segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

GERALDO VANDRÉ: O MORTO-VIVO DA DITADURA DO BRASIL

Por Abílio Neto




Deixo claro que a firmeza do meu canto vem da certeza que tenho de que o poder que cresce sobre a pobreza e faz dos fracos riqueza, foi que me fez cantador”. (Geraldo Vandré em 1968, na introdução da canção “Terra Plana”)


Só existem dois mitos na música brasileira: Elis Regina e Geraldo Vandré. Elis com a sua morte precoce, aos 36 anos, e Geraldo Vandré com a sua renúncia à vida, na “volta” do exílio em 1973.

Geraldo Vandré se transformou num morto-vivo aos 38 anos de idade. Está atualmente com 77 anos. Como se vê, tem mais anos como morto insepulto do que vivo.

O que teria ocorrido para que esse paraibano de João Pessoa abandonasse uma carreira artística tão promissora que em pouco tempo fez dele o maior compositor brasileiro? A resposta é muito simples e está nestes versos:



... Pelos campos há fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição
De morrer pela pátria e viver sem razão

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer...

Em 1968, estes versos foram cantados pelo próprio Vandré se acompanhando ao violão para delírio de 30 mil pessoas que lotavam o Maracanãzinho que vaiavam estrepitosamente a música “Sabiá”, de Tom Jobim e Chico Buarque. Vandré pegou o microfone e falou: “A vida não se resume a festivais”.

Gravada logo em seguida, surpreendentemente, por Luiz Gonzaga, a música seria logo proibida depois do advento do AI 5, afinal nenhuma ditadura militar toleraria versos tão provocantes e verdadeiros. Mas essa era a característica marcante das canções de Vandré: ele era um doutrinador, um domador de consciência das massas, e se esse papel já preocupa os regimes democráticos, imagine o estrago que causou na ditadura militar brasileira e depois na chilena! Nenhum outro compositor brasileiro de antanho teve essa incrível capacidade que ele demonstrou.

Mas Geraldo Vandré começou sua carreira compondo e cantando canções de amor. Andou de namoro com a Bossa Nova e fez parcerias consagradas com Baden Powell, Carlos Lyra e Gilberto Gil, este último um tropicalista que ele passaria a criticar dizendo “ele faz qualquer coisa”. Foi ele o primeiro artista a gravar “Samba em Prelúdio”, de Baden e Vinícus, em companhia de Ana Lúcia, que fez estrondoso sucesso em fevereiro de 1963 ao ser lançada em compacto. 

Por outro lado, não se pode negar o engajamento político de Vandré. Em julho de 1968, ele viajou para a Europa em companhia do Trio Marayá para fazer diversas apresentações e participar do Festival Internacional de Música da Bulgária. Lá, a sua canção “Che”, em homenagem a Che Guevara, morto na Bolívia em outubro de 1967, foi consagrada como a canção medalha de ouro e ele como o melhor intérprete. Esta mesma canção foi gravada por ele com o Trio Marayá na França, aproveitando a turnê européia. Que Vandré era o artista mais visado pelos milicos, disso não resta a menor dúvida. Na final do FIC de 1968, no Maracanãzinho, um jurado chegou a escrever na sua ficha de votação para nota: “left”. Outro escreveu: “left dangerous”. Seria impossível “Caminhando” ganhar ali!

O que foi dito acima está comprovado pelas anotações dos serviços de segurança do II Exército, não somente em relação a Vandré assim como a outros artistas. Vejamos o que escreveu Marcos Napolitano, historiador da UFPR:

A explosão dos festivais da canção, sobretudo os festivais da TV Record de São Paulo, a partir de 1966, coincidiu com o crescimento da agitação estudantil. A "setembrada" estudantil daquele ano, quando os estudantes saíram às ruas para protestar contra o regime, foi seguida pela "outubrada" musical, culminando no frenesi provocado pelas apresentações de “A banda” e “Disparada”, esta última consolidando a vocação de sucesso comercial da canção engajada brasileira. No ano seguinte, 1967, os serviços de vigilância e repressão apontavam, em Informação produzida pelo II Exército de São Paulo, a TV Record e a Rádio Panamericana (atual Jovem Pan) como "foco" de "ação psicológica sobre o público, desenvolvida por um grupo de cantores e compositores de orientação filo-comunista, atualmente em franca atividade nos meios culturais". O relator dá nome aos "agentes do grupo": Elis Regina, Gilberto Gil, Nara Leão, Chico Buarque, Edu Lobo e Geraldo Vandré. O restante do documento é uma mistura de fragmentos de delação, registros de eventos públicos e “considerandos” do agente.





A ação se desenvolve através da chamada "música de protesto", numa propaganda subliminar muito bem conduzida. Entre as músicas mais difundidas por aquelas emissoras, destaca-se AROEIRA, de Geraldo Vandré, cujo texto emprega ostensivamente a revolta e a subversão. 

Geraldo Vandré, que é também fiscal da SUNAB, é tido como comunista atuante. Consta que seu pai, médico em João Pessoa, é um dos chefes comunistas do Estado da Paraíba. 

No dia 5 de julho teve início o programa "DIA DA M.P.B." desenvolvido pelo referido grupo. O programa procura interessar particularmente aos estudantes, alguns, portando cartazes com inscrições também de protesto, outros com frases MPPD (Movimento Popular Pela Democracia). O programa desse dia foi dirigido pela cantora Elis Regina, o próximo, dia 12/07, será dirigido por Geraldo Vandré. 

Depois de arrolar os dados pessoais e profissionais, sugerir ligações com atividades culturais contestadoras e nomear Vandré como arauto da canção de protesto, o relator do documento culmina na prova maior da subversão: as ligações com grupos de esquerda clandestinos e a viagem a países do bloco soviético: 

Geraldo Vandré é tido como comunista atuante. Consta que seu pai, médico em João Pessoa, é um dos chefes comunistas do Estado da Paraíba. Segundo anotações datadas de 13 de agosto de 1968, GV é identificado como pertencente ao movimento determinado "AP". Encontra-se na Bulgária, onde participou do Festival Mundial da Juventude realizado em Sófia, concorrendo com a apresentação de uma canção denominada "CHE", obtendo o 1º lugar, sendo-lhe agraciado o grande prêmio medalha de ouro. O cantor em apreço deixou o Brasil no dia 22 de julho último, acompanhado do Trio Maraiá, compondo uma comitiva de 150 pessoas, incluindo intelectuais, estudantes e parlamentares. Consta que atualmente se encontra em Moscou, onde fará uma série de apresentações na TV Russa. Seu regresso está previsto para o dia 30, em São Paulo, vindo de Lisboa. (Informação 093, DOPS/DI, 14/10/1968)”.

No começo de 1969, Geraldo Vandré foi para o Chile. Iria fazer um show em Brasília em dezembro de 1968, acompanhado por um grupo de músicos no qual estava incluído o pernambucano Geraldo Azevedo, quando foi avisado pela então mulher de Caetano, Dedé Veloso, de que os milicos estavam à sua cata para prendê-lo e quem sabe fazer o que dele? 

Disse Vandré a Geneton Moraes Neto, na entrevista que se pode ver abaixo, que voltou para São Paulo guiando seu próprio carro. As coisas não aconteceram bem assim. Ele se refugiou na casa da viúva do escritor Guimarães Rosa e de lá só saiu para embarcar para o Chile devidamente “preparado” para que não fosse reconhecido pela Polícia Federal. Conseguiu fugir do país com um passaporte falso arrumado por amigos. Era fevereiro de 1969. Outra versão dá conta de que ele fugiu para o Uruguai disfarçado de paciente em uma ambulância. 

No final daquele mesmo ano ele gravou um compacto no Chile com duas músicas: 1) Caminhando (na versão em espanhol) e 2) Desacordonar. Esta última canção eu considero a maior que ele fez. Ela trazia mais conscientização de massas e mais problemas para ele com os militares, desta vez os chilenos. Os serviços de inteligência das Forças Armadas de lá passaram a monitorar seus passos. Em novembro de 1970, Salvador Allende tomou posse na presidência do Chile para desespero de Richard Nixon, da CIA e do regime ditatorial brasileiro. 

Geraldo Vandré partiu para a África e depois para a Europa em 1970. Na França gravou um disco primoroso que somente seria lançado no Brasil em 1973: “Das Terras de Benvirá”. Juntou-se a músicos brasileiros e fez uma turnê por diversos países. Foi por esse tempo que conheceu o músico Marcelo Melo que estudava na Bélgica e em 1971 regressaria ao Brasil fundando com outros músicos o Quinteto Violado. Há um importante vídeo dele na Alemanha em 1970 cantando sua música “Modinha”.

Foi também desse período a sua prisão com um grupo de amigos na França porque faziam uso do haxixe. Ele que era casado com uma chilena, passou a viver um drama pessoal porque a mulher o abandonou e voltou ao seu país. Geraldo, querendo salvar seu casamento, voltou ao Chile em 1972 e nesse mesmo ano participou de um festival de música no Peru sendo premiado com a canção “Pátria Amada, Salve, Salve”, dele e Manduka, este já falecido. Antes do disco citado acima, lançado na França, o Brasil já contabilizava quatro LP seus: 1) Geraldo Vandré – 1964; 2) Hora de Lutar – 1965; 3) Cinco Anos de Canção – 1966; 4) Canto Geral – 1968. Antes dos LP gravou alguns compactos entre 1963 e 1964. 

 No meado de 1973, o Chile era uma agitação sem fim. A CIA financiava os empresários chilenos para que estes fizessem greve paralisando a atividade de comércio, indústria e transporte com o fim de desestabilizar o governo Allende e os militares já se organizavam para dar o bote final pela tomada do poder. No começo de julho de 1973, os militares chilenos puseram a mão em Vandré e comunicaram a seus colegas brasileiros. Não o queriam lá. Um avião da FAB foi destacado para ir buscar o ilustre “fisgado” no Chile. 

Foi nesse vôo do Chile para o Brasil que Vandré conheceu o seu santo salvador, o seu anjo da guarda ou seu grande enganador. O militar, um coronel aviador da FAB, era seu "admirador" e sabia o que o aguardava no Brasil. Temia até pela sua vida! Com o desembarque em terras brasileiras, o Exército deu sumiço a Vandré por 58 dias, mas o anjo da guarda sempre descobria onde ele estava e não permitia que ele morresse nas sessões de tortura. Apesar dessa intervenção em seu favor, notícias de bastidores militares dão conta de que Vandré sofreu lavagem cerebral, internação em hospital psiquiátrico e até a perda dos testículos! Tudo isso para aprender a não fazer mais canção dizendo que “militar vive sem razão”. Ele nega que tenha sido torturado na sua volta ao Brasil. Quando morrer de fato e de direito, seu cadáver deverá ser examinado para esclarecer sua comentada emasculação perante a história política deste país. Por outro lado, disseram alguns esquerdistas, que ele pode ter sido vítima do “militar bom”, aquele que dá uma falsa impressão de que protege a vítima de tortura tal como se fosse uma versão do “policial bom” que faz o papel de suposto defensor dos oprimidos. 

Com o compositor já transformado no trapo que os militares queriam, “apareceu” no aeroporto de Brasília justamente em 11/09/1973, data que Pinochet deu o golpe fatal, matou Allende e ocupou o poder. Vandré surgiu como se tivesse desembarcado do Chile naquele momento! Isso se fosse possível naquele fatídico dia 11 de setembro chileno, quando ninguém entrava ou saía do país. Por incrível que pareça, estava de plantão no aeroporto um repórter da Rede Globo à espera dele que o entrevistou e ouviu sua “confissão” de que dali em diante somente faria “canções de amor”. Gilberto Gil, em 1972, foi obrigado a dizer coisa parecida! Pronto, a partir dessa entrevista estava morto o grande artista Geraldo Vandré. O que sobrou para nós foi o triste Geraldo Pedrosa. Mas Vandré ainda é muito inteligente: na entrevista a Geneton ele nos faz entender de que participou de uma farsa. 

Depois disso tudo, Vandré tornou-se até agressivo com seus fãs. Morando no centro de São Paulo, no Baixo Bixiga, certa vez foi reconhecido por um deles que gritou: Vandré!!! Ele respondeu de modo áspero: “meu nome agora é Geraldo Pedrosa, porra”! Jair Rodrigues, intérprete de “Disparada” e seu amigo, certa vez esteve à sua procura e lhe pediu para voltar à vida artística com o argumento de que o povo ainda o queria muito! Ele respondeu: “Que se dane o povo. O povo é uma lombriga”!



Elba Ramalho, como amiga dele que era, teve que aturar as suas esquisitices por um bom tempo, andando com ele pra cima e pra baixo, até que lhe pediu autorização para gravar “Canção da Despedida” e ele a negou. Inconformada ela ligou para o outro parceiro de Vandré na música, Geraldo Azevedo, que procurou falar com ele. Pra vocês terem uma idéia, Vandré permitiu que a música fosse gravada somente com o nome de Geraldo Azevedo como autor porque ele não queria que o seu nome aparecesse mais em discos gravados no Brasil. Aconteceu em 1983, por ocasião da gravação do LP “Coração Brasileiro”. A música foi composta em dezembro de 1968, quando Vandré pressentiu que não mais poderia ficar no Brasil. Isso demonstra para qualquer ser vivo como Geraldo Pedrosa matou Geraldo Vandré ou o obrigaram a fazer isso. Elba Ramalho, na época, o chamou de louco. Fácil não é, Elba? Você passou por tudo aquilo? Geraldo Azevedo não disse nada porque foi preso duas vezes e severamente torturado, chegando a presenciar a morte de um “subversivo” nas mãos dos torturadores. 

Em 01/01/1993, Geraldo Vandré, surpreendentemente, apareceu na posse de Paulo Maluf que havia sido eleito para o cargo antes ocupado por Luiza Erundina: prefeito da cidade de São Paulo. Foi até fotografado (de óculos escuros) por trás dos protagonistas. Indagado sobre o porquê da sua presença naquele evento, disse que “ali estava para garantir a posse”! Outra esquisitice sua foi o fato de se deixar fotografar em frente ao Clube da Aeronáutica como se duas asas estivessem presas à sua cabeça, as asas da sua suposta proteção militar. 

Voltando ao tema autorização de Vandré, o mesmo aconteceu com Marcelo Melo em 1997, ocasião em que o Quinteto Violado se preparava para gravar um CD em sua homenagem. Ele, além de não autorizar as gravações, ainda falou mal do grupo pernambucano. Dizem que ele se entendeu com Zé Ramalho, já neste século XXI, quando este gravou “Fica Mal Com Deus” fazendo um dueto póstumo com Luiz Gonzaga. É um informe ainda sem confirmação. 

A conclusão lógica de toda essa confusão mental apresentada pelo Vandré, é que ele foi forçado a essa situação dolorida: ou parava com a sua arte de cantor/compositor ou morria. Ele não teve escolha! Ah, mas antes disso ele fez uma canção para a FAB que se chama “Fabiana”, que foi apresentada aos militares da Aeronáutica em 1976 e cantada pela primeira vez em 1985. Não me perguntem por que ele não fez música pro Exército também. Agora a ladainha dele é velha: vem repetindo-a desde 1978 quando concedeu entrevista para Assis Ângelo, publicada no extinto Folhetim da Folha de São Paulo. 

Criticar Geraldo Vandré por uma possível opção para continuar vivo é muito cômodo. Difícil é passar por tudo o que ele sofreu e demonstrar ainda alguma lucidez numa entrevista. Pois ele a mostrou! Se bem que é facilmente perceptível que em alguns momentos ele se embanana com bobagens, mas em certos trechos da entrevista consegue ser impressionante! Fiquei chocado quando publiquei esta entrevista dele com o Geneton em 2010, no final daquele ano, em postagem retirada do ar (Jornal da Besta Fubana) porque um compositor que tenho em alta conta ocupou o espaço dos comentários para dizer que Vandré é um fantoche. Que ele nunca existiu para a música brasileira. É imensamente triste constatar que o Brasil perdeu o respeito por Geraldo Vandré! 

Entenderam agora o motivo pelo qual ele concedeu a entrevista vestido com uma camisa branca com o distintivo da FAB, compôs uma canção chamada “Fabiana” em sua homenagem e quando vai ao Rio de Janeiro, visitar sua mãe, se hospeda no Clube da Aeronáutica, local onde a entrevista foi realizada? 

É simples! A FAB o retirou de um país onde certamente seria morto e um seu oficial aparentemente não permitiu que ele fosse jogado, sem identificação, numa vala clandestina de um cemitério qualquer de São Paulo ou de outro lugar. Se isso foi verdadeiro e ele é grato por isso, está certíssimo! Como disse num dos seus filmes o saudoso Cantinflas, “é preferível um covarde vivo a cem heróis mortos”! 

Depois dessa entrevista e de conhecer esses “fatos” acima narrados, minha admiração por ele cresceu. Ah, tenho o áudio de sua canção “Desacordonar” que me foi presenteado por um oficial da reserva da Aeronáutica. O áudio não estava bom, mas aí apareceu um amigo cibernético que me mandou outro digno de ser ouvido! Fico a escutar os nove minutos da canção e às vezes me pego olhando esta fotografia acima, do Vandré pós 1973 e já no ocaso da vida, não sem algumas lágrimas nos olhos. Já dizia Fernando Pessoa tomando emprestada dos primeiros navegadores portugueses esta expressão: “Navegar é preciso. Viver, não é preciso”. 

A prova de que sepultaram Vandré em vida se compreende com a indesculpável falha da Rede Globo permitindo que se destruísse o vídeo com as imagens do Maracanãzinho lotado em 1968 com Vandré cantando “Caminhando”, tudo para agradar aos milicos. Prestem atenção que na entrevista abaixo ele cobra isso do inquiridor global. As únicas imagens de Geraldo Vandré ao vivo estão aqui, quando ele canta “Aroeira” em companhia do Trio Marayá e do Quarteto Novo. A gravação é de 1967.




Agora assistam a entrevista completa com o que sobrou do grande artista Geraldo Vandré. Ela é deprimente em alguns momentos, porém bastante elucidativa em outros! Vejam que na abertura do programa, o locutor oficial disse que seria decifrado o enigma Geraldo Vandré. Não foi isso o que aconteceu. A entrevista confundiu mais do que esclareceu. Cotejada com outros fatos omissos, ela ganha uma importância fundamental para que se assimile por completo a figura humana do Geraldo Vandré que chegou aos dias atuais. Concordo com ele em certos pontos: o Brasil de hoje não tem mais cultura para curtir as suas músicas. 

Geraldo Pedrosa de Araújo Dias nasceu em João Pessoa/PB em 12 de Setembro de 1935 e já demonstrava forte inclinação musical quando fez o curso ginasial num colégio interno em Nazaré da Mata/PE. O nome Vandré é a abreviatura de Vandregésilo, que é como se chamava seu pai, médico e tido por comunista. O escritor e crítico musical Ricardo Anísio, seu conterrâneo, é quem cuidará da sua biografia autorizada. Acho que terá um trabalho imenso para mostrar ao Brasil que o verdadeiro cantor/compositor não é esse que foi entrevistado por Geneton Moraes Neto, famoso jornalista pernambucano. Quem falou ali foi Geraldo Pedrosa. Geraldo Vandré continua no exílio conforme ele próprio declarou.

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