PROFÍCUAS PARCERIAS

Em comemoração aos nove anos de existência, nosso espaço apresentará colunas diárias com distintos e gabaritados colaboradores. De domingo a domingo sempre um novo tema para deleite dos leitores do nosso espaço.

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UM NOME POR TRÁS DA CANÇÃO

Um dos mais produtivos compositores da música brasileira ainda em atividade, Bráulio de Castro não pára de produzir nos mais variados gêneros da música popular brasileira, em especial a pernambucana.

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COMANDANDO O BLOCO DO AMOR, BEATRIZ RABELLO ESTREIA EM GRÁCIL PROJETO

De nobre linhagem, a intérprete estreia em disco onde dá voz a grandes nomes e conta com a participação de um dos ícones da MPB.

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

ZÉ DANTAS

Numa data como hoje a exatamente 87 anos atrás (27/02/1927), nascia no município de Carnaíba de Flores, hoje Carnaíba, no sertão pernambucano o médico e compositor, José de Sousa Dantas Filho. Mais conhecido como Zé Dantas, foi fundamental para a fixação do baião como gênero de sucesso. Isso se deu graças às suas parcerias com Luiz Gonzaga a partir de 1950, quando este se separou do parceiro inicial, Humberto Teixeira. Mas em 1938 Zé já compunha suas primeiras músicas e escrevia crônicas sobre folclore para uma revista pernambucana.

Estudou o curso secundário no Recife (colégios Nóbrega, Marista e Americano Batista) e formou-se em medicina pela Universidade Federal de Pernambuco.

Conheceu Luiz Gonzaga no Recife, quando ainda era estudante, em 1947, ocasião em que entregou ao Rei do Baião algumas canções, pedindo que, caso Luiz Gonzaga as gravasse, não colocasse o nome dele (Zé Dantas) porque seu pai poderia cortar-lhe a mesada. Já formado, em 1950 fixou residência no Rio de Janeiro e iníciou com o rei do baião uma profícua série de sucessos imortais assinados a quatro mãos, como "Vem Morena", "A Dança da Moda", "Riacho do Navio", "Vozes da Seca", "A Volta da Asa Branca", "Imbalança", "ABC do Sertão", "Algodão", "Cintura Fina" e "Forró de Mané Vito". O grupo vocal Quatro Ases e Um Coringa também obteve grande sucesso com "Derramaro o Gai", depois também imortalizada pelo Rei do Baião.

Em 1951, compuseram mais um clássico, o baião "Sabiá", e no ano seguinte foram às paradas com a marcha junina "São João na Roça" e com a triste "Acauã" (esta assinada apenas por Zé). Atuou ainda ao lado de Paulo Roberto no programa No Mundo do Baião, na Rádio Nacional (RJ) em 1953, ano em que estouraram o "Xote das Meninas" e "Farinhada" (esta também apenas de Zé), na voz de Ivon Curi. Outro ícone do baião, Jackson do Pandeiro, também fez sucesso com uma canção de Zé Dantas, "Forró em Caruaru". Quando foi diretor folclórico da Rádio Mayrink Veiga, do Rio, o compositor chegou a regravar suas canções mais emblemáticas em disco. Mesmo depois de sua morte, todas as músicas da dupla continuaram a ser relidas pelos maiores nomes da MPB – até os dias de hoje – como Gal Costa, Gilberto Gil, Elba Ramalho, Alceu Valença, Fagner, Marisa Monte e muitos grupos de Oxente Music e até da geração da música eletrônica. Também ainda na década de 50 trabalhou no Hospital dos Servidores do Estado; foi, também, diretor do programa O Rei do Baião (Rádio Nacional) e diretor do Departamento Folclórico da Rádio Mayrink Veiga.

Faleceu no dia 11 de março de 1962, aos 41 anos de idade deixando como legado para a música brasileira uma infinidade de canções que retratam o nordeste de maneira poética e bela.
Zé Dantas é avô da cantora Marina Elali.

No início da década de 60 foi lançado um álbum onde se encontrava alguns dos maiores sucessos de Zé em parceria com Luiz Gonzaga até então. O álbum chama-se:

LUIZ GONZAGA CANTA SEUS SUCESSOS COM ZÉ DANTAS (1959)
Faixas:
01 - Sabiá (Luiz Gonzaga - Zé Dantas)
02 - O xote das meninas (Luiz Gonzaga - Zé Dantas)
03 - Vem morena (Luiz Gonzaga - Zé Dantas)
04 - A volta da asa branca (Luiz Gonzaga - Zé Dantas)
05 - A letra I (Luiz Gonzaga - Zé Dantas)
06 - O forró de Mané Vito (Luiz Gonzaga - Zé Dantas)
07 - A dança da moda (Luiz Gonzaga - Zé Dantas)
08 - Riacho do Navio (Luiz Gonzaga - Zé Dantas)
09 - Vozes da seca (Luiz Gonzaga - Zé Dantas)
10 - Cintura fina (Luiz Gonzaga - Zé Dantas)
11 - Algodão (Luiz Gonzaga - Zé Dantas)
12 - Paulo Afonso (Luiz Gonzaga - Zé Dantas)

CURIOSIDADES DA MPB

Não sei se existe contexto político. A Bossa Nova não foi um movimento com preocupações políticas claras (a sua percursora, Tropicália, fez esse trabalho).
No livro de Ruy Castro, "Chega de Saudade" podemos ler sobre a criação dessa música por Jobim e Mendonça: "A idéia que levava Tom e Newton às gargalhadas era cruelmente inspirada em cantores como Lélio Gonçalves: iriam escrever um samba que parecesse uma defesa dos desafinados, mas tão complicado e cheio de alçapões dissonantes que, ao ser cantado por um deles, iria deixá-lo em apuros. Talvez este samba nunca passasse de uma inside joke, que ninguém iria entender e nem se interessaria em gravar. Mas seria engraçado de fazer, no que os dois encheram os copos e arregaçaram as mangas. (...) O produto saiu muito melhor do que a encomenda. Não era apenas uma inside joke mas poderia ser também um samba de humor, com algumas possibilidades comerciais. Depende de para quem dessem a música. "Desafinado" era uma galhofa só, música e letra, principalmente o verso que mais lhes arrancou risos, quando Tom o propôs: "Fotografei você na minha Rolley-flex", numa referência à fabulosa câmera alemã 6x6, com visor indireto - o máximo para a época. Para acrescentar uma pitada de provocação referiram-se à expressão da moda entre os meninos de Ronaldo Bôscoli e escreveram: "Isto é Bossa Nova, isto é muito natural".Era uma música para ser cantada por alguém que não se levasse muito a sério. Blá blá blá, Tom e Newton pensaram que a canção ia com a cara de muitos cantores da época, e todos recusaram ou acharam que a música não ia muito com o jeito deles, até que Ruy Castro relata este episódio:«Dias depois, na casa de Tom, três outros cantores ouviram "Desafinado", na mesma reunião. Dois deles quiseram gravá-la: Lúcio Alves e Luís Cláudio. O terceiro a gravou em novembro daquele ano: João Gilberto, que os atropelou gritando, "É minha!", e ficou com ela.

Fonte(s):
Ruy Castro, "Chega de Saudade", Companhia das Letras, São Paulo, 1990, pág. 205/206

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

WILSON SIMONAL

Wilson Simonal de Castro, (Rio de Janeiro, 26 de fevereiro de 1939 - 25 de junho de 2000) foi um cantor brasileiro de muito sucesso nas décadas de 1960 e 1970.

Começou a carreira cantando em bailes do 8º grupo de Artilharia da Costa, cantando em inglês, rock e calipsos. Em 1961 foi crooner do conjunto de calipso Dry Boys, fez parte do conjunto Os guaranis. Se apresentou no programa Os brotos comandam, sendo apresentador do programa Carlos Imperial. Cantou nas casa noturnas Drink e Top Club. Foi levado por Luiz Carlos Miéle e Ronaldo Bôscoli para o Beco das Garrafas, que era o reduto da bossa nova.Em 1964 viajou pelas América do Sul e América Central, junto com o conjunto Bossa Três, do pianista Luís Carlos Vinhas.

De 1966 a 1967 apresentou o programa de TV, Show em Si ...monal, pela TV Record - canal 7, de São Paulo. Seu diretor era Carlos Imperial. Se revelando um show man, fez grande sucesso com as músicas País tropical (Jorge Ben), Mamãe passou açúcar em mim, Meu limão, meu limoeiro, Sá Marina (Antonio Adolfo/Tibério Gaspar), num swing criado por César Camargo Mariano, que fazia parte do Som Três, junto com Sabá e Toninho, que foi chamado de pilantragem.

Em 1970 acompanhou a seleção brasileira de futebol à Copa do Mundo, realizada no México. Ficando amigos dos jogadores de futebol Carlos Alberto, Jairzinho e do maestro Erlon Chaves. Houve um desfalque na empresa em que Simonal tinha. Seu contador foi acusado, supostamente, de ter praticado o roubo. Durante os interrogatórios, Simonal foi acusado de ser informante do Dops. Foi condenado em 1972.

Simonal ficou desmoralizado no meio artístico-intelectual e cultural da época e sua carreira começou a declinar. O jornal O Pasquim acusou-o de dedo duro . A repressão imposta pela ditadura militar brasileira, levaram os jornalistas da época a acreditar que Simonal fosse informante do SNI. A imprensa o condenou sem provas.

Ele negou veementemente todas as acusações. Em 2002, após sua morte, a família do cantor requisitou abertura de processo para verificar a acusação de informante do regime. Foram reunidos depoimentos de diversos artistas, além de um documento datado de 1999 em que o então secretário de Direitos Humanos, José Gregori, atestava que não havia evidências - fosse nos arquivos do Serviço Nacional de Informações (SNI) ou no Centro de Inteligência do Exército - de que Simonal houvesse agido como delator. Como resultado, o nome do músico foi reabilitado publicamente pela Comissão Nacional de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em 2003.

Independente de qualquer acusação política, porém, o nome de Wilson Simonal vem ganhando cada vez mais reconhecimento pela contribuição musical no cenário brasileiro, sendo considerado um dos grandes cantores da Música Popular Brasileira. É pai dos também músicos Wilson Simoninha e Max de Castro.

Em 1995, Mário Prata escreveu uma crônica a respeito do Simonal:


ESQUECEMOS DE ANISTIAR O WILSON SIMONAL
o Estado de S. Paulo
16/01/95

O brasileiro adora esquecer e/ou perdoar. O Collor, por exemplo, fez o que fez e acho que já foi perdoado. Eleições futuras, em Alagoas e no Brasil, irão comprovar isso. O próprio PC já está sendo visto com certa simpatia pelos coleguinhas da imprensa. Os Sete Anões, vocês se lembram deles? Não deu em nada. E nem vai dar.
O Jânio que, com a sua renúncia, em 61, levou o Brasil a mais de trinta anos de incertezas e atrasos, foi depois perdoado e os paulistanos o colocaram na cadeira de prefeito que deveria ter sido de FHC. O Paiacã, que fez aquela sacanagem toda, já foi perdoado e esquecido. O Zico, que perdeu aquele pênalti contra a França na Copa de 86 já foi perdoado. Até mesmo o Joaquim Silvério dos Reis, hoje em dia é apenas mero tema para vestibulandos.
O que há de comum entre o Collor, o PC, os Sete Anões, o Jânio, o Paiacã, o Zico e o Joaquim Silvério? São todos brancos. Uns, bandidos. Outros, como o Zico, brasileiros da maior dignidade. Mas todos, brasileiros brancos.
Toda essa introdução acima é para falar do Wilson Simonal. Você sabe quem foi (ou quem é) Wilson Simonal? Um dos mais queridos e requisitados cantores dos anos sessenta. Bonachão, cheio de swing, uma voz afinadíssima, com uma inteligência rápida e rara no programa Essa Noite se Improvisa, brilhava ao lado de Chico, Caetano, Carlos Imperial, Gil, Roberto Carlos, Jair Rodrigues, Ellis. Um dia ele fez o Maracanãzinho cantar com ele, durante mais de meia hora, o Meu Limão, Meu Limoeiro. Quem não se lembra dele cantando Sá Marina? Naquele tempo o Brasil, na voz do Simona era mesmo Um País Tropical.
Pois um dia o falecido jornal O Pasquim (onde tive a honra de trabalhar em 72 e 73), há já distantes vinte e cinco anos, disse, em letras garrafais, na primeira página, que o Simonal era dedo-duro. Que ele teria entregue um ex-funcionário para "os homens". Pudera: um crioulinho daquele, com um dos maiores contratos publicitários da época - com a Shell, multinacional do imperialismo! - andando pra cima e pra baixo numa Mercedes branca com estofamento vermelho, boa coisa não podia ser. A esquerda caiu de pau, chicotes e archotes em cima do "malandro". Nunca ficou clara a acusação. Nem pretendo discutir isso aqui. O Simonal sumiu. Sumiu o homem e a carreira, a voz e a alegria do "champinhon". Soube, através do filho dele, o também músico Simoninha (de quem tenho o prazer de ser amigo) que ele quase morreu no ano passado. Não há fígado que resista a uma acusação de 25 anos. Todos os fígados do Brasil já foram anistiados. Menos o do Simonal.
Semana passada vi o Simonal num memorável programa da deliciosa Hebe Camargo. Está magro, abatido, mas a voz é firme, gostosa como sempre. De vez em quando, a imprensa entrevista o Simonal. Mas sempre, sempre, sempre, da primeira à última pergunta, o tema é o mesmo, e ele, quase desesperado, diz que aquilo já passou. Não passou não, Simonal. Você foi marcado para sofrer, por todos nós da esquerda, daquela e naquela época. Acho que o buraco é mais embaixo.
E foi pensando no Simonal que eu me lembrei do Barbosa, goleiro da seleção de 50. Barbosa, tão preto quanto o Simonal, levou um gol do Gighia no segundo tempo e o Brasil perdeu a Copa do Mundo para o Uruguai. De quem foi a culpa? Daquele crioulo safado. Desde então (e lá se vão 45 anos) nunca outro negro foi goleiro da seleção canarinha. Pelo contrário, são sempre jovens bonitos, que não falam nem menas nem qüestã, altos, alguns até loiros: Ado (mais bonito do que goleiro), Leão (que sempre pintou o cabelo), Carlos (o elegante), Waldir Perez (o careca sensual), Taffarel (o ariano puro), Zetti (o bom menino), Felix (baixo, mas branco), Castilho (um lord), Gilmar (a elegância em pessoa). Barbosa (negro) jamais foi perdoado. A culpa foi dele, já que deveria ser de alguém.
Simonal é o nosso Barbosa, levando petardos de todos os gighias brasileiros. Uma bola (ou uma bala) perdida passou por baixo dele e atingiu a sua alma negra. Um pai que tem um filho como o Simoninha, não pode ser ou ter sido tão perigoso e fdp assim. Num momento que o Brasil oferece exemplo de democracia e dignidade interna e externamente, é hora de se anistiar o Simonal. Que ele volte com sua voz gostosa e seu jeito de malandro aos palcos do Brasil. Deixemos que ele entre novamente em nossas casas, pela porta da frente. Ou pela gaveta de um CD.
Vamos anistiar o homem enquanto ele está vivo. Ele e nós.

O Chico Anísio também escreveu algo sobre o Simonal:


WILSON SIMONAL

E, para felicidade particular do “humorista”Jaguar, o Wilson Simonal morreu. Ora, Senhor! Uma pessoa humana como o Jaguar, um homem de bom caráter, cheio de muitos amigos, incapaz de uma briga, de causar um mal estar, merecia ser recompensado pelo prazer de ver a morte do Simonal há mais tempo.
Eu sei, Senhor, o poder da oração e, como o Jaguar tem todo o aspecto de uma pessoa muito religiosa, acredito na força das suas preces para que o Simonal demorasse a morrer e mais sofresse nesta vida que ele, Jaguar, preparou para ele. Morrer, na opinião do “cartunista”, significava uma felicidade para um escroque do tamanho do Simonal, com participação efetiva na revolução, na prisão da turma do “Pasquim”, na criação AI-5 e outras coisas inesquecivelmente nojentas, promovidas ou provocadas pelo tal cantorzinho.
A morte de Wilson Simonal deve ter trazido, afinal, um grande alívio para a cabeça deste verme que tem nome de fera, pois na citada “cabeça” estava a certeza que ele se dava de que o cantor era um homem de direita, safado, informante do SNI .
Wilson Simonal, homem de música e de show, maestro que regia o público ao seu bel-prazer, além da infelicidade de não ter nascido americano, australiano, inglês, canadense ou de qualquer nacionalidade de palavras inglesas, podia imaginar qualquer coisa, menos vir a ser considerado um “homem de direita”. Simonal, alienadamente músico, alucinadamente cantor, eslouquecidamente show-man, desbragadamente um homem do palco, nem sabia o significado das letras S, N e I, quanto mais ser um informante deste orgão da chamada “revolução”.
Mas… como no discurso que Sheakespeare escreveu… Jaguar queria e Jaguar é um homem bom; Simonal nunca se meteria em política, mas Jaguar dizia que sim e Jaguar é um homem honesto; Simonal vivia para sua arte e sua família, mas Jaguar é incapaz de uma mentira e Jaguar garantia sua participação efetiva na política.
Agora, pesando 28 quilos, após ser proibido por quase 30 anos de se apresentar em público, de gravar, de ter suas músicas tocadas em todas as emissoras do pais; depois de ver sua família passar necessidades até os meninos poderem trabalhar, afinal Wilson Simonal morre. Meus pêsames à música popular brasileira e minhas congratulações ao Jaguar, neste momento em que, pela última vez na minha vida, falo ou escrevo seu nome, para não sujar minha boca ou produzir um defeito no meu computador.
Chico Anysio

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

10 ANOS SEM LUIZ BANDEIRA...

Luiz Bandeira nasceu a 25 de dezembro de 1923.
Estreou na carreira artística em 1939, em um programa de calouros da Rádio Clube de Pernambuco, que o contratou em seguida. Foi violonista, radio-ator e cantor de orquestra. Em 1950 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como crooner no Copacabana Palace e na Rádio Nacional. Nessa década sua atuação como compositor se destaca. Teve outros sucessos nos anos 50, entre os quais sua composição mais conhecida, "Na Cadência do Samba", utilizada como tema do cinejornal Canal 100, sobre futebol. Também conhecida como "Que Bonito É", um dos versos, a música tornou-se sinônimo de futebol, apesar de não ter sido composta com essa intenção. Bandeira compôs jingles comerciais, foi produtor e compositor de frevos e baiões, além de sambas e marchas. Entre suas composições mais conhecidas estão "O Apito no Samba" (com Luiz Antônio), "Cafundó", "Onde Tu Tá, Neném", "Torei o Pau", "Volta" e "Voltei, Recife". Gravou alguns discos durante a carreira e ganhou prêmios de composição por seus frevos.
Considerado um dos maiores compositores de frevo, autor, entre outros, dos frevos-canções "Voltei, Recife" e "É de Fazer Chorar" (mais conhecida como "Quarta-Feira Ingrata").
Além de músicas carnavalescas, também é autor de sucessos gravados por Luiz Gonzaga ("Onde Tu Tá, Nenem"), Clara Nunes ("Viola de penedo") e outros grandes nomes da música popular brasileira. Sua música "Na Cadência do Samba" (também conhecida como "Que Bonito É") por muitos anos foi tema dos jogos de futebol exibidos pelo jornal do cinema.
Do Recife, seguiu, em 1950, para o Rio de Janeiro, onde animou noitadas no Copacabana Palace; trabalhou na Rádio Nacional, onde se projetaria como compositor. Em 1977, participou, no Japão, do Festival Internacional da Canção, com a música "Bia".
Em 1984, retornou ao Recife, onde morreria, a 22 de fevereiro de 1998, um domingo de carnaval.


Algumas de suas obras:
A canção dos meus amores (c/ Nicolino Cápia) • Açucena • Amor verdadeiro • Baião sacudido (c/ Humberto Teixeira) • Bom danado (c/ Ernâni Sève) • Cafundó • Carabina, frevo de rua • Carapeba (c/ Julinho) • Carioca mon ami (c/ Renato Araújo e Jean Broussolli) • Carnaval de Recife • Voltei Recife• Na cadência do samba• É de fazer chorar(...)

No cd frevo do mundo (2008), o grupo Eddie gravou essa antológica canção que faz parte do cancioneiro pernambucano e de uma festa de tradições tão arraigadas em nosso povo. A composição de Luiz Bandeira (É de fazer chorar), é a primeira faixa do cd.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

ZÉ RICARDO

Filho de uma grande fã da Motown e de um assíduo freqüentador de rodas de samba e choro do Rio de Janeiro o cantor, compositor e produtor musical Zé Ricardo, começou a chamar atenção com sua música, no início dos anos 90. Ele junta um violão rítmico na melhor tradição de João Bosco, Gilberto Gil e Djavan; refrões certeiros que grudam na cabeça; dicção limpa, música cantada em português; ao requinte de seu tempero samba-soul-jazz. Uma alma sonora que mescla o pop negro ..Made in USA.. à estética brasileira de ritmos, harmonias e melodias. O seu cd solo de estréia ..Zé Ricardo.. (1998 pela WEA), recebeu importantes aplausos da crítica que o considerou um expoente da nova geração da MPB!

Em 2002, lançou o segundo cd, o também muito elogiado, ..Tempero.. e em 2005 lançou no Brasil e em Portugal o seu terceiro cd, junto com o DVD ..Zé Ricardo ao Vivo.., um projeto ambicioso da Nega Produções em parceria com as produtoras AM2, Cinerama e a Link Digital com direção de Adriana Milagres. Nesse projeto ele contou com a participação de ídolos da música brasileira como Djavan, Sandra de Sá, Ed Motta, Toni Garrido e também do americano Victor Brooks. A carreira lançada também no exterior resultou na montagem do seu novo show ..Gravidade Groove.. apresentado no maior festival de música do Mundo, Rock in Rio Lisboa em junho de 2006. Nesse show Zé Ricardo traz o elemento eletrônico para sua sonoridade black. Samba, Soul, Hip Hop e certa dose de Rock´n Roll, compõem o repertório que ressalta a boa brasilidade em diferentes estilos. Agora ele esta na fase de pré-produção de seu novo cd que será lançado ainda esse ano (2008).

Zé Ricardo é fera, é bicho solto, como diria o ídolo e maior influenciador Djavan. Em seu 3° CD e 1° DVD, o cantor, compositor e guitarrista chama para si a responsabilidade de ser um dos representantes da nova “Música Preta Brasileira” (nome do grupo que forma com Sandra de Sá e Toni Garrido, que relê a obra dos mestres da black music). No disco, Zé lembra canções dos álbuns anteriores, “Você Me Ama e Não Sabe” e “Tempero” (o samba “Sexta-Feira”, a suingada “É Tão Bom”, a djavaneada “Azul Que Vale a Pena”, com incremento de scratches), presta tributos nada óbvios (“Ela Partiu” e “Bom Senso”, músicas menos conhecidas de Tim Maia; “Mas Que Nada”, de Jorge Ben Jor, com citação de “Água de Beber”, de Tom e Vinicius; “Never Can Say Goodbye”, famosa com Gloria Gaynor, em releitura funkeada) e atrai um timaço de convidados. Destaque para as baladas de acento soul, com os vocais de Djavan (“Eu Não Te Amo Mais”), Ed Motta (“Beijo do Olhar”) e Sandra de Sá (“Gostava de Ir”), além do encontro com os parceiros Sandra e Toni em “Bom Senso”. O som de Zé Ricardo é samba, funk, rap, soul, groove é traz um pouco de cada um desses convidados, de Tim Maia, Cassiano e dos melhores “gringos”.



Discografia:

Zé Ricardo

Faixas:
01 - Você chegou
02 - Me sinto livre
03 - Gosta de chuva
04 - Perfume
05 - Já
06 - Queda
07 - O show não pode parar
08 - Nossas tardes
09 - Loucura do tempo
10 - Sonho anunciado
11 - Movimento (vinheta)
12 - Acorde lindo
13 - Você me ama e não sabe



Tempero

Faixas:
01 - Intro
02 - Tempero
03 - Azul que vale a pena
04 - Sexta-feira
05 - Samba no funk
06 - É tão bom
07 - Beijo no olhar
08 - Vai pegar
09 - Deixa chover
10 - Só de amor
11 - Sabe tudo, sabe nada
12 - A beleza é você menina
13 - Gostava de ir
14 - Dançando com a vida



Zé Ricardo e Convidados Ao Vivo

Faixas:
01 - Dançando com a Vida (Zé Ricardo e Sandra de Sá)
02 - Sexta-Feira (Zé Ricardo, Sandra de Sá e Renata Arruda)
03 - Eu Não Te Amo Mais - Participação especial: Djavan (Zé Ricardo)
04 - Com Ela (Zé Ricardo e Jorge Salomão)
05 - Where Do We Go (Tudo Parou) - Participação especial: Victor Brooks
(Victor Brooks) - (Versão: Zé Ricardo)
06 - Mas Que Nada (Jorge Ben Jor)
07 - Beijo do Olhar - Participação especial: Ed Motta (Zé Ricardo e Thalma
de Freitas)
08 - É Tão Bom (Zé Ricardo e Paula Lima)
09 - Gostava de Ir - Participação especial: Sandra de Sá (Zé Ricardo, Sandra
de Sá e Renata Arruda)
10 - Azul Que Vale a Pena (Zé Ricardo)
11 - Samba no Funk - Participação especial: Ivo Meirelles (Zé Ricardo)
12 - Você Chegou (Zé Ricardo e Régis Faria)
13 - Never Can Say Gooodbye - Participação especial: Victor Brooks
(Clifton Davis)
14 - Ela Partiu (Tim Maia)
15 - Bom Senso (Participações especiais: Toni Garrido e Sandra de Sá)
(Tim Maia)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

17/02/2008 - 22 ANOS SEM NELSON CAVAQUINHO

Carioca, adotou o apelido Nelson Cavaquinho desde jovem, quando tocava o instrumento nas rodas de samba promovidas pelos operários da fábrica em que trabalhava. Alegando que o instrumento era muito pequeno, passou para o violão. Na década de 30 aproximou-se de sambistas da Mangueira, como Cartola, Carlos Cachaça e Zé da Zilda, para quem passou a mostrar seus sambas simples e fundamentais. Por essa época, vendia-os por pouco dinheiro. Começou a fazer algum sucesso como compositor nos anos 40, quando Cyro Monteiro gravou algumas de suas músicas. Em meados da década de 50 conheceu o parceiro Guilherme de Brito, com quem compôs sambas como "A Flor e o Espinho" (com Alcides Caminha), "Folhas Secas", Quando Eu Me Chamar Saudade" e "Pranto de Poeta". Foi uma das atrações do bar Zicartola, mantido por Cartola e a esposa Zica, onde foi descoberto, em meados dos anos 60, pelos intelectuais. Nos anos 60 teve músicas gravadas por Elizeth Cardoso, e em 1966 a CBS lançou um disco só com composições suas, com a cantora Telma Costa, produzido por Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, em que aparece também como intérprete em algumas faixas. Com sua voz rouca, deixou gravados outros discos, em que interpreta, além das já citadas, "O Bem e o Mal" (com G. de Brito), "Juízo Final" (com Elcio Soares), "Pode Sorrir" (com G. de Brito), "Eu e as Flores" (com Jair do Cavaquinho), "Rugas" (com Ary Monteiro/ Garcez), "Rei Vadio" (com Joaquim), "Vou Partir" (com Jair Costa), "Minha Festa" (com G. de Brito), "Degraus da Vida" (com Cesar Brasil/ Antônio Braga), "Luto" (com Sebastião Neves/ G. de Brito), "Notícia" (com Alcides Bahia/ Alcides Caminha), "Palhaço" (com Oswaldo Martins/ Washington). Consagrado como um dos maiores sambistas do Brasil, foi gravado por diversos cantores, desde Chico Buarque e Paulinho da Viola até Arnaldo Antunes, que fez uma recriação para "Juízo Final" em seus disco "O Silêncio".

sábado, 16 de fevereiro de 2008

A PÉROLA NEGRA DE LUIZ MELODIA

No início dos anos 70, já passados o impacto "pra dentro" da Bossa Nova e recém assimilando o impacto "pra fora" da Tropicália, a música brasileira se torna cidadã do mundo, incorporando elementos os mais diversos para compor algo com nossa cara... Tim Maia acrescenta elementos de brasilidade ao soul e mais tarde ao funk a la Montown.. Jorge Ben, Trio Mocotó e Black Rio aos poucos davam forma a um tipo bem brasileiro de Black music, o próprio samba ia ganhando novas conotações (por exemplo, com a dupla João Bosco e Aldir Blanc), enquanto elementos de um rock mais sombrio -inspirados no fusion - tomavam conta dos trabalhos de Milton Nascimento e Elis Regina.. No meio dessa zona surge um disco que ao mesmo tempo era uma espécie de simbolo complexo dessa pluralidade, e e um elemento novo que destoava completamente do que estava sendo feito.

Luis Melodia, carioca do morro do estácio, tinha tudo pra ser um sambista dos bons - e compos realmente sambas fantásticos - mas decidiu deixar-se levar pelo momento histórico privilegiado e misturar múltiplas influências. Criou um disco que é único, sem gênero ou em qualquer outra espécie de classificação. Não gerou linhagem, não criou escola nem seguidores, pois o que fez é de uma espécie de esperimentalismo diferente do que o país estava (está) acostumado, menos espalhafatoso que tropicalismo e afins, menos sóbrio e pop que os mineiros do clube, com muito mais arestas que o samba rock de Jorge Ben... O próprio disco já era um samba do criolo doido. Tem gêneros tradicionas - o samba canção de Estácio, eu e você, gêneros tradicionas mas com elementos de desconstrução - os gritos insanos no forró de janeiro, musicas que misturam diversos gêneros - estas caminham para um anticlimax, tanto pela resolução musical quanto pelo nom-sense da letra - gêneros que são tradicionais, mas não no Brasil, como no pop swing de Objeto h, etc... Quando a música segue um sentido mais tradicional (embora quase sempre com um ou outro sutil efeito inusitado), a letra caminha para o nom-sense (O sol, não adivinha/ Baby, é magrelinha/ No coração do Brasil).

Arranjos sutis (Pérola Negra só tem piano, baixo e naipe de metais) precisos e conscientes, mistura de ritmos sem nacionalismo gatuíto, muitas vezes chocando varios gêneros dos países centrais para resignificá-los, sem apelar para coloridos tupiniquins. Outras vezes a resignificação se dá pela letra, cujo sentido fica em suspenso (e sem ter uma prioridade ritmica tão marcada como em Jorge Ben). Estilo de interpretação fantástico - o cara canta muito. Caso o disco não fosse tão bom, integraria a lista dos mais fundamentais do Brasil pelo que mantém de inusitado, sendo um caso único e peculiar...

Pérola Negra - 1973 - POLYGRAM

Direção de Produção: Guilherme Araújo
Direção Musical: Perinho Albuquerque
Direção de Estúdio: Sérgio M. de Carvalho
Técnicos de Gravação: Luigi, Luiz Paulo, Yeddo
Estúdio: Phonogram - Somil
Arranjos: Perinho Albuquerque, Arthur Verocai (Prá Aquietar)
Corte: Joaquim Figueira
Fotos e Capa: Rubens Maia
Arte do CD: Vanessa Stephanenko

Faixas:
01 - Estácio, Eu E Você (Luiz Melodia)
Com o Regional de Canhoto

02 - Vale Quanto Pesa (Luiz Melodia)
Violão e Viola: Perinho Albuquerque
Piano: Antonio Perna
Baixo: Rubão Sabino
Bateria: Lula
Percussão: Robertinho e Luis Paraguai

03 - Estácio, Holly Estácio (Luiz Melodia)
Violão: Perinho Albuquerque
Piano: Antonio Perna
Baixo: Rubão Sabino
Bateria: Robertinho
Gaita de Boca: Rildo Hora

04 - Prá Aquietar (Luiz Melodia)
Piano: Hugo Bellard
Baixo: Fernando Leporace
Guitarra: Hyldom
Bateria: Pascoal
Arranjo e Regência: Arthur Verocai

05 - Abundantemente Morte (Luiz Melodia)
Violão e Guitarra: Perinho Albuquerque

06 - Pérola Negra (Luiz Melodia)
Piano: Antonio Perna
Baixo: Rubão Sabino

07 - Magrelinha (Luiz Melodia)
Guitarra: Perinho Albuquerque
Piano: Antonio Perna
Baixo: Rubão Sabino

08 - Farrapo Humano (Luiz Melodia)
Guitarra: Piau
Piano: Antonio Perna
Baixo: Rubão Sabino
Bateria: Lula
Percussão: Robertinho e Luis Paraguai

09 - Objeto H (Luiz Melodia)
Violão e Guitarra: Perinho Albuquerque
Piano: Antonio Perna
Baixo: Rubão Sabino
Bateria: Lula

10 - Forró De Janeiro (Luiz Melodia)
Violão e Viola: Perinho Albuquerque
Acordeão: Dominguinhos
Baixo: Luis Alves
Percussão: Robertinho, Lula e Luis Paraguai
Part. Esp.: Damião Experiença

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

DICAS DA MUSICARIA

Em 1972 "Clube da Esquina" seria lançado como disco de carreira de Milton Nascimento, mas o garoto Lô que já participava de discos do Milton, arrasou nesse. O álbum acabou saindo como Milton / Lô. Na verdade temos o time completo aqui, o disco deveria ser assinado por uma banda, chamada Clube da Esquina. Tocando e cantando nesse disco temos Lô Borges, Beto Guedes, Toninho Horta, Rubinho, Wagner Tiso, Milton Nascimento, Tavito, Robertinho Silva, Luiz Alves, Nelson Angelo, Paulo Moura, Paulinho Braga, Luiz Gonzaga Jr, Eumir Deodato e Alaíde Costa. O disco é uma verdadeira obra prima, necessário em qualquer acervo. "Tudo que Você Podia Ser", música de Lô e Márcio, abre o disco na voz de Milton Nascimento. "O Trem Azul" é a 3º faixa, uns dos maiores clássicos de Lô, tendo sido posteriormente gravado pela Elis Regina e pelo Tom Jobim, motivando um grande orgulho para o Lô. Outro destaque de Lô é "Nuvem Cigana", uma das muitas parcerias maravilhosas com Ronaldo Bastos. Depois temos o grande clássico "Um Girassol Da Cor de Seu Cabelo", onde Lô mostra grande talento apesar da pouca idade, tocando com uma orquestra fantástica regida por Eumir Deodato. "Clube da Esquina nº 2" na versão instrumental é uma pérola do disco, que nessa época ainda não tinha letra, completada anos depois por Marcinho, Lô e Bituca em três cidades, BH, Três Pontas e Rio. Lô toca piano em "Paisagem Da Janela". "Trem de Doido" é outra grande música de Lô no álbum. Foi remasterizado em Abbey Road e lançado em CD em 1994. Em vinil é duplo, e foi lançado em um CD simples, com um ótimo encarte. Pode ser encontrado facilmente nas lojas. Em 2007 em comemoração aos 35 anos de lançamento foi relançado em uma edição especial comemorativa.

Faixas:
01 - Tudo que você podia ser (Lô Borges / Márco Borges)
02 - Cais (Milton Nascimento / Ronaldo Bastos)
03 - O trem azul (Lô Borges / Ronaldo Bastos)
04 - Saídas e bandeiras nº 1 (Milton Nascimento / Fernando Brant)
05 - Nuvem cigana (Lô Borges / Ronaldo Bastos)
06 - Cravo e canela (Milton Nascimento / Ronaldo Bastos)
07 - Dos cruces (Carmelo Larrea)
08 - Um girassol da cor de seu cabelo (Lô Borges / Márcio Borges)
09 - San Vicente (Milton Nascimento / Fernando Brant)
10 - Estrelas (Lô Borges / Márcio Borges)
11 - Clube da esquina nº 2 (instrumental) (Milton Nascimento / Lô Borges / Márcio Borges)
12 - Paisagem da janela (Lô Borges / Fernando Brant)
13 - Me deixa em paz (Monsueto C. Menezes / Ayrton Amorim)
14 - Os povos (Milton Nascimento / Márcio Borges)
15 - Saídas e bandeiras nº 2 (Milton Nascimento / Fernando Brant)
16 - Um gosto de sol (Milton Nascimento / Ronaldo Bastos)
17 - Pelo amor de Deus (Milton Nascimento / Fernando Brant)
18 - Lilia (Milton Nascimento)
19 - Trem de doido (Lô Borges / Márcio Borges)
20 - Nada será como antes (Milton Nascimento / Ronaldo Bastos)
21 - Ao que vai nascer (Milton Nascimento / Fernando Brant)

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