force que retira o respiro”. A sua primeira apresentação importante na famosa Sala Cecilia Meireles no Rio de Janeiro foi votada a apresentação do ano no jornal Globo. “The American Record Guide” recomendou a gravação dos concertos de violin de Haydn para os seus leitores no mundo inteiro e “The Gramophone” descreveu ele como um “instrumentalista que sabe como um instrumento de cordas tem que soar... muito comunicativo, tocado na sangue”.Na china Jan Stigmer é entre as artistas clássicas mais populares e ele toma tempo para se apresentar lá várias vezes per ano.Em 2005 ele foi o primeiro musico oriental que chegou a tocar em Tibet pela primeira vez.Vários compositores escreveram musicas diretamente para o Jan Stigmer. O último foi Rolf Martinsson – Jan estreou o concerto de violino dele com o Swedish Chamber Orchestra em 2007. Na sua capacidade como violinista e musico de câmara ele trabalhou com artistas como Barbara Bonney, Norbert Brainin, Håkan Hagegård, Barry Tuckwell, James Galway, Rivka Golani, Victor Liberman, Josef Suk, Barbara Hendriks, Imogen Cooper, Randi Stene, Frans Helmersson, Michala Petri entre outros.
Jan Stigmer toca uma violina de Antonio Stradivarius datada 1724.

PROGRAMAÇÃO DO DIA 03:
Concerto - RAMIRO MUSOTTO - Igreja de São Pedro Apóstolo (18:30hs)
Concerto - DUO PERANZZETTA-SENISE - Convento de São Francisco (18:30hs)
Mostra de cinema - PINDORAMA – A VERDADEIRA HISTÓRIA DOS SETE ANÕES - Pátio da Igreja da Sé (19:00h)
Concerto - JAN STIGMER - Igreja da Sé (19:30)


04 de setembro de 2008 (Quinta-feira):

Atrações do dia:
DUO GISBRANCO

Se um único piano já é bom, dois é - no melhor sentido da palavra - demais! Formado pelas jovens cariocas Bianca Gismonti e Cláudia Castelo Branco, o Duo GisBranco vai se apresentar em 4 de setembro, às 17h30, no Espaço Petrobras MIMO. São 176 teclas a serviço do que há de melhor na música popular brasileira: de Guinga a Toninho Horta, de Moacir Santos a Tom Jobim, incluindo temas de própria lavra. Os sons e o estilo de Bianca recebem influência direta do pai, o multiinstrumentista Egberto Gismonti, com quem já realizou turnês na Espanha, em Cuba, Israel e na Dinamarca. Faz parte do Trio Arcano, completado por Victor Somma na flauta e José Izquierdo na percussão. Já Claudia é fundadora, ao lado de Claudio Dauelsberg, do célebre PianOrquestra. Cursou um ano de composição em Ithaca College, Nova York, através de uma bolsa do IBEU/IIE em 2001 e atualmente faz mestrado em composição na UniRio, onde pesquisa o uso do piano expandido na música brasileira.

A afinidade delas vem dos bancos da escola de música e dos ensaios do grupo Ofelex, voltado à música eletroacústica, do qual eram integrantes. Apesar da base técnica erudita, o que elas fazem é música popular orquestrada para piano – "popular pianística", nas palavras de Bianca. A contribuição de cada uma é perceptível na concepção dos arranjos e na escolha do repertório.

SAGRAMA

Desde 1995, quando o Sa grama despontou nas salas de aula do Conservatório Pernambucano de Música, que seus nove integrantes vêm criando o máximo de efeitos sonoros, a partir de uma mistura de cordas dedilhadas, sopros diversos e percussão delicada. É a música natural das manifestações populares nordestinas com uma roupagem mais erudita, mas sem deixar de lado o exotismo. O grupo nasceu por iniciativa do flautista e compositor inspirado Sérgio Campelo. Além dos excelentes álbuns ‘SaGrama' e ‘Engenho’, o noneto também se destaca pelas trilhas sonoras que escreve e grava. Três delas: da microssérie ‘O auto da compadecida’, de Ariano Suassuna, que foi exibida pela Rede Globo em 2000, com direção de Guel Arraes; e das peças “Fernando e Isaura”, primeiro romance de Suassuna, adaptada para teatro pelo diretor Carlos Carvalho, e “Quem tem, tem medo”, dirigida por Júnior Sampaio, cuja música foi feita em parceria com o português Ricardo Dias.
Campelo dirige e toca flautas no grupo, formado por Frederica Bourgeois nas flautas, Crisóstomo Santos nas clarinetas, Cláudio Moura no violão e na viola nordestina, Fábio Delicato no violão, João Pimenta no contrabaixo, Antônio Barreto na marimba, no vibrafone e na percussão mais Tarcísio Resende e Hugo Medeiros na percussão. No concerto da MIMO, que será no dia 4 de setembro, às 18h30, na Igreja Rosário dos Homens Pretos, o público vai se deliciar com as maravilhas de Dimas Sedícias, Cláudio Moura, Sérgio Campelo e Luiz Gonzaga.

ZABÉ DA LOCA

Além dos sopros mágicos, se tem uma coisa que a paraibana Isabel Marques da Silva faz de melhor na vida é ajudar ao seu biógrafo. Nascida há 84 anos em Buíque, agreste pernambucano, aos 7 anos arriscou as primeiras melodias nos pífanos, aquelas flautas rudimentares feitas inicialmente com bambu e depois adaptadas para soar com canos de PVC e de metal. Casou-se e foi morar no interior da Paraíba. Deu à luz três filhos e perdeu a casa onde vivia. A única saída foi reunir a família e ajeitar os pertences em uma gruta (uma 'loca', como dizem na região). Por lá residiu por 25 anos. A música de Zabé da Loca evoca a tradição das Bandas de Pífanos e vem embalada com a força ancestral da terra que nos dá o sustento. Força reverenciada pelo mago Hermeto Pascoal, com quem já se apresentou; pelos conterrâneos do Cabruêra, que estamparam os pés de Zabé na capa de um disco do grupo; por Makoto Kubota que incluiu uma de suas composições no álbum 'Nordeste Atômico', produzido para o Japão; e por Carlos Malta, que fez a direção musical do novo disco da artista, 'Bom todo', em turnê de lançamento. E será este trabalho de respeito que ganhou destaque no Brasil e no exterior que Zabé vai mostrar em Olinda ao lado de seus inseparáveis músicos.

YASEK MANZANO

Um dos nomes de maior expressão do atual jazz cubano, o jovem trompetista e compositor Yasek Manzano já avisou aos organizadores que imprimirá o acento tipicamente do seu país, revestido de improvisos contemporâneos, no festival de Olinda. O concerto promete. Será em 4 de setembro, às 18h30, no Seminário de Olinda. No roteiro, “Congo Bronx”, “Extraña melancolia” e “Puerto di Bari”, músicas próprias, mais “Belén” (Bola de Nieve) e “Tu no sospechas” (Marta Valdés).

Yasek é um virtuose como há muito não despontava em Cuba. Natural de Havana, era um menino de sete anos quando quis estudar trompete. Aos 15 anos ingressou no conservatório de Amadeo Roldán. Foi um aluno excepcional e conquistou vários prêmios até vir a oportunidade dos sonhos: uma bolsa que lher abriu as portas da Julliard, prestigiosa universidade de música em Nova York. Lá, aprendeu as manhas do instrumento com célebres mestres, entre eles o genial Wynton Marsalis.
O trompetista se juntou ao saxofonista Roberto Martinez para lançar, há três anos, o álbum ‘JoJazz, o jovem jazz cubano’, recheado por faixas autorais. A universalidade do jazz é impressionante: No Brasil, a música de Yasek Manzano flerta com os paulistanos do Núcleo Contemporâneo, via Benjamin Taubkin; em Cuba, é pupilo desde cedo do guru do jazz afrocubano Bobby Carcassés e nos Estados Unidos, já dividiu o set com o famoso Roy Hargrove que - a vida é circular - pertenceu à banda do professor Marsalis.

PROGRAMAÇÃO DO DIA 04:
DUO GISBRANCO - Espaço PetrobrÁs MIMO (17:30hs)
Mostra de Cinema - VIVA VOLTA - Pátio do Seminário (18:00hs)
Concertos - SAGRAMA Igreja do Rosário dos Homens Pretos (18:30hs)
Concertos - ZABÉ DA LOCA Seminário de Olinda (18:30hs)
Mostra de Cinema - DONA HELENA - Pátio da Igreja da Sé (19hs)
Concertos - YASEK MANZANO - Igreja da Sé (20:30hs)


05 de setembro de 2008 (Sexta-feira):

Atrações do dia:

ACARIOCAMERATA

Indicada ao Prêmio TIM de Música 2008 nas categorias 'Revelação' e 'Melhor grupo instrumental', a AcariOcamerata é um conjunto de câmara de instrumentação popular. Foi criada pelo maestro pernambucano Caio Cezar a fim de pesquisar e desenvolver um repertório popular de concerto, com temas de autores brasileiros escolhidos a dedo, entre eles Villa-Lobos, Guerra-Peixe, Radamés Gnattali, Carlos Gomes e Egberto Gismonti. Composta por flauta (André Paiva), cavaquinhos (Bruno Carvalho e Eduardo Duque), bandolim (André Cesari), violas caipira (Iuri Nascimento e Edmilson Abreu), violões (Davi Meneses), baixo acústico (André Gomes) e percussão (Sílvio Sanuto), a camerata remete, através de sua sonoridade, ao espírito da terra e da gente brasileira. Os músicos não vêem a hora de tocar novamente para o público de Olinda, onde se apresentaram em 2005, por incentivo de Lu Araújo. No roteiro, peças registradas no álbum de estréia, 'AcariOcamerata', como 'Mourão', 'Forrobodó' e 'Burrico de pau'. O concerto será em 5 de setembro, às 17h30, no Espaço Petrobras MIMO.

QUINTETO VILLA-LOBOS

Formado por Antonio Carrasqueira nas flautas, Luis Carlos Justi no oboé, Paulo Sergio Santos na clarineta, Philip Doyle na trompa e Aloysio Fagerlande no fagote, o Quinteto Villa-Lobos é considerado um dos melhores grupos camerísticos do Brasil. Seus integrantes atuam como solistas no país e no exterior e mantém prósperas carreiras individuais, na qualidade de músicos e professores. Ao todo, esse time gravou sete álbuns sob as bênçãos de Villa-Lobos.

De Guinga a Francisco Mignone, de Gilson Peranzzetta a Ernesto Nazareth, o conjunto se mantém fiel à proposta inicial de ir além do âmbito erudito. Já tocaram diversas vezes no Clube do Choro de Brasília e participaram de festivais como o ‘Chorando alto’ e ‘Sopros do Brasil’, ambos em São Paulo. Eles vêm amealhando platéias na maioria das cidades brasileiras e também em destinos internacionais, como Argentina, onde se apresentaram com Egberto Gismonti em 2001; e França, onde abriram as comemorações do ano Villa-Lobos em Paris, na Unesco, em 1987.

O Quinteto Villa-Lobos fará um concerto na MIMO no dia 5 de setembro, às 18h30, no Mosteiro de São Bento. No programa da noite, temas de Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, Pixinguinha e outros.

HAIM ISAACS E IZIDOR LEITINGER

O que vai acontecer quando o trompete do esloveno Izidor Leitinger cruzar acordes e silêncios com o piano e os vocais do americano Haim Isaacs? Só vai saber quem estiver no concerto que a dupla fará na MIMO no dia 5 de setembro, às 18h30, na Igreja Seminário de Olinda. Ambos são radicados em Paris e afinaram seus instrumentos para mostrar em Olinda toda a contemporaneidade que só os franceses conhecem ao vivo.

Izidor estudou com um punhado de mestres, em diversas partes do mundo: trompete para concertos com Stanislau Arnold e trompete de jazz com Eduard Holnthaner em Graz, na Áustria; Jazz e composição com Eric Vloeumans e Bart Van Lier em Rotterdam, na Holanda; e trompete com o mexicano Bobby Shew em Los Angeles, nos Estados Unidos. Hoje, ele trabalha como músico e compositor da sua ótima The Fool Cool Orchestra.

Nascido em Nova York e educado em Jerusalém, Haim Isaacs é outro cidadão do mundo, que imprime em sua música a passagem por tantas culturas. Na juventude ele deu expediente no Roy Hart Theatre, onde aprendeu a mesclar voz, movimento e imaginação. Já adulto, fixou residência em Paris, onde atualmente canta, compõe, improvisa e dá aulas de canto. Um de seus álbuns, por exemplo, mistura composições em hebraico, árabe e inglês.


AMÉRICA CONTEMPORÂNEA

Nove músicos nascidos em sete países latino-americanos se uniram há três anos, sob as teclas de Benjamin Taubkin, para gravar o disco ‘América Contemporânea – Um outro centro’. A proposta era democrática: cada um relembraria canções tradicionais de suas culturas para que todos interpretassem juntos, desenhando um rico painel de sonoridades, entre cirandas, merengues, chacareras, peças baseadas em ritmos afro-andinos, bullerengues e cantos de origens indígenas e espanholas.

O que se ouve a partir do encontro destes artistas, reconhecidos por público e crítica em seus países, é surpreendente. Da Colômbia, veio a cantora Lucia Pulido; da Bolívia, o saxofonista, flautista e compositor Álvaro Montenegro; da Venezuela, o violinista, compositor e arranjador Aquiles Báez; do Peru, o percussionista Lucho Solar; do Chile, o baixista Christian Galvez; e do Brasil, além de Benjamin Taubkin (que acumula funções de pianista, arranjador e produtor), o rabequeiro Siba, o percussionista Bruno Duarte e o acordeonista Lula Alencar.

Após se apresentar em diversas cidades do mundo – como Nova York, Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo e recente turnê pela Europa – e relançar o álbum nos mercados americano e europeu, este grupo com tantas raízes em comum e musicalidade a toda prova desembarca em Olinda para realizar um concerto na MIMO. Será no dia 5 de setembro, às 20h30, na Igreja da Sé.

PROGRAMAÇÃO DO DIA 05:
ACARIOCAMERATA - Espaço PetrobrÁs MIMO (17:30hs)
Mostra de Cinema - BOOKER PITTMAN - Pátio do Seminário (18:00hs)
Concertos - QUINTETO VILLA-LOBOS Mosteiro de São Bento (18:30hs)
Concertos - HAIM ISAACS E IZIDOR LEITINGER Seminário de Olinda (18:30hs)
Mostra de Cinema - TRÊS IRMÃOS DE SANGUE - Pátio da Igreja da Sé (19hs)
Concertos - AMÉRICA CONTEMPORÂNEA - Igreja da Sé (20:30hs)


06 de setembro de 2008 (Sábado):

Atrações do dia:

ORQUESTRA SINFÔNICA DE BARRA MANSA
Formada por 82 jovens músicos, a Orquestra Sinfônica de Barra Mansa (OSBM) estreou recentemente no palco no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, dentro da programação do Rio International Cello Encounter. Sob a batuta do então maestro titular da casa, Guilherme Bernstein, tocaram Fauré, Haydn, Gershwin e Aaron Copland diante de um público estupefato, que aplaudia de pé. Foi a glória para os bolsistas da orquestra, todos entre 14 e 24 anos, nascidos e criados em Barra Mansa.

Advinda do projeto ‘Música nas Escolas’, que beneficia mais de cinco mil alunos da rede municipal daquela cidade, a orquestra interpreta um vasto repertório e, inclusive, já apresentou peças de compositores americanos em primeira audição nacional. No currículo estão as apresentações que fez ao lado de solistas como o cantor e compositor Ivan Lins, os pianistas Maria Clodes Jaguaribe, Gustavo Torres e Virginia Hogan e a principal violoncelista da Orquestra Sinfônica de Jerusalém, a alemã-israelense Ina Joost.
Antes de embarcar para os Estados Unidos, onde mostrará peças de Heitor Villa-Lobos e outros autores brasileiros em Baltimore, Tanglewood e Connecticut, a OSBM fará um concerto na MIMO no dia 6 de setembro, às 16h, na Igreja do Monte, com regência dividida entre Guilherme Bernstein e o diretor artístico e maestro titular Vantoil de Souza Júnior. A expectativa é grande porque o grupo vai acompanhar a diva Eliane Coelho, cantora lírica carioca radicada há trinta anos na Europa.

TRÊS VIOLÕES BRASILEIROS

O carioca Caio Márcio, o francês Marcel Powell e o baiano João Omar têm em comum, além do violão, o fato de serem herdeiros de três grandes músicos. Caio recebe bemóis e sustenidos de todos os cromossomas: do pai, o clarinetista Paulo Sérgio Santos e da mãe, a pianista Fernanda Chaves Canaud; Marcel - o sobrenome entrega - é filho de Baden Powell; e João traz nos documentos o nome paterno do grande Elomar. Este trio da pesada fará um concerto em Olinda em 6 de setembro, às 17h30, no Espaço Petrobras MIMO. Caio é integrante dos grupos Paulo Sérgio Santos Trio e Tira Poeira, mantém um duo com o acordeonista e pianista Marcos Nimrichter e desenvolve um promissor trabalho solo autoral – que pode ser ouvido no álbum 'Caio Márcio', lançado em 2004. O primeiro disco de Marcel, 'Aperto de mão', é repleto de homenagens foi produzido pelo tio João de Aquino, e o próximo, em fase de gravação, será mais autoral e terá o guitarrista Victor Biglione como produtor.

Os predicativos de João Omar de Carvalho são muitos: compositor, regente, violonista, violoncelista e diretor musical. É autor de trilhas sonoras originais para vídeos, filmes e espetáculos teatrais. Como violonista, lançou o primeiro disco solo 'Corda bamba' há cerca de um ano. Atualmente desenvolve um trabalho voltado para identidade brasileira de música instrumental, fincando sua pesquisa em quatro gêneros bem brasileiros: forró, frevo, choro e samba.


SIBA E ROBERTO CORRÊA


O pernambucano Siba foi um dos primeiros a usar rabeca no ambiente da música popular urbana e o mineiro Roberto Corrêa pioneiro na arte de tocar o repertório instrumental de concerto com violas caipira, nordestina e de cocho. Parceiros há muitos anos, são movidos a recriar com inventividade as tradições regionais, alargando a técnica e a estética de seus instrumentos. Parte do repertório do álbum que a dupla lançará este ano será mostrado na MIMO em 6 de setembro, às 18h30, no Convento de São Francisco. No roteiro, músicas como ‘Extremosa-Rosa’ e ‘Baião do Pé Rachado’, do violeiro, e ‘Terra dos Reis’ e ‘Vale do Jucá’, do rabequeiro. Fundador do célebre Mestre Ambrósio, Siba desenvolve atualmente um trabalho de pesquisa e criação com músicos tradicionais da zona da mata de Pernambuco. É o chamado ‘Siba e a Fuloresta’, com o qual já lançou dois álbuns e fez turnês pelo país e pela Europa. O músico toca no grupo ‘América Contemporânea’, também escalado para se apresentar este ano no festival.

Violeiro compositor e pesquisador, Roberto Corrêa lançou 15 discos e levou a viola caipira e a viola de cocho a diversas regiões brasileiras e em 29 países em mais de vinte anos dedicados à música. Além de atuar como solista, Roberto vem abastecendo o repertório da viola com belas melodias inspiradas nas suas raízes interioranas. É esta música que a crítica associa à contemporaneidade e à erudição.


EUMIR DEODATO TRIO


Trilhas sonoras hollywoodianas, teu nome é Eumir Deodato! Ao todo, foram mais de 500 álbuns, com os quais abocanhou 15 discos de platina. Em todos atuou como instrumentista, compositor, arranjador ou produtor – às vezes, desempenhando mais de uma função ao mesmo tempo. A carreira deslanchou nos exterior em 1972, quando fez os arranjos da música “Assim falou Zaratustra”, de Richard Strauss, que virou tema do clássico ‘2001 – Uma Odisséia no Espaço’, do diretor Stanley Kubrick.
Em dupla com o pianista João Donato, gravou, no mesmo ano, o antológico ‘Donato/Deodato’. Eumir se mudou para os Estados Unidos exatamente cinco anos antes desse sucesso todo, por influência do violonista Luiz Bonfá. Começou trabalhando com brasileiros radicados naquele país, como Tom Jobim, Astrud Gilberto e o próprio Bonfá. O leque foi se abrindo gradualmente e ele fez arranjos para os cantores Sarah Vaughan, Frank Sinatra, Aretha Franklin, George Benson, Roberta Flack e muitos outros até aterrissar, já nos anos 90, na trepidante música da islandesa Björk.
De volta ao Brasil para trabalhos pontuais, Deodato arranjou discos inteiros ou faixas elaboradas de artistas como Elis Regina, Marcos Valle, Gal Costa, Titãs, Marisa Monte e Carlinhos Brown. Um dos nomes mais expressivos do fusion-jazz, Eumir Deodato fará um concerto na MIMO com seu trio – completado por Marcelo Mariano no contrabaixo e Renato Massa na bateria – na Igreja da Sé. Anote para não perder: será no dia 6 de setembro, às 20h30.



PROGRAMAÇÃO DO DIA 06:
Concerto - ORQUESTRA SINFÔNICA DE BARRA MANSA - Igreja Nossa Senhora do Monte (16:00hs)
Espaço Petrobras - MIMO TRÊS VIOLÕES BRASILEIROS - Espaço Petrobrás MIMO (17:30hs)
Mostra de Cinema - RUA DA ESCADINHA 162 - Pátio do Seminário (18:30hs)
Concertos - SIBA E ROBERTO CORRÊA - Convento de São Francisco (18:30)
Concertos - ORQUESTRA MIMO - Seminário de Olinda (18:30hs)
Mostra de Cinema - HERBERT DE PERTO - Pátio da Igreja da Sé (19hs)
Concertos - EUMIR DEODATO TRIO Igreja da Sé (20:30hs)



07 de setembro de 2008 (Sábado):

Atrações do dia:

ORQUESTRA SINFÔNICA DO RECIFE

Sob a batuta dos alunos-regentes que se destacarem no curso de regência ministrado por Isaac Karabtchevsky a Orquestra Sinfônica do Recife (OSR) vai apresentar peças de Nepomuceno, Beethoven e Dvorák ao público de Olinda. O repertório será interpretado pela atual orquestra residente da MIMO no concerto de encerramento da Etapa Educativa, a ser realizado no dia 7 de setembro, às 11h30, na Igreja da Sé. Em 1930, quando a roda da modernização começou a girar no território brasileiro, nascia a OSR, a mais antiga do país em atividade ininterrupta. Foi fundada pelo maestro Vicente Fittipaldi com esforços de Walter Cox e do compositor Ernani Braga. A estréia foi em 30 de julho daquele ano, no Teatro de Santa Isabel, atual sede da orquestra, que na época se chamava Orquestra Sinfônica de Concertos Populares. Em 1949, as duas últimas palavras foram substituídas por Recife, já que orquestra estava vinculada á capital de Pernambuco. Realizando uma média de 32 concertos anuais, divididos em oficiais, especiais, multimídias, populares (estes, ao ar livre) e comunitários (que levam repertórios clássicos às comunidades), a OSR faz, ainda, espetáculos didáticos voltados para jovens carentes. Através de recursos multimídia, o projeto ensina aspectos das obras eruditas, como se forma uma orquestra e faz um passeio pela história da música. O objetivo é formar novas platéias para o clássico no Recife.


ORQUESTRA CRIANÇA CIDADÃ DOS MENINOS DO COQUE

ANTIQUE CORDOVA ENSAMBLE (ARGENTINA)

Feche os olhos e imagine a suave matemática: seis vozes (sopranos, mezzo-sopranos, barítono e tenor) entremeados aos instrumentos flauta doce, oboé, violino e violoncelo e todos em uníssono interpretando a música barroca latino-americana. É com este trabalho belíssimo que os argentinos do Antique Cordova Ensamble prometem arrebatar o público da MIMO 2008. Formado por nove jovens, o grupo existe desde 2003 e é apontado como uma das formações mais bem elaboradas de Córdoba.

Os cantores iniciaram seus estudos na Escuela de Niños Cantores de Córdoba e, em seguida, se juntaram a corais regidos pelos maestros Emma Matilde Sánchez, Carlos Flores, Hugo de La Veja e Milagros Brunner. Com esses conhecimentos não foi difícil serem convidados a soltar a voz em festivais na América do Sul, na Europa e nos Estados Unidos, além de atuar em óperas e concertos sinfônicos desbravando repertórios de Domenico Zípoli, Martin Shmid, Tomás Torrejón y Velazco e compositores anônimos do século XVII. Os músicos vieram de grupos como a Orquesta Sinfônica de San Juán e a Sinfonieta Argerich.

Dirigido por Arturo Diego Arias, também flautista e oboísta do Antique Cordova Ensamble, o grupo virá pela segunda vez ao Brasil. A primeira em meados de 2007, quando participaram da série ‘Música nas Estrelas’, dirigida por Lu Araújo. O concerto na MIMO será em 7 de setembro, às 18h30, na Igreja de Guadalupe.


ANDRÉ MEHMARI

Mais conhecido como pianista embora, na verdade, seja um multiinstrumentista especialíssimo, André Mehmari já compôs e fez arranjos para algumas das mais importantes formações do país, entre elas a Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), o Quinteto Villa-Lobos, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP) e a Banda Mantiqueira. A discografia deste músico premiado já reúne seis álbuns individuais, com destaque para o mais recente ‘de Árvores e Valsas...’, o primeiro dedicado às suas composições.

Entre os incontáveis projetos que levam a assinatura do músico, ele se apresenta em trio, piano solo e em duo com o bandolinista Hamilton de Holanda e com as cantoras Mônica Salmaso e Ná Ozzetti, além de conduzir oficinas e workshops. Em dupla com Ná, lançou o disco ‘Piano e Voz’ e em parceria com Hamilton, o álbum ‘Contínua amizade’, que está em turnê de lançamento.

Na agenda sortida do músico, o próximo destaque é o concerto que ele fará na MIMO, em 7 de setembro, às 18h30, na Igreja Seminário de Olinda.


CARLOS MALTA & PIFE MUDERNO E BANDA SINFÔNICA MANGAIO

Virtuose em saxofones e flautas, assim como em instrumentos étnicos, entre eles o 'pife' brasileiro, o 'shakuhachi' japonês e a flauta 'di-zi', de origem chinesa, Carlos Malta está à frente do sexteto Pife Muderno. Inspirado no terno de pífanos nordestinos, a banda funde com primor tradição e contemporaneidade e apresentará na MIMO a suíte 'Os elementos em 5 movimentos', escrita por Malta. O concerto será em 7 de setembro, às 20h30, na Igreja da Sé. Essa obra traduz o diálogo entre a instrumentação sinfônica e uma banda de pife, no qual cada elemento (etéreo, fogo, água, ar e terra) é representado por um conjunto de sons e recriado através de ritmos, melodias e contracantos. A suíte foi executada pela primeira vez em 2007 pela Banda Sinfônica do Estado de São Paulo e agora contará com o reforço da Banda Sinfônica Mangaio. As possibilidades sonoras do Pife Muderno também são infinitas, graças ao talento dos músicos envolvidos há mais de uma década nesta formação: Carlos Malta desempenhando as funções de arranjador, compositor, flautista e diretor artístico mais Andrea Ernest Dias nas flautas, Oscar Bolão na caixa e nos pratos, Durval Pereira na zabumba e Marcos Suzano e Bernardo Aguiar nos pandeiros.

PROGRAMAÇÃO DO DIA 06:
Concertos - ORQUESTRA SINFÔNICA DO RECIFE - Igreja da Sé (11:30hs)
Concertos - ORQUESTRA CRIANÇA CIDADÃ DOS MENINOS DO COQUE - Igreja do Rosário dos Homens Pretos (16:00hs)
Espaço Petrobras MIMO - TIRA POEIRA - Espaço Petrobras MIMO (17:30hs)
Mostra de Cinema - BATUQUE NA COZINHA - Pátio do Seminário (18hs)
Concertos - ANTIQUE CORDOVA ENSAMBLE (ARGENTINA) - Igreja de Guadalupe (18:30hs)
Concertos - ANDRÉ MEHMARI - Seminário de Olinda (18:30hs)
Mostra de Cinema - ONDE A CORUJA DORME - Pátio da Igreja da Sé
Concertos - CARLOS MALTA & PIFE MUDERNO E BANDA SINFÔNICA MANGAIO - Igreja da Sé (20:30hs)

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

ADEUS MESTRE SALUSTIANO!!

Por Lúcia Gaspar (Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco)

Manoel Salustiano Soares, conhecido como Mestre Salustiano ou Mestre Salu nasceu em Aliança, zona da mata norte de Pernambuco, no dia 12 de novembro de 1945.
Seu pai, João Salustiano, era um tocador de rabeca e foi quem o ensinou a fazer e a usar o instrumento. Mestre Salu usa praíba, imburana, pinho, mulungu e cardeiro para fazer suas rabecas, pois segundo ele são as melhores madeiras para produzir o som.
Durante a infância participou de brincadeiras e folguedos populares existentes nos engenhos de Aliança. Sua grande paixão é o cavalo-marinho, que apesar de utilizar alguns personagens, músicas e coreografias comuns ao bumba-meu-boi, tem características próprias.
Foi um dos maiores dançadores de cavalo-marinho da região, interpretando diversos personagens: arrelequim, dama, galante, contador de toada, Mateus (durante nove anos), recebendo por isso o título de mestre. É considerado um dos grandes nomes do maracatu em Pernambuco, uma das maiores autoridades em cultura popular no Estado e o precursor ou “patrono espritual” do manguebeat.
Fundou o Maracatu Piaba de Ouro, em 1997, tendo participado com o grupo do festival de Cultura Caribeña, em Cuba. É o comandante do cavalo-marinho Boi Matuto, que criou em 1968, e do Mamulengo Alegre.
Mestre Salustiano também é um artesão. Além das rabecas é ele quem confecciona os bichos do bumba-meu-boi, cavalo, boi, burra; as máscaras do cavalo-marinho, feitas de couro de bode ou de boi e os mamulengos de mulungu.
É um dos grandes responsáveis pela preservação da ciranda, do pastoril, do coco, do maracatu, do caboclinho, do mamulengo, do forró, do improviso da viola e de outros folguedos populares do folclore nordestino.
Atualmente na Casa da Rabeca do Brasil, situada na Cidade Tabajara, em Olinda, espaço inaugurado recentemente pela família para apresentações de danças, oficinas, encontros de maracatus rurais e cavalo-marinho, além de shows de música regional, acontecem eventos o ano inteiro. Anteriormente, as apresentações eram organizadas por ele no Iluminara Zumbi, arena idealizada por Ariano Suassuna, durante sua gestão como secretário de cultura.
O espaço possui um grande terreiro para as diversas apresentações, bar, salão de danças e uma loja, onde são comercializados produtos de confecção própria, como rabecas, alfaias, pandeiro, mamulengos, além de peças do artesanato de barro de Caruaru.
Na época do carnaval, a Casa recebe caboclinhos, bois, burras, troças, ursos, além do seu maracatu Piaba de Ouro. No Natal, é palco para pastoril, ciranda, cavalo-marinho, entre os quais o Boi Matuto, com a participação de 76 figurantes e 18 pessoas brincando.
Foi agraciado com o título de doutor honoris causa pela Universidade Federal de Pernambuco, em 1965, e já percorreu com a sua arte a maioria dos estados brasileiros e países como a Bolívia, Cuba, França e Estados Unidos.
Recebeu ainda, em 1990, o título de “reconhecido saber” concedido pelo Conselho Estadual de Cultura de Pernambuco e o de comendador da Ordem do Mérito Cultural, em 2001, pelo então Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso.
Tem quatro CDs gravados: Sonho da Rabeca, As três gerações, Cavalo-marinho, Mestre Salu e a sua rabeca encantada.
Mistura de músico, produtor, artesão e professor, Mestre Salu segue fazendo turnês nacionais e internacionais, tocando sua rabeca e mostrando sua peculiar fusão de ritmos do folclore nordestino.
Indicado pela Prefeitura de Olinda, foi escolhido pelo Governo do Estado, através da Lei nº 12.196 de 2 de maio de 2002, como Patrimônio Vivo de Pernambuco.
Criador do espaço cultural Casa da Rabeca, na Cidade Tabajara, em Olinda, morreu, vítima de problemas do coração a 31 de agosto de 2008, no Pronto Socorro Cardiológico de Pernambuco. Ele era portador do Mal de Chagas e utilizava marcapasso há 18 anos.


Sobre sua arte, ele diz: “Eu crio na hora. Não tenho dificuldade. Quando a gente cria, nunca esgota o que tem. A gente quando cria por conta própria, é uma fonte que é difícil secar. É coisa para a gente ser vitorioso sempre”.

Mestre Salustiano está hoje com 57 anos. Um de seus momentos de glória foi através de seu CD Sonho da Rabeca, de 98, que traz maracatu, cavalo-marinho, forró pé-de-serra, coco, samba, marchas, entre outros ritmos, em que Ariano Suassuna assinou o texto da contra-capa. “Hoje, compositores e intérpretes como Roberto Corrêa e Luís Eduardo Gramani percebem o que significam a viola para a música brasileira. Mas, o trabalho desses eruditos não teria um alicerce sobre o qual se apoiar se não existissem artistas como Mestre Salustiano... Das músicas do Mestre, chamo atenção para as Toadas de Cavalo Marinho e o Maracatu Rabecado. Foram peças como estas que me levaram a incluir Mestre Salustiano, ao lado de Villa-Lobos, na criação do espetáculo “A Demanda do Geral Dançado”, hoje conhecido e elogiado no Brasil inteiro”.

CAMAFEU DE OXOSSI

Ao ouvir a canção CAMAFEU GUERREIRO composta pelo Jorge Vercillo e gravada em seu mais recente trabalho, me aguçou a curiosidade em saber a quem se tratava o título da canção. Eis aqui a descoberta juntamente com um álbum que o camafeu gravou em 1980.
Solista de berimbau e cantor. Ápio Patrocínio da Conceição, andarilho do Pelourinho, é um homem de sorte. Tanto no jogo, quanto no amor, daí o nome Camafeu. Ele nasceu no dia 04 de outubro de 1915, no bairro do Gravatá, em Salvador, e se criou no Pelourinho. Filho de Faustino José do Patrocínio e Maria Firmina da Conceição. Seu pai era mestre-pedreiro, descendente de africano. Conviveu com ele até os sete anos. Sua mãe veio de Camamu, era negociante de tabuleiro. Negociava frutas, doces, acarajé, tudo na Baixa dos Sapateiros. Sua mãe teve 16 filhos. Ele, Raimundo e João, cada um de um pai. Como ficou órfão de pai aos sete anos, seu padrasto dava mais atenção ao Raimundo. Não suportando aquilo, resolveu sair de casa. De menino de rua que passou fome e perdeu toda a família, estudou na Escola de Aprendiz de Artífice, trabalhando na fundição, vendeu cordão de sapato (cadarço) na porta do Elevador Lacerda. Dali passou para o passeio do Mercado Modelo como engraxate, além de vender os jornais de modinha nas feiras de Água de Meninos, Dois de Julho e Sete Portas. Saiu de lá para ser marítimo e foi parar na Estiva - Companhia Docas da Bahia até se tornar proprietário da famosa barraca de São Jorge, no velho Mercado Modelo, e de um restaurante de fama internacional.

A música entrou em sua vida desde garoto. Foi criado na roda de samba, tocando berimbau, ensinando aos turistas como tocar o instrumento. Era um homem de muitas palavras, casos e lendas para contar. Chegou a ser diretor das escolas de samba Só Falta Você, Deixa Pra Lá, Gato Preto, onde aproveitava para cantar seus sambas. No Mercado Modelo ele começou a cantar música de capoeira e ijexá, tocando berimbau e atraindo a clientela. A partir daí começou a fazer sucesso. Na sua Barraca São Jorge, aberto em riso, cercado de objetos rituais de obis e orobôs, ele ensinava os mistérios da Bahia. Na década de 60, a Universidade Federal da Bahia criou o curso de língua ioruba e Camafeu foi um dos primeiros alunos. Foi convidado para ir à África, representando a Bahia no Primeiro Festival de Arte Negra do Senegal, junto com Pastinha e outras pessoas. Lá ele cantou em iorubá para Oxum e para Oxómi. Sobrinho de Mãe Aninha e filho-de-santo de Mãe Senhora, o obá de Xangó do terreiro Axé Opô Afonjá esbanjou alegria. Figura baiana conhecida em todo o Brasil, personagens de muitos livros de Jorge Amado (Tereza Batista, Dona Flor, Tenda dos Milagres, Tieta do Agreste, entre outros) de quem era amigo particular. Seu nome está presente em dezenas de músicas: aquela que diz “Camafeu, cadê Maria de São Pedro”, gravada por Martinho da Vila, outra gravada por Maria Alcina e também o conjunto Os Originais do Samba gravou um samba em sua homenagem.

Tocador de berimbau, batuqueiro, ex-presidente dos Filhos de Gandhi, Camafeu de Oxossi gravou dois discos, um deles Berimbau da Bahia com os cantos de capoeira mais belos, alguns velhos do tempo da escravidão ou da Guerra do Paraguai: “Volta do mundo, ê!/volta do mungo, ah!/ Eu estava lá em casa/sem pensá, sem maginá/e viero me buscá/para ajudar a vencê/a guerra do Paraguá/camarado ê/camaradinho/camarado...”. Esses cantos estão cheios de lembranças da vida dos escravos: “No tempo em que eu tinha dinheiro, camarado ê, comia na mesa com ioiô, deitava na cama com iaiá... Depois que dinheiro acabou, mulher que chega prá lá, camarado. camaradinho ê....”. Contam da guerra, da escravidão, das lutas dos negros. Outros são improvisados no repente da brincadeira e, repetidos, permanecem e se tornam clássicos: “Bahia, minha Bahia,/Bahia do Salvador,/Quem não conhece capoeira/Não lhe pode dar valor//Todos podem aprender/General e até doutor”. Com o tempo, a voz rouca não cantava mais, porém se emprestava a histórias e nomes com quem conviveu numa cidade que não existe mais.

“No mercado, em meio a seus orixás, aos colares e às figas, queimando o incenso purificador, rindo sua gargalhada, saudando São Jorge. Oxóssi, rei de Ketu, o grande caçador. Camafeu comanda a música, o canto e a dança. Um baiano dos mais autênticos, um dos guardiães da cultura popular. Homem que possui o saber do povo, um desses que preservam o passado e constróem o futuro”, segundo Jorge Amado no livro Bahia de Todos os Santos. E diz mais: “Compositor, mestre solista de berimbau, obá de Xangô, Osi Obá Aresá, filho de Oxóssi, preferido de Senhora, amigo de Menininha e de Olga de Alaketu, o riso cortando o rosto, dono da amizade. Em sua barraca, em prosa sem compromisso, numa conversa largada como só na Bahia ainda existe, sem horário e sem obrigações temáticas, podem ser vistos o pescador, a filha-de-santo, o pintor Carybé, o passista de afoxé, o Governador do Estado, o compositor Caymmi, a turista loira e esnobe, a mulata mais sestrosa e Pierre Verger, carregado de saber e de mistério. A barraca de Camafeu é ponto de reunião, é mesa de debates, é conservatório de música. Na cidade do Salvador a cultura nasce, se forma e se afirma em bem estranhos lugares, como por exemplo, uma barraca do mercado (...) lá se vai Camafeu pelos caminhos da Bahia, invencível com seu santo guerreiro. Vir à Bahia e não ver Camafeu é perder o melhor da viagem. Ele é um obá, um chefe, um mestre”.

Um ritual religioso marcou no dia 27 de março de 1994 o sepultamento de uma das figuras mais conhecidas da Bahia: Apio Patrocínio da Silva, o Camafeu de Oxossi. O enterro foi no Cemitério da Ordem Terceira do São Francisco, e contou com a presença de vários amigos e admiradores daquele que era uma das maiores autoridades do culto afro-brasileiro na Bahia. Camafeu ficou conhecido não só como proprietário de um dos mais famosos restaurantes de comidas típicas da Bahia, localizado no Mercado Modelo, como também pelo posto Obá de Xangô, que ocupava no Terreiro Ilê Axe Opô Afonjá. Era querido pelas principais mães-de-santo da Bahia e amigo de Dorival Caymmi, Jorge Amado e Gilberto Gil. Doente há muito tempo, Camafeu foi vencido por um câncer na garganta e faleceu no Hospital Aristides Maltez, aos 78 anos.

CAMAFEU DE OXOSSI - BERIMBAU (1980)

Faixas:
01 - Babá Mixorô
02 - Moriô
03 - Ojo Matin Dolaie
04 - Afoxê Loni
05 - Alá Filá Alá
06 - Adabaô no Mafé
07 - Alá La La Ê
08 - Paraná
09 - Quem Quiser Moça Bonita
10 - Samba Do Mar
11 - Adeus Corina
12 - Sou Eu Malta
13 - Vou Dizê a Meu Sinhô Que a Manteiga Derramou

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